Onde estávamos mesmo? Ah, sim... no novo filme do Quarteto Fantástico.
Após seis décadas de quadrinhos, desenhos e sofridos quatro filmes (3½, na verdade), os primeiros passos de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos seguem como os mais difíceis de trilhar. É uma ironia paradoxal. A cronologia é vasta e todos os seus clichês e arquétipos são reconhecíveis a parsecs de distância: um núcleo familiar, ou quase, protagonizando histórias que aliam fantasia, misticismo, mitologia e, claro, ficção científica a um contexto pop-aventuresco para toda a família. É um pacotão de entretenimento vencedor que sempre foi mantido atualizado.
Por algum motivo, no caso do Quarteto, a coisa invariavelmente adquire contornos complexos de concepção, transposição e execução. Talvez por lidar diretamente com o material bruto, bizarro e fantasticamente doidão criado por Jack Kirby e Stan Lee. Mais do que qualquer coisa que fizeram na Marvel, a química da dupla no Quarteto era da pura. A fine entry drug, difícil de reproduzir com integridade fora daquela mídia. Então, cada vez que se cogita um novo filme da "Primeira Família", é um drama, quase como se fosse algo infilmável. Primeiros Passos talvez seja o, arram, primeiro passo do mythos original rumo ao sonho descomplicado de uma franquia de verão.*
* não me refiro à performance nas bilheterias, onde o longa afundou drasticamente nas semanas seguintes, mas ao potencial escapista por excelência. A normalidade de sentar em frente à tevê, abrir uma cerveja e ver super-heróis viajando até um universo de antimatéria para sair no braço com um gafanhoto antropomórfico de metal. É pedir muito?
O diretor Matt Shakman é veterano de séries, de Game of Thrones e The Boys a Succession e WandaVision, quase um test drive da abordagem vintage de Primeiros Passos. Sabia exatamente como lapidar e conferir gravitas ao roteiro formulaico escrito a oito mãos (fora o aveludado par da Kat Wood, coautora da premissa). Particularmente, tinha minhas restrições com a ideia do filme se passar no ano de 1964 de um universo/realidade alternativa, apesar da jornada acachapante pelo Multiverso na série Loki – e não existe nada mais over-the-top no MCU do que Loki. Felizmente, a opção teve 99,9% de aproveitamento.
Os personagens parecem pertencer à tal Terra-828 bem mais do que à ilha de cinismo e irreverência da Terra-616 (ex-Terra-199999). A bela direção de arte futurista retrô à Syd Mead, além de um delicioso e irresistível guilty pleasure, também evidencia o impacto social, político e tecnológico causado pela existência de um Quarteto Fantástico naquele mundo. Algo bem Watchmen, se o Grande Barba me permitir a referência.
A trama é o basicão do sci fi pré-apocalíptico. Lá, o Quarteto Fantástico já existe há quatro anos, é adorado pelo público e, através de sua Fundação Futuro, tem parcerias com todos os governos (menos o da Latvéria!). Coisa, Tocha Humana, Mulher Invisível e Senhor Fantástico são celebridades pop defendendo o Silver Age Way of Life de supervilões da 2ª divisão. Isso até a chegada da Surfista Prateada anunciando a vinda de Galactus e o fim do mundo. A partir dali, a escala deixa de ser global e se torna cósmica.
A transição de escopo é sensacional. Dá pra sentir toda a tensão, medo e incerteza do Quarteto – em especial, de Reed Richards – frente ao imponderável pela 1ª vez. Pedro Pascal anda onipresente e triscando na hiperexposição (falta só fazer comercial da Bombril), mas tem uma grande vantagem: é um excelente ator. Transmite com maestria toda a frustração e impotência de Richards, com seu controle emocional e pensamento lógico ruindo diante de uma ameaça com tecnologia e poder vastamente superiores.
Já o Coisa de Ebon Moss-Bachrach (o Richie, de The Bear), visualmente, é o melhor Coisa que o dinheiro da renderização digital poderia comprar. Fidedigno. No texto e na caracterização de Moss-Bachrach, porém, deixa um pouco a desejar com a voz suave e um perfil bonzinho/paciente/conformado demais. Assim fica fácil para a Gangue da Rua Yancy. Prefiro o Michael Chiklis.
A Sue Richards de Vanessa Kirby, cheia do soft “girl” power, e o maninho Johnny de Joseph Quinn (keep metal, Eddie!) foram a primeira surpresa para mim. Além de cativantes, ambos têm as melhores cenas entre os quatro e decidem a partida com jogadas individuais em momentos-chave. São os grandes protagonistas do filme.
A outra surpresa foi a controversa Surfista Prateada Shalla Bal, numa escalação que se mostrou muito acertada no final das contas. Primeiro, porque Julia Garner é uma atriz espetacular, saltando do aterrorizante ao fragilizado com uma desenvoltura... fantástica. Segundo, a desconstrução da personagem ao longo do filme deixa sua figura ainda mais trágica e humana, com todos os seus erros, adversidades e superações. E terceiro, é dela as sequências de ação mais eletrizantes do filme, com a Surfista de fato surfando em um rio de lava, em perseguição faster-than-light ao Quarteto dentro de um buraco de minhoca e até no campo gravitacional de uma estrela de nêutrons. A tela grande ficou pequena.
E Galactus. Na cena em que ele é apresentado num crescendo nervoso, emergindo lentamente das sombras, confesso que até esqueci de respirar. Sonho realizado #385, check.
Pode ser a saudável influência de James Gunn em assumir o esdrúxulo para o mundo sem medo de ser feliz. O fato é que o velho Galan enfim saiu das páginas em toda a sua glória live action – armadura roxa e balde na cabeça inclusos. O vozeirão basso profondo do britânico Ralph Ineson confere um tom imponente, solene e ancestral ao Devorador de Mundos. O design segue o padrão clássico das HQs quase à risca, com linhas e detalhezinhos high tech ao longo da gigantesca armadura, lembrando a concepção do artista italiano Giorgio Comolo. Na Terra, ele é um arranha-céu ambulante, muito maior que nos quadrinhos.
Logicamente, algumas bolas batem na trave. Ao invés de consumir os planetas diretamente com o auxílio de seus conversores, Galactus tritura os astros em sua nave como se fosse o Unicron. Bem menos impressionante. A nave, aliás, parece ser a Star Sphere que Galactus usa quando sai de Taa II, sua nave-mãe-pai-e-avós com as dimensões de um sistema planetário. Pena não rolar ao menos uma frase com um fanservice maroto.
Outro detalhe esquisito foi a fuga do Quarteto da nave. Como nas HQs, o Galactus do filme pode imobilizar seus oponentes com o pensamento, assim como faz com a Surfista em dado momento. Então não tem muito sentido aquela correria toda, senão o fruto de uma procrastinação galáctica.
Sobre a celeuma em torno da Mulher Invisível empurrando Galactus, posso listar umas notas de argumentação: 1) Sue é uma mãe defendendo o seu filho (além da Terra, óbvio); 2) A verdadeira extensão de seus poderes nos quadrinhos é tema de discussões a perder de vista e é algo que pode e deve ser aplicado à sua contraparte cinematográfica – e sabiamente evitaram o sanguinho no nariz; 3) Por fim, Galactus estava pronto para sua próxima lauta refeição e, portanto, com fome, enfraquecido e nessas condições, como todos sabemos...
Em suma, nada para ver aí, senão orgulho da Sue.
Me incomodou mesmo foi o Toupeira do canastrinho Paul Walter Hauser, numa repaginada clean e hipster do nosso grotesco favorito. E um desperdício pop do H.E.R.B.I.E. que Jon Favreau, Dave Filoni e, raios, James Gunn não deixariam passar.
Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é o filme que os Quatro Fantásticos mereciam há tempos. Não é a Mona Lisa do audiovisual, nem a reinvenção do Universo Marvel nos cinemas, mas reinventa a Primeira Família de uma forma genuína e digna. Digna do legado, da influência, dos gibis e, o mais importante, da pipoca.
Ps: só me faltou mesmo o Balde-Galactus.
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sexta-feira, 15 de agosto de 2025
Desafiadores do Conhecido
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quinta-feira, 17 de abril de 2025
Trailer de família
Hoje é o dia dos trailers inesperados. Fantástico!
Quarteto Fantástico enfim numa adaptação live action decente e sem tergirversar o material original de Stan Lee e Jack Kirby. E com um crescendo climático que os Vingadores levaram dez anos para construir nas telonas. A Marvel Studios parece dar os primeiros passos para reencontrar o caminho.
É um alívio finalmente ver o Pedro Pascal menos gaiato e mais sério e cerebral com seu Reed Richards. Reed é um racionalista chatão arrogante, pô. Gostamos dele assim. Já Vanessa Kirby soa meio gélida e indiferente como a Sue Richards. A ver. Joseph Quinn acerta no alvo com o Johnny Storm e o Coisa visualmente perfeito de Ebon Moss-Bachrach carece de mais diálogos. A Shalla Bal/Surfista Prateada (já falei que é Luminaris!) ficou bacana e praticamente reedita o pique-pega com o Tocha Humana no filme do Quarteto de 2007. Não vi sinal do John Malkovich. E o rolê Galáctico pelas ruas de NY fecha com um tiro de Nulificador Total.
Além disso, a vibe de recap retrô me dá a impressão de que adotaram a ótima Quarteto Fantástico: História de Vida como bíblia de produção.
Expectativa lá no alto, portanto. Droga.
Quarteto Fantástico enfim numa adaptação live action decente e sem tergirversar o material original de Stan Lee e Jack Kirby. E com um crescendo climático que os Vingadores levaram dez anos para construir nas telonas. A Marvel Studios parece dar os primeiros passos para reencontrar o caminho.
É um alívio finalmente ver o Pedro Pascal menos gaiato e mais sério e cerebral com seu Reed Richards. Reed é um racionalista chatão arrogante, pô. Gostamos dele assim. Já Vanessa Kirby soa meio gélida e indiferente como a Sue Richards. A ver. Joseph Quinn acerta no alvo com o Johnny Storm e o Coisa visualmente perfeito de Ebon Moss-Bachrach carece de mais diálogos. A Shalla Bal/Surfista Prateada (já falei que é Luminaris!) ficou bacana e praticamente reedita o pique-pega com o Tocha Humana no filme do Quarteto de 2007. Não vi sinal do John Malkovich. E o rolê Galáctico pelas ruas de NY fecha com um tiro de Nulificador Total.
Além disso, a vibe de recap retrô me dá a impressão de que adotaram a ótima Quarteto Fantástico: História de Vida como bíblia de produção.
Expectativa lá no alto, portanto. Droga.
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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025
A vinda do Fantástico
Trataram logo de tirar o Coisa do meio da sala.
Não passa despercebida a atitude Die Hard Silver Age à James Gunn no trailer de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos. Não tenho a menor dúvida que o diretor Matt Shakman mergulhou de cabeça nessa fonte. Sem medo de ser feliz, a produção assume todo o colorido, o farsesco, o H.E.R.B.I.E. e o Ben Grimm mais fiel aos quadrinhos desde o Quarteto Furado do saudoso Roger Corman. Assume o fantástico, enfim.
Confesso não estava dando a mínima para a proposta. Mas até a estética retrofuturista, calcada no genial Syd Mead, ficou linda. Só perde mesmo para a Sue Storm Vanessa Kirby, uma mulher nada invisível para 400 talheres. Agora o filme tem a minha atenção.
Se bem que aquele Galactus, assim, na seca, sem nem um drinkzinho antes, ativou os sensores de alerta do Edifício Baxter...
Não passa despercebida a atitude Die Hard Silver Age à James Gunn no trailer de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos. Não tenho a menor dúvida que o diretor Matt Shakman mergulhou de cabeça nessa fonte. Sem medo de ser feliz, a produção assume todo o colorido, o farsesco, o H.E.R.B.I.E. e o Ben Grimm mais fiel aos quadrinhos desde o Quarteto Furado do saudoso Roger Corman. Assume o fantástico, enfim.
Confesso não estava dando a mínima para a proposta. Mas até a estética retrofuturista, calcada no genial Syd Mead, ficou linda. Só perde mesmo para a Sue Storm Vanessa Kirby, uma mulher nada invisível para 400 talheres. Agora o filme tem a minha atenção.
Se bem que aquele Galactus, assim, na seca, sem nem um drinkzinho antes, ativou os sensores de alerta do Edifício Baxter...
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sexta-feira, 9 de agosto de 2024
O cliente ficou louco!
Fiz sexo com o meu cartão hoje. A maioria saiu por quase metade do preço na promocha da Panini acumulando com o cupom HQBARATA – até o momento, ainda tá valendo.
Deu pra enxugar um pouco daquela lista de candidatos à zona de rebaixamento (= reimpressão só na próxima era geológica). Mais uma nóia para o gibizeiro pós-moderno...
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quinta-feira, 20 de junho de 2024
A Saga do Surfista Cromado
Houve um tempo em que perfumarias em gibis eram raridade. Coisas como hot stamp dourado/metalizado, reserva de verniz, capas em acetato e afins passavam longe das mentes (e orçamentos) das editoras. Quando vinham, eram como um merecido afago no fiel leitor. Mas mesmo com todo o deslumbre e boa vontade, foi difícil identificar o que era aquela massaroca cromada à frente do Thanos na capa de Superaventuras Marvel #153, da Abril Jovem (março/1995). Não reconheci o Surfista Prateado nem de 1ª, nem de 2ª. E ainda hoje tenho que me lembrar do que se trata quando olho pra ela.
É triste a comparação com a The Silver Surfer #50 original (junho/1991). A gringa tinha uma capa laminada com relevo simples-pero-eficiente em cima da arte do Ron Lim. Já a nossa queridona e saudosa SAM, até trazia um relevinho, mas usava aquele filme com efeito holográfico, o BOPP (polipropileno biorientado). Isso deixou a textura do Surfista muito uniforme e que, depois, foi "melhorada" com uns retoques/riscos feitos pelos artistas da redação. E ainda ficou caolho.
De todo modo, fazer os recortes no logo e no corner box do gibi deve ter sido um teste de paciência e perseverança. O Jotapê já comentou algumas vezes como era complicado fazer qualquer brincadeira nas edições, pois o departamento de arte e as gráficas simplesmente não acompanhavam. Deve ter sido uma loucura nos bastidores para acertar essa arte de capa e com aquela tiragem ainda enorme para os padrões atuais. O Claudio Carina, então editor da SAM (hoje, diretor da Wordplay Serviços de Tradução), deve lembrar bem desse gibi. Mesmo que na forma de TEPT.
Sendo justo, mesmo lá fora o projeto não foi exatamente uma uva. Na prensagem, choveram erros de laminação – todos superfaturados como $ouvenirs, lógico. Esses caras são mestres na arte da limonada.
Tenho um fraco por esses mimos. Durante um período, eles saíram bastante por aqui. Minha massaveística Super-Homem Versus Apocalypse: A Revanche reluz num canto da estante até hoje. E me arrependo de ter passado pra frente as edições de O Reino do Amanhã, da Abril.
Nada que se compare à enxurrada de capas metalizadas publicadas lá fora, contudo.
Claro, existe sempre a possibilidade de meter a mão nas HQs antigas e aplicar aquele do it yourself maroto.
   
Fonte: J.Sheehan — @finalcutsdesign
Fonte: J.Sheehan — @finalcutsdesign
Mas aí já é nível Nerdmaster Ômega.
quinta-feira, 4 de abril de 2024
Shalla Now
Em uma nova reviravolta no Universo Cinematográfico Marvel, a atriz Julia Garner será...
...Luminaris, arauta de Galactus!
E lá vamos nós de novo.
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sexta-feira, 11 de novembro de 2022
Dominando o mundo
Que semana excruciante². Mas ao menos me impulsionou para relembrar e revisitar algumas obras. No caso do já saudoso Carlos Pacheco, lembrei de The Order, minissérie de 2002 que ele capeou ao lado do conterrâneo Jesús Merino. Na época, a capa da 3ª edição me impactou, já que remetia ao clássico confronto Vingadores x Defensores em versão atualizada.
Infelizmente, Pacheco não faz a arte interna, que varia entre Matt Haley, Chris Batista, Luke Ross, Dan Jurgens, Bob Layton e Ivan Reis com artes-finais de Dan Panosian e Joe Pimentel. Um time competente e bom de deadline.
Na trama, os Defensores decidem que o mundo está um caos e que precisam impor uma Nova Ordem Mundial. Meio como um Defensores-encontra-Stormwatch-e-Authority. Logicamente, há algo mais por trás das aparências e o roteiro do Kurt Busiek consegue tecer um pano de fundo instigante.
Nas 6 edições, fica escandaloso o nível do grupo. Os Defensores clássicos são muito poderosos. Dr. Estranho, Surfista Prateado, Namor e Hulk juntos é uma insanidade editorial e, agora distante do anacronismo narrativo da década de 1970, o céu é o limite. Isso fica latente quando eles atropelam exércitos mundo afora e também os integrantes de suas formações posteriores sem o menor esforço. E claro que ainda rola aquele tira-teima maroto com os Vingadores.
Naquela época, havia um acúmulo de tralha cronológica nas HQs dos Defensores. Lá fora, a equipe estava em baixa, a série própria não foi pra frente (fechou em 12 edições, apenas) e nada desse material foi lançado por aqui. Busiek ainda tenta desembolar alguns fios, como a vida pessoal de Samantha Parrington, a obscura alter-ego-compartilhada da Valquíria, e sua relação com a Patsy "Felina" Walker e o Falcão Noturno II. Mas fatalmente pipocam conceitos e personagens há muito abandonados, como a entidade Gaea, o bizarro mago Papa Hagg e o vilão Yandroth. De fato, há um excesso de background pouco (ou mal) contado, dando a sensação de pegar o bonde andando. Ou melhor, descendo a ladeira a mil.
Talvez por isso, The Order segue inédita no Brasil. Mas se mantém dinâmica e divertida, especialmente nesses tempos de autoritarismo alucinado. Gibi de porradaria honesta e com substância. Bem que merecia um TPzinho daqueles de 30 mangos...
Ps: e acabamos de saber que Kevin Conroy, a Voz do Batman, se foi ontem, aos 66. Que tristeza.
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quinta-feira, 26 de abril de 2018
A dança cósmica do desempregado
A campanha massiva de Vingadores - Guerra Infinita dá como certa a chegada de Thanos a qualquer momento. Mas ao meu ver, o Titã Louco já está operando nesta esfera terrígena há pelo menos 4 anos. Precisamente num território continental com belas praias, florestas tropicais e mais de 207 milhões de nativos, onde testa, com sucesso, suas estratégias de polarização e dissuasão social em larga escala. Seus típicos joguinhos psicológicos servindo como aperitivo antes da aniquilação total.
As evidências são inconfundíveis: autoridades inacessíveis/intocáveis, desigualdade abissal na distribuição de renda, 13 milhões de desempregados e mutações genéticas bizarras, como os funcionários-polvo que se adaptaram pra não fazer parte dessa massa.
Isso só pode ser obra do vilão mais ambicioso da Marvel. Nenhum Illuminati seria tão implacável.
E tal qual a CIA, Thanos é especialista em desestabilizar governos e manipular sistemas ao seu favor. Após dar ao Surfista Prateado a aula de previsão histórica mais amarga que o ex-arauto de Galactus já teve (Superaventuras Marvel #132) e antes mesmo da escalada cósmica que resultou na trilogia de trilogias do Infinito (Desafio - Guerra - Cruzada), o Titã apresentou ao herói e aos leitores a megalópole artificial Dynamo City.
Uma visita que o Surfista jamais iria esquecer.
Alguns dias antes, Thanos #partiu-estirpar-50%-da-vida-do-Universo. Sabe como é, pra balancear a ordem cósmica aí e fazer um agradinho para a patroa Morte. Perspicaz, logo percebe que o Surfista Prateado será mais do que um mero estorvo para o seu novo projeto. Ao invés de um chamativo embate direto, Thanos opta por uma estratégia alternativa e simula sua própria morte durante um confronto com o herói.
Mesmo com a evidência convincente estirada num caixão diante de todos em Titã, o Surfista desconfia do mamão-com-açúcar que foi a contenda. Porém, o engodo funciona - pelo menos o suficiente.
Durante uma ronda preventiva pelo espaço, o herói é abordado pelo oficial de justiça C2DT42 e informado que tem assuntos pendentes em Dynamo City. Relutante, o Surfista é vencido pela curiosidade ao saber que Thanos deixou registrado lá seus infames testamento e último desejo.
O acesso à cidade só é possível via atalho interdimensional, visto que a comarca espacial é localizada no quadrante privado 18D-X-M. Chegando ao hangar de desembarque, a primeira surpresa: Dynamo City é um complexo absorvente omni-energético.
Nas palavras do C2DT42:
"Toda forma de energia, seja solar, química, elétrica, iônica, cósmica, ou seja qual for, é coletada e armazenada na bateria central. Pela lei, todo poder pertence ao governo municipal e a posse privada de energia é um crime."
Sem poderes e sem escolha, o Surfista é conduzido coercitivamente® até a Corte Nº 6 de Dynamo City.
Após um breve "depoimento" na forma de uma sondagem neural, o herói finalmente tem acesso aos derradeiros autos do Titã Louco - devidamente protocolados em video-"teipe".
Concluídas as formalidades e dispensado pela Corte, o Surfista presume que as maquinações de Thanos não deram certo. Não havia mais nada a fazer em Dynamo City. Era só seguir o seu caminho, assim que pagar a módica taxa de saída de 50 créditos...
Módica, mas virtualmente inalcançável pra quem não tem nada.
Vai trabalhar, vagabundo!
O Surfista Prateado começava a compreender o estratagema de Thanos. Dynamo City era a armadilha perfeita que nem os devaneios mais loucos do Coringa e do Arcade poderiam conceber. Tudo por conta do seu sistema político e financeiro.
O lugar era um pesadelo Orwelliano: a aparente utopia futurista disfarçava uma pseudo-tecnocracia sustentada por autoritarismo, concentração extrema de poder e riqueza, cultura de alienação e uma esmagadora maioria operária e informal amargando irreversivelmente abaixo da linha de pobreza.
Uma verdadeira prisão sem muros. Igualzinho a um planeta que conheço.
O que vem a seguir é de um déjà vu atordoante. E rende as antológicas - e tragicômicas - cenas do Surfista Prateado encarando uma entrevista de emprego e um bico como peão de construção civil.
No fundo do poço, o Surfista agora enfrentava seus dois piores medos, a privação de liberdade e a perda de seus poderes (isso toca alguns sinos, hm?) - agora acrescidos de mais um, novinho, para toda a vida.
Mas claro que não seria uma imersão genuína na dura e cinzenta realidade - especialmente a brasileira - se ficasse de fora a próxima parada do Surfista: Cabana City. Que poderia ser Trenchtown City ou mesmo Favela City, mas a sutileza também é uma arte apreciada.
Lá, o Surfista faz amizade com o simpático malandro Zeaklar e começa a traçar seus planos para alcançar o inalcançável: o indivíduo que ocupa o topo da pirâmide, o ser sugestivamente chamado Aquele-Que-Vê!
Revelar mais - inclusive a natureza do Aquele-Que-Vê - seria uma deselegância. Mas o desenrolar final foi lindamente construído pelo grande Jim Starlin e ilustrado por Ron Lim.
Esse arco foi publicado aqui em SAM #138-141 (aconselho conferir a #134 também). Vou ser sincero... é uma aventura leve e bem-humorada, mas também crítica e dramática na medida, com absolutamente zero de pretensão. Um exercício de estilo de Starlin - hoje, apenas mais um civil diante da Marvel - antes da tempestade de Desafio Infinito.
E sendo mais sincero ainda: é uma minhas sagas favoritas dessa fase por simples identificação pessoal.
Sei que é difícil acreditar, mas nem sempre fui esse gênio bilionário playboy filantropo que você acompanha aqui fielmente desde 2004 (quá, quá, quá!). Já passei pelos mesmos perrengues do Surfista em mais de uma ocasião e posso dizer que as frias ruas de Dynamo City não me são nada estranhas.
Natural então que eu tenha um certo "carinho" pela história, que releio de tempos em tempos. Por motivos óbvios.
Thanos pode ter a cidadania de Dynamo City, mas consegue atingir o brasileiro que existe em cada um de nós.
Esse cara é o puro Mal encarnado.
Do velhusco-mas-ainda-bacanudo The Appendix to the Handbook of the Marvel Universe:
“I would really, really enjoy seeing Starlin and Lim write a story detailing Thanos' initial encounter with Dynamo City”
- Me too!!
domingo, 9 de novembro de 2014
Papua New Galactus
Stormbreaker: The Saga of Beta Ray Bill é um arco em 6 partes com roteiro do ótimo desenhista de Powers, Mike Avon Oeming, e traços de Andrea Di Vito. A história traz o conhecido enredo envolvendo um planeta numa desesperada corrida contra o tempo e, claro, Galactus, o rei dos kickboxers. No caso, trata-se do planeta natal do korbinita mais famoso da Marvel... e apenas lá... Bill Raio Beta. A saga foi publicada num já distante 2005 e, pelo que sei, não viu e nem verá a luz do dia em terra brazilis. É uma pena, mas neste caso até entendo ter ficado na malha fina da priorização.
Apesar da tensão e do empolgante delivery de UFC cósmico, padrão em qualquer narrativa envolvendo Galactus na hora do almoço, o nível da trama vai caindo vertiginosamente nas curvas finais. E, pior, culminando numa conclusão sem sal e nitidamente feita sob encomenda. Contudo, o saldo final ainda é positivo, no que considero como sendo o highlight um recurso há muito esquecido pelo Depósito das Ideias: a mítica e a representação visual de Galactus variando de acordo com cada povo desse universão afora.
Galactus é conhecido pela cultura korbinita como Ashta, o deus da destruição. Esteticamente, é a personificação dos medos primais e subconscientes daquela raça: um pesadelo lovecraftiano espacial.
Nada como um pouco de abstração. Nunca enxerguei Galactus como um dos seres conceituais da Marvel. Apesar de ser membro honorário do clubinho da Conflagração Astral, o devorador de mundos tem uma agenda menos gerencial e mais empreendedora. Mas certamente é uma entidade que existe em incontáveis níveis de complexidade acima da leitura informacional que nossa percepção consegue dar conta. Demais para o sensorial humano, assim como é demais para o de qualquer outra raça de mortais inferiores. O que fica até barato, visto que esse mero vislumbre poderia desencadear uma total reversão protônica ® no meio dos bagos do observador. Até Ann Nocenti, na época viciada em chá de Santo Daime com guaraná Dolly, sugeriu essa sacada quando escreveu uma luta entre Mefisto e o Surfista Prateado numa aventura do Demolidor (!).
Seguindo mais adiante nessa linha, não só a visão, mas basicamente qualquer ato de um ser dessa magnitude deveria ficar muito além da compreensão humana. Da mesma maneira rotineira e impessoal com que lidamos com gravidade, atrito e aceleração, ele lida com antimatéria, buracos de minhoca, retrocausalidade, Entrelaçamento Quântico, Flecha do Tempo, Efeito Túnel, Teoria-M e dá-lhe quarks e bósons. Tudo isso e muito mais seria altamente aplicável no confronto entre Galactus e o Esfinge naquela história clássica de Marv Wolfman. Mas esse pênalti ele chutou lá pra arquibancada.
Seja como for, a ideia em si é acima de tudo providencial. Só assim pra explicar como uma entidade cósmica anterior ao Big Bang não só é antropomórfica, como também tem a aparência de um opressor caucasiano de meia-idade.
Créditos históricos para John Byrne, que propôs esse artifício em 1984, durante sua antológica passagem pelo título do Quarteto Fantástico.
Pena que não combinaram com o pessoal da editora Abril, que apagou justamente os dois recordatórios que explicavam a porra toda.
Complicar pra quê, não é mesmo?
terça-feira, 10 de julho de 2007
E O SURFISTA PRATEADO
Pois é. Quando o Moriarty, do AICN, afirmou que Tom Rothman (CEO da Fox Filmed Entertainment) já foi molestado por um gigante, ele não estava brincando. Só pode ser trauma. Depois do Sentinela quântico de X3, agora foi a vez do Galactus ser depenado em Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (Fantastic Four: The Rise of the Silver Surfer, EUA, 2007).
Pelo bafafá que antecedeu a estréia, eu já vinha tentando me acostumar com um The Fog versão interplanetária, mas o que vi lá foi algo bem pior. De El Niño emaconhado, o personagem acabou revelando sua verdadeira face: um Tocha Humana com um balde na cabeça. Essa foi a reluzente e ofuscante solução da equipe criativa (bando de aspones filhos da puta). Parabéns aos roteiristas Mark Frost, John Turman e Don Payne, parabéns ao diretor Tim Story e, mais que todo mundo, congratulações medalhísticas ao Tom Rothman pela afirmação de que em filme seu "jamais haverá um robô gigante". Bem, oremos a Cybertron em agradecimento, já que Transformers caiu nas graças da DreamWorks. Urra.
O fato óbvio e ululante é que todos estes elementos tiveram seu replay aqui, o que remete à velha máxima da piada contada pela segunda vez. Rola até uma seqüência de dança elástica, recurso malandramente surrupiado da franquia do Aranha e que já demonstrava sinais de cansaço lá. Mais pastel impossível. Correndo por fora, as curvas da Alba - que já foram mais generosas - até conseguem ganhar terreno numa cena de nu-flamejante, mas a caracterização da pinup que um dia foi a Nancy Callahan estava bizarra (o que uma peruca e um par de lentes não conseguem estragar).
Sei que é inútil perguntar porque não usaram a versão Ultimate do Quarteto (adaptação pronta, bacana e pop) como base para os filmes. No entanto, pelo menos a Alba poderia ter sido laureada ali - o próprio desenhista Greg Land não se furta em usar fotos da atriz para compor sua versão teensuda da Sue Storm.
Se contextualmente QF e o SP é um vazio crônico anunciado (ninguém esperava um tratado metafísico como seqüência do primeiro filme), o mesmo não se pode dizer do acabamento. Mandaram bem nos efeitos aqui. Fantásticos, realmente. Quem achou que o Surfista Doug Jones Prateado ia ser um arremedo de T-1000 quebrou a prancha. Demonstraram a proporção exata da evolução da mesma técnica, absurda, 16 anos depois. Vê-lo detonando um pequeno exército com apenas um gesto é a transcrição exata dos quadrinhos. E duas intervenções... hm, "alienígenas" na mitologia do herói funcionam como gols de empate. Uma foi estabelecer que seus poderes vêm da prancha. Péssima. Outra foi conferir uma aparência estéril e obscurecida quando ele perde seus poderes (releitura esperta de um arco clássico do Quarteto), excelente sacada em cima de um ponto de partida equivocado. Lamento, mas é assim mesmo. Se nem Einstein conseguiu entender o caos...
Queria comentar isto desde a primeira vez que vi A Força de um Amor (remake livre de Acossado, de Jean-Luc Godard). Foi Richard Gere quem me atentou para o fato de que até o Surfista, uma entidade impessoal e amoral, podia ser complexamente humano e altruísta, ainda que estas duas coisas soem paradoxais. Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado não vale nada, mas só por me fornecer um pretexto para esta lembrança já se justifica. Mais uma vez fizeram certo do jeito errado.
"I have seen the birth of planets and the death of worlds. I have seen galaxies crumble and new suns aborning. But in every star, in every sun, I see her face..."
terça-feira, 1 de junho de 2004
CAMPEONATO INTERPLANETÁRIO DE SURF
Pesquisando pra escrever o penúltimo post, descobri uma coisa interessante. Não sabia que o Surfista Prateado já teve um desenho animado. E ainda foi produzido pela Fox Kids, o que já me deixa um tanto curioso. Pelo que li do script, parece bem fiel às origens, no mesmo estilo do desenho antigo dos X-Men. Todos os elementos que marcaram a saga do Surfista estão lá: tem o início idílico em Zenn-La, tem o Vigia quebrando a sua promessa de não-intervenção (como sempre), tem o início do cataclismo empreendido pela chegada de Galactus (ainda vou ver isso em live-action...), tem o Norrin Radd pegando a sua amada Shalla-Bal (deliciosa por sinal - pô, Surfista... Alícia Masters, Mantis e Shalla?! Tá bem, hein meu camarada!), tem ele virando o mais famoso arauto do Pac-Man espacial e putz, tem até o Thanos! Parece ser uma festa pra marvete old school nenhum botar defeito. E a parte técnica da animação também se mostra similar ao X-desenho antigo, ou seja, meio tosca. Mas entre um grande roteiro e uma produção impecável, prefiro a primeira opção. Saca esses screens:
Hhmm... eu conheço esse planeta...
E uma coisa que me chamou bastante atenção, foi o tamanho do Galactus no desenho. O cara é maior que o Godzilla dez vezes! Com esse tamanhão todo, haja planeta pra sustentar o sujeito. Reparem, em perspectiva com o Surfista:
Se alguém aí já assistiu à esse desenho, por favor se pronuncie... Presta? Vale à pena caçar na web? Desde já agradeço.
Abraços, doggma.
Coisa que só um fanboy diplomado saberia do que se trata. Arqueopia é o nome do primeiro planeta que serviu de almoço para Galactus. O deus estelar havia acabado de sair de um jejum de alguns bilhões de anos, e por acaso estava orbitando em suas imediações. Puta azar dos arqueopianos. Uns poucos conseguiram sobreviver, se lançando ao espaço momentos antes da tragédia. Esses, denominados Errantes, acabaram assumindo uma posição idêntica à grupos como Inumanos, Infinitos, Micronautas, entre outros (ou seja: cães sem-dono na cronologia normal da Marvel).
Galactus talvez seja o personagem mais emblemático da chamada "Era de Ouro" da Marvel. Criado nos anos sessenta, na esteira da corrida armamentista, sua abordagem passava ao largo dos conflitos pessoais e situações realísticas que caracterizavam boa parte dos heróis da editora. Bom, talvez fosse realístico até demais, embora de uma realidade "longínqua" para nós – a da Física.
Morte e vida Severina... Esse crânio aí em cima não é do Galactus original e sim o de uma outra dimensão, mas serve bem pra ilustrar o seu epitáfio. Em sua rotina de fazer upgrades em Taa II (a sua nave gigantesca) e ameaçar uns mundos aqui e ali, Galactus acabou sentindo um tempero a mais nos planetas que devorava. O personagem mais idoso da Marvel começou a viciar na força vital dos seres que habitavam alguns planetas. Daí, foi um passo pra esquecer a promessa de não mais devorar planetas que continham seres vivos.
Acuado por uma força-tarefa Marvel (Vingadores, Quarteto Fantástico e Império Shiar) e muito fraco (devido à fome e à abstinência), Galactus até recorre ao seu ex-arauto Surfista, mas não há mais tempo. Galactus perece de uma forma que lembra bastante a sua criação, se esvaindo em energia pura.
Foi uma pena mesmo. Será que o Quesada ainda é contra ressurreições? Bom, pra homenagear o velho celestial, aí vai a origem dele.
Republicada em fevereiro de 1996, essa edição especial traz a dobradinha mais-do-que-clássica Stan Lee/Jack Kirby, cujo poderio só é equiparado pelo próprio Galactus! O estilo é aquele mesmo que foi a marca registrada da dupla nos primórdios da Marvel - traços simples e diretos (que a família Romita bem conhece), cores fortes e um argumento bem nonsense (no bom sentido), como só Stan sabia fazer. Estão aqui, em imagens e palavras, toda aquela carga existencialista e metafísica à qual eu me referi lá em cima. Participação especial de um Vigia, numa seqüência bem curiosa. Essencial pra quem quer conhecer um momento importante da História dos quadrinhos. Mas imagino que fãs de um Spawn ou de um Youngblood da vida não irão se emocionar da mesma forma que eu.
Scan e "versão brasileira": BKS (hehe, gostei... eu lembro das dublagens)
Links:
http://geocities.yahoo.com.br/gallaktuz/TaaIII.zip
ou
http://geocities.yahoo.com.br/gallakktuz/TaaIII.zip
ou
http://geocities.yahoo.com.br/stdnvrsl/TaaIII.zip
Anexo 02/06/2004:
Pelas barbas de Fidel Castro! Parece que a fome de Galactus também se abateu sobre a rapaziada... A quantidade de downloads foi tão grande que praticamente inutilizou o hub de transferência do Yahoo (que, afinal, não foi feito pra isso, hehe). Para contornar a situação, carreguei as páginas da HQ no
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Putz... ainda instalo um contador nessa joça. :P
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