Mostrando postagens com marcador Superaventuras Marvel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Superaventuras Marvel. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de junho de 2024

A Saga do Surfista Cromado


Houve um tempo em que perfumarias em gibis eram raridade. Coisas como hot stamp dourado/metalizado, reserva de verniz, capas em acetato e afins passavam longe das mentes (e orçamentos) das editoras. Quando vinham, eram como um merecido afago no fiel leitor. Mas mesmo com todo o deslumbre e boa vontade, foi difícil identificar o que era aquela massaroca cromada à frente do Thanos na capa de Superaventuras Marvel #153, da Abril Jovem (março/1995). Não reconheci o Surfista Prateado nem de 1ª, nem de 2ª. E ainda hoje tenho que me lembrar do que se trata quando olho pra ela.

É triste a comparação com a The Silver Surfer #50 original (junho/1991). A gringa tinha uma capa laminada com relevo simples-pero-eficiente em cima da arte do Ron Lim. Já a nossa queridona e saudosa SAM, até trazia um relevinho, mas usava aquele filme com efeito holográfico, o BOPP (polipropileno biorientado). Isso deixou a textura do Surfista muito uniforme e que, depois, foi "melhorada" com uns retoques/riscos feitos pelos artistas da redação. E ainda ficou caolho.

De todo modo, fazer os recortes no logo e no corner box do gibi deve ter sido um teste de paciência e perseverança. O Jotapê já comentou algumas vezes como era complicado fazer qualquer brincadeira nas edições, pois o departamento de arte e as gráficas simplesmente não acompanhavam. Deve ter sido uma loucura nos bastidores para acertar essa arte de capa e com aquela tiragem ainda enorme para os padrões atuais. O Claudio Carina, então editor da SAM (hoje, diretor da Wordplay Serviços de Tradução), deve lembrar bem desse gibi. Mesmo que na forma de TEPT.

Sendo justo, mesmo lá fora o projeto não foi exatamente uma uva. Na prensagem, choveram erros de laminação – todos superfaturados como $ouvenirs, lógico. Esses caras são mestres na arte da limonada.

Tenho um fraco por esses mimos. Durante um período, eles saíram bastante por aqui. Minha massaveística Super-Homem Versus Apocalypse: A Revanche reluz num canto da estante até hoje. E me arrependo de ter passado pra frente as edições de O Reino do Amanhã, da Abril.

Nada que se compare à enxurrada de capas metalizadas publicadas lá fora, contudo.



Claro, existe sempre a possibilidade de meter a mão nas HQs antigas e aplicar aquele do it yourself maroto.


Mas aí já é nível Nerdmaster Ômega.

domingo, 26 de novembro de 2023

The Black Friday Journal


100 reais é o novo 50 reais, pelo visto. Peguei as 500 páginas do "Justiceiro do Jim Lee" da Panini com parcos 30% de alívio todo pimpão e com um sorriso besta na cara. Friday fraca. Ainda mais porque já tinha fechado uns carrinhos nos "Esquenta" da Mino e da Amazon ao longo do mês.

As primeiras 19 edições de The Punisher War Journal são provavelmente as melhores coisas que Jim Lee já fez na vida. A série pululou por aqui entre Superaventuras Marvel, Grandes Heróis Marvel e a breve revista solo do Justiceiro, onde seguiu até o #24 apenas com o roteiro e layouts do Carl Potts. Mas a sua parceria com o americoreano é o diamante (bruto) aqui.

Era o Jim Lee operário ultra-abnegado, talentoso, meio rústico, pré-Image, processando e regurgitando (eca!) tudo aquilo que assimilou dos estilos de John Byrne, Alan Davis e John Buscema. E mudou o curso dos quadrinhos.

Claro, o que veio depois é outro papo. Mas às vezes tenho que me lembrar que o Jim Lee é um grande artista.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Demolidor Depois de Horas


Aproveitando o aniversário do genial David Mazzucchelli, nada como relembrar um dos melhores pesadelos recorrentes que alguém já me deu nesta vida. Lembro vividamente de quando li a história que fecha Superaventuras Marvel #49. "A Noite Mais Longa de Minha Vida" foi coescrita pelo prolífico Harlan Ellison e por Arthur Byron Cover, ambos figurões da literatura de ficção científica. A trama mostrava nosso querido e sofrido Demolidor indo ajudar uma inocente menininha e sendo mastigado por uma mansão lotada de armadilhas mortais.

O lugar era de botar o Jigsaw e o Arcade chorando abraçados em posição fetal. Em conchinha, portanto. Dava quase para ver o brilho sádico nos olhos de Ellison e Cover ao escreverem o roteiro.

Lógico que foram Mazzucchelli, no topo da forma Marvel style, e o saudoso arte-finalista filipino Danny Bulanadi que me arrastaram para dentro daquele cenário de suspense, terror e do mais puro "putaqueuspa, agora fudeu!!". Era julho de 1986 e ainda ficava petrificado de medo com as reprises de Geração Proteus, O Enigma de Andrômeda e Westworld, de temáticas similares. Ou seja, era uma presa fácil. Tanto quanto o pobre Matt Murdock.


Quando terminei, a sensação era ter sido atropelado por uma frota de caminhões. Não foi à toa que colocaram essa história no final da revista.

Hoje, milhões de releituras depois, acho divertida demais. Uma aula de construção e plot twist. Mas o finalzinho perturbador, à Rod Serling, ainda é de arrepiar. Brrr.

Feliz níver, Mazzucca!

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Moby esteve aqui

Eu achando que a Marvel Studios estava fazendo média escalando o Owen Wilson na série Loki.

Não é que Mobius M. Mobius era coisa dos quadrinhos mesmo?






Sabia que devia ter lido a fase do Walt Simonson no Quarteto Fantástico com mais atenção.

Mobius – Moby, para as variantes íntimas – e a passagem da Autoridade de Variação Temporal estão em Superaventuras Marvel #150-152, a quem interessar. Lisérgico arco.

Ps: o som da ficha caindo parecia uma onomatopéia do Simonson!

quinta-feira, 26 de abril de 2018

A dança cósmica do desempregado


A campanha massiva de Vingadores - Guerra Infinita dá como certa a chegada de Thanos a qualquer momento. Mas ao meu ver, o Titã Louco já está operando nesta esfera terrígena há pelo menos 4 anos. Precisamente num território continental com belas praias, florestas tropicais e mais de 207 milhões de nativos, onde testa, com sucesso, suas estratégias de polarização e dissuasão social em larga escala. Seus típicos joguinhos psicológicos servindo como aperitivo antes da aniquilação total.

As evidências são inconfundíveis: autoridades inacessíveis/intocáveis, desigualdade abissal na distribuição de renda, 13 milhões de desempregados e mutações genéticas bizarras, como os funcionários-polvo que se adaptaram pra não fazer parte dessa massa.

Isso só pode ser obra do vilão mais ambicioso da Marvel. Nenhum Illuminati seria tão implacável.

E tal qual a CIA, Thanos é especialista em desestabilizar governos e manipular sistemas ao seu favor. Após dar ao Surfista Prateado a aula de previsão histórica mais amarga que o ex-arauto de Galactus já teve (Superaventuras Marvel #132) e antes mesmo da escalada cósmica que resultou na trilogia de trilogias do Infinito (Desafio - Guerra - Cruzada), o Titã apresentou ao herói e aos leitores a megalópole artificial Dynamo City.

Uma visita que o Surfista jamais iria esquecer.


Alguns dias antes, Thanos #partiu-estirpar-50%-da-vida-do-Universo. Sabe como é, pra balancear a ordem cósmica aí e fazer um agradinho para a patroa Morte. Perspicaz, logo percebe que o Surfista Prateado será mais do que um mero estorvo para o seu novo projeto. Ao invés de um chamativo embate direto, Thanos opta por uma estratégia alternativa e simula sua própria morte durante um confronto com o herói.

Mesmo com a evidência convincente estirada num caixão diante de todos em Titã, o Surfista desconfia do mamão-com-açúcar que foi a contenda. Porém, o engodo funciona - pelo menos o suficiente.

Durante uma ronda preventiva pelo espaço, o herói é abordado pelo oficial de justiça C2DT42 e informado que tem assuntos pendentes em Dynamo City. Relutante, o Surfista é vencido pela curiosidade ao saber que Thanos deixou registrado lá seus infames testamento e último desejo.

O acesso à cidade só é possível via atalho interdimensional, visto que a comarca espacial é localizada no quadrante privado 18D-X-M. Chegando ao hangar de desembarque, a primeira surpresa: Dynamo City é um complexo absorvente omni-energético.

Nas palavras do C2DT42:

"Toda forma de energia, seja solar, química, elétrica, iônica, cósmica, ou seja qual for, é coletada e armazenada na bateria central. Pela lei, todo poder pertence ao governo municipal e a posse privada de energia é um crime."

Sem poderes e sem escolha, o Surfista é conduzido coercitivamente® até a Corte Nº 6 de Dynamo City.

Após um breve "depoimento" na forma de uma sondagem neural, o herói finalmente tem acesso aos derradeiros autos do Titã Louco - devidamente protocolados em video-"teipe".


Concluídas as formalidades e dispensado pela Corte, o Surfista presume que as maquinações de Thanos não deram certo. Não havia mais nada a fazer em Dynamo City. Era só seguir o seu caminho, assim que pagar a módica taxa de saída de 50 créditos...

Módica, mas virtualmente inalcançável pra quem não tem nada.


Vai trabalhar, vagabundo!

O Surfista Prateado começava a compreender o estratagema de Thanos. Dynamo City era a armadilha perfeita que nem os devaneios mais loucos do Coringa e do Arcade poderiam conceber. Tudo por conta do seu sistema político e financeiro.

O lugar era um pesadelo Orwelliano: a aparente utopia futurista disfarçava uma pseudo-tecnocracia sustentada por autoritarismo, concentração extrema de poder e riqueza, cultura de alienação e uma esmagadora maioria operária e informal amargando irreversivelmente abaixo da linha de pobreza.

Uma verdadeira prisão sem muros. Igualzinho a um planeta que conheço.

O que vem a seguir é de um déjà vu atordoante. E rende as antológicas - e tragicômicas - cenas do Surfista Prateado encarando uma entrevista de emprego e um bico como peão de construção civil.


No fundo do poço, o Surfista agora enfrentava seus dois piores medos, a privação de liberdade e a perda de seus poderes (isso toca alguns sinos, hm?) - agora acrescidos de mais um, novinho, para toda a vida.

Mas claro que não seria uma imersão genuína na dura e cinzenta realidade - especialmente a brasileira - se ficasse de fora a próxima parada do Surfista: Cabana City. Que poderia ser Trenchtown City ou mesmo Favela City, mas a sutileza também é uma arte apreciada.

Lá, o Surfista faz amizade com o simpático malandro Zeaklar e começa a traçar seus planos para alcançar o inalcançável: o indivíduo que ocupa o topo da pirâmide, o ser sugestivamente chamado Aquele-Que-Vê!

Revelar mais - inclusive a natureza do Aquele-Que-Vê - seria uma deselegância. Mas o desenrolar final foi lindamente construído pelo grande Jim Starlin e ilustrado por Ron Lim.

Esse arco foi publicado aqui em SAM #138-141 (aconselho conferir a #134 também). Vou ser sincero... é uma aventura leve e bem-humorada, mas também crítica e dramática na medida, com absolutamente zero de pretensão. Um exercício de estilo de Starlin - hoje, apenas mais um civil diante da Marvel - antes da tempestade de Desafio Infinito.

E sendo mais sincero ainda: é uma minhas sagas favoritas dessa fase por simples identificação pessoal.


Sei que é difícil acreditar, mas nem sempre fui esse gênio bilionário playboy filantropo que você acompanha aqui fielmente desde 2004 (quá, quá, quá!). Já passei pelos mesmos perrengues do Surfista em mais de uma ocasião e posso dizer que as frias ruas de Dynamo City não me são nada estranhas.

Natural então que eu tenha um certo "carinho" pela história, que releio de tempos em tempos. Por motivos óbvios.

Thanos pode ter a cidadania de Dynamo City, mas consegue atingir o brasileiro que existe em cada um de nós.


Esse cara é o puro Mal encarnado.


Do velhusco-mas-ainda-bacanudo The Appendix to the Handbook of the Marvel Universe:

“I would really, really enjoy seeing Starlin and Lim write a story detailing Thanos' initial encounter with Dynamo City

- Me too!!

domingo, 24 de dezembro de 2017

Bebendo com Nocenti


"Bebendo com o Demônio" é, de certo, um conto de Natal que passaria ao longe do know-how criativo do bom e velho titio Stan.

Publicada originalmente em Daredevil #266, num imperdoável maio de 1989, a história ganhou um melhor timing na edição nacional, em Superaventuras Marvel #115, da Abril. Era janeiro de 1992 e a ressaca natalina ainda batia forte. Assinada pela clássica dupla Ann Nocenti-John Romita Jr., "Bebendo com o Demônio" é uma desconstrução daquele clima de paz, amor e solidariedade despejado todo fim de ano em pacotes superficiais e efêmeros.

Com sua vida pessoal em frangalhos e recém-saído de um dos piores momentos - e surras - de sua trajetória de vigilante, o Demolidor estava sem rumo e imerso numa bad trip infernal naquele 24 de dezembro.

A premissa era minimalista: o defensor da Cozinha do Inferno atravessando a noite da maior festa cristã num pub em companhia dos figurantes, dos desajustados, dos caras pequenos, dos outsiders. De todos aqueles amigos da Geni.

Personagens mundanos como uma elegante senhora numa eterna espera romântica, um marido abusivo, um reacionário de meia-idade, dois irmãos que escondem profundas cicatrizes familiares. Todos, por um breve momento, sentindo o gostinho do protagonismo. Que pode ser bem amargo.

“Alguém mordeu a maçã! Ela apodreceu naquele dia!”

Aquele microcosmo impregnado de frustrações, mágoas, angústias e pequenas tragédias humanas foi praticamente um tapete estendido para os leões que rugem na escuridão. Um cenário sob medida para mais uma incursão do diabo-in-chief da Marvel. Na época, Matt Murdock andava às voltas com o insidioso Mefisto por conta do evento Inferno. Àquela altura, a megassaga já havia acabado, mas o rei das trevas não esqueceu.

Disposto a tudo para corrompê-lo psicológica e moralmente, Matt era o 2º grande troféu almejado por Mefisto (sendo o 1º Norrin Radd, o virtuoso Surfista Prateado). Até mesmo a forma assumida pela criatura foi uma pista do que Mefisto era capaz para alcançar seu objetivo - além de servir como alusão a um dos maiores pecados de Matt. Mesmo com a tensão subindo e ruindo tudo e todos ao redor, o vigilante seguia paralisado, inerte com a culpa católica vazando pelos poros.

Nocenti estava implacável com o Demônio.

“Eles se matarão continuamente... sem parar! Morderão as maçãs!
Irmão matará irmão! Continuamente... sem parar!”

É uma leitura marcante, no mínimo. Uma das minhas prediletas.

Sempre me pareceu que uma narrativa com aquele grau de intensidade só podia ser escrita por quem viveu aquilo tudo. Ao menos a versão realística de uma solitária noite de Natal rodeado de estranhos, mas em companhia apenas de seus fantasmas (ou demônios) particulares.

E foi realmente o que aconteceu.


Em 2014, Ann Nocenti contou ao site 13th Dimension como "Bebendo como o Demônio" foi inspirado em fatos reais - e bastante pessoais. Nas entrelinhas, um depoimento de como momentos potencialmente ruins podem se revelar experiências positivas, até mesmo rendendo bons frutos no futuro.

Não precisava disso pra ser uma releitura obrigatória de Natal. Mas que foi a assinatura que concluiu a obra, 25 anos depois, isso foi...


“Pra mim o mundo não tem mais jeito! A maçã está podre! 
Não tem mais volta!”

Feliz Natal e um ótimo 2018.

domingo, 20 de março de 2011

Era uma vez no esgoto

Superaventuras Marvel #29, novembro de 1984. Dessa eu não só lembro muito bem, como tenho até hoje (não a mesma revista, claro). Tinha conteúdo pra todos os gostos: Ralph Macchio-san e o George Pérez da fase áurea botando a Viúva Negra pra espancar os inimigos sem dó (com direito a furibunda badass splash-page), o show de curvas da Red Sonja sob o traço do mago das pinups Frank Thorne e mais um dos incontáveis exploitation de ação marcial do Mestre do Kung Fu. Mas o ouro da edição estava bem guardado e a única pista que a capa dava era um carcaju genérico com fundo rosa à esquerda.

Com um espirituoso título, "O Inferno não pode esperar" é a clássica história onde os X-Men são divididos e conquistados pelo altivo Clube do Inferno. A trama era um trem descendo a ladeira sob o comando de dois maquinistas insanos no auge do descontrole: Chris Claremont e John Byrne. Não é exagero afirmar que esse foi o O Império Contra-Ataca da equipe mutante (lançado no mesmo 1980, o ano das convergências vilânicas instauradas no poder). Para os heróis, aquele momento foi amargo, humilhante e tudo indicava que o futuro era negro, baby.

Porém, na cena derradeira, a hora da retribuição se avizinhava no horizonte - e na história dos quadrinhos.

(trilha redentora do Morricone aqui)


Wolverine se reerguendo no fundo do poço (do esgoto, aliás) foi, valorizando o trocadilho, o divisor de águas. Já tínhamos visto o baixinho enfrentando problemões e caçando confusão antes, mas nunca daquele jeito. Eu não iria querer ser sócio do Clube "nem por todo o whisky da Irlanda".

Referenciada e reconstituída ao longo dos anos, a imagem teve seu inegável apelo subestimado tanto pelos editores aqui do Brasil quanto pelos editores americanos. Mas, prevalecendo, adquiriu status icônico e contribuiu e muito para criar o personagem-produto que ele é hoje. Isso foi há 25 anos (30, considerando The Uncanny X-Men #132 original).

Em 1993, Byrne incluiu uma reinterpretação da imagem em seu portfolio, no que parece ser o instante seguinte da cena original.


Fazer esse tipo de coisa sem soar auto-indulgente não é pra qualquer um.

1993 também foi o ano do "Wolverine Blues", pedrada death'n'roll clássica do Entombed.


Era uma época onde a música e a literatura falavam mais ao coração.

Post descarada e miseravelmente inspirado por Elijah Price. Dê um desconto... tudo isso faz parte de um grande plano de reabilitação blogueira.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

UM HERÓI BOM PRA CACHORRO


É, dessa escapamos. O editor executivo da Marvel, Tom Brevoort, revelou em seu blog a quase-produção de uma série animada do Demolidor nos idos de 1983. Na época, havia um certo hype em torno dos quadrinhos na grande mídia (mas nada comparado ao que ocorre hoje) e a rede ABC quis capitalizar a onda. Logo a network iniciou as negociações com a Marvel para um cartoon do Homem $em Medo a ser exibido nas manhãs de sábado.

Na premissa original, Matt Murdock sofria uma série de mudanças para se enquadrar na telinha. E seus cabelos, agora negros, eram só o começo. Para combater o crime, o advogado ganhou dois sidekicks: sua sobrinha adolescente e seu destemido supercão-guia Lightning ("The Super Dog"!). Juntos, os três enfrentavam as forças do mal em uma van superequipada. Contudo, como o próprio Brevoort chegou a questionar, quem ia dirigir a tal da van? O cego, a "dimenor" ou o cachorro?

O irônico é que essa proposta PG-0 do vigilante chegava numa época em que seus quadrinhos andavam mais violentos do que nunca, via Frank Miller. O rumor que correu nos anos seguintes era de que o projeto foi cancelado devido à capa de Daredevil #184, que trazia o Demolidor apontando uma Magnum .357 para a cara do sossego.


"É, amigo, tenho que admitir... eu tava com o pavio curto"

Na edição, o herói baleava ninguém menos que o Justiceiro. Reza a lenda que isto espantou a alta cúpula yuppie da rede, que pulou fora. Mas segundo Brevoort, a verdade é que houve uma grande reestruturação interna na ABC - coisa comum na área - e todos os projetos de equipes anteriores foram descontinuados.

Já o roteirista Mark Evanier afirma que chegou a escrever o piloto e o conceito da série. Ele lembra que o cão não tinha qualquer poder, funcionando mais como uma Lassie do herói. E que posteriormente a NBC demonstrou interesse pelo desenho, mas que não foi adiante devido às restrições de redes em adotar projetos já descartados pela concorrência.


Já pensou, um Demônio "camp", ao melhor estilo Superamigos?

domingo, 28 de janeiro de 2007

DIABOLE VERTSES EN UN VESES

"Who, in their right mind, could possibly deny the 20th century was entirely mine?"
John Milton (Advogado do Diabo, 1997)

E pelo andar da carruagem, o coisa-ruim anda fazendo uma senhora campanha de publicidade também no século 21. É um tanto desesperador que esta frase tenha sido cunhada numa época pré-11/9, pré-Afeganistão, pré-Iraque, pré-tsunami, pré-mensalão, e por aí vai. Certa vez, li uma teoria sobre o livro/filme O Exorcista que explicava que aqueles eram tempos de crise moral e política nos EUA, somadas aos horrores de uma guerra perdida, à escalada da violência urbana e à ausência geral de valores espirituais. Ou seja... o ambiente perfeito pro demo fazer a festa (começando por garotinhas indefesas). Longe de ser um expert nos aspectos técnicos das manifestações cramulhísticas, imagino que, sendo uma entidade abstrata em nosso plano, a sugestionabilidade coletiva é uma poderosa arma em suas garras. Não que o tinhoso seja o causador da merdaiada em que o ser humano vive se metendo. Seu 'trabalho' é muito mais discreto. Afinal, como profanou humildemente John Milton... "não sou titereiro... apenas preparo o cenário. Você é quem puxa suas próprias cordas".

Na cultura pop convencionou-se tornar a figura do belzebu em algo mais concreto e, nessa, o conceito do anticristo foi prontamente adotado. No cinema, ele aparece mais freqüentemente como uma força invisível e irreprimível (vide o Bzão O Príncipe das Sombras) ou como moleques assustadores com um "666" tatuado em algum lugar do couro (A Profecia, O Bebê de Rosemary). Mas isso é só no caso da paternidade ser do próprio Satan-in-chief. O esquema todo é cheio de regras e estratégias porque o livre-arbítrio, graças a Deus, tá na área.

Nos quadrinhos, essa burocracia infernal, bem mais complicada que uma "simples" possessão (à Etrigan/Jason Blood, da DC), pode ser contornada quando o cão em questão pertence à uma classe inferior - 1/3 dos anjos originais já é um número que demanda alguma pesquisa censitária. Nota-se também que um objetivo de vida mais modesto e não tão ambicioso, tal como "conquistar/destruir o mundo", é um facilitador do processo. Foi assim com o sacana Violador (arquiinimigo do Spawn), da Image, que, se não me falha a memória, é filho de um demônio jurássico old school com uma humana (é isto mesmo, Fivo?).

Já o sinistro Coração Negro, da Marvel, é um caso à parte.


Wes Bentley recebendo o exú Coração Negro: a forma humana do vilão

Criado por Ann Nocenti e John Romita Jr. em 1989, ele debutou numa história do Demolidor (Daredevil vol.1, #270 - publicada no Brasil em Superaventuras Marvel #122). Coração Negro é filho do super-capeta Mefisto, que o concebeu sem envolver qualquer miscigenação - o pequeno Coraçãozinho, além de 100% Negro, é 100% Cramulhão - detalhe que acho interessante. Ensaiando uma versão blasfema do Deus cristão, Mefisto envia seu único filho para a Terra em busca de uma espécie de redenção invertida. E para isto, nada melhor que vilipendiar os valores e ideais de alguma alma justa, incorruptível e altruísta - é ou não é a descrição per se do Demolidor (a.k.a Demônio Audaz)?

Em seus primeiros dias, Coração Negro é instinto puro. Através dos recordatórios, Ann Nocenti (mulher sensacional... ainda vou escrever muito, mas muito sobre ela) detalha minuciosamente cada sensação e etapa do aprendizado da infante criatura das trevas. O resultado lembra o texto de algum documentário estilo Desafios da Vida, com predadores famintos cercando filhotinhos desgarrados. A prosa de Nocenti é ágil e muito bem-sacada, o que impede o roteiro de se tornar pretensioso e enfadonho. Mesmo assim, ela aposta no seguro e suaviza ainda mais a atmosfera com uma participação especial do Homem-Aranha - outro herói sempre às voltas com dilemas éticos e ideológicos.

E Romita Jr., atravessando a primeira e definitiva re(/volu)formulação em seu estilo, insere em sua concepção visual o mesmo clima descomplicado das palavras de Nocenti. Fora que seu design para Mefisto, além de radical, é bem mais aterrorizante que o Conde Drácula cover habitual.


Provavelmente... nunca havia pensado nisso e nem sei se confere de fato... Romita Jr. tenha se reinventado de maneira tão efetiva visando a interação ideal com a narrativa de Nocenti. Acredito mesmo que ele tenha empreendido uma busca pela química perfeita entre suas imagens e o texto dela - deixando pra trás a influência paterna inicial (wow) para descobrir sua verdadeira ID artística, o que resultou numa das melhores parcerias dos quadrinhos, merecedora de TPB's, sketch-books e edições especiais ad nauseum (alô Panini!).

Segue abaixo a história da treta de Murdock e Parker versus o vilão de coração negro. Scans by me.


Peter Fisto: Easy Rider from hell
Sinceramente, tento não esperar muito da adaptação de Motoqueiro Fantasma - onde também estrearão na telona o papai Mefisto (ou Mefistófeles) e Coração Negro (Jr). Apesar dos ótimos previews, teasers e trailers, o figura Mark Steven Johnson sempre será o diretor do decepcionante Demolidor. Mas, olhando pelo lado positivo, grande parte das deficiências que deram as caras em Demolidor (sem trocadilho) serão contornadas pela natureza e poderes sobrenaturais do personagem-título. E o cast é bastante animador. Além de Nicolas "droga-eu-queria-mesmo-era-o-Superman" Cage, também tem o meu tio Sam Elliott, o sempre promissor Wes Bentley, a instituição harley-davidsoniana Peter Fonda e a explosively hot Eva Mendes.

E não sei até que ponto se pode confiar nas declarações do diretor, mas que elas são instigantes, isso são: "Coração Negro é mostrado no que eu considero sua 'forma humana' na maior parte do filme. Mas ao longo da história nós recebemos dicas do que existe debaixo desse disfarce. No clímax descobrimos seu eu verdadeiro - e ele é horroroso. Haverá um pouco do visual clássico da HQ adicionado de alguns elementos de horror".

Mefisto te abençoe, meu filho. Motoqueiro Fantasma estréia nos EUA em 16 de fevereiro. No Brasil, dizem que será em 02 de março.

Na trilha: Paradise Lost, One Second Live.

terça-feira, 19 de abril de 2005

DOMINGO NO PARQUE



"Toda a vez que o fardo da guerra começa a pesar demais, eu opto por atividades mais relaxantes. Por isso, estou iniciando uma espécie de safári... no Central Park" - Frank Castle.

Deve ser legal escrever o Justiceiro. É um pensamento quase imediato quando se lê as histórias dele roteirizadas pelo Chuck Dixon. Mesmo sem descambar pro arrastão gráfico do Garth Ennis, Dixon dava conta do recado numa boa, num estilão meio "Justiceiro censura 12 anos, com acompanhamento dos pais". Lá pelos idos de 1992 ele comandou uma série do anti-herói chamada War Zone, publicada por aqui na saudosa - e olhando hoje, esquizofrênica - Superaventuras Marvel.

Não sei bem em que essa série de arcos diferia do habitual, já que o velho Frank continuava passando que nem um rolo compressor em cima da bandidagem new yorker. Talvez tivesse uma abordagem mais rotineira, do tipo "hoje iremos mostrar o Frank indo ao cinema e matando 4 pungistas no caminho". Mais estiloso do que de costume, tinha lá a sua quantidade generosa de sangue e violência, e o personagem exibia muito bem aquela persona ambígüa, entremeando uma aura de anjo vingador com momentos de pura vileza distorcida. É difícil não admirar o sujeito quando ele salva um bebê das mãos de um junkie mal-intencionado, mas chega a ser nauseante quando ele mata o mesmo à sangue frio, impiedosamente.


Da edição #7 até a #11 de Punisher War Zone (publicadas na SAM #172, 173 e 174), Chuck Dixon começa com o divertido safári no parque, mas logo vira o jogo pra cima do Frank, quando ele passa a ser a presa. Sabe esse pessoalzinho aí em cima? São caçadores de recompensa atrás de cinco milhões de doletas, o câmbio da cabeça de Castle nesse arco. Nessas edições fica claro que o Justiceiro é o tipo do personagem que não tem problema nenhum em arranjar antagonistas de tudo quanto é tipo. Há pouquíssima repetição. Esse cast de inimigos aí, por exemplo, é bastante interessante.

E destaque para a arte como sempre magnífica de John Romita Jr., aqui ainda mais "quadradão e sujão". Eu adoro. Na reta final, Mike Harris assume o nanquim, mas não tem problema não. O traço dele até parece um pouco com o do Romitinha. :P

Clique na capa para downloadear a HQ.

Aliás, você sabe o esquema do Rapid Share, né? Escolha o Download FREE (óbvio!), espere a contagem regressiva na página seguinte e clique no arquivo pra baixar... qualquer dúvida, desista. :)


LINK EXPIRADO - mas é capaz de achar outro fácil

Essa foi a primeira vez que eu fiz uso ostensivo do Photoshop, que é de fato um softzinho bom pra diabo. Favor me informar se ficou do seu agrado (ó mestre) ou não, pois pretendo escanear as próximas nesse mesmo estilo, rrrái?

Estranho... o post já acabou. Não ficou uma sensação de que faltou alguma coisa? :D


dogg...?

segunda-feira, 4 de outubro de 2004

BONS "OFF RECORD"




Traduzindo: boas histórias ou seqüências de HQ sem vínculo direto com a cronologia normal. Às vezes, a partir de uma idéia rala, são criadas citações ou homenagens muito bacanas. Se são sem querer eu não sei, mas tudo indica que se tratam de felizes obras do acaso. Foi justamente isso que rolou em Super-Homem #146, quando a revista ainda era editada no Brasil pela Abril Jovem.

Ela fazia parte de uma ultra-hiper-mega-over-power-saga chamada Zero Hora - a trilionésima reformulação do Universo DC, que tinha como propósito zerar todas as edições da casa (e arrecadar uma graninha extra também). Com os zilhões de universos paralelos da DC colidindo, diversas anomalias temporais começaram a pipocar nas histórias. Em outras palavras, uma premissa tão porquinha que lembrava a pasmaceira Marvel vs DC ou algo vindo da mente de Kurt Busiek em dias de ressaca braba. Não cheguei a acompanhar a coisa de perto, pois a saga se estendia por todos os títulos da DC, obrigando o sofrido fanboy brazuca a comprar tudo que saía deles. Vai roubar a mãe. Hoje, com o encalhe a um módico R$ 1,00, já dá pra comprar. :D

Super-Homem #146 se destacou do mar de lama por oferecer mais uma palhinha do inesquecível Bruce DK (preciso explicar?). Foi muito legal rever o velhão novamente, ao lado do escoteiro Clark e destilando seu sarcasmo consigo próprio em uma outra versão. Sem contar a quase reedição da maravilhosa seqüência de batalha contra os mutantes em DK. Nessa, além dele e do Clark, participam "Batmen" de várias fases, inclusive da Era de Ouro.

Ó:






















Maneirinho. Ótimo para ler antes de Os Piores do Mundo.

Agora saca só:






Alguém de Sin City? Nem... essa aí é a Mulher-Hulk.

Seguindo a mesma lógica, ela ganhou uma senhora despedida da memorável fase John Byrne. A história Ele Morreu?!, publicada em Hulk #140 também pela AJ, tem a participação do próprio Byrne, e é de rachar o bico. É engraçada pra cacete, ri muito mesmo, e olha que eu sou um cara sério, praticamente o Kurt Russel de Soldado do Futuro, ou Bruce da JLA do Keith Giffen (Deus tá vendo).

O melhor de tudo é que essa festa de despedida teve mulher bonita e champanhe caro: participam Dave Gibbons, Walt Simonson, Frank Miller (claro), Howard Mackie, Adam Hughes (numa beeeela seqüência...), entre outros. Essa eu vou até botar na fita:

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35

Reup em arquivo cbr em 05/09/2017

The next:


Também não pensei que sairia coisa boa de um conto de fadas contado pela mutante Kitty Pryde. Misturando um pouco com a seção "Resgate", a história Conto de Fadas (duh!), saiu na jurássica SAM #55, e é de um primor adaptativo digno de nota.

Kitty inventa uma historinha de ninar para Illyana, irmã de Piotr "Vou-retornar-e-ganhar-mais-um-troco-pro-titio-Quesada" Rasputin, vulgo Colossus, e acaba criando uma bela fábula em cima da mitologia dos mutantes. O ponto alto foram as transposições dos personagens, sendo que 3 deles ficaram fuderosamente legais: Noturno, que virou Bamf, um duende preto parecido com aquele babaquinha que se escondia nos desenhos da She-Ra - mas nem de longe tão chato; Pássaro Negro, o estiloso x-jato que virou o dragão Lockheed; e, principalmente, Wolverine, que virou Demônio, ou melhor ainda... Tacanho.






Da época em que o Chris Claremont sabia exatamente com quantos personagens mortos se faz um clássico. O traço de Dave Cockrum segue a tocada genial e dá saudades de revistas antigas e bem-desenhadas.

Pena que acabou por aí (pelo que eu saiba*). Essa bem-humorada versão matinê e "anti-ultimate" dos X-Men merecia mais. Segura:

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21

Reup em arquivo cbr em 05/09/2017

* (ou não)

dogg, que não sabe se deixa ou tira os banners (pô, mais de 500kb já é tijolo pra mim!). Aliás, quero agradecer e me desculpar a todos que já comentaram aqui, pois mudei pro HaloScan (e automaticamente zerando os coments). Levei o capenga Blogger Comentários até onde deu, mas após a 4ª pane seguida em pouco mais de 1 semana... mandei catar coquinho. E completando a bilionésima audição de No Quarter, da dupla Jimmy Page/Robert Plant.