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domingo, 21 de dezembro de 2025

Spielberg, o extraterrestre


Disclousure Day, por aqui bizarramente intitulado Dia D, marca o retorno de uma das parcerias mais icônicas de Hollywood: o diretor Steven Spielberg e o compositor John Williams, aposentado em 2022. Também é o retorno de Spielberg à seara ufológica, um cenário recorrente na filmografia do cineasta. O roteiro também é de um velho colaborador, David Koepp, e parece atualizar a perspectiva spielberguiana sobre o tema.

O trailer sugere um mix de thriller de ação com conspiração alienígena e um elenco encabeçado pela sempre competente Emily Blunt. No geral, tudo parece bem... ok.

O aspecto mais fascinante da produção é mesmo esse novo capítulo do estado de espírito de Spielberg em relação a esses homenzinhos verdes e seus loucos discos voadores. A tagline "All Will Be Disclosed""Tudo Será Revelado" – está em sintonia com os últimos dados sobre o fenômeno UAP (ex-UFO), do evento Gimbal registrado pela Marinha americana e a liberação de documentos oficiais até os documentários do James Fox.

Os ETs voltaram a ser pop e Spielberg está renovando seus votos de fé. Mais ou menos.

Em retrospectiva, durante a produção de Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), Spielberg estava empolgado com a onda de casos que assolou os Estados Unidos na época. Na ocasião do lançamento do DVD comemorativo de 30 anos do filme, porém, o diretor não podia estar mais incrédulo.


Ao longo das várias entrevistas do Making Of (imperdível, diga-se), é algo tragicômico ver o cineasta vendendo o filme e, ao mesmo tempo, se afastando de sua antiga crença. Entre uma coisa e outra, a recaidinha na ótima minissérie Taken (2002), que produziu. Hoje, parece, tudo mudou. De novo.

O Spielberg 2025/2026 é cauteloso e pragmático, mas não alienado (ops). Paquera o I Want to Believe com os pés fincados no chão. Pessoalmente, me representa, mas ainda me divirto com uma conspiraçãozinha pra viagem. Minha predileta é a de que o filme foi feito sob encomenda do governo americano com o objetivo de "climatizar o público" para a grande revelação.

Estamos preparados, finalmente. Que venham os ETs.


Disclousure Day (Dia D, urgh) tem previsão de estreia em 12 de junho de 2026. E por aqui, olha só, em 11 de junho.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

A verdade está aqui dentro


No One Will Save You é sob medida para aficcionados por UFOs – ou UAPs, na terminologia recente – e causos de abdução extraterrestre. Mas a verdade é que mira em voos muito mais altos. Ou mais intimistas, para ser exato. A entrega é garantida: o filme faz uma construção que remete aos relatos mais bizarros e absurdistas já registrados, como o infame Caso Kelly-Hopkinsville, que, aliás, parece ter sido o molde para várias coisas aqui. Sem dúvida, o roteirista, produtor e diretor Brian Duffield mergulhou de bico no assunto.

Muito disso foi antecipado no trailer, que era instigante, mas deliberadamente superficial. O homem tinha outros planos.

Duffield roteirizou o razoável A Babá, de 2017, e o ótimo Amor e Monstros, de 2020. Debutou na direção com o fofo, gore e esquisito Espontânea, também em 2020. Todos conciliando, ou tentando conciliar, comédia, romance e terror, trinca que parece ser o grande barato do cineasta. Em No One Will Save You, porém, ele tenta passar de fase, abandonando a comédia e o romance e investindo no drama e no terror. É um thriller de abdução que não é bem sobre abdução, mas explora o assunto quase ao esgotamento para que Duffield conte a sua história.

Um dia ele pagará por seus crimes, mas, como atenuante, No One Will Save You subverte espetacularmente o gênero. Ao mesmo tempo em que o revitaliza, diga-se.

A protagonista é Brynn, uma jovem costureira que ainda mora na mesma casa onde cresceu, numa bucólica cidadezinha do interior. Isolada e persona non grata na comunidade por motivos nebulosos, Brynn ainda lida com o luto da perda recente da mãe. Para enfrentar a solidão, ela passa os dias escrevendo para sua amiga Maude e construindo uma miniatura idílica da cidade em sua sala de estar. Uma noite, ela acorda e percebe que há um intruso na casa. E que, apesar de humanoide, a estranha figura não é nada humana.

A partir daí, o filme vira uma montanha-russa infernal do espaço sideral.


Em termos de estrutura, é patente a inspiração em "The Invaders", episódio clássico de Além da Imaginação. Os aliens também seguem o perfil padrão dos chamados Greys: olhos imensos, riscos no lugar da boca e nariz, comunicação através de grunhidos. Nesta versão, eles também têm movimentos curtos e abruptos, algo mecânicos, e são dotados de uma telecinese muito forte. O que faz muito sentido, dada a compleição física, por assim dizer, slim ao extremo. Outro arrojo foi estabelecer uma inédita diversidade da espécie. Temos pelo menos 3 tipos de Grey bem diferentes aqui.

As referências, involuntárias ou não, vão mais além. Em certo momento, é impossível não lembrar da Clemência Negra, do quadrinho Para o Homem que Tem Tudo, do Barba. As naves, no formato discoide habitual, lembram uma versão tecnológica do Jean Jacket, de Não! Não Olhe! (Nope, 2022), já bem assustador por si só. Felizmente, Duffield não se limita a simples convenções (ainda que eficientes) e lá pela marca dos 20 minutos, opera um "contato imediato" do tipo que nunca vi antes. É quando as coisas ficam realmente imprevisíveis, com direito a uma atordoante e muito bem tramada reviravolta na reta final.

Nada disso teria um milésimo do impacto sem a performance excepcional de Kaitlyn Dever. Sendo filme-de-uma-personagem-só, por 90 minutos ela tem apenas uma linha no script. E funcionou como uma autêntica libertação dos diálogos (quem precisa deles?). Sem a obrigação de mastigar nada para o espectador, a expressividade e a imersão da atriz explodem na tela, além de deixar tudo mais dinâmico, orgânico e intrigante. No fim, a sensação é de ter assistido a um magnífico dueto entre Dever e Duffield.

Discussões sobre projeção de falsa moralidade, ausência de empatia, ansiedade social e saúde mental cabem. São muito necessárias, até. No One Will Save You é esperto e nunca toma partido. Mas o tempo todo deixa a porteira escancarada para quem se aventurar em julgamentos preconcebidos.


SPOILERS
E que final. O mundo varrido pela invasão alienígena, sem chance de salvação. Apesar de protagonista, Brynn nunca foi a salvadora da pátria. Nem dela mesma. Desde o início, estava profundamente perturbada pelo seu trauma e pela rejeição, à beira da desconexão com a realidade. Ficou mais barato para os aliens dar a ela o que ela sempre quis: aceitação e socialização. E nem precisaram de um novo implante de controle mental. Brynn nunca iria querer sair de seu paraíso particular – afinal, ela não deve mais nada ao mundo. Em outra leitura, os aliens, após acessarem suas memórias e pensamentos, testemunharam a intransigência dos habitantes da cidade em relação a Brynn. Então foi um ato de pura justiça poética enquanto uniram o útil ao agradável. Uma inesperada conclusão feliz apocalíptica com danças e musicais ensolarados contrastando furiosamente com a sinistra trilha dos créditos finais. É um final que não vai agradar a todos e se agradasse, não teria cumprido seu objetivo. Filmão que só vai ficando melhor.

domingo, 10 de setembro de 2023

A verdade podia continuar lá fora

Escrito e dirigido por Brian Duffield, No One Will Save You audaciosamente vai onde nenhum terror ufológico jamais esteve.


Dá pra perceber que a atriz Kaitlyn Dever honrou cada cent de seu cachê nas filmagens. Já o plot, é tão minimalista quando o trailer:

"Brynn Adams (Dever) mora sozinha na casa onde cresceu e subitamente enfrenta uma invasão de visitantes sobrenaturais."

E é isso.

Há exatos dez anos, fui surpreendido por Os Escolhidos (Dark Skies), de Scott Stewart, que deu construção, atmosfera e seriedade a um subgênero bastante surrado. O resultado foi memorável. Pelo trailer, No One Will Save You parece enfim retomar o mesmo nível de tratamento.

A referência continua sendo a apavorante sequência de abdução de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de 1977. Steven Spielberg, inclusive, terá certa justiça tardia, já que a produção parece uma adaptação não oficial de Night Skies, seu lendário projeto de terror com ET's que nunca saiu do papel.

Um detalhe que chama a atenção, além da montagem milimétrica, é a ausência de diálogos na prévia. No IMDb, o idioma registrado é o inglês. No Wikipedia, consta apenas como "no dialogue". Isso já vinha sendo sugerido há algum tempo e, se confirmado, o resultado será bem fora da caixinha.

A estreia está prevista para o dia 22 no Hulu – e via Star+ nesta parte da América.

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Indiana Jones e a Nova Última Cruzada


Indiana Jones e a Relíquia do Destino me lembrou de como é bom entrar numa sala de cinema sem a menor ideia do enredo. Nem ao menos me dei ao trabalho de memorizar o resto do título após o nome do herói – coisa que desencanei após Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, de 2008. Que, apesar dos pesares, deu ao espectador um senso de conclusão digno, porém esqueceu de combinar com o miolo. Na nova aventura, o clima de despedida é novamente reeditado, com a clara intenção de corrigir os problemas do filme anterior.

E consegue, com grande sensibilidade até. Isso graças ao roteiro de Jez Butterworth, John-Henry Butterworth, do veterano na franquia David Koepp e do também diretor James Mangold.

Curiosamente, Steven Spielberg compareceu apenas como produtor executivo – George Lucas, desta vez, está completamente fora – e chegou a declarar que a ideia era "oferecer uma nova perspectiva." No entanto, Mangold é um seguidor reverente e mesmo com a renovação de década característica da série, ele faz questão de manter os ganchos da fórmula Spielberguiana. Até os nazis voltaram a atacar, devidamente contextualizados para o final dos anos 1960. Sujeito esperto.

A trama... bem, trama, a esta altura do campeonato, é o que menos importa. Tem lá a relíquia cercada de charadas com mocinhos e bandidos se acotovelando atrás dela. De novidade, curti o recurso do falso MacGuffin sugerido de cara e descartado na 1ª oportunidade. Mesmo por que, é dos "objetos místicos" mais manjados deste território (não é mesmo Constantine?) e uma Arca e um Cálice já foram o suficiente. Boa sacada.

A arqueóloga trambiqueira Helena Shaw e seu sidekick Teddy, um Short Round marroquino, são os novos personagens da vez. Sempre tive dificuldade de assimilar novas adições à série. Um pouco pela irritabilidade que estes proporcionam para se afirmarem em tela tanto quanto o protagonista e um pouco por preferir o herói se virando sozinho. É complicado. Mas a partir de certo ponto, até que desceram de boa. Phoebe Waller-Bridge e o novato Ethann Isidore funcionam como dupla, embora o último estivesse sisudo demais para este tipo de filme, além de ter pouca ou nenhuma interação com Indy. Dá a impressão de que alguma coisa ficou para trás na sala de edição.

O espetacular Mads Mikkelsen faz uma abordagem cerebral com seu Jürgen Voller. No filme, o vilão é um dos cientistas alemães que trabalharam para os EUA durante o Pós-Guerra. Inclusive, foi um dos responsáveis por colocar o homem na Lua, mas que continua, em essência, um nazista.

Uma ótima surpresa foi ver o Toby Jones roubando a cena na sequência eletrizante que abre o filme. Bem que podiam ter seguido a partir dali. Já Antonio Banderas só aparece para fincar um Indiana Jones no currículo. Desperdício total.


Harrison Ford octogenário é um fenômeno. Claro que em algumas cenas mais físicas, nota-se que ele ainda é humano, graças a Deus. E está se divertindo muito. Talvez não tanto quanto John Rhys-Davies com seu simpático e bonachão Sallah quase de volta à ativa. É muito bom também rever a Marion de Karen Allen num momento terno e muito bonito em referência ao primeiro filme.

Gostei bastante dessa 3ª despedida. Mas ainda acho que aquele chapéu não está pronto para ser pendurado...

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Fenda no Tempo


Primeira vez que comento algo sobre Stranger Things. E por um motivo bem simples: passei liso e leso por aquele tsunami hypezístico de 2016. Então, a divisão desta 4ª temporada em dois "volumes" — a manjadíssima midseason — pode ter recebido críticas até do alto escalão, mas abriu um janelona para que a massa de desantenados maratonasse o jogador #1 da Netflix. O que fiz em qualquer coisa como uma semana. É muito fácil, uma vez superados alguns percalços pelo caminho. Tenho um problema crônico com qualquer filme (alô, Tarantas!) ou série que nade em referências. É uma linha fina entre a homenagem, a sátira e a cópia pura e simples. E isso os criadores The Duffer Brothers fazem como se não houvesse amanhã.

Realizar um Amblin Movie é o Graal deles em Stranger Things. Deve ser irresistível ignorar o apelo estético e nostálgico das bicicletas e das delícias de uma trilha sonora oitentista. É o revival iniciado por Spielberg & J.J. Abrams em Super 8? Que nada. É tudo culpa de Donnie Darko. Ainda.

Os aguardados dois últimos episódios da temporada não arrefecem 1 frame no quesito "maratona". São quatro horas. Quatro desnecessárias e prolixas horas que fragilizam as subtramas e evidenciam as barrigadas que acometem a série desde a metade da segunda temporada. Decididamente, não precisamos disso — e nada me tira da cabeça de que é uma decisão estratégica e unilateral da gigante do streaming. O que é uma pena, já que boa parte dos problemas se resolveria com uma bela farra na sala de edição.

O núcleo de protagonistas é um achado de química e carisma. Só que os meninos e meninas mereciam bem mais do que lutar constantemente contra as deficiências de roteiro (fragmentar a turma foi a pior delas) e entoar alguns diálogos vexatórios que os Duffer escreveram na reta final. Deviam rever o quadro de roteiristas titulares, ao menos para a próxima (e, dizem, última) temporada. O Paul Dichter escreveu só um episódio desta safra e olha só que diferença.

No fim, foi preciso muita vista grossa e passadas de pano pra curtir Stranger Things. Mas valeu a pena. Abaixo de toda a pretensão e dos maneirismos épicos vazios, existe um coração enorme batendo em algum lugar do Mundo Invertido.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

The Duel After


E falando em 2001: Uma Odisséia no Espaço, quando molequinho, esse era tradicionalmente o primeiro filme que eu assistia no ano. Na madrugada de réveillon, todos os canais saíam do ar, exceto a Globo, que exibia 2001 após a Missa do Galo, quase ao alvorecer do dia. Claro... "assistia" é só força de expressão: após alguns minutos, eu dormia como se não houvesse amanhã. Nem a macacada quebrando ossos ao som de Strauss me mantinha acordado.

Conforme fui envelhecendo, fui tomando jeito - alcancei o espaço e aos poucos (bem aos poucos) fui me aproximando da grandiosa sequência final em Júpiter. Finalmente! Não entendia nada daquilo, mas... finalmente!

Até hoje mantenho o ritualzinho de início de ano. Mas no lugar da obra-prima de Kubrick na Globo, o posto foi assumido - now, in D.V.D. - por Encurralado, o famoso Duel (1971) de Steven Spielberg. Esse foi o primeiro longa do cineasta, embora originalmente não tão longo para o cinema (74 min.) e produzido para um programa semanal do canal ABC.

Durante muito tempo, Encurralado foi o filme que inaugurou minha grade anual da 7ª Arte. Por algum motivo, o ano não começava pra mim antes de revisitar a saga de um inofensivo motorista (Dennis Weaver) sendo caçado por um assustador caminhão-tanque ao longo de uma highway no deserto de Mojave. Mas já há uma trinca de anos que o debut Spielberguiano tem dividido a telinha com outro telefilme. E produzido pelo mesmo canal.

Em novembro de 1983, a comportada e superfamília ABC resolveu aterrorizar o público americano - e o resto do planeta - com a exibição de O Dia Seguinte (The Day After). O filme era a dramatização do medo mais recorrente na época: uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética. O momento em que os mísseis são disparados dos silos nas bucólicas paisagens do Kansas e os efeitos old school misturando montagens e cenas de arquivo reais são arrepiantes. E os espólios do conflito fazem os sobreviventes invejarem quem morreu nos ataques.

Ainda hoje o filme traz uma carga deprê incrível. Especialmente para aqueles que se lembram daquela versão de mundo com duas Alemanhas. Isso graças ao olhar clínico do diretor Nicholas Meyer no elenco estelar - todos francamente engajados a fazer do filme um manifesto desesperado, mas sem panfletarismo: apenas se valendo dos apectos mais pungentes que uma grande atuação pode alcançar.

Nunca vi o Steve Guttenberg tão triste e miserável num filme. Difícil não ser impactado pela cena em que uma mãe (Bibi Besch) se recusa a aceitar que as bombas estão vindo e insiste em arrumar o quarto dos filhos. Ou acompanhar a lenta derrocada moral e psicológica de um médico veterano interpretado magnificamente pelo saudoso Jason Robards.


Além da natureza árida e da impiedosa descontrução do elemento humano, o que esses dois filmes têm em comum são seus protagonistas encarando um cenário inglório, quixotesco. São a epítome da máxima "coisas ruins também acontecem com pessoas boas".

Mas acima de tudo, são sobre pessoas que mesmo diante disso tudo, continuam seguindo, olhando para frente, para o futuro, por menos promissor que ele pareça.

Por quê? Não sei. Mas, estranhamente, é uma boa maneira de começar um ano.

domingo, 27 de novembro de 2011

Os nativos atiraram primeiro


"Folheando" a edição #19 de Star Wars Tales, uma pequena história se destacou no meio do catadão colaborativo. Escrita por Haden Blackman (roteirista de longa data do universo Star Wars) e desenhada por Sean Murphy (de Joe, o Bárbaro), "Into the Great Unknown" marca o encontro de dois dos maiores ícones do cinema: Han Solo e Indiana Jones. Respectivamente, o maior anti-herói de todos e um dos maiores heróis desde sempre. E ainda traz um belo e triste epitáfio para um deles.

Legal o modo como Blackman brinca com as duas mitologias num curto espaço sem soar forçado. Méritos também para Murphy em sua perfeita cartunização facial do Harrison Ford.



São possibilidades como essa que me fazem agradecer ao Mestre Yoda pelo universo expandido. Será que existe algum crossover de Darth Vader com o Thulsa Doom por aí?

sábado, 15 de maio de 2010

Como construir um hype


Finalmente saiu o teaser trailer de Super 8, o misterioso projeto de J.J. Abrams em parceria com Steven Spielberg. Inicialmente, especulava-se que teria alguma conexão com Cloverfield - teoria já refutada por J.J. e aparentemente confirmada com o teaser.

Que é qualquer coisa de sensacional, diga-se.


Gostar ou não de J.J. pode até ser relativo (mesmo com os créditos que o cara tem na praça), mas é inegável que ele sabe criar um clima. E sabe manipular a imaginação alheia como poucos.

A margem de erro é bem pequena aqui. E se Spielberg estiver na mesma vibe de Contatos Imediatos e Taken...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

INDIANA JONES E O REINO DO ARQUIVO X


Já nos primeiros segundos, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, 2008) estabelece o primeiro contato entre o último grande herói fictício de Hollywood e o modo americano de fazer cinema atualmente. Olhei direto nos olhinhos virtuais daquela toupeira-ou-roedor-que-o-valha sem notar que o filme já havia começado, certo de que era mais um trailer da Pixar ou de algum concorrente da maratona do CGI. Mesmo que tal conexão tenha sido involuntária, é, sob qualquer ângulo, sintomática. Indiana Jones retorna após um auto-exílio de quase vinte anos. Em termos, é o que deu certo ontem se encontrando com o que está dando certo hoje. Indy e seu universo pertencem a uma era em que filmes de aventura eram bem-amarradas compilações de grandes sacadas e inteligência no emprego de ganchos clássicos, não pedaços do céu despencando com efeitos de som e fúria digital. Ao menos não ininterruptamente para disfarçar conteúdo ou falta de.

Então. Sabe o que falta hoje? Essência. Feeling. Espírito da coisa. Aquilo que, por exemplo, Piratas do Caribe fez bem em dois filmes e mandou direto pra descarga no terceiro. E em se tratando de Indy, tudo fica ainda mais emblemático - neste flagrante encontro do velho com o novo, já é lucro se uma lasquinha daquele passado memorável permanecer intacta na transição. Caso contrário, ainda que sob a gerência do tubarão Spielberg e do ewok Lucas, é porque as regras mudaram de vez, não tem mais volta e eu não passo de um velhote resmungão, carente e saudosista - porém limpinho.

Mas o legal é assistir ao filme e ver que ainda está lá. O que torna esse universo tão especial está lá, inoxidável, juntamente com relíquias astecas, maias, sumérias, hebraicas, Harrison Ford e Karen Allen - mais as saudáveis companhias de Cate Blanchett, John Hurt e Shia LeBeouf. Por outro lado, o que fez do cinemão de aventura essa coisa boboca e cara-de-mamão que é hoje tenta, a todo custo, sabotar este novo/velho filme, insistente tal qual um Dick Vigarista a serviço do mainstream corporativo.


Aforismos à parte, o primeiro ato é tão peculiar e refrescante quanto poderia ser. E já começa realizando um velho sonho: uma seqüência inteirinha passada no misterioso depósito que conclui Caçadores da Arca Perdida. Interessante ver que fica localizado numa espécie de Área 51 (ou talvez a própria) e que Indy sequer sabia de sua existência - a breve ponta da Arca da Aliança foi ironia da fina. Claro que o contexto da "visita" não permite detalhes, mas, em compensação, o clima, a dinâmica e o sexagenário ator parecem ter sido preservados em carbonita desde o último filme. Sem dúvida nenhuma, Indy is back! - mas a doce sensação esbarra na inacreditável cena do teste nuclear. A premissa rende uma situação até curiosa e engraçada, mas acho que, sei lá, um bunker para fugas de emergência não teria sido uma solução menos... menos? Esta foi a primeira sinuosidade em baixo relevo do filme, que não chega a ser uma montanha-russa, mas tem antagonistas russos. Ou melhor, soviéticos. Ou melhor ainda... comunistas!

É a presença deles que traça o perfil mais historicamente complexo do roteiro. Estão lá toda a histeria anticomunista da década de 1950 e a sombra de uma iminente guerra nuclear supermotivando a vilã Irina Spalko (Blanchett), espécie de "Ilsa, She-Wolf of the SS" versão KGB. Além disso, todos sabem que Spielberg tem um carinho especial pela época. Pela música, pela juventude, pela política e até pelos aliens da época. O racha que dá início ao filme e a ceninha genial (e hilária) da briga de playboys X motociclistas só poderiam ter sido dirigidas daquele jeito por um romântico da carteirinha.

Por fim, a composição do personagem Mutt (LaBeouf), quase um tributo ao Marlon Brando de O Selvagem, e as controvérsias de um suposto evento ocorrido dez anos antes (o filme se passa em 1957). Neste ponto, Caveira de Cristal - Lucas se superou com este título - inova de maneira até surpreendente para quem esperava outra caçada atrás de algum ícone místico/religioso/metafórico.

Há quem estranhe o fator 'Arquivo X' presente no filme, mas, como reza a Física Quântica, tudo depende do observador. Só posso dizer por mim: Planetary, eventuais sessões à base de Taken e do subestimado longa de Arquivo X me fazem enxergar a proposta com sincera naturalidade. Mas qualquer um que já tenha lido as presepadas de Eram Os Deuses Astronautas? (antes ou depois de Feliz Ano Velho, tanto faz) já está habilitado a considerar a idéia de maneira mais receptiva. Senão, tenta essa: boa parte da ufologia funciona como uma extensão vanguardista da arqueologia. Ou: a ufologia está para a arqueologia assim como a parapsicologia está para a psicologia.

No mais, o objeto em questão é um McGuffin tão fantástico quanto "uma arca que torna qualquer exército invencível" ou um "cálice que dá a vida eterna". E assim o notório ceticismo de Indy também ganha seu upgrade.


O filme não escapa incólume às turbulências do roteiro, principalmente na tradicional seqüência de Indy atacando o comboio dos vilões. Nem mesmo a melhor equipe de 2ª unidade do mundo - e não duvido que fosse o caso - conseguiria convencer com uma floresta amazônica cujo solo é um tapete de tão nivelado, nativos peruanos que parecem treinados pelo Clã da Lótus Branca e uma péssima referência ao Greystoke remanescente. Isso sem falar na boca-de-fumo de formigas botocudas (a siafu africana), me lembrando imediatamente o ataque dos besouros assassinos de A Múmia, inclusive com uma das mortes idêntica. Decepcionante lugar-comum.

Cate Blanchett, atriz que engrandece a profissão a cada papel, recebeu uma missão ingrata. A natureza de sua personagem é por demais unidimensional e acaba se revelando insuficiente em seu lado da balança - ainda mais se compararmos com o primeiro e terceiro filmes da franquia, que contavam com uma variedade generosa de vilões se revezando no comando. Já o venerável John Hurt é uma escola dramática, mas também um completo outsider na escolha de papéis (ele foi o Homem-Elefante, oras!). Portanto tudo OK se a sua participação aqui acontece em 1ª marcha. E sem maiores comentários sobre Ray Winstone, como o vira-folha Mac. É um coadjuvante cômico ganancioso com o destino dos coadjuvantes cômicos gananciosos.

Todos os problemas que senti em relação à Caveira de Cristal refletem exatamente um típico clima de reencontro de veteranos. É a ressaca da festa da classe de 81. A curtição dos caras - e Karen Allen - em estar ali, juntos novamente, está estampada em cada frame dos 124 minutos do filme. E aos moldes antigos, sem readaptações na narrativa, sem urgência. A química volta a acontecer, mesmo que seu resultado se atenha à mais deslavada diversão sem compromissos que a série poderia se permitir antes de arriscar sua qualidade.

Rever Harrison Ford na pele de Indiana Jones é como rever um velho amigo que nunca nos decepcionou. Merecia um filme melhor, mas nesta altura do campeonato, isso já é tão valioso quanto um Santo Graal.

domingo, 10 de julho de 2005

O DIA EM QUE A TERRA APANHOU



"Através do golfo do espaço, mentes que estão para as nossas como as nossas estão para as feras da floresta, intelectos poderosos, frios e sem simpatia observavam esta Terra com olhos invejosos e lenta e inexoravelmente traçavam seus planos contra nós."

Esse é um trecho da abertura do clássico sci fi Guerra dos Mundos, escrito por H.G. Wells. Ele também comparece - de forma quase solene na voz de Morgan Freeman - logo nos primeiros minutos de Guerra dos Mundos, o filme. Aliás... O filme. Poucas vezes um orçamento de gente-grande foi tão bem utilizado quanto nessa produção. E mais raro ainda foi resistir à tentação de criar um espetáculo non-stop movido a CGI. Coisa de quem não se deixa deslumbrar fácil, de veterano calejado. Coisa de Steven Spielberg. Soa meio esquisito afirmar isso, mas Spielberg tem background de diretor de suspense. Os seus primeiros filmes (Encurralado, Tubarão) são legítimos representantes do gênero - mesmo o divertido Louca Escapada, de 74, tem elementos inequívocos dele. Depois, Spielberg misturou esse timing natural à uma fórmula pop e deu no que deu. Mas o tino pra coisa continua lá, intacto. Spielberg, quando quer, pára a respiração e o batimento cardíaco de qualquer um. E é o que ele exercita aqui, primorosamente. Morra de inveja, Brian De Palma.

Muito se falou que Guerra dos Mundos (War of the Worlds, 2005) é um carro alegórico pra Spielberg acenar positivamente para a política predatória do presidente Bush. Tá, e eu vejo duendes. Pra começar, o filme segue uma linha paralela ao texto original, mas jamais modifica a estrutura dos eventos principais (aqui, em segundo plano), o que já descarta a teoria. A não ser que H.G. Wells tenha sido um partidário ferrenho de George MacBush, o pentavô de W. Bush. E Spielberg não se atém ao mero conceito do "ninguém invade o meu espaço" (ilustrado em alguns momentos no filme) e traça um perfil bem interessante da natureza irascível da humanidade - ainda que de maneira sutil.

Outra embaçada: as alusões ao 11/9. Parece que tudo é 11/9 agora. Até a inocente fonte Wingdings entrou no corredor polonês. Ah, mas certas analogias à data comparecem sim... plasticamente falando - vide a imagem do topo. Nothing more. Não há qualquer sinal de marciano árabe ou afegão por aqui (aliás... não existe nem a palavra "marciano"). O que há de referência ao fatídico dia é o inesperado da situação pegando todo mundo de calça curta. Explosões onde não deveriam haver explosões. Pessoas morrendo na sua frente da maneira mais improvável. Construções imponentes se desmanchando como um castelo de areia. Sim, já sei, somos formigas no Universo, mas em Guerra dos Mundos somos lembrados disso a todo instante. É uma ode reversa (e perversa) à brincadeira de torrar formiguinhas com uma lupa ao Sol.


A história, pra quem não conhece, é complicadíssima: os marcianos estão chegando. Ponto. Menos é mais e, no caso, o fermento rendeu bastante com a mudança de ângulo narrativo. Vemos todos os eventos se desenrolarem através dos olhos do despachado Ray Ferrier (o inconstante Tom Cruise), uma figura com tantas falhas e buracos no caráter quanto eu ou você que está aí (tá bom, tá bom... tanto quanto eu então). Comodista e pai desleixado, Ray faz da falta de compromisso seu esporte preferido, mesmo que isso lhe custe o respeito de seus filhos, Rachel (a futura oscarizada Dakota Fanning) e Robbie (Justin Chatwin, mais um teenager qualquer nota).

O ponto de vista é do egocêntrico Ray, então o recurso se torna funcional quando testemunhamos seu micro-universo particular e confortável indo às favas. A partir daí, a composição inicial de Cruise (à base do famoso sorrisinho confiante-e-idiota) é seguida por uma quebra de ritmo que começa em incredulidade, trafega pelo desespero e chafurda numa mortificante desolação. Ele entrou no clima e seu nível de atuação vai aumentando à medida em que o script explora as nuances do personagem, conferindo-lhe uma inesperada tridimensionalidade. Daí o "inconstante". Um pouco antes do final, Cruise justifica todas as vezes em que eu o defendi como um bom ator.

Com a história sendo assistida diretamente da "geral", alguns detalhes logo saltam aos olhos. Um deles foi o uso da dinâmica estilo Canal 100 em certos trechos, remetendo à ação descaralhante da meia hora inicial de O Resgate do Soldado Ryan. E fica aí o registro: a aparição do primeiro tripod é um dos momentos mais contundentes do cinema blockbuster nos últimos 15 anos. E o som da sala que eu estava era absurdamente alto. Tonteei. Outro detalhe foi a informação a conta-gotas. Sabemos o que Ray sabe, nada mais. Temos outras preocupações mais importantes (como permanecer vivo, p.ex.) do que desvendar os meandros da invasão. Daí que não existem maiores referências à procedência dos aliens - com design no padrão clássico - e nada muito além de suas intenções imediatas, que continuam como no original, ou seja, maniqueístas. E essas informações não fizeram falta, pois a saga de Ray e seus filhos não deixa a peteca cair nem um segundo. É uma porrada atrás da outra.

Existem dois momentos que podem ser considerados os mais não-Spielberg que Spielberg já filmou. O primeiro é quando Ray & cia trafegam de carro por uma rua lotada de refugiados. A seqüência chega a ser desoladora de tão real e ilustra bem até onde vai a nossa civilização. O segundo é um mergulho num oceano de tensão, e se passa num porão onde nossos heróis são acolhidos pelo personagem de Tim Robbins, excelente como sempre. Não há muito o que se possa comentar sem revelar um spoiler, mas pra quem já assistiu ao filme, apenas uma observação logo abaixo. Marque para ler.

O personagem de Robbins, o alucinado Harlan Ogilvy, pode ser relacionado a um manifesto político sem culpas, ao contrário da maioria das supostas mensagens do filme. Sua obsessão em se manter no "território ocupado" para atacar o inimigo por dentro, de surpresa, e a negação de Ray a essa atitude é claramente um protesto de Spielberg e dos roteiristas Josh Friedman e David Koepp à realidade do Iraque hoje. Por outro lado, o que Ray faz com Harlan no fim, soa como um recadinho malcriado aos terroristas. Aliás, a menção à Europa e ao terrorismo no mesmo diálogo, dentro do carro, foi uma infeliz coincidência com os atentados em Londres, na semana passada.

Guerra dos Mundos é um spin-off de uma premissa clássica. Tem um evento principal que começa e termina da mesma maneira como todos conhecem (ou deveriam conhecer, façam-me o favor...). Vocês já viram isso naquele outro filme, que ganhou até um upgrade mal-feito. Correndo por fora, tem a saga de Ray, que - essa sim - termina Spielberg's style, para o bem ou para o mal. Mas depois do exercício de nervos que ele proporcionou na hora e meia anterior, isso veio como uma brisa suave e providencial - e com todas as suas improbabilidades digeridas por este que vos escreve. Não tenho culpa se fiquei de bem com a vida... :P


Na trilha: o álbum WWIII, do KMFDM... uma porradeira eletrônica sinistra...

domingo, 29 de maio de 2005

MULDER WAS RIGHT


Saiu o trailer final de Guerra dos Mundos, o mais novo encontrão spielberg-cruisiano (o último full lenght dos dois foi o bonzão-mas-podia-ter-sido-genial Minority Report, de 2002). Mudando um pouco o estilo dos previews anteriores, Spielberg mostra um pouquinho mais dos tripodes e naves marcianas que arrasarão a Humanidade. Mas tudo naquele velho esquema old school de marketagem que o próprio diretor criou: imagens em cortes rápidos, de relance, em fade-out ou em meio à explosões visuais em que é difícil distinguir qualquer contorno mais revelador. Estratégia que corre contra a atual tendência de mostrar, hiper-expor e até divulgar spoilers que, não raro, funcionam como um verdadeiro anti-clímax.

Na verdade, não sei até que ponto a publicidade tímida dessa produção (em se tratando de um candidato a blockbuster) pode se fazer por si só. Afinal, trata-se de um filme com Steven Spielberg e Tom Cruise juntos, e o fator "nunca vi filme ruim com esse cara" tem lá a sua parcela garantida de retorno junto ao povão*. Mas, mesmo sabendo que não é bem assim, as chances parecem muito boas de o filme ser bem divertido, principalmente após ver esse trailer, que é um amálgama das melhores cenas que foram divulgadas até então. Tem lá o exército mandando bala, ao melhor estilo O Dia em que a Terra Parou (ê filmão que eu tenho saudade de assistir), uma balsa virando, uma gigantesca implosão no meio de uma avenida e a já famosa e impressionante cena da ponte sendo destruída. Em meio à tudo isso, refugiados se esgueirando nas ruínas buscando a sobrevivência, entre eles o personagem de Tom Cruise e sua filhinha, interpretada por Dakota Fanning, a tampinha mais talentosa a aparecer em Hollywood nos últimos anos (e já é o 3º filme-pauleira que ela faz quase em seqüência - os anteriores foram o malvadão Chamas da Vingança e a sessão da tarde do inferno O Amigo Oculto).

Sem contar que ela já tem experiência com aliens e abduções, como visto na minissérie Taken, de 2002 - por sinal, produzida por Spielberg. Dakota rulz.

* Por "povão", entenda-se pelo pessoal que não é tão tarado por filmes quanto eu ou você que está lendo. Sem qualquer referência elitista e/ou pseudo-intelectual, como eu tenho visto tanto por aí, infelizmente. Tem nego que não merece ser dono de um computador. Deveria era trocar por uma carroça - e não pra ficar no lugar do carroceiro.

Pelo currículo de Spielberg no trato com aliens, o filme deverá ser mais focado no drama humano. O contraste será a diferença de caráter das criaturas. No clássico Contatos Imediatos de 3º Grau , no melô E.T. - O Extra-terrestre e mesmo em AI - Inteligência Artificial (ah, se eu fosse o editor desse filme...) os aliens eram entidades quase angelicais, superiores em senso de Justiça, donos de um caráter benevolente e de uma enorme empatia espiritual em relação aos seres humanos. Bem diferentes dos martian boys casca-grossas criados por H.G. Wells. Eles são o próprio... hã, "lado negro" do maniqueísmo, a personificação das personificações do Mal. Vêm à Terra somente para destruir, pilhar e erradicar completamente a raça humana, impiedosamente. Os únicos sobreviventes humanos são transformados em força de trabalho escrava secundária. Enfim, é aquele mesmo pessoalzinho que vimos em ID-4. O curioso é que essas características em aliens são meio incompatíveis com o bom e velho Stevão (ele sempre gostou mais de descontar a sua raiva em nazis).


Alguns tentáculos e um Cruise desesperado lá no meio tentando fugir


Uma Guerra Interplanetária seria uma mão na roda para a economia norte-americana...


Diferente de Close Encounters, dessa vez é pra sair correndo mesmo

Ficam aí algumas dúvidas em relação à abordagem adaptativa, principalmente na procedência dos ETs. Serão marcianos mesmo? Parece que sim, pois alguns dos previews mostraram um planeta de cor vermelha. Então como não os encontramos... ou melhor, a Nasa não os encontrou antes, após décadas de estudo massificado do nosso planeta vizinho? Só assistindo mesmo.

Após ver o trailer, bateu vontade até de reler o segundo volume de A Liga dos Cavalheiros Extraordinários, que traz um ataque marciano ao nosso lindo planetinha. Aliás, um design das naves, tripodes e armaduras dos marcianos foi divulgado recentemente pelo Ain't It Cool News e se aproxima bastante da versão clássica que foi adotada pelo Kevin O'Neill, nos desenhos de A Liga. Clique nas imagens e compare:


Agora que fiquei com vontade de reler mesmo... Estou segurando as ondas, pois não quero estabelecer um nível comparativo muito alto que possivelmente vá atrapalhar a apreciação isenta do filme. Mas provavelmente não agüentarei e lerei um dia antes da estréia. :)


Trailer final:
480x360 (23,5 Mb) - 320x240 (9,2 Mb) - 240x180 (4,1 Mb)



A trilha desse post foi o álbum Out of Exile, o novo do Audioslave

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

IT'S ONLY ROCK AND ROLL... BUT I LIKE IT!


Em julho do ano passado houve uma celebração de Rock'n'Roll de tremer o chão. Um show beneficente em Toronto, Canadá (na época, penando com a SARS - a tal gripe do frango), reuniu uma turba de 490 mil sortudos diante de um cast quase dos sonhos: The Isley Brothers, Guess Who, Rush, AC/DC e Rolling Stones. E o "quase" fica por conta da presença do The Flaming Lips e do deslocado Justin Timberlake. Entre uma coisa e outra, o divertido The Have Love Will Travel Revue (já explico).

Esse DVD é uma bela coletânea de rock'n'roll (principalmente na atitude rocker), que acaba sendo um tanto frustrante, visto que algumas apresentações são tão boas que mereciam o seu próprio especial. E o destaque também fica por conta das senhoritas da platéia... todas lindas e maravilhosas. Aparentemente não existe mulher feia no Canadá. Deve ser culpa da miscigenação francesa. Ulálá.


Eddie Isley, muuuiito bem acompanhado

Como todo mega-show, o evento começou com o sol à pino, então os grupos tinham mais é que chegar rasgando pra animar a geral. Mesmo assim, o idolatrado Flaming Lips não emplacou, mandando ver num repertório fraquim, fraquim. Muito fraca a banda, naquela linha melódica-alternativa chorosa. Mais uma razão pra eu não confiar em certos críticos musicais. Na seqüência, o fodão The Isley Brothers. Big-band seminal veteranaça de soul e funk pesado, mano. A negritude baixou no palco e mandou um swing tonelada de rachar o assoalho. O guitarrista dos caras - a cara do ator Ving Rhames - dá um show à parte, arriscando escalas hendrixianas, tocando com a guitarra nas costas, com a boca, invertida e o escambau. Como se não bastasse, eles ainda me colocam um pessoalzinho sinistro rebolando lá na frente. Bailão black de primeira, bróder.


Randy Bachman, do Guess Who (lembram do Bachman Turner Overdrive?)

The Have Love Will Travel Revue é a banda pós-Blues Brothers do ator Dan Aykroyd, agora acompanhado de Jim Belushi, irmão do John. Quem já assistiu Os Irmãos Cara-de-Pau já conhece o riscado. "Blues, man..." - - e uma turma de loirudas de resPeito na coreografia. J.Timberlake vem a seguir, e prova que é o sonho molhado das moçoilas do lado de lá. Popzinho inofensivo com um pé no soul. Não chega a ofender os ouvidos, mas o mérito maior foi trazer a mulherada pra frente do palco. E diga-se passagem, que mulherada!

Cenário propício para o Guess Who entrar matando a pau com uma versão arrasadora do mega-clássico American Woman, o que causou uma comoção no público feminino. As primeiras garotas de camiseta molhada e de biquíni com a bandeira americana estampada começam a aparecer na multidão. O Lenny Kravitz pode voltar pro laboratório que o criou, pois nem em mil anos ele executaria essa música com o clima de tesão original. Profissionais do rock, o Guess Who evidencia os anos de estrada tanto na postura de macho quanto nas caras enrugadas. Os velhões detonam!


Geddy Lee, do Rush, me lembrando daquele showzaço no Maraca

Já o Rush é canadense, está em casa, e a recíproca veio da multidão turbinada, que só faltou fazer uma ôla quando a banda entrou. Eles começam com um Limelight básico, emendam com a rapidinha Freewill e provam que o seu maior hit por lá ainda é Spirit Of Radio - espertamente precedida de uma citação do clássico stoneano Paint It Black. Rever as viradas supersônicas da batera de Neil Peart foi uma emoção só. O cara é o verdadeiro Dr. Octopus!


Brian Johnson e Angus Young, do AC/DC... "Rock and Roll Ain't Noise Pollution"!

Galera em êxtase, bonézinho de caminhoneiro e uniforme de estudante entram em cena. AC/DC é A banda de arena por excelência. Eles fazem música GRANDE, para GRANDES ESPAÇOS, para GRANDES AGLOMERAÇÕES, e já entram apelando mesmo, com Back In Black logo de cara, colada com a levanta-estádio Thunderstruck. Na muvuca crowdeada e sold-outeada, zilhares de garotas pagando peitinho começam a pipocar por todos os lados. Ah eu lá.


Keith Richards, aparentemente imortal

De repente, a noite cai sem aviso, aos primeiros acordes de Start Me Up. Os cavaleiros das trevas do rhythm'n'blues, a maior banda de rock'n'roll de todos os tempos, Sua Majestade Rolling Stones entra em cena com a mesma energia de, sei lá, trezentos anos atrás (quantos séculos tem o RS?). Chega a ser surreal ver Charlie Watts (batera), Ron Wood (guitarra), Mick Jagger (fudião) e, principalmente, a instituição Keith Richards ainda arrancando sangue do palco. Na performance você reconhece de onde veio o DNA de U2, Duran Duran, Guns 'N Roses, Iggy Pop, Sex Pistols, Metallica, Aerosmith, Queen, Led Zeppelin, e todas as bandas de pop rock que fizeram sucesso nos últimos 30 anos. Tudo veio dali, das pedras rolantes. É um troço inexplicável, vai ser seminal assim lá longe. Ruby Tuesday ainda é trilha sonora para amassos fervorosos e Miss You (com J.Timberlake) faz até o machão mais duro requebrar na discotéque.

Agora, um parágrafo da História foi escrito naquela noite. À certa altura, eles resgatam o ultra-mega-clássico Rock Me Baby, de B.B.King, numa jam-monstro com os "aprendizes" do AC/DC. Quê quê isso, meu cumpádi. Angus Young duelando com Keith Richards...? Arpejos bluesísticos demoníacos e rock'n'roll sacana vazando pelos ladrões...? Se você acha que conhece rock, assista isso aqui. Obrigatório.


H.G. WELLES


"Através do golfo do espaço, mentes que estão para as nossas como as nossas estão para as feras da floresta, intelectos poderosos, frios e sem simpatia observavam esta Terra com olhos invejosos e lenta e inexoravelmente traçavam seus planos contra nós."

Em 1898, o escritor inglês H.G. Wells já antevia no clássico A Guerra dos Mundos um apocalipse aterrador (como se existisse apocalipse não-aterrador...), onde hordas de naves alienígenas devastavam a Terra e a civilização como a conhecemos. Parece até o roteiro de ID-4. E foi mesmo uma grande injustiça essa produção não ter se assumido como uma adaptação do livro, principalmente por ter cumprido razoavelmente bem o seu papel na transição para uma premissa mais pop.

"Pânico nos Estados Unidos. O país está sendo invadido por hordas de marcianos. Eles já chegaram a Nova York, a bordo de suas naves futuristas. Não há como resistir: a superioridade dos alienígenas é incontestável."

O mais interessante da mitologia ao redor do clássico é que ela se estende por mais 40 anos - até 30 de outubro de 1938 (em pleno Halloween) pra ser mais exato - graças ao bizarro episódio protagonizado pelo genial Orson Welles. O Cidadão Welles adaptou a obra de H.G. Wells para um formato rádio-jornalístico, que, ao ser veiculado num dos programas de maior audiência na época, causou um verdadeiro frisson (pra não dizer cagaço) nos ouvintes. Relatos davam conta de que as pessoas saíam apavoradas de suas casas atirando em caixas d'água, certos de que eram discos voadores (putza... confundir caixa d'água com disco voador é muita lesêra). Na transmissão, ele anunciava que naves imensas pairavam sobre o edifício da rádio CBS, em Manhattan. Entrevistas com falsos especialistas e testemunhas davam um verniz de realismo na coisa toda.

Ao final, Orson Welles entregou o jogo e disse que "essa é a nossa maneira de comemorar o Halloween". Nunca a palavra "motherfucker" foi tão repetida na História. :)


Guerra dos Mundos (War of the Worlds, 2005), o filme, conta com um dream team: o Peter Pan Steven Spielberg no manche, o brat-pack-que-deu-certo Tom Cruise no outdoor e menina de ouro Paula Wagner envolvida na produça, ao lado de Cocktail Cruise (estamos sarcásticos hoje hein).

Esse filme promete. Em certos casos a gente já pode esperar um certo nível de qualidade, ao menos na parte técnica. Spielberg tem a ILM no bolso e pode facilmente criar os melhores efeitos visuais desde a franquia Matrix. Conceber naves-mãe, robôs gigantescos, explosões dantescas, combates aéreos e monstrões cabeçudos cheios de tentáculos sugando a energia vital dos humanos seria bico. Aposto que só o palm top dele já dava conta do recado. Já Tom Cruise - um bom ator - é uma espécie de herói do sonho americano. Os caras lá gostam dele de verdade. Nunca o vi se dando mal em um filme e creio que não será dessa vez.


A concepção de H.G.Wells sobre a natureza dos marcianos é altamente maniqueísta. Parece até a visão norte-americana do comunismo, nos anos da Guerra Fria. Os marcianos têm toda uma carga de selvageria, antagonismo e negativismo, realçadas ainda mais pela sua origem. Marte é o deus romano da guerra (equivalente ao Ares grego), a personificação do aspecto sanguinário e selvagem das batalhas. Os marcianos eram maus mesmo. Viajaram essa distância absurda só pra sacanear com a nossa família. E talvez sejam esses detalhes que farão a maior diferença entre Guerra dos Mundos e ID-4.

No filme de Emmerich/Devlin não ficamos sabendo de onde os aliens vieram, nem o porquê da sua opção de colonizar o nosso já detonado planetinha. A única coisa que soubemos foi que eles precisam fazer um upgrade urgente no firewall da nave-mãe. Já em GdM, Spielberg tem algumas coisinhas a explicar. Ah, os caras são de Marte? Pô, legal, mas onde eles estavam que não os vimos durante todo esse tempo de observação? Se o filme fosse ambientado no século 19, igual ao livro, tudo bem, mas...

Seja como for, a megaprodução (US$ 128 milhões) está em ritmo de cruzador estelar durante uma dobra espacial: até seu lançamento nos EUA, em 29 de junho de 2005, serão parcos 8 meses desde o início das filmagens.


No primeiro teaser poster já podemos ver a mão de um dos monstrengos, e ao que parece o design deve ser bem parecido com o visto no clássico filme de 1953. Já o teaser trailer é bem econômico, mas traz uma atmosfera bastante sombria e intrigante. Se tudo der certo (leia-se: "boa bilheteria"), talvez possamos esperar por um futuro revival de ficção-científica cinqüentista. Remakes de clássicos do gênero com os efeitos visuais que sempre mereceram.

Já pensou, rever em grande estilo pérolas como o assustador Invaders from Mars, a tosqueira-mor Plan 9 from Outer Space, e o meu preferido, O Dia Em Que A Terra Parou?

E para homenagear a obra original e o vindouro blockbuster, nada melhor que um elseworld de leve.

Bem, na verdade existe coisa melhor sim, mas em termos de alcance imediato é isso aqui mesmo. :D




Esse aqui é interessante. O Clark desse especial não é aquele Clark "megafodônico" que conhecemos. É quase. Na verdade, o Super aqui ainda está em seus primeiros dias de capa vermelha, nos primórdios da Era de Ouro. Ou seja: "forte como uma locomotiva, rápido como uma bala e resistente como uma parede de concreto". Literalmente. Pra você ter uma idéia, ele ainda nem sabe que voa, e por isso se vale de saltos quilométricos, com toda a margem de erros que isso possa acarretar (e acarreta).

Superman - A Guerra dos Mundos não tem segredos, é simplesmente uma versão do clássico de H.G. Wells, com um kryptoniano no meio. Logo que Clark chega em Metrópolis, a Terra é invadida pelos marcianos comunistas, que destroçam as forças terrestres como se fossem o time do Botafogo. Obviamente, Clark - mais escoteiro do que nunca - sai no braço com os martian-boys, que rapidamente se interessam pela superioridade física do kryptoniano (que, aliás, desconhece sua origem kryptoniana).

Uma excelente HQ que retrata uma fase bem curiosa do maior ícone pop dos quadrinhos. E o final é bastante imprevisível, diga-se de passagem. Mérito do trampo "arqueológico" do roteiro de Roy Thomas e do traço providencialmente old school de Michael Lark. Até a lenda ambulante Eudes/The OutsiderZ já comentou sobre ela certa vez, então pode ir que é da boa. :P

Scans by: doggma - Link para o arquivo cbr, atualizado em 30/08/2017

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Klaatu Barada Nikto!


dogg... "rock me babeee... rock me aaaall night looong..."