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domingo, 30 de junho de 2019

Retrospec Junho/2019


3/6¹ - Robert Pattinson é o novo Batman dos cinemas e Zack Snyder curtiu isso. No Vero. Quem é que usa o Vero? Os mesmos que usam o Telegram? Goddamn early adopters.

3/6² - A Mauricio de Sousa Produções anuncia o lançamento de Turma da Mônica Geração 12, o primeiro título da linha Mangá MSP. Os olhões gigantescos a turminha já tem...


3/6³ - Daniel Lopes, da editora Pipoca & Nanquim, publica um inocente gif e o gerente do banco me liga dizendo "não!"

4/6¹ - Alguém lá na editora Lorentz cabulou a aula de utilização de crases e de por que/porque/por quê/porquê. Resultado, a graphicaça Alvar Mayor, de Carlos Trillo e Enrique Breccia, se torna uma das recordistas de erros da página Todo Dia um Erro nos Quadrinhos Diferente. Para ser justo, nenhum dos erros diminui ou altera a percepção/compreensão da obra. Mas podiam ter prestado mais atenção, né...

4/6² - Deadly Class e Happy! canceladas pela Syfy. Bastardos!

5/6¹ - Fofocas indicam que a Marvel Studios está programando a volta do Quarteto Fantástico nos cinemas para 2022. E Peyton Reed (Homem-Formiga) está louco para dirigir.

5/6² - Fora isso, a Marvel Studios também está negociando com Keanu Reeves e Angelina Jolie para estrelarem Os Eternos. Calma aí, Marvel. Calma aí.


6/6¹ - Partiu Malcolm John Rebbenack Jr., o lendário Dr. John, aos 77. Veterano do blues, rock, r&b, funk e boogie-woogie, o bom Doutor estava na estrada desde a década de 1950 e gravou mais de 30 discos solo, fora álbuns ao vivo e um oceano de colaborações com outros artistas. Um mestre que se vai.

6/6² - E Swamp Thing já está cancelada. Alguns boatos dão conta de diferenças criativas - time do direcionamento de terror vs. time do formato CSI-da-semana - e conflitos com a mudança na plataforma streaming da WBTV.

6/6³ - Nada disso: as razões foram mais práticas. Parecia até praga do Arcane, mas foi só a Warner fazendo merda de novo.


7/6¹ - Se vai Sérgio Augusto Bustamante, o Serguei. Tão rockeiro quanto folclórico, Serguei nunca saiu da década de 1960, mas sempre fez o que quis - e foi o que quis - até o fim. Personalidade e carisma únicos.

7/6² - Após a editora Record perder o passe, Asterix vai parar na Panini. Perdeu, gaulezada.

Sábado, 8 de junho de 2019

8/6 - Andre Matos faz sua passagem, aos 47. Cantor e multi-instrumentista talentosíssimo, Matos construiu uma trajetória sólida e respeitada, seja em carreira solo ou com as bandas Viper, Angra e Shaman. Sempre admirei a representatividade da obra do músico, especialmente em se tratando de power metal/heavy metal melódico produzido em pleno Brasil. Inesperado, pra dizer o mínimo.

11/6¹ - Em matéria entitulada "O Dia em que a Música Queimou", o New York Times revela a verdadeira extensão do incêndio nos estúdios da Universal em New England, em 1 de junho de 2008. Um desastre sem precedentes que pode ser facilmente considerado o pior da História da Música, mas que, até hoje, permanecia criminosamente acobertado. Não é brincadeira: quando mencionam a destruição das masters originais de Guns N' Roses, Nirvana, Soundgarden, R.E.M., Nine Inch Nails e outros artistas contemporâneos, é quase como se estivéssemos no lucro. Preste atenção na 1ª e na última leva de gênios musicais mencionados pelo jornalista Cunha Jr. no programa Metrópolis. É chocante. Que ano, meu amigo. Que ano.


11/6² - A editora Figura abre um Catarse para a obra Tanka, do mestre italiano Sergio Toppi. Repetindo: Sergio Toppi. Agora vá lá colaborar.

11/6³ - Parece que Swamp Thing tinha um objetivo de 3 temporadas para lançar uma série da Liga da Justiça Dark. E tudo seguia muito bem até a Warner se dar conta disso.


11/64 - Quentin Tarantino vai dirigir um Star Trek para maiores de 18 anos. No aguardo para a cena do Dr. McCoy ressuscitando o Scotty de uma overdose de heroína com um shot de adrenalina direto no coração. Vida longa e próspera, motherfucker.

11/65 - Sob ataque cerrado de zilhares de DCminions raivosos, Rob Liefeld abandona sua conta no Twitter. Ao menos deixou um bonito legado de desafetos, desenhos colossais e seguidas redescobertas de sua própria jenialidade. Em dois dias ele volta.

12/6¹ - Quer ver um decenauta véio e acabado chorando? Conta pra ele que Scott Snyder vai trazer a Sociedade da Justiça de volta.

12/6² - O roteirista Al Ewing e os artistas Joe Bennett e Paul Mounts incorporaram o John Carpenter de O Enigma de Outro Mundo em Immortal Hulk #19. Nojeira da braba!


12/6³ - Autoridades americanas desarticulam uma quadrilha que traficava metanfetamina cristal para a Austrália dentro de gibis da DC. Bem debaixo do nariz do Bátima! Opa...

12/64 - Lobo sai de Krypton e ganha sua própria série via Syfy. Será que o Maioral finalmente vai chegar lá?


12/6 - Jason Aaron e Esad Ribic se reúnem para concluir seu épico do Deus Trovão em King Thor #1! Lançamento em setembro. Aye!!

13/6¹ - Se vai André Midani, o homem que reinventou o pop brasileiro.


13/6² - Jimmy Fallon é um bosta, mas esse hino do derrotismo interpretado pelo Fat Thor foi no alvo.

13/6³ - O run de 100 edições do Batman por Tom King acaba de se transformar em um run de 12 edições de Batman/Catwoman devido a compromissos recém-assumidos do roteirista com um longa dos Novos Deuses e uma série de TV ainda não divulgada. Entendi direito, produção? Quantos dias a DC estava sem fazer merda mesmo?


14/6¹ - O filme já deve ter ido pro pau, mas que se-phoda-se: Bill Sienkiewicz e Chris Claremont se reúnem para New Mutants: War Children #1. O one-shot (então porque o #1, com mil diabos?) será lançado em setembro nas comic shops americanas - e 1.2 segundos depois, num compartilhador de arquivos pertinho de você. Excelsior!


14/6² - HAHAHAHAHAHAHA... cara, isso foi errado em muitos níveis, da disseminação do preconceito à completa desonestidade editorial, mas puta que par... Porra, Abril! HAHAHAHAHAHAHA!!


14/6³ - 3ª temporada de Young Justice: Outsiders a caminho. E com a Vovó Bondade cheia de amor pra dar.

15/6 - Se vai o produtor, diretor e ex-senador italiano Franco Zeffirelli, aos 96. Esse era dos grandes. Foi muito popular entre o público brasileiro por suas versões de A Megera Domada (1967), Romeu e Julieta (1968), o belíssimo Irmão Sol, Irmã Lua (1972), Jesus de Nazaré (1977), Amor sem Fim (1981) e, especialmente, pelo dramão de boxe O Campeão (1979), com Jon Voight e Faye Dunaway. Haja lencinho de papel.

16/6 - O diretor e roteirista Todd Philips diz que o filme do Coringa será Rated R (menores de 17 anos, só acompanhados dos pais ou demais responsáveis). Mas ainda não levo fé, avisem pra ele.


17/6¹ - Dave Mustaine está com câncer na garganta. Nossa torcida para o MegaDave!

17/6² - Lembra da Red Monika? Ou melhor, de Battle Chasers, a série de fantasia do Joe Madureira? Diz ele que quer continuar com a história de onde ela parou, no #9, há dezoito anos. E precisa de ajuda.

19/6¹ - Realmente não entendo a polêmica sobre a fase de Tom King no Batman. Por exemplo, aquela cena dos Batmans papeando e arrastando um caixão pelo deserto tem uma porralouquice à Zero Hora e ainda lembra o crássico vídeo Um pistoleiro chamado Papaco. Melhor que isso, só o Feira da Fruta.

19/6² - Um caminhão de escritores e artistas canadenses foi incumbido de trazer a Tropa Alfa de volta à ordem do dia em Alpha Flight: True North. Espero que a Marvel não tenha se esquecido de que, além da nacionalidade, é essencial que todos os envolvidos detestem o supergrupo. Deu certo com o John Byrne.

20/6¹ - Nepotismo é (d)o caralho: J.J. Abrams e seu filho de 20 anos, Henry, estão escrevendo um gibi do Homem-Aranha. Nem sei o que dizer. A única coisa que me vem à mente agora é "Meu garoto... meu pai-pai..."


20/6² - A crítica anda meio dividida com Superman: Year One #1, da dupla Frank Miller/John Romita Jr. Uns acham que é exageradamente sexista e ufanista; outros acham que o escoteirão virou um sociopata. Da minha parte, ainda estou lidando com a capa do Romitinha.

21/6¹ - Em setembro sai o especial Satanika Vs. Morella's Demon, escrito por Glenn Danzig com desenhos de Simon Bisley. Esse vai ser osso pra achar no DC++.

21/6² - Ao lado dos roteiristas Ange e Patrick Renault, o desenhista Charlie Adlard (The Walking Dead, óbvio) publica em setembro sua graphic francesa The Walking Vamp... ops, Vampire State Building.


21/6³ - E... lá se vai o selo Vertigo.

21/64 - Millennium Films substitui o queimado Bryan Singer por Jill Soloway (da série Transparent) na direção do filme Red Sonja. Com isso, aumentaram a testosterona do projeto em 400%.

21/65 - O Los Angeles Times lamenta que a Marvel tenha fechado seu selo Vertigo 1 ano após o aniversário de 25 anos da editora. É realmente triste saber que não teremos mais gibis do Fantasma. :´(


22/6¹ - Paulo Antônio Figueiredo Pagni, o P.A., se vai, aos 61. Baterista do RPM, P.A. foi um dos poucos músicos que soube o que era ser um rockstar nesse país (RPM era rock, vai). Dessa vez, infelizmente, não era fake news.

22/6² - Após a estarrecedora matéria do New York Times revelando a verdade sobre o incêndio no estúdio da Universal, chovem processos de todos os lugares - inclusive do além, com o ator e rapper Tupac, morto em 1996.

24/6¹ - Já vi esse filme antes, mas vá lá: Danny Boyle confirma que um terceiro filme da série Extermínio voltou à mesa de planejamentos. Daqui a 28 meses teremos mais notícias.

24/6² - Deadly Class foi cancelada mesmo, não vai para nenhuma outra rede e Rick Remender (o criador do gibi) está em paz com isso.


24/6³ - Gail Simone está trazendo o Daredevil de volta. Não o Matt Murdock, mas o Daredevil original da Lev Gleason, priminho do Homem 3-D, e agora rebatizado Death Defying 'Devil - literalmente, 3 D's. Melhor que a D... ynamite ser processada pela D... isney. Damn.

26/6¹ - Neil Gaiman twitta que pediu à Marvel TV para escrever uma série de 1602 e eles nem ligaram. Captamos a vossa mensagem, Neil. Eu levo os coquetéis molotov.


26/6² - Max Wright se vai, aos 75. O ator ficou famoso no Brasil no fim dos anos 1980 com o personagem Willie Tanner, pai de uma típica família de classe média americana no sitcom Alf: o ETeimoso. Depois disso, Wright passou maus bocados na vida pessoal, daqueles dignos de figurar no E! True Hollywood Story - o que parece ser uma triste constante no mainstream americano.

28/6¹ - Steven Adler, ex-baterista do Guns N' Roses, é internado após cravar uma faca em si mesmo. Eita.

28/6² - Segundo um representante de Adler, a autoesfaqueada foi acidental e o ferimento, superficial. Em alguma mansão de LA, Axl está dizendo "arram, sei".


28/6³ - James Hetfield pira o cabeção ouvindo Angel of Death no carro. Quem lhe dera, hein James. Quem lhe dera...

30/6¹ - Sandman, a série, está em desenvolvimento pela Netflix.

30/6² - E aí vem Rien...


...a filha de Wolverine. Ah, para, Marvel. Para.

domingo, 14 de agosto de 2005

O COIOTE E O PAPA-LÉGUAS

Rodriguez: - Chega de tiro? Miller: Quase... dá mais uns dez no saco que já tá de bom tamanho.

Estamos presenciando o surgimento de uma subtendência nessa última leva de adaptações de quadrinhos para o cinema (já totalmente inseridas na ordem do dia). Algo que só ocorria com mais freqüência em adaptações de livros. O target agora é a fidelidade ao material original. Claro que muito disso se deve à farofadas com gosto de pólvora, do calibre de Elektra e Mulher-Gato. Finalmente aprenderam que nem todo mundo tem a classe e o talento de Bryan Singer para reinventar estruturas estabelecidas e quase sagradas para os fãs. E que nem todo material pede por revisões pseudo-melhoradas - coisa que, por sinal, raramente acontece.

Em um comparativo mais do que providencial, está vindo aí a adaptação de V de Vingança, que anda se revelando uma crônica da alteração anunciada. Seria muito bom se viessem com idéias melhores (mesmo!), mas como, neste caso, o padrão original é Alan Moore, acho meio difícil, pra não dizer impossível...

Sin City - A Cidade do Pecado (Frank Miller's Sin City, 2005) acaba sendo o extremo dessa pendenga. É o fim do ágio entre o fã, o estúdio e o texto original. Nunca fizeram e provavelmente nunca farão algo tão fiel, mesmo porquê, o material já saiu da mente do ronin Frank Miller com claras aspirações (e inspirações) cinematográficas, e perfeitamente entendidas pelo diretor Robert Rodriguez. Eu diria até mais: só agora essa urbanidade caótica criada por Miller encontrou seu verdadeiro lar. Tudo soa natural por aqui, sem aquela sensação de "aventura humana em um universo animado", comum em transposições literais como essa (com alguns passos à frente do Dick Tracy de 1990). Ok, a dinâmica física é um exercício descarado de estilização, sem dúvida, mas distante de qualquer preciosismo. Através desse recurso, o filme priviliegia uma ação mais solta, cartunesca, abrangente, depretensiosa, violenta... e divertida - palavrinha execrada solenemente pela sensível inteligentsia patrulhinha.

Ah, a violência...


Todas as ações violentas em Sin City encontram uma motivação direta? Não mesmo, e nem deveriam. Cada uma delas tem um background que a justifica. É diferente. Isolar o fator "violência" como um elemento depreciativo do todo é de uma má-vontade mastodôntica. É preguiça mental e ideológica. Já li alguns absurdos por aí baseados nesse equívoco cegueta e emburrecedor. Pessoas que deveriam fazer um melhor uso da plataforma que têm na mídia andam culpando uma geração inteira por uma suposta degradação moral e cultural - que sempre existiu, devidas as proporções de época. Então, fica difícil ter de ouvir que O Clube da Luta é contextualmente vazio (e é exatamente o contrário!) ou variações ad nauseum do discurso de Tiros em Columbine, como se isso resumisse tudo num passe de mágica.

Não é de hoje que a violência é destrinchada com intensidade over no cinema. Tenho como comparativo extremo o despirocante Henry - Retrato de um Assassino (Henry: Portrait of a Serial Killer, 1986). Só a cena do videotape é mais arrepiante e violenta que Sin City inteiro - e ainda plenamente justificada dentro de seu conceito. Na época, o filme foi repudiado pela crítica, mas hoje tascam-lhe uma tarja cult reparatória. Que hipocrisia.

Ironicamente, perto dessas considerações, Sin City não passa nem raspando. É o mesmo que acusar Chuck Jones de fazer apologia à violência através dos cartoons do Coiote e do Papa-Léguas.

Marv, o marvado

Fragmentado em três linhas narrativas (extraídas das HQs The Hard Goodbye, The Big Fat Kill e That Yellow Bastard), o filme abre com uma cena tão cool (saída de The Customer is Always Right), que chegou a me dar arrependimento de tê-la assistido antes. Em seguida, emenda na via crucis de John Hartigan (Bruce Willis), o último policial honesto da cidade. Muito doente e a uma hora de sua aposentadoria, Hartigan ainda consegue salvar a vida de uma garotinha das garras do psicótico Roark Jr (Nick Stahl... esse cara promete...). O problema é que o Jr é filho do corrupto e malévolo Senador Roark (o malévolo Powers Boothe), irmão do influente Cardeal Roark (Rutger Hauer, reaparecido do limbo).

Corta para a avassaladora jornada do bad boy Marv (o bad boy Mickey Roark... digo, Rourke). Após uma noite inesquecível com a bela Goldie (Jamie King), Marv encontra a motivação da sua vida ao acordar com ela morta ao seu lado. Literalmente coloca a cidade de pernas pro ar para resolver o crime. Na seqüência, Sin City tem o seu momento mais thriller noir, com a história de Dwight (Clive Owen, style até a medula óssea), praticamente um... hã, pulp fiction em movimento. O climão sugestivo e espirituoso do início vai descarrilhando até se largar de vez numa metelança de vísceras, desmembramentos e fuzilamentos em larga escala.

Quentin Tarantino aparece nos créditos de Sin City como diretor convidado (cobrando a mesma quantia que Rodriguez cobrou pra fazer a trilha de Kill Bill vol.2: US$ 1), e nem precisa dizer que é dele a cena entre Dwight e o presunto Jackie Boy (Benicio Del Toro, mais seboso que um percevejo). Os diálogos e a situação improvável, apesar de serem de Miller, parecem saídos de algum extra obscuro de Cães de Aluguel.

Mickey Rourke, que já foi um big big star, tem a chance de tirar o pé da lama com esse filme, da mesma forma que John Travolta em Pulp Fiction. Só não digo que ele vai aproveitar, pois sempre foi um sujeito difícil e orgulhoso (Alan Parker que o diga). Por hora, é curtir o durão Marv, que consegue ser ainda mais psicótico e ameaçador que nos quadrinhos - e ainda com uma ligeira verve "pop monster" à Mickey Knox (de Assassinos por Natureza). E palmas Elijah Wood, aqui um verdadeiro Frodo From Hell. Sempre achei que ele tinha cara de doente disfarçado. As tretas dele com Marv, apesar de curtinhas, são de arrepiar. Detalhe: Rourke e Wood nem chegaram a se encontrar nos sets.


Outra bela surpresa foi Devon Aoki no papel da letal assassina Miho. Que olhar assustador o dessa menina. Perderia por pouco da Beatrix Kiddo, mas chutaria fácil o traseiro da Elektra Garner.

Ôôôôaaaa...seguuuuuuura peãooo...

As mulheres, aliás, são a força motriz de Sin City - e que Deus abençoe Rodriguez/Miller por trazerem a maravilhosa Carla Gugino quase como veio ao mundo. E sem palavras para descrever a family-destroyer Jessica Alba. A Jessica acalba comigo (a ponto de eu fazer trocadilhos geniais como esse).

Sua cowgirl Nancy Callahan já é a pinup da minha vida e merece urgente um spinoff (x-rated, de preferência).

E agora eu quero aquele pôster de qualquer jeito.

Minha namorada stripper

Alguns pequenos desníveis climáticos pipocam em Sin City, e a maioria deles é devido ao recurso da quebra temporal, que, embora não seja prejudicial, é um tanto desnecessário. Isso fica claro quando a carnificina quase épica da saga de Marv dá lugar ao cuidadoso conto de Dwight. Meio abrupto. Como se, após devorar aquela churrascada sanguinolenta, ter que limpar o canto da boca pra degustar um requintado soufflé au fromage. Ficaria mais funcional e impactante se ignorassem o formato em loop do roteiro e ficassem no Hartigan-Dwight-Marv. Do jeito que está, fica parecendo um primo pobre de pauleiras narrativas como Amnésia, 21 Gramas ou mesmo Pulp Fiction. Nada demais, entretanto.

Segundo Robert Rodriguez, o filme Sin City não é uma adaptação, e sim uma tradução. Perfeito. Afinal, tenho de admitir... esse filme é mesmo a melhor transposição já feita de uma HQ.

Mas não da melhor HQ.



MILLER: MONOCROMÁTICO


Marv, sem saber que é filho do padre

"NYC, 2:45 da manhã. Os becos de Manhattan já não parecem tão familares para mim. Mendigos, loucos delirantes, bêbados, prostitutas baratas, traficantes, garotinhas estranhas, sujeitos mal-encarados, ilustradores de quadrinhos e roteiristas desempregados. A escória da sociedade. Meu antigo lar. Muito diferente da minha belíssima cobertura na esquina da quinta com a sexta. Lá eu tenho uma vista privilegiada para a baía. Quartos enormes, sala de cinema, bar, academia, hidro. Uma piscina imensa onde dificilmente eu entro, pois não sei nadar. Cristo, até a Oprah esteve lá certa vez. Mas nem sempre foi assim. Tive me especializar em minha área e sair do gueto em que me encontrava no começo de carreira. Aprendi a enxergar além. E para trás também, ao mesmo tempo. Aproveitei a onda cyberpunk/no future do filme Blade Runner e misturei ao contexto de velhos e cansados heróis. Hype virou o meu segundo nome.

O primeiro deles foi um herói cego da Cozinha do Inferno. Coloquei a vidinha do cara de pernas pro ar e inseri uma sexy-symbol que misturava tragédia grega, artes marciais e fetiche sadomasô. Ótimos resultados. Virei o hit do momento. Eu era o garoto que estava ensinando aos veteranos. O próximo herói a tomar uma geral foi o Homem-Morcego. Transformei em realidade os piores temores daquele sujeito paranóico, coisa que sempre foi sugerida, mas evitada. Senti como se estivesse dando vida aos delíros mais insanos de Dom Quixote. Todo mundo gostou e eu garanti meu lugar na História. Foi show.

Com o tempo, fui percebendo que as pessoas gostam mesmo é de uma boa desgraceira. Paranóia, decadência, obsessão, sexo e violência. É isso o que vende. Os super-heróis...? Esses podiam ficar até em segundo, terceiro plano. E enxergando além, vi que nem precisava mais deles, só da desgraceira. Foi aí que tive a idéia de criar um universo urbanóide, caótico, independente de centralizações e com vida própria. Aproveitei e meti junto um clima noir rebuscado e enquadramentos angulosos, reforçando a impressão cinematográfica. Eu sou o cara. Foi mais um sucesso, mas desta vez estranhamente com uma pecha underground. Não gosto disso. Eu preciso é de dinheiro, oras!

Enquanto recorro a um certo orelhudo pra levantar uma graninha aí, começo a agitar um filme sobre aquele universo urbanóide comercialmente promissor. E também quero participar da brincadeira. Não quero dar uma de Mike Mignola e ficar só dando tchauzinhos pelo set. Mas não posso cometer erros. Tenho de contar com os melhores do ramo. De porcaria já me bastou Robocop 2. Descolei um mariachi à um preço módico, com cojones o suficiente para encarar a empreitada (embora ele tenha essa estranha mania de fazer filme infantil entre uma carnificina e outra), e um sociopata tarado por cinema oriental. Desta vez eu era o veterano que estava aprendendo com os garotos.

Deu certo. Tirando uma ou outra florzinha que escreve no Rotten Tomatoes, todos aplaudiram em pé. Preto & branco é o que há! Comecei na sétima arte com o pé esquerdo, mas desta vez eu bombei. Me sinto como se fosse a própria Sofia Coppola. Franquia? Com certeza.

Aguarde por toneladas de novas edições. Afinal, preciso de sketches e story-boards prontos. É o esquema perfeito! Nada melhor que unir o útil ao agradável.

Nos vemos em Sin City 2!

(...)

E Moore... ao invés de ficar aí sentado e resmungando porque estão estragando suas obras-primas, faça como eu... move your ass!"




...E OUÇA O DISCO

A trilha do caos

Uma coisa que logo me saltou aos ouvidos em Sin City: el mariachi Rodriguez está se tornando um grande compositor de trilhas! Ele e os feras Graeme Revell e John Debney fizeram um excelente trampo. É um primor de atmosfera incidental. Algo jazzy, soturno, dark, sujo e sarcástico, por vezes deliciosamente exagerado, como o próprio filme.

A faixa-título começa estilosa e resvala quase num cabaret pós-punk. A guitarra em reverber cheio de efeito no finalzinho ficou demais. Haja Pro Tools. Pena que só tem dois minutinhos. A faixa Marv é o momento mais pesado, como não poderia deixar de ser. Começa cadenciada e vai dando a lugar a um teclado fantasmagórico e um batida sujona. Parece trilha de filme do David Lynch. Old Town Girls traz o sax mais vagabundo e ordinário já gravado desde o fim do Morphine. Já a percussão epiléptica e o sax cheiradaço de Jackie Boy's Head lembra muito as pirações do veterano Link Wray. Sin City End Titles começa como se fosse o replay da faixa-título, e emenda numa sonzeira blues rock-mariachi de boteco vagabundo. Parece que a qualquer momento alguém vai aparecer gritando "pussy, pussy... pussy lovers!!" :P

E como este blog não presta...

"Sin City - Original Motion Picture Soundtrack"


Pra arrematar, a banda alternativóide Fluke comparece com uma faixa autoral, chamada Absurd (um industrialzão standart). Curiosamente, a trilha cool do último trailer ficou de fora. A música é do grupo The Servant, e se chama Cells - pra baixá-la, clique aqui. Ela é muito, muito legal, o riffzinho é matador. Deveria ter ficado no lugar do Fluke.



MEGA-TURNÊ DE REUNIÃO



Tudo bem... na verdade só o Alcofa e o Luwig voltaram. Os miseráveis deletaram seus respectivos sítios cheios de imagens e textos bacanas, mas é perdoável. Afinal, os caras estão de volta...! E merecem uma skol gelada!

Eu e o Victor estamos aí de lambuja, com novíssimos e foderosos banners. Cortesia do Lobo Schmidt, o melhor banneiro de Czarnia. Valeu!


Na trilha: Cells, do The Servant... pela centésima vez só hoje.

sexta-feira, 8 de outubro de 2004

KILL BOURNE


Com o fim da Guerra Fria (e o início da "Guerra Quente"), os filmes do gênero ação/espionagem foram arquivados por Hollywood. Querendo ou não, é essa meca de sonhos pré-fabricados quem dita quais serão as próximas tendências do mercado. Daí que reassistindo hoje filmaços como O Dia do Chacal, A Traição do Falcão, Os 3 Dias do Condor ou Operação França, você percebe que os mesmos envelheceram bastante no quesito "temática". Os dias são outros, não podemos exigir dessas velhas pérolas mais do que a sua condição de serem grandes filmes. James Bond é um exemplo clássico. Sua licença 00 foi revogada no momento em que a União Soviética dançou. Tudo bem, existiram alguns elementos pós-Connery bacanas, mas isolados (o melhor deles foi no último filme, quando o 007 Pierce Brosnan foi preso, torturado e, certo de que ia ser executado, protagonizou uma das melhores cenas de toda a franquia). Em outras palavras, o resgate desse filão é um trabalho para os jovens.

Os elementos certos no lugar certo, boas interpretações, história envolvente, charme indiscutível e voilá: Jogo de Espiões, com Brad Pitt e Robert Redford (sempre ele), fez a alegria de ex-agentes da KGB. Mas essa alegria teve vida curta: logo em seguida, Vin Diesel e seu Triplo X (não confundir com uma certa seção do BZ) soaram tão comerciais e pasteurizados quanto uma propaganda da Nike na MTV. Aquilo foi um "Velozes & Furiosos All Over The World" - e olha que eu torcia pelo dito cujo.

Voltamos ao 0x0, mas esse filme pelo menos nos mostrou o caminho da luz: faltava O Ícone. Aquele mesmo que Tom Cruise foi em Missão: Impossível, e que tentou nos enfiar goela abaixo em M:I-2 (perdeu a vez, mané). Faltava um herói, um sujeito que exibisse desenvoltura, precisão cirúrgica, raciocínio cruelmente lógico, e moral suficiente pra sair batendo em todo mundo - e nos fazer acreditar que ele pode fazê-lo.


Doug Liman já tinha um certo respaldo comigo (como se isso fosse lá grandes coisas). Seu trampo atrás das câmeras em Swingers e Vamos Nessa! chegou a ser comovente de tão bom. Moderno sem soar comercial, espirituoso sem soar pretensioso, e, principalmente, um talento nato para escolher os atores mais improváveis para determinados papéis e acertar em cheio. Baseado no livro de Robert Ludlum, A Identidade Bourne (The Bourne Identity, 2002) foi uma grata surpresa por correr por fora do que andava na moda em Hollywood, e por trazer um Matt Damon surpreendente na pele do agente Jason Bourne.

Por partes: Bourne é ex-agente de um projeto ultra-confidencial que visava aparar as pontas soltas do mapa geopolítico mundial. Ou seja, seu serviço era eliminar figurões "para manter a estabilidade das coisas". Numa dessas missões, a Lei de Murphy pegou mais pesado, e ele foi encontrado à deriva no mar, com um tirambaço no lombo, sem idéia de quem é, ou de como foi parar lá. Os únicos que o reconhecem querem vê-lo morto. Se esse background já lembra o de um certo ex-agente do Projeto Arma X, as semelhanças não param por aí: Bourne é um assassino frio e muito eficiente, capaz de transformar uma simples caneta numa arma letal. A excelente performance de Matt Damon o diferenciou dos zilhares de brutamontes a que estamos acostumados em filmes de ação. Em combate, ele é extremamente racional, analisando e registrando todos os movimentos de seu adversário e antecipando o próximo. Ele não luta, ele joga xadrez. O resultado é impressionante - e muito legal!


Em A Supremacia Bourne (The Bourne Supremacy, 2004), Doug Liman não comparece, mas Paul Greengrass assume o comando e segue adiante com um belo serviço. Dessa vez, uma operação da CIA para compra de documentos russos fracassa quando o assassino profissional Kirill (Karl Urban, a cara do Kricek, da série Arquivo X) elimina todos os envolvidos. Claro que ele incrimina nosso herói e vai atrás dele para completar o serviço. Bourne, recluso em Goa, Índia, vive com Marie (Franka Potente), e após uma seqüência eletrizante de perseguição (e com um final inesperado, mas necessário), decide voltar à ativa para limpar o seu nome. O que vem a seguir é uma senhora varrida por baixo dos tapetes da CIA.

Mostrando um absoluto respeito ao material, o diretor Greengrass relembra, por meio de arquivos, todos os principais personagens da trama original. Estão lá até os que morreram, como o grande Chris Cooper. Muito inteligente. Também voltam a ex-assistente de logística Nick (a gracinha Julia Stiles), e o supervisor da CIA Ward Abott (Brian Cox), de quem eu continuo não comprando um carro usado.


E uma ótima surpresa foi a bela atuação de Joan Allen, no papel da agente Pamela Landy. Dona de um cérebro que funciona a 5000Ghz, ela até deixa Bourne passar, mas sempre joga uma casca de banana em seu caminho (putz, preciso trabalhar mais essas analogias).

Mas nem tudo são flores, e Greengrass chuta pra fora com o goleiro no chão em uma seqüência muito importante (pra mim, a mais importante até). Na hora, você saberá a que cena estou me referindo, mas posso adiantar que envolve falta aguda de coordenação motora.

No fim, fica a impressão de que eu vi foi um autêntico spy-thriller - com direito à locações globalizadas, perseguições de carro demolidoras, e tudo mais. Saí da sala hipnotizado e com aquela sensação de uma conspiração a cada esquina, desconfiando até do cara que vendia pipoca.

Jason Bourne é O Cara. Não sei se ele ganha do Jack Bauer na porrada, mas que ele arrebenta o Ethan Hunt, arrebenta.


A SUPREMACIA BILL
(ou "The Bride Will Kill Bill Vol.2")


Finalmente aporta em terras brazucas a segunda parte do novelão chinês de Quentin Tarantino. Kill Bill: Vol.2 (2004) vem carregado de promessas a serem cumpridas, mesmo se tratando não de uma continuação, mas da "outra metade" do mesmo filme. O final do 1º volume deixou um gancho digno de Janete Clair. A ex-Noiva e atual Beatrix Kiddo (Uma Thurman, interessante, gostosa e convincente - Ethan Hawke é mesmo um vacilão) continua a sua jornada de dilacerações, desmembramentos e... desglobalizações oculares. Logo no início, Tarantino finalmente mostra tudo o que rolou na igreja e o porquê da traição. O que eles fizeram foi mesmo uma puta sacanagem e dá mais dimensão ao ódio de Beatrix.

E a menina tem é serviço pela frente. Além dos já detonados O-Ren Ishii (Lucy Liu), Vernita Green (Vivica A. Fox), o Exército dos 88 Loucos (que de 88 só tinham o nome), e mais alguns stunts, ainda existem mais dois remanescentes do chamado Deadly Viper Assassination Squad: a má como uma pica-pá Elle Driver (Daryl Hannah, inspiradíssima e anos-luz de Splash) e o bad, bad motherfucker Budd (Michael Madsen, numa versão cowboy de Vic Vega, de Cães de Aluguel). Isso sem contar o próprio Bill (David Carradine, se acostumando com a vida pós-criogenia).


Kill Bill: Vol.2 é menos over que o volume 1. A ação está muito menos caricatural e mais realista. Bem mais. Que eu me lembre, só tem umas duas ou três "voadas" e "flutuadas" sobre-humanas, e absolutamente nada daqueles esguichos de sangue que pareciam um hidrante aberto. Muito pelo contrário, a violência aqui está mais seca e tátil. Diferente do anterior, onde os golpes apenas passavam de raspão (normal), dessa vez eles estão acertando bem no meio da cara, do tórax, onde for. A impressão é de que doeu mesmo.

Com essa abordagem mais comedida, as referências pop estão mais discretas também. Tudo bem, "discretas", segundo o manual de discrição tarantinesca. KBv2 (agora ficou mais fácil) é cheio de zooms que quase atravessam a cara dos personagens, trilha sonora esperta à Sergio Leone/Peter Gun, cortes inesperados na continuidade (com música rolando e tudo - proposital, claro), e aquelas pausas dramáticas antes de cada luta, típicas de duelos western. Pra bom conhecedor, as referências em KBv2 são tão discretas quanto dois elefantes em pleno coito, mas, no geral, a coisa está melhor particionada, mais fluída. Existem mais conversas e situações, e isso é legal. Por outro lado, não teve nenhuma genialidade tresloucada, como foi aquele Killnimê que contava a origem de O-Ren Ishii.


O melhor momento de KBv2, na minha opinião: o cruel treinamento de Pai Mei. Só essa parte já vai me render uma volta à bilheteria. Pai Mei é um mestre ancestral de artes marciais (lá eles falam em kung fu, mas acho que não é só isso não), antigo sanssei de Bill, e que agora está treinando Beatrix.

Reverência à um sem-número de "mestres" de antigos filmes de artes marciais - inclusive utilizando o mesmo visual clássico, com o cavanhaque quilométrico e as enormes sombrancelhas - ele é severo, marrento e, de fato, cruel em uma primeira impressão, mas acabou sendo uma das melhores sacadas de Tarantino. A seqüência em que Beatrix o encontra pela primeira vez ainda está latejando na minha cabeça. Memorável.


Na verdade, há pouco o que se falar de KBv2 sem que se revele o desfecho de algumas cenas. Existem falhas? Yep. Graves? Nope. O que eu posso dizer, com segurança, é que fiquei triste quando o filme acabou. Poderia agüentar mais um volume 3, 4 ou 5, mole, mole. Esse lance de matar Bill tava bom demais.

Ah, e prestem atenção na ponta cool de Nick Fur... digo, Samuel L. Jackson, logo no início de KBv2. Ele interpreta Rufus, o pianista da igreja.



Agora, um SPOILERzinho de leve. Lembre-se que eu nunca escrevo um spoiler, mas gostaria de comentar sobre algo e era impossível fazê-lo sem comprometer a integridade do filme. Não leia se não quiser saber o final.

Para ler, marque o comentário logo abaixo das imagens.




Ei, não leu lá em cima não? Já avisei que vou revelar o final. Depois não reclama não... pô.

Essas imagens são previews de divulgação liberados já na época do 1º Kill Bill. Como se vê aí, Bill detona alguns ninjas e mostra o seu virtuosismo empunhando um legítimo sabre Hattori Hanzo. Desde então, fiquei curioso pra ver o Carradine de novo em ação depois de tanto tempo. Desde a série Kung Fu, pra ser mais exato. Bem, nada disso constou em Kill Bill, e para a minha surpresa, nem em KBv2. É isso aí, Bill não mata nem mosca nesse filme! Toda a pancadaria de Beatrix no mano a mano só rolou com O-Ren, Vernita e Elle, ninguém mais. O encontro entre ela e Bill, se eficiente no sentido de amarrar o roteiro, foi lamentável no quesito "ação". Simplesmente não há luta, apenas um golpe letal, desferido por Beatrix. Decepcionante, visto que Bill supostamente seria seu adversário mais formidável.

Claro que foi uma opção consciente de Tarantino, que, a despeito da irregularidade do formato de Kill Bill (um filme dividido em dois), se tornou uma bela desculpa para incrementar o DVD em futuras edições especiais. Extras não faltarão.



dogg, que acabou de baixar o duplo Live in San Francisco, do Joe Satriani, e trocando juras de amor ao DC++...

quinta-feira, 6 de maio de 2004

MUITO ANTES DO CLARK...


...Thor, a.k.a. Deus do Trovão, encarou uma pedreira. E era ninguém menos que Conan, vulgo O Bárbaro. Sorte que Conan era só um humano comum... mas até que deu bastante trabalho, visto que Thor é quem é, e estava com o Mjolnir tinindo.

Eu lembro dessa HQ de quando eu era moleque, mas nunca cheguei a lê-la. O tempo passou, e comecei a duvidar de sua existência, que era só coisa da minha cabecinha juvenil. Mas eis que numa navegada inspirada, me deparei com essa revista num sebo on-line! Fui ao abençoado DC++, e, em dois tempos, lá estava ela. Fico só imaginando quem é que guarda esse tipo de relíquia no HD. Deve ser alguém tipo eu... :)

É uma historinha redonda, no esquema O Que Aconteceria Se..., capitaneada por Uatu, o Vigia. Durante um confronto com seu meio-irmão Loki, o Deus do Trovão volta no tempo, para a época de Conan. Thor se junta à um grupo rival do cimério e, naturalmente, eles acabam se engalfinhando. Foi a primeira vez que vi o bárbaro se estrepar. Mas, seguindo a tradição, logo eles se acertam e ficam lado a lado. Vale como curiosidade histórica.

Como não sou de ficar comentando e deixar a galera babando, aqui vai o fight dos dois. Clique nas imagens pra aumentar.








THE BRIDE WILL KILL BILL


”A melhor homenagem que o Cinema de Ação oriental dos anos 60 e 70 poderia ter”, imagino que algum desses slogans prontos traga essa sentença na capa do DVD. E, nesse caso, não poderia ser mais justo! Kill Bill é tudo o que um aficcionado pelos clássicos martial-movies poderia querer: é cinema-ação sanguinolento, sem concessões e com uma saga sobre vingança/redenção samurai style. E ainda tem o toque improvável do maluco Quentin Tarantino, que, ao que parece, anda encantado com técnicas não-usuais de filmagem (uma coisa assim, meio Oliver Stone, saca). Aqui tem um pouquinho de quase tudo – cenas em p&b, jogos de sombra/luz, tons azulados e uma conciliação de mídias absurdamente genial, que foi a seqüência à base de anime.


Adivinha pra quem eles estão olhando...

Resuminho fast-food então: A Noiva (Uma Thurman, extravasando em pobres stunts o ódio pelo seu ex, Ethan Hawke) é uma assassina profissional que foi detonada, em pleno casório, por seu noivo, Bill (David Carradine, confirmando a vocação arqueológica de Tarantino). A gangue de assassinos chefiada por Bill também ajudou no trato: O-Ren Ishii (Lucy Liu, anos-luz de As Panteras), Vernita Green (Vivica A. Fox), Budd (o ex-psicopata Michael Madsen) e Elle Driver (Daryl Hannah, em seu segundo melhor papel até hoje). Ah, e A Noiva estava grávida na ocasião. Mas ela não morre não, e acaba encarando um coma de 4 anos. Num belo dia...


Gogo Yubari, mortal, fatal e colegial

O que pode aparentar um excesso de personagens, é o que torna o estilo de Tarantino particular e o que confere a sua marca ao filme. Fora os já citados, ainda têm muitos outros que, de tão interessantes, também mereciam um prequel (lembram do Zed e do casal “Bonnie & Clyde”, de Pulp Fiction? É por aí). De todos os inimigos coadjuvantes, quem eu mais gostei foi Gogo Yubari (Chiaki Kuriyama, ótima). A luta dela com a Noiva foi Street Fighter puro! :P


E não é à toa que Tarantino anda insinuando que Kill Bill ainda terá muito material extra para os DVDs (e fora deles). A seqüência animê do filme foi mesmo um achado (ela conta a origem de O-Ren Ishii). Tecnicamente falando, a animação tem até um estilo mais experimental, sem os traços assépticos e limpos do anime tradicional. Por vezes, lembra um rascunho animado. Claro que isso só valorizou ainda mais a passagem. Outra coisa também me chamou bastante atenção: a linguagem de expressão, tanto dos animes quanto dos mangás, dá um show de narrativa em cima dos equivalentes anglo-saxões.

Lembro de quando li Akira pela primeira vez e fiquei abismado. Haviam páginas e páginas consecutivas de ação ininterrupta que também contavam com mudanças na direção do argumento. Detalhe: sem balões, recordatórios ou qualquer tipo de palavra. Tudo na base da sugestão e da força da imagem. Nesse ponto, nossos amigos do Oriente estão séculos à frente. E é o que ocorre no Killnimê, durante sua primeira metade. Palmas para Tarantino: clap, clap, clap!














Aí não aparenta muito, mas quando vi a O-Ren, já assassina profissional, com um trabuco e o colante vermelho, lembrei logo da Elektra (aquela, a Natchios). Até que não seria uma má idéia. Tomara que o responsável pelo filme da ex do Demolidor tenha assistido aos dois Kill Bill...


Mas nem tudo são flores e algo ainda me impede de tascar as cinco estrelinhas para o filme. É algo pessoal. É justamente o mesmo detalhe que observei em Pulp Fiction e que minou boa parte de Jackie Brown, na minha opinião.

Tarantino, fã de cinema cult, ainda confunde referência com reverência. Na tentativa de revisitar seus ídolos, ele caminha perigosamente na fronteira da cópia-pela-cópia. Daí, saem coisas muito boas, como o resgate de Sonny Chiba, que teve cenas nada menos que excelentes (e sem lutar!). Mas também revela um certo esforço para soar exatamente como as fontes. Um exemplo são os esguichos de sangue, claramente caricaturais. Por quê esse recurso soa natural nos filmes chineses e aqui soa como uma espécie de paródia? Bem, uma coisa é você filmar em Cantão, sem dublês, com orçamento quase zero e cheio de idéias na cabeça. Outra, é você ter um orçamento VIP e poder fazer muito mais do que uma simples referência. Duvido que John Woo ou Tsui Hark, em começo de carreira, ainda fariam aqueles filmes tecnicamente toscos se tivessem outra alternativa (ou grana).

Eu diria que isso só vai se resolver com a maturidade profissional de Tarantino (é apenas o seu 4º filme). Com o tempo, ele provavelmente se livrará de toda essa carga que ele tem acumulada desde que trabalhava em uma vídeo-locadora e assistia 70 filmes por dia. Faltou pouco, muito pouco...

Que venha Kill Bill – Vol. 2!