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terça-feira, 2 de setembro de 2025

Como as democracias morrem

Releitura providencial para brindar este momento tão especial.


Publicada há exatos 11 anos pela Mythos Editora, Juiz Dredd Megazine Especial: Democracia compila as subtramas antifascistas das histórias do Juiz Dredd de 1986 até 1991. T.B. Glover, Alan Grant, John Wagner e Garth Ennis destrincham passo a passo as maquinações de um estado totalitário para oprimir, alienar, desinformar e manter os cidadãos no seu devido lugar. Ou seja, no arreio.

A sensação de déjà vu é nauseante. Isso aqui é um verdadeiro manual do autocrata moderno. Leitura obrigatória pero perturbadora.

E, definitivamente, o Juiz Dredd não é um herói.

sábado, 7 de outubro de 2023

Júlia Kendall não é do BBB, mas volta ao Paredão

Lembra desse drama? Eu lembro.


🔥 Compro religiosamente os 43 títulos regulares da J. Kendall e há tempos sentia que alguma coisa errada não estava certa.

🔥 Se até Tex em Cores foi pro vinagre, Zagor e Martin Mystère são barbada. Sinto pela meia dúzia de aficcionados.

🔥 Mágico Vento em formato italiano segue empacado, que tristeza. Seria uma quase redenção após a picaretagem que foi a natimorta coleção Deluxe.

Boa sorte para todos nós.

Enquanto isso, na Terra do Sonhar Nerd...

quarta-feira, 19 de abril de 2023

John Buscema vive!

Ao menos no legado e nas artes de Roberto De La Torre para Conan the Barbarian, da Titan Comics.



"Big" John Buscema sempre foi uma referência bíblica para quadrinistas do Oiapoque à Angoulême. Junto com Stan Lee, ele reformulou e modernizou o Estilo Marvel de desenhar HQs. E mesmo após tantos anos e dos incontáveis artistas que o sucederam em Conan, nunca vi um traço tão diretamente influenciado pelo homem. Isso é surreal. E é o que faz estas prévias soarem tão impactantes e... canônicas.

Além, claro, de ser um bálsamo para olhos, após décadas de coisas que simplesmente não dá para desver. Crom!

Recapitulando, após a extensa fase Marvel a partir de 1970, o bárbaro foi para a Dark Horse. A estadia também foi generosa: começou em 2003 e durou até 2018, quando a licença foi revertida mais uma vez para a Casa das Ideias. Neste interím, os direitos caíram em domínio público na França e, no mesmo ano, a Glénat passou a publicar a série de álbuns Conan le Cimmérien, lançada aqui pela Pipoca & Nanquim — a Itália e a Espanha também têm seus próprios Conans, via Weird Book e DQómics, respectivamente.

A última passagem pela Marvel foi breve e durou até outubro de 2022. Logo em seguida, Conan já estava na britânica Titan Comics. Os direitos, assim como os das demais obras de Robert E. Howard, pertencem à Cabinet Entertainment, da qual a Conan Properties International é uma das subsidiárias.

A nova equipe do cimério parece bem montada pela Titan. Tanto De La Torre quanto o roteirista Jim "Zub" Zubkavich são reincidentes na Era Hiboriana: ambos colaboraram em algumas edições da ótima Conan the Barbarian recente da Marvel, publicada aqui pela Panini. Já o veterano colorista José Villarrubia trabalhou no Conan fase Timothy Truman, da Dark Horse, que a Mythos publicou até ano passado.

Mas confesso que até preferia o material em preto e branco mesmo, como nas preliminares só no nanquim. As páginas ficaram espetacularmente ESC.

O clima de Conan da Era Clássica Marvel parece ter contagiado inclusive Dan Panosian e Patrick Zircher, artistas do material promocional e da capa variante da edição #1.


Nem imagino o que o ranzinza do Barry Windsor-Smith diria desta recriação, mas ficou legal demais.

Na sinopse:
“Na véspera de sua primeira grande batalha, o jovem CONAN DA CIMÉRIA imagina uma vida além das fronteiras de sua terra natal e anseia por uma vida de aventuras jamais sonhada em seu pequeno vilarejo.

Visões de futuros aliados e males indescritíveis que ele eventualmente encontrará ao longo de sua lendária carreira preenchem sua mente enquanto ele faz a escolha de dar seu primeiro passo fatídico para a ERA HIBORIANA!
A nova Conan the Barbarian está prevista para sair em julho. Antes disso, terá uma edição #0 no Free Comic Book Day, em 6 de maio.

E é claro que estarei no encalço disso tudo, como um maldito cão rastreador picto.


⚔️ ⚔️ ⚔️ ⚔️ ⚔️ ⚔️ ⚔️


Enquanto isso, no Depto. de Aquisições & Lombadas...


Huh, oquei... acompanhei todo o processo, mas confesso que não vi isso chegando.

Fico tentado a fechar com um tradicional "Porra, Panini!" ®, mas, desta vez, eles não têm culpa. Ao contrário. Fizeram o melhor que puderam, até.

Questão de costume. Outras coisas me incomodam bem mais.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Era uma Vez no Noroeste


Publicada em Tex Platinum #4 (outubro/2016), a história "Em Território Selvagem" já é uma velha conhecida dos brasileiros. Saiu lá fora originalmente em Maxi Tex #5 (outubro/2001), foi editada pela Mythos em Tex Anual #4 (dezembro/2002), depois na Platinum e ainda pela Salvat, no volume 45 da coleção Tex Gold (março/2020). Nada mal. E merecido. Em pouco mais de 300 páginas, o roteiro de Mauro Boselli decupa a bem sucedida fórmula do ranger da Bonelli e experimenta perspectivas fora de seu contexto habitual.

Tudo começa com a descoberta de um cadáver portando uma enigmática mensagem para o Coronel Jim Brandon, da Polícia Montada Canadense. Para investigar o caso, o jaqueta vermelha vai até o extremo noroeste selvagem, onde desaparece sem deixar vestígios. Logicamente, seus velhos camaradas Tex Willer e Kit Carson partem em seu encalço numa jornada até os distantes territórios gelados, com ajuda do boa-praça Gros-Jean e da guia indígena Kathy Dawn.

Com essa premissa básica à Josey Wales, Boselli agrega vários elementos clássicos dos Texones a algumas inovações muito bem-vindas. Uma delas é a própria Dawn.


Damn, Dawn...

Devo admitir que a personagem balançou alguns sinos da minha memória juvenil. Durante toda a leitura visualizei a jovem Sydney Penny no papel. Certamente pela sua presença marcante em O Cavaleiro Solitário (Pale Rider, 1985), clássico Eastwoodiano da Sessão das Dez, como a contestadora guria Megan Wheele — por sinal, a minha 1ª "crush" de filmes (ass.: dogg, the millennial fake). Assim, a bela, carismática e invocada Dawn, envolvida em uma situação mortalmente ambígua, conquista um protagonismo poucas vezes visto em novatos(as) nos enredos dos pards.

O mesmo se aplica a Jim Brandon, cuja inspiração cinematográfica é destrinchada no ótimo prefácio de Júlio Schneider. Tipo de extra bacanudo que a Mythos sempre fez muito bem, que conste nos autos. Há sequências generosas dedicadas à odisseia solo do bravo Coronel (incluindo trips alucinógenas-Blueberryescas de dar gosto) que evidenciam todo o carinho de Boselli pelo cast de coadjuvantes. Difícil sair da leitura sem desejar um título solo do oficial canadense.

E claro que os vilões também mordem uma gorda fatia da trama. Os violentos indígenas Jericho, Ghost e Nathanael são retratados de forma rústica, mas tridimensional, enfrentando seus próprios desafios logísticos e de pessoal — como a inesperada elaboração do personagem Sombra-que-Foge, capanga nível Z que precisa se virar sozinho atrás das linhas "inimigas".

Isso também inclui o misterioso chefão Golden Eye, com um perfil Bondístico que vai além do pseudônimo. Opa, spoiler?


O genial Alfonso Font brilha nos desenhos como sempre, mas aqui, parece em estado de graça. Seus landscapes cobrindo os biomas congelados das montanhas, vales e florestas do Canadá e do Alasca são de tirar o fôlego. É a oportunidade perfeita para o espanhol voar baixo pelo chiaroscuro (repare o contraste entre as cenas noturnas e diurnas e testemunhe a explosão cerebral de Mike Mignola). Também é certeiro nas linhas duras pero flexíveis e expressivas dos personagens. Tex, em particular, está com um rosto tão sulcado e austero que parece ter saído de um épico de Sergio Leone.

Sem dúvida, artistas mais jovens, como Goran Parlov e Jacen Burrows, beberam muito nesta... Font.

(trocadilho infame na conta do efeito mescalina da arte maioral do Alfonso!)

Um aspecto sempre presente nos gibis do Tex é o dia a dia árduo e sofrido dos heróis retratado da forma mais realista e crua possível. Quanto mais difícil e extenuante, melhor e faz a expressão "o que vale é a jornada" ganhar contornos bem mais intimistas e imersivos. Aqui não é diferente — aliás, qualquer capa que tenha o Tex com neve até o joelho são um convite irresistível pra mim, pois já sei que os perrengues serão imensos e as reclamações do friento Carson maiores ainda...

Essa abordagem mais orgânica geralmente é limada dos comics de super-heróis, mas rende horrores em ambientações de época ou pós-apocalípticas. Funciona nas viagens do Conan pela Hiperbórea, funcionava nas tortuosas road trips de The Walking Dead (quem não lembra dos protagonistas matando a fome com ração canina e se apertando num trailer fedido a suor e mijo?) e funciona muito nas cavalgadas de Tex pelo Velho Oeste, onde a engenhosidade e as técnicas de sobrevivência são lei. Aqui ele chega ao despojamento de ter as roupas secando num varal enquanto faz uma pausa para lamber as feridas.

E que pausas. E que feridas.


Um equívoco comum é achar que Tex é um mocinho à moda antiga, daqueles que só atiram na arma ou no ombro dos inimigos. A fama de bom moço realmente o precede. E não descarto motivos como seu inabalável código de honra ou seu compromisso irrestrito com a lei, mas acho que a camisa amarela reluzente tem mais culpa nesse cartório. A verdade é que Tex Willer é um dos maiores carniceiros que já pisaram numa página de história em quadrinhos.

Em 1997, no livro Non Son Degno di Tex, o genovês Claudio Paglieri esmiuçou o body count do ranger, que passava da casa dos milhares. Em 2008, o autor fez uma recontagem atualizada e aterradora: até aquele momento, Willer havia levado 78 tiros (sendo 23 na cabeça!!) e despachado nada menos que 2.783 almas para o inferno.

Yippee-ki-yay, motherfucker!

Ao longo de "Em Território Selvagem", além das baixas em combate direto, o ranger manda vários evil-nativos para o além numa só tacada (ou, no caso, explosão) com uma frieza e profissionalismo de dar inveja a meninos como Frank Castle e Adrian Chase.

Será que um dia sai um "Old Man Tex", com o ranger amargando uma velhice à William Munny, de Os Imperdoáveis? Esse merecia...

TecaLibri: Non Son Degno di Tex

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

“Tex! Ah - aaaa... He'll save every one of us!”*

* favor ler no ritmo da "Flash", do Queen.


Atualizações Texianas: pacote só da maravilhosa salve-salve Tex Platinum, edições #30 a #36 (mais 1 Ken Parker). Como estava saindo ora bimestral, ora trimestral, deixei acumular. A notícia ruim é que a Mythos descontinuou o título aí mesmo. A #36 saiu há quase um ano. Perdi o memorando.

A Platinum era uma delícia. Cada edição trazia um arco fechado da Tex Anual (dependendo, até dois). Praticamente um Best Of do Satanás e seus pards. E ainda tinha material pela frente. É realmente uma pena.

Como não faço as mensais, já que Tex procria na coleção mais rápido que uma maldita lebre no cio, só me restaram a Tex Edição de Ouro e a sumida Tex Edição Histórica (cancelaram também?), ambas selecionadas por um rigoroso olheiro Navajo-Vilavelhense. O critério varia, mas qualquer coisa que tenha os traços de José Ortiz, Stefano Andreucci, Alfonso Font (esse, muito, muito perto de fechar tudo), Pasquale Frisenda, Miguel Angel Repetto e os textos de Antonio Segura, Claudio Nizzi e, claro, do onipresente Mauro Boselli, já sai na dianteira.

Vamos ver como será daqui pra frente. Enquanto isso, a Platinum #35 já me aguarda, com o velho Willer enfrentando um... dinossauro.

E não foi a 1ª vez...

Atualizações Paninísticas: chegou em mãos o pedido-dado-como-perdido. 2 meses depois. O pack-faroeste da Mythos veio num galope só: 7 dias corridos. Vergonha, Panini. Ou melhor... Porra, Panini!®

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Panini que o pariu!


Duas comemorações em menos de uma semana é teste pra cardíaco.

Após 37 frias manhãs de desprezo, finalmente a Panini resolveu separar e manusear meu pobre pedido. É tetraaa! É tetraaaa!!

Ou melhor...


É trii! É triii!!

Provavelmente quando chegar no "Produto Enviado" já saberemos quem ganhou a Copa, o que aconteceu com o gado nas estradas, etc.

Parafraseando o Doc Brown, nos vemos no futuro!


⚡ ⚡ ⚡ ⚡ ⚡


Enquanto isso, a Mythos passeia livre pela grande área. Fechado hoje, faturado hoje, manuseado hoje, enviado hoje.


7 X 1 fácil em cima da Panini.

domingo, 25 de setembro de 2022

As 13+ da Rádio BZ FM


Não sei bem porquê, mas ontem, vendo tevê, bateu a vontade irresistível de embarcar nessa de #desafio13livros ou #13livrosvermelhos ou sei lá o nome.

Ps: gentileza ignorar os gibis ao fundo. Eles não têm lombada vermelha (vacilo, Comix Zone!).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

S. Toppi e as Aventuras de uma Criminóloga


Parece que foi ontem, mas a antológica J. Kendall - Aventuras de uma Criminóloga #11 foi publicada pela Mythos há longínquos 15 anos. Na história "Repouso Eterno", a irresistível bonequinha de luxo/especialista forense Júlia Kendall (bem vinda!) investiga um pavoroso assassinato em uma casa de repouso da fictícia Garden City.

Menos é mais, porém não resisto a comentar que são três subtramas em paralelo. Pessoalmente, não consegui antecipar aquele final nem com meus chutes mais mirabolantes.

"Repouso Eterno" ainda vai além do roteiro sempre inspirado de Giancarlo Berardi: a HQ é marcada pela arte do genial artista milanês Sergio Toppi. Foi uma daquelas ocasiões, por assim dizer, de rara beleza.

Apesar de já ter feito um Martin Mystère aqui e um Nick Raider acolá, Toppi aceitava essas empreitadas mais pela amizade que tinha com o Sergio Bonelli. 300 páginas de um Texone então, nem pensar.

O que é totalmente compreensível.

Como visto nos inebriantes volumes de Sharaz-De, Toppi e o formato limitado de uma publicação convencional – fumetti ainda – não poderiam soar mais dissonantes. Então, essa é uma experiência imperdível tanto por ser Toppi-desenhando-Júlia como pelo exercício de estilo fora de sua zona de conforto.

E um senhor objeto de estudo para qualquer um que se atreva a segurar um lápis com pretensõezinhas supostamente criativas.



Uma maravilha em dosagem (quase) controlada.

Ainda assim, é duro ver um maestro do calibre de Sergio Toppi criminosamente negligenciado no Brasil. Em que pesem os heroicos esforços da Figura Editora, sua bibliografia lançada até aqui ainda é anêmica. O pior é que material compilado em alta definição não falta: a editora francesa Mosquito vive publicando Toppi – piscou, lançou outro álbum. Então não vejo muita explicação que não seja aquele velho amadorismo endêmico que tanto nos queixávamos até... ontem.

Não é, Mythos?

J. Kendall - Aventuras de uma Criminóloga #11 está sendo republicada em formato italiano na série limitada Júlia - Aventuras de uma Criminóloga (já sartando das amarras autorais envolvendo o nome). Porém, num olé monstro que a Mythos aplica em si mesma, Toppi não é sequer mencionado na pré-venda da loja virtual, nem no blog e nem em suas redes sociais. Conferi agora e não tem nada, nadinha.

Júlia-gibi é um troço absurdo. Metanfetaminicamente viciante. Quase impossível largar antes de terminar. Pelo Toppi, então... Um negócio desses era para ser alardeado desde o início do ano. Ou da série. Mas nem tentaram. Estratégia de marketing do mínimo esforço possível.

Como problema pouco é bobagem, não é de hoje que a Mythos tem sérias questões com a qualidade da impressão de seus títulos. Isso era para ter sido sanado nos relançamentos em formato italiano (Júlia, Dylan Dog), que têm a vantagem do miolo em papel offset, mas não foi bem isso que vimos ultimamente.

Ainda assim, não deverá ser pior que a versão anterior, impressa em pisa-pobre numa HP achada no lixão e recondicionada.




Assassinaram sem dó o magnífico chiaroscuro do Toppi. Sad face aqui, por favor.

Aliás, nerd leitor teimoso que sou (já fui mais), fico martelando como seria tão melhor se essa história fosse publicada na Júlia Graphic Novel. Toppi equivale a exatos 10 gazilhões de Antonio Marinetti (titular do nanquim no 1º volume). E assim a qualidade editorial, de impressão e tudo o mais estariam assegurados na jurisdição Prime Edition – afinal, algo tem que justificar aquele infame hot stamp dourado/licença para matar o bolso alheio.

Mas desconfio que a redação da Mythos esteja mais empenhada em outros assuntos. Azar o meu.

Seja como for, sempre terei a Júlia. E as hilárias justas entre ela e o Webb.


Papo antigo...

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Dia das Crianças nada selvagem

E então, a Salvat anunciou aos assinantes da coleção A Espada Selvagem de Conan que a série mais uma vez será adiada. Ou seja, o que já era ruim, acabou por encher meu coração com sentimentos pouco humanitários.


Lá vão meus 5 cents: desde a suspensão da distribuição em bancas dos títulos da editora... que já não eram muito assíduos por lá... ficou evidente a possibilidade de adiamento e até de cancelamento da coleção. Colocando um pouco de lado as paixões e a sensação de bolada nas costas, é compreensível a decisão da Salvat - e também da Mythos, que foi igualmente ligeira em colocar o revólver de volta ao coldre.

Nenhuma empresa adotaria um prejuízo de estimação só pra fazer a alegria do público. E não há engenharia financeira no mundo que contorne este cenário de incertezas. Mas o didatismo da situação é gritante.

A implosão da Abril/Total deu uma aula sobre os perigos de um mercado mal-regulado, com baixa competitividade e vulnerável à ações de cunho monopolizante. E isso é o sintoma de um problema maior, mais complexo e muito mais grave do que ver o prazer de ler um gibizinho do bárbaro se esvaindo pelo ralo - embora, para mim, seja motivo mais que suficiente para um levante popular massivo exigindo Ragnarök-Já.

Pelo (não) visto, a aguardada reedição de A Espada Selvagem de Conan fica pra próxima. De novo. Se tivermos sorte. Ano que vem? Só Crom sabe.

Para um velho guerreiro cimério sobrevivendo em terra arrasada brazilis, esse é mais um assunto que pesará sobre a sua preocupada cabeça...


Ai, ai. Que dias.

Por obséquio, alguém poderia verificar se no último final de semana foi lido algum texto sumério escrito com sangue ou se abriram acidentalmente algum portal para o reino de Cthulhu?

Folheadão na quadra inicial e, talvez, final
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 1
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 2
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 3
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 4




Enquanto isso, nos Trumps Unidos da América...


Novo run de Savage Sword of Conan pela Marvel com escritos de Gerry Duggan (Deadpool: Meus Queridos Presidentes), desenhos de Ron Garney (habituée no Demolidor de Charles Soule) e, malditos cães pictos, cores de Richard Isanove (Marvel 1602). Independente do resultado, momento histórico por si só.

Lançamento programado para fevereiro de 2019. Lá tenho certeza que sai.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Guerras Sacanas


Eu sei, eu sei... alimentei a fera. Inflacionei o mercado, lubrifiquei as engrenagens da Skynet, fiz acordo com Mefisto. Mas atire a 1ª Super-Heróis Premium quem nunca foi a uma banca ou livraria, viu uma falcatrua, riu da falcatrua e saiu de lá com uma falcatrua. Leitor de gibi é um bicho estranho. Vez ou outra sofre uma epifania, desliga o senso crítico em detrimento da razão - mais precisamente, do livro razão - e se joga todo faceiro às estatísticas das editoras e suas fantásticas edições-limitadíssimas-e-absolutamente-deluxe-apenas-para-colecionadores-exigentes. Aliás, patologicamente exigentes, com ênfase no pato.

Quando a epifania passa, olha lá a falcatrua na estante.

Mas não se pode subestimar o poder do lado negro. Ainda mais quando perpetrada por operativos formidáveis com longa experiência de campo. Sabe quantas Universo Marvel com o Quarteto na capa eu comprei repetidas? Quantas Dimensão DC: Lanterna Verde? E Marvel Millennium - Homem-Aranha? Plausible deniability no dos outros é refresco.

Correndo por fora, a Mythos Editora ganhou muitos pontos nos círculos inferiores com aquele Hellboy Edição Gigante - A Morte de Hellboy, reeditando a esgotada e há muito suplicada O Clamor das Trevas (2008) junto com Caçada Selvagem (2012!) e Tormenta e Fúria (2014!!), estripando em 170 marcelas o bolso do hellfan que só queria a primeira. Golpe de mestre (das trevas) que encontrou paralelo nas assassinas voadoras do CLUQ e suas edições de Ken Parker de 64 páginas a 65 marcelas + frete na promoção! - essa aí, só se a própria Marcela viesse junto.

Mas não teve jeito: a Panini desovando Guerras Secretas - Edição Especial em tempo recorde após Coleção Histórica Marvel - Guerras Secretas foi, sem exagero, a Ordem 66(6) do mercado brasileiro de HQs em 2016. De diferencial, a CHM trazia um punhado de histórias-bônus - que, eu então desconhecia, não tinham relevância histórica ou conexão com a saga principal. E era em papel offset com cheirinho de EBAL. Caí facin.

Mal tinha armado o box, acomodado os cadernos ali dentro (já tentou fazer isso após 5 latões?), fechado e disposto na estante, a Panini anuncia o capa dura edição única com extras exclusivos. Pra disfarçar, vai que é tua, Alex Ross.

Fffffuuuuuu...

Mas gosto da saga. Escolado em mim mesmo, já sabia que toda resistência seria fútil. Então abstraí e aguardei diligentemente por um bom desconto. Pra amortizar umas moedas, sacumé.

Os tais extras não são graúdos como os de um Crise, mas nesse caso o conteúdo prevalece sobre a forma: estudos e artes não-finalizadas da saga pelo indefectível Mike Zeck, santo padroeiro do Steve Rogers e do Frank Castle nos loucos anos 1980.


Amém.

Também era de se esperar uma impressão afudê-em-couché comparado ao offsetão anterior. Mas não imaginava uma diferença assim tão esgulepante.


No fim, acho que este cenário é similar ao de muitos outros saudosos e velhuscos leitores de super-heróis da Abril. Se esse for o caso, eu diria que vale a pena avaliar a possibilidade de descascar esses limões e fazer a tal da limonada. Mas, claro, estabelecendo uma hora de parar também.

"A Guerra para acabar com todas as guerras!"

Duvido.


* * * * *

A Panini segue firme e forte em sua miguelagem de verniz!

A capa de Guerras Secretas - Edição Especial parece ter saído da fábrica de papelão reciclado sem tempo pra mais nada. Eles estão ficando bons nisso - o que é preocupante. A impressão ficou melhor do que, por exemplo, a da capa da "edição definitiva" de Asilo Arkham, do ano passado.

Na saga do Morcego, a capa sem o verniz ficou fosca, gélida e estéril, em contraste extremo com as cores vibrantes e o tom ameaçador da edição definitiva de 2013.


À esquerda, com miguelagem de verniz; à direita, sem miguelagem de verniz

Mesmo tendo a anterior, acabei pegando a nova porque, apesar da capa envernizada, linda e joiada, o letreiramento da edição de 2013 era uma tragédia. Na reedição recente algumas coisas foram reparadas, mas no geral não melhorou muito mais, não.

Ambas tomam uma surra de vara verde da antiga edição da Abril.

Porra, Panini. Vocês têm ideia do quanto isso é humilhante?

terça-feira, 31 de maio de 2016

Por um punhado de gibis


"Caralho... tá cara essa porra, hein?"

Le kiosquier, ao conferir pela 2ª vez o preço de capa do gibi novo do Tex.

Ainda estou me adaptando à programação e aos valores do cultuado ranger de Sergio Bonelli. Embora ainda não seja parte de seu público alvo, após aquela monumental Edição Gigante em Cores vol. 9 ilustrada por um mestre chamado Roberto "Magnus" Raviola, passei a pescar reedições de destaque aqui e ali.


Mas o espanto do ilustre vendeur de journaux é compreensível. Para neófitos e, no meu caso, recém-chegados, os R$ 19,90 da Tex Edição Histórica #96 soam como um assalto à diligência mais desguarnecida de El Paso. Com periodicidade trimestral, o formatinhozinho 13,5 x 17,5 de 186 páginas (fora contracapa) em preto e branco é impresso num pisa brite fosco, o que, se dá mais profundidade aos sombreamentos da arte-final, também configura um superfaturamento do infame papel limpa-bunda.

Mas, pesquisando, vi que até houve redução no preço em relação às edições passadas, o que é louvável. Meio ponto pra Mythos.

E não se pode ignorar fator da literatura pulp, do quadrinho cult. Ler Tex em papel jornal é old school. Tudo pelo romantismo. Ainda mais em se tratando do conteúdo: uma reeeeedição da saga "El Muerto", considerada por quem entende como uma das melhores histórias do southern-hero.


Só podiam ter escolhido uma capa menos reveladora, hm?



Tex Graphic Novel #1: O Herói e a Lenda custa R$ 29,90, mas poderia ser até 39,90 (não dá ideia...). Esse é um daqueles raros encontros de dois deuses da 9ª arte: Paolo Eleuteri Serpieri fazendo um tributo ao legado de Sergio Bonelli do jeito que sabe melhor - na prancheta.

Lançada originalmente em Tex D´Autore #1 (fev/2015), a graphic de 48 páginas e capa cartonada é fina demais para ser um encadernado em capa dura, mas bem que merecia. Conspira a favor a proporção 20,5 x 27,5. Ou seja, superando até as medidas do formatão magazine tradicional.

Chegará o dia em que toda HQ de valor será impressa nessas dimensões... mas considerando a diferença de tamanho abissal dessas duas aquisições, isso deve demorar um pouco...

A arte, as cores, o texto e a adaptação (livre) do autor, como não poderia deixar de ser, são grandiosos, espetaculares, Serpiéricos!


Quase não senti falta da Druuna. Imperdível.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Captão por opção



Enquanto o planeta ferve com o trailer de Capitão América: Guerra Civil, eu acabei de ferver com questões outras relacionadas ao bom soldado. Culpa da Salvat e suas reedições de fases clássicas da Marvel dos anos 70 e 80. E da Panini, que faz vista grossa a tudo que não leve o nome de Frank Miller e Grant Morrison. Mas principalmente da massa de leitores velhuscos sedentos por versões íntegras, em capa dura e com papel bom das épocas áureas de feras como Jim Steranko, Gil Kane, Roy Thomas e Gerry Conway.

Daí que a Salvat vem com essa coleção em capa vermelha, algumas sem relação com o conteúdo e com vários tropeços de revisão, ou falta de. E calhou do highlight dessa tosqueira editorial ser justamente o especial do Capitão América de Roger Stern e John Byrne - na época, o mais próximo de Midas que os quadrinhos mensais de super-heróis tinham.

O encadernado - com capa do Ed McGuinness... - assumiu status folclórico mesmo pelo erro inacreditável e em letras garrafais da contracapa. Algo do tipo que antigamente se guardava a sete chaves, como raridade, antes da editora respeitar seus consumidores e anunciar um recall. Atitude que nunca veio e nunca virá.

Em suma, um material que eu nem cogitava chegar perto.

O problema é que a distribuição e o recolhimento caóticos do mercado nacional de HQs conferiu à edição não apenas o milagre da multiplicação nas bancas, mas também da durabilidade nas mesmas. A cada semana, aportavam novas edições vindas de algum mini-buraco negro nerd aberto pelo LHC da Salvat.

Eu, em abstinência de Byrne há mais tempo do que a Convenção de Genebra permitiria, fui vencido pelo cansaço.

Cedi felizão.



Pode me chamar de verminóide que eu atendo.


Ps: e que fique registrado que um dia a Mythos Editora colocou tudo do site com 50% de desconto. Até onde vi, foi a única que realmente incorporou o espírito da Sexta-Feira Negra. Louvável.

Claro que... analisando a longo prazo... a editora sempre manteve uma margem de lucro nababesca, então a coisa fica apenas mais justa no saldo final. Nada mais, nada menos. Seja como for, já passei o rodo no que queria, sem grandes prejuízos para a cerveja natalina.

Pps: aquela American Flagg vai enfeitar mais estantes nesse fim de ano do que lombadas com o nome do Alan Moore.