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segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Delboy nunca mais


Mike Mignola, uma garrafa de whisky e duas doses de amargura. Em entrevista ao Screen Rant, o criador do Hellboy fez uma turnê pelos natais passados: primeiro admitiu que ficou decepcionado com Hellboy II: O Exército Dourado (2008) e, depois, que as chances de Guillermo del Toro retornar à série original para fechar uma trilogia são quase nulas.

Num trecho particularmente tocante, fez uma DR bem intimista daqueles dias.
“Sendo capaz de olhar para trás agora, estou muito feliz com o tempo que passei com ele. Tivemos algumas aventuras, e eu acho que nós dois seguimos em direções diferentes. (...) É uma sensação muito estranha [onde] você simplesmente pensa, ‘Eu pensei que éramos amigos para a vida toda, mas eu nunca mais vou te ver de verdade’, e, infelizmente, eu acho que é meio que onde del Toro e eu estamos. Ele está em outro planeta. Estou muito feliz por conhecê-lo e trabalhar com ele quando trabalhar em um filme era com cinco ou seis caras, e não na carreira que ele tem agora.”
De fato, a atmosfera nos bastidores parecia transbordar brodagem.

Ainda assim, e por mais que tenha sido um divisor de águas para a sua maior criação, é melancólico ver o Mignola remoendo esse tópico mais uma vez. É meio um consenso geral que o Hellboy da versão do del Toro morreu há tempos. E isso não é necessariamente algo ruim.

Na entrevista, o quadrinista conta que ficou três meses trabalhando na pré-produção do 2º filme e que não viu nada daquilo no resultado final. Não surpreende, se "olhar para trás" com a sobriedade que só a idade traz.

Como aventura, o Hellboy 2004 batia na trave, salvo pelas boas caracterizações, produção esforçada e a transição daquele terror gótico dos quadrinhos. Uma transição a conta-gotas e com estética à Tim Burton, mas já era alguma coisa. O Exército Dourado, por sua vez, trocou esse aspecto por um clima de fantasia Tolkienesca. Tudo ficou suntuoso, onírico, inofensivo, fofo demais.

Cheguei à conclusão que del Toro fez aquilo que garantiu que nunca faria.


Lembro que escreveria uma resenha sobre o filme, mas fiquei com o editor de posts aberto por duas semanas sem conseguir redigir uma frase. Não queria falar mal, mas era impossível falar bem. Desisti.

Segui o conselho do velho monge de Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (2003). É um bom conselho.


E serve tanto para coisas quanto para pessoas, viu Mignola?

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Cor de arco-íris quando foge

Ranço de velhusco da vez. A especialidade da casa.



Esses excertos das recém-publicadas Doctor Strange #7–9, com roteiros de Jed MacKay, traços de Pasqual Ferry e capas do Alex Ross para emoldurar, funcionam como um ponto sem retorno para mim. Menos pelo texto, mais pela estética. Principalmente, das cores. Não que tudo vá para a conta da Heather Moore, a colorista em questão. Ela apenas segue a tendência atual.

A impressão é que mudaram a metodologia de criação dos comics (leia-se "gibis do mainstream americano"). Isso vale tanto para a Marvel quanto para a DC, Image, Dark Horse e por aí vai. Hoje, parece obrigação contratual estourar todo o espectro de cores digitais por quadrinho, que já nem é mais quadrinho, arrastando tudo para uma artificialidade sem precedentes no formato. O Pasqual Ferry mesmo já trabalha nestas condições há longa data, mas a comparação através dos anos é absurda.

Se é isso que as novas gerações consomem, então, comercialmente, as escolas setentistas e oitentistas já eram. E isso me faz valorizar ainda mais as compilações feitas nas Sagas e nas Epic Collection. O passado é o futuro, baby.


O Vishanti de ontem (Triunfo e Tormento, 1989) e de hoje: os tons sombrios e misteriosos dão lugar ao multiverso do arco-íris

Confesso que a minha ficha ainda não caiu para esse visual sobrecarregado de cores e flares. Por instinto, me conforto pensando que é só uma fase, uma onda passageira. Que um dia desses vou abrir um gibi novo e me deparar novamente com cores concisas, um claro e escuro decente e, quem sabe, até com as velhas retículas. Como no Dr. Estranho do Rudy Nebres.

Pode soar melancólico, mas ainda assim é um belo devaneio.

No próximo programa: a cartunização generalizada que deixou tudo com cara de desenho animado. Não peguei Arca Negra por conta disso – e de outras coisinhas também.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

O Busão da Tropa Alfa é um estouro!



Knock it off, Hudson!

Tropa Alfa por John Byrne era uma obrigação moral. Forjadas no fogo da má vontade de seu próprio criador, as histórias da superequipe canadense eram curtidas num foda-se narrativo tão descarado que acabaram rendendo alguns dos momentos mais bizarros, violentos e divertidos da Marvel.

Então, como um dos pretensos pais adotivos desse filhote renegado, comemorei o aniversário de 14 anos do volume 2 da descontinuada Os Maiores Clássicos da Tropa Alfa — com capa cartão e o sumido-mas-jamais-esquecido papel LWC — catando logo o Omnibus numa combinação marota somando 40% de desconto (progressivo + cupom do HQ Barata). Mesmo assim saiu caro.

Mas como precificar o Víndix/Guardião James MacDonald Hudson explodindo na frente da Heather? Impossível.

E aquilo era só a ponta do iceberg.


Está lá todo o run do Byrne, do Alpha Flight #1 (maio/1983) ao #28 (julho/1985), o #29 com Mike Mignola nos desenhos e Bill Mantlo amarrando as pontas soltas da saideira, mais o tie-in correspondente de Secret Wars II #4 (julho/1985). Foi uma longa espera.

Até então, a Panini havia editado pouco menos da metade da fase. Só tínhamos as loucas edições da Abril, onde nem o Beyonder conseguia se salvar.

Agora só me resta o Bu$ão do Namor para fechar todo o Byrne que vale.


Cena pós-créditos:


Já elaborei sobre isso antes. Mas ô custo-benefício dos infernos.

domingo, 3 de dezembro de 2017

delBoy

Fábula onírica dark é comigo mesmo. Entre a ótima recepção da crítica ao novo do Guillermo del Toro, este Tim Burton do milênio, e a premissa remontando ao clássico da Sessão da Tarde Splash - Uma Sereia em Minha Vida (alô, quarentões: tamo junto), certamente vale a pena ficar de olho nesta pérola.


Mas fica a dúvida: com todas as evidências, seria mesmo um prequel secreto do Abe Sapien - com o mesmo Doug Jones por baixo das escamas - ou Mike Mignola vai ficar ainda mais fulo com o del Toro? Seja como for, só por colocar Michael Shannon e Richard Jenkins na mesma película já ganhou minha atenção.

A Forma da Água tem previsão de estreia por aqui em 11 de janeiro.

sábado, 26 de agosto de 2017

Caso das Três Mulheres Degoladas Ligado às Misteriosas Aparições da Bizarra Criatura Noturna


Isso é o que chamo de boas novas!

Gotham by Gaslight é uma das minhas aventuras favoritas do Morcego. O roteiro sorumbático e ao mesmo tempo evocativo e espirituoso de Brian Augustyn - parceiro de Mark Waid em seus runs do Flash e X-O Manowar - faz uma perfeita realocação do Batman e seu mythos para o cenário vitoriano. E, claro, para a histórica caçada de um infame Estripador, o Jack.

Claro que a magia não seria completa sem o traço inconfundível de Mike Mignola (com arte-final de P. Craig Russel), que fez aqui um de seus trabalhos mais bonitos. Apesar de não ter inaugurado originalmente a linha, a história passou a ser considerada o 1º Elseworld da DC, tendo inclusive inspirado a sua criação.

Por aqui ela foi publicada só uma vez duas vezes, pela Panini em Batman - 70 Anos #3 e pela Abril, com o título Um Conto de Batman - Gotham City 1889.


E depois ganhou uma continuação, Batman - Mestre do Futuro, novamente com roteiro de Augustyn e desenhos do excelente artista uruguaio Eduardo Barreto.


Uma coisa que não entendi é o fato de não adaptarem o traço do Mignola na animação. Seu estilo simples e peculiar funciona na tela à perfeição e sem ele a história perderá muito da caracterização e da atmosfera originais.

Santa negligência, Batman.

Aliás, há um tempo percebo que a divisão de animações da DC parou no automático com essa roupagem sub-Bruce Timm (sob os auspícios do próprio), quando até há pouco diversificava os designs emulando diferentes artistas com bons resultados. Uma pena também é notar a queda na qualidade das animações - e sempre nas mais transgressoras, com temáticas mais densas e menos comerciais que o padrão. A de Piada Mortal, por exemplo, foi atroz. E a prévia de Gotham by Gaslight já deixa claro que o longa terá uma quantidade pífia de quadros/sec.

Ironicamente, o sneak peek saiu nos extras do tecnicamente redondinho Batman and Harley Quinn - um tour-de-fanservice que nasceu hit pronto. Um esmero que toda animação da Detective Comics-Comics deveria ter.

Ou pelo menos as de boa estirpe.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Master of Puppets

Segundo o release, The Mill at Calder's End será um mix de O Cristal Encantado (lembra disso?) com vossa senhoria das trevas H.P. Lovecraft. Quase tudo o que é necessário para um perfeito horror gótico vitoriano. Com marionetes.


Os detalhes são impressionantes (demorei pra notar a natureza dos "atores") e o teaser é instigante, mas o "quase" não era o suficiente. Então o realizador e titereiro Kevin McTurk recrutou ninguém menos que Mike Mignola como um dos artistas conceituais, mais os atores Jason Flemyng e a icônica Barbara Steele para a dublagem. Tudo isso bancado via Kickstarter!

The Mill at Calder's End ainda não tem data de lançamento, mas dá pra seguir pescando alguma coisa pelo site oficial.

Aquele bonequinho-doppelgänger do Peter Cushing vai roubar a cena...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amargo regresso


Enfim, a cena inédita de Superman - O Retorno passada em Krypton. Não era bem o que eu esperava, mas é sombria, melancólica e tão bonita quanto ameaçadora. Merecia abrir o filme.

Na hora, a sequência me lembrou da história "Alucinação", publicada aqui na revista Super Powers #16 (fevereiro/1990). Escrita por John Byrne e desenhada por Mike Mignola, o conto era uma pequena pérola que mostrava o Azulão retornando ao seu lugar de origem e se deparando com um Krypton intacto. Ou quase.


O que se segue, nas palavras do Clark recém-saído de uma bad trip delirante, é "uma lição sobre a natureza humana e sobre abuso de poder". Lição que Bryan Singer demonstrou que já conhecia muito bem, quando preferiu homenagear a essência ao invés dos punhos.

domingo, 20 de agosto de 2006

A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA



"(...) as pessoas vão buscar certas referências ocultas. Mas não é necessário um profundo conhecimento sobre essas coisas. Precisa saber que, quando ele fala, você diz: 'parece que ele sabe do que está falando'. Por isso, incluí aquilo no gibi...
para parecer que sei do que estou falando."

Este é Mike Mignola, explicando um pouco de seu processo criativo, durante uma coletiva na Comic-Con de 2002. Apesar do comentário se referir ao universo de sua cria mais famosa, também decifra muito da mística de suas obras em geral e da maneira sempre insólita com que ele (re)vê certos padrões, por mais que estes tenham sido explorados ad nauseum. Jogar com a sugestionabilidade alheia é uma arte sutil. Dependendo da imaginação do observador, a coisa pode ir muito mais além do que o próprio autor conseguiria. Basta fornecer um ou dois pequenos trechos de informação e o céu é o limite. O único porém é saber quais informações e em qual contexto. Mignola e o diretor Guillermo del Toro falam sobre isto (entre outras coisas) no sensacional DVD de extras do filme Hellboy, que, por sinal, merece uma boa destrinchada qualquer hora dessas.

No caso do demônio de chifres serrados, as referências ao ocultismo e ao folclore de várias culturas pipocam em ritmo estroboscópico. Não que sejam meros factóides azeitados à moda da casa, longe disso. Termos como Selo de Salomão, Lamia, Mitologia Cthulhu, Dama Sangüinária do Cachtice, Iggdrasil, e obscuridadezinhas Lovecraftianas afins, têm seu lugar garantido como "objetos de estudo".

Neste sentido, é bem interessante o comentário de Mignola. Ao espalhar este lote de referências nos quadrinhos, elas acabam adquirindo traços do mesmo idioma pop em que foram inseridas. Nada melhor para instigar uma daquelas sessões de pesquisa que atravessam a madrugada movidas à cafeína.


É verdade que tal abordagem não é mérito exclusivo de Mignola. Mas até onde vejo, ele é o Tiger Woods do Oculto. Grande parte desta impressão vem da naturalidade e espontaneidade gritantes de seu texto. E, claro, daquele traço. É fácil perceber que o cara se divertiu horrores enquanto trabalhava nas histórias. The Amazing Screw-On Head eleva esta característica à zilionésima potência. É hilário. Mignola já fez graça antes, como na ótima mini do sumido Rocket Raccoon e na adaptação do conto sword & sorcery Fafhrd And The Gray Mouser. Mesmo em Hellboy, ele sempre teve utilizou ganchos cômicos nos argumentos, mas nunca desta forma. Mignola revela ser dono de um timing absurdo pra comédia. Encarna uma Alice Liddell gótica e passeia pelo maravilhoso mundo do humor negro. Com uma simplicidade quase singela, ele abraça o bizarro com a mesma familiaridade de Tim Burton dirigindo Johnny Depp.

O resultado faz de TASOH, além de um puta exercício de estilo, escapismo em estado bruto. Este texto aqui soa mais pesado que o desenho.

O episódio piloto foi exibido pelo Sci-Fi Channel, no início do mês. Curiosamente, a animação foi adaptada de uma HQ one-shot, escrita e desenhada por Mignola em 2002, para a Dark Horse. Em quadrinhês, "one-shot" é o equivalente a um episódio piloto. Infelizmente, a revista ficou só nisto, o que indica que os próximos capítulos da série poderão ser criações exclusivas e inéditas do autor. E vou te contar uma coisa. Não vejo uma releitura tão agregada ao material de origem desde o cânhamo animado The Maxx, do genial Sam Kieth. Não é pra menos, pois Mike Mignola comparece nos créditos como diretor de arte. Então, nada mais natural que os profissionais envolvidos fossem submetidos à um cursinho de "Jack Kirby encontra o Expressionismo Alemão", como bem classificou Alan Moore.

Quem curte o traço peculiar do cara, vai querer gravar em DivX e exibir o desenho num telão em praça pública.


Screw-On Head é um agente top-secret do governo norte-americano na época da Guerra Civil. Basicamente, é uma cabeça mecânica parafusável. Com a dedicação de um Jack Bauer, ele é uma espécie de "última linha de defesa" da administração Lincoln (sim... o bom e velho Abraham) contra as inúmeras intempéries do Mal que ameaçam os cidadãos americanos. Em especial, aquelas provocadas pelo tétrico Imperador Zombie (hehe) e seus temíveis lacaios: duas velhinhas e um macaco (na revista, eram três velhinhas - a "criminosa lunática" ficou de fora). O vilanesco Zombie invade o Museu de Livros e Documentos Perigosos, seqüestra o Professor Fruen e rouba um artefato conhecido como "Fragmento Kalakistão". Segundo a lenda, o tal fragmento, se traduzido, indica o local onde está escondida a "Fabulosa Jóia do Tamanho de um Melão". Este nabo, digo jóia, foi a fonte do poder sobrenatural de Gung, O Magnífico, um tirano que dominou o mundo em 9.632 a.C. Para cumprir sua missão, nosso herói contará com o valioso auxílio do Sr. Groin e de seu fiel cachorro... o Sr. Dog.

Muito pouco é revelado sobre o passado do parafuso ambulante. A única seqüência mais reveladora rende um ótimo momento, quando o mesmo troca juras de amor com seu antigo interesse romântico. Na HQ, Mignola chega a brincar ironicamente com a questão da origem ultra-secreta do herói (provavelmente, porque ele nem se deu ao trabalho de pensar em alguma). Paul Giamatti está perfeito na voz do inabalável Screw-On Head, trafegando em tons de inocência, idealismo e uma certa melancolia. Já Corey Burton fez um belo serviço dublando o Sr. Groin e o Presidente Lincoln. Veterano, ele já trabalhou na série clássica dos Transformers e do G.I. Joe, além de ser a voz cavernosa do Brainiac, em Superman: The Animated Series e Justice League Unlimited.

Mas o maior destaque é mesmo o trampo irretocável de David Hyde Pierce como Imperador Zombie. O personagem - trapaceiro, arrogante e com um senso de humor corrosivo - encontra um perfeito feedback na voz cínica de Pierce (que dublou o Abe Sapien no longa do Hellboy). O nobre zumbi lembra uma cruza bastarda de Jack Sparrow com Dr. Phibes. Um grande vilão, daqueles em que o Gary Oldman cairia como uma luva numa versão para o cinema.


O desenho é praticamente um slide-show da revista, mas algumas modificações se fazem presentes e acabam tornando as duas versões deliciosamente únicas. Alguns personagens, soluções visuais e piadas infames são diferentes. A conclusão também é diferente. Os dois são imperdíveis.

Agora é ficar de olho na programação do Sci-Fi e cruzar os dedos para que The Amazing Screw-On Head finalmente deixe sua condição de piloto multimídia.


Na trilha: PJ Harvey, Is This Desire?. Eu quero esta mulher assim mesmo.

sábado, 31 de julho de 2004

HELLB...





hã... HELLBOY


Aos poucos os super-heróis patrocinados pelo coisa-ruim estão saindo do inferno. Desde o filme do Spawn, no longínqüo 1997, que não vem uma única alma boa do reino das trevas pra salvar os indefesos traseiros humanos (excetuando o Ozzy, no final do Little Nick). No momento, estou em stand-by from hell, aguardando notícias do enrolado filme do Motoqueiro Fantasma (Nicolas Cage deve rezar todo dia pra ver se sai). E me parece que já houveram conversações à respeito de um longa com o Etrigan também. Tenho certeza de que um dia algum executivo de Hollywood (da New Line ou da Lions Gate, de preferência) ainda terá a grande idéia de adaptar Lúcifer - Estrela da Manhã, do Gaiman. O inferno será pop, se Deus quiser. E não esperem muito de Constantine. Tenho quase certeza que aquilo não vai vingar.

Mas por hora, curvem-se, súditos das profundezas... a malevolência quadrinhística a serviço de Hollywood ganhou um novo fôlego: Hellboy finalmente chegou à terra do Carnaval. E boas notícias: o filme é ótimo! Aêêê...!


Não é pra menos... O diretor Guillermo Del Toro é gente que nem a gente. Ele é fanático por HQs, Cinema (com ênfase no gênero Horror), enfim... é o meu melhor amigo dos que eu não conheço. E ele empreendeu uma verdadeira cruzada pra realizar esse filme, principalmente para manter o grande Ron Perlman no papel principal ("eles" queriam Vin "Riddick" Diesel) - para maiores detalhes, confira a ótima entrevista publicada no Omelete, o templo do timing.

Outro fator que somou vários pontos na qualidade da produção foi o respeito de Del Toro com o material original. Sabiamente, ele manteve o pai do personagem, Mike Mignola, perto da equipe criativa do filme. Em geral, diretores de adaptações não estabelecem conexão alguma com os criadores, o que é uma lástima.

Acho que numa altura dessas, todo mundo já conhece o background de Hellboy. Eu mesmo, já escrevi sobre isso várias vezes aqui e antes daqui também. Campanha de conscientização, saca.


Essa cena original da HQ também comparece no filme, intacta


Ainda sem o tratamento digital... o resultado ficou maravilhoso

"Gente... olha... o Hellboy é demais, é o que há. Sabem o Grigori Rasputin? É, aquele monge russo doido que fez a cabeça e a esposa do czar Nicolau II...? Então... na verdade ele não morreu em 1916... no fim da 2ª Guerra, ele, Dr. Karl Ruprect Kroenen e Ilsa Haupstein, tentaram abrir um portal para o inferno, a serviço do Fürher... mas foram impedidos por um destacamento Aliado e pelo dr. Trevor Bruttenholm, especialista em paranormalidade... durante a batalha houve uma enorme explosão e, em meio aos destroços, lá estava ele... Hellboy... um guri vermelho com uma enorme manopla de pedra no lugar da mão direita..."

Foi mais ou menos isso. Lembro que, na época, coloquei umas imagens cool e uns providenciais scans também. Inclusive tinha um todo azulado do então exaurido scanner do Eudes, ex-OutZ (aliás, fico me perguntando como é que ele respirava naquela época. Eram mais de mil HQs publicadas todos os dias... nem a FedEx trabalhou tanto).

Voltando ao filme, fica evidente o conhecimento que Del Toro tem sobre o universo do Hellboy e o feliz resultado de sua interação com Mignola. Por exemplo: para saber exatamente como são os 15 minutos iniciais do filme, é só conferir o começo da história Sementes da Destruição, roteirizada por John Byrne e publicada no Brasil pela Mythos. Até a lapidar sentença de Rasputin está lá: "Eu prometi um milagre a Hitler, e a promessa foi cumprida". Pô, ouvir isso live-action é uma maravilha. Dá vontade de gritar pra todo mundo da sala que você já leu isso há muito tempo.


Algumas das poucas alterações foram muito bem-vindas. Liz Sherman (a gatinha deprê Selma Blair), não tem aquele sex-appeal todo na HQ. Aliás, nos quadrinhos, ela é até bem feinha, não sei se de nascença ou se por causa do traço "caixotão" do Mignola (com todo respeito). E quando ela usa seus poderes pirocinéticos (criação e controle do fogo), é impossível não lembrar da Fênix Negra. Fico só imaginando as possibilidades visuais que X-Men 3 terá com essa personagem.

Já o veteranaço John Hurt exibiu um notável desempenho no papel do dr. Bruttenholm. Ele ficou igualzinho à HQ, é incrível. Mais incrível ainda foi a atuação de Kevin Trainor, na juventude do mesmo. As inflexões vocais e os tiques faciais dos dois estão totalmente sincronizados, e o resultado ficou perfeito.

Eu tinha algumas reservas em relação ao personagem John Myers (Rupert Evans), que não existe na cronologia das HQs. Mas ele não atrapalha, muito pelo contrário. Ele funciona como um contraponto sensato ao sempre insubordinado, sarcástico, agressivo e gente-fina Hellboy.


Talvez o Kroenen - vilão bacana por excelência - poderia falar uma ou duas palavras, como nas HQs, pois aqui ele entra mudo e sai calado. Contudo, sua habilidade com armas afiadas já faz valer o ingresso, assim como o momento em que a sua carinha linda é revelada.

A história em si, não tem nada demais. Fora a origem do Hellboy, é o tradicional "heróis tentando impedir que os vilões destruam o mundo". Mas sem nada que lembre aquela responsa incômoda que mutantes e adolescentes aranhudos têm de levar nas costas em suas incursões cinematográficas. Tudo aqui funciona tão harmoniosamente, tão fluído e despretensioso, que lembra até aquela época em que você ainda se impressionava com um filme de ficção/aventura.

Outra coisa: a trilha de abertura é muito show. Se eu não me engano, é do Marco Beltrami. Baixará-la-ei (sic?).


Agora, o trabalho de maquiagem foi realmente impecável. Hellboy tem uma das cabeças maquiadas mais legais do Cinema, ao lado do Escuridão (personagem tenebroso interpretado por Tim Curry no filme A Lenda, de 1985) e do hors concours Predador (Van Damme, durante uns 10 segundos, e depois Kevin Peter Hall).

Sem falar no trampo inacreditável que fizeram no Abe Sapien, mil vezes superior ao original. Foi um personagem que rendeu trabalho pra dois atores: Doug Jones na batera e David Hyde Pierce nos vocais. Um trabalho explêndido, que enche os olhos, e me faz pensar se eu não deveria ter prosseguido com a carreira de maquiador (brincadeira...).

E antes que alguém reclame que colocaram muito enchimento no peitoral do Hellboy, fique sabendo que aquele é o corpo do Ron Perlman de verdade. Só pintaram de vermelho. Quando eu chegar aos meus 54, vou comparar e tomar vergonha na cara.

Que venha Hellboy 2!

E Hellboy 3, 4, 5, 6... um por ano tá bom.

quarta-feira, 21 de abril de 2004

OS PRIMOS POBRES DO HOMEM-ARANHA



Fechando aquele papo que comecei no blog antigo (o último post antes daquele ablogalipse empreendido pelo Blogger Brasil), parece que já temos aí o resultado de duas das produções que comentei na ocasião - Hellboy e O Justiceiro. Confesso que daquela vez eu estava bem otimista com relação ao Hellboy, mas no caso do Justiceiro foi aquilo mesmo. Após uma visita ao Rotten Tomatoes (o principal termômetro da crítica cinematográfica norte-americana), acho que já dá pra tirar algumas conclusões.


Tomara que ele tenha acertado pelo menos esse alvo

A segunda chance do Justiceiro no Cinema foi recebida à pauladas pela crítica e não é pra menos. Pelos trailers já dava para enxergar uma certa estrutura padronizada de filme de ação, já bastante exaurida no cinemão americano. A maioria das pessoas com certeza não conhecem a caveira-símbolo do Frank Castle tanto quanto o “D” duplo do Demolidor, por exemplo. Pra quem vai ao cinema simplesmente atrás de um história original, deve ter sido decepcionante. E não adianta nem inserirem personagens cool, como o Russo, pois poucos conhecem a fundo a mitologia do (anti) herói. Colocar o diretor estreante Jonathan Hensleigh pra comandar a coisa toda também não ajuda. Isso é coisa pra um Robert Rodriguez ou um John Woo da vida... Resultado: o filme não pagou seu custo de produção e marketing, e está literalmente despencando nas bilheterias. A não ser que ele faça uma estréia mundial arrasadora, já era uma continuação com o Castle...

Por incrível que pareça, o Justiceiro ainda tem mais algumas sobrevidas. As ex-subestimadas vendas de DVD ao redor do planeta já livraram do anonimato certo vários candidatos à franquia cinematográfica (vide Hulk). Seja como for, O Justiceiro ainda vai demorar pra vingar (trocadilho infame), pois só a estréia no Brasil é 17 de setembro!

Reviews do Justiceiro publicados no Rotten Tomatoes



”Críticos? Prefiro a minha parte em dinheiro”

Na meia-contramão, temos a aguardada estréia de Hellboy, que não fez tanto barulho nas bilheterias, mas pode ser considerado um sucesso de crítica. Segundo o RT, 77% dela aprovou a produção. Isso é uma grande vitória, considerando que “filmes de super-herói” são, em sua maioria, mal-vistos pelos respeitáveis especialistas da 7ª Arte. Uma pena que o público foi bastante tímido, o que impediu a produção de se pagar logo. Mas faltou isso aqui pra chegar lá. De qualquer forma, ainda faltam várias estréias pelo mundo afora, o que deve garantir o retorno de bilheteria.

Aqui no Brasil, só vamos conferir o resultado do trabalho de Guillermo del Toro no longínqüo 30 de julho.

Reviews do Hellboy publicados no Rotten Tomatoes

O que nos resta agora é conferir a carreira dos outros candidatos a blockbuster pré-verão americano...



DESTRINCHANDO TRAILERS
(de novo)


TRÓIA


Ainda na onda de filmes épicos (Senhor dos Anéis, Gladiador e o vindouro Alexandre, O Grande) temos aí Tróia, candidato a detonar nas bilheterias. É sobre a lendária guerra entre gregos e troianos, em que uma disputa política teve como pretexto o rapto de Helena por Páris, o príncipe de Tróia. Essa produção da Warner é gigantesca em todos os sentidos. O diretor e produtor é Wolfgang Petersen e o elenco é estelar. Têm Orlando Bloom (como Páris), Brad Pitt (Aquiles), Eric Bana (o Bruce Banner de Hulk, aqui como Heitor), Peter O'Toole (Príamo) e Brian Cox (o cel. Stryker de , como Agamenon).

Pelas prévias divulgadas, o clima é de pancadaria old style, com uma história de amor e sacrifício por trás. Parece tudo muito bem coordenado (profissional é outra coisa) e as cenas grandiosas estão eletrizantes. O único fator preocupante mesmo é a presença do californian boy Pitt, que aqui parece mais galã do que aqueles ótimos sociopatas que ele costuma fazer.


Estilo "samurai-deixando-o-inimigo-agonizante-para-trás"


Indo pra guerra, dessa vez sem raios gama


Nós vamos invadir a sua praia...


Desembarque grego na Normandi... digo, em Tróia


Meio HQ essa cena aí...


Quem disse que agradar a gregos e troianos é fácil?

Curiosamente, algumas seqüências do último trailer (como essa última aí de cima) lembram bastante cenas da clássica HQ Os 300 de Esparta, de Frank Miller. Acho que os produtores de Hollywood já devem ter aposentado aqueles story-boards há muito tempo. É só passar na banquinha de revista mais próxima...


Tróia com um pé nos 300 de Esparta



O DIA DEPOIS DE AMANHÃ


Nova incursão do diretor Roland Emmerich (de Independence Day) no gênero ficção/aventura, dessa vez sem a costumeira parceria de Dean Devlin na produção. Emmerich é um diretor de altas apostas. Elogiado por Spielberg na época do ótimo (apesar da patriotada) ID-4, ele também foi responsável por Godzilla, que só tinha tamanho mesmo. Desta feita, o grande vilão é o desequilíbrio climático da Terra causado por décadas de superaquecimento global. New York que se cuide. Se fosse filme japonês o coitado seria Tokyo. E tomem tornados gigantescos em plena Time Square, tsunamis afogando a Estátua da Liberdade, terremotos apocalípticos e Manhattan se transformando na filial da Antártida. No elenco, o redivivo Dennis Quaid (no papel do "professor" da vez) e a demorada promessa Jake Gyllenhaal (do excelente Donnie Darko, aqui como o filho do "professor").

Após assistir o trailer: o filme é um mix de todos os filmes-catástrofe que envolvem a Natureza. Aqui têm elementos de Twister e Terremoto, passando por Limite Vertical até Impacto Profundo e O Destino do Poseidon. Com o diferencial dos efeitos ultramodernos é claro. Separem a grana da pipoca.


Tornado arrasando o letreiro de Hollywood - seria muita sorte


A Dama da Liberdade pegando jacarezinho


Pulando a 43 com a 44 da Time Square


Tornados muito nervosos em New York


Manhattan parecendo Brasil em dia de chuva grossa


Um puta ondão e só dá ráuli na área...

E pra confirmar que a grana aqui não foi pouca, a estréia será mundial: 28 de maio. Eu queria só 1% disso, que já tava bom. :)



A BATALHA DE RIDDICK


Vin Diesel, o ex-sr. "não-faço-continuações", estrela aqui a... aham, continuação de Eclipse Mortal, surpresa "B" de 2000, também dirigida e roteirizada pelo competente David Twohy. De famosos no elenco, temos a maravilhosa Judi Dench (o quê diabos ela faz aqui?), o rapper/dublê de ator Ja Rule e Thandie Newton, de Missão: Impossível 2.

Esse filme primeiramente foi tido como um prequel do anterior, mas pelo que parece, mudaram de idéia. O anti-herói Riddick agora é fugitivo (no anterior ele era prisioneiro de uma confederação de planetas qualquer), e se vê obrigado a enfrentar um vilão que quer escravizar toda a humanidade. Eeei, acorda aê! O filme anterior também não prometia!

Pelos trailers divulgados, não tem quase nada (ou nada) de alienígenas, que apareceram bem no filme anterior. Vin Diesel ainda é O Cara dos filmes de ação atuais, a produção está bem melhor, o clima continua sombrio e apocalíptico, com um bom jogo de sombras, e têm efeitos simples e bem interessantes, como um "fantasma" transparente, bem ao estilo Kittie Pryde e Visão. Separei poucos screens desse, pois há muitas cenas que "não funcionam" de forma isolada.


A 1ª aparição d'O Cara...


Parece a Lara Croft...


...mas né não...


Riddick com as faquinhas rasgando alguém


Os olhos sinistraços ainda estão lá...

E no trailer ainda aparece um monumento gigantesco, que lembra vagamente uma esfinge egípcia em pé. O curioso é que uma representação bem parecida também aparece no clip da música In The End, da banda Linkin Park.


A Batalha de Riddick estréia por aqui no dia 23 de julho, quase um mês após a estréia norte-americana. Não promete ser um blockbuster, mas tem cara que vai fazer uma boa carreira nas bilheterias.



VAN HELSING - CAÇADOR DE MONSTROS
(mais um pouco...)


Nos derradeiros dias do BZ lá no Blogger Brasil, eu comentei ad nauseum sobre essa produção. Falei do Hugh Jackman, da tendência "terrir" do diretor Stephen Sommers (da série A Múmia) e, principalmente, do plágio visual descarado em cima do personagem Solomon Kane, criado pelo escritor Robert E. Howard e presença esporádica nas páginas das HQs do Conan (também cria dele).

Reassisti a esse trailer recentemente, durante a sessão de A Paixão de Cristo, e conferi uma reação bem interessada do povo que lá estava. Os sustos, a princípio óbvios, parecem funcionar melhor na tela grande. A maior prova disso é a última seqüência do trailer, naquela hora que Helsing e Anna (a deliciosa Kate Beckinsale) olham pra dentro do poço. O susto é previsível, mas totalmente funcional... Por quê nós somos assim? :D


É isso aí que sai do poço...


Helsing e um Mr. Hyde sem um braço


Vampirinha dando uns rasantes

Van Helsing já está na boca do forno, com estréia mundial prevista para 7 de maio. Pode ser arrasador (65%) ou uma bomba daquelas (35%).

Todos esses trailers estão disponíveis para download bem aqui, em formato Quicktime. No próximo post, uma olhada mais "de perto" no último trailer de Homem-Aranha 2...

Post ao som de A Garage Dayz Nite, do Beatallica

Fui!!