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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Eu podia tá matando


Arrancaram Jack Bauer da aposentadoria. Após quatro episódios, já dá pra arriscar os primeiros chutes sobre a oitava temporada de 24: dinâmica mais cadenciada que a habitual, mas diametralmente impactante. E o início é surpreendente. Quando Jack apareceu pela primeira vez, pensei até que fosse um daqueles telefilmes família da Hallmark. Numa cena idílica, o ex-agente brinca com sua netinha enquanto assistem desenhos na TV. Ele parece finalmente levar a vida que sempre quis desde a primeira temporada. É a primeira vez que o vejo começar um desses "dias no escritório" totalmente absorto, descansado, em outro lugar. Curioso. Será um retrato da América atual, exausta de crises, ameaças e más notícias diversas lotando a grade da CNN? Seja como for, não demora até a vida real bater à porta de Jack respingando sangue e pronta para desconstruir o sonho americano, mais uma vez. Na trama, agora em NY, ele investiga uma conspiração para assassinar Omar Hassan, presidente de uma república fictícia simulando o Irã, e acaba cruzando com uma operação da máfia russa envolvendo canisters com urânio enriquecido. Familiar...

Não será fácil chegar ao nível da excelente temporada anterior, mas há várias pistas promissoras aqui. Os destaques até agora: a CTU reativada com tecnologia agressiva, uma desatualizada Chloe O'Brian (minha xodozinha nerd) e, especialmente, Renee Walker. Após um dia inteiro nadando em sangue ao lado de Jack Bauer, a ex-FBI agora é uma máquina de triturar suspeitos. A última cena do quarto episódio arrepiou Jack, eu, Leatherface, Jason e o Dr. Lecter. Essa promete.

Bem sacada a participação de Mykelti Williamson como o novo diretor da CTU, Brian Hastings. Ao que tudo indica, é mais um burocrata carreirista que ainda vai bater muito de frente com Jack. Particularmente, também gostei do retorno da Presidente Allison Taylor (a ótima Cherrie Jones) e da raposa velha Ethan Kanin. Mas fica sempre a torcida pela volta, mais uma vez, de Aaron Pierce e do saudoso Mike Novick.

De ruim: o plot-blackmail de Dana Walsh, analista sênior da CTU. Não dá pra crer que ela ajuda a salvar o mundo num minuto e abaixa a cabeça pra um zé-ninguém no minuto seguinte. Claro, tudo vai depender do background que ela tanto teme, mas, por enquanto, inverossímil. Outra coisa que desceu meio quadrada foi em relação à Kim (aaa... Delisha Cuthbert). Logo ela incentivando o pai a largar tudo pra sair por aí arriscando a vida?

Aliás, pra quem assiste Californication, vai ser meio esquisito ver o maluco Lew Ashby (Callum Keith Rennie) como um dos gângsteres barra-pesada. É só olhar pra cara dele que eu lembro das dúzias de mulheres peladas dançando ao som de Black Label Society...

E finalmente, um Prinze em Nova York. Mal me recuperei da notícia que revelou sua presença na série. 24 é a antítese de tudo aquilo que Prinze Jr. participou na sua vida profissional. Achei que nunca iria convencer como o "superior" de Jack, como noticiaram por aí. E achei também que não convenceria se tentasse parecer durão. Felizmente, não é nem uma coisa, nem outra. No papel do agente Cole Ortiz, ele está na mesma posição que Jack ocupava nas primeiras temporadas. Mas claro, longe daquela ousadia limítrofe: aqui ele é a correção em pessoa, só agindo by-the-book. Mas desde que conheceu Jack já distorceu um pouco seus princípios (por uma boa causa). A boa cena em que ele escolhe a alternativa à trair sua equipe reafirmou a integridade do personagem. Em contrapartida, o lado galã enraizado no ator continua lá, nos momentos com Dana, sua noiva.

Pelo visto, o maior trunfo do Prinze é esse mesmo: encarar o papel com seriedade, sem exageros e, principalmente, sem tentar ser o que não é. Os prognósticos são bons. Da última vez que ele esteve em Manhattan pelos meios pop...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

ULTIMATES ASSEMBLE!


Logo no início de Ultimate Comics Avengers #1, um estarrecido Nick Fury resume o sentimento dos leitores (em geral) após Ultimates 3 e Ultimatum - ambas escritas, ou melhor... excretadas por Jeph Loeb e seus desenhistas sem-mente de estimação. Mais que isso, a cena ilustra o espanto do próprio roteirista Mark Millar frente ao caos instaurado em sua cria mais notória. É a velha e boa ironia escocesa de volta ao batente Ultimate - e pra quem sabe ler, um %@#& é letra. Ainda olhando para um Triskelion em reconstrução, Millar-Fury emenda: "eu sumo por dez minutos e o lugar inteiro vai pro inferno". Pode crer que ele não estava se referindo só ao QG dos Supremos.

Após aquela fatídica primeira edição de Supremos 3 eu achei sinceramente que Joe Quesada estava de sacanagem. Que aquela escalaçãozinha Loeb/Madureira rebuscando toda a tralha noventista da era Image foi mais um plano sórdido do rotundo editor. Autosabotagem declarada para, talvez, enxugar a linha Ultimate, mantendo só o baratinho e rentável Homem-Aranha teen - com entregas sempre no prazo e um comercialmente saudável público unissex. Conspiração demais? Pode até ser, mas nada explica essa line-up sucedendo uma das duplas mais sensacionais dos quadrinhos da última década. E mais uma vez, Quesada e sua gangue fizeram muito bem aos cofres da Marvel e muito mal pro bolso do leitor.

É um baita administrador, vamos combinar. Pode não ser o cara que controla o abre e fecha da carteira, mas é quem a enche. Não fosse ele, a Marvel, se ainda existisse, seria propriedade da Wal-Mart ao invés da Disney. Vi-va.

Mas antes de tecer previsões apocalípticas sobre como a casa do Mickey irá descaracterizar o Universo Marvel ao longo dos anos que virão, vou tentando entender como Millar vai restaurar sua fabulosa sátira ao american way. Porque tá difícil. Mas essa primeira (e curtíssima) edição já traz algumas pistas.


O plot básico é aquele novelão cheio de cliffhangers pontiagudos que Millar fez tão bem nos dois primeiros volumes dos Supremos. Começa com Fury sendo cicceroneado pelo Gavião Arqueiro de volta ao Triskelion ("quase 75% operacional"), não para reassumir seu velho posto, mas para resolver uma antiga merda envolvendo o Capitão América, agora um renegado. Corta para um dia antes. Cap e Gavião estão em perseguição aérea a uma unidade de assalto da I.M.A. (Ideias Mecânicas Avançadas - até onde sei, em seu debut no universo Ultimate). O ato termina com Cap confrontando seu mais clássico inimigo, o Caveira Vermelha, e também com uma revelação-bomba daquelas de fazer o chão desaparecer. Existem novelas na Escócia?

Coube ao artista Carlos Pacheco a difícil missão de substituir Bryan Hitch e dar vazão às epifanias cinematográficas de Millar. Pacheco sempre foi competente, mas vive hoje seu melhor momento, de longe. Da grandiosa capa e do Triskelion de tirar o fôlego na primeira página à sequência de ação desenfreada da metade pro final, o cara foi arrasador. Existe alguma emulação da linguagem visual de Hitch aqui, mas usada como uma ferramenta para deslanchar sua própria dinâmica. Os melhores momentos, claro, são os que trazem recursos mais hollywoodianos (pular com uma moto de um edifício em direção a um helicóptero e uma queda livre sem paraquedas nunca soam cansativos), neste ponto lembrando um pouco a antológica "edição Matrix" do volume um (Ultimates #8).

O texto nem um pouco sutil de Millar traz de volta aquele coice anárquico dos personagens e seu eterno sarcasmo em relação à malaquice republicana dos EUA. Como não podia deixar de ser, o astro principal é o Cap, com as conhecidas frases de efeito reafirmando suas convicções de macho-man militarista ("que tipo de garota é detida por uma bomba?" - adivinhe a autoria e ganhe uma bandeirinha do exército confederado) e seu modus operandi discutível no combate ao terror - vide a cena em que ele joga soldados inimigos desacordados de um helicóptero a trocentos pés de altura com a serenidade de quem põe o lixo pra fora.

A interação com Pacheco destila fluidez e ainda resgata aquelas boas sequências de briga quadrinhística, como no momento em que o Cap leva uma surra homérica do Caveira. Destaque também para o diálogo de Carol Danvers, atual comandante da SHIELD, tentando em vão reconvocar Stark, que está chapado num puteiro bondage.

Uma primeira edição que é um colírio para os olhos e uma injeção de adrenalina para a alma. É Millar no seu mais tradicional: iniciando um arco no auge e cheio daquela energia insana e irrefreável para terminar Deus sabe como. Só não entendi porque mantiveram a infame máscara do Gavião. Apesar dele ter participação ativa nas cenas mais eletrizantes, não dá pra olhar pro personagem sem antes confundi-lo com algum integrante do Youngblood. Provavelmente Millar esteja preparando alguma catarse antes de desmascará-lo definitivamente - bem como a bagunça que fizeram durante a sua "saída de dez minutos" - e talvez assim, deixar de vez os anos noventa lá nos anos noventa.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

RECLAMÃO SUPREMO


É, parei de reclamar da DC. J. Michael Straczynski é a prova viva de que a Marvel pode ser tão nonsense e cruel em suas decisões editoriais quanto a subsidiária da Warner Bros. O pobre Stracza tem sido o alvo preferencial daqueles mini-tiranos (será que aquele arquiinimigo dos Micronautas descolou um emprego da hora na Casa das Idéias?). Estreando com toda a pompa de "ex-escritor de Babylon 5" - bom programa, por sinal -, logo caiu nas graças dos exigentes fãs do Aranha, onde escreveu muito tempo e culminou lá em fases ruins (nas quais até o defendo... isso nada mais é que barrigada, falta de renovação, inépcia, negligência administrativa). Paralelamente, ele reafirmou seu talento na memorável fase inicial de Poder Supremo. Releitura instigante, realista e gráfica da Liga da Justiça, a série ganhou spin-offs menores e, já fora da linha MAX, emendou numa competente seqüência PG-13.

Stracza rendeu grana e elogios ao clube. Mesmo assim, foi o bode expiatório num lance polêmico (pra dizer o mínimo) que desembocou em sua contratação pelo time adversário. Um final melancólico, nada surpreendente e que, a julgar pelo que se viu em Confronto Supremo e nesta estréia de Squadron Supreme 2, ainda não terminou.

Primeiro, algumas considerações com spoilers sobre Confronto Supremo, que atualmente está sendo publicada aqui em Marvel Millennium: Homem-Aranha --

A minissérie é dividida em nove partes, sendo as 3 primeiras de Brian Michael Bendis, as 3 seguintes de Straczynski e concluindo com 3 do Jeph Loeb. Começou até bem(dis) na trinca inicial, antecipando o que seria o embate Vingadores x Superamigos definitivo, e melhorou absurdamente com um texto inspirado e impagável do Stracza. Mas, numa queda dramática de qualidade e bom-senso (parece até perseguição, mas juro que não é), virou o samba do alemão doido pelas mãos do Loeb.

Evidente que os créditos negativos não são exclusivos do J.Lo, mas ele ficou com a missão ingrata de roteirizar o destino ridículo de alguns personagens. Resumindo bastante: a serial-maravilha Zarda migrou pro Ultiverso e Nick Fury L. Jackson, milagrosamente com dois braços, foi rebaixado a vilão e despachado pro universo do Esquadrão Supremo (Terra-31916).

Afe.


Squadron Supreme 2 começa com um gap de cinco anos após Confronto Supremo. Nesse meio-tempo, o Esquadrão se dissolveu, sendo que Hipérion e Dr. Espectro desapareceram sem deixar vestígios. Com dor-de-cotovelo, a mídia passou a exaltar entusiasticamente os feitos de pessoas comuns, sem super-poderes. Mesmo uma expedição lunar ganha destaque estratosférico (ops), especialmente depois que a tripulação retorna na surdina, sem dar declarações à imprensa. A gostosinha Arcanna Jones agora presta serviços quânticos para líderes religiosos, enquanto Nick Fury e Emil Burbank (que estavam em cana) aparentemente deram a volta por cima e viraram oficiais da inteligência norte-americana. Nas ruas, eventos estranhos indicam que uma nova onda meta-humana está se formando no horizonte.

Ao mesmo tempo em que os astronautas se revelam uma nooooova versão do Quarteto Fantástico, os outros personagens estreantes também não fogem à regra. Nesta primeira edição, temos um Capitão América munido com um rifle, capacete da Primeira Guerra e literalmente enrolado na bandeira americana. E temos também a tal Arachnophilia, que deve ser a bilionésima variação feminina do Spidey. E assim o Universo Supremo vai abandonando seus dias de subversão do Universo DC para se tornar uma versão alternativa da própria Marvel. Como se fosse uma última pá de cal em cima da passagem de Straczynski pela casa.

Sem grandes destaques para a arte irregular do italiano Marco Turini. Desleixada para os padrões do circuitão, ainda está bastante atrelada às suas incursões na porno-erótica (parecia que a qualquer momento ia rolar uma mega-suruba na história). Imagina o Carlos Zéfiro na Marvel desenhando super-herói... é mais ou menos por aí.

Por fim, um alento: quem assina o roteiro é o sumido Howard Chaykin (lembra de American Flagg!?), um sujeito normalmente competente, criativo, com timing afiado e especialista em coordenar cenários de caos sócio-político, o que é bem o caso aqui. Contudo, encarar esta edição é como mergulhar de cabeça no olho de um furacão. Com vários elementos novos ainda inexplicados, informações fragmentadas e um completo reboot daquele mundo que nós conhecíamos e amávamos (a Zarda principalmente...), o resultado não poderia ser outro senão ter que aguardar pacientemente no escuro até o próximo capítulo.

Pelo menos não é o Loeb aqui. Afinal, ele ainda está nos Ultimates.

Ah é, ele está nos Ultimates! Ah nããoooo...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO HULK


Parece que a notícia do dia nos meios pop quadrinhísticos (quiçá cinematográficos!) foi Edward Norton embebido em radiação gama para o próximo filme do Hulk. Norton é um dos melhores atores de sua geração e sua presença neste projeto com certeza muda, e muito, a percepção geral sobre o que virá a ser o filme. O primeiro longa foi bastante criticado, principalmente pela intensa carga dramática conferida pelo diretor Ang Lee (não inesperadamente: ele cansou de repetir que faria uma "tragédia grega", nestas palavras) - do lado de cá, acredito que este primeiro momento foi absolutamente necessário antes de qualquer outra coisa.

Mas a história se repete - se antes a novidade insólita foi a toda-boa Jennifer Connelly, agora é a vez de Norton garantir uma atuação de alto nível e, porque não, ser um baita chamariz de público (principalmente após a moralzinha mais popularesca adquirida via O Ilusionista). Tomara que não seja pedir demais que La Connelly retorne ao cast, juntamente com o grande Sam Elliot. Eu até ajudo a pagar.

Se alguém tem experiência em dupla personalidade é Ed Norton. A primeira vez que vi o sujeito foi em As Duas Faces de um Crime, com Richard Gere estrelando. O thriller era meia-boca toda vida até seus dez minutos finais, quando é revelada a presença de um monstro gigante em cena. Quem assistiu o filme na época saiu atropelado. Na ocasião, Norton saiu recolhendo indicações - Oscar incluso - e prêmios a rodo (conta quantas vezes aparece o nome dele aqui). Já em Clube da Luta, seu alter-ego, o paranoid Tyler Durden, era uma força anti-sistema de caráter (auto-)destrutivo. E o Hulk não é nada mais que uma simbologia grotesca e per se deste mesmo conceito.

A verdade é que daí pode sair qualquer coisa (até mesmo o primeiro nuke da filmografia de Norton), mas ao menos há uma certeza: Bruce Banner nunca esteve tão próximo de seu sociopata interior.


No final de 2005, "todo mundo" foi aterrorizado pela imagem acima. Até então, só sabíamos que uma das tretas mais clássicas dos quadrinhos - Wolverine contra Hulk, gafanhoto! - ganharia sua versão no Universo Ultimate, onde tudo vale, tudo é permitido, de golpe abaixo da linha da cintura a dedada no olho. Mas ninguém estava preparado pra isto, for Christ's sake. Viajando pela web como parte de um preview da história, a força dessa imagem foi um trampo marketeiro de primeira linha. E reflete à perfeição o que é a Marvel Comics sob a gerência de Joe Quesada, para o bem ou para o mal. O fato é que a mesma foi o papel de parede de todos os computadores que usei na época. Já vinha em resolução 1024x768 mesmo. Fui fisgado legal, admito.

Aí saiu a primeira edição. A primeira de uma minissérie de seis. Fevereiro de 2006. Escrita por Damon Lindelof, co-criador e roteirista de Lost, e desenhada pelo excelente Leinil Francis Yu, de Superman: O Legado das Estrelas. Nada mal, hein. No mês seguinte (março, pra constar), houve um apagão e nada da revista. Tá, era bimestral. Beleza. Em tempos de Evil That Men Do, Daredevil: Father e Ultimates 2, a paciência virou a maior das virtudes. Em abril, ueba, lá estava a HQ seguindo seu curso na 2ª edição.

E foi a última vez que a vi.

Atualmente, Ultimate Wolverine vs. Hulk jaz em alguma geleira próxima daquela em que o Capitão América foi resgatado. Ou em algum ponto obscuro da ilha de Lost, onde nem os Outros se atreveriam a chegar. A história do atraso desta 3ª edição virou lenda urbana nos meios editoriais. Primeiro, ela foi re-solicitada para maio. Após, teve lançamento oficial agendado pra 12 de julho e nada aconteceu. Re-solicitada novamente para 9 de agosto, e na seqüência para 20 de setembro, 25 de outubro e, mais uma vez sem sucesso, para 27 de dezembro. Por fim, foi anunciado seu cancelamento provisório até que todas as edições restantes estejam completadas.

Eu nem ligaria se fosse, p.ex., o Aranha Ultimate de Bendis/Bagley. Mas o que acontece aqui é justamente o contrário. Ultimate Wolverine vs. Hulk estava se encaminhando pra ser uma das coisas mais divertidas publicadas nesta década. As duas únicas edições são um tour-de-force irresistível de humor negro e boas sacadas.


A premissa é aquela mesma juramentada e sacramentada pelo universo normal dos personagens - a SHIELD quer a cabeça do Hulk numa bandeja e vê em Wolverine a saída mais prática pra resolver a parada. A seqüência insanamente gore do Wolvie sendo partido igual Doritos vem logo nas primeiras páginas, já entregando a disposição monstruosa de Lindelof/Francis Yu. Depois disso, corta pra alguns dias antes, quando Nick Fury tenta convencer Wolverine... pensando bem, "convencer" não foi bem o caso.

Fury: "Você fará, Logan?"
Wolvie: "Yeah. Eu farei."
Fury: "Eu não tenho de ameaçar você? Te dar uma moto multi-milionária? Te oferecer um pedaço do seu passado misterioso?"
Wolvie: "Você disse que ele é durão. Vai ser divertido."

Nesse interím, o Hulk/Banner (que saiu vivo da execução termonuclear vista em The Ultimates 2 #03), fez uma excursão literalmente devastadora por vários países da Europa e acabou desembocando no Tibet atrás de paz interior. Como sabemos, o Hulk Ultimate é cruel até a medula óssea e seus acessos de fúria não perdoam ninguém. Só mesmo alguém da linhagem sagrada do Dalai Lama poderia ajudá-lo... no caso, este seria o Panchen Lama e é aí que eu paro porque a cena é hilária e não dá pra revelar mais.

No frigir dos ovos, a última coisa que nos resta é a esperança. Miremos no exemplo da lendária 13ª edição de Ultimates 2 que está aí, na boca do caixa, com shots descaralhantes de páginas óctuplas aquecendo a chama que existe em nossos corações. Raspas e restos me interessam. Não tenho dignidade, pois sou fã de HQs. E como Leinil Francis Yu não é de dar satisfações, vou de Ed McGuiness mesmo.




Na edição #50 de Wolverine, McGuinness e o irregularzão Jeph Loeb mandam um 'curta-metragem' bastante divertido, onde Wolverine relembra detalhes aparentemente não divulgados de seu primeiro encontro com o Hulk, logo na estréia do baixinho canadense.

A referência é clara e evidente. Leinil & Lindelof (parece dupla sertaneja) até constam nos agradecimentos, mas o modo como a história termina é particularmente sugestivo. Só espero que não seja uma alusão ao destino da mini.


Pelo menos, terei alguma distração durante a espera. Como a "batalha do século", por exemplo.



...que por acaso é revanche. Hulk já perdeu uma vez pro Raio Negro. Quero ver agora, no jogo de volta.




Se o novo confronto for tão sóbrio quanto este...


Edward Norton em Hulk 2... surreal.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

ULTIMATE CHICKEN LITTLE


Os Supremos 2 (Ultimate Avengers 2: Rise of the Panther, 2006) é uma boa oportunidade para testemunhar as misteriosas forças da Lei de Murphy em ação. Assim que terminei de assistir, deu vontade de arquivar o DVD numa pasta de evidências e aguardar pelas edições dos Supremos na versão de Jeph Loeb e Joe Madureira. Impressionante como tudo anda conspirando contra, de uns tempos pra cá. É o verdadeiro Pesadelo Supremo. Vou ficar fazendo gênero não: esta segunda adaptação animada dos Vingadores Ultimate é fraquinha com gosto de gás. Pior que cerveja miada. Mas justiça seja feita, não foi propaganda enganosa. Os previews e teasers divulgados continham algumas cenas pseudo-violentinhas, mas no geral não transmitiam a ação vertiginosa e produção bem-sacada que se espera de um calhamaço assumidamente pop como esse. Isto aqui tinha de ser um desenho blockbuster dirigido Michael Bay, oras. Podiam até reaproveitar a malaquice imperialista de Bad Boys 2, Armageddon, etc.

O primeiro longa já era bastante convencional na estrutura, mas adotou as matrizes da HQ com uma fidelidade animadora. Por simpatia a isto, descontei a burocracia da narrativa e fiquei até esperançoso quando soube que a continuação estava sendo produzida logo na seqüência. "Talvez dêem um passo adiante, desenvolvendo as boas qualidades desta 1ª adaptação, aproximando o conceito da geopolítica hardcore dos quadrinhos e assimilando um pouco do senso de humor doentio do texto original. Nada muito radical, claro... não queremos traumatizar os molequinhos que acabaram de comprar a lancheira do Capitão Ultimate", pensei demoradamente eu, como se pertencesse ao staff de Os Supremos 2.

No fim, acabei me sentindo como o Rambo, quando foi abandonado pelo helicóptero de resgate em pleno território inimigo. Nada mais apropriado, aliás. Por vários momentos, Os Supremos 2 lembra a série animada do Campeão da Liberdade. Holy cow.


Adaptado por três, dirigido por dois e supervisionado por um, o desenho tem até uma boa seqüência de ação isolada com o Cap enfrentando alguns soldados da Hydra (cuja participação pára por aí mesmo). A maior parte da história se passa em Wakanda, reino africano ultra-avançado, rico em vibranium e governado por T'Challa, mais conhecido como Pantera Negra. Wakanda está sofrendo sistemáticos ataques dos alienígenas Chitauri remanescentes do primeiro desenho, o que leva o Pantera a solicitar ajuda a SHIELD e, por extensão, dos Supremos. O interessante é que nos quadrinhos não existe uma versão ultimate do Pantera Negra e devido ao forte tom político do personagem, em tese, até seria uma boa idéia sua introdução neste universo. Mas conseguiram a proesa de estragar tudo.

Não só descaracterizaram completamente o herói ("pedir ajuda a SHIELD"... bah!) como também o reino de Wakanda, supostamente dona de uma tecnologia de anos à frente do resto do mundo. Visualmente, Wakanda parece uma civilização asteca cheia de máquinas terceirizadas extraindo o raríssimo vibranium. Uma reserva indígena cujos recursos naturais estão sendo saqueados por alguma gigante corporativa. Lembra tudo isso e não faz a mínima questão de parecer o contrário. Justamente o oposto do que o personagem e sua simbologia atual significam.

Só pra ficar na parte dos quadrinhos, o Pantera aqui tem poderes místicos ancestrais e pode se transformar em um "panteromem" - uma transposição direta do Coal Tiger (o príncipe T'Chaka II, filho de T'Challa no universo A-Next). Como se o herói original não fosse suficientemente atrativo. Ou, mais provável, como se não houvesse talento suficiente à mão para mexer com um personagem tão complexo.


O resto do super-time mantém o ar de tosqueira enlatada feitas às pressas. Os heróis são robóticos, desinteressantes, chatos e sem química alguma. Por Zeus, até aqueles guris enjoados do Capitão Planeta tinham química. A campeã disparada é a Viúva Negra. Se no primeiro desenho a atriz Olivia d'Abo nos presenteou com o sotaque mais canastrão da História Contemporânea, aqui ela eleva seu russíngrish a novos patamares. Impressionante. Já o Thor fanfarrão de outrora (quase um Hércules animado) perdeu toda aquela falastronice e senso de humor. Não satisfeitos em terem o transformado num bucha de primeira linha, ainda colocaram o cara pra jogar runas em Stonehenge como se fosse um pai-de-santo jogando búzios no Pelourinho.

Pra não dizer que ninguém se salva, os belos atributos da Jan Vespa Pym a deixaram com o pé mais na América Latina que na Ásia. E Tony Homem de Ferro Stark é de longe o mais carismático e faz a festa com brinquedinhos de última geração e armaduras de várias fases (o Máquina de Guerra em ação é muito bacana). Parece ser o único desenho com alma por lá.

O roteiro é de lascar. Bruce Hulk Banner é desperdiçado até a última célula gama e Herr Kleiser é outra vez o vilão. Avemaria. Naves aliens com design de insetos, um campo de energia cobrindo o planeta (Manual da Invasão Alien, capítulo 5), Kleiser se transformando num monstrengo gigante na seqüência final (capítulo 3), enormes pods atacando os grandes centros (prefácio)... Qualquer episódio de Defensores da Terra dá de 10 nesta clicherama empilhada. Nem a morte de um dos mocinhos causa impacto após 73 minutos de letargia criativa.

No geral, bocejei tanto que quase desloquei a mandíbula. A vida é assim mesmo. Uns escrevem um texto sensacional sobre uma animação maravilhosa, outros se sujeitam a roubadas como Os Supremos 2.

Mas fora o alívio dos créditos finais (em todos os sentidos), existe alguma razão para conferir este disco? Ooh, temo que sim, caro padawan...


Não perca tempo e vá direto aos extras, na parte "Quem são os Supremos?" Lá, o escritor Mark Millar e o artista Bryan Hitch dão uma geral no processo criativo dos volumes 1 e 2 dos Supremos. Quem considera os Vingadores Ultimate o melhor quadrinho desta década, eu diria que é, bem... não consigo me decidir entre "obrigatório" e "imperdível"... E quem apenas curte quadrinhos em geral, a importância disto aqui é praticamente a mesma - os comentários do editor-chefe da Marvel, Joe Quesada (maior jeitão de fanboy metido e que não empresta revista), as frases sempre políticas do editor Ralph Macchio (realmente não é o Daniel-san) e do producer Avi Arad tornam o semi-documentário um Roda Viva de quadrinhólogos numa troca de idéias e impressões que não se vê todo dia. Não neste nível tão avançado. É só fera.

Claro que é um deleite ouvir Millar e Hitch destrinchando cada personagem, cada inspiração, motivação e conhecimento de causa, com uma montagem entrecortando os melhores momentos da revista. No entanto, o momento principal e o que fez valer-valer-valer a assistida, não poderia ser outro. Nas palavras de Millar:


"Há uma cena no Volume 1 na qual o Capitão América, que tem um grande "A" de América na testa, está batendo num vilão no final, antes da explosão final,
e o vilão pergunta a ele: 'Quer se render, Capitão?' (...)"


...e aí o roteirista segue tentando analisar toda a polêmica com uma cara-de-pau invejável (e piorando tudo, pois seu cinismo é mais palpável que muro chapiscado), Macchio botando panos quentes e Quesada grunhindo uma interessante variação de "shit happens". Mas o comentário mais impagável fica por conta de Hitch...

É... o Capitão Ultimate jamais será o mesmo.


Na trilha: Dawnrazor, Fields Of The Nephilim.

quinta-feira, 2 de março de 2006

THE LIGHTMATES


Dessa vez eles se mexem. Tudo bem que não é aquela movimentação hiper-realista com que eu vivo sonhando desde Akira, mas está longe de lembrar aqueles desenhos desanimados dos anos sessenta. Logo nos primeiros instantes de Ultimate Avengers: The Movie (2006), não fica difícil imaginar que esta não é uma adaptação lá muito fiel. Sem chance de comparecer toda aquela malaquice anti-republicana, anti-democrata, anti-globalização, anti-Mac Donalds, anti-Marvel, anti-DC, anti-Bono Vox e anti-atitude-de-ser-anti-alguma-coisa, que fez a fama dos Supremos de Mark Millar e Bryan Hitch (já sinto saudades). Nada de Capitão América apontando o dedo pra cara de algum infeliz e sentenciando "son... you're goin' down", Hank Pym cobrindo Janet de bolacha, muito menos do Hulk vociferando que tá morrendo de tesão e que vai catar Betty Ross a todo custo. Ficou só a estrutura antenada da concepção Ultimate. O inusitado era saber como os Supremos se sairiam jogando pelas regras do standard que tanto debocharam nos quadrinhos.

A direção ficou a cargo de Steven E. Gordon e Curt Geda, que é profissional do ramo. Ele tem no currículo bons episódios de X-Men: Evolution (sim, eles existem!) e do interessante Projeto Zeta, além do excelente Batman do Futuro: O Retorno do Coringa.

A adaptação tem início em 1945, mostrando a última e fatídica missão do Capitão América na 2ª Guerra. Durante a batalha, Cap descobre que os nazistas tiveram uma mãozinha da perversa raça alienígena Chitauri em seu suporte tecnológico. Daí em diante, a história clássica retoma o curso: ao impedir a trajetória de um míssil intercontinental nazista, Cap cai nas águas geladas do Atlântico Norte e vira picolé de bandeira americana até os dias atuais, quando é resgatado pela SHIELD em perfeito estado criogênico. Reincorporado ao esforço de guerra norte-americano, Steve Rogers (o Cap) passa a fazer parte de uma nova linha de defesa pós-humana, que conta com outros integrantes também com "talentos" fora do comum: Hank Pym (a.k.a. Gigante, um cara que cresce), sua esposa Janet (a Vespa, que encolhe, cria asas, solta buscapés e não paga peitinho na versão animada), Natalia Romanoff (a Viúva Negra, aqui chamada de Natalia mesmo, em vez de Natasha), a supervisora de pesquisas Betty Ross e o Dr. Bruce Banner (esse dispensa apresentações).


Entre os relutantes com postura de participação esporádica, estão o bilionário Tony Stark (o Homem de Ferro) e o filho de Odin e ativista de plantão Thor. Clint Barton (Gavião Arqueiro), Pietro e Wanda Maximoff (respectivamente Mercúrio e Feiticeira Escarlate) nem chegaram a ser citados.

Ainda em fase de testes e sob a batuta de Nick Fury, diretor da SHIELD, o supertime encara a missão de escorraçar a ameaça alienígena de uma vez por todas, enquanto tenta lidar com a instabilidade emocional de Banner e de seu alter-ego indócil.

Apesar de ser ligeiramente acima da média, Ultimate Avengers deixa claro que uma animação com boa qualidade técnica não passa de um preciosismo dispensável para a indústria americana. É tudo tão padronizado, tão pré-moldado, que eu acho até que deve existir algum plug-in pra Photoshop que reproduz aqueles cenários fielmente. A fisionomia dos personagens segue o tal standard e remetem a qualquer sessão animê matinal de sábado. O que é um grande desperdício, se pensarmos que tudo foi baseado no conceito original criado por Bryan Hitch, um dos melhores desenhistas de quadrinhos da atualidade. Sem contar que isso revela uma absurda falta de timing e criatividade para criar muito com poucos recursos.

Digamos que cada frame adicional incrementaria sobremaneira uma animação, mas custaria os olhos da cara para os produtores. Sem problemas. Gente inspirada e inovadora como Genndy Tartakovsky (Samurai Jack, Star Wars - Clone Wars), Bruce Timm (Batman, Justice League Unlimited) e os artesãos shaolin da cultura anime, estão acostumados a tirar água de pedra, trabalhando e até utilizando longos quadros estáticos ao seu favor (retratando, p.ex., um momento de suspense). Até mesmo a relação estreita com a sétima arte já rendeu momentos memoráveis, como a despirocante série The Maxx, criada pelo insano Sam Kieth como se fosse uma transposição literal, mantendo o mesmo traço estiloso que fez a sua fama nas HQs.

No caso, sobraram apenas algumas cenas inspiradas no original, como essas aqui - pra quem acompanhou as histórias, fica quase irresistível a releitura das revistas.

Claro que pensar em Hitch como o ilustrador da adaptação é querer demais (se já é difícil ele manter a regularidade nas HQs...). Mas nos créditos finais, com uma seqüência de seus desenhos para a revista, transparece que esta talvez tenha sido uma possibilidade cogitada. No entanto, voltamos à questão do orçamento à toque de caixa, do lançamento em esquema direct-to-dvd (inequívoco sinal de estratégia mercadológica) e do "risco-Ultimate", que pesa o custo-benefício de se levar ao alcance das crianças um produto mais sofisticado que o bê-a-bá Stan Leeano (sem ofensas, mestre!).


Ultimate Avengers não reedita o tsunami anárquico das HQs e se o fizesse seria a animação mais revolucionária dos últimos dez ou quinze anos. Calma, fãs de A Viagem de Chihiro, Cowboy Bebop, Metropolis e Steamboy, já explico. Imagine essas HQs como um veículo pop, já que são produzidas por uma major editorial como a Marvel Comics ("não exatamente um bastião anti-capitalista"). O conteúdo polêmico que Mark Millar criou para os Supremos, apesar de se ater mais à geopolítica internacional, também critica furiosamente o próprio sistema do qual a editora faz parte. Isso pra não falar da veia "Nelson Rodrigues" existente na HQ - por si só, impublicável. Toda essa pólvora temática disseminada em um veículo ainda mais pop e sendo vendida aos lotes em gigantescas megastores, seria como a mordida final que o sistema daria no próprio rabo. Uma justiça poética que arrancaria um sorriso maquiavélico de Millar.

Teorias de conspiração à parte, Ultimate Avengers até que se sai bem como aventura descompromissada PG-13.

Apesar de exageradamente curto (72 min.), o desenho sintetiza de forma eficiente as tretas nazi-alien-Hulkísticas que a equipe enfrentou em seu 1º volume nos quadrinhos. Alguns designs foram até melhorados, como os porta-aviões aéreos, os aliens e as naves chitauri (que deixaram de ser arremedos de ID-4). Após uma lerdeza inicial, a ação fica mais solta, dinâmica, e finalmente se vê a influência de todos aqueles nomes nipônicos enfeitando os créditos finais. Um bom exemplo é a segunda vez que o Cap atira seu escudo em um alvo múltiplo (gesto tão tradicional quanto o Clark voando com o braço esticado na frente ou o Parker lançando teias). Bem melhor que da primeira vez. Outras nuances foram perfeitamente traduzidas, como a tragédia pessoal/temporal do Cap (que, estranhamente, não contou com a simbólica olhadinha na bandeira do original. Eu, que nem sou americano, achei um vacilo - mas acho que é só meu lado Michael Bay falando).

Hank Pym não faz Janet de sparring, mas a tensão doméstica existe e nota-se claramente que o cara não vale um copo de cachaça. A Viúva Negra, por outro lado, ficou tão gostosa quanto artificial, tendo como maior atrativo o sotaque russo canastrão. Já Nick Fury continua linha-dura e controlador - e é compreensível que ele não tenha herdado o famoso visual L. Jackson, mas bem que poderiam ter chamado o ator pra fazer a dublagem. Seria perfeito e ele já disse até que é fã dos quadrinhos. Tony Stark, do alto de sua playboyzice no jet set internacional, ficou bastante carismático. Pena que ele aparece muito pouco sendo Stark. E por falar em aparecer pouco, Thor consegue dar o recado apesar da participação reduzida e protagoniza a cena mais engraçada do filme ao recusar a oferta de Fury. Aquilo lá ficou muito melhor que na HQ...


O momento mais esperado, claro, é o inevitável confronto contra o Hulk. Não decepciona. O Golias Verde (aqui, Golias Eucalipto) arrasa naves chitauri, nocauteia o Gigante duas vezes, esfrega o chão com a cara do Cap, destroça o Homem de Ferro e até faz o Thor sentir o gostinho de levar com o Mjolnir na cara. Exagero bacana!

Talvez o maior defeito de Ultimate Avengers seja a falta de um target mais preciso. O principal vilão da HQ, o impiedoso Ming... digo, Herr Kleiser (um alien travestido de milico nazi), só aparece no comecinho e dali por diante figuram apenas aliens operários e anônimos. Fica uma certa ausência de clímax. Isso sem contar nas cenas em que a Viúva dá em cima do Cap. Muito forçado, e pra quem está acompanhando as últimas edições americanas da HQ soa mais absurdo ainda.

Dá pra afirmar que essa é a melhor adaptação animada de personagens da Marvel. É um passo à frente no que tem sido feito até então. E a conclusão indica que algo interessante pode rolar mais pra frente. Mas a sensação que fica é que poderia ter sido muito melhor - principalmente após o alto nível estabelecido pelas animações da Divina Concorrente.


Na trilha: CD I, do classudo Nightingale. Sabe, revendo os últimos posts... acho que vou mudar o nome do blog pra Zombie Ultimate.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

HOUR CONCOURS


Antes de começar o post, devo informar que vou falar sobre todo o volume 2 de Ultimates até a nona edição. Aqui no Brasil acho que só publicaram a primeira ainda. Spoilers a granel, portanto.

Doggma registrou ano passado um depoimento de Mark Millar afirmando que um filme do arco Wolverine: Enemy of the State, que ele escreveu e John Romita Jr desenhou, teria um orçamento de 300 milhões de dólares. Brincou também dizendo que as proporções astronômicas do arco seguinte, Agent of S.H.I.E.L.D., duplicaria este orçamento se fosse filmado e colocou esta figura para dar uma idéia. Quase um ano depois temos The Ultimates v2 #09, também roteirizado por Millar, só que com o ultra-realista Bryan Hitch no lápis (sem desmerecer Romita Jr. de qualquer forma – ele é phueda demais, mas com outra proposta) e fica claro que o mega-roteirista tem uma tara secreta pela queda dos aeroporta-aviões "shieldianos", como pode ser visto na imagem acima: praticamente uma revisão do mesmo tema. Peguemos então as considerações a respeito do orçamento dos filmes do Wolverine e consideremos que o mesmo estaria para um filme dos Ultimates V2 como um Xuxa e os Duendes estaria para Senhor dos Anéis.

Não dá para apenas reverenciar Hitch em duas palavras no meio de um parágrafo. Certamente o roteiro de Millar é o maior responsável pelo sucesso dos Ultimates, mas estaria blasfemando se dissesse que é responsável único. A arte de Bryan Hitch, mesmo que constantemente atrasada, é de um realismo cinematográfico. Os enquadramentos, splash pages, seqüências, dinâmicas e fisionomias são embasbacantes, e ainda permite-se fazer citações claras a diversos filmes como, por exemplo, O Silêncio dos Inocentes. Assim como Millar, Hitch também parece que desenha tendo todo o arco de eventos na cabeça, capaz inclusive de realizar contrastes que cruzam várias edições para serem percebidos; visão que não é própria de qualquer artista por aí não.


Triskelion antes e depois do puxadinho (#1 e #9)

O volume 1 dos Ultimates já havia sido algo absurdamente impressionante no sentido de que tem sido difícil encontrar material deste nível dentre as HQ's mais – digamos – comerciais. Sim, temos coisa muito boa acontecendo por aí (destacando-se o samba do crioulo doido ocorrendo na DC, Supreme Power, Demolidor, Astonishing X-Men – segundo arco - e, como pôde ser visto no post abaixo, New Avengers), mas a maioria é concentrada em 4 ou 5 roteiristas que trabalham mais tempo do que as tais 24h que, dizem por aí, compõem um dia. Se pegarmos tudo que é publicado nesta linha (eixo comercial Marvel/DC, repito) por mês, a quantidade relativa de material extraordinário deve ser bem pequena.

Com isto, sempre que algo muito bom surge no horizonte, sentimos como quando aquela mulé muito-gata-arrasa-quarteirão enlouquece e se exibe contigo na rua, o que torna natural a expectativa ferrenha pela continuidade do sonho. A primeira temporada ainda tinha a preocupação de apresentar os personagens e dar um mínimo de background para cada um deles antes da porradaria desenfreada. Agora, um ano depois daqueles eventos, houve uma queda de ritmo sugerindo que a cadência seria mais light. E, cara, que orgulho de dizer que estava enganado! Não sei se alguém percebeu mais acima, mas ao invés de chamar o volume 2 de arco, classifiquei-o como temporada, o que me leva a dizer que Millar está sendo vanguardista numa forma de escrever quadrinhos como se fossem temporadas de tele-séries. Um tema que toma conta de um ano inteiro com eventos paralelos plenos e estufados de verossimilhança para dar mais gosto à massa, tudo isto com um paralelo político contemporâneo digno de palmas.

E as influências cinematográficas não param nos exemplos dados. Fora a primeira edição, sem título, todos os outros são cópias de títulos do cinema ou adaptações dos mesmos ou de outras mídias populares. Lidos em seqüência, praticamente contam a história por si só:

#2 - Dead Man Walking – referência a Os Últimos Passos de um Homem, filme com Sean Penn que mostra um homem condenado esperando o tempo passar no corredor da morte.

#3 - The Trial of the Incredible Hulk – Referência óbvia.

#4 – Brothers – Referência a filme homônimo que denota a existência de outros que nem eles.

#5 - The Passion Play – referência a uma peça homônima que representa a Paixão de Cristo.

#6 - The Defenders – O único caso que não achei referências.

#7 - The Wolf in the Fold - Referência à fábula do lobo em pele de cordeiro.

#8 - Born on Forth of July – Filme com Tom Cruise, mostrando o descaso pelo ex-combatente.

#9 - Grand Theft America – que é uma referência à cidade tomada pelos bandidos de Grand Theft Auto – o jogo.

Pois pergunto: como é que Millar consegue escrever o que escreve, vender aos borbotões e ninguém dizer o cara é um terrorista em potencial? Na temporada anterior já pintara um Capitão América que é o perfil comportamental da classe que comanda os EUA e sua relação com o mundo, agora toda a equipe e os eventos que participam tornam a visão mais sistêmica, abrangente, pintando os EUA como um elefante imenso em desabalada carreira, numa inércia impossível de conter. Todo o cenário faz companhia à postura intempestiva, autoritária e egoísta do personagem, dando ainda mais sentido de "vejam como eles são féladaputas" ao chamar atenção para as operações do grupo não mais restritas ao solo americano e aguçando os ouvidos da mídia.


Ihhh... Fodeu!

E é esta a linha principal: Ultimates sendo usados como milícia na defesa dos interesses norte-americanos onde quer que seja, mas de preferência onde não possam se defender e tenham algo de valor para ser tomado. Na tangente surgem diversas sub-tramas que, aparentemente, não têm como se cruzar, mas rapidamente nos surpreendem e vemos que tudo tinha que ser como está sendo mesmo e somos completamente tapados por não termos percebido antes! Elementar, meu caro Zombie-son!


"Algumas pessoas dizem que The Ultimates acabaram de passar um
pouco dos limites e usaram uma pessoa de destruição em massa
em um delicado caso político internacional."


Larry King – The Ultimates v2 #1


Parêntese: curioso notar como um personagem criado para envergar uma causa nacionalista legítima na aurora dos quadrinhos é chamado agora de "pessoa de destruição em massa", encarnando tudo de ruim que temos no direcionamento da postura americana.

Voltando: Por alguns momentos, como dito um pouco acima, chegamos a acreditar que as histórias paralelas, apesar de fantásticas independentemente, não teriam como convergir em algum ponto futuro de forma perfeitamente satisfatória e coerente, mas em 26 páginas da nona edição todos os nós são atados, mostrando que nada do que aconteceu até então foi gratuito. Vemos, depois de tropeçarmos em nosso queixo no chão, todo o cenário de conspiração global que sempre quisemos ver em qualquer veículo de entretenimento e ainda podemos brincar com novas questões nas próximas 3 edições. Mark Millar deve ser um enxadrista de mão cheia! Definida a linha central, para chegarmos ao que acontece na estrondosa nona edição, cabe um resumo do que aconteceu até aqui.

Senão vejamos: Após a ação no Oriente Médio, onde os Ultimates libertaram alguns reféns americanos, além da frase de Larry King acima, temos também Thor dizendo que a operação no Iraque ocorrida sob a bandeira de ajuda humanitária é, na verdade, um golpe publicitário para trazer a opinião pública para um lado favorável. Sugere que servirá para quando forem necessários futuros ataques preventivos.

Com o alerta de sacanagem no ar, surge a linha que coloca Thor em posição de louco megalômano tarado por teorias de conspiração – e aqui Millar brinca não só com a percepção que os personagens têm do Deus do Trovão, mas também embaralha qualquer coisa que nós, leitores (ou espectadores, as you wish) possamos vir a pensar. Quando lerem a estória onde acontece o almoço com Volstagg, reparem bem na figura asiática de verde que passa ao fundo.


Tá vendo a merda acontecendo?

Somos envolvidos, aparentemente sem motivo, nos problemas na relação entre Steve e Janet, narrados com propriedade ácida rodriguiana (assim como a sugestão da relação incestuosa entre Pietro e Wanda), ao passo que percebemos o acentuado isolamento de Hank Pym (humilhado, encostado nos Defensores e encoxando uma defensora pré-púbere) e Bruce Banner. Este último ainda coloca indiretamente mais óleo para a fritura de Thor, acusado de ter vazado as informações a respeito da natureza do Hulk e sua ligação com os Ultimates. Em paralelo, temos a informação de que há mais de dezoito meses os europeus vêm trabalhando no seu exército de super-soldados, dando pela primeira vez conotação de "corrida armamentista".


"A única coisa que precisam fazer é dizer 'armas nucleares' e vc sai
correndo para lutar contra quem quer que seja ao lado deles.
Suponha eles achem que a China é uma ameaça daqui a alguns anos."


Thor para Tony – The Ultimates v2 #6


A trama então elimina o primeiro peso pesado ao executarem o Hulk (ou pelo menos tentarem), enquanto mostra o envolvimento de Natasha e Tony Stark, uma relação clássica do universo normal que aqui toma rumos bem mais interessantes.

Thor é a bola da vez e Nick Fury não pensa duas vezes ao mandar que o cacem sob a alegação oportunista e super up to date de que o Deus Nórdico estivera "(...)encorajando o uso de violência contra governos democráticos eleitos". Parece Bush, mas foi Loki quem disse - o Deus da Farsa e Mentiras - que coisa não? A arte imita a vida. Aliás, esta edição merecia um post separado. Aqui ocorre uma verdadeira via-crúcis para Thor, justificando o título. É porrada do começo ao fim, grandioso como tem que ser e terminando com um "Father" que é praticamente um déja vu, além de referência que não lembro ter visto tão bem aplicada nesta mídia ou em outra qualquer.

Acontece então a primeira afirmação categórica de que existe um traidor no grupo e este procura Pym, o desacreditado e humilhado pseudo-herói. Ultimates e heróis europeus atuam no Oriente Médio e apreendem ogivas em "ataque preventivo". Esta ocorrência faz com que um chefe de estado da região – em Ultimates Annual v2 #1 – ameace Nick Fury caso ele continue com o programa de supersoldados.


"Nós acabamos de aleijar um país, Hank!"

O Traidor para Hank - The Ultimates v2 #6


Com dois pesos pesados fora de combate, chacinam a família de Clint Barton – o Gavião Arqueiro – e fritam mais um maioral: Steve Rogers. A personificação do perfil autoritário americano sucumbe ao próprio veneno, já que, depois de tudo o que fez pelos seus superiores, é caçado e derrubado após Fury dizer "Não posso acreditar em como foi estúpido. Como pude trazer este punk para o time só pela sua palavra quando fizemos seis meses de análise de passado de qualquer outro?".


Há espaço ainda para mostrar que o exército dos EUA, tradicionalmente extremista politico, mostra-se incomodado com o papel dos Ultimates solapando o seu, bem como verbalizam a insatisfação quanto ao desenvolvimento de tecnologia que Tony Stark provê à SHIELD e veda às Forças Armadas, deixando-os com recursos tecnológicos atrasados em 5 anos. Prato cheio para teorias da conspiração.

Sobram apenas o Homem de Ferro, Natasha, Pietro, Wanda e os reservas para começar a nona edição. E aqui a batalha toma proporções que nunca tinha visto na série até então. A seqüência inicial Oldboy style, onde a conspiração mostra como consegue os códigos de acesso ao Triskelion, é o prenúncio de que algo grande viria e, quando vem, não faz por menos. Com as defesas tecnológicas derrubadas e as super-humanas enclausuradas, o último peso pesado é pego numa autêntica chave-de-perna enquanto a(s) cidade(s) é(são) varrida(s) numa seqüência matadora (literalmente) de eventos. Em minutos os EUA estão no chão.


Ihhhh.. Fodeu³!!!!

Mermão... é uma trama de dar nó! Só um psicótico pensaria em algo deste tipo. Só que o cara não surpreende só por isto. Por mais paradoxal que possa parecer, já estamos nos acostumando a nos surpreender com sua criatividade chocante em diversas publicações, mas até em detalhes contingenciais ele se destaca. Assim como abusou da imaginação ao fazer o Capitão América derrubar o Gigante no volume 1 de forma crível, aqui ele chacina a tropa de gigantes de um jeito que só com muito scotch daria para imaginar (sacanagem falar isto... tá no meio de um tratamento quimioterápico - será que é por isto?)! Não satisfeito, foge da institucionalização natural dos roteiristas da cronologia normal e nos traz aquilo que seria o óbvio, mas era uma questão intocada até então: se Tony faz uma armadura para si, por quê não faz outras para outros membros? Somos agraciados pois com Natasha de posse de uma das maiores armas do mundo. Isto sim é uma pessoa de destruição em massa.

Poderia agora me meter a futurólogo e tentar prever o que vem por aí, afinal o desenrolar dos fatos mostrou que Pym e Banner estão por aí e querem voltar a ser gente, mas este é o tipo de coisa que, tratando-se de Millar, é muito arriscado tentar.

Durante algum momento cheguei a pensar que a evolução que esta armada teve necessitaria de um tempo de maturação que não existiu. No entanto, ao rever as edições anteriores para escrever este post, notei detalhes que antes não notara, como a quase onipresença de Loki no limite dos eventos, a passagem de um ano dos eventos do V1 para o V2, além da existência de 18 meses separando a adoção de Thor pelo grupo ainda no V1, quando a frente européia do programa de super-soldados já era bem evoluída. A cena final e o turbilhão de informações que voltam à superfície da memória nos faz perceber que as citações de Millar, além de oportunistas, não cessam. Loki tem aparência oriental e lidera o exército que derruba a grande potência do ocidente - o Grande Satã. Numa tacada só ele insere elementos que vão de Nostradamus à Bíblia (novamente).


Esquema ilustrativo do que aconteceu até agora

O detalhe é que Loki esteve inserido no projeto de super-soldados europeu desde seu início, o que leva a crer que a iniciativa oriental deve ser contemporânea - talvez anterior - à americana. Cabe lembrar que, dada a iniciativa de desenvolvimento tecnológico e criação do Homem de Ferro ser uma questão pessoal de Stark, além do patrocínio da S.H.I.E.L.D para Pym e Banner - este útimo só logrou êxito por acidente e de forma descontrolada - , o resto do programa de super-soldados americano era um fiasco, contando com dois mutantes desacreditados depois de Retorno do Rei e meia dúzia de agentes bem treinados, mas que de super não tinham nada. Creio que no fim tudo ficará bem e os EUA se reerguerão, mas aí é obrigação editorial comercial. O que importa é que todas as críticas internas e geo-políticas que queria fazer já foram feitas. No post sobre os Ultimates de quase um ano atrás, meu chefe brincou perguntando se já dava para chamar Millar de Mestre. E agora eu pergunto: Tem jeito de fazer diferente, gafanhoto?

O traidor? Não conto. Baixem e leiam, mas isto não me impede de deixar algumas questões que ficam no ar:

Thor é ou não um Deus pagão? Se é, por quê perdeu os poderes quando lhe tiraram o cinturão? Se não é, por quê o colocaram na cela destinada ao Hulk?

Qual a natureza daqueles soldados voadores que agiam como um enxame?

Os POD´s teriam sido os protótipos antigos do Homem de Ferro cujos projetos foram passados pela Viúva (ou pelos militares) para a armada inimiga?

Por fim: O que segura Thor e Capitão em suas celas no Triskelion agora que ele está sem energia? E Pym e seus "Visões"?

Para vocês brincarem: Quem seriam – além do Loki – os carinhas que estão nesta imagem aqui?

Faltando apenas 3 edições para o fim da era Millar/Hitch à frente dos Ultimates, digo que tenho medo, muito medo, pelo que Jeph Loeb e Joe Madureira - os novos responsáveis pela série - podem fazer. É de revirar o estômago. Sei que Loeb já acertou mais do que errou, mas não consigo – nem com muito álcool – ver como ele pode manter este nível. E Madureira e sua fúria mangá não tem nada a ver com a idéia de realismo que permeia tudo o que foi feito com o grupo até então. Podia ser, ao menos, Tim Sale (afinal, já é íntimo do Loeb e tem uma arte menos caricata), mas vendo o que vem sendo feito em Amazing Spider-Man, acho que Deodato seria o cara perfeito para o trabalho.

The Ultimates é seguramente o que de melhor vem sendo publicado nesta linha.


Tão esperando o quê? Leiam logo! Não sabem o que estão perdendo!

Artigos relacionados: 
Artigo 1



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SAM KIETH VAI ANIMAR A GALERA

Todo mundo já deve estar sabendo que Sam Kieth vai emprestar seu estilo cinematográfico-surrealista e seus pontos de vista únicos para o Batman, correto? Pois então: seguem dois links para download das duas obras independentes que Sam lançou nos últimos anos. Zero Girl e The Maxx. Cliquem nos nomes para baixar.

Não li The Maxx ainda, mas arrisquei ler 2 páginas de Zero Girl e só percebi que tinha sido capturado na terceira edição de um arco de 5. A última vez que lembro ter sido arrebatado assim por algo novo foi quando li 15 edições de Y - The Last Man seguidas. Zero Girl é original em tudo que mostra, até mesmo quando trata do clichê da outsider vs grupinho de malandras do colégio. Num universo com meia dúzia de personagens Kieth consegue fazer uma história com premissas absurdas ser completamente atraente. Tô bobo.


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PESQUISA DE OPINIÃO

O que vocês acham desta action figure? Se disser que comprei eu seria louco?