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sábado, 20 de agosto de 2016

KERWHACKKK!

Esse é o som de (mais) contas sendo acertadas com o passado.


9/12 títulos anexados à coleção até aqui, uns 75% de aproveitamento. A extensão de clássicos da Salvat tem deflagrado uma justiça tardia para aqueles moleques fissurados numa HQ, mas sem um merréu pra comprar Almanaque Marvel e Almanaque Premiere Marvel... lá pelos idos de 1982-84...

Todos os títulos vêm mantendo alto o nível de relevância histórica, mas os gols de placa são indiscutíveis: Contos de Asgard, Dr. Estranho: Uma Terra sem Nome, um Tempo sem Fim e, pelas hostes de Hoggoth, o Nick Fury pop art/surrealista de Jim Steranko compilado em dois volumes antológicos. Só o caviar da gibizeira.

Com todos esses clássicos grandes, médios e pequenos, nada melhor que um pouco da boa e velha chinelagem quadrinhística. Mas, epa... um pouco não, muita. E chinelagem com todo o respeito à fantástica Marie Severin, ao grande Gary Friedrich e ao melhor desenhista ruim de todos os tempos, Herb Trimpe - que Deus (Jack Kirby) o tenha em bom lugar.

A Coleção Oficial de Graphic Novels, Clássicos vol. XI - O Incrível Hulk: O Monstro Está Solto... ufa... é exatamente o que parece: um gibi de porradaria honesta. Nada de complexidade narrativa, subtramas mirabolantes ou minuciosas análises psicológicas. No Golias Esmeralda pós-Lee/Kirby firulas inexistem. Não raro se aproximava fatalmente dos "gibis" que você rabiscava nas últimas páginas do caderno de matemática. Certo, certo, exagerei, mas esse é o espírito. Imediatismo.

O roteiro de Friedrich garantia o build-up mínimo exigido por Lei, mas ele sabia o que o povão queria. Após alguma contextualização - sempre ágil, sempre enxuta - era só questão de alguns quadr(inh)os para a coisa ficar verde (ha ha!). Perto do Hulk de Trimpe & cia., até o Hulk de Mantlo e (Sal) Buscema ficava parecendo o Woody Allen.

Em que pese a autoria do titio Stan numa história, Roy Thomas rachando outra ao meio com Archie Goodwin e mais outra com Bill Everett, a ordem era esmagar os adversários e ouvir o lamento de suas esposas. Tanto que o encadernado já abre com Hulk desembarcando em Asgard com os dois pés no peito de Heimdall pra seguir esculachando geral, d'Os Três Guerreiros ao Executor, e ainda chamar ninguém menos que Odin, Filho de Bor, para uma conversa ao pé do ouvido.

Após, um tira-teima protocolar com o Rino no mesmo ritmo fanfarrão de sua origem e entreveros com dois desafiantes bizarros o suficiente pra não constarem nem numa galeria onde figuram MODOK e Bi-Fera, além do Mandarim e seu servo autômato monstruoso com feições orientais e... amarelo... sem preconceito sessentista, é claro.

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O green de la green, contudo, é a última história, extraída da - aí sim - clássica Hulk Annual #1 (1968). O assombro fanboy já começa na reprodução da épicaicônica capa original, homenageada e referenciada por décadas em várias esferas da cultura pop - mais uma vez, cortesia de Steranko, esse putardo maldito e talentoso (ainda tem graça chamá-lo de Andy Warhol da 9ª arte?). Nem a publicação atentando ao fato prepóstero de que a edição seguia inédita no Brasil embaçou minha felicidade.

...talvez só um pouquinho.

Hulk com Inumanos não precisa de muito escrutínio. A mera ideia já é coisa de louco. E eu já tinha cantado essa bola antes, mas me sinto na obrigação moral e cívica de avisar: há ali um quebra espetacular entre o Gigante Verde e Raio Negro...


...onde o Hulk leva provavelmente a surra da sua vida.

Boltagon esmaga!


☮  ☮  ☮


Pode me chamar de pessimista, mas confesso que não via isso acontecendo num curto prazo.


Clique para achar os acertos!

A Panini corrigiu os erros do encadernado de A Saga da Fênix Negra, reimprimiu a bagaça deluxe e procedeu com o devido recall. A pentelhação da "carta anexada explicando os motivos da troca" ainda rolou, apesar de mais que escancarados em tudo que tenha tela.

O jogo de volta foi rápido, coisa de uma semana, via PAC reverso, sem custos. Uma merecida massagem shiatsu nesta alma que, desde fevereiro, vem sonhando com gatas de metal indestrutível e uma narração em off repetindo as mesmas sentenças.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

BEYONDER BEYOND


The New Avengers: Illuminati #3 me confirmou uma velha suspeita: mais que "Casa das Idéias", a Marvel Comics é o "Depósito das Idéias". Hoje vejo mais claramente as pontas soltas largadas à bangu ao longo de sua cronologia, apenas para faturar em premissas mais adiante. O que existe lá é um oceano de assuntos mal-resolvidos. Não por acaso, vários arcos da editora parecem ter sido tramados com mais de vinte anos de antecedência. Assim fica "fácil", a deixa já estava lá, à espera de um roteiro. Tudo em nome da continuidade quadrinhística, claro, mas os editores abusam. A lista destes, hã, "spectro-plots" é longa, variada, mesmo se pegarmos exemplos mais recentes. Temos de Yelena Belova, Nicky Fury, Wanda e Capitão até a pequena Danielle Cage. Todos vivendo numa completa incompletitude (isso é Gil ou Caetano?) e no aguardo da redentora resolução (Gessinger?).

Isto pra não citar as pendências-monstro deixadas por Eternos de Neil Gaiman e, mais polêmica ainda, World War Hulk. E nem queira entender as origens co-relacionadas do Visão e do Tocha Humana original.

A propósito, só fui saber outro dia que botaram a Contraterra na conta do papa. Pobre Alto-Evolucionário. Tanta coisa para nada, afinal.

Por sorte, esses ganchos recorrentes até fazem parte do charme. O próprio Brian Michael Bendis, na bacanuda As Incríveis Aventuras de Stan Lee, desconstruiu essa mania de resgatar trasheiras há muito esquecidas ("mini em seis edições: ROM, O Cavaleiro Espacial!"). No mais, tem de ser muito chato pra não gostar de uma boa recapitulação - quando é boa, que fique claro... esqueça o processo de puteirização a qual foi submetida a santíssima e virginal Gwen Stacy.

Seja como for, um bom timing é imprescindível nesses casos. Pena que na maioria das vezes, nem todo o timing do infinito-e-além! parece ser o bastante. O que me leva ao personagem-símbolo de toda essa embromação que a Marvel adora botar no congelador pra esquentar depois no microondas.


Beyonder é, sem dúvida, um dos maiores elefantes brancos já produzidos pela Marvel, equiparado apenas, talvez, pelo Sentry. Nos final dos anos 80, finda a saga Guerras Secretas, o personagem ficou que nem o Terminator se John Connor morresse: "useless". Não sabia até que ponto o mega-evento foi uma desculpa para produzir uma linha de brinquedos, cards, álbuns e tralhas quetais, mas lembrava que era de uma tosqueira até divertida. Relendo hoje... sim, eu reli... acrescento que é burraldo, pueril, boboca e cara-de-mamão, mas se fosse filme seria um daqueles Sessão-da-Tarde-movies que todo mundo fala mal, mas adora assistir escondido. Guerras Secretas é Quake Arena. Heróis contra heróis contra vilões contra vilões. E vice-versa.

Como de praxe, o advento de um indíviduo todo-poderoso se fez necessário pra reger a patota toda. Criado por Jim Shooter e Mike Zeck, Beyonder não era uma força da natureza unidimensional (como o Anti-Monitor), nem um niilista mega-estratégico (como o Thanos recente do Jim Starlin). Ele era de uma ambivalência passiva, um observador distante. Também não dispunha de um corpo físico, sendo representado por um tipo de feixe de energia. Quase uma sarça ardente. Sua natureza supostamente divina era pura simbologia bíblica, criacionista, onisciente e onipotente no microcosmo proposto pela saga.

Mas aí a aventura chega ao fim - inconclusivo, como sempre - e fica a questão. O que fazer com uma personagem-deidade instituída num contexto maniqueísta?



Beyonder, brincando com seus action-toys e envergando um modelito Clóvis Bornay

Guerras Secretas II, claro. Desta vez, a premissa era justamente Beyonder à procura de um papel naquele universo. O exercício criativo foi até interessante. Sendo ele mais entidade que propriamente um indivíduo, os heróis, vilões e pessoas comuns acabavam incluídos no processo. Esta era a deixa: ao confrontarem uma força da natureza inevitável, eles reafirmavam todos os alicerces éticos e psicológicos que os fazem únicos e admirados/odiados. Quase um raio X de suas profissões de fé.

A continuação se estendeu pelas principais publicações Marvel da época. Em seu decorrer, foi interessante ver como a idéia era limitada na própria simplicidade. Beyonder era o Alfa e o Ômega. Só Deus sabe como esse fardo é pesado. Logo, toda aquela conceitualização metafísica caía por terra, pois o personagem buscava auto-realização do ponto de vista mundano. Tarefa impossível, incompletos que somos - tal qual a cronologia Marvel.

No fim, Guerras Secretas II se mostrou uma experiência tão vaga que foi difícil não preencher as lacunas como passatempo mental (um dos motivos pelo qual eu amo quadrinhos). Nietzsche, Sartre, John Milton, Saramago e até o Paul Rabbit entraram na dança, mas não fui muito longe: aquela trip toda me lembrou mesmo foi uma velha história do Angeli, na qual Deus desce à Terra para se humanizar e experimentar os prazeres terrenos, e termina como um mendigo alcoólatra com delírios de grandeza. A sarjeta é logo ali, rapá.


Ecumenismo xiita, se é que isto é possível

De volta à carga, Guerras Secretas III trouxe o Super Deus Marvel Hero pra zerar os restolhos de roteiro entornados no caminho. Mas a guerra desta vez durou só uma edição (Fantastic Four #319), under-the-radar ainda por cima. Um combinho integrado pelo Dr. Destino, Tocha Humana, Coisa e Ms. Marvel (a outra, não a Danvers caval'de jour), vão até o universo do Beyonder em busca de respostas e o encontram numa tremenda ressaca existencial. Pra começar, aquele universo em que ele vivia era ele. Toda a matéria, ordem, caos, pensamento, conceito, passado, presente e futuro. Ao desejar uma existência completa, Beyonder corrompia sua própria divindade - desejo é um abismo sem fim para alguém que pode tudo. Com isso, todo o multiverso-e-lá-vai-supercorda estava ameaçado por um deus imperfeito.

A solução foi encerrar sua essência num daqueles práticos Cubos Cósmicos da Marvel - gestor de entropia cósmica expresso -, tarefa levada à cabo pelo Homem-Molecular, que no processo também foi pro saco, ou melhor dizendo, pro cubo. Soube-se também que o próprio Beyonder era energia consciente originada de um Cubo (seria então um retorno às raízes?).

Na prática, esta foi a última vez que viram a face de Beyonder. Em Beyond! não era ele e sim o Estranho, segundo a arte vagabunda do Scott Kolins, e na comprida Aniquilação houveram referências, mas nada efetivo. Parecia que aquele era mesmo o fim da linha para um personagem talvez grandioso demais para aqueles padrões, mas acima de tudo, promissor ("por mais que as coisas se modifiquem, elas permanecem as mesmas" - imagina Beyonder na visão de Alan Moore fase Big Numbers, com todo aquele subtexto envolvendo Matemática Fractal e Teoria do Caos?).

E este era um fim que contrariava o velho recurso de deixar as opções em aberto. Será?



"Beyonder é... SPOILER!
E também é... SPOILER!!"

Claro que não... não na velha Marvel, não senhor... lá, um fim é sempre um início. Desde a primeira edição, The New Avengers Illuminati deixou clara sua vocação revisionista, destacando o que seria o início da infiltração Skrull na Terra (e dá-lhe Civil War na seqüência) e repescando elementos emblemáticos como as Jóias do Infinito e o rebelde Marvel Boy Noh-Varr. Mas a edição que ressuscitou Beyonder sem dúvida foi a mais sintomática neste sentido.

Os roteiristas Brian Michael Bendis e Brian Reed ignoraram solenemente tudo o que o personagem vivenciou a partir de Guerras Secretas II. De fato, Beyonder tem o mesmo visual yuppie daquela época, o mesmo olhar intrigado mezzo infantil e a insaciável busca por auto-realização - agora com um viés altruísta-obsessivo. (Re)Descoberto por alguns integrantes do Illuminati enquanto recriava Manhattan num asteróide nos confins da galáxia, novamente ele se vê numa situação de conflito iminente contra heróis da Terra.

Só que dessa vez, Dr. Estranho, Namor, Charles Xavier, Reed Richards e Raio Negro sabiamente pulam etapas (e tapas), usando um senhor trunfo que têm na mãos. A saída proposta pelos Brians foi de chocar até o decenauta mais indiferente.


Há de se elogiar a tensão da narrativa, que deu a dimensão exata do horror dos heróis em ficar frente a frente com um ser que poderia varrê-los da existência com um mero pensamento, por tédio, capricho ou descuido. É aterrador.

No mais, é difícil prever quais serão os desdobramentos dessas novas informações. À primeira lida, parece uma compilação de furos implorando para serem delatados, subvertendo tudo o que se soube do personagem até hoje. Mas sendo Beyonder quem é... ou quem não é... tudo é possível.

A conclusão, é claro, é totalmente aberta, dando a entender que assim ficará por um bom tempo. Evaziva e incompleta, como o próprio personagem.

Nada mais adequado, afinal, como já dizia o espetacular Stan Lee... "'Nuff Sa

Na trilha:

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

A GUERRA DE PAK


Tudo começou em Incredible Hulk #100. Ou melhor... recomeçou. Entre os extras que compõem tradicionalmente as centésimas edições (no caso, a origem do Hulk e o arco clássico onde ele é julgado e termina esmagando meio mundo), uma breve história chamada Planet Cho foi o estopim para o mais novo apocalipse da Marvel.

Ao contrário do que me pareceu à primeira vista, não se trata de uma homenagem ao conjunto da obra de Frank Cho (bem que ele merecia), mas um olhar mais profundo sobre o garoto Amadeus Cho. Dezesseis anos e um super-gênio, Cho é considerado a sétima pessoa mais inteligente do planeta, com capacidade para processar de dados que faria um Cray parecer um cartão perfurado. Também é o vencedor do Mastermind Excello, um contest frita-miolos da internet (favor não confundir com o Mastermind Excello Earl Everett, da Mystic Comics #2, de abril de 1940!). Cerca de uma hora após a vitória no concurso, explodiram a casa do rapaz com todo mundo dentro. Desde então, a toda-poderosa SHIELD tem investigado seu paradeiro, visto que uma operação não-autorizada que estava em seu encalço veio à tona.

Após a confirmação de que Cho ainda estava vivo, a mega-agência reclassificou sua habilidade única de raciocínio e resolveu enquadrá-lo na famigerada Lei de Registro dos Super-Humanos. O que eles não sabiam é que as ambições de Amadeus Cho iam muito além de viver na ilegalidade.

Recapitulando, Hulk, o Incrível, foi a júri novamente em The New Avengers: Illuminati #1, publicada em maio do ano passado. Longe de ser um júri popular, o Gigante Esmeralda foi condenado ao exílio pelo Illuminati - espécie de Comissão de Ética da Marvel, formada na surdina por Doutor Estranho, Namor, Professor Xavier, Raio Negro, Homem de Ferro e Reed Richards. Destes, apenas Doc Strange e o Príncipe Submarino podem ser considerados amigos do Hulk, chegando a combater nas mesmas fileiras durante os áureos tempos dos Defensores. Numa sessão turbulenta e sem a presença de Xavier, o Illuminati decide pela deportação do Golias Verde para um planeta distante. O único voto contra é de Namor. Com ajudinha de sua habitual impetuosidade e individualismo, ele enxergou ali uma decisão prepotente e unilateral de um clubinho fechado.

De fato, eles acabam banindo o Hulk mesmo, numa jogada absolutamente desonesta, dando origem à saga Planet Hulk.

Tempos depois, o Illuminati voltaria a se reunir para um derradeiro encontro. Um Homem de Ferro lobista coloca em pauta o rascunho da Lei de Registro de Super-Humanos, fator determinante na dissolução do grupo. Doutor Estranho e, novamente, Namor prontamente renegam o projeto imposto pelo governo. Do lado da Lei e do Latinha, estão Reed Richards, Raio Negro e, posteriormente, um Xavier estrategicamente tucano. É o embrião da Guerra Civil.

Mas voltando ao Cho...





Amadeus Cho...


O rapaz-prodígio© assombra geral ao dar seguidos olés em missões especiais da SHIELD, mas barbariza mesmo quando hackeia os sistemas do Edifício Baxter, o cafofo ultra-high-tech do Quarteto Fantástico. Diante de um surpreso Reed Richards, ele revela conhecer detalhadamente o esquema do exílio imposto ao Hulk. Após uma hilária disputa geek com Reed, Cho assume o controle de um satélite e mostra que o Gigante Esmeralda jamais chegou ao destino programado. A seqüência segue com Amadeus e Reed colocando na balança os prejuízos e os feitos heróicos já praticados pelo Hulk, num flashback que impressiona pelo alcance retroativo (lembraram de Jericho e da montanha em Guerras Secretas). Sem entregar o jogo, o garoto afirma que não medirá esforços para trazê-lo de volta - ameaça bastante considerada por Reed, tendo em vista o intelecto excepcional de Amadeus e o paradeiro desconhecido do Golias Verde.

A história termina com Reed se encontrando com o Homem de Ferro. Juntos, avaliam a situação como sendo catastrófica: a possibilidade do Hulk retornar é muito real, pois ele ainda tem amigos aqui.

Apesar de breve, foi uma excelente intro de Greg Pak para World War Hulk. Suspense na medida, humor nervoso e uma atmosfera bem diferente de seu trampo em Planet Hulk. Discreto, Pak não tem o approach bombástico de um Mark Millar ou a complexidade (muitas vezes, desmedida) de um Warren Ellis ou de um Grant Morrison. Pak é um miniaturista. Seu diferencial está nos detalhes. Planet Hulk é o exemplo perfeito. Como quem não queria nada, ele gradualmente desconstruiu o perfil do herói, reestruturou suas motivações e a profundidade de suas atitudes. No final, soa quase como um novo personagem. E bem mais instigante do que antes.

Ajuda também o fato de Pak evitar idéias... não muito "produtivas" (vide Straczynski) e manter um impressionante índice de acertos no que tange às inovações. Isto pra não citar o número de plots importantes que ele está administrando no momento e mais importante, com qualidade. É como se fosse um Brian Michael Bendis sem a existência do Homem-Aranha Ultimate. Com certeza, Greg Pak é o nome do momento na Casa das Idéias.

Os desenhos são do excelente Gary Frank. É um imenso prazer ver como seu estilo Jim-Lee-with-brains funciona no universo do Hulk.

Em Incredible Hulk #106 e World War Hulk Prologue: World Breaker esta linha narrativa é retomada. O check-list 'zilla divulgado pela editora é equivalente ao impacto causado naquele cenário pós-Guerra Civil. Nem imagino como a Panini Comics vai organizar a "Guerra Hulkial" por aqui sem apelar para a velha tesourada.


Incredible Hulk #106


IH #106 começa com Jennifer Walters, a Mulher-Hulk, sendo chutada pra fora de um helicarrier da SHIELD. Jen foi uma das primeiras a abraçar a causa da Lei de Registro patrocinada pelo Homem de Ferro, cujos ideais ela seguia fielmente - até ele revelar o destino que reservou ao seu primo mais famoso. A reação da gamma-girl, obviamente, foi esmagadora. Prevenido, Stark injeta um de seus nanobots inibidores de poderes. Assim, após muito tempo medindo dois metros, Jen volta a ser 100% humana, frágil e baixinha. E vai pro olho pra rua.

E quem está lá, esperando na esquina?

Ao que parece, Cho também derrubou os firewalls da SHIELD, pois sabe tudo o que acabou de acontecer. E Reed Richards, na cola do moleque, sabe que ele sabe - pretexto fácil para trocadilhos infames ("Ele sabe que eu sei o que ele está fazendo... provavelmente até sabe que eu quero que ele saiba que eu sei..."). Cho tenta convencer Jen a unir forças com ele para trazer o Hulk de volta. Ironicamente, ela, mesmo com todos os motivos para aceitar, parece ser a única voz sensata entre os dois extremos. Jen sabe muito bem que se o Gigante Verde voltar, poderá custar a vida de muitos. E sofre por causa disso. Logo em seguida, o cabeludo Doutor Samson é enviado para interceptar os dois.

Como um mestre enxadrista, Cho antecipa tudo e deixa o cenário devidamente preparado. No final, é revelado que ele tem o suporte de Hércules e do mutante Anjo, ambos ex-integrantes do supergrupo Campeões (que contava também com Motoqueiro Fantasma, Viúva Negra e Homem de Gelo - formação bizarra no último).

Curiosamente, a Marvel iria revitalizar os Campeões, agora com novos integrantes e supervisionados pela Iniciativa, a rede de super-equipes controladas pelo governo. O problema é que os direitos da marca foram abandonados pela editora, que desde 1978 não a utilizava, e adquiridos posteriormente pela Heroic Publishing. A saída foi bem à Navalha de Ockham: "mudem o nome". O grupo agora se chamará The Order.

Mas calma lá... The Order é a mesma alcunha que os Defensores originais adotaram na época em que decidiram proteger o mundo com mão-de-ferro. Originalidade? Pra quê?


World War Hulk Prologue: World Breaker


Casus Belli foi escrita por Peter David, velho conhecido do Verdão, e ilustrada pela trinca Al Rio, Lee Weeks e Sean Philips. O resultado visual acaba sendo irregular, mas Peter David é artilheiro e desempata. O cara sabe fuçar como ninguém o psicológico de uma situação extraordinária. A idéia é registrar o que acontece entre o fim de Planet Hulk e o início de World War Hulk. O enfoque é basicamente o Hulk em rota de colisão com a Terra e Jen Walters discutindo com Doc Samson num hotelzinho vagabundo e repensando sua posição frente ao caos iminente. Portanto, tome diálogos, decisões e preparativos de ambos os lados.

Hulk vem acompanhado por comrades de peso. Estão com ele até a morte: Miek, Brood (da Ninhada), a vermelhinha Elloe, o pedregoso Korg (muito forte) e o honrado Hiroim, detentor do Oldstrong, a "Força das Sombras" (muito, muito, muuuuito forte). Juntos, formam o chamado Warbound. Além da traição que sofreu, Hulk tem o sangue de um planeta em suas mãos, incluindo aí o de sua esposa grávida. Todos mortos pela explosão do construto que o Illuminati usou para baní-lo. O que os roteiristas farão para arrefecer esse problemão é algo que me deixa cabreiro. Dificilmente o Hulk, furioso e fora de controle, pouparia a vida de algum dos envolvidos.

Aliás, "fora de controle" nem tanto... ao perceber que ele está ficando cego pelo ódio e ameaçando a vida de seus companheiros, Hiroim o inicia num treinamento de meditação e redirecionamento da raiva. Peter David, cheio do timing, novamente usa a questão da dupla personalidade como um bom recurso criativo.

World War Hulk Prologue acaba sendo notável pela estratégia adotada pelo Verdão em parceria com Hiroim. É aqui que eles decidem qual será o primeiro alvo. O único que pode derrotar o Hulk.


World War Hulk #1


Acaba a contagem regressiva. O Hulk e o Warbound finalmente chegam à Terra, mas antes fazem uma rápida escala na Lua - mais precisamente, no domínio dos Inumanos. Seu governante, Raio Negro, é o primeiro da lista negra. É o mais duro adversário que o Verdão já enfrentou desde sua criação e o combate prometia. No entanto, a narrativa é implícita. Rigorosamente, limita-se às mesmas cenas já reveladas no preview divulgado meses atrás. Ofereço aqui a saída pela esquerda: como já houveram referências à dificuldade da luta (vide o planejamento metódico de Hulk e Hiroim em WWH Prologue) é quase certa a inserção de um retcon mais revelador adiante. Quase certa não, quase obrigatória. Seja como for, o resultado do confronto deve ter arrepiado até Jack Kirby lá no céu dos artistas.

A poeira levantada na Lua é só o aperitivo da edição. Hulk e o Warbound já chegam ao puny planet botando o terror em New York. Com direito a telão holográfico na Madison Square e em centros urbanos no mundo inteiro, o Gigante Verde esparra geral tudo o que passou nos últimos meses, desde a arapuca armada pelo Illuminati até a explosão que arrasou Sakaar, o mundo onde se deu a saga Planet Hulk. Em seguida, ordena a evacuação de Manhattan. E a presença de Reed Richards, Homem de Ferro e Doc Strange. Pra ontem.

As contramedidas de Tony Stark vêm em velocidade de dobra: oferece perdão presidencial ao Dr. Estranho e todos os heróis ilegais em troca de auxílio na evacuação da ilha. Além disso, coloca Robert Reynolds, o Sentinela, em stand-by para um eventual abraço no trem-bala gama.

O resto é som & fúria. O embate central é do Hulk contra um Homem de Ferro tunado com carenagem de Transformer. Destruição total. Difícil não lembrar do 11 de setembro quando a torre dos Novos Vingadores vem abaixo.

Greg Pak teve seu dia de Mark Millar. E John Romita Jr. mais um trabalho para constar na antologia.


Incredible Hulk #107


Amadeus Cho é malandro à moda brasileira. Tanto que Hércules e Anjo estão de pé (e asa) atrás com ele e mesmo assim são levados na conversa. Pelo menos o suficiente para juntos detonarem um cerco da SHIELD. A coisa segue aos trancos e barrancos e piora ainda mais quando Cho confessa ao Anjo que desviou uma fatia milionária de suas contas bancárias (agora bloqueadas pelo governo por virar cúmplice de um foragido), o que deixa o mutante com um humor nada angelical. Mas foi dinheiro bem gasto. Um de seus "sábios investimentos" foi em uma nave anfíbia de última geração - seu objetivo é chegar até Atlantis e pedir a ajuda de seu soberano, Namor.

(...) convencer Namor de alguma coisa é uma missão impossível até pro Beyonder. Após um sonoro "não" e o inevitável e quilométrico discurso ressentido ("eu avisei", "seus tolos"), o Príncipe Submarino assiste a transmissão de guerra do Hulk, mas mantém a decisão de não intervir. O tempo fecha quando ele e Hércules se estranham, cada um com seus próprios pontos de vista sobre os sentimentos do Verdão. Neste momento, Namora (prima de Namor), toma partido de Cho & Amigos. O senhor de Atlantis se isenta de qualquer responsabilidade e vai embora - depois de "esbarrar" na nave deles, só de sacanagem.

Quando o grupo finalmente chega em New York, a luta entre Hulk e o Homem de Ferro está acontecendo e a cidade está um caos. Muitas pessoas ficaram para trás e eles ajudam como podem. Assim que a briga acaba, eles vão ao encontro do Monstr... hã, do Golias Verde, que está 110% insano. Cho tenta conversar, mas Hulk parte pra cima, ainda no calor da batalha. Hércules o confronta numa seqüência bastante violenta e, da maneira mais difícil, consegue mostrar que há algo mais em jogo.

A história começa em easy mode on, mas depois Pak capricha na variedade de situações (Cho "telefonando" para a nave do Warbound foi foda) e manda bem com um Namor totalmente filho da puta. Outra boa sacada foi buscar na Mitologia Grega um inesperado link entre Hércules e o Hulk.

Aqui termina a participação de Gary Frank no título - uma despedida em grande estilo, diga-se, com uma Namora deliciosa (as mulheres do Frank são as melhores!) e o Namor mais carismático e expressivo que eu vejo em muito tempo. E isso realmente me deixa puto da vida.


A Marvel (=Joe Quesada) foi muito zé-ruela em abrir mão deste artista, que assinou um contrato de exclusividade com a DC, em maio passado. "Infeliz", pois quem perde é o leitor de bom gosto. Na DC, Frank está trabalhando ao lado de Geoff Johns (e Richard Donner!) no Superman, onde dificilmente fará mais que reeditar a surrada estética daquele universo - primorosamente pervertida por ele em Poder Supremo. Será reduzido a mais um simulacro sob medida para manter o standard vigente, ao exemplo das passagens de Ivan Reis, Jim Lee e tantos outros pelo título. Posso estar enganado, mas até onde vejo, Gary foi engolido pelo establishment que ajudou a sacanear. De qualquer modo, só veremos o resultado disso aí no final de outubro, quando a Action Comis #858 for lançada - mas esse Clark com cara de Mark Milton só reforça a minha tese.


Mas o show tem de continuar. Portanto, boa sorte para o Frank... é na DC que está o money!


Invincible Iron Man #19


Em Guerra Civil, os roteiristas da Marvel treinaram bastante o esquema de trocentas narrativas correndo em paralelo. Nos títulos que acompanham World War Hulk, eles estão fazendo isso com uma sincronia digna das meninas do Pan. Aquelas que levaram o ouro na ginástica rítmica. Pequenas Elektrinhas que parecem saídas dos gibis, tamanha graciosidade, agilidade e precisão...

...mas cortando o papo surreal e voltando ao subject: o retorno triunfal do Hulk comparece fielmente em todos arcos agregados, então cabe aos escritores se desdobrar nos pormenores da situação. O Latinha protagoniza metade da primeira edição de World War Hulk, então teoricamente não havia muito o que mostrar de novo. Neste quesito, o roteiro de Christos N. Gage (Authority, Avengers: House of M) se sai até bem, no limite de possível. Esperto, antecipou o início da história para algumas horas antes, com Tony Stark remanejando todos os recursos da Casa Branca para deter o "U.F.O." que se aproxima da Terra. Dezenas de drones abordam a nave do Hulk e são atropelados sem muita dificuldade - destaque para o Verdão ordenando "ramming speed" com a profissa de um Capitão Kirk.

O que se segue são as velhas discordâncias com procedimentos da SHIELD (desta vez, com Dum Dum Dugan à frente) e a já clássica luta entre o herói e o anti-herói. Os belos desenhos são o ponto alto da revista - mérito de Butch Guice, que me lembra o Stuart Immonen antes de virar overpop.

Interessante é que a armadura escolhida é a nova versão do modelo Hulkbuster, desenhada especialmente para derrubar o Gorilão. Mas nem injetando os nanites inibidores de poderes teve jeito. The Hulk busted the Hulkbuster.


Ghost Rider #12


A presença de Ghost Rider na lista de sub-arcos que acompanham WWHulk só pode ser explicada como uma forma de capitalizar em cima das últimas marolinhas de popularidade geradas pelo filme. O Motoqueiro Fantasma e seu universo demoníaco/espiritual não têm absolutamente nada a ver com o clima da saga. Simplesmente não existe química.

A história começa com o Espírito da Vingança caçando um demônio que possuiu o piloto de um Airbus. Tudo acaba da pior maneira e ele acorda na manhã seguinte, já na pele de Johnny Blaze. Através do noticiário, o rapaz fica sabendo da invasão do Hulk e resolve ir até lá encarar o Gigante Verde. Fim da história.

Tapa-buraco mequetrefe escrito pelo Daniel Way (Poder Supremo: Falcão Noturno), geralmente um razoável Garth Ennis cover. Mas aqui escangalharam muito a barra. Já os desenhos de Javier Saltares são apenas corretos - e estou sendo bem bonzinho. Só se salva mesmo a belíssima arte da capa, cortesia do italiano Gabriele Dell'Otto.

O irônico é que a voz da razão vem do próprio Lúcifer. Na tentativa de impedir Blaze, ele avisa: "isto não é da nossa conta... não vá..."


Heroes For Hire #11


O tempo foi passando e acabei nunca lendo Heroes For Hire. Esta foi a primeira vez. Me lembrou bastante Nova Onda, de Warren Ellis (publicada aqui via Marvel MAX). Ambos têm muitas similaridades: tom bem-humorado, elementos de espionagem, diálogos cheios de duplo sentido, garotas bem-alimentadas abusando dos decotes e das posições de cachorrinho(a), e integrantes vindos da 4ª divisão dos buchas. Pra completar, as duas equipes têm como líder uma heroína negra das antigas - no caso, Misty Knight, ex-tira e eterna namorada do Punho de Ferro.

Os demais componentes são Shang Chi, Gata Negra, Tarântula, Colleen Wing, Paladino e Humbug. Este último está com um visual novo que lembra um filhote do Besouro Azul, da DC, com o Black Kamen Rider. É o que mais se destaca na edição, já que suas habilidades "insetísticas" interagem com pelo menos dois integrantes do Warbound: Miek e Brood, que estão preparando o terreno para uma infestação alien generalizada.

Apesar da cara de tosqueira anunciada, o roteiro de Zeb Wells é curioso e mantém o senso de continuidade. E os rabiscos de Clay Mann são bacanas - em especial as moçoilas, agradavelmente voluptuosas. Vamos ver no que vai dar.

A edição também traz uma sub-sub-sub-trama, com o Paladino investigando uma conspiração envolvendo a cavalíssima Carmilla Black, a nova Escorpião. Bobagenzinha à toa. Roteiro de Fred Van Lente e traços curvilíneos de John Bosco, xará do nosso João Bosco.


World War Hulk: X-Men #1


Queria mesmo saber como ia ser o acerto de contas do Verdão com Xavier e, por extensão, com os X-Men. Primeiro, porque o tutor dos mutunas não esteve presente naquela fatídica reunião do Illuminati. Segundo, porque a única coisa que faria Xavier sair de cima do muro seria um gigante radioativo, indestrutível e louco da vida batendo em sua porta.

Tchan-tchan-tchan-tchann...
Hulk esteve com a agenda abarrotada desde que chegou de viagem. Em que ponto da narrativa ele encontra tempo pra ir à Mansão X eu ainda não consegui saber - imagino que deve ter sido depois de tudo o que aconteceu nesta primeira leva de edições. Logo que chega lá, ele é recebido a bala por um grupo de novatos liderado pelo Fera e formado por Mercury, Faísca, Pedreira, Satânico, , Elixir e X-23. Mesmo sabendo do inevitável resultado, todos lutam corajosamente. Mas no fim, Hulk-smash-puny-mutants.

Apesar do quebra-quebra que permeia 98% da edição, WWHulk: X-Men é sobre a postura de Xavier diante disso tudo. O roteiro de Chris Gage meio que fez um sanduíche ideológico aí: abriu e fechou com o bom professor sendo questionado (primeiro pelo Homem de Ferro, depois pelo Verdão) e recheou tudo com bastante porrada. Deu certo e os desenhos de Andrea Di Vito não vacilaram: durante a luta com final premeditado, fica claro o espírito bravo e perseverante do X-time.

Só não sei ao certo como a equipe principal dos X-Men apareceu por aqui. Em Astonishing X-Men #21 - excepcional arco do Joss Whedon - eles estavam a zilhares de quilômetros da Terra.

Excetuando a Wolverinete X-23, não conhecia nenhum dos mutantes newbies que tiveram a paudurescência de enfrentar o Hulk. Sei que é notório o beco sem saída que se tornou esse lance de super-poderes, mas o caso da Mercury foi muito sintomático. Suas habilidades copy-pasteadas do T-1000 remetem à também mutante Robin Vega, que apareceu em Homem-Aranha #192.

Ou seja... os arquivos da Marvel estão mais bagunçados que repartição pública. Nego sai criando personagem sem fazer uma consulta decente e dá nisso.


World War Hulk: Front Line #1


Front Line é um olhar mais realístico sobre os últimos grandes eventos da Marvel. Guerra Civil teve uma, Iron Man também e por aí vai. Tudo sob o ponto de vista dos repórteres investigativos Ben Urich e Sally Floyd, com eventual participação do detetive Danny Granville. Urich saiu recentemente do Daily Bugle de J.J.Jameson e criou seu próprio jornal on-line com Sally - chamado Front Line, claro. A dinâmica entre os dois é o forte da série. Difícil não ser cativado. Para os órfãos de Alias, Front Line é quase um alento.

A edição mostra o impacto do ultimato do Hulk sobre a população e o que acontece nas ruas durante as 24 horas do prazo estipulado. O roteiro é muito bem-humorado, principalmente na segunda metade, quando a nave do Warbound aterrisa no Central Park - um moleque chega a dizer que parece o Cirque du Soleil, mas lembra mesmo uma paródia ao clássico O Dia em que a Terra Parou. Korg é quem faz o corpo-a-corpo para estabelecer os termos da "ocupação pacífica". Porém, logo ele se vê obrigado a pressionar o Departamento de Polícia (!!) quando o dróide do Warbound, Arch-E-5912, é depenado em um subúrbio. A bomba acaba estourando na mão do pobre Danny.

Prosa leve e bem-sacada de Paul Jenkins, meu ídolo. O "normal" dele é tão bom que é até uma pena quando tudo fica "super" no final. Traços urbanóides de Ramon Bachs, como deve ser.


A seguir:



To be continued...


Destrinchando: Incredible Hulk #108, World War Hulk #2, WWH Front Line #2, Ghost Rider #13 (fazer o quê!), Avengers: Initiative #4, Irredeemable Ant-Man #10 (vixe), WWH Gamma Corps #1, Heroes For Hire #12 e WWH X-Men #2. Roooaarr!!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO HULK


Parece que a notícia do dia nos meios pop quadrinhísticos (quiçá cinematográficos!) foi Edward Norton embebido em radiação gama para o próximo filme do Hulk. Norton é um dos melhores atores de sua geração e sua presença neste projeto com certeza muda, e muito, a percepção geral sobre o que virá a ser o filme. O primeiro longa foi bastante criticado, principalmente pela intensa carga dramática conferida pelo diretor Ang Lee (não inesperadamente: ele cansou de repetir que faria uma "tragédia grega", nestas palavras) - do lado de cá, acredito que este primeiro momento foi absolutamente necessário antes de qualquer outra coisa.

Mas a história se repete - se antes a novidade insólita foi a toda-boa Jennifer Connelly, agora é a vez de Norton garantir uma atuação de alto nível e, porque não, ser um baita chamariz de público (principalmente após a moralzinha mais popularesca adquirida via O Ilusionista). Tomara que não seja pedir demais que La Connelly retorne ao cast, juntamente com o grande Sam Elliot. Eu até ajudo a pagar.

Se alguém tem experiência em dupla personalidade é Ed Norton. A primeira vez que vi o sujeito foi em As Duas Faces de um Crime, com Richard Gere estrelando. O thriller era meia-boca toda vida até seus dez minutos finais, quando é revelada a presença de um monstro gigante em cena. Quem assistiu o filme na época saiu atropelado. Na ocasião, Norton saiu recolhendo indicações - Oscar incluso - e prêmios a rodo (conta quantas vezes aparece o nome dele aqui). Já em Clube da Luta, seu alter-ego, o paranoid Tyler Durden, era uma força anti-sistema de caráter (auto-)destrutivo. E o Hulk não é nada mais que uma simbologia grotesca e per se deste mesmo conceito.

A verdade é que daí pode sair qualquer coisa (até mesmo o primeiro nuke da filmografia de Norton), mas ao menos há uma certeza: Bruce Banner nunca esteve tão próximo de seu sociopata interior.


No final de 2005, "todo mundo" foi aterrorizado pela imagem acima. Até então, só sabíamos que uma das tretas mais clássicas dos quadrinhos - Wolverine contra Hulk, gafanhoto! - ganharia sua versão no Universo Ultimate, onde tudo vale, tudo é permitido, de golpe abaixo da linha da cintura a dedada no olho. Mas ninguém estava preparado pra isto, for Christ's sake. Viajando pela web como parte de um preview da história, a força dessa imagem foi um trampo marketeiro de primeira linha. E reflete à perfeição o que é a Marvel Comics sob a gerência de Joe Quesada, para o bem ou para o mal. O fato é que a mesma foi o papel de parede de todos os computadores que usei na época. Já vinha em resolução 1024x768 mesmo. Fui fisgado legal, admito.

Aí saiu a primeira edição. A primeira de uma minissérie de seis. Fevereiro de 2006. Escrita por Damon Lindelof, co-criador e roteirista de Lost, e desenhada pelo excelente Leinil Francis Yu, de Superman: O Legado das Estrelas. Nada mal, hein. No mês seguinte (março, pra constar), houve um apagão e nada da revista. Tá, era bimestral. Beleza. Em tempos de Evil That Men Do, Daredevil: Father e Ultimates 2, a paciência virou a maior das virtudes. Em abril, ueba, lá estava a HQ seguindo seu curso na 2ª edição.

E foi a última vez que a vi.

Atualmente, Ultimate Wolverine vs. Hulk jaz em alguma geleira próxima daquela em que o Capitão América foi resgatado. Ou em algum ponto obscuro da ilha de Lost, onde nem os Outros se atreveriam a chegar. A história do atraso desta 3ª edição virou lenda urbana nos meios editoriais. Primeiro, ela foi re-solicitada para maio. Após, teve lançamento oficial agendado pra 12 de julho e nada aconteceu. Re-solicitada novamente para 9 de agosto, e na seqüência para 20 de setembro, 25 de outubro e, mais uma vez sem sucesso, para 27 de dezembro. Por fim, foi anunciado seu cancelamento provisório até que todas as edições restantes estejam completadas.

Eu nem ligaria se fosse, p.ex., o Aranha Ultimate de Bendis/Bagley. Mas o que acontece aqui é justamente o contrário. Ultimate Wolverine vs. Hulk estava se encaminhando pra ser uma das coisas mais divertidas publicadas nesta década. As duas únicas edições são um tour-de-force irresistível de humor negro e boas sacadas.


A premissa é aquela mesma juramentada e sacramentada pelo universo normal dos personagens - a SHIELD quer a cabeça do Hulk numa bandeja e vê em Wolverine a saída mais prática pra resolver a parada. A seqüência insanamente gore do Wolvie sendo partido igual Doritos vem logo nas primeiras páginas, já entregando a disposição monstruosa de Lindelof/Francis Yu. Depois disso, corta pra alguns dias antes, quando Nick Fury tenta convencer Wolverine... pensando bem, "convencer" não foi bem o caso.

Fury: "Você fará, Logan?"
Wolvie: "Yeah. Eu farei."
Fury: "Eu não tenho de ameaçar você? Te dar uma moto multi-milionária? Te oferecer um pedaço do seu passado misterioso?"
Wolvie: "Você disse que ele é durão. Vai ser divertido."

Nesse interím, o Hulk/Banner (que saiu vivo da execução termonuclear vista em The Ultimates 2 #03), fez uma excursão literalmente devastadora por vários países da Europa e acabou desembocando no Tibet atrás de paz interior. Como sabemos, o Hulk Ultimate é cruel até a medula óssea e seus acessos de fúria não perdoam ninguém. Só mesmo alguém da linhagem sagrada do Dalai Lama poderia ajudá-lo... no caso, este seria o Panchen Lama e é aí que eu paro porque a cena é hilária e não dá pra revelar mais.

No frigir dos ovos, a última coisa que nos resta é a esperança. Miremos no exemplo da lendária 13ª edição de Ultimates 2 que está aí, na boca do caixa, com shots descaralhantes de páginas óctuplas aquecendo a chama que existe em nossos corações. Raspas e restos me interessam. Não tenho dignidade, pois sou fã de HQs. E como Leinil Francis Yu não é de dar satisfações, vou de Ed McGuiness mesmo.




Na edição #50 de Wolverine, McGuinness e o irregularzão Jeph Loeb mandam um 'curta-metragem' bastante divertido, onde Wolverine relembra detalhes aparentemente não divulgados de seu primeiro encontro com o Hulk, logo na estréia do baixinho canadense.

A referência é clara e evidente. Leinil & Lindelof (parece dupla sertaneja) até constam nos agradecimentos, mas o modo como a história termina é particularmente sugestivo. Só espero que não seja uma alusão ao destino da mini.


Pelo menos, terei alguma distração durante a espera. Como a "batalha do século", por exemplo.



...que por acaso é revanche. Hulk já perdeu uma vez pro Raio Negro. Quero ver agora, no jogo de volta.




Se o novo confronto for tão sóbrio quanto este...


Edward Norton em Hulk 2... surreal.