Chega de farra, chega de festa... só que nãoooo! ROM está aqui!
Finalmente consegui botar minhas patas pútridas no ROM da Marvel Legends. Sempre levei aquisições de hominhos com rédea curta, mas esse foi impossível deixar passar. Tanto pela porrada nostálgica na veia quanto pela qualidade absurda da peça. O design é fidedigno ao do herói dos quadrinhos de Bill Mantlo e Sal Buscema – inclusive se destacando do padrão da linha Legends com uma escultura quase toda feita do zero e poucas partes recondicionadas de outras action figures. Com o visual diferentão do Cavaleiro Espacial, não tinha como ser diferente.
A primeira coisa que salta aos olhos é que este ROM em escala 6" é um tanto maior que seus companheiros de linha. Tudo suave: nas HQs ele é realmente um ciborgão da porra.
A peça vem com dois pares de mãos, juntamente com o Analisador e o Neutralizador, idênticos aos dos gibis. De mimos, vem um effect de raio que serve para os dois dispositivos e uma miniatura emborrachada da edição de estreia do Cavaleiro, com a arte do Frank Miller.
No quesito articulação, o bonequinho dá um show – lembrando que ROM e seu design de geladeira antiga deveria ser inviável para os padrões atuais. Vários pontos de articulação, inclusive com articulação dupla nos cotovelos e joelhos e com o corte do giro das pernas escondido pelas botas (boa!). O teste de fogo foi mimetizar a pose de voo horizontal olhando pra frente, como nas HQs. E sim, é possível!
As juntas são bastante firmes (mas evidente que meu guri de 4 anos interior ficará acorrentado no porão durante os manuseios) e não há a menor dificuldade dele ficar em pé, por mais esdrúxula que seja a pose. Aliás, dá pra fazer todas as poses dos quadrinhos do ROM da Marvel – só não fiz ainda a basicona do corner box.
Em outras palavras, diversão para o infinito e além da Nebulosa Negra.
Lógico, podia ter vindo um effect para os retrofoguetes e um effect extra de raios – embora o ROM só use um equipamento por vez, materializado do subespaço, fica a vontade de vê-lo largando o raio pra cima da Espectraiada igual um mano.
Por último, faltou o Tradutor, pô. Item clássico.
Tudo isso é perdoável, afinal a Legends é uma linha de entrada, baratinha neste segmento de hobby playboy. Não dá pra ter tudo.
O mais importante é que eles entregaram. E reafirmaram uma velha certeza...
Felicidade é mato com o ROM enfim 2.0. Mas paro por aí em termos de action figures.
(a menos que lancem também uns Espectros, o Híbrido, os Cavaleiros Hammerhand, Starshine, Terminator, Javelin...)
Ps: obrigado pela dica do ROM, $andro. Te odeio.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
De Gálador com muito orgulho, com muito amor
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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
No centenário de Jack Kirby quem faz a festa é você... com os importados
Num mundo perfeito, 2017 seria comemorado pelo público e editoras nacionais de quadrinhos como se fosse o aniversário de alguma grande cidade ou de algum santo padroeiro. Como sabemos, esse foi o ano do centenário de Jacob Kurtzberg (1917-1994), também conhecido como Curt Davis, Jack Curtiss, Lance Kirby (esse é ótimo), Jack Kirby. Ou simplesmente o apelido mítico que ganhou de Stan Lee: "The King".
Do fim dos anos 1950 até o fim dos anos 1970, Kirby dominava. Atualizou a estética e a dinâmica das HQs com uma fúria reformista nunca vista antes - e raríssimas vezes depois. Fez a ponte entre complexidade e simplicidade, desenvolvendo um estilo próprio que o permitia produzir páginas e páginas em ritmo industrial sem oscilar na qualidade. Nunca ninguém produziu tanto em tão pouco tempo quanto Kirby. Era praticamente um Jimmy Page dos gibis. Seu legado para as artes e para a indústria é incomparável, exercendo reflexos vívidos até hoje.
Lá fora, a artilharia Kirbyana foi incessante - não apenas neste ano comemorativo, mas nas últimas décadas. Lançamentos a todo vapor, nada sai de catálogo e a variedade de opções é impressionante. Mesmo.
Apesar disso, não é bem um cenário de reconhecimento que se vê por estas bandas atualmente, a começar por uma boa parcela dos fanboys. Já li cada bobagem sobre a arte de Kirby e ignorância sobre o contexto da época que hoje desconfio que aquelas famosas ponderações de Umberto Eco eram sobre alguns leitores de HQs. Como bem resumiu o Daniel Lopes, do Pipoca & Nanquim: "tolos".
E não ficou muito melhor com o tributo magrinho que a Panini reservou para o ano do centenário com os dois volumes de Lendas do Universo DC: Super Powers, num equívoco seletivo de dar gosto. É material inédito por aqui, certo, mas nada representativo do que foi o Rei no auge. Isso era pra ser lançado bem depois de Quarto Mundo, Kamandi, OMAC e Etrigan, o Demônio, só pra ficar na jurisdição DC. Ou, no mínimo, pra anteceder metade dessas sagas ainda em 2017.
Vão-se os centenários, ficam os importados. Se descaso é mato nessa terra, sejamos os capinadores.
O calhamaço é graúdo: além das participações no título do Hulk e da Marvel Comics Presents, as 440 páginas também trazem todas as 19 edições da série original do Machine - ou "Mister Machine", como era chamado em sua estreia oficial na quadrinhização do Rei para o clássico 2001: Uma Odisseia no Espaço, não compilada aqui por conta dos direitos que mofam ad eternum nos cofres da MGM.
E tudo bem que não se trata de um material 100% Kirby. Afinal, ele divide metade da série solo com outro criador peso-pesado - ninguém menos que o genial e genioso Steve Ditko. Excelsior!
Nada mal como uma (Almost) Complete Collection.
Uma baixa terrível, literalmente, de última hora: a substituição da capa original da The Demon #1 (set/1972), clássica e espetaculosa, por uma arte em detalhe que mais parece um flash do Etrigan com enquadramento ruim. Que o autor dessa ideia cumpra uma pena exemplar nos círculos inferiores.
E já que toquei no assunto, a Amazon anda meio salafrária ultimamente. Alguém mais encomendou aquele Cavaleiro das Trevas anunciado com capa prateada e recebeu a versão anterior, com as silhuetas do Batman e do Super?
O TPzão coleta as dezesseis edições originais de The Demon, cuja publicação atropelou os planos ambiciosos do Rei para seu xodó, a megassaga Quarto Mundo - cancelada após o sucesso nas vendas do diabão amarelo. O que, imagino, deve ter deixado Seu Kirby muito enjuriado pela sua demoníaca criação.
Deve ser a maldição do gênio da raça. Fazer o quê, se até pra
Seja como for, o capeta rimão aportou direto no quadrante 666 da coleção.
Há que se fazer a menção honrosa aos divertidíssimos The Demon vol. 1: Hell's Hitman e The Demon vol. 2: The Longest Day, com a dobradinha Garth Ennis/John McCrea imersa em insanidade e anarquia, e para The Demon: From the Darkness, de Matt Wagner e Art Nichols - provavelmente a melhor história do Etrigan já escrita.
Em outras palavras, o Demônio do Rei Kirby está em excelentes más companhias.
E o Máquina também.
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sexta-feira, 20 de março de 2015
O fantasma do Máquina

Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante... na verdade, num blog parceiro, há exatos 10 anos (!)... eu protestava pelo fato de Homem-Máquina, minissérie de Tom DeFalco, Herb Trimpe e, rufem os tambores, Barry Windsor-Smith, não ter sido relançada na então nascente onda de encadernados da Panini.
Aliás, "protestava" não... choramingava mesmo. E com orgulho.
A mini só havia sido publicada aqui pela editora Abril, em Heróis da TV (edições 102 a 105), criminosamente escondida, sem chamadinha de capa nem nada. Após 28 anos de espera, parece que alguma justiça será feita.
Não sou de sair comprando rumores extra-oficiais, mas o nível de acertos de certos informantes justifica a empolgação.
Que Asimov nos abençoe...
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Dia de gibi novo
_
Agitar uma seção nova: review de gibi novo! Eu sei, eu sei, não precisa me indicar ao Eisner de ideia do ano. O que não falta por aí é blog e fórum comendo HQ com farinha tão logo elas saem da gráfica. E não sou lá um privilegiado quando se trata de timing. Nas publicações da Panini, por exemplo, o canela verde aqui pena de 10 a 15 dias de delay em relação à São Paulo, mesmo nos títulos mensais mais carne de vaca. Mesmo assim, demanda há. Volta e meia eu fico na mão com a falta de análises críticas para algumas revistas. Uma opinião terceira nunca é demais pra ajudar na decisão de desembolsar uns suados merréis.
Toda referência é valiosa, até quando não se concorda com nada do que o sujeito escreve - a velha regra do "se ele não gostou, então vou achar legal... é cofre". Faço isso frequentemente (menos o uso do termo "é cofre"). Quase sempre fico satisfeito.
Outra coisa que acho importante (e não recebi um centavo pra isso, tsc) é tirar um pouco da pecha negativa que colocam sobre as revistas mix. Algum fanboy desvairado gritou lá do fundo "revistas mix são uma merda!", e todas as outras codornas fanboys saíram ecoando a sentença tresloucadamente por aí. O boca-a-boca em tempos de internet tem proporções godzíllicas e tsunâmicas. Só que o mercado nacional não é forte ao ponto de individualizar tantos títulos ou evitar o mix dos mesmos. E recorrendo ao chavão, "é um mal necessário".
Num mercado saudável, ainda teríamos as revistas próprias do Hulk e do Demolidor figurando tranquilas ao lado do Homem-Aranha e Wolverine. Não veríamos arcos consagrados lá fora desembocando por aqui em escalações levanta-vendas (Legião dos 3 Mundos em Superman/Batman?), nem cancelamentos sumários até de mixes teoricamente pop, como foi o caso da Marvel Action.
Com o atual êxodo de leitores para a terra prometida dos encadernados e one-shots (e para a terra encantada dos scans), fica mais fácil compreender algumas ações "obscuras e malévolas" das editoras - que são comércio, afinal. Muitos dos que abandonaram as linhas mensais reclamam da qualidade, mas não é bem assim. Tem muita coisa bacana sendo lançada, ainda que ao lado de algumas toscas. Essa má publicidade faz outros potenciais leitores virarem as costas e perderem excelentes momentos dos quadrinhos regulares. E pode acreditar, eles ainda existem.
Tudo bem que dói a retina ver o excelente Superman de Geoff Johns impresso ao lado das péssimas histórias da Supergirl (que tipo de gente consome isso nos EUA?), mas as últimas fases do Azulão são tão boas que se sobressaem de qualquer jeito. É assim também com o visceral O Velho Logan, de Mark Millar e Steve McNiven. O estiloso Demolidor de Ed Brubacker. O impagável Hércules de Greg Pak e Fred Van Lente. O frenético Motoqueiro Fantasma de Jason Aaron. E por aí vai.
Mas posso estar equivocado sobre tudo o que escrevi aqui (e ali) e as HQs mensais no Brasil já estão mesmo condenadas, bem como a impressão em papel de um modo geral. Futurólogos e early adopters queimam seus sutiãs todos os dias em praça pública e o Kindle já está aí, falta só melhorar.
Enfim, questões para serem discutidas numa roda de amigos com uma cerva gelando no bucho - de preferência, num mix de assuntos.
Marvel MAX #76

Formato americano, 100 páginas, papel Pisa-brite, R$ 7,50
Um dos poucos títulos que ainda compro todo mês desde a 1ª edição. Até hoje não teve um único número com 0% de aproveitamento, mesmo nas fases modorrentas do Wisdom e do Daimon Hellstrom. Chegamos então ao número 76 sem quedas aparentes de ritmo e quase sem sentir a longevidade do título. Elogio maior, impossível. Marvel MAX é festa punk.
Apesar da longa ausência de Tim Bradstreet nas capas da revista, das quatro publicadas nesta edição, a escolhida é realmente a melhor. Greg Land zumbificando o cartaz de Extermínio ao melhor estilo Arthur Suydam. Danny Boyle e Alex Garland aprovariam.
Aliás, essa edição em particular lembra certos jornais cariocas, como O Povo e Notícias Populares. Se torcer, jorra sangue. Às cotações:
Keith Richards - ♠ ♠ ♠ ♠ ♠
Lemmy - ♠ ♠ ♠ ♠
Angus Young - ♠ ♠ ♠
Slash - ♠ ♠
Chimbinha - ♠

Marvel Zombies 3 #2
Ninguém esperava muito da terceira parte da saga dos Zumbis Marvel (nem eu!). Sem a sensacional dupla Robert Kirkman/Sean Phillips, surpreende que ela tenha chegado à sua 2ª edição (creditada erroneamente como "Marvel Zombies 3 - 1") mantendo um nível bem interessante. Sem poder contar com personagens de peso, o roteirista Fred Van Lente teve mais liberdade para injetar gore no universo 616, o Universo Marvel normal - afinal, ninguém iria sentir falta dos buchas aqui desmembrados e devorados sem dó.
Na premissa, alguns Zumbis Marvel conseguem chegar à Terra 616 para "espalhar o evangelho". Logo em seguida, uma missão é organizada pela A.R.M.A.D.U.R.A. (Agência para Rastreio e Monitoração Ampla e Duradoura de Urgências em Realidades Alternativas - os caras da Panini estão ficando bons nisso!). O objetivo é ir ao universo zumbi e buscar amostras essenciais para a cura da praga. Para diminuir os riscos, a agência recruta dois seres artificiais para o serviço: Aaron Stack, o Homem-Máquina, e seu antigo interesse robótico, Jocasta. Chegando lá, eles se deparam com uma grande organização de supervilões zumbis liderada por um Wilson Fisk desmorto.
Além do humor doentio de praxe, o roteiro de Van Lente rende algumas boas sacadas, como a cultura de clones e a xenofobia crônica de Aaron em relação aos "carniformes". Ele beira a ultraviolência, especialmente quando se vê livre para matar à vontade ("isto não é o universo zumbi... é o paraíso dos robôs"). E respeitando a cronologia, Van Lente manteve o background dos zumbis referenciando um momento do crossover Zumbis Marvel: Uma Noite Alucinante, quando o Rei foi fuzilado pelo Justiceiro.
O traço solto e sem firulas de Kev Walker lembra bastante o de Sean Phillips. Propositalmente, com certeza. E a tosqueira splatter está toda lá, cheirando a produção B da Troma Films - vide a cena escrotíssima envolvendo as entranhas do Abutre (imagina o John Malkovich ali). Nesse quesito, Walker já era especialista de longa data, visto que entre seus trabalhos antigos estão duas capas do podrão Autopsy (Severed Survival e Mental Funeral).
Até agora, um bom trabalho da dupla, que dribla a falta de hype com talento e desencanação. E uma carnificina das boas.
♠ ♠ ♠

Foolkiller: White Angels #1
Foolkiller foi criado em 1974 e ao longo dos anos ganhou várias versões e alter-egos. A repaginada mais relevante, no entanto, foi a última, pelo roteirista Gregg Hurwitz. A princípio, ele virou só mais um copycat do Justiceiro da versão MAX. Rendeu um razoável arco de estréia e segue agora de maneira estupidamente instigante. Nem imagino o que Hurwitz andou lendo ou assistindo nesse meio-tempo, mas a sua evolução na construção de climas e cenários é escandalosa.
No início da trama acompanhamos um ex-detento recém-saído da prisão e as dificuldades que enfrenta para se reintegrar à sociedade. A narrativa é tão eficiente em cativar o leitor, que fica difícil não torcer pelo personagem quando ele finalmente começa a dar a volta por cima. O clímax é fora-de-série. Hurwitz ainda introduz um grupo neo-KKK chamado Anjos Brancos, fornecendo o gancho necessário para o Matador de Idiotas intervir com som e fúria.
Os desenhos agora estão por conta do ótimo Paul Azaceta (B.P.R.D.: 1946), que se revela muito mais adequado àquele universo do que Lan Medina, o artista anterior. Com um estilo rotoscópico que lembra o de Michael Gaydos (Alias), ele também conta com um bom repertório de recursos sequenciais. Dá um show já nas duas primeiras páginas, com cinco quadros retangulares cada, ilustrando cenas do mortificante cotidiano da penitenciária.
Um excelente (re)começo. Tomara que a dupla mantenha o nível - e saiba tirar um bom proveito da participação especial do Justiceiro, mais pra frente.
♠ ♠ ♠ ♠

Terror Inc. #4
A história de um vândalo em pleno ano de 455 que, entre mortes, estupros e pilhagens, mata uma besta-fera demoníaca e acaba amaldiçoado a apodrecer em vida eterna. Uma espécie de Highlander sem problemas com decapitações, mas com o prazo de validade pra lá de vencido. Com o tempo, ele aprende alguns macetes sobre sua nova condição, como o estranho poder de incorporar órgãos e membros "extraídos" de outros seres. E até mesmo possuir novos corpos para assim descartar o anterior, deteriorado. Dois milênios depois, ele continua no ramo do assassinato - agora por contrato e sob a alcunha de Sr. Terror.
A primeira edição de Terror Ltda. foi bem curiosa e intrigante. Apesar de parecer um carnaval de vísceras e fluídos, o roteiro lovecraftiano de David Lapham consegue tecer um bizarro conto de origem para o personagem (certamente inspirado no abominável Dr. Phibes). Em particular, na fase passada em 1164, nas gloriosas batalhas contra os Cavaleiros das Sombras. Décadence avec élégance pra chuchu.
Mas verdade seja escrita... ainda que divertidas, as demais edições são grafismo puro e desmedido. Tem mais sangue e toucinho exposto aqui do que numa versão director's cut estendida de A História de Ricky! E mesmo a reviravolta preparada por Lapham (ganhador de um Eisner) soa bastante previsível.
Nada que a desqualifique, porém. O personagem é carismático e tem nuances interessantes, bem como a sua agente, a cool e gostosa Sra. Primo. Os bons traços de Patrick Zircher (Thor: A Era do Trovão) fecham a conta e garantem a perversão.
♠ ♠ ♠

Punisher MAX #54
Tem algo esquisito no ar quando um vilão como o Barracuda ganha a simpatia irrestrita do leitor. O cara não é como o Dr. Destino, o Darth Vader ou qualquer desses arquétipos icônicos. É vilão nível humano mesmo. Genocida canibal estuprador matador de criancinhas - sempre com um largo sorriso no rosto e uma piada pronta. Desconcertante. Mas não se engane, é só a diversão de Garth Ennis entre uma e outra incursão mais séria do Justiceiro.
Por isso que, mesmo sob um contexto tão barra-pesada, os dois arcos com participação do Barracuda, mais a sua minissérie solo, têm sabor inequívoco de entretenimento fácil. A walk on the wild side. E absolutamente imperdíveis.
Esta conclusão do arco A Longa e Fria Escuridão não nega sua vocação. São dois homens de ferro determinados a fazer o que for preciso para quebrar um ao outro, física, estratégica e psicologicamente. Quando o barraco explode de vez na reta final, são necessárias as duas últimas edições inteiras para estirpar na porrada a tensão absurda que foi construída. Uma pequena obra-prima demencial do reverendo. Amém.
Claro que sem o traço estilizado do croata Goran Parlov, o Barracuda não seria metade do que é - a primeira edição desse arco, desenhada pelo veterano Howard Chaykin (American Flagg) soou como uma introdução de luxo, mas na verdade teve pouco a ver com o personagem. A arte de Parlov está mais refinada do que nunca e se supera nas páginas 81-84 com os quadros em flashback destrinchando a vida caótica do vilão.
Vendo as cenas criadas pela dupla, sempre imagino como se fossem de algum longa animado hardcore. Sonhar não custa nada, afinal.
♠ ♠ ♠ ♠ ♠
Toda referência é valiosa, até quando não se concorda com nada do que o sujeito escreve - a velha regra do "se ele não gostou, então vou achar legal... é cofre". Faço isso frequentemente (menos o uso do termo "é cofre"). Quase sempre fico satisfeito.
Outra coisa que acho importante (e não recebi um centavo pra isso, tsc) é tirar um pouco da pecha negativa que colocam sobre as revistas mix. Algum fanboy desvairado gritou lá do fundo "revistas mix são uma merda!", e todas as outras codornas fanboys saíram ecoando a sentença tresloucadamente por aí. O boca-a-boca em tempos de internet tem proporções godzíllicas e tsunâmicas. Só que o mercado nacional não é forte ao ponto de individualizar tantos títulos ou evitar o mix dos mesmos. E recorrendo ao chavão, "é um mal necessário".
Num mercado saudável, ainda teríamos as revistas próprias do Hulk e do Demolidor figurando tranquilas ao lado do Homem-Aranha e Wolverine. Não veríamos arcos consagrados lá fora desembocando por aqui em escalações levanta-vendas (Legião dos 3 Mundos em Superman/Batman?), nem cancelamentos sumários até de mixes teoricamente pop, como foi o caso da Marvel Action.
Com o atual êxodo de leitores para a terra prometida dos encadernados e one-shots (e para a terra encantada dos scans), fica mais fácil compreender algumas ações "obscuras e malévolas" das editoras - que são comércio, afinal. Muitos dos que abandonaram as linhas mensais reclamam da qualidade, mas não é bem assim. Tem muita coisa bacana sendo lançada, ainda que ao lado de algumas toscas. Essa má publicidade faz outros potenciais leitores virarem as costas e perderem excelentes momentos dos quadrinhos regulares. E pode acreditar, eles ainda existem.
Tudo bem que dói a retina ver o excelente Superman de Geoff Johns impresso ao lado das péssimas histórias da Supergirl (que tipo de gente consome isso nos EUA?), mas as últimas fases do Azulão são tão boas que se sobressaem de qualquer jeito. É assim também com o visceral O Velho Logan, de Mark Millar e Steve McNiven. O estiloso Demolidor de Ed Brubacker. O impagável Hércules de Greg Pak e Fred Van Lente. O frenético Motoqueiro Fantasma de Jason Aaron. E por aí vai.
Mas posso estar equivocado sobre tudo o que escrevi aqui (e ali) e as HQs mensais no Brasil já estão mesmo condenadas, bem como a impressão em papel de um modo geral. Futurólogos e early adopters queimam seus sutiãs todos os dias em praça pública e o Kindle já está aí, falta só melhorar.
Enfim, questões para serem discutidas numa roda de amigos com uma cerva gelando no bucho - de preferência, num mix de assuntos.
Marvel MAX #76
Formato americano, 100 páginas, papel Pisa-brite, R$ 7,50
Um dos poucos títulos que ainda compro todo mês desde a 1ª edição. Até hoje não teve um único número com 0% de aproveitamento, mesmo nas fases modorrentas do Wisdom e do Daimon Hellstrom. Chegamos então ao número 76 sem quedas aparentes de ritmo e quase sem sentir a longevidade do título. Elogio maior, impossível. Marvel MAX é festa punk.
Apesar da longa ausência de Tim Bradstreet nas capas da revista, das quatro publicadas nesta edição, a escolhida é realmente a melhor. Greg Land zumbificando o cartaz de Extermínio ao melhor estilo Arthur Suydam. Danny Boyle e Alex Garland aprovariam.
Aliás, essa edição em particular lembra certos jornais cariocas, como O Povo e Notícias Populares. Se torcer, jorra sangue. Às cotações:
Keith Richards - ♠ ♠ ♠ ♠ ♠
Lemmy - ♠ ♠ ♠ ♠
Angus Young - ♠ ♠ ♠
Slash - ♠ ♠
Chimbinha - ♠
Marvel Zombies 3 #2
Ninguém esperava muito da terceira parte da saga dos Zumbis Marvel (nem eu!). Sem a sensacional dupla Robert Kirkman/Sean Phillips, surpreende que ela tenha chegado à sua 2ª edição (creditada erroneamente como "Marvel Zombies 3 - 1") mantendo um nível bem interessante. Sem poder contar com personagens de peso, o roteirista Fred Van Lente teve mais liberdade para injetar gore no universo 616, o Universo Marvel normal - afinal, ninguém iria sentir falta dos buchas aqui desmembrados e devorados sem dó.
Na premissa, alguns Zumbis Marvel conseguem chegar à Terra 616 para "espalhar o evangelho". Logo em seguida, uma missão é organizada pela A.R.M.A.D.U.R.A. (Agência para Rastreio e Monitoração Ampla e Duradoura de Urgências em Realidades Alternativas - os caras da Panini estão ficando bons nisso!). O objetivo é ir ao universo zumbi e buscar amostras essenciais para a cura da praga. Para diminuir os riscos, a agência recruta dois seres artificiais para o serviço: Aaron Stack, o Homem-Máquina, e seu antigo interesse robótico, Jocasta. Chegando lá, eles se deparam com uma grande organização de supervilões zumbis liderada por um Wilson Fisk desmorto.
Além do humor doentio de praxe, o roteiro de Van Lente rende algumas boas sacadas, como a cultura de clones e a xenofobia crônica de Aaron em relação aos "carniformes". Ele beira a ultraviolência, especialmente quando se vê livre para matar à vontade ("isto não é o universo zumbi... é o paraíso dos robôs"). E respeitando a cronologia, Van Lente manteve o background dos zumbis referenciando um momento do crossover Zumbis Marvel: Uma Noite Alucinante, quando o Rei foi fuzilado pelo Justiceiro.
O traço solto e sem firulas de Kev Walker lembra bastante o de Sean Phillips. Propositalmente, com certeza. E a tosqueira splatter está toda lá, cheirando a produção B da Troma Films - vide a cena escrotíssima envolvendo as entranhas do Abutre (imagina o John Malkovich ali). Nesse quesito, Walker já era especialista de longa data, visto que entre seus trabalhos antigos estão duas capas do podrão Autopsy (Severed Survival e Mental Funeral).
Até agora, um bom trabalho da dupla, que dribla a falta de hype com talento e desencanação. E uma carnificina das boas.
♠ ♠ ♠
Foolkiller: White Angels #1
Foolkiller foi criado em 1974 e ao longo dos anos ganhou várias versões e alter-egos. A repaginada mais relevante, no entanto, foi a última, pelo roteirista Gregg Hurwitz. A princípio, ele virou só mais um copycat do Justiceiro da versão MAX. Rendeu um razoável arco de estréia e segue agora de maneira estupidamente instigante. Nem imagino o que Hurwitz andou lendo ou assistindo nesse meio-tempo, mas a sua evolução na construção de climas e cenários é escandalosa.
No início da trama acompanhamos um ex-detento recém-saído da prisão e as dificuldades que enfrenta para se reintegrar à sociedade. A narrativa é tão eficiente em cativar o leitor, que fica difícil não torcer pelo personagem quando ele finalmente começa a dar a volta por cima. O clímax é fora-de-série. Hurwitz ainda introduz um grupo neo-KKK chamado Anjos Brancos, fornecendo o gancho necessário para o Matador de Idiotas intervir com som e fúria.
Os desenhos agora estão por conta do ótimo Paul Azaceta (B.P.R.D.: 1946), que se revela muito mais adequado àquele universo do que Lan Medina, o artista anterior. Com um estilo rotoscópico que lembra o de Michael Gaydos (Alias), ele também conta com um bom repertório de recursos sequenciais. Dá um show já nas duas primeiras páginas, com cinco quadros retangulares cada, ilustrando cenas do mortificante cotidiano da penitenciária.
Um excelente (re)começo. Tomara que a dupla mantenha o nível - e saiba tirar um bom proveito da participação especial do Justiceiro, mais pra frente.
♠ ♠ ♠ ♠
Terror Inc. #4
A história de um vândalo em pleno ano de 455 que, entre mortes, estupros e pilhagens, mata uma besta-fera demoníaca e acaba amaldiçoado a apodrecer em vida eterna. Uma espécie de Highlander sem problemas com decapitações, mas com o prazo de validade pra lá de vencido. Com o tempo, ele aprende alguns macetes sobre sua nova condição, como o estranho poder de incorporar órgãos e membros "extraídos" de outros seres. E até mesmo possuir novos corpos para assim descartar o anterior, deteriorado. Dois milênios depois, ele continua no ramo do assassinato - agora por contrato e sob a alcunha de Sr. Terror.
A primeira edição de Terror Ltda. foi bem curiosa e intrigante. Apesar de parecer um carnaval de vísceras e fluídos, o roteiro lovecraftiano de David Lapham consegue tecer um bizarro conto de origem para o personagem (certamente inspirado no abominável Dr. Phibes). Em particular, na fase passada em 1164, nas gloriosas batalhas contra os Cavaleiros das Sombras. Décadence avec élégance pra chuchu.
Mas verdade seja escrita... ainda que divertidas, as demais edições são grafismo puro e desmedido. Tem mais sangue e toucinho exposto aqui do que numa versão director's cut estendida de A História de Ricky! E mesmo a reviravolta preparada por Lapham (ganhador de um Eisner) soa bastante previsível.
Nada que a desqualifique, porém. O personagem é carismático e tem nuances interessantes, bem como a sua agente, a cool e gostosa Sra. Primo. Os bons traços de Patrick Zircher (Thor: A Era do Trovão) fecham a conta e garantem a perversão.
♠ ♠ ♠
Punisher MAX #54
Tem algo esquisito no ar quando um vilão como o Barracuda ganha a simpatia irrestrita do leitor. O cara não é como o Dr. Destino, o Darth Vader ou qualquer desses arquétipos icônicos. É vilão nível humano mesmo. Genocida canibal estuprador matador de criancinhas - sempre com um largo sorriso no rosto e uma piada pronta. Desconcertante. Mas não se engane, é só a diversão de Garth Ennis entre uma e outra incursão mais séria do Justiceiro.
Por isso que, mesmo sob um contexto tão barra-pesada, os dois arcos com participação do Barracuda, mais a sua minissérie solo, têm sabor inequívoco de entretenimento fácil. A walk on the wild side. E absolutamente imperdíveis.
Esta conclusão do arco A Longa e Fria Escuridão não nega sua vocação. São dois homens de ferro determinados a fazer o que for preciso para quebrar um ao outro, física, estratégica e psicologicamente. Quando o barraco explode de vez na reta final, são necessárias as duas últimas edições inteiras para estirpar na porrada a tensão absurda que foi construída. Uma pequena obra-prima demencial do reverendo. Amém.
Claro que sem o traço estilizado do croata Goran Parlov, o Barracuda não seria metade do que é - a primeira edição desse arco, desenhada pelo veterano Howard Chaykin (American Flagg) soou como uma introdução de luxo, mas na verdade teve pouco a ver com o personagem. A arte de Parlov está mais refinada do que nunca e se supera nas páginas 81-84 com os quadros em flashback destrinchando a vida caótica do vilão.
Vendo as cenas criadas pela dupla, sempre imagino como se fossem de algum longa animado hardcore. Sonhar não custa nada, afinal.
♠ ♠ ♠ ♠ ♠
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