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segunda-feira, 30 de junho de 2025
Grande Herói Marvel
Herói para muitos, desafeto para outros tantos. Se foi o grande Jim Shooter, figura única e histórica no mercado dos quadrinhos. E alguém com o qual o público mainstream tem uma dívida eterna.
Iniciando a carreira com inacreditáveis 13 anos, Shooter roteirizou Superman, Superboy e a Legião dos Super-Heróis nos anos 1970 para a DC, teve passagens pela Dark Horse e por várias pequeninas, além de fundar a Valiant, a Defiant e a Broadway Comics. Mas, claro, seu grande momento foi como editor-chefe da Marvel no período 1978-1987. As circunstâncias, da entrada à saída, mereciam uma série à parte sobre os bastidores da indústria. Editor linha-dura, Shooter não era fácil, mas foi quem salvou a Marvel da falência antecipada.
Para qualquer um que começou a ler gibis da editora nesse período, Shooter foi formador de caráter. Mesmo que por tabela. Em sua administração, a safra foi imbatível: os X-Men de Chris Claremont/John Byrne, o Demolidor de Frank Miller, o Thor de Walt Simonson, o Quarteto Fantástico de John Byrne, o Homem-Aranha de Roger Stern, os Vingadores dele mesmo e por aí vai até hoje nos desdobramentos cronológicos que valem.
Também houveram as picaretagens (lucrativas) de Guerras Secretas e (fracassadas) do Novo Universo, que, para o bem ou para o mal, mantiveram a marca Marvel em evidência. Faz parte. É business.
No meu caso, aprendi a ler com gibis da Marvel justamente na gestão Shooter. Simples assim.
Herói, sem dúvida.
Thank you for everything, Jim Shooter!
domingo, 11 de fevereiro de 2024
Whoa, Wade, whoa, Wade, whoa, Wade, whoa, Wade...
...o trailer de Deadpool & Wolverine / Deadpool 3 ficou bom bagarai!
Provavelmente vai pegar um pouco para quem não viu Loki e passou batido pela TVA, mas devem mastigar e regurgitar o conceito em dois minutinhos. Além do mais, após Ultimato, a ideia de multiverso viralizou bolha afora. Fora que nem é nova. Taí o crossover entre os universos Bombril & Bamerindus que não me deixa mentir e ainda entregam minha velhusquice. Sopa no mel para os neófitos.
Confesso que acho a metalinguagem dos filmes do Deadpool um pouco demais, mesmo alinhado com o quadrinho. O problema é que esse "God mode" e a autozueira me impedem de me importar o suficiente com as ameaças que o maluco enfrenta – particularmente em Deadpool 2. Mas é indiscutível que ver algo diferente da fórmula Marvel já dá uma injeção de ânimo na veia. E foi só um trailer.
A pergunta, então, se faz inevitável: Deadpool & Wolverine poderá salvar o Universo Cinematográfico Marvel?
Na minha opinião, o MCU tem sido mais dispensado do que assistido, propriamente. É o "não é você, sou eu" das franquias blockbuster interligadas. Algo previsível e inevitável se não apimentarem a relação. E é aí que entra o Wade Wilson.
Ryan Reynolds nasceu pra isso, sem discussão. Assim como Hugh Jackman – sabiamente não revelado – também já nasceu pra isso, uma vez. Surpreso apenas de rever a Morena Baccarin na série. E foi estranho e muito legal me deparar com o Matthew Macfadyen na prévia. Esse cara é fodão (já assistiu Um Refúgio no Passado, nome merda brasileiro para In My Father's Den?) e completamente estranho nesse nicho. E tem outro nome do elenco registrado no IMDb que só podia figurar nesta produção mesmo. Se não ligar para spoiler, vá lá.
No mais, precisei voltar ao ponto 1:47 só para me certificar de que não era o Victor ali. Que susto. E quero o Troféu Cata-Piolho pelo gibi de Guerras Secretas atirado no chão lá no finalzinho. Fiquei bem curioso para ver como o diretor Shawn Levy (Gigantes de Aço, Free Guy) trabalhou as zilhões de referências dessa gigantesca caixa de brinquedos.
Mas voltando... sim, acho que pode salvar sim.
Provavelmente vai pegar um pouco para quem não viu Loki e passou batido pela TVA, mas devem mastigar e regurgitar o conceito em dois minutinhos. Além do mais, após Ultimato, a ideia de multiverso viralizou bolha afora. Fora que nem é nova. Taí o crossover entre os universos Bombril & Bamerindus que não me deixa mentir e ainda entregam minha velhusquice. Sopa no mel para os neófitos.
Confesso que acho a metalinguagem dos filmes do Deadpool um pouco demais, mesmo alinhado com o quadrinho. O problema é que esse "God mode" e a autozueira me impedem de me importar o suficiente com as ameaças que o maluco enfrenta – particularmente em Deadpool 2. Mas é indiscutível que ver algo diferente da fórmula Marvel já dá uma injeção de ânimo na veia. E foi só um trailer.
A pergunta, então, se faz inevitável: Deadpool & Wolverine poderá salvar o Universo Cinematográfico Marvel?
Na minha opinião, o MCU tem sido mais dispensado do que assistido, propriamente. É o "não é você, sou eu" das franquias blockbuster interligadas. Algo previsível e inevitável se não apimentarem a relação. E é aí que entra o Wade Wilson.
Ryan Reynolds nasceu pra isso, sem discussão. Assim como Hugh Jackman – sabiamente não revelado – também já nasceu pra isso, uma vez. Surpreso apenas de rever a Morena Baccarin na série. E foi estranho e muito legal me deparar com o Matthew Macfadyen na prévia. Esse cara é fodão (já assistiu Um Refúgio no Passado, nome merda brasileiro para In My Father's Den?) e completamente estranho nesse nicho. E tem outro nome do elenco registrado no IMDb que só podia figurar nesta produção mesmo. Se não ligar para spoiler, vá lá.
No mais, precisei voltar ao ponto 1:47 só para me certificar de que não era o Victor ali. Que susto. E quero o Troféu Cata-Piolho pelo gibi de Guerras Secretas atirado no chão lá no finalzinho. Fiquei bem curioso para ver como o diretor Shawn Levy (Gigantes de Aço, Free Guy) trabalhou as zilhões de referências dessa gigantesca caixa de brinquedos.
Mas voltando... sim, acho que pode salvar sim.
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quarta-feira, 25 de agosto de 2021
Universo Marvel 171
Jim Shooter nunca foi de medir palavras. Adoro a máxima de Bruce Jones resumindo como era trabalhar com o ex-editor-chefe-e-carne-de-pescoço da Marvel: "I was just in there dodging shots from Shooter." Trocadalho do carilho. Então, nada melhor para animar um evento ou um churrasco da firma que a presença desse ilustre controverso. Sempre rende —e rendeu bastante no Q&A da MegaCon Orlando, que rolou no início deste mês.
Neste trecho, ele conta sobre um telefonema muito suspeito que recebeu da Marvel a respeito de Guerras Secretas. Quase 40 anos depois da saga...
Em tradução livre, leve e solta:
No fim, ele faz breves reflexões sobre a indústria hollywoodiana e o jeitinho à Odorico Paraguaçu de conduzir negócios por lá. Não nestes termos, evidentemente.
Primeiro: hábitos antigos não se perdem fácil. O "palhaço" que o diga. Devia ser um purgatório trabalhar com/pro Atirador. Segundo, muito provavelmente ele acaba de escancarar em praça pública qual será a direção do UCM pós-Kang. E isso é inconcebivelmente grande em escopo. Planejamento a longo prazo, é o que digo. Por último, é um testemunho inconteste do chapéu-seguido-de-bolada-nas-costas que a Marvel acabou de aplicar. Mais um.
Dez mil doletas não é nem 0,01% do bilhão fácil que o estúdio irá faturar com a bilheteria disso —pra não falar nos direitos de co-criação dos personagens citados (e mais um complicado: Venom) e o respectivo merchandising/pé de meia vitalício. Kevin Feige deve estar rolando de rir até agora.
E assim se encerra mais um capítulo de Cambalacho Marvel da Semana.®™
Se estivesse lá, teria dito a Shooter para perguntar antes eatirar assinar depois. E principalmente: "não pegue o dinheiro, idiota."
Neste trecho, ele conta sobre um telefonema muito suspeito que recebeu da Marvel a respeito de Guerras Secretas. Quase 40 anos depois da saga...
Em tradução livre, leve e solta:
"Esse palhaço me ligou da Marvel, não era editor nem nada. Ele era um executivo da administração de propriedades, o que é um pouco estranho. Ele me perguntou se eu queria escrever uma novelização de Guerras Secretas. E eu disse, bem, que pensaria a respeito. Então ele me mandou uma oferta e a oferta veio com um contrato e o contrato era grosso assim. E quase tudo daquilo era um contrato retroativo de prestação de serviços. E era legalmente coberto de todas as maneiras possíveis, se o tribunal não aceitasse aquilo, até seus filhos iriam pra cadeia. Isso é terrível e era tão somente um enorme e draconiano negócio de prestação de serviços. E haviam duas páginas sobre o quê o acordo realmente era e o acordo era inaceitável de todo jeito. Eu estava, tipo, 'não, não vou fazer isso, não é nem mesmo uma oferta real.' Acho que talvez ele pensava que eu estivesse desesperado ou algo assim. Então, eu recusei e aí recebo uma ligação de seu chefe, David Bogart, e ele é vice-presidente executivo de alguma coisa relacionada às propriedades. E ele pediu desculpas por esse cara subalterno que estava tentando me convencer a assinar o contrato antes... Ele disse, 'bem, eu realmente não posso falar sobre isso, mas gostaríamos que você assinasse um contrato de prestação de serviços' e, eu disse, 'tudo bem, envie para mim, eu trabalho por encomenda. É seu, apenas me envie a papelada.' E ele disse, 'não, estamos preparados para lhe pagar dez mil dólares para assinar o seu nome.' Eu disse, 'você não tem que me pagar nada, eu sei que foi um trabalho por encomenda, o que eu vou fazer, mentir?' Mas eles não tinham um único pedaço de papel que dissesse que eram os donos do Beyonder, Titânia, Vulcana e de quaisquer outros personagens que colocamos lá, incluindo a nova Mulher-Aranha e toda a coisa do Uniforme Negro, nada, e nenhum pedaço de papel para dizer que eram seus donos. Eu disse, 'você não tem que me pagar, mande o maldito papel, eu assino.' Ele disse, 'pegue o dinheiro, idiota.' Eu disse, 'tudo bem, eu pego.' Então, assinei o contrato e perguntei a ele, 'isso significa que você vai fazer um filme, certo?' Ele respondeu, 'não tenho autorização para falar sobre isso'. E eu disse, 'acho que você acaba de falar.'"
No fim, ele faz breves reflexões sobre a indústria hollywoodiana e o jeitinho à Odorico Paraguaçu de conduzir negócios por lá. Não nestes termos, evidentemente.
Primeiro: hábitos antigos não se perdem fácil. O "palhaço" que o diga. Devia ser um purgatório trabalhar com/pro Atirador. Segundo, muito provavelmente ele acaba de escancarar em praça pública qual será a direção do UCM pós-Kang. E isso é inconcebivelmente grande em escopo. Planejamento a longo prazo, é o que digo. Por último, é um testemunho inconteste do chapéu-seguido-de-bolada-nas-costas que a Marvel acabou de aplicar. Mais um.
Dez mil doletas não é nem 0,01% do bilhão fácil que o estúdio irá faturar com a bilheteria disso —pra não falar nos direitos de co-criação dos personagens citados (e mais um complicado: Venom) e o respectivo merchandising/pé de meia vitalício. Kevin Feige deve estar rolando de rir até agora.
E assim se encerra mais um capítulo de Cambalacho Marvel da Semana.®™
Se estivesse lá, teria dito a Shooter para perguntar antes e
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Guerras Sacanas
Eu sei, eu sei... alimentei a fera. Inflacionei o mercado, lubrifiquei as engrenagens da Skynet, fiz acordo com Mefisto. Mas atire a 1ª Super-Heróis Premium quem nunca foi a uma banca ou livraria, viu uma falcatrua, riu da falcatrua e saiu de lá com uma falcatrua. Leitor de gibi é um bicho estranho. Vez ou outra sofre uma epifania, desliga o senso crítico em detrimento da razão - mais precisamente, do livro razão - e se joga todo faceiro às estatísticas das editoras e suas fantásticas edições-limitadíssimas-e-absolutamente-deluxe-apenas-para-colecionadores-exigentes. Aliás, patologicamente exigentes, com ênfase no pato.
Quando a epifania passa, olha lá a falcatrua na estante.
Mas não se pode subestimar o poder do lado negro. Ainda mais quando perpetrada por operativos formidáveis com longa experiência de campo. Sabe quantas Universo Marvel com o Quarteto na capa eu comprei repetidas? Quantas Dimensão DC: Lanterna Verde? E Marvel Millennium - Homem-Aranha? Plausible deniability no dos outros é refresco.
Correndo por fora, a Mythos Editora ganhou muitos pontos nos círculos inferiores com aquele Hellboy Edição Gigante - A Morte de Hellboy, reeditando a esgotada e há muito suplicada O Clamor das Trevas (2008) junto com Caçada Selvagem (2012!) e Tormenta e Fúria (2014!!), estripando em 170 marcelas o bolso do hellfan que só queria a primeira. Golpe de mestre (das trevas) que encontrou paralelo nas assassinas voadoras do CLUQ e suas edições de Ken Parker de 64 páginas a 65 marcelas
Mas não teve jeito: a Panini desovando Guerras Secretas - Edição Especial em tempo recorde após Coleção Histórica Marvel - Guerras Secretas foi, sem exagero, a Ordem 66(6) do mercado brasileiro de HQs em 2016. De diferencial, a CHM trazia um punhado de histórias-bônus - que, eu então desconhecia, não tinham relevância histórica ou conexão com a saga principal. E era em papel offset com cheirinho de EBAL. Caí facin.
Mal tinha armado o box, acomodado os cadernos ali dentro (já tentou fazer isso após 5 latões?), fechado e disposto na estante, a Panini anuncia o capa dura edição única com extras exclusivos. Pra disfarçar, vai que é tua, Alex Ross.
Fffffuuuuuu...
Mas gosto da saga. Escolado em mim mesmo, já sabia que toda resistência seria fútil. Então abstraí e aguardei diligentemente por um bom desconto. Pra amortizar umas moedas, sacumé.
Os tais extras não são graúdos como os de um Crise, mas nesse caso o conteúdo prevalece sobre a forma: estudos e artes não-finalizadas da saga pelo indefectível Mike Zeck, santo padroeiro do Steve Rogers e do Frank Castle nos loucos anos 1980.
Amém.
Também era de se esperar uma impressão afudê-em-couché comparado ao offsetão anterior. Mas não imaginava uma diferença assim tão esgulepante.
No fim, acho que este cenário é similar ao de muitos outros saudosos e velhuscos leitores de super-heróis da Abril. Se esse for o caso, eu diria que vale a pena avaliar a possibilidade de descascar esses limões e fazer a tal da limonada. Mas, claro, estabelecendo uma hora de parar também.
"A Guerra para acabar com todas as guerras!"
Duvido.
* * * * *
A Panini segue firme e forte em sua miguelagem de verniz!
A capa de Guerras Secretas - Edição Especial parece ter saído da fábrica de papelão reciclado sem tempo pra mais nada. Eles estão ficando bons nisso - o que é preocupante. A impressão ficou melhor do que, por exemplo, a da capa da "edição definitiva" de Asilo Arkham, do ano passado.
Na saga do Morcego, a capa sem o verniz ficou fosca, gélida e estéril, em contraste extremo com as cores vibrantes e o tom ameaçador da edição definitiva de 2013.
À esquerda, com miguelagem de verniz; à direita, sem miguelagem de verniz
Mesmo tendo a anterior, acabei pegando a nova porque, apesar da capa envernizada, linda e joiada, o letreiramento da edição de 2013 era uma tragédia. Na reedição recente algumas coisas foram reparadas, mas no geral não melhorou muito mais, não.
Ambas tomam uma surra de vara verde da antiga edição da Abril.
Porra, Panini. Vocês têm ideia do quanto isso é humilhante?
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Porra Panini!,
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segunda-feira, 15 de outubro de 2007
BEYONDER BEYOND
The New Avengers: Illuminati #3 me confirmou uma velha suspeita: mais que "Casa das Idéias", a Marvel Comics é o "Depósito das Idéias". Hoje vejo mais claramente as pontas soltas largadas à bangu ao longo de sua cronologia, apenas para faturar em premissas mais adiante. O que existe lá é um oceano de assuntos mal-resolvidos. Não por acaso, vários arcos da editora parecem ter sido tramados com mais de vinte anos de antecedência. Assim fica "fácil", a deixa já estava lá, à espera de um roteiro. Tudo em nome da continuidade quadrinhística, claro, mas os editores abusam. A lista destes, hã, "spectro-plots" é longa, variada, mesmo se pegarmos exemplos mais recentes. Temos de Yelena Belova, Nicky Fury, Wanda e Capitão até a pequena Danielle Cage. Todos vivendo numa completa incompletitude (isso é Gil ou Caetano?) e no aguardo da redentora resolução (Gessinger?).
Isto pra não citar as pendências-monstro deixadas por Eternos de Neil Gaiman e, mais polêmica ainda, World War Hulk. E nem queira entender as origens co-relacionadas do Visão e do Tocha Humana original.
A propósito, só fui saber outro dia que botaram a Contraterra na conta do papa. Pobre Alto-Evolucionário. Tanta coisa para nada, afinal.
Por sorte, esses ganchos recorrentes até fazem parte do charme. O próprio Brian Michael Bendis, na bacanuda As Incríveis Aventuras de Stan Lee, desconstruiu essa mania de resgatar trasheiras há muito esquecidas ("mini em seis edições: ROM, O Cavaleiro Espacial!"). No mais, tem de ser muito chato pra não gostar de uma boa recapitulação - quando é boa, que fique claro... esqueça o processo de puteirização a qual foi submetida a santíssima e virginal Gwen Stacy.
Seja como for, um bom timing é imprescindível nesses casos. Pena que na maioria das vezes, nem todo o timing do infinito-e-além! parece ser o bastante. O que me leva ao personagem-símbolo de toda essa embromação que a Marvel adora botar no congelador pra esquentar depois no microondas.
Beyonder é, sem dúvida, um dos maiores elefantes brancos já produzidos pela Marvel, equiparado apenas, talvez, pelo Sentry. Nos final dos anos 80, finda a saga Guerras Secretas, o personagem ficou que nem o Terminator se John Connor morresse: "useless". Não sabia até que ponto o mega-evento foi uma desculpa para produzir uma linha de brinquedos, cards, álbuns e tralhas quetais, mas lembrava que era de uma tosqueira até divertida. Relendo hoje... sim, eu reli... acrescento que é burraldo, pueril, boboca e cara-de-mamão, mas se fosse filme seria um daqueles Sessão-da-Tarde-movies que todo mundo fala mal, mas adora assistir escondido. Guerras Secretas é Quake Arena. Heróis contra heróis contra vilões contra vilões. E vice-versa.
Como de praxe, o advento de um indíviduo todo-poderoso se fez necessário pra reger a patota toda. Criado por Jim Shooter e Mike Zeck, Beyonder não era uma força da natureza unidimensional (como o Anti-Monitor), nem um niilista mega-estratégico (como o Thanos recente do Jim Starlin). Ele era de uma ambivalência passiva, um observador distante. Também não dispunha de um corpo físico, sendo representado por um tipo de feixe de energia. Quase uma sarça ardente. Sua natureza supostamente divina era pura simbologia bíblica, criacionista, onisciente e onipotente no microcosmo proposto pela saga.
Mas aí a aventura chega ao fim - inconclusivo, como sempre - e fica a questão. O que fazer com uma personagem-deidade instituída num contexto maniqueísta?
Beyonder, brincando com seus action-toys e envergando um modelito Clóvis Bornay
Guerras Secretas II, claro. Desta vez, a premissa era justamente Beyonder à procura de um papel naquele universo. O exercício criativo foi até interessante. Sendo ele mais entidade que propriamente um indivíduo, os heróis, vilões e pessoas comuns acabavam incluídos no processo. Esta era a deixa: ao confrontarem uma força da natureza inevitável, eles reafirmavam todos os alicerces éticos e psicológicos que os fazem únicos e admirados/odiados. Quase um raio X de suas profissões de fé.
A continuação se estendeu pelas principais publicações Marvel da época. Em seu decorrer, foi interessante ver como a idéia era limitada na própria simplicidade. Beyonder era o Alfa e o Ômega. Só Deus sabe como esse fardo é pesado. Logo, toda aquela conceitualização metafísica caía por terra, pois o personagem buscava auto-realização do ponto de vista mundano. Tarefa impossível, incompletos que somos - tal qual a cronologia Marvel.
No fim, Guerras Secretas II se mostrou uma experiência tão vaga que foi difícil não preencher as lacunas como passatempo mental (um dos motivos pelo qual eu amo quadrinhos). Nietzsche, Sartre, John Milton, Saramago e até o Paul Rabbit entraram na dança, mas não fui muito longe: aquela trip toda me lembrou mesmo foi uma velha história do Angeli, na qual Deus desce à Terra para se humanizar e experimentar os prazeres terrenos, e termina como um mendigo alcoólatra com delírios de grandeza. A sarjeta é logo ali, rapá.
Ecumenismo xiita, se é que isto é possível
De volta à carga, Guerras Secretas III trouxe o Super Deus Marvel Hero pra zerar os restolhos de roteiro entornados no caminho. Mas a guerra desta vez durou só uma edição (Fantastic Four #319), under-the-radar ainda por cima. Um combinho integrado pelo Dr. Destino, Tocha Humana, Coisa e Ms. Marvel (a outra, não a Danvers caval'de jour), vão até o universo do Beyonder em busca de respostas e o encontram numa tremenda ressaca existencial. Pra começar, aquele universo em que ele vivia era ele. Toda a matéria, ordem, caos, pensamento, conceito, passado, presente e futuro. Ao desejar uma existência completa, Beyonder corrompia sua própria divindade - desejo é um abismo sem fim para alguém que pode tudo. Com isso, todo o multiverso-e-lá-vai-supercorda estava ameaçado por um deus imperfeito.
A solução foi encerrar sua essência num daqueles práticos Cubos Cósmicos da Marvel - gestor de entropia cósmica expresso -, tarefa levada à cabo pelo Homem-Molecular, que no processo também foi pro saco, ou melhor dizendo, pro cubo. Soube-se também que o próprio Beyonder era energia consciente originada de um Cubo (seria então um retorno às raízes?).
Na prática, esta foi a última vez que viram a face de Beyonder. Em Beyond! não era ele e sim o Estranho, segundo a arte vagabunda do Scott Kolins, e na comprida Aniquilação houveram referências, mas nada efetivo. Parecia que aquele era mesmo o fim da linha para um personagem talvez grandioso demais para aqueles padrões, mas acima de tudo, promissor ("por mais que as coisas se modifiquem, elas permanecem as mesmas" - imagina Beyonder na visão de Alan Moore fase Big Numbers, com todo aquele subtexto envolvendo Matemática Fractal e Teoria do Caos?).
E este era um fim que contrariava o velho recurso de deixar as opções em aberto. Será?
Claro que não... não na velha Marvel, não senhor... lá, um fim é sempre um início. Desde a primeira edição, The New Avengers Illuminati deixou clara sua vocação revisionista, destacando o que seria o início da infiltração Skrull na Terra (e dá-lhe Civil War na seqüência) e repescando elementos emblemáticos como as Jóias do Infinito e o rebelde Marvel Boy Noh-Varr. Mas a edição que ressuscitou Beyonder sem dúvida foi a mais sintomática neste sentido.
Os roteiristas Brian Michael Bendis e Brian Reed ignoraram solenemente tudo o que o personagem vivenciou a partir de Guerras Secretas II. De fato, Beyonder tem o mesmo visual yuppie daquela época, o mesmo olhar intrigado mezzo infantil e a insaciável busca por auto-realização - agora com um viés altruísta-obsessivo. (Re)Descoberto por alguns integrantes do Illuminati enquanto recriava Manhattan num asteróide nos confins da galáxia, novamente ele se vê numa situação de conflito iminente contra heróis da Terra.
Só que dessa vez, Dr. Estranho, Namor, Charles Xavier, Reed Richards e Raio Negro sabiamente pulam etapas (e tapas), usando um senhor trunfo que têm na mãos. A saída proposta pelos Brians foi de chocar até o decenauta mais indiferente.
Há de se elogiar a tensão da narrativa, que deu a dimensão exata do horror dos heróis em ficar frente a frente com um ser que poderia varrê-los da existência com um mero pensamento, por tédio, capricho ou descuido. É aterrador.
No mais, é difícil prever quais serão os desdobramentos dessas novas informações. À primeira lida, parece uma compilação de furos implorando para serem delatados, subvertendo tudo o que se soube do personagem até hoje. Mas sendo Beyonder quem é... ou quem não é... tudo é possível.
A conclusão, é claro, é totalmente aberta, dando a entender que assim ficará por um bom tempo. Evaziva e incompleta, como o próprio personagem.
Nada mais adequado, afinal, como já dizia o espetacular Stan Lee... "'Nuff Sa
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