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segunda-feira, 18 de abril de 2022

Guns, Love and Thunder N' Roses

Detratores e amantes de Thor: Ragnarok, treimei-vos e regozijai-vos: aportou o trailer de Thor: Amor e Trovão.


É como receber uma transfusão do sangue do Taika Waititi chapado de LSD. Tem o aspecto da fanfarronice, incorreção e otimismo inabalável, que, misturado ao hino dos gunners (e esse deve ter sido o cheque mais gordo que Slash recebe desde 1996), dá uma sensação meio James Gunn à coisa toda. Finalmente vemos a Natalie Portman como a poseur Thor Jane Foster e ainda não dá pra ver o Christian Bale soterrado sob quilos de látex como o temível Gorr, mas a referência ao Carniceiro dos Deuses comparece, em alto e bom som.

Oito de julho (?) estarei lá. Tudo pela pipoca & guaraná.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Psycho killers, qu'est-ce que c'est

Numa sequência memorável de Psicopata Americano, Patrick Bateman (Christian Bale) resolve eliminar a concorrência com um machado enquanto faz uma verdadeira análise sobre a profundidade do pop yuppie do grupo Huey Lewis and the News. Deliciosamente insano.

Como piada boa não tem prescrição, o bom e velho "Weird Al" Yankovic refez a cena inteira invertendo os fatores com o próprio Huey Lewis protagonizando. O resultado é uma de suas melhores paródias.



Abaixo, a cena clássica para matar, chacinar, estrebuchar e esquartejar a saudade e fazer um colar com as suas orelhas.


Nota extra: desde a primeira vez que assisti ao filme achei a interpretação de Bale quase uma incorporação da persona de Tom Cruise (outro dos símbolos dos anos 80, tão satirizados pelo filme). Os mesmos maneirismos, tiques faciais, exageros... qual não foi minha surpresa em saber que foi intencional. O que só aumenta a minha admiração pelo talento de Bale. Que ator.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O MUNDO QUE JAMES CAMERON CRIOU


O Exterminador do Futuro: A Salvação (Terminator Salvation, EUA, 2009) representou antes de tudo um grande desafio para os criadores e para os admiradores da franquia. James Cameron era o padrão qualitativo a ser seguido - e praticamente impossível de ser alcançado, seja no âmbito artístico ou pelos valores nostálgicos, sempre atrelados. Ao mesmo tempo, oferecer uma continuidade relevante à mitologia é pisar em campo minado. Primeiro, por se desfazer de todas as convenções caras ao terminatorverse, considerando que nos três filmes anteriores a premissa básica era a mesma. Sem mais das elocubrações espaço-temporais e do tenso jogo de gato-e-rato, o alvo agora era a guerra do futuro. Depois, porque o Exterminador original já tem 25 anos, e a nova produção explora um cenário já visitado por incontáveis imitações desde então (trilogia Matrix inclusa). E finalmente, o público, essa incógnita ranhenta, teria que aceitar o novo perfil da série, nesse primeiro momento capitaneado por um abacaxi de três letras: McG.

Joseph McGinty Nichol é o homem dos estúdios para produtos pop de massa. É, basicamente, um produtor. Competente nesse negócio, diga-se. Emplacou vários hits, de As Panteras e The O.C. às Pussycat Dolls e Chuck. Produz Supernatural desde sempre, o que me faz (infeliz e) automaticamente parte de seu público. É um profissional multimídia bem-sucedido num mercado ultracompetitivo, background compartilhado por seu camarada J.J. Abrams, que deu show pra quem quis ver no novo Star Trek. Então, o que fez exatamente de McG uma aposta arriscada? Fora o pré-conceito, não muito.

Mas não fui exceção. Ao mesmo tempo em que achava promissora a escalação de Christian Bale, ainda hiperexposto via Cavaleiro das Trevas, queria enviar pela máquina do tempo o T-800, o T-1000, a T-X e até o Keruak no encalço do McG antes que ele gritasse "ação". Reclamações? Ah, eu tinha muitas. Desde o apelidinho metido a besta até o tenebroso roteiro vazado, passando pela evidência séria de uma absoluta falta de controle no set (pelo menos, foi engraçado) e pelos péssimos agouros que desciam Olimpo abaixo. Sem falar em sua afinidade com uma certa "atitude pop" que sempre caracterizou sua filmografia. Dificilmente eu poderia estar enganado.

Mas estava. McG fez um filmão - e a única atitude aqui está mais pra "War Ensemble", do Slayer, que pra pop. Salve Ares. Só que o jogo foi decidido apenas aos quarenta e cinco do segundo tempo, quando vi quase tudo indo pelo ralo num pênalti absolutamente desnecessário.


O início do filme se passa em 2003, introduzindo o personagem Marcus Wright (Sam Worthington), que está no corredor da morte, e a Dra. Serena Kogan (Helena Bonham Carter), da Cyberdyne Systems, que tenta convencê-lo a doar seu corpo para pesquisas médicas. A partir daí, a história segue a cronologia sugerida desde o final de A Rebelião das Máquinas: um ano depois, o sistema de defesa militar Skynet torna-se autoconsciente e começa uma guerra nuclear - ou, no clima da série, o Dia do Julgamento Final. A humanidade é quase extinta. Estamos agora em 2018 e John Connor (Bale) lidera um ataque da Resistência contra uma base subterrânea da Skynet. No local, eles encontram esquemas de uma nova linha de exterminadores que se utilizam de tecido vivo (o T-800 dos dois primeiros filmes), além de outras experiências com seres humanos - entre eles, Marcus, que desperta naquele mundo pós-apocalíptico sem lembrar de como foi parar ali.

Connor também descobre que os oficiais da Resistência planejam uma investida definitiva contra as máquinas. E que ele e um jovem desconhecido chamado Kyle Reese (Anton Yelchin) encabeçam a lista negra da Skynet.

Se McG já tinha antecedentes artisticamente irregulares, quem dirá a dupla de roteiristas John D. Brancato e Michael Ferris. Felizmente, com o roteiro reescrito mais tarde por Jonathan Nolan (não creditado), a cota de diálogos ruins se manteve num nível aceitável e melhorados pelo bom desempenho do elenco. Mesmo o infame "agora eu sei o gosto da morte", dito por Worthington, soa plausível no contexto. E a ligação dos eventos é razoavelmente bem amarrada, dada à quantidade de subtramas se cruzando - o dilema pessoal de Connor com relação à sobrevivência de seu pai se contrapondo ao ataque iminente da Resistência à Skynet é a mais interessante. Poderia até ser melhor desenvolvida, pois há muito pano pra manga aí. Quem já assistiu a série 24 sabe a que um ponto um herói pode chegar jogando contra a camisa.

Também digno de nota é o perfil atual do "messias" Connor, com rompantes semi-paranóicos, complexo de perseguição e obsessão pelo futuro imediato. Embora eu tenha sentido falta do humor de outrora, imagino que seja natural que ele, agora um soldado forjado no campo de batalha, tenha perdido muito de sua jovialidade. Essa sensação é maximizada pelo tom sempre raivoso de Bale, aqui numa performance um tanto... mecânica. Soou unidimensional demais e carismático de menos, assim como a bela Bryce Dallas Howard, no papel de uma grávida Kate Connor, por motivos terceiros. A atriz faz o que pode para dramatizar um relacionamento tão profundo num espaço tão reduzido.

Já Kyle Reese, talvez o personagem mais importante a longo prazo, esteve nas boas mãos do russo Anton Yelchin. Com sensibilidade, conferiu um perfeito mix de inocência, coragem e idealismo consagrados pela atuação original de Michael Biehn. Era o parâmetro que eu precisava: o Chekov, do Star Trek 2009, é um ator talentoso e promissor.


A grande surpresa fica por conta da atuação sólida e decidida de Sam Worthington, que está em todas ultimamente. Com um personagem que é peça-chave na trama, ele supera as pendengas conspiratórias envolvendo a Skynet e alguns traumas de seu passado misterioso ao melhor estilo America Vídeo. Muito mais wolverinesque que Wolverine. A cena em que ele surra um bando de renegados soa bastante visceral (num excelente trampo da edição de som), atingindo um efeito muito superior às pancadarias biônicas mais pra frente. E além de fluir muito bem em tela, consegue uma boa química tanto com a deliciosa Moon Bloodgood (sangue-bão até no sobrenome), quanto com a dupla Kyle Reese e Star (Jadagrace Berry), a menininha mais durona do cinema desde Newt, de Aliens, o Resgate. E falando em resgate, foi memorável a participação do veterano Michael Ironside, como o General Ashdown. Pena que foi tão curta.

A estética do filme é um primor tétrico pós-guerra. A fotografia árida e cinzenta do que restou das cidades é desoladora e reforça não só a natureza mortificante da paisagem, como também a sensação de perigo constante. E não é pra menos: as ruínas são patrulhadas por hunter killers aéreos e por arrepiantes exterminadores T-600. Lentos, trôpegos e pesadões, eles são monstruosidades mal camufladas com farrapos e máscara de borracha - mais primitivos que eles, só os robôs ABC, de Judge Dredd. São confundidos com seres humanos apenas de longe, o que rende uma cena ótima com Marcus. Não vou negar que achei o T-600 particularmente bacanudo. Eles parecem zumbis!

As novas máquinas têm um design diferenciado dependendo da função. Sendo assim, o Harvester gigantesco tem sua razão de ser, trabalhando em conjunto com as naves de transporte. As Mototerminators fornecem bons ganchos para sequências de ação desenfreada e, por isso mesmo, confesso que esperava mais. Já os Hydrobots não são mais que refugos do Scorponok - aí sim, procedendo uma comparação com os Bayformers.

Por último, revemos os jurássicos T-1, do filme anterior, com design levemente modificado guardando os campos de concentração da Skynet.


Os campos de morte, por sinal, são uma visão do inferno - ou de uma realidade distante há apenas sessenta anos atrás. Citados por Reese no primeiro filme, acabaram perdendo aí uma ótima deixa para autoreferência. Seria o período em que Reese passou escravizado recolhendo corpos e quando recebeu a marca de identificação a laser. Mesmo assim, citações ao passado da franquia não faltam aqui. Estão lá o eterno hit dos gunners (na boa companhia de "Rooster", do Alice in Chains), as taglines clássicas da série, a origem da scarface de Connor, a cena do retrato de Sarah e até reedições visuais, como um exterminador cortado ao meio tentando matar Connor e o T-800 subindo lentamente os degraus de uma escada.

T-800, aliás, paramentado com a face digitalizada do próprio Schwarza, num dos resultados em CG mais bizarros que eu já vi. Mas aí não tenho certeza se a culpa é da qualidade dos efeitos ou da carranca ogra do Governator.

O respeito de McG pelo legado de Cameron é latente. Pura reverência, em muitos momentos até exagerada. Sem menosprezar o timing dos acontecimentos, capturou com inteligência as particularidades daquela guerra ainda em seu estágio inicial, sem a profusão de lasers ou exterminadores de metal líquido. A Salvação ainda trilha a estrada da ação e da ficção-científica, recorrentes na série, mas vai além e finalmente a inicia no gênero da guerra, talvez sua verdadeira vocação desde o início.

■ spoiler

Porém, quase pôs tudo a perder na reta final. Aquela punhalada que John Connor leva do T-800 doeu mais em mim que no salvador da humanidade. A cena já constava no roteiro original, sendo concluída com o cyborg Marcus "adotando" a pele de Connor e assumindo sua identidade no intuito de manter a lenda viva. De lascar.

Por providência divina, esse script vazou na web e a Warner Bros., num raro espasmo de lucidez, decidiu alterar o final. Do jeito que ficou, achei ótimo.

Viva a Internet-Skynet.


■ /spoiler

McG realizou a guerra de James Cameron. Guerra que ele evitou por anos e que eu sempre quis ver desde o primeiro filme. O destino pode ser até irônico, mas geralmente cumpre o que promete. Que continue inevitável com filmes assim.


Na trilha: "Let's Start a War", The Exploited.

domingo, 20 de julho de 2008

O REI DA COMÉDIA


Nunca achei que pensaria assim após três longos anos, mas lá vai: perto de Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, EUA, 2008), Batman Begins foi brincadeira de criança. Um dia ensolarado no parque. O lado mais pop e acessível do Batman na visão de Christopher Nolan. Agora a ordem do dia é chutar as crianças da sala. Livre das amarras ligadas ao passado negro da franquia, o cineasta britânico não perdoa. O roteiro escrito por ele, seu irmão Jonathan Nolan e David S. Goyer é dinâmico, inteligente, impactante e, acima de tudo, corajoso. Isto somado à montagem ríspida e uma marcação cerrada sobre as performances individuais - e pode crer que Nolan drena as capacidades cênicas de cada envolvido -, sedimentam bases ainda mais sóbrias do que as do primeiro filme. É um tour-de-force desmistificante.

A percepção de versão alternativa do herói triplica nesta seqüência, com a veia autoral de Nolan pulsando vertiginosamente - o que não deixa de estabelecer um paralelo insólito com Batman, de Tim Burton, e mais ainda com Batman: O Retorno, extremamente de Tim Burton. O que temos aqui é novamente um trabalho de reinvenção, porém minucioso e criterioso. Assim como Burton, Nolan "seqüestra" o personagem, mas as semelhanças acabam aí. Numa das cenas-chave, Cavaleiro das Trevas claramente dialoga com o Batman de 1989 e não parece dizer nada muito elogioso.

Se em Begins era notável a preocupação com praticidade e verossimilhança, Cavaleiro das Trevas assume o viés em toda a sua extensão. Começando por Gotham, que perdeu aqui todo o seu potencial turístico. Despida do art et décor faraônico e de gárgulas por toda a parte, a cidade acorda de seu sonho gótico para uma estética ordinária, anônima, ultra-realista, típica de qualquer centro urbano. Sem dúvida, transmigrou a locação para as telas. Gotham é Chicago. Mesmo os elementos tradicionais dos quadrinhos não passam intactos neste live-action-per se. O bat-sinal, por exemplo, não passa de um borrão ininteligível no céu nublado. Há várias tomadas à luz do dia. O arsenal utilizado é modesto, não existem raios da morte ou mecanismos milagrosos de nenhuma espécie. O Espantalho (Cillian Murphy) é colocado em seu devido lugar logo de cara, neste universo cuja Física se aproxima muito da nossa. E, como tal, também tem o Caos como uma força obscura da natureza.

O Coringa de Heath Ledger é incorruptível, imprevisível, irracional e... irremovível. O ator se entrega de maneira incondicional à sua psique grotesca e estilhaçada, com trejeitos desajeitadamente épicos, numa atuação que se desenrola imune à edição abrupta (o único personagem a ganhar esse luxo, aliás). O Coringa/Ledger passeia livre em cena, com o tempo e os olhares do mundo ao seu favor. E é realmente irresistível, magnético, trafegando com absoluta naturalidade entre o excêntrico, o engraçado e o aterrorizante. Ao longo da projeção, o personagem vai se transformando numa verdadeira entidade terrorista desconstruindo Gotham sistematicamente. Dos cidadãos comuns, às autoridades instituídas até seus maiores defensores. É a antítese caótica da simbologia de ordem e justiça que o Batman tenta inspirar. Para isso, o Coringa Bin Laden seleciona cuidadosamente a escória que servirá à "causa": bandidos de segunda para ações convencionais e legalmente insanos (loucos de pedra!) para as missões suicidas.

Suas maquinações são um show psicopático à parte. Desdobrando-se em etapas cada vez mais ousadas e letais, elas acabam se revelando um único e grandioso esquema ao estilo caixa-dentro-da-caixa. Sempre didático em suas piadas, se faz entender tanto com toneladas de explosivos quanto com meros utensílios básicos, como na já antológica cena do lápis (uma aula de como monopolizar a atenção!).

O Coringa definitivo, atemporal, merecedor com mérito de todas as homenagens e premiações póstumas. Para ser lembrado como algo único e referencial. No fim, uma dúvida para a eternidade... teria sido seu auge ou apenas seu início?


Dizer que Christian Bale foi ofuscado por Ledger pode ser até mais simples, mas não totalmente verdadeiro. O roteiro equilibra pelo menos cinco personagens de peso, cujas intervenções são fundamentais na resolução da trama. Assim, toda a narrativa envolvendo Batman/Bruce Wayne transcorre apenas um pouco acima das demais (e em alguns momentos até abaixo). Há eventos cruciais no roteiro operando fora do alcance e mesmo do conhecimento do protagonista, demarcando territórios com prognósticos inexistentes e conferindo tridimensionalidade ao contexto. Uma arrepiante seqüência envolvendo dois barcos foi emblemática neste sentido: sem exceção, todos são importantes aqui - principalmente a inteligência do público, jamais subestimada durante as duas horas e meia do filme.

Cavaleiro das Trevas situa-se pouco tempo após Begins. Com a mansão Wayne em reconstrução, Bruce utiliza um quartel-general provisório (quase um franchising do Inmetro), onde aprimora seus veículos, equipamentos e, em particular, sua armadura - muito pesada e pouco flexível, atestando que os realizadores estão cientes de que o design ainda está longe do ideal. Nas ruas, a lenda urbana do Batman está em franca ascensão, gerando controvérsias nos altos escalões. Toda a questão do vigilantismo é bastante discutida no filme e cria o gancho perfeito para a introdução do promotor Harvey Dent. Uma espetacular introdução, por sinal.

Celebrado como o "cavaleiro branco" de Gotham, Dent é visto com olhos esperançosos pela mídia e, especialmente por Bruce, que o considera uma alternativa mais civilizada (e menos fascista?) que a existência de um Batman. Isto até a grande virada do personagem, onde suas convicções morais e éticas são jogadas literalmente na brasa, dando origem ao trágico vilão Duas-Caras. Terrivelmente desfigurado aqui, ele supera de longe as cicatrizes bobinhas (e agora até charmosas) dos quadrinhos. Ao contrário da explosão anárquica do Coringa, o Duas-Caras é ironicamente unidimensional. Numa consciente abordagem, Aaron Eckhart manteve o mesmo tom de austeridade antes e depois do trauma. O que era virtuoso ficou diametralmente impiedoso no instante seguinte, o que é algo assustador de se imaginar.

Numa proposta em que dramaticidade e personagens são priorizados, o grande Gary Oldman recebeu um verdadeiro presente. Seu carismático Tenente Gordon foi elevado a um novo patamar, exercitando uma gama de nuances complexas em situações-limite e co-protagonizando o filme com maestria. E virou comissário, finalmente. Já Michael Caine adotou uma postura bem mais incisiva. Alfred - um lobo em pele de cordeiro - está muito mais influente e revela que nem sempre foi mordomo, o que só contribuiu na excelente química com Bale. Fora que o timing cômico dos dois é fabuloso.

Morgan Freeman teve poucas novidades com seu Lucius Fox, o Q do morcegão. Excetuando sua última cena (num gancho sutil e genial), ele apenas reeditou a pegada de sua participação anterior. E a personagem Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal, substituindo bem Katie Holmes) finalmente encontra lugar e relevância à altura da franquia, se é que você me entende.

O Cavaleiro das Trevas não é perfeito como a anfetamina midiática distribuída nos últimos meses levou a crer. Ainda assim, é muito mais do que apenas o melhor filme baseado em quadrinhos. É um marco. O precedente que, tomara, redefinirá o modo como serão adaptados os próximos exemplares da nona arte. E no que depender do box-office, serão mesmo.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

INSÔNIA: PURGATÓRIO


Impressionante como o senso comum é capaz de te afastar de coisas que nunca imaginamos que gostaríamos. Por diversas vezes já deixei de fazer, comprar, participar, assistir, ir ou qualquer outro verbo que tenha embutido o sentido de participação só porque ouvi aqui e ali que tal ato seria um desperdício de tempo. O mais esquisito disto tudo é que não é a primeira vez que sinto isto, pois já houve várias vezes em que o "caramba... se eu soubesse que era assim" veio à mente e mais de uma vez incorri no mesmo erro.

Desta vez o arrependimento de não ter visto no cinema recai sobre O Operário (El Maquinista, 2004, Espanha – é... também não entendi o porquê disto). Não digo que ouvi falar realmente mal a respeito, mas quando os comentários se prendem muito mais ao quanto um ator emagreceu do que sobre o filme em si – cujo adjetivo direto mais recursivo nas opiniões alheias foi "arrastado" – boa coisa não espero do que pode vir. Arrisquei.

E percebi mais uma vez que sou um babaca³.

E que filme bacana! Prometo novamente, de novo e mais uma vez que ouvirei mais às minhas impressões do que ao senso comum. O filme trata de Trevor Reznik (Christian Bale), um operário que não dorme há um ano por motivos que só serão elucidados com o tempo. Sua vida resume-se a ir ao trabalho, passar em uma lanchonete de aeroporto na saída e encontros casuais com uma prostituta "de fé", permeando esta estimulante rotina com o desenvolvimento de um físico cada vez mais raquítico. Em dado momento da vida o cara começa a conversar com um colega de trabalho que, não bastando o fato de transformar sua vida num inferno, faz parecer que o tempo que Reznik ficou acordado dissolveu alguns miolos responsáveis pela percepção de realidade x fantasia.

O desenrolar do filme vai soltando símbolos claros e descarados de que há algo de errado no ar, dando a impressão de que a qualquer momento aparecerá um apresentador no canto da tela dizendo "Olha... isto é uma pista!". Claro, no final tudo é bem e vagarosamente amarrado e, ao invés de se prender na tentativa de construir um final surpreendente, prefere conferir mérito às "provas" pregressas, mostrando como tudo aquilo contribui para o perfil de Reznik, à sua amargura e à opção de viver em meio a losers e atividades que resguardam sua auto-comiseração. Há questões que gostaria de comentar, mas são claramente spoilers, já sabe o esquema de selecionar abaixo, né?


"If we do not maintain Justice, Justice will not maintain us"




A criação de uma outra personalidade que confira redenção dos pecados não é novidade nenhuma. Este não é o "Big Deal" da coisa... a dupla personalidade, pedra fundamental de uma série de obras que brincam com isto, é minimizada aqui. O filme não nos trata como idiotas a ponto de fingir que não dá para perceber que Ivan e Trevor são a mesma pessoa, muito pelo contrário, deixa que percebamos de forma sutil e respeita nossa inteligência. O negócio é ver como ele faz este julgamento interno. As personalidades convivem, sendo que uma traz consigo a idéia de transgressão sem culpa, tirando da outra o ato hediondo. A outra, que deveria ter conseguido a tal redenção, sucumbe em culpa, tentando limpar a alma literalmente com alvejante toda vez que vai ao banheiro. As personas acusam-se mutuamente e ele percebe que a paz só viria com justiça. Assim ele mata a personalidade transgressora e se liberta numa atitude de redescobrimento e renascimento, mas nem por isto redentora. A paz que tanto buscou só chega quando ele sente que a justiça foi feita. Vemos este tipo de coisa em vários filmes que mostram a necessidade de justiça, mas não estou acostumado a ver esta batalha toda dentro de um homem apenas, mesmo que fragmentado.


Há de convir que não é um roteiro batido – questão que sozinha já merece uma Skol gelada, como diria o chefe. Os elementos que usa até podem ser tão antigos quanto a profissão da sua namoradinha – aquela... a "de fé", mas a forma como são arrumados o torna bem atraente, mas é que nem piada, tem que saber contar. Eu, por exemplo, sou péssimo. Conto e pronto... fico ali olhando a reação do pessoal. Só tenho sucesso quando a piada por si só se basta, mas um amigo meu consegue interpretar a mais idiota delas tão bem, com tantos maneirismos, que se você tiver ouvido 15 vezes a mesma coisa, vai rir mais ainda na décima sexta. Ou seja, para ele não basta ter uma boa história, tem que saber contá-la. E Brad Anderson – diretor de certa forma inexpressivo – sabe contar seu filme. A execução é muito bem acompanhada por diversos aspectos tão bem casados que me pego pensando como é raro ver isto: todos os elementos técnicos normalmente imperceptíveis e passivos têm contribuição ativa para a obra. Da fotografia ao ritmo, passando pelos enquadramentos quebrados e paradas propositais. Não sei se há algum parâmetro técnico que meça ritmo cinematográfico – edição talvez – mas, ao contrário da maioria, onde o ritmo é predefinido e reboca a personagem, aqui a sensação é de que a personagem estabelece o ritmo do filme, como se dissesse pro diretor: "Hey, com'on! Slow down, dude...". A câmera parece a reprodução da vida segundo os olhos de Reznik - a fotografia verde aqui e azul acolá nos coloca dentro de seu mundo insone e turvo. Entramos na estória e dá para imaginar nossa reação a um ano sem dormir e seus efeitos. De uma hora para outra a fisionomia esquálida de Bale parece a coisa mais natural do mundo.

E, já que falei dele, deixe-me cair no lugar comum. Ele simplesmente perdeu 28,5 Kg para compor esta personagem; um rascunho de si mesmo após passar um bom tempo vivendo de uma lata de atum e uma maçã por dia. É uma mudança no ritmo de vida tão brusco que é perceptível no final do filme, quando aparece com o corpo normal e nos faz pensar em quanto tempo teve para emagrecer e ficar daquele jeito, sendo que 4 meses depois teve que ganhar todo o peso de volta e mais 8,5 Kg para o papel de Bruce Wayne. Não bastando, sua atuação é convincente, cansada, perturbada e, sim, arrastada como devia ser. A preocupação que manifesta pela sua decadência física, aliada a algum tipo de resignação - como se seu estado fosse inexorável, insolúvel – é trabalhada de forma cuidadosamente medida, sem parecer forçado ou caricato em nenhum momento. Surpreende. Depois de achar que ele já havia se estereotipado em personagens como os de Psicopata Americano, Equilibrium e SHAFT, voltando ao padrão em Batman Begins, o cara dá uma guinada violenta de projeto, mesmo mantendo o perfil perturbado. Recentemente, só lembro de mudanças tão radicais quando Tom Hanks e Jim Carrey deixaram as comédias para fazerem Filadélfia e Show de Truman, respectivamente, mostrando que tinham talento para papéis mais densos do que os que vinham interpretando até então.

Curiosidade: Trevor Reznik é uma homenagem do roteirista a Trent Reznor, vocalista do Nine Inch Nails. Ele queria colocar músicas do NIN na trilha, mas Anderson achou que quebraria o clima do filme, optou por outra linha, mas deixou o nome.

Jennifer Jason Leigh, a "de fé", também está competente em seu papel, com aquela cara de paisagem de quem está esperando a vida passar para tentar de novo na próxima.

O Operário não é um filme maravilhoso nem tampouco inesquecível, mas é muito bom e destaca-se consideravelmente no cenário atual. E eu gostaria muito de ver Bale em outros papéis como este. O cara sabe fazer muito mais do que distribuir sopapos.


"Consciência é o impulso de fazer o certo porque é certo,
sem relação com o que pode acontecer consigo mesmo"

Margaret C. Graham

sexta-feira, 1 de julho de 2005

INTROSPECÇÃO


O sentimento que predominou de um ano pra cá foi de urgência para fazer a coisa certa. Pôsteres, trailers, spots e até dez minutos de gorjeta foram generosos aperitivos e pareciam dizer "ei pessoal, dessa vez estamos fazendo o que vocês estão pedindo". Mas não é pra menos. Batman Begins (2005) representa uma volta por cima que durou longos (e compreensíveis) oito anos - resumida no filme com a retórica "por que nós caímos?", no tom mais auto-referencial de redenção que se possa imaginar. Conferindo a trajetória do filme, nota-se um paralelo interessante aí, no qual o próprio personagem se torna uma espécie de pivô por acidente.

No passado, seu universo havia recebido uma nova linha de possibilidades via Frank Miller e seu Cavaleiro das Trevas, que foi solenemente ignorada em nome de uma pretensa "reinterpretação autoral", jogando no fundo da latrina uma boa oportunidade de fazer História. Contudo, o pior ainda estava por vir e o resgate camp daquele clima do bat-seriado dos anos 60 foi a pá de cal definitiva. Paralelamente, Miller se aventurava em uma decepcionante experiência inicial na sétima arte, como roteirista. Resultado: todos na geladeira por tempo indeterminado. Anos depois, estamos todos aqui (a A.C.M.E. network, Frank Miller e nós, os clientes). Mais velhos, calejados, fazendo uso da nossa visão periférica e tentando não repetir os mesmos erros. Ao mesmo tempo que Miller comete a mais fiel adaptação de uma história em quadrinhos para o cinema, Batman Begins reduz consideravelmente a distância entre o texto original e a telona. Já é um bom "começo".

Apesar da ficha impecável, a presença do diretor inglês Christopher Nolan pouco minimizou a aura de incógnita que permeava a nova incursão do morcego nas telonas. Estiloso e contraventor, Nolan saiu do circuito independente com um nervoso suspense revirado ao avesso (Amnésia... lembra? ...foi mal, não resisti) e seguindo adiante em um thriller policial cuja atmosfera estática era a matéria-prima (Insônia... teve quem não gostou). Nos dois casos o clima predominantemente soturno e introspectivo foi elevado a um acachapante realismo cotidiano. Mas nenhum deles teve a responsa de acomodar uma figura tão fantástica quanto um vigilante psicótico vestido de morcego e cheio de armas high-tech. Então o trabalho era dobrado.

Como um perfeito artesão de atmosferas, Nolan tratou de dar a devida atenção ao palco de toda aquela loucura. O resultado é a melhor Gotham City já vista no cinema. Cinzenta, caótica, corrupta e, ao mesmo tempo, glamourosa, viva e grandiosa, a cidade se transformou num elemento à parte dentro do filme. E crível. Gotham foi personalizada, mas sem sair do chão. A sua caracterização não passa ao largo das peculiaridades urbanóides de uma Pequim, uma New York, um Rio de Janeiro ou uma Amsterdã. Mais do que ver Gotham, nos sentimos em Gotham, com tudo o que isso tem de bom e de ruim. Atmosfera pronta e - agora sim - só faltava algo acontecer.

Atualmente, David S. Goyer é o operário padrão dos roteiros de filmes baseados em HQs. O que não quer dizer "garantia de qualidade", entretanto. Ao lado de momentos inspirados (Blade 2 e, vá lá, Cidade das Sombras) ele coleciona belos frangos em final de campeonato (Nick Fury - Agent of SHIELD e o xaropão Blade Trinity). "Irregular" é o seu quarto nome. Seja como for, ele acabou por realocar as melhores motivações e subterfúgios narrativos possíveis dos quadrinhos para o filme. A opção de investir em uma primeira hora inicial bem diferente do que se viu até hoje a respeito do personagem (mesmo para os fãs das HQs) demonstrou uma inegável disposição de construir um background sólido - independente do apelo pop que teria um início clipeiro com ação à mil por hora e nenhum resquício de neurônio-at-work. Méritos também para as referências espertas que pipocam lá e cá. Umas mais óbvias, como Ano Um (Bruce Wayne se readaptando à decadente Gotham), outras mais figurativas, como Cavaleiro das Trevas (o pega-pra-capar final no subúrbio de Gotham e a Mansão Wayne indo pro saco). Praticamente não existem escorregões por aqui, apenas leves "água-planagens", como a máquina de microondas unodirecional - depois misteriosamente omnidirecional - com microondas que só atingem água em canos de esgoto - quase tão esquisito quanto radiação em slow-motion que transforma homo sapiens em homo superior ou "o poder de um Sol na palma da mão".

Pode-se dizer que Batman Begins soa como um extremo da passagem de um material livre para um contexto mais realístico. Isso é conseqüência direta da tentativa de nos aproximar da persona fascinante e não-usual de Bruce Wayne - um playboy triliardário e profundamente traumatizado que arrisca o pescoço à noite como vigilante - de fato, uma tarefa bem mais difícil do que nos identificarmos com um loser retraído e sem um tostão no bolso.

Um aprendizado tortuoso à base de contusões e hematomas, motivações bem direcionadas e um ator principal imerso, exalando credibilidade e jogando para o time. E que time. Christian Bale é o Batman. Tem toda aquela aura enegrecida e o olhar assassino necessários ao papel, fora o seu passado regado à personagens cruéis e dark - como visto nos filmes Psicopata Americano e Shaft. O resto é competência cênica e fotogenia. Sinceramente? Melhor que na HQ. Confesso que sempre gostei de Katie Holmes, mas não conseguia vê-la muito além da doce Joey, sua personagem na série Dawson's Creek. Apesar do charme suburbano (ela é linda e poderia ser a minha vizinha - quem dera), essa minha velha impressão se confirma aqui, reforçada pelo fator "mocinha em perigo" - um clichê que nasceu com o Cinema. Mas no final foi por uma boa causa. Algo maior que sua participação, influiria na história de tal modo que seria melhor terem contratado logo uma atriz com envergadura de top model (ao exemplo de Kim Basinger e Nicole Kidman). Nada recomendável... não agora.

Michael Caine é daqueles que envelhecem com dignidade. Deixando definitivamente pra trás toda a tralha que insistia em manchar sua filmografia, ele talvez seja o Alfred ideal nesse momento da vida de Bruce. A classe e a frieza que lembram o mordomo Stevens (personagem de Anthony Hopkins, em Vestígios do Dia) são amaciadas pelo mesmo calor humano que sir Caine exercitou no filme Regras da Vida, principalmente no que tange ao trato com crianças. E aí vai a bomba: chegou a entrar um cisco no meu olho quando ele abraçou Bruce-boy. Já Morgan Freeman, além de ser o Bastião da Confiabilidade, é o coadjuvante de luxo. No papel de Lucius Fox, ele é o braço direito de Bruce nas Indústrias Wayne e seu providencial tech-dealer. É através dele que Bruce descola seus brinquedinhos caríssimos, em um esquema de malocagem que faria inveja aos nossos políticos em Brasília. Excelente background que nunca recebeu uma explicação decente (e que seria completamente ignorado se o filme estivesse nas rédeas de um mané qualquer). Outra coisa... mr. Freeman está se divertindo como nunca. Seu sorriso chega a ser contagiante durante o teste no protótipo do Batmóvel. Eu não via um veterano tão à vontade desde que Al Pacino deixou escapar uma gargalhada no meio de um diálogo entre Jack Lemmon e Kevin Spacey, em Sucesso a Qualquer Preço (cena que foi devidamente mantida para a posteridade). Mas aí já foge ao escopo "filme de super-herói". Ou será que não?

Filme de super-herói pode alcançar o nível de excelência cinematográfica, transcendendo o rótulo de mera diversão pueril?

Inicialmente, eu achava que Gary Oldman e seu eterno ar dirty outsider soavam incompatíveis com o austero e incorruptível Jim Gordon. Mais chegado aos papéis soturnos e aos vilões forjados pelo mundo-cão, Oldman se saiu discretamente em uma atitude de desvínculo. O caldo ficaria no ponto se as influências de DK se fizessem presentes em um Gordon mais incrédulo, amargo e pragmático, mas acima de tudo um lutador que coloca seu dever e a Justiça acima de sua própria vida. Daria um belo spinoff protagonizado pelo futuro Comissário - com o Oldman tranqüilamente figurando no papel principal, pois aqui ele já fez por merecer.

Liam Neeson é hoje uma espécie de certificado ISO de atuação em blockbusters. Remanescente daquela mesma safra de bons profissionais que ia de Ralph Fiennes e Daniel Day Lewis a Billy Bob Thornton, Neeson sempre cultivou uma imagem meio relacionada a um certo messianismo paternalista, ao mesmo tempo em que mantinha um perfil envolvente e sedutor (ecos de Schindler?). Funcionou como uma beleza em Star Wars: A Ameaça Fantasma (na parte da responsa que lhe dizia respeito), e aqui ele emenda o mesmo approach com uma verve mais severa e sem rodeios. Este é o Ducard, personagem-carta na manga com nuances até meio inesperadas no contexto de Batman Begins.

Aliás... só um filme de qualidade insuspeita teria um (sub)vilão como Jonathan Crane, o Espantalho ("um mané com spray"), em sua melhor concepção e sem estranhamento. Não houve o menor sinal de carnaval fora de época aqui. Goyer não exagerou, Nolan não exagerou e nem o ótimo Cillian Murphy (de Extermínio) exagerou. Ficou tão bom quanto poderia ser - e confesso que tomei um susto com a primeira borrifada do gás do medo.


Eu poderia chegar aqui e enumerar as melhores cenas, mas... o início, mostrando Bruce em busca de si mesmo, seu treinamento ninja - e aquela prova final simples-mas-bem-sacada, momentos históricos como a criação do conceito de um vigilante que utiliza o medo como cartão de visitas (finalmente!) e a estratégia para despistar isso com uma vidinha party all night long, a carismática cidade de Gotham (mezzo burguesia clássica mezzo Cozinha do Inferno como deveria ter sido no filme do Demolidor), o devastador Batmóvel (cabrón... eu cansei de falar isso aqui), a verdadeira face de Batman sob o olhar de um Espantalho alucinado, o destino incerto e apropriadíssimo de Ra's Al Ghul (de acordo com proposta realística e com um Poço de Lázaro conceitualmente subjetivo) e o final arrasa-quarteirão - ou quarteirões! - que culmina num descarrilhamento monumental.

Mas talvez... talvez... o momento que ficou talhado na BIOS da minha cachola tenha sido esse - um Batman live-action que se reencontra com o seu espírito original, que passa a fazer todo o sentido do mundo e que justifica o primeiro subtítulo que a produção recebeu: "intimidação". Só esse momento já vale a veneração desse ídolo maldito por dez gerações.

Na categoria "poderiam ter feito isso, mas nem eu sei se ficaria bom" (modalidade altamente lisonjeira, diga-se de passagem), ficaram ausentes referências mais específicas a Tália, filha de Ra's, e uma justa homenagem a Mike W. Barr, autor de O Filho do Demônio, a melhor história já escrita sobre Batman, Ra's e Tália - mas preferiram homenagear o Jeph Loeb.

Ah, sim. Filme de super-herói pode alcançar o nível de excelência cinematográfica?

Pode... e precisei assistir Batman Begins para saber disso.

Na trilha: Nine Inch Nails - CRC Sessions (Acoustic in Chicago)

sexta-feira, 17 de junho de 2005

MORCEGOS, ANJOS E DEMÔNIOS



Hoje vi Batman Begins (2005) e só tenho a dizer que o filme é muito bom! Muito mesmo! Fora de série. Tudo muito bem arrumado e explicado com um roteiro phoderoso. Sempre achei os outros quatro filmes horríveis, mas este finalmente nos brinda com quase tudo o que sempre esperamos do morcego. Assim, torna-se inviável comparar outros filmes de heróis mais, digamos, coloridos. Constituíram-se estilos completamente diferentes, mas se for para julgar em termos de "não ter o que reclamar", sempre tive ressalvas a alguns pontos em todos os filmes de heróis vistos. Em Batman Begins não reclamo de nada. Neste ponto, seria o filme baseado em HQ que mais gostei até hoje (como dói falar isto para um fã do Homem-Aranha). O negócio agora é esperar o "Batman Continues" e, se continuar com estas letrinhas todas certinhas (BB e BC), o terceiro deve ser "Batman's Development". Aham... a piada foi fraca, eu sei. Não tentarei fazer melhor, pois não escreverei um post estruturado sobre este filme por um motivo: Doggwayne é muito mais fã do personagem que eu. Este é dele! Aguardem!

Aliás, quarta vi Sr e Sra Smith (Mr and Mrs Smith, 2005). Sabem a origem do Freddy Kruegger? Aquele papo de 100 maníacos estuprarem uma freira e nascer aquele rascunho do capeta? Pois é... imaginemos a mistura "genética" de Bonnie & Clyde, True Lies, A Guerra dos Roses, Assassinos (aquele de Sly e Banderas) e teremos este filhote protagonizado pela Lara Croft e Rusty Ryan (de Ocean's Eleven). Filme cheio de furos, mas vale a pena, caso não tenha nada para fazer e queira divertir-se sem pensar. E também não vale um post.




Resolvi pois falar sobre uma destas febres que assolam o mundo de vez em quando. Já tivemos a Peste Negra, a Gripe Espanhola, a Tuberculose, a AIDS, a Influenzza, o Big Brother e agora temos Dan Brown.

A personificação do Pop atual é ele. Alguns podem até discutir citando coisas como Britney, Usher e outros ganhadores de MTV Movie Awards deste ou de anos passados, mas a abrangência das palavras deste escritor é muito maior seja por área global ou por grupo demográfico. Artistas pop normais têm seu apelo principalmente junto à juventude em países com costumes mais globalizados e abertos. Adultos e países mais, digamos, recatados ou de religiões diferentes das que dominam o lado ocidental do mundo não são atingidos por qualquer Aguillera que seja, mas certamente compraram "O Código Da Vinci" aos borbotões.

A literatura pela qual circula não é aquilo que poderiam classificar por aí como digna de uma ABL (ou a equivalente americana), está muito mais para o pop fácil de engolir de um Paulo Coelho ou Stephen King do que para o contorcionismo mental de um Saramago. Todavia, em época tão digital, conseguir fazer o povo voltar a ler é um feito digno de ganhar beijo da Fernanda Lima (e nesta linha cito também J.K. Rowling, novamente Paulo Coelho e afins). Além disto, o cara é inegavelmente inteligente. Não é qualquer um que cria os mistérios que criou, usando as locações que usou e com um estilo envolvente a ponto de fazer muita gente ler 400 páginas de uma tacada, conseguindo manter um equilíbrio de início, desenvolvimento e final impecáveis. King, por exemplo, costuma dar vários "soluços" no ritmo de suas obras, além de produzir finais fracos em 90% delas. Já a leitura das obras de Brown é quase materializável, transporta o leitor para dentro da história. A intensidade empregada apaixona e os diálogos são envolventes, além de ter apostado alto num mote que é pule de dez: todo mundo adora uma teoria conspiratória. Principalmente se for embebida num caldo de religião, símbolos curiosos e mistérios mortais.

O pecado de Dan é usar seu dom de indução pela escrita para fazer o pessoal que lê seus livros acreditar em palavras da forma que parecem significar, mas que não necessariamente são afirmações categóricas de que tudo que está no livro é verdade. Sempre, no início de cada, é dito que "todas as referências a obras de arte, arquitetura, túneis e a tumbas em Roma são inteiramente factuais (assim como suas localizações exatas)". Esta paráfrase é de Anjos, mas em Código há algo parecido, com a substituição de "túneis" por "documentos" ou coisa parecida. O que ele diz aí é que os objetos clássicos e conhecidos são reais, bem como documentos mencionados, mas não diz que as interpretações que faz disto com o objetivo de construção literária são igualmente verdadeiras. E é justamente aí que começa toda a polêmica. Para exemplificar, um dos livros descreve o interior de uma igreja em Paris, menciona um obelisco interno e tece algumas considerações sobre as iniciais PS dos vitrais. Hoje estão afixados cartazes dentro da nave central desta igreja que desmentem aquilo que Dan nunca disse ser verdade.



Cavaleiro Templário na Temple Church de Londres e Entrada da Abadia de Westminster


Os cartazes, escritos em inglês, francês e em outra língua que não lembro, explicam que o obelisco, um gnômon, não é uma reminiscência de qualquer templo pagão e que as letras PS espalhadas na igreja não significam Priorado de Sião. O obelisco é um instrumento de estudos astrológicos e serve para marcar quando ocorre o dia do ano que representa o solstício do inverno (dia mais curto do ano) e o outro que marca o equinócio da primavera (dia e noite separados igualmente). Isto é percebido a partir da incidência da luz sobre a linha de latão que reflete no meio ou no alto do obelisco, para solstício ou equinócio, respectivamente. Quanto ao PS, chega ser ridículo. Significa Peter Sulpice, patrono da igreja.



Igreja de St Sulpice


Já há 4 livros no currículo do homem. Listo-os em ordem cronológica: Fortaleza Digital, Anjos e Demônios, O Código Da Vinci e Deception Point, este último ainda não publicado no Brasil, mas dizem que é o melhor deles. Só li os dois do meio, e na ordem em que foram publicados por aqui, mas todos já cansaram de ouvir falar no fenômeno do Código – em plena produção para lançamento em 2006 com Forrest Gump, Amelie Poulain, O Profissional, Magneto e Otto Octavius nos papéis principais – mas devo dizer que Anjos e Demônios repercutiu muito melhor dentro de mim do que seu irmão mais famoso. Penso que seu sucesso só não é maior do que o livro que o sucedeu em virtude deste último usar como protagonista em condição sub judice o maior herói da humanidade: Jesus (em dados estatísticos, por favor; não quero conflitos com nenhum devoto de Alah ou Sidartha). Anjos fala de religião de forma mais ampla, sem especificar um "cristo", com perdão do trocadilho, mas faz isto usando uma trama muito mais intrincada e bem sacada. Não é só isto, o principal encanto que Anjos exerce sobre mim reside na definição que dá à importância de uma fé, qualquer que seja, para o ser humano.

Tentando ilustrar melhor o que digo, neste link (leia primeiro o resto deste post antes de clicar aí) transcrevo um trecho do livro que acho fantástico (sim, há espaço para bastante discussão ali, mas o que é mesmo insofismável é a idéia geral do texto, o resto é retórica).

Para evitar qualquer eventual sentimento de bandeira semítica, devo dizer que não tenho religião alguma, mas tenho sim uma miscelânea de crenças que cumprem seu papel para mim como qualquer religião "formal" do globo e reconheço a importância disto para o mundo. Importância que nos remete aos conceitos morais que deveriam nos nortear e transcende a postura metafísica de declarações de ativistas religiosos.

domingo, 24 de abril de 2005

MAIS UM! MAIS UM!


Acho que estamos testemunhando o nascer de uma nova era na história da Publicidade. É incrível... parece que foi ontem que Steven Spielberg malocou os dinos ultra-realistas de Jurassic Park até o dia de sua estréia nos cinemas. Até George Lucas e seu último Star Wars entraram na dança. Pelos atuais padrões, segredo já não é mais a alma do negócio e sim a super-exposição em seu aspecto mais instigante. É justamente isso o que nos gritam os marketeiros responsáveis pela divulgação de Sin City, Quarteto Fantástico e, principalmente, Batman Begins. No caso desse último, não que eu esteja reclamando. Tudo o que foi liberado - incluindo aí fotos oficiais, de externas de produção, teaser-trailer, pôsteres, trailers, spots para TV e Superbowl - é de um extremo bom gosto e só me deixaram ainda mais atraído pelo filme. Ou seja... sou uma vítima da mais nova tendência publicitária de Hollywood. Virei um mero número positivo naquele grande quadro de estatísticas, gostando ou não.

Mas eu sou suspeito, pois sou fã do personagem. Quando Batman for embora, quero ver como vai ficar esse carnaval de spoilers em forma de propaganda.

Logo abaixo, um seqüência com os pôsteres divulgados até agora. Um mais lindo que o outro. Clique nas imagens para ampliar.



A propósito, o lançamento da trilha sonora de Batman Begins, composta por James Newton Howard (A Vila) e pelo honorável Hans Zimmer, será num dia curioso: meu aniversário. :P


O KRYPTONIANO DA MÁFIA


Vinnie e Clark... separados na maternidade

The World Finest! Falei do Bruce, tinha de falar do Clark. Antes de mais nada... não é que o Brandon Routh é mesmo a cara do Vinnie Terranova? Pra quem não lembra, Vinnie foi o protagonista da ótima série O Homem da Máfia (Wiseguy, 1987-1990), e era interpretado pelo ator Ken Whal. Aliás, essa lembrança nem foi minha, foi do Castrezana - pra fazer um link desse nível, só ele mesmo. Mafiosos do mundo, tremei... vocês têm um kryptoniano infiltrado.

Mas voltando ao assunto... logo após os shots de Routh caracterizado como o repórter Clark Kent, a semana ganhou outro super-susto com a primeira imagem do ator usando o uniforme do Superman. Estava lá, bem entre o Ratzinger e o Lula liberando asilo político para aquele ladrãozinho equatoriano. Acho que ninguém esperava por essa imagem tão cedo. Pelo que li/ouvi por aí, as opiniões são hilariamente divergentes. Hilário, porque se trata de um uniforme simplista ao extremo, com linhas e cores bem minimalistas, e mesmo assim, virou pauta para discussões acirradas. A verdade é que o uniforme do Super está com um design mais rebuscado que aquele utilizado nos filmes anteriores. Chega a lembrar o traje de suas primeiras aventuras na Action Comics e daquele seriado em p&b dos anos 40. Se o "S" no peito fosse menos estilizado então... seria back-to-the-basics total.

Na minha opinião, não ficou necessariamente bom ou ruim (isso não mesmo), apenas diferente e um tanto intrigante. Mas que é uma boa contradição lá isso é, visto que o diretor Bryan Singer disse que o conceito da produção será uma continuidade dos 2 primeiros filmes. Então, não seria melhor se o visual do uniforme fosse mais "moderno" ou ao menos similar aquele que imortalizou Christopher Reeve?

De qualquer forma, já pipocam pela web versões photoshopísticas do uniforme oficial. Algumas realmente muito boas e até... hã, melhores, eu diria. Como essa aí logo abaixo.

Clique na imagem para vê-la ampliada e na íntegra.


Superman antes e Superman depois... do Photoshop

...mal aê Singer. Libera um trailer bacanão aí pra eu poder nivelar a parada. :)


dogg, tomando café forte e sem açúcar, ao som de "Garotos", do Leoni... bela letra com um violão chupado de "More Than Words", do Extreme

terça-feira, 8 de fevereiro de 2005

I LOVE THE FUTURE


Quem diria que um dia o Superbowl norte-americano seria interessante? Não me refiro ao american football em si (porque é incompreensível pra mim, criado à base de FUTEBOL, não "soccer", ver um exército se matando por um quibe de borracha tamanho-família), mas às suas propagandas. Se me dissessem em 1992 que um dia eu iria me interessar pelas propagandas do Superbowl...

Como diria a minha querida tia... "o futuro a Deus pertence".














Ótimo spot. Grande vilão. Ele parece ter saído de um filme de terror, e sua concepção confere com o clima mais realístico imputado pelo diretor Christopher Nolan. Christian Bale e Morgan Freeman estão se divertindo como nunca. Está impresso na cara deles. Katie Holmes continua aquele filé que eu gostaria de ter como vizinha. E o protótipo mezzo militar do Batmóvel. Veloz e sinistrão. Arrasador. Quero pra mim.

Clique aqui para conferir.

Anexo 09/02 - era do mesmo contexto...

Três imagens megafodônicas® de Batman Begins. A primeira então, é fora de série. Lembra até a capa do Jim Lee na estréia do arco Hush (tomara que a semelhança pare por aí).

Clique nas imagens.



E na trilha... ainda Scream for me Brazil, do Dickinson... "Satan - has left his killing floor!" - viu como eu sou mau?

E agora, Balls To Picasso... Bruce é foda! :P

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

ESSE É O ESPÍRITO!


Ótimo preview de Batman Begins. Me lembrou bastante a atmosfera lúgubre do curta Dead End. Um dos shots mais bacanas que eu vi até agora. Clique na imagem para aumentar (1024x768).


Thanks a lot, Scarlat Spider... and keep goin'!

domingo, 5 de dezembro de 2004

GOTHAM'S SUNSET


E pra começar muito bem essa domingueira promissora, nada melhor do que o teaser poster do melhor filme de 2005. Curve-se lacaio... Sua Excelência Batman Begins está passando. Mas antes, clique na imagem para ampliá-la. :)


Cool, isn't? Bem soturno e dark. Está lá no site oficial, desde o dia 3/12. Mérito para o grande Scarlat Spider, que viu primeiro e me avisou. Valeu (por todas as outras também!), e como vivem me dizendo... "keep it man!"

Pra arrematar, mais Batman Begins! O Cinema em Cena destacou uma matéria da revista inglesa Nuts, que traz imagens de uma cena com uma enorme explosão, onde o Morcego tenta salvar uma pessoa. O detalhe (devidamente apontado pela matéria) é que, na seqüência, Batman está sem a máscara...


Será um mero "acidente de trabalho" ou será que Bruce vai se expor pra meia Gotham City, seguindo os passos de Peter "Eu-perco-a-máscara-até-espirrando" Parker em Homem-Aranha 2?

Cara... eu preciso ver esse filme...


dogg, precisando ver Batman Begins... e ouvindo... eu nem sei o que estou ouvindo...

quarta-feira, 30 de junho de 2004

OS ENSINAMENTOS DO MESTRE DUCARD


Batman Begins: Qual seria a importância narrativa de Henry Ducard, o mentor de Bruce? Que eu saiba, esse personagem não existe nas HQs e, embora seja uma liberdade artística (coisa que sempre é temida pelos fãs), achei uma idéia bastante promissora, visto que nunca gostei muito do fato do Bruce ser praticamente um autodidata no combate ao crime.

E por quê? Pelo mesmo motivo que me incomoda também na Elektra Natchios. Embora educados mental e fisicamente, e praticantes de várias lutas e esportes, o background dos dois é predominantemente burguês (aquele lance da "pele fina", saca?). Eles são, a grosso modo, vigilantes das ruas, e sempre estranhei a sua condição de mestres na difícil arte da malandragem suburbana. Mas a ninja grega até que se safa, devido ao convívio com o malandrão Murdock, a carteira assinada no Tentáculo e o upgrade ninjístico que Stick conferiu na bela moçoila.


Já o caso de Bruce é diferente. Por mais que ele tenha buscado seu nirvana espiritual - e com todo o suporte de sua grana inesgotável - sempre faltou ali o elemento paterno. Bruce não foi mariner (como Tommy Monaghan, o Hitman), não foi soldado da 2ª Guerra (como o Rogers), nem lutou no Vietnã (que nem o Castle). Ser um mestre assim, sem experiência de campo, só rola se o cara crescer numa academia (como Danny Hand), ou num país de 3º Mundo (a criminalidade exorbitante e a fome mortal endurecem o couro de qualquer jagunço).

Na sipnose divulgada, após a morte de seus pais, Bruce mergulha num auto-exílio e só volta com 25 anos de idade. Especula-se (eu especulo) que nesse período ele vai cantar na freguesia do Nepal e arredores. Algum lugar com vários templos e várias sociedades ninja. E Mestre Yo... digo, Ducard estará lá, cheio da moral, se deparando com um jovem perdido e angustiado. Ele aceita guiar o young Bruce pelos caminhos da For... digo, das artes obscuras da guerra. Mas Bruce é por demais arredio, só busca vingança total e desenfreada. "Cuidado, jovem Bruce... o ódio leva à vingança, e a vingança leva ao Lado Negro da For..." EEEI...!


Liam Neeson é um ótimo ator, infelizmente marcado por um papel em um filme em preto e branco. Poucos se lembram que antes ele participou dos grandes Darkman e Dirty Harry Na Lista Negra. Liam tem uma aura "honrada" e meio messiânica, fundamentais para um suposto tutor do vigilante de Gotham. Se Bruce já é aquilo tudo, o sanssei dele então...

Mas lutar e espancar dezenas de adversários de uma só vez é fácil, até Bruce Lee fez isso (hehe...). O que Ducard deverá aprimorar no então angustiado Bruce é o fator psicológico – justamente o diferencial do Batman. Com requintes de crueldade, Bruce deverá usar tudo o que aprendeu com Ducard, empreendendo uma verdadeira tortura psicológica nos criminosos. E fica assim: Batman é uma lenda urbana que se torna real quando você comete um crime. Foi Ducard quem ensinou. Será que Chris Nolan lembrou disso ou é melhor eu telefonar pra ele?


A propósito, quem tem uma certa faixa etária mais avançada relembrou um dos pop movies mais divertidos (leia-se "mentirosos") dos anos 80: Remo – Desarmado e Perigoso. Esse filme, de 1985, já trazia muitas idéias que a nova geração só conhece via Matrix. O nome de Remo (policial dado como morto e treinado para ser um guerreiro letal) não importa. O que importa é o nome do mestre dele: Mr. Chiun. Desviar de uma saraivada de balas? Saltar 6m. de altura por 10m. de distância? Andar sobre a água? Nocautear dezenas de adversários com um só golpe? Tudo isso o Chiun já fazia. Nada de Neo e congêneres. Antes dele só Jesus mesmo. Aliás, o legal do Chiun era a sua pouca cordialidade. Quem, potencialmente “do bem”, nocautearia a frágil mocinha só pra ela parar de tagarelar? Praticamente um Lobo Schimidt faixa-preta.

Mais uma coisa. No Brasil, esse filme ficou conhecido como Remo - Desarmado e Perigoso, enquanto nos EUA ele foi vendido como Remo - The Adventure BEGINS... Pelo menos o Ducard poderia honrar a coincidência...


E como a maioria provavelmente nunca ouviu falar em Remo ou em Chiun - O Mestre Absoluto do Sinanju (o pior é que isso existe!!), aqui vai uma pequena amostra do que Chiun é capaz de fazer em dias de preguiça. É só clicar na figura.


Depois dizem que o Neo é que é pioneiro em esquivadas de bala... tsc.