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segunda-feira, 6 de maio de 2024
Perseguidor implacável
Falcão sendo caçado por um Sentinela defeituoso que jazia num ferro-velho. Leiturinha básica num domingo chuvoso, resgatada no red label Os Heróis Mais Poderosos da Marvel Vol. 19: Falcão, da Salvat.
Quando moleque, lia e relia essa história na Capitão América #78, da Abril, reforçando em versão kaiju as fobias mecatrônicas plantadas no córtex pela face robótica de Yul Brynner em Westworld, pelas fembots de A Mulher Biônica e pelo aterrorizante braço cibernético de Geração Proteus. Brrr.
A ideia de ser perseguido por um robô assassino que se reergue dos escombros para continuar a sua caçada era combustível de pesadelos.
E mais uma para a extensa conta do James Cameron e seu O Exterminador do Futuro, de um ano depois.
A história fazia parte de uma minissérie em 4 capítulos e foi escrita pelo Christopher Priest na época em que ainda assinava como Jim Owsley. Os desenhos são do grande Mark D. Bright, recentemente falecido. Na trama, o pobre Sam Wilson passa um dobrado ao ser confundido com um mutante pelo Sentinela bugado.
O que não lembrava é que a aventura também incluía fortes comentários políticos e sociais – hoje, bem mais instigantes para mim do que eram em tenra idade. É justamente o que faz da mini uma excelente releitura.
Mas admito que rever aquele velho Sentinela A-7 me fez sentir como o Prefeito Marvin Kuzak reencontrando o robô Cain, em RoboCop 2...
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
Os tempos mudaram desde Capitão América #100
Já prevista no cronograma de pré-venda, semana passada foi a Semana Oficial de Ostentação do Omnibus do Quarteto Fantástico de John Byrne. Boa parte da internerd brasileira (1%?) bombardeou as redes sociais com selfies ao lado da lombadona preta com o selão MARVEL OMNIBUS no topo — alguns chegaram a jurar que devoraram o tijolão inteiro na mesma tarde (arram, Claudia, senta lá). Em suma, foi uma indecorosa festa dos Omnibuses, em plena economia do Posto Ipiranga.
Uma prática superficial, exibicionista, burguesa e cara de mamão, à qual faço coro agora, com a poeira abaixo da linha da cintura. Crime pior é receber essa Arca da Aliança quadrinhística em casa e não tirar nem uma 3x4 pro álbum de família.
A ironia é que tenho todas as Maiores Clássicos da 1ª Família, fora os formatinhos do Jotapê. Então, pra mim, é tudo repeteco. Porém, uma vez o foda-se ligado, o inferno é o limite.
E se bobear, meto uma calota nesse busão. Vai bombar no TikTok.
Ps: já aguardando faminto pelo busão da Sue-Malice.
Uma prática superficial, exibicionista, burguesa e cara de mamão, à qual faço coro agora, com a poeira abaixo da linha da cintura. Crime pior é receber essa Arca da Aliança quadrinhística em casa e não tirar nem uma 3x4 pro álbum de família.
A ironia é que tenho todas as Maiores Clássicos da 1ª Família, fora os formatinhos do Jotapê. Então, pra mim, é tudo repeteco. Porém, uma vez o foda-se ligado, o inferno é o limite.
E se bobear, meto uma calota nesse busão. Vai bombar no TikTok.
Ps: já aguardando faminto pelo busão da Sue-Malice.
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Um pouco de luz antes da luz no fim do túnel
E de preferência canalizada pelo Mjolnir. Não parece que foi ontem?
Precisamos de um Vingadores: Ultimato ou similares para torcida-de-arquibancada-no-cinema quando toda essa confusão terminar.
ENDGAME: A Nice Reminder
Just like the Avengers, we will assemble once more.
Publicado por IGN em Terça-feira, 7 de abril de 2020
Precisamos de um Vingadores: Ultimato ou similares para torcida-de-arquibancada-no-cinema quando toda essa confusão terminar.
domingo, 4 de agosto de 2019
Fim de semana Ultimato
Após as devidas análises num ambiente controlado, cheguei a uma conclusão.


Isso vai demorar muito para envelhecer...
Isso vai demorar muito para envelhecer...
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terça-feira, 2 de julho de 2019
O inimigo do meu inimigo é meu amigo?
quinta-feira, 30 de maio de 2019
Um
Dizem que a jornada é mais importante que o destino. Só esqueceram de avisar aos cineastas Joe e Anthony Russo. Vingadores: Ultimato entrega tudo que o público médio não-estúpido espera de um blockbuster de qualidade (e mais), além de concluir espetacularmente as três primeiras fases do universo cinematográfico da Marvel Studios. É o auge de um trabalho ousado e faraônico que levou onze anos num projeto inédito até aqui em dimensão, capital humano e conquistas técnicas.
Para um velho leitor de gibis, a recompensa maior é ver na telona vários daqueles conceitos malucos e infilmáveis até há alguns anos funcionando como se tivessem nascidos pra isso. Neste sentido, é o filme mais eficiente já realizado no gênero, com um Taa II de vantagem sobre os demais. Acima de tudo, por entender que não se trata apenas de som e fúria, mas também de coração, altruísmo e sacrifício, a quintessência dos quadrinhos de super-herói desde sempre. Ultimato não cede um milímetro desses fundamentos, em maior parte, veja só, de raiz marvete.
Heróis que são pessoas antes de tudo e com cada um fazendo a diferença no resultado final; uma admirável preocupação pelo estado psicológico geral; tempo e espaço para cada personagem respirar e se redescobrir; narrativa que sabe onde enxugar e o que priorizar; trama imprevisível no ponto de partida, na condução e na conclusão sem reviravoltas mágicas; e tridimensionalidade: cada integrante do núcleo principal, seja herói, vilão ou zona cinza/azul/verde, tem suas motivações pessoais e age de acordo.
É notável como os roteiristas de Christopher Markus e Stephen McFeely, que também assinam Vingadores: Guerra Infinita, conseguem administrar tantos personagens e variáveis. E ainda manter o foco numa premissa complexa para os padrões mainstream e, por isso mesmo, potencialmente desastrosa. De forma sucinta, o roteiro exerce sua lógica interna apoiado em extrapolações simples, cobrindo assim os pontos cegos enquanto leva o espectador para a brincadeira.
No fim, Ultimato não só se apresenta como uma sequência digna para Guerra Infinita, como expande seu conflito e aumenta as apostas.
O filme tem três atos divididos por um exercício de estilo brutal. O 1º terço amarra as pontas deixadas pelo longa anterior em tempo recorde e investe com mão pesada no drama. Num clima funesto, os sobreviventes tentam juntar os estilhaços de um mundo com 50% a menos de seres vivos e todos os estragos decorrentes disso. A 2ª etapa sobe o tom partindo de um princípio bem difundido na ficção pop - mas com uma dinâmica deliciosamente... quadrinhos - e faz uma verdadeira celebração para quem acompanhou os filmes da Marvel todos esses anos. Já o arco final é a experiência Splash Page de George Pérez definitiva. É todo o pay-off e o fanservice que existem no final do arco-íris. Sangue de Kirby tem poder.
Quase todo o elenco principal está integrado ao seu personagem-avatar num nível Christopher Reeve-é-o-Superman de conversação, além de apresentar suas melhores performances até aqui: Jeremy Renner zera o até então subaproveitado Gavião Arqueiro num bem-vindo acerto de contas com o roteiro, Karen Gillan extrai ainda mais camadas da hermética Nebulosa, Paul Rudd precisa fazer muito em muito pouco tempo e o Homem-Formiga dá conta, Scarlett Johansson se atira, literalmente, na evolução de "Nat" Romanoff, o Capitão América de Chris Evans é a melhor personificação do herói clássico que poderíamos ter hoje e Robert Downey Jr. fecha o ciclo com a redenção do personagem de sua vida.
Chris Hemsworth, por sua vez, tirou a sorte grande. Thor foi um dos poucos que mantiveram uma saga própria nos dois filmes. Em Ultimato, confesso, o susto inicial foi grande, porém coerente. Plus: agora sim o loiro está parecendo um Viking.
E a Situação-Hulk. Personagem que a Marvel Studios penou para achar o tom na telona, algo que só aconteceu em Thor: Ragnarok, quando já era tarde demais para qualquer pretensão cinematográfica do Golias Esmeralda & mitologia. A expectativa por uma virada foi lá pro caixa-prego após a ignorada sistemática em Guerra e agora, em Ultimato.
Pensando bem, isso já vinha sendo estabelecido desde Vingadores: Era de Ultron (2015), com a infame derrota do Verdão para o Hulkbuster (Hulkbusters e esquadrões Caça-Hulk existem para serem esmagados pelo Hulk, oras!). Seus poderes nos gibis nunca foram adotados pelo UCM: nada de saltos quilométricos, palmada sônica, fator de cura e o mais importante e muda-vidas, o "quanto mais furioso, mais forte o Hulk fica". O que sobrou é um Hulk limitado e em estado de calma - em Ultimato, em estado de calma baiana. Mark Ruffalo é um sujeito boa-praça, mas nem de longe é um Dr. Bruce Banner. A trama ainda dá alguma continuidade à sua cronologia nas HQs, despejando o personagem direto na fase do Hulk inteligente, o que resulta apenas e tão somente num Ruffalo Verde. Um Hulkffalo.
Paradoxalmente, é dali que sai uma das referências mais bacanas aos quadrinhos - a clássica imagem do Hulk em Guerras Secretas. E outras, que não sei bem se foram referências de fato ou apenas dissonâncias em minha cachola de gibizeiro: o Verdão doando o braço em Planeta Hulk, a aventura espaço-tempo-apoteótica de Vingadores Eternamente, o "1" do Dr. Estranho para Tony Stark paralelo ao timing de Adam Warlock para o Surfista Prateado em Desafio Infinito, Steve Rogers e Gail no final de Supremos 2 e por aí vai. Essas vieram fluídas e precipitadas como lembranças de velhos amigos. E eu agradeço ao filme por isso.
Surpreendente mesmo foi o resgate de dois grandes personagens por dois atores maiores que a vida: Tilda Swinton reprisando a Anciã e Robert Redford novamente como Alexander Pierce. Redford já havia encerrado a carreira em meados de 2018, mas voltou atrás no final do mesmo ano. Esqueça a mera condição de filme-pipoca. Isso já é cinema grande, meu chapa.
Josh Brolin pode não ter percebido ainda (ou é modesto demais para admitir), mas acabou por personificar um dos maiores vilões do cinema. Thanos é fascinante, perspicaz, tem a sua cota de honra distorcida e acredita piamente que está do lado certo da História. Ameaçador e absurdamente poderoso, Thanos protagoniza, fácil, as melhores e mais engenhosas lutas super-heroísticas já feitas até aqui. Mesmo a Capitã Marvel de Brie Larson - um tanto deslocada pelos cameos pontuais - teve seus melhores minutos numa telona, incluindo aí seu filme solo. O ponto alto, claro, é sua frenética e nervosíssima luta com o Titã Louco.
Há pelo menos uns três ganchos antológicos durante a luta de Thanos contra a "Trindade" - também conhecida como Vingadores Primordiais. E fazia tempo que não via uma sala de cinema virando uma arquibancada em final de campeonato. Especialmente no momento "Capitão, o Digno". Memorável.
Quando Jim Starlin criou Thanos no início da década de 1970, a gênese do Titã não indicava uma carreira muito promissora. O autor mesmo comentou: "Você pensaria que Thanos foi inspirado em Darkseid, mas não era o caso quando eu o apresentei. Nos meus primeiros desenhos de Thanos, se ele parecia com alguém, era com Metron. (...) Roy (Thomas) deu uma olhada no cara com a cadeira ao estilo Metron e disse: 'Aumente esses músculos! Se for para roubar um dos Novos Deuses, então roube Darkseid, o único realmente bom!'"
45 anos depois, Thanos está mais vivo do que nunca, coletando Jóias do Infinito em blockbusters bilionários e se tornando uma referência pop no mundo inteiro. E o que é mais incrível: adaptado sem comprometer sua personalidade. Pra mim, que li e reli as sagas de Thanos infinitas vezes, isso é muito além de um presente.
Toda a sequência final reservada ao personagem é sob medida. O momento da transição do Thanos ambientalista para o Thanos niilista é de arrepiar. Era o passo que faltava para o... Dark Side. E ainda corrobora os pensamentos de Jim Starlin sobre uma futura abordagem da Senhora Morte, a convidada que faltava. Promissor como parece.
Já se vão onze anos desde que saí daquela sessão de Homem de Ferro com um enorme sorriso no rosto e a cabeça fervilhando em pensamentos. Alguns viraram texto; outros, atrelados a uma certa melancolia por tempos idos, foram para o mesmo cantinho da memória que já serviu de palco para grandiosas batalhas emprestadas das páginas dos gibis. Eu sabia que ali era o máximo que o cinema real se aproximaria dos quadrinhos e estava mais do que satisfeito com aquilo. Filme após filme, desafio após desafio, a Marvel Studios foi superando aqueles limites - em maior ou menor grau e com resultados variáveis, mas sempre com bom senso, respeito às duas artes e, principalmente, coração.
Vingadores: Ultimato é sangue, suor e lágrimas. O ápice de uma autêntica odisséia cósmica (epa!) e o registro de que um dia duas formas de arte chegaram tão perto que quase convergiram.
Mesmo sendo o mais épico, ambicioso e visualmente deslumbrante, claro, não é um filme perfeito. Capitão América: O Soldado Invernal (2014) segue no topo da minha lista. E ainda tenho um carinho todo especial por Os Vingadores (2012) pelo impacto sobre este leitor ad eternum de Heróis da TV. Junto com Guerra Infinita, Ultimato habita n'algum lugar no éter entre esses dois.
Algo a se avaliar com o tempo. E com sessões infinitas.
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domingo, 28 de abril de 2019
Amo Vingadores: Ultimato 3000
Se eu dissesse para aquele moleque embasbacado com a inesquecível Grandes Heróis Marvel #1 que um dia o mundo inteiro conheceria Thanos... provavelmente ele acreditaria, já que sua visão de mundo, ainda relativamente inocente e sonhadora, permitiria tal devaneio. Mas nada que durasse muito.
Thanos, cara. Thanos.
Como disse o Dr. Estranho na reta final de Vingadores: Guerra Infinita, "estamos no fim do jogo agora". Errado duas vezes: estamos em Vingadores: Ultimato - numa das maiores vaciladas de adaptação de títulos em português; e não estamos só no fim do jogo, mas numa final de campeonato.
Daquelas pra ficar na história.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
A Saga da Crise nas Infinitas HQs
Ainda não foi dessa vez que a bolha do mercado nacional de HQs estourou. Mas que houve uma estremecida esquisita entre o final de 2015 e este início de 2016, isso houve. E não vindo apenas das editoras, mas também da distribuição, que, por padrão, atrasa tanto quanto antecipa títulos, mas que agora parece ter batido um recorde do caos.
A programação dos lançamentos foi implacável: tijolões de Crise nas Infinitas Terras, A Saga da Fênix Negra, A Liga Extraordinária: Século e as incessantes coleções da Salvat, Eaglemoss e DeAgostini se embolando com arrobas de edições de dezembro que só há pouco aportaram em bancas e lojas. Isso sem mencionar aquisições indie fora da curva, carinhosamente garimpadas em nome de uma coleção com a cara do dono.
Resultado: janeiro foi meu mês mais $obrecarregado desde que passei a registrar a experiência. Sentei o dedo nessa porra.
O problema da quantidade deixou de ser dos mixes mensais para ser dos encadernados. Especialmente agora, com a chegada do material dito "clássico" às graphics da Salvat, onde o aproveitamento por edição foi elevado substancialmente. Histórias antes relegadas às edições adulteradas da editora Abril finalmente publicadas com acabamento digno - embora não na ordem ideal, cronológica, proposta já sepultada pelo naufrágio das linhas Biblioteca Histórica Marvel e Crônicas, da DC.
Mesmo assim o paliativo é saboroso. Quem não fazia a coleção inteira e dava graças a Crom por isso, pode passar a carteira - e já viu a extensão #11, Contos de Asgard, que coisa linda e irresistível? Bem dizia aquela máxima dos filmes: "cuidado com o que deseja".
Das editoras menores, apenas a Mythos e seus minions cantoneses parecem manter seu nicho de mercado. Muito disso é culpa de um certo ranger texano e seus, até ontem, 11 títulos regulares variando entre almanaques em formatinho preto e branco e trade paperbacks coloridos gigantes. Ele e um bárbaro cimério contam com uma vantagem sobre seus pares da 9ª arte: um público informal não segmentado que já foi mais forte em tempos idos.
E que, aliás, segue como fonte de piadinhas infames recorrentes...
O público original de Tex e Conan no Brasil
Uma das consequências imediatas desse boom quadrinhístico são os relançamentos dos títulos mais populares num curto espaço de tempo em relação à publicação original. É uma tática predatória cujo reflexo é sentido nas linhas mais baratas, como os mixes, e que não parece projetar algo positivo a longo prazo.
A base desse mercado, afinal, é o cronograma mensal, popular, não o das "edições definitivas". Do mesmo jeito que ocorre lá fora.
Mas cá estou eu com a minha coleção de Capitão América & Gavião Arqueiro fechada recentemente...
Voei perto do Sol com asas de pisa brite...
...me vendo estranhamente acostumado com a aquisição do encadernado do Clint Barton.
Mais um dia no escritório da repetição. Algo tão óbvio assim só senti com a minissérie Grandes Astros Superman e sua edição TP. E olha que elas tiveram 4 anos de gap.
Pelo menos o Cap de Rick Remender foi divertido. Será que vai ter encadernado também?
Levi Trindade, editor da Panini, não parece nem um pouco preocupado: segundo ele, a agenda de relançamentos vai seguir em ritmo industrial em 2016. Entre a avalanche de mangás e a ótima Maravilha de Brian Azzarello e Cliff Chiang, a reedição com o melhor timing periga ser a de O Imortal Punho de Ferro, da abençoada dupla Ed Brubaker/Matt Fraction.
Não apenas pela série live-action que se forma no horizonte, mas também por um dos meus exemplares de Marvel Apresenta. Das três edições onde a série foi publicada, entre 2008 e 2009, as duas últimas nunca saíram do plástico. Já a primeira...
Papel que não respira vive melhor...
Acho que isso soluciona algumas polêmicas colecionistas.
* * * * *
Esse post subiria no finalzinho de janeiro e foi prorrogado para o fim do Carnaval, mas não tive como deixar passar algumas coisas que foram surgindo. Principalmente porque o assunto parece bastante ligado ao tal "ritmo industrial" dos relançamentos de luxo que a Panini vem imprimindo de uns bons tempos pra cá.
Crise nas Infinitas Terras e X-Men: A Saga da Fênix Negra, sem maiores apresentações, excetuando os preços: 115 e 85 reais, respectivamente. Considerando cenário econômico, importância das obras, projeto gráfico e material extra (em especial, o de Crise), justo, muito justo. Justíssimo.
O problema é que foram dois lançamentos de grande porte evidenciando profundas deficiências de revisão da editora. Ainda não li - ou revisei, rá. Me limitei a conferir se constavam lá os erros noticiados via Facebook, YouTube, fóruns e blogs, talvez, na esperança de ser uma falha isolada a alguns lotes da gráfica. E pelo jeito, não foi.
Em A Saga da Fênix Negra já virou famosa a cena do Wolverine e suas "gatas de adamantium".
Mas o pior veio algumas páginas antes.
Terrível.
A revisão de Crise nas Infinitas Terras também "não faz feio" com dois diálogos trocados que, se não trazem nenhum prejuízo às tramas principais, no mínimo bagunçam completamente a cena.
Nada, nada, um erro que nem a Abril e suas traduções la garantia soy yo cometeram.
Questionado sobre o caso nos comentários do Distopia Cast, novamente Levi Trindade, sempre boa-praça e solícito, não desconversou e pareceu genuinamente surpreso com os erros.
Segue o trecho.
joaqquinno 5 dias atrás
+distopia cast
Valeu, pessoal, já assisti e foi mesmo bem legal. Parabéns! Agora quero dar uma sugestão de tema para os próximos papos como Levi e o pessoal da Panini: traduções e revisões. Está cada vez mais assustador a quantidade de erros bizarros nas traduções do material da Panini, inclusive nos deluxe que custam uma fortuna. Desde letras falatando na capa até balões inteiros em branco ou com texto errado (recentemente encontraram problemas na Saga de Fênix recém-lançada). As CHM (editadas pela Carol, se não me engano) vem com erros grosseiros de português, dignos de quem não entende nada de gramática e ortografia (é burrice mesmo, e não "erro de digitação"). Acho que isso valeria um especial, pois tá sendo sistemático o problema e tá ficando difícil a situação! Valeu e, no mais, continuem fazendo o bom trabalho (e evitando as coisas "sem nexo" que de vez em quando aparecem, hehehehe)!
Leia mais
·
+joaqquinno Oi, joaquuinno. Muito obrigado pelo seu comentário. Realmente, ocorreram algumas falhas e já conversamos com as pessoas responsáveis. Sobre o caso do livro da Fênix Negra, recebi um contato via nossa página no Face de que havia uma página duplicada, mas nas edições que recebemos da gráfica isso não ocorreu. Então, peço que, se possível, caso você tenha uma edição com esse problema (que é muito bizarro), que encaminhe fotos das páginas em questão pro pessoal do Distopia Cast e depois eles enviam pra gente, beleza? Até agora, não encontramos nenhuma edição com esse problema, mas se houver ela será trocada. Porém, se o problema for outro, por favor, nos informe também.
No ano passado, tivemos um problema na gráfica com a reimpressão de Cavaleiro das Trevas. Magicamente, em uma página, alguns balões ficaram em branco. Porém, os arquivos em PDF estavam corretos e eram os mesmos que a gráfica tinha recebido. A gráfica, neste caso, se responsabilizou pelo ocorrido (apesar de não ter conseguido explicar satisfatoriamente o ocorrido, já que apenas alguns balões da página estavam em branco, enquanto que outros continham textos normalmente) e reimprimiu toda a tiragem do livro novamente. Nós efetuamos a troca para todos que compraram. Antes disso, já tínhamos suspendido a distribuição e solicitado a devolução para as livrarias e lojas que haviam recebido o livro.
No caso de Liga da Justiça: Origem, houve reimpressão do livro e todos que compraram o livro com o erro de digitação na lombada tiveram o livro trocado.
Sobre os erros de tradução e revisão, estamos pegando bastante no pé da galera que cuida dessas áreas, mas algumas coisas andaram passando. Vamos reforçar o cuidado nessa questão.
Um forte abraço,
Levi Trindade
Panini Comics
· 1
E foi isso aí.
Até posso relevar a troca dos balões de Crise - a rigor, o mesmo erro pavoroso constante em Sandman - Edição Definitiva (volume 1, pág. 343). Que é frustrante visto de modo isolado, mas que, no conjunto, não ofusca o fato de que é uma belíssima e imperdível edição. Isso se não encontrarem mais vacilos cabulosos, lógico.
Já os erros de Fênix Negra, ao meu ver, configuram com louvor os requisitos para um recall. Penso que são falhas tecnicamente bobas, porém pontuais. E traçam um cenário interno grave que só pode ser explicado pela completa ausência de revisão (que, em tese, é composta por várias etapas redundantes com mais de um profissional envolvido), possivelmente causada por contenção de gastos ou por alguma deadline ambiciosa - ou coisa pior, para os conspiradores de plantão.
Não consigo acreditar que foi apenas incompetência coletiva. Sem ironia.
Pretendo acompanhar os desdobramentos disso. Vou cornetar nos perfis da editora, cutucar por e-mail, enviar as fotos e tudo o mais. Recomendo a todos a mesma atitude. Se surtir efeito prático, também vou querer um novo corrigidinho e nos conformes. Se rolar só umas desculpinhas, bem... não vou ficar mais pobre por causa disso. Mas vou ficar mais chato.
Por hora, está inaugurada oficialmente a tag Porra, Panini! aqui no BZ.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Captão por opção
Enquanto o planeta ferve com o trailer de Capitão América: Guerra Civil, eu acabei de ferver com questões outras relacionadas ao bom soldado. Culpa da Salvat e suas reedições de fases clássicas da Marvel dos anos 70 e 80. E da Panini, que faz vista grossa a tudo que não leve o nome de Frank Miller e Grant Morrison. Mas principalmente da massa de leitores velhuscos sedentos por versões íntegras, em capa dura e com papel bom das épocas áureas de feras como Jim Steranko, Gil Kane, Roy Thomas e Gerry Conway.
Daí que a Salvat vem com essa coleção em capa vermelha, algumas sem relação com o conteúdo e com vários tropeços de revisão, ou falta de. E calhou do highlight dessa tosqueira editorial ser justamente o especial do Capitão América de Roger Stern e John Byrne - na época, o mais próximo de Midas que os quadrinhos mensais de super-heróis tinham.
O encadernado - com capa do Ed McGuinness... - assumiu status folclórico mesmo pelo erro inacreditável e em letras garrafais da contracapa. Algo do tipo que antigamente se guardava a sete chaves, como raridade, antes da editora respeitar seus consumidores e anunciar um recall. Atitude que nunca veio e nunca virá.
Em suma, um material que eu nem cogitava chegar perto.
O problema é que a distribuição e o recolhimento caóticos do mercado nacional de HQs conferiu à edição não apenas o milagre da multiplicação nas bancas, mas também da durabilidade nas mesmas. A cada semana, aportavam novas edições vindas de algum mini-buraco negro nerd aberto pelo LHC da Salvat.
Eu, em abstinência de Byrne há mais tempo do que a Convenção de Genebra permitiria, fui vencido pelo cansaço.
Cedi felizão.
Pode me chamar de verminóide que eu atendo.
Ps: e que fique registrado que um dia a Mythos Editora colocou tudo do site com 50% de desconto. Até onde vi, foi a única que realmente incorporou o espírito da Sexta-Feira Negra. Louvável.
Claro que... analisando a longo prazo... a editora sempre manteve uma margem de lucro nababesca, então a coisa fica apenas mais justa no saldo final. Nada mais, nada menos. Seja como for, já passei o rodo no que queria, sem grandes prejuízos para a cerveja natalina.
Pps: aquela American Flagg vai enfeitar mais estantes nesse fim de ano do que lombadas com o nome do Alan Moore.
quinta-feira, 5 de março de 2015
O verdadeiro desafio de Whedon será fugir de seus próprios clichês
O novo trailer de Vingadores: Era de Ultron está sendo recebido com honras de chefe de estado nerdsfera afora. Não é pra menos. Joss Whedon está colhendo cada fruto plantado no divertido e eficiente Os Vingadores, de 2012. A ação e a interação entre arquétipos (e atores, e escolas) tão díspares foram estruturadas de maneira plenamente funcional e pop.
Assim como na prévia anterior, essa despeja competência e profissionalismo no quesito aventura. Teremos Hulk versus Hulkbuster, Mercúrio atropelando Cap em mach-5, mais uma pose "Avante Vingadores!" pra galeria, Ultron e muitos, mas muitos Ultrons. Daí uma sensação de déjà vu quase fulminante me acordou do transe: Whedon parece estar seguindo à risca a cartilha do bigger, faster & stronger das continuações hollywoodianas.
Sai Thor, entra o Homem de Ferro no UFGama, Mercúrio numa cena análoga ao do Mercúrio de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, explosões mil, Nick Fury engessado em sua nova função de mentor extra-oficial, Robert Downey Jr. perdendo o brilho e o tesão a olhos vistos e o que periga ser a framboesa desse bolo: o exército de Ultrons.
Provavelmente interligados numa consciência-colméia gerenciada pelo Ultron original e sujeitos à mesma fraqueza do exército Chitauri do 1º filme, requentada do exército alien-cyborg da bomba Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles - destrói-se a fonte e os demais caem como um castelo de cartas. Deus ex machina nas máquinas mais uma vez?
E falando em máquinas, porque o Visão está sendo tão preservado? Algum pé atrás?
Whedon já comentou sobre o trabalho absurdamente extenuante que teve para coordernar o circo todo. Tomara que não a um preço comprometedor...
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terça-feira, 25 de março de 2014
Bateye
Então... estava eu tranquilo e infalível como Bruce Lee, só aguardando a derradeira edição de Vertigo...
...e assim eu poderia finalmente alcançar o tão sonhado Graal de zero compras de mensais e entrar de vez no clubinho exclusivo dos encadernados e alguns eventuais encalhernados. Enfim, era um rito de passagem vital e necessário para eu me tornar uma pessoa melhor.
Mas a Panini tinha outros planos e resolveu colocar o ótimo Gavião Arqueiro de Matt Fraction num mix com o Cap.
O que ficou?
Mais uma rodada de sofrimento auto-impingido com uma providencial ajuda dos capos da av. São Gualter, São Paulo.
Tudo bem, o mix desce legal. E tem a ver. Devoro o gibi antes mesmo de botar os 6,50 mantegas na mão da mocinha da banca. O problema é o acabamento.
Estou aqui com a recém-adquirida edição número 005 (por Dormammu, até qual numeração eles pretendem chegar com isso?), de fevereiro de 2014... no final de março. A edição 006 já consta no checklist desse mês quasi-moribundo, mas nem vi sinal da dita cuja. A distribuição das quatro edições anteriores foram tão erráticas quanto. Já vi duas edições irem pras bancas no mesmo dia e nem constarem no site da editora.
O que me leva ao segundo ponto: Gavião do Fraction mixado com o Cap do Rick Remender e uns Vingadores Secretos de bônus secreto vá muito lá. Mas sério que nenhuma das sensacionais capas do David Aja mereceu um lugar no pódio?
Pô, Panini. Se não melhores que as do Quesada e a do outrora fabuloso Romitinha, certamente muito superiores àquela do Simone Bianchi na edição 004...
* * * um minuto de silêncio agora... ela merece * * *
...e assim eu poderia finalmente alcançar o tão sonhado Graal de zero compras de mensais e entrar de vez no clubinho exclusivo dos encadernados e alguns eventuais encalhernados. Enfim, era um rito de passagem vital e necessário para eu me tornar uma pessoa melhor.
Mas a Panini tinha outros planos e resolveu colocar o ótimo Gavião Arqueiro de Matt Fraction num mix com o Cap.
O que ficou?
Mais uma rodada de sofrimento auto-impingido com uma providencial ajuda dos capos da av. São Gualter, São Paulo.
Tudo bem, o mix desce legal. E tem a ver. Devoro o gibi antes mesmo de botar os 6,50 mantegas na mão da mocinha da banca. O problema é o acabamento.
Estou aqui com a recém-adquirida edição número 005 (por Dormammu, até qual numeração eles pretendem chegar com isso?), de fevereiro de 2014... no final de março. A edição 006 já consta no checklist desse mês quasi-moribundo, mas nem vi sinal da dita cuja. A distribuição das quatro edições anteriores foram tão erráticas quanto. Já vi duas edições irem pras bancas no mesmo dia e nem constarem no site da editora.
O que me leva ao segundo ponto: Gavião do Fraction mixado com o Cap do Rick Remender e uns Vingadores Secretos de bônus secreto vá muito lá. Mas sério que nenhuma das sensacionais capas do David Aja mereceu um lugar no pódio?
Pô, Panini. Se não melhores que as do Quesada e a do outrora fabuloso Romitinha, certamente muito superiores àquela do Simone Bianchi na edição 004...
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Soldado Invernal sob o comando dos Russos
Anthony e Joe Russo parecem os típicos nerds-alfa. Pelo menos é essa a impressão quando se vê os vários episódios de Community e Arrested Development constantes na ficha dos irmãos cineastas. Que também têm suas porcarias (quem não as tem, não é mesmo?). Sendo assim, eu podia até esperar por certa sobriedade fanboy na direção do novo Capitão América 2: O Soldado Invernal...
O que eu não esperava mesmo era ver um trailer tour-de-force à Michael Mann-dirige-um-Bourne-movie altamente climático e com cara de filmaço às 12 horas.
Só dia desses fui saber que existem firmas especializadas em montar trailers para cinema. Altamente profissional. E frio. Brr. Mas mesmo se os caras que fizeram esse forem os gênios da raça, de algum lugar eles tiraram essas cenas.
E só a do diálogo entre Robert Redford (!) conversando com o Capitão América (!!) já vale o filme em 3D inútil com a pipoca ruim do Cinemark.
O que eu não esperava mesmo era ver um trailer tour-de-force à Michael Mann-dirige-um-Bourne-movie altamente climático e com cara de filmaço às 12 horas.
Só dia desses fui saber que existem firmas especializadas em montar trailers para cinema. Altamente profissional. E frio. Brr. Mas mesmo se os caras que fizeram esse forem os gênios da raça, de algum lugar eles tiraram essas cenas.
E só a do diálogo entre Robert Redford (!) conversando com o Capitão América (!!) já vale o filme em 3D inútil com a pipoca ruim do Cinemark.
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011
O primeiro editor
Joe Simon (1913 - 2011)
Poderia ter sido um daqueles eventos que tornam o fim de ano um pouco mais melancólico, mas não. É uma das raras despedidas em que não há qualquer resquício de tristeza. O lendário Joe Simon teve uma grande vida (e uma vida grande!). Dono de uma carreira respeitabilíssima, foi o primeiro editor da seminal Timely, socou a cara do führer enquanto os EUA ainda faziam chapa branca e teve pelo menos uma criação icônica a constar na cultura pop desde sempre.
Do lado pessoal, melhor ainda: o rapazinho foi o patriarca de uma família enorme. Tudo bem, houveram alguns percalços, sendo o processo contra a Marvel o mais representativo. Mas quem nunca acionou a safada da Marvel na justiça?
Parece que foi ontem que comentei que ele devia ter ficado orgulhoso com o recente filme do Cap. E, pelo jeito, ficou mesmo.
Thanks, Simon!
R.I.P.
sábado, 30 de julho de 2011
O triunfo da vontade
Capitão América: personagem alegórico de perfil motivacional criado por Joe Simon e Jack Kirby no início de 1941 para a Timely Comics, embrião da Marvel Comics. No final daquele ano complicado, os Estados Unidos entraram oficialmente na 2ª Guerra.
70 anos, inúmeros conflitos e uma ordem mundial inteiramente nova depois, o filme que os recrutas mereciam assistir. O 1º pra valer, vamos combinar. As tentativas anteriores de impor o Capitão sem a substância que faz dele o que ele é não vingaram nem a pipoca - e não me refiro ao soro do supersoldado. Fazer um filme sobre o heroi, com toda sua carga de simbolismos e ideais, é quase como fazer um filme sobre o Tio Sam. Foi aí a grande sacada de Capitão América: O Primeiro Vingador - o filme abraça a causa, por mais ultranacionalista e esdrúxula que ela possa se tornar, mas de maneira esperta, malandra e até autossarrista, sem jamais se render a recalques históricos que quase sempre deixam um gosto melancólico após uma falsa catarse de vingança e redenção.
Não que o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely seja um Norman Rockwell dos escritos d'antanho, mas alcançou o tom pop ideal para um personagem tão 1940. E sem deixar de fora as boas referências ao seu universo, salpicadas matreiramente durante toda a projeção. O Capitão América, quem diria, funciona e não soa como uma relíquia espalhafatosa da Era de Ouro pedindo aceitação nesses tempos tão cínicos. Considerando que essa era a parte preocupante, pode-se dizer que O Primeiro Vingador é um vencedor.
O problema ficou mesmo em aspectos padrões do filme. Talvez em algum ponto na interação entre a dupla de escribas com o comandante Joe Johnston e o cronograma nada amigável da Marvel Studios.
Primeiro, a parte boa. A ótima caracterização de Steve Rogers foi essencial para a coesão da narrativa, que cruza elementos de gêneros distintos sem a menor sutileza. Mais ainda, consegue estabelecer certa identificação com o espectador (a menos que este tenha assumido apaixonadamente o papel do valentão nos tempos de escola), além de transmitir uma mensagem simples, ingênua e boba até, porém universal: nunca desista de seus sonhos.
Evans, com toda a pinta de rei do baile e capitão do time, quem diria, rendeu uma boa mistura entre Peter Parker e a parábola do sapo surdo. Ou um Petey mordido por um sapo surdo radioativo, sei lá.
Não posso opinar tanto sobre a esqueletização digital do sujeito, já que o 3D desse filme parece ter sido convertido no fundo de quintal mais vagabundo da Santa Efigênia. Pelo que vi, pareceu convincente. Esse primeiro terço pré-Capitão foi justamente a parte que mais me agradou no filme, com um show à parte da produção de época e o clima nostálgico das ruas reeditando a atmosfera na qual o personagem nasceu - antes mesmo de ser o grandioso Capitão América, o pequeno Steve Rogers já era o sal daquela terra.
O Roger Ebert cantou a bola direitinho: Steve era só mais um garoto que queria ser como Charles Atlas e usar aquele poder não apenas para espancar "bullies" ou ganhar garotas, mas em favor da melhor causa de todas: ser americano.
Inicialmente achei que a ausência de suásticas e nazis afastaria o personagem de sua raison d'être. Felizmente, substituir os tradicionais chucrutes pela Hydra e todas as suas possibilidades ficcionais se mostrou bastante acertado, mesmo sem qualquer menção ao Barão von Strucker, à Madame Hydra e outros notáveis. Hugo Weaving, como sempre, impecável como o infame Caveira Vermelha. E isso inclui seu sotaque macarrônico e uma canastrice tal que só é possível pra quem está se divertindo a valer em frente às câmeras.
Já Toby Jones, pelo que conheço de seus trabalhos, parece ator de um papel só. Se for assim, foi a escolha perfeita para o Dr. Arnim Zola - cuja primeira aparição no filme foi uma referência impagável que provavelmente só os leitores dos quadrinhos vão pescar.
Do lado dos herois, um bom núcleo de atores e um naipe interessante de personagens dos quadrinhos, embora um tanto quanto subaproveitados. Os destaques vão para a bela inglesa Hayley Atwell no papel da agente Peggy Carter (interesse romântico de Steve), o grande Stanley Tucci conferindo um tom sereno, terno e quase paternal ao Dr. Abraham Erskine, Dominic Cooper personificando um Howard Stark que, além do bon vivant de praxe, também faz as vezes de Q para o Capitão - e em nada lembra a figura distante e obcecada como foi retratado em Homem de Ferro 2 - e finalmente Sebastian Stan fazendo um bom trabalho no (mais uma vez reescrito) Bucky Barnes.
Tommy Lee Jones está totalmente dispensável no papel do Cel. Chester Phillips, mas vale uns centavos pela rabugice que sempre imprime com um pé nas costas. Quero ser um velhinho igual aquele quando crescer. O chato mesmo foi ver desperdiçado o contingente bacana dos Comandos Selvagens, especialmente Neal McDonough, como o bonachão Dum Dum Dugan.
"America... FUCK YEAH!"
É a segunda vez que Joe Johnston dirige uma aventura sobre um heroi dos quadrinhos lutando contra vilões nazistas. A primeira foi em Rocketeer, há exatos 20 anos atrás, com produção da Disney, hoje dona da Marvel. É uma sincronicidade curiosa e um bom precedente, se tivessem me perguntado. Nessa nova incursão, no entanto, o termo "diretor operário" me veio à mente mais de uma vez durante o filme. Apesar dos bons empréstimos conceituais da versão Ultimate do heroi (Mark Millar é devidamente agradecido nos créditos finais), O Primeiro Vingador perde seguidas chances de fazer a diferença em momentos-chave, se limitando a sequências incrivelmente requentadas.
Há insumos de várias procedências aqui: Luke e Vader duelando numa ponte estreita sobre um abismo, o primeiro salto de Neo de um edifício para o outro, postais do Indy durante a Última Cruzada e até uma perseguição de speeder bikes na lua de Endor - isso pra ficar só nos mais óbvios. O cineasta também podia ter um pouco mais de bom senso na sequência em que o Cap invade sorrateiramente uma base da Hydra levando o "discreto" escudo estampado com a bandeira americana...
Mas o principal ponto negativo é o mesmo que já vem acometendo as produções da Marvel Studios desde Homem de Ferro 2 e que atinge seu auge neste filme: um plot que busca sua autosuficiência mais na presença do heroi e de seu universo do que numa história a ser desenvolvida e (bem) amarrada até a sua conclusão. Nada de tramas paralelas, reviravoltas ou mesmo uma grande missão pela frente. O Cubo Cósmico sequer representou um MacGuffin de respeito - o Capitão mal sabia de sua existência. A edição supercompacta das missões do Capitão com os Comandos e o final abrupto não deixam dúvidas. A exemplo de Thor, a trama aqui foi menos importante que a apresentação do personagem para o filme-evento que será Os Vingadores.
Quem esperava "apenas" um filmaço de ação/aventura passado na 2ª Guerra, como Os Doze Condenados, Desafio das Águias ou Os Canhões de Navarone, morreu na praia da Normandia.
Momento-marvete: o Capitão lutando ficou legal. Mesmo brigando contra dez, quinze adversários (o que ele faz nos gibis num dia fraco), a logística absurda da coisa flui redonda. Na verdade, no filme inteiro só contabilizei 1 soldado inimigo fazendo hora atrás do Cap, aguardando pacientemente sua vez de levar porrada. Ah, e o escudo de vibranium com efeito bumerangue dual core ricocheteando por aí, nocauteando os bandidos e voltando às mãos do Cap... HQ em movimento.
Jack Kirby teria deixado escapar um sorriso discreto. E Joe Simon, do alto de seus 97 anos (o que é fantástico), deve ter ficado orgulhoso.
Ps: pela primeira vez, esperar por cenas pós-créditos me rendeu alguma info útil. Sempre me perguntei onde andaria o talentoso Rodolfo Damaggio, desenhista, entre outras coisas, do famoso arco onde o Arqueiro Verde se sacrifica para salvar Metrópolis de um avião carregado com uma bomba (olha a sincronicidade aí de novo...). Legal ver o brasileiro figurando entre o staff do Cap. Podia retornar aos quadrinhos tradicionais algum dia.
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010
"Você me diz que não tá mais saindo..."
Taí uma digna de figurar no March Modok Madness! Giorgio Comolo, ilustrador italiano cujo traço de inspirações kirbyanas sempre foi meio sisudo, vira uma outra pessoa quando se trata do MODOK. Pois o infame vilão parece liberar toda a lascívia represada no artista, que já o retratou se iniciando com uma ninja grega, mandando ver no menino-prodígio e queimando uma tora ao lado do Monstro do Pântano (!). Dessa vez, ele resolveu fazer uma das maiores revelações dos quadrinhos - e não me refiro à prova definitiva de que Sharon Carter não é loira natural.
O commission em questão é entitulado "Tales of Suspense #94 side-story (part 2 of 2)" e é uma brincadeira de Comolo em cima de uma história do Capitão América, onde vários buracos pululam inexplicados no roteiro do titio Stan. A intenção é amarrar todas as pontas soltas com um único shot.
Lendo a edição, realmente faz sentido.
"Se vamos nos rebelar tem que ser agora... enquanto Modok está ocupado interrogando a agente da Shield!"
O tal interrogatório nunca é mostrado, tampouco o vilão se encontrando com a mocinha após sua captura. Ela simplesmente some por uma boa parte da história e só reaparece no final, juntinha com ele. "Interrogando". Sei...
Alheio a tudo isso, o destemido Capitão corre em busca de Sharon, que está nas garras do tirânico vilão.
Após o "Pare onde está!!" mais suspeito dos quadrinhos, o herói é afastado por um raio mental. O que Modok estaria escondendo?
Modok finalmente aparece, pela 1ª vez nessa história. Aparentemente meio corrido de algum canto e trazendo Sharon a tiracolo, soltinha, ilesa e oferecendo mais explicações do que o Capitão pediria se tivesse perguntado. Se os peritos da SHIELD jogassem uma luz negra em cima dela...
Aposto que MODOK estaria fechando a braguilha, se tivesse uma.
"Ô Shaaa-ron..."
domingo, 24 de janeiro de 2010
Marvel Zombies des-animator
Com ferramentas simples (YouTube, criatividade & falta do que fazer), o user whoiseyevan resolveu homenagear os Marvel Zombies, bem como as capas putrefactas do artista Arthur Suydam. Para tanto, injetou uma overdose de trioxyna nas intros de dois desenhos desanimados da Marvel - aqueles, do estúdio Grantray-Lawrence - e do desenho clássico do Quarteto pela Hanna-Barbera.
Sabiamente, ele manteve as trilhas originais embalando toda a tosqueira gore. O resultado é hilário, outstanding, awesome, ducaraio e outros predicados igualmente lisonjeiros.
Thor!
Coronel América!
Os Quatro Fantásticos!
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
ULTIMATES ASSEMBLE!
Logo no início de Ultimate Comics Avengers #1, um estarrecido Nick Fury resume o sentimento dos leitores (em geral) após Ultimates 3 e Ultimatum - ambas escritas, ou melhor... excretadas por Jeph Loeb e seus desenhistas sem-mente de estimação. Mais que isso, a cena ilustra o espanto do próprio roteirista Mark Millar frente ao caos instaurado em sua cria mais notória. É a velha e boa ironia escocesa de volta ao batente Ultimate - e pra quem sabe ler, um %@#& é letra. Ainda olhando para um Triskelion em reconstrução, Millar-Fury emenda: "eu sumo por dez minutos e o lugar inteiro vai pro inferno". Pode crer que ele não estava se referindo só ao QG dos Supremos.
Após aquela fatídica primeira edição de Supremos 3 eu achei sinceramente que Joe Quesada estava de sacanagem. Que aquela escalaçãozinha Loeb/Madureira rebuscando toda a tralha noventista da era Image foi mais um plano sórdido do rotundo editor. Autosabotagem declarada para, talvez, enxugar a linha Ultimate, mantendo só o baratinho e rentável Homem-Aranha teen - com entregas sempre no prazo e um comercialmente saudável público unissex. Conspiração demais? Pode até ser, mas nada explica essa line-up sucedendo uma das duplas mais sensacionais dos quadrinhos da última década. E mais uma vez, Quesada e sua gangue fizeram muito bem aos cofres da Marvel e muito mal pro bolso do leitor.
É um baita administrador, vamos combinar. Pode não ser o cara que controla o abre e fecha da carteira, mas é quem a enche. Não fosse ele, a Marvel, se ainda existisse, seria propriedade da Wal-Mart ao invés da Disney. Vi-va.
Mas antes de tecer previsões apocalípticas sobre como a casa do Mickey irá descaracterizar o Universo Marvel ao longo dos anos que virão, vou tentando entender como Millar vai restaurar sua fabulosa sátira ao american way. Porque tá difícil. Mas essa primeira (e curtíssima) edição já traz algumas pistas.
O plot básico é aquele novelão cheio de cliffhangers pontiagudos que Millar fez tão bem nos dois primeiros volumes dos Supremos. Começa com Fury sendo cicceroneado pelo Gavião Arqueiro de volta ao Triskelion ("quase 75% operacional"), não para reassumir seu velho posto, mas para resolver uma antiga merda envolvendo o Capitão América, agora um renegado. Corta para um dia antes. Cap e Gavião estão em perseguição aérea a uma unidade de assalto da I.M.A. (Ideias Mecânicas Avançadas - até onde sei, em seu debut no universo Ultimate). O ato termina com Cap confrontando seu mais clássico inimigo, o Caveira Vermelha, e também com uma revelação-bomba daquelas de fazer o chão desaparecer. Existem novelas na Escócia?
Coube ao artista Carlos Pacheco a difícil missão de substituir Bryan Hitch e dar vazão às epifanias cinematográficas de Millar. Pacheco sempre foi competente, mas vive hoje seu melhor momento, de longe. Da grandiosa capa e do Triskelion de tirar o fôlego na primeira página à sequência de ação desenfreada da metade pro final, o cara foi arrasador. Existe alguma emulação da linguagem visual de Hitch aqui, mas usada como uma ferramenta para deslanchar sua própria dinâmica. Os melhores momentos, claro, são os que trazem recursos mais hollywoodianos (pular com uma moto de um edifício em direção a um helicóptero e uma queda livre sem paraquedas nunca soam cansativos), neste ponto lembrando um pouco a antológica "edição Matrix" do volume um (Ultimates #8).
O texto nem um pouco sutil de Millar traz de volta aquele coice anárquico dos personagens e seu eterno sarcasmo em relação à malaquice republicana dos EUA. Como não podia deixar de ser, o astro principal é o Cap, com as conhecidas frases de efeito reafirmando suas convicções de macho-man militarista ("que tipo de garota é detida por uma bomba?" - adivinhe a autoria e ganhe uma bandeirinha do exército confederado) e seu modus operandi discutível no combate ao terror - vide a cena em que ele joga soldados inimigos desacordados de um helicóptero a trocentos pés de altura com a serenidade de quem põe o lixo pra fora.
A interação com Pacheco destila fluidez e ainda resgata aquelas boas sequências de briga quadrinhística, como no momento em que o Cap leva uma surra homérica do Caveira. Destaque também para o diálogo de Carol Danvers, atual comandante da SHIELD, tentando em vão reconvocar Stark, que está chapado num puteiro bondage.
Uma primeira edição que é um colírio para os olhos e uma injeção de adrenalina para a alma. É Millar no seu mais tradicional: iniciando um arco no auge e cheio daquela energia insana e irrefreável para terminar Deus sabe como. Só não entendi porque mantiveram a infame máscara do Gavião. Apesar dele ter participação ativa nas cenas mais eletrizantes, não dá pra olhar pro personagem sem antes confundi-lo com algum integrante do Youngblood. Provavelmente Millar esteja preparando alguma catarse antes de desmascará-lo definitivamente - bem como a bagunça que fizeram durante a sua "saída de dez minutos" - e talvez assim, deixar de vez os anos noventa lá nos anos noventa.
terça-feira, 29 de abril de 2008
A GUERRA DE STARK
Bem antes da controversa Guerra Civil, Tony Stark já promovia sua própria guerra particular. Igualmente conturbada e batendo de frente com quem se colocasse em seu caminho - seja o governo, conglomerados industriais, vilões e mesmo seus superamigos. Aliás, esta sempre foi a característica mais interessante do personagem. Seu modus operandi é todo baseado numa visão macro dos eventos e, como nada é tão simples, isto acaba gerando uma intensa batalha interna pra que ele não perca o foco da situação. É mais ou menos como um "daqueles dias" na vida do Jack Bauer... Stark corre na contramão e contra o tempo, faz sacrifícios outrora impensáveis, não raro se vilaniza, mas vai até o fim, não importando os meios ou as conseqüências. Ou as questões éticas e legais envolvidas no processo.
Com esta peculiaridade em mente, é sempre um prazer revisitar uma de suas melhores sagas: A Guerra das Armaduras. Com roteiro de David Michelinie, desenhos de Mark D. Bright e arte-final de Bob Layton, o arco foi publicado no Brasil em 1991, em O Incrível Hulk, edições #102 a #107 (originalmente em Iron Man #225 a #231). A revista, por sinal, andava numa fase escabrosa. Convenhamos, o universo do "Tira-Teima" era puro trash e os desenhos do Jeff Purves pareciam feitos durante um terremoto. Ah, sim... tínhamos também as aventuras dos Novos Mutantes (irc!).
Então, literalmente afirmando, o Homem de Ferro salvava a pátria a cada edição. Michelinie e Layton já vinham de uma marcante cronologia com o personagem, sendo os responsáveis pelas mudanças mais importantes de seu perfil desde sua criação (alcoolismo, variação de armaduras, novos inimigos, etc). Certamente, uma das duplas mais representativas na história do Latinha.
Ah, os trocadilhos.
A história começa com Tony analisando a armadura do vilão Força, derrotado por ele meses antes. Tony descobre que grande parte da tecnologia da armadura foi criada por ele mesmo. Pressupondo uma situação de espionagem industrial, ele investiga o caso e logo chega ao industrial multibilionário Justin Hammer, notório e desleal concorrente da Stark Enterprises. Numa missão digna do roubo da lista NOC, em Missão Impossível, Tony, seu velho camarada Rhodey, o finado geek "Abe" Zimmer e Scott Lang, o Homem-Formiga, invadem os sistemas de Hammer e descobrem que as informações foram roubadas pelo 1º Espião-Mestre, pouco antes de sua morte.
Os dados indicam que a tecnologia foi adotada por vários supervilões em suas armaduras e demais trajes especiais de combate. A lista surpreende o Ferroso, que se culpa pelos inocentes mortos em função do uso criminoso de suas invenções.
Pra piorar, os caras maus não foram os únicos beneficiários, visto que agentes federais também se fartaram no high-tech rapinado - entre eles, o Arraia, os Mandróides da SHIELD, os Guardiões produzidos para o governo por Obadiah Stane ('El' Monge de Ferro, que está em carne, metal e Jeff Bridges no filme) e até num novo - e monstruoso - projeto do exército.
Um detalhe interessante foi Stark e Zimmer coibindo o vazamento da tecnologia pelo ciberespaço (anos antes da popularização da internet), criando um vírus programado para rastrear e apagar todos os dados referentes ao esquema das armaduras. Uma aula de como evitar rombos no roteiro!
Outra boa sacada de Michelinie são os upgrades do Homem de Ferro sendo colocados à prova. Alguns de seus velhos arquiinimigos eram pedreiras na "Era de Prata" (aquela, focada pelo ótimo [e aparentemente incomunicável] Âmago), mas, após a enésima versão da armadura, a maioria não passa de punguistas metalizados perto do Latinha.
A exceção, claro, são os que têm "patrocínio" e contam com suportes técnicos de alto nível - especialmente do governo. E para isto, Tony contava com um equipamento de primeira. Na época, ele tinha como titular o adorado e odiado Centurião Prateado, construído para suplantar o Monge de Ferro. Foi seu maior salto visual e tecnológico até então, ficando atrás apenas da transição Vingador Dourado/Protoclássica. Mesmo hoje, na "Era Granov", seu design soa bastante radical - embora longe de atrocidades conceituais como a armadura SKIN.
"Melhor, mais rápida e mais forte", a armadura era cheia de recursos, batendo facilmente os subvilões e fazendo frente a equipes inteiras de Mandróides e Guardiões - com ajuda de joguinhos duplos por parte de Stark, claro. É neste ponto que vemos um lado não tão heróico do personagem (os tais sacrifícios éticos), que passa a perna em Nick Fury, então diretor da SHIELD. Em uma seqüência antológica de canalhice suprema, ele neutraliza todos os Mandróides da temida superintendência, manipulando o cerco ao Homem de Ferro debaixo do tapa-olho do experiente diretor.
Stark e Rogers já se estranharam antes em algumas ocasiões, geralmente associadas à liderança dos Vingadores. Mas em Guerra das Armaduras, essa briga ganhou contornos muito mais pessoais e ideológicos, próximo do que acontece hoje - ironicamente, em lados opostos dos que seriam defendidos em Guerra Civil (aqui, o Homem de Ferro é um cruzado fora-da-lei e o Cap é uma máquina do estado). O resultado do confronto já era previsto, mas o mais importante foi a influência que ele exerceu sobre toda a cronologia posterior.
Sem dúvida, aquele era o início de uma péssima amizade.
Com quase todos os alvos do território norte-americano neutralizados, Stark inicia a missão mais difícil de sua cruzada: "desplugar" Dínamo Escarlate e o Homem de Titânio, seus velhos desafetos de Guerra Fria. Para tanto, dá um merecido descanso ao Centurião e opta pela armadura negra Stealth, mais leve e menos poderosa, mas perfeita para invadir o espaço aéreo soviético sem ser detectado, já que é, por assim dizer, stealth... duh!
Claro que encarar dois pesos-pesados com munição na conta é assinar um atestado de óbito. Mas Stark soube triangular o cenário e se utilizar da notória soberba de seus adversários, especialmente do Homem de Titânio (um anão cabeçudo chamado Gremlin). Além disso, ele preparou algumas supresinhas que fizeram toda a diferença.
Ao final, o Dínamo Escarlate teve seus circuitos destruídos e o Homem de Titânio, aparentemente, foi morto quando o Homem de Ferro elevou sua temperatura ao nível de combustão (quase 20 anos depois, o feioso ainda não reapareceu, então deve ter morrido mesmo).
Stark poderia dar sua guerra como encerrada, não fosse um projeto secreto dos militares que acabava de ser finalizado.
A armadura Poder de Fogo era uma monstruosidade bélica desenvolvida por um velho concorrente de Stark, Edwin Cord, a partir de seus projetos roubados. Era muito mais poderosa do que qualquer modelo da série Mark criado para o Homem de Ferro até aquele momento, incluindo o Centurião Prateado.
A batalha que se seguiu foi a mais eletrizante da saga. "Batalha" não... a surra. Jack Taggert, o homem que operava o Poder de Fogo, foi muito bem treinado e era extremamente violento em combate.
Mesmo após tomar ciência de sua superioridade, Stark não desiste até esgotar todos os recursos, mas é estraçalhado impiedosamente pelo gigante. Gravemente ferido, ele simula sua morte e faz uma retirada estratégica.
É o fim da era do Centurião Prateado.
Com armadura e orgulho destruídos, Tony mergulha de cabeça na garagem. É hora de um novo upgrade: nasce a Neoclássica, que foi uma espécie de retorno às raízes no quesito visual, voltando ao vermelho e dourado básicos, mas anos-luz à frente em sofisticação e desempenho. O novo traje era tão avançado que a revanche contra o temível Poder de Fogo - já totalmente fora do controle dos militares - foi sopa no mel.
A Neoclássica era mais precisa, mais forte e mais rápida que o oponente. De quebra, salvou a vida do inimigo, já derrotado. Em outras palavras... Stark humilhou. Era a saga clássica do guerreiro se fechando em mais um ciclo.
Terminava aí a primeira Guerra das Armaduras, com direito a um epílogo escrito por Michelinie e ilustrado pelo grande Barry Windsor-Smith - um tanto dark, é verdade, mas necessário para não deixar apagar a chama do herói.
Guerra das Armaduras quase não envelheceu após todos estes anos e permanece como um dos momentos mais referenciais na cronologia do Latinha. Obrigatório num destes Maiores Clássicos da vida (alô Panini!).
"Tony Stark tira onda que é cientista espacial, mas também é Homem de Ferro, elétrico! Atômico! Genial! Dura armadura, Homem de Ferro, é lenha pura, Homem de Ferro!"
Hooray!
Hooray!
Assim espero, logo após o rascunhado do filme: Guerra das Armaduras II, por John Byrne e John Romita Jr. É a revolta dos Johns!
Patrô deste post:
Impressionante a cavucada arqueológica do site.
Na trilha: o que mais... "Iron Man", do Sabá, e "Machine Men", do Dickinson.
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