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8.5.06

Você não sentiria a minha falta?

Eu quero uma camiseta do Luna, mas não por razões puramente estéticas. O motivo principal é o trailer do documentário "Tell Me Do You Miss Me" (disponível aqui), dirigido por Matthew Buzzell e que retrata a turnê final da banda.

Pelo trailer, o documentário suscita aquelas velhas histórias de como uma banda sobrevive por 12 anos mantendo amizade, como elas devem acabar com dignidade etc. Mas, um trecho especial chama muita atenção: Dean Wareham, o ex-Galaxie 500 que liderava o Luna, afirma que se o último álbum vender 10.000 cópias, ele será o maior sucesso da banda. Só que, para uma gravadora grande, o número é ridículo. Na mesma linha, o guitarrista Sean Eden diz que as turnês da banda não davam dinheiro, e só serviam para bancar os próprios shows. Como a banda ganhava dinheiro? Vendendo camisetas. Sim, uma das bandas alternativas mais interessetantes do universo, capitaneada por um dos sujeitos mais influentes do pós-punk ganhava dinheiro vendendo camisetas.

Não que isso seja lá uma grande novidade. Só para ficarmos um dois exemplos básicos, o líder do Mudhoney, Mark Arm, trabalha na Sub Pop e Clint Conley, guitarrista do Mission of Burma, é um mero vendedor.

Mas, além daquele evidente romantismo nesse tipo de atitude - o qual muitas vezes se fundamenta no simples fato do mercado não se interessar por bandas que tem um "algo mais" a oferecer -, muito me admira o modo como eles encaram isso. Ao invés de buscarem freneticamente o sucesso, tentarem se lançar para a molecada, gravarem um single imbecil e certeiro, esses artistas simplesmente se colocam em seus devidos lugares e continuam, simplesmente, fazendo boa música.

Não que não haja nada de interessante no mainstream, muito pelo contrário. Mas ainda acho que, longe das bandas que abaixam as cabeças para suas gravadoras, há um pouco mais de liberdade e, conseqüentemente, música de qualidade.

20.5.05

Cadê meu anti-ídolo?!

Conforme comentamos há alguns meses, o Luna acabou. O último show ocorreu, sem muito estardalhaço, em 28 de fevereiro último, no Bowery Ballroom (NY). A banda não comentou muito o assunto, mas, ao que parece, Dean Warehan simplesmente estava de saco cheio.
Que o Luna era uma banda fenomenal, a qual dominava a técnica de criar canções que mantinham um pé no alternativo e outro no mainstream, todo mundo sabe – e, quem não sabe, deve conseguir agora o último disco da banda, “Rendezvous”. Mas, além disso, o Luna fazia parte daquele restrito rol de bandas cuja missão é fazer música. Eles não ligavam para cabelinhos estilosos, declarações bombásticas, casos com supermodelos ou escândalos semanais por abuso de drogas.
Não acho que há nenhum problema grave em associar a imagem com a música. Velvet Undergound, os Sex Pistols e David Bowie são três dos inúmeros exemplos que conseguiram fazer com que o som e a imagem fossem facetas de uma mesma proposta artística. O problema surge quando um grande número de sujeitos acaba firmando-se mais na aparência, algo que, na minha opinião, é típico das bandas dos anos 2000.
Acho que, apesar de termos um bom número de boas bandas, tenho lá minhas dúvidas se essa postura hype não as ajudou a chegar onde chegaram e se isso não acaba atrapalhando uma substancial evolução delas. Não sei se elas seriam capazes de colocar essa imagem em risco em função da música. Os Strokes, para ficar no exemplo mais óbvio, lançaram um “Is This It”, parte 2, com o "Room on Fire".


Dean no último show do Luna


E é exatamente por esse motivo que determinadas bandas, como o Luna, o Mercury Rev ou o Wilco acabam tendo hoje uma importância maior do que tinham na época em que surgiram. Acredito que elas são as poucas que carregam aquela lição ensinada por muitas bandas que explodiram no começo dos anos 90 e que ligavam mais para mudar a história da música pop do que para cabelinhos engomadinhos.
Se pegarmos esses artistas, é fácil de notar que o caminho mais fácil não era o preferido. Nirvana partiu para o pesadíssimo (tematicamente, inclusive) “In Utero” após o palatável “Nevermind”. O R.E.M. optou pelo orquestral “Automatic for the People” após o sucesso de “Out of Time”. E nem é preciso comentar o caminho do Radiohead após o “Ok Computer”, certo?
Talvez o pessoal “novo rock" deva ser apresentado ao hermitão Jandek – aquele maluco que lança disco há 20 anos, fez uma única apresentação ao vivo, não tem fotos nem entrevistas. Sua música pode ser esquisitíssima, mas, ao menos, ele é a prova viva da possibilidade de fazer música sem essa ligação umbilical com uma imagem.

23.11.04

10 motivos para acabar com uma boa banda

A função do blog não é ficar dando notícias do mundo pop, mas essa vale a pena. Pra quem não sabe, os caras do Luna - uma dessa bandas fenomenais, lideradas pelo genial Dean Wareham, que não se preocupa em sair com supermodelos ou com o torso nú na capa da Rolling Stone - anunciaram o fim da banda. Dentre as dez justificativas dadas pela banda, uma merece destaque: "Isto é o que bandas fazem (com algumas raras exceções, como o R.E.M., Metallica e os Stones). Estas bandas, contudo, são corporações multibilionárias. Você não acaba com uma banda dessas a não ser que o governo force você".
Essa afirmação já me diz que a banda acabou antes de ficar decadente. E olha que ainda nem ouvi o disco novo...
As demais razões (também interessantes) vocês encontram no site da banda: http://www.fuzzywuzzy.com