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segunda-feira, 9 de junho de 2008

NUM DIA DESSES DE MAIO



Passo pouco mais de quatro horas dirigindo por uma estrada que já se tornou familiar. Mas ao final, a recompensa é maior do que o pote de ouro do final do Arco-iris. Chegando, encontrarei aqueles que para lá se transferiram e que eu amo.
Como é possivel que digam que não gostam da paisagem...Uma, a que mora lá, diz que a da serra onde cresceu é que é bonita. Não! São diferentes, mas igualmente belas, magníficas. A outra, que não gosta de ir, justifica-se "que chato, êsse parnasianismo monocromático". Ai! Como, monocromático: vejo ali uma infinidade de cores, de tons. Parnasianismo? Sim, a cada curva da estrada, novos encantos. As altas escarpas da serra cederam lugar aos morrotes - como é que se chama mesmo êsse relêvo, vou rever depois - que parecem deliciar-se ao Sol, jogos de luzes e sombras, espraiando-se até não poder mais. Entre êles se ocultam e ora se apresentam, moradias, bucólicas, sempre com um pequeno jardim florido, o cercado da "criação", as formas geométricas multitonais das pequenas plantações. Não, jamais será cansativo. Sobrevoam pássaros que nem sei quais são, em bandos , ou solitários. Próximo ao final, subindo a serra, pois estou no "Circuito Serras de Minas" , sou contemplada com o pôr-do-sol. Raios cintilando entre as nuvens, cores que vão do dourado ao púrpura, quase não consigo seguir adiante, a vontade é de parar em contemplação. Mas pé-no-chão, a estrada não tem acostamento, uma senhora sòzinha... e, além do mais, a recompensa que me espera no fim da viagem... E num mixto de êxtase contemplativo e ansiedade para chegar, sigo. O céu muda ràpidamente suas cores e troca as cores da Terra. As sombras intensificam-se, as matas e ranchos tornam-se sòmente silhuetas , e súbitamente o céu reluz novamente em milhões de estrelas."Luz do Firmamento". E já chegando,vejo a Terra reluzindo em milhares de vagalumes.E então,lá estão: os sorrisos dos meus queridos!

domingo, 8 de junho de 2008

EM PRIMEIRO DE ABRIL...




Imaginem só, hora zero, último instante da noite, primeiro do dia, ( a propósito, como viviam os gregos sem conhecer o zero?) Mas deixa pra lá, hora zero ou meia noite, a estrada deserta, uma planície imensa, nenhuma cidade perto, uma ou outra luz distante em moradias espaçadas. Naqueles êrmos, a maioria já dorme, será? Lua nova, ou, não-lua. Não, não é um conto de terror. É uma crônica do esplendor, do contato com o sublime. A imensidão estrelada, o firmamento...Algumas estrelas passam, correndo. Para onde foram, apressadas?
Já cinco horas da manhã, seguindo pelas estradas, o mar invisível,rugindo à nossa esquerda. O céu, aí sim, iniciando o dia. Cinzas, azulados, rosados, ó palavras, não fujam, permitam-me transmitir pelo menos uma vaga noção daquilo de que participei...
Seis horas, a estrada margeando a praia, um nascer do sol... e depois outro e outro, o Sol brincando com a Terra, ocultava-se no relêvo que contorna parte do Oceano, ocupando-se em deslumbrar, reaparecendo, até que não podendo mais, brilhou definitivamente nas ondas do mar. Êste, brincando também, lançava suas ondas para o alto, mais alto, mais, como que tentando, aqui na praia, unir-se ao céu, como unido está no horizonte.
Retorno sòzinha. Mas não acaba aqui. As estradas se ligam, interconectam-se e eu não preciso repisar por onde andei, não preciso parar. O final será só quando e se eu quiser. Sigo então para longe do mar, para perto das montanhas. Vou por entre fazendas, o pasto em várias tonalidades de verde devido às chuvas recentes, pontilhado por animaizinhos, o gado, ao longe.Recuso-me a pensar na crueldade de seu destino. Vejo-os sòmente, na comunhão com a natureza.Na sua beleza.
E sigo sem parar, serpenteando na estradinha, do mar à serra (ou Serra-Mar). O rio, à minha direita, serpenteando também,em sentido contrário ao meu, ansiando pelo seu encontro com o mar. E, de pura alegria, lança cintilações de luz, em cada curva, explosões de águas nas pedras das corredeiras, encontro das águas, e corre por entre a mata. Mata Atlântica, acreditem! Ainda existe! Maltratada, é verdade. Invadida por lugarejos, por ocupações humanas, as tais ações antrópicas. Mas grandes ilhas da mata persistem, e até pontes de mata entre algumas ilhas.
Desço pelo outro lado da serra. Àreas de cultivo, grandes plantações. Que pena, antenas de celular, desfigurando a beleza das aflorações graníticas. Nós humanos precisamos nos alimentar, comunicar, e com excessos...
Mas aquelas montanhas, tão familiares se reinventam, por novas maneiras de se expôr à luz, novas sombras. As vezes descem parte de sua capa de terra e vegetação, tentando, quem sabe, coibir os abusos que nós cometemos.
Às treze horas, estou em casa, de onde partira quinze horas antes. Nâo foi um sonho, embora tenha dormido um pouco, na madrugada. E chego com saudades dos que ficaram. Porque o tempo não se mediu pelo relógio, mas pela intensidade da emoção experimentada. Fiquei muito tempo fora.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

FAZENDA NAS NUVENS , eu fui, em abril


Chovia há dias e continuou chovendo durante o período em que la permaneci .Mas, apesar disso sente-se o Paraiso. Embora as nuvens estivessem tão proximas, demais, o que impedia visão à média e longa distância, as maravilhas do lugar são percebidas a cada olhar, a cada passo (e tambem a cada pingo). A mata Atlantica apresenta-se ainda original na fazenda e regenerada no entorno da reserva, o que permite sua observação em diversos aspectos. Mas o melhor não é o olhar científico. È a sensação da ausencia de certos sons que nem percebemos mais que estão em nossos ouvidos e em nossas mentes- o zumbir constante das cidades e, a inclusão em nosso universo sonoro, de outros...gorgeios aos quais não estamos habituados. Sons da água corrente,das numerosas nascentes da região. Sons da mata que custamos a identificar. Somos transportados a um universo atemporal, onde o que realmente vale é a simples existência e, mais ainda, o Ser. E não falei da luz.
ps. Lucia e Carlos, obrigado

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