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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Até onde vai essa perseguição?

Gentem! Desculpem minha franquesa mas isso já está virando palhaçada! Cadê o bom senso na interpretação do texto? Vamos com cuidado pois isso para mim, já está virando atitude censora e isso não é nada bom para a democracia.

Depois de Caçada de Pedrinho outro livro de Monteiro Lobato, Negrinha, entra na polêmica e virou alvo sobre o uso de livro considerado de cunho racista no Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE). O Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) ingressou nesta terça-feira na Controladoria Geral da União (CGU) com uma representação para investigar a compra do livro pelo Ministério da Educação (MEC). Para Iara, Negrinha tem conteúdo racista e não poderia ter sido adquirido com recursos públicos. Leia mais

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Banir ou censurar?

(Notícia retirada do Publishnews 10/10/2011)

Esse é sempre um tema que me incomoda muito: censura. Tenho uma opinião formada de que ler, conhecer, orientar, ainda é o melhor caminho para a boa formação do leitor e do futuro cidadão.

(Nasci e cresci entre livros. Na minha casa havia uma boa biblioteca, meus pais eram leitores, se falava de livros à mesa, em reuniões. Sem dúvida, um privilégio. Me lembro de, desde sempre, ter uma estante no meu quarto com meus livros, muitos dos quais me acompanharam, atravessaram o Oceano, quando nos mudamos da Espanha para o Brasil. Até hoje, alguns deles, bastante comprometidos fisicamente, encontram seu lugar em casa. Reconstruindo minha história de leitura, me lembro de vários livros, muitos deles informativos, de conhecimento, em cima dos quais meu irmão e eu passávamos fins de semana inteiros copiando ilustrações e sonhando com as novas descobertas. Ao ler a notícia Tintin no Congo insulta os negros” num jornal espanhol há alguns dias fiquei pensando até que ponto essas minhas leituras de infância interferiram na minha formação ideológica e puderam ser tão marcantes nesse plano.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Essa história de novo?


Como é que é? Não entendi direito. O quê? Ah não! Isso de novo?!
Quando achamos que tudo está caminhando para frente, que estamos evoluindo, eis que aparece algumas "cabecinhas" e saem com tamanha besteira:

"O Conselho Nacional de Educação recomendou que o livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, não fosse distribuído a escolas públicas ou, se for, que venha acompanhado de um aviso de que se trata de obra “racista”, informa a Folha desta sexta-feira. Segundo o parecer, o racismo estaria caracterizado no tratamento de Tia Nastácia e de animais como urubu e macaco, cuja menção, diz o texto do conselho, é “revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano”. Para o CNE, os professores da rede pública não estão preparados para lidar com esse tipo de mensagem em sala de aula. O autor da denúncia, o mestrando em relações raciais da UnB Antonio Gomes da Costa Neto, acredita que o livro de Lobato “deixou para trás as regras de políticas públicas para as relações etno-raciais” e tenha o potencial de “ensinar a criança a ser racista”. Leia mais

Na minha opinião, se queremos de fato educar e formar nossas crianças, não podemos deixar de lado assuntos como esse fingindo que não existem. O racismo existe sim e está infiltrado em nossa sociedade desde sempre. No entanto, não é escondendo que estaremos contribuindo para a boa formação das crianças. O tema deve ser abordado e discutido com todas elas. Só através do debate e exemplificação é que se esclarece o tema, esgota todas as possibilidades e por fim, nasce uma mentalidade serena e clara sobre os mais diversos temas que envolve uma sociedade sadia. Se Monteiro Lobato tinha ideias racistas ou não, temos de lembrar a época em que viveu e que isso era muito comum não só nele, mas em toda a sociedade em que ele viveu. Se for assim, muitos outros livros tidos como "Clássicos" não poderão cair nas mãos das crianças e jovens. O importante, volto a frisar, é discutir todos os temas tidos "polêmicos" e tirar todas as dúvidas que os jovens venham a ter. Isso é educar, isso é fazer as crianças e jovens desenvolver seu senso crítico. Isso é auxiliar na formação de uma futura sociedade livre de qualquer discriminação, preconceito e ideias distorcidas. Cada uma que me aparece!

sábado, 14 de agosto de 2010

Até quando isso se repetirá?


Quando se parece que caminhou um pouco, eis que ela retorna. Sempre sorrateira, vestida de protetora da moral e dos bons costumes tão imprescindíveis à uma sociedade que se diga "saudável". Falo novamente da Censura. Sim, dela mesma que volta e meia comparece para que nós não a esqueçamos. E mais uma vez, sua vítima são os livros. E mais uma vez, os que sofrerão o golpe serão os jovens que, segundo os estudos e dados estatísticos, não leem. Não me estenderei mais pois li há pouco um texto tão magnífico e me identifiquei tanto que, vale mais a pena lê-lo na íntegra. Só deixo aqui registrado mais uma vez meu protesto contra esses "censores" que na maioria das vezes, eles sim é que não leem e são burros. Burros pois são incapazes de olhar a coisa dentro de um contexto. Burros por não compreenderem que literatura só acrescenta, jamais distorce ou tira alguém do "bom caminho". Só sai desse "bom caminho", quem não tem orientação, esclarecimento, informação. Mas deixa pra lá. Outra hora falo um pouco mais sobre isso. Deixo agora com vocês o texto da professora-doutora Marisa Lajolo, que dispensa qualquer comentário a mais - isso se você for bem informado e conhecer o mínimo de literatura.

A censura moralista

Comenta-se esta crise, por exemplo, apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros em livrarias, num nunca acabar de problemas e de carências.

Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente assim, que brasileiros leem, sim, só que leem livros que as pesquisas tradicionais não levam em conta. E, também de um tempo para cá, políticas educacionais têm tomado a peito investir em livros e em leitura. Vários são os programas que distribuem livros à escola pública e a seus alunos, realizando com este gesto, o velho sonho do poeta Castro Alves, que em meados do século XIX conclamava "Semeai livros, livros a mancheias, fazei o povo pensar".

A distribuição de livros a alunos, assim, segue na esteira de um grande poeta e, quando se segue um poeta, dificilmente se erra... Ou seja, tais programas são acertadíssimos.

O caso, no entanto, é que muitas vezes os livros distribuídos às escolas desagradam pais e educadores que acreditam que certas temáticas são – para dizer o mínimo –deseducativas. É claro que é ótimo que pais e mestres se preocupem com o que leem seus filhos e seus alunos. Melhor ainda seria que eles se preocupassem também – sempre e muito – que seus alunos e filhos lessem. Mas, de qualquer maneira, discutir livros e leituras é sempre importante quando a questão maior é a educação que se quer. O que não é nada ótimo é quando a discussão sobre o que leem os jovens passa a ser pautada pela censura moralista que vê, na temática de certos livros, riscos para... Para o que mesmo? Para a saúde psíquica? Para a moral? Para o comportamento dos jovens? Para tudo isso? Leia na íntegra

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Censura a livros...humm esse filme eu já vi

Acredito que já comentei por aqui que o tema defendido por mim em meu TCC foi a censura a livros, editoras e escritores durante a ditadura militar. Na época, pesquisei a fundo essa temática e acabei ficando quase "especialista" no quesito censura. Afinal, para ficar melhor informada sobre o assunto, li tudo o que se referia à censura no país durante as décadas de 60 e 70. E quanto mais lia, mais me conscientizava dos males que essa conduta tem para com a sociedade.
Aliás, a sociedade brasileira sofreu séríssimos danos culturais e de formação após a censura que se estabeleceu durante o governo militar. A educação principalmente, foi a mais afetada e todas as gerações que vieram após essa ditadura, teve perdas lamentáveis em sua formação. Toda essa introdução que faço, é para falar de uma nova onda de censura que surge de forma branda (aliás, ela sempre surge assim) e isso desde já, me preocupa.
Censura a livros chega ao Paraná
A onda de caça a obras literárias disponíveis em bibliotecas escolares chegou ao Paraná. O vereador Jair Brugnago (PSDB), de União da Vitória, na Região Sul do estado, retirou das prateleiras da biblioteca da Escola Estadual São Cristóvão, onde é diretor, duas obras literárias indicadas para alunos de ensino médio. Após considerar o conteúdo dos livros inadequado, Brugnago entrou com ação no Ministério Público do município para pedir que todos os exemplares de Amor à Brasileira – que reúne vários contos, dentre eles um de Dalton Trevisan – e Um Contrato com Deus – e Outras Histórias de Cortiço, do escritor americano Will Eisner, sejam retiradas de todas as escolas da cidade. A retirada dos livros é criticada por especialistas (ver matéria nesta página).
As obras são enviadas pelo Ministério da Educação, por meio do Programa Nacional das Bibliotecas Escolares (PNBE), às escolas públicas de todo país. Elas fazem parte de uma lista selecionada e analisada por uma comissão de professores universitários da área selecionados pelo MEC. Os livros só chegam às bibliotecas das escolas depois de aprovados. A ação do vereador ocorreu após casos semelhantes em São Paulo e Santa Catarina. Em São Paulo, o conteúdo de Um Contrato com Deus já havia sido questionado por alguns educadores (leia box) por conter cenas de violência, sexo, estupro e pedofilia. Escrita em 1978, a obra recria memórias da infância do autor, vivida em um cortiço do Bronx, em Nova Iorque, nos anos 30. Eisner é considerado um dos artistas mais importantes de histórias em quadrinhos e da cultura popular do século 20.