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21 julho 2010

Rock # 15 - Polvo - “Exploded Drawing” (1996)” (Touch And Go)

O catálogo dos Polvo está bem recheado com discos ousados e tentadores, que literalmente engolem as melodias e os ritmos como é o caso de “Shapes” e “Today’s Active Lifestyles”. Mas pessoalmente o hipnótico e formoso “Exploded Drawing” é o que mais me fascina.
Todas as esculpidas dissonâncias, os calmantes vocais, e os afiados desvios rítmicos que tão bem definem os Polvo e que os tornam tão difíceis de categorizar estão presente aqui mas com uma dose adicional de um purificante turbilhão sónico e estranhas estruturas “pop”.
Anteriores referências comparativas incluem os Sonic Youth, os U.S. Maple ou o ”math-rock”, sendo que esta última referência é uma “etiqueta” extremamente enganadora, uma vez que alude muito mais para o método do que para os resultados e para a própria música – é certamente um sofisticado e matemático “noise-rock”/“indie–rock”, mas onde os resultados desses ritmos complexos e das ortodoxas estruturas de guitarra pertencem a um formato não convencional.
As melodias estão divididas em regimes de tons que nem perecem humanos, e tal como a capa que o seu título evoca “Exploded Drawing”, golpeia as estruturas convencionais, abrindo-as e recombinando-as em novas e intrigantes formas, que nos transportam para outra realidade.
Um soberbo e ambicioso “opus”, de uma das mais inesquecível e originais bandas da década de 90.
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05 junho 2009

Extremos # 5 - U.S. Maple – “Long Hair In Three Stages” (1995 Skin Graft)

No actual “rock moderno” não existe muito que desafie Jim O’Rourke, o músico, produtor e editor cujo interesse na “música sem precedentes” (ex: Bernhard Günter, Nuno Canavarro) é bem conhecido.
Mas em relação aos U.S. Maple, cujos dois primeiros discos produziu, O’Rourke simplesmente afirmou: “eu gosto dos U.S. Maple, porque quando os ouço, eles desafiam-me e isso é bom”.
Este quarteto de Chicago teve as suas sementes em minúsculas bandas de rock abrupto – Snailboy, Shorty, Diaper – e debutou como algo em que as raízes não se ligam a nenhum género.
Em “Long Hair In Three Stages”, a clivagem das guitarras gémeas (aqui não existe baixo), um sentimento acidental e a livre reciprocidade instrumental, conjugam uma sonoridade que junta o primitivo com o complexo e que remete para um Captain Beefheart em “Trout Mask Replica”. Mas o disco foi completamente escrito noutra linguagem, recheado de humor e níveis absurdos de ironia (verifiquem o gozo com as vedetas musicais), penetrante e confrontante, com explosivos andamentos temporais, onde tudo é misturado e é esta perplexidade musical que o torna tão agradavelmente provocador.
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