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19 outubro 2010

Tributo # 13 - Can

Os Can surgiram em 1968, na cidade de Colónia. A anarquia, novas liberdades e novas questões estavam no ar. A Europa Ocidental estava a adoptar novas formas de pensar o seu futuro, e os jovens alemães levaram a necessidade de revolução para o coração.
O teclista Irmin Schmidt tinha sido aluno do pioneiro da música electrónica Karlheinz Stockhausen, e durante esse período, Schmidt conheceu Holger Czukay, que na altura compunha extremamente complexas peças musicais e que se tornou baixista enquanto ganhava a vida como professor de música.
Um dos alunos de Czukay, o guitarrista, Michael Karoli, estava convencido de que os The Beatles e os The Rolling Stones eram melhores do que Stockhausen e Beethoven. Ele demonstrou-o a Czukay ao tocar “I Am the Walrus”, um momento decisivo para Czukay, pois este percebeu que era possível ser-se musicalmente audacioso no contexto de uma canção “pop”.
Entretanto Schmidt estava a ficar cada vez mais aborrecido com os seus estudos formais da música e cada vez mais encantado pelos sons radicais provenientes do mundo do “rock”, especialmente, os The Mothers of Invention, os The Velvet Underground e Jimi Hendrix, ou seja, música eléctrica que incorporou improvisação, dissonância, elevados volumes sonoros e, provavelmente o mais importante, o ritmo percussivo – um elemento que a música clássica, mesmo nos seus modelos mais “avant-.garde”, nunca incluiu.
Schmidt e Czukay decidiram formar um grupo para criar um novo tipo de música; nenhum tinha muito conhecimento do “idioma rock”, um facto que ambos consideravam uma grande vantagem, pelo facto de assim ser difícil seguir os “rock” clichés.
Recrutaram Karoli para tocar guitarra, e completaram o grupo com um amigo de Schmidt – o baterista Jaki Liebezeit - que tocava “free jazz” e “bebop”, e um itinerante artista negro norte-americano chamado Malcolm Mooney, que possuía a rara habilidade de improvisar letras que faziam um muito seu próprio sentido.
Os Can queriam fazer um tipo de música que combinasse elementos de “rock”, “jazz”, “r&b”, “world music”, electrónica, mas que no entanto não fosse nenhuma dessas, pois era crucial que essa música fosse apenas deles, caso contrário, não tinha interesse.
Liebezeit, também tinha começado a odiar as suas performances de “free jazz”, ele sentiu que o “free”, paradoxalmente, estava actualmente a matar a música, e começou a desenvolver um interesse nos ritmos “naturais” que podiam ser encontrados nas músicas étnicas, ritmos que podem ser multifacetados e complexos e ao mesmo tempo facilmente “sentidos” e “compreendidos” pelo corpo humano.
Desde o início que a música dos Can se caracterizou pelos fortes poliritmos da percussão e pela densa interacção instrumental, como é visível nos 20 minutos de “Yoo Doo Right” do primeiro álbum “Monster Movie”.
Foi no seu próprio estúdio de gravação situado num velho castelo chamado Schoss Norvenich, a cerca de meia hora de Colónia, que os primeiros álbuns da banda foram gravados (o japonês Damo Suzuki substituiu Mooney após a edição do primeiro). A música dos Can foi construída no princípio de que “everyone solos, no one solos” – ou seja, a música era sobre o “tecido” e não sobre os “tecelões”. As peças têm frequentemente uma “qualidade fabricada” – Czukay, como engenheiro chefe, esculpia as “jams” livres, através da edição e da mistura, dando-lhes estrutura e espaço para respirar.
Foi a espontaneidade e a forma quase telepática de trabalharem em conjunto que criou o verdadeiro génio e que os fãs consideram os seus melhores anos: “Tago Mago”, “Ege Bamyasi”, “Future Days” e “Soon Over Babaluma”.
Todos os álbuns foram gravados em duas pistas, o que é surpreendente tendo em conta a densidade de informação sónica que contêm. Mas Czukay, sentiu que o uso de “multitracking” foi o princípio do fim, pois incentivou o grupo a pensar em si mesmos como “players” mais preocupados com as suas partes do que contribuírem apenas com o que era necessário para a excelência do todo. E isto é evidente nos últimos discos dos Can, já com Rosko Gee no lugar de Czukay, e com a adição do percussionista Reebop Kwaku Baah. O grupo tinha melhorado como “players”, no entanto a música perdeu a sua inefabilidade, o seu mistério e assim o seu real poder.

09 dezembro 2009

Tributo # 12 - Luke Haines - The Auteurs - Baader Meinhof - Black Box Recorder

Luke Haines é um dos melhores compositores britânicos das últimas décadas, mas também será provavelmente um dos mais incompreendidos. Ao longo dos anos e através de vários pseudónimos, sempre expressou a sua obliqua afeição pela nativa Inglaterra, especialmente na silenciosa mas feroz luta de classes, que tanto relembrava os The Kinks com os The Fall.
Após várias experiências sem significado, formou os The Auteurs, no início da década de 90, e aqui já se deslumbrava o refinado humor de Haines, visto este ser o único compositor do grupo. Assinaram pela Hut e editaram o glorioso single “Showgirl” e o álbum “New Wave” (1993), o primeiro de vários enervantemente notáveis e intencionalmente mutáveis álbuns.
“New Wave” é constituído por discordantes melodias acústicas e por uma sensibilidades “pop” delicadamente criada, que adornam as letras extremamente poéticas, e está recheado de referências à fama (“Don’t Trust The Stars” ou “Starstruck), que parecem simultaneamente fascinar como assustar Haines.
Seguiu-se o brilhante “Now I’m A Cowboy” (1994), edificado com um visível ressentimento literário e crivado de grandes canções, e mais uma vez, cheio de acusações de desigualdades sociais em “The Upper Classes”, “Chinese Bakery”, “New French Girlfriend” ou “I’m A Rich Man’s Toy”. O triste e agressivo “After Murder Park”(1996) - produzido por Steve Albini - é mais uma colecção de inventivas composições e escassos mas viciosos arranjos (como “Light Aircraft On Fire”, “Unsolved Child Murder” ou “Tombstone”), mas também era brutalmente redutivo, e com referencias a assassinatos e alcoolismo, rapidamente se tornou um intruso para a Britpop na altura no seu auge. O que sempre deu a sensação de que Haines não queria atingir o estrelato como muitas das bandas britânicas da época - Blur, Oasis, Pulp – atingiram.
Depois do erático “How I Learned To Love The Bootboys”, criou o peculiar mas magnifico projecto conceptual Baader Meinhof, inspirado no grupo terrorista com o mesmo nome, onde as insidiosamente doces melodias, e as letras biliosas que caracterizam os The Auteurs continuam presentes mas agora são envoltas com sinistra electrónica.
O mais igualitário projecto Black Box Recorder – com John Moore (famoso por uma passagem efémera pelos The Jesus And Mary Chain) e Sarah Nixey – deixou-nos três excelentes discos – “England Made Me” (um profundamente afectuoso, mas sombriamente cómico olhar sobre os aspectos decadentes da bizarra cultura britânica na década 70); “The Facts Of Life” (um clássico, recheado com um “pop” majestoso, onde Haines progredi através das regiões mais negras de “England Made Me”- como a sociedade de consumo ou a atracção hedonística do capitalismo – em canções verdadeiramente notáveis como “Weekend”, “The Art Of Driving”, “The Facts Of Life”, “The English Motorway System”, “Straight Life” ou “Sex Life”); e “Passionoia” (mais delicada ironia “pop”, se bem que provavelmente demasiado inteligente, onde expressam a sua convicção que estão aqui para nos ensinarem lições sobre a vida – inclui a curiosa declaração de amor a “Andrew Ridgley” dos Wham).
Editou ainda “Das Capital” uma versão orquestral de temas dos The Auteurs, e prosseguiu uma careira a solo, onde se destaca o interessantíssimo “Off My Rocker At The Art School Bop” (mais um sarcástico e caustico relato da cultura e vida britânica nos anos 70, a década onde cresceu Haines, e mais um exibição de génio e coragem, evidente em temas como “Leeds United” ou “Here’s To Old England”.
Ultimamente tentou fugir à imagem misantrópica, que de certa forma sempre o caracterizou, e já este ano editou “21st Century Man”, onde questiona o seu epitáfio.
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08 setembro 2009

Tributo # 11 - Guadalcanal Diary

Tal como os R.E.M., eram originários da Geórgia e inicialmente utilizavam o mesmo produtor - Don Dixon – mas ao contrário dos primeiros, tiveram uma curta e subestimada carreira.
Distinguiram-se pelo seu incomparável estilo, onde misturavam perfeitas canções “pop” e rock experimental, para criar melodias irresistíveis assentes num extraordinariamente rigoroso combo de muscular percussão, rítmicas linhas de baixo e nas guitarras “power-pop” Rickenbacker.
Formados pelos amigos de longa duração, Murray Attaway e Jeff Walls, seria pela excelente e límpida voz, pelos bizarros temas e pelas impecavelmente distorcidas letras metafísicas (que abordavam religião, cultura Americana, alcoolismo, entre outros) do primeiro e pela fumegante forma de tocar guitarra do segundo, que no inicio da década de 80, conseguiram fazer parte da emergente cena musical que provinha da área urbana de Atlanta, e que incluía os The B-52’s, Pylon, The Fans e os já referidos R.E.M..
Tudo começou com “Walking In The Shadow Of The Big Man” (1984), editada na pequena, mas influente DB Records, e com produção de Don Dixon, onde criaram um “rock” discordante mas recheado de influências “southern roots”, evidentes nos magníficos “Trail Of Tears”, “Fire From Heaven” ou na cómica “Watusi Rodeo”, que gerou inúmeras críticas positivas, e que atraiu a atenção da Elektra que assinou o grupo.
Assim “Jamboree” (1986), com o experiente produtor Rodney Mills, é muitas vezes considerado como um disco menos conseguido, mas isso é apenas devido às imensas expectativas exteriores que o rodeavam, pois aqui mostra-nos a banda no seu melhor quer liricamente, quer musicalmente, como em “Please Stop Me”, “Pray For Rain” ou “Country Club Gun”.
Em “2x4” (1987), com imensos grupos a tentarem imitar a sua sonoridade, eles sentiram a necessidade de explorar novos terrenos musicais, regressaram novamente com Don Dixon o que resultou em arranjos mais desenvoltos e ritmos mais enérgicos e robustos. No entanto as canções são introspectivas e bastante espirituais, como “Litany (Life Goes On)”, 3AM”, “Things Fall Apart” ou “Get Over It”. Ainda como extra brindaram-nos com uma versão de “And Your Bird Can Sing” dos Beatles. Provavelmente atingiram o seu expoente máximo neste disco.
“Flip-Flop” (1989), o último disco, é mais um sólido registo, que demonstra que estavam a crescer como uma unidade, e onde o baterista John Poe surgiu a compor algumas das melhores canções como o ruidoso “pop” de “Always Saturday” , “Pretty Is As Pretty Does” ou “Barometer”.
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Guadalcanal Diary - Trail Of Tears
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Guadalcanal Diary - Litany (Life Goes On)

09 julho 2009

Tributo # 10 - John Cooper Clarke

Começou com um tema numa compilação, depois foi pela descoberta de alguns discos em segunda mão, e a apreciação por este “poeta punk” foi crescendo.
Desde novo que recitava poesia em pequenos clubes de Salford (a sua terra natal) e Manchester, onde divertia as audiências com a sua bem humorada e acelerada poesia.
Em 1977 juntamente com Ed Banger e Jilted John ingressou na editora Rabid, que para além de lhe permitir abrir as primeiras partes de grupos como Buzzcocks ou Warsaw/Joy Division., ainda lhe possibilitou de gravar o seu primeiro single, que inclui “Psycle Sluts Parts 1 & 2”, um ataque violento e grotesco, recheado de desvirtuadas imagens e obscenamente inteligentes trocadilhos que soava tão terrificante como os Sex Pistols.
Surge como um poeta punk/electrónico, no seu apertado fato e com um penteado e óculos à Bob Dylan fase “Blonde On Blonde”, traçando um mapa da sociedade britânica nos anos 70, recheado de diversos retratos inteligentes de personalidades mesquinhas e dos seus meios de vida, descritas no seu estilo colorido, politicamente e socialmente sensato, sarcástico e perversamente engraçado. Apoiado na sua inarmónica voz, disparava supostas rimas sobre distintos “beats”, tradicionalmente fornecidos pelos The Invisible Girls, que inclui gente como Martin Hannett, Bill Nelson ou Pete Shelley.
Rapidamente assinou com a CBS e editou o seu primeiro álbum – “Disguise In Love” (1978) - gozou algum sucesso com o “single “Gimmix!” e com “Snap Crackle & Bop” (1980), que é provavelmente o seu melhor disco e que inclui o clássico “Beasley Street”, uma ode à miséria industrial de Salford, repleta de imundice, decadência e desespero infiltrada em cada poro. Imagens de parasitas, homicídios, prostituição geram um incomparável sentimento de desesperação.
“Zip Style Method” (1982) foi o seu último disco – nos anos seguintes a sua dependência de drogas (heroína) fez com que passasse a maior parte do seu tempo em clínicas de reabilitação com a sua companheira no vício, Nico.
Recentemente regressou aos palcos e acompanhou os The Fall numa tournée britânica. E teve uma homenagem e tributo da parte de Alex Turner dos Arctic Monkeys. Mas o seu estilo de vida sufocou o seu talento.


John Cooper Clarke - Psycle Sluts (Part 1)

14 janeiro 2009

Tributo # 9 - The Fall

Se visualizarmos uma das primeiras tabelas de vendas independentes do Reino Unido em 1979 encontramos obscuridades como os Splodgednessabounds ou The Vibrators, mas também encontramos um grupo desse período que nunca parou. Imunes às modas, unicamente auto-confiantes e possivelmente o mais desprezível grupo de sempre, os The Fall e o seu implacável ditador Mark E. Smith perduram.
Ao longo de 33 anos, em 17 diferentes editoras, através de mais de 40 membros, entregaram-nos cerca de 60 discos oficiais, sendo 27 de gravações originais e a sua história é imensa.
Elogiando The Stooges, Can e a música “reggae” anos antes de todos se tornarem objectos de moda, Mark E. Smith formou os The Fall em Salford, Manchester no final de 1976. O seu primeiro disco foi o EP “Bingo-Master’s Breakout” em 1978, uma bizarra história de um mal fadado jogador de bingo, executado por uma banda que não sabia tocar e um vocalista que não sabia cantar, ainda hoje subsiste brilhantemente. Um ano depois surge o primeiro álbum – “Live At The Witch Trials” – a veloz percussão, os inarmónicos teclados baratos e as gatafunhadas guitarras já fariam este disco muito perturbador, mas Smith “ladrando” histórias de terror e farsas psicóticas por cima das mesmas, dizia mais sobre “punk rock” que muitos dos discos da altura. O segundo disco de 1979 –“Dragnet” – viu a chegada do guitarrista Craig Scanlon e do baixista Steve Hanley – e uma espécie de núcleo central formou-se. As contínuas edições de discos determinaram um standard para uma implacável produtividade. A ideia comum era que os The Fall tinham muito mais ideias que a maioria dos contemporâneos. Essa abundância de material era continuada nas letras que eram uma verdadeira confusão mental, e a essência dos The Fall - não-partidários, visões tangenciais, sátira social e uma aversão à sofisticação urbana.
Em 1983, com o seu casamento com a guitarrista Brix Smith, a sonoridade suavizou para formatos “pop” mais reconhecíveis. E descortesmente, na década seguinte os The Fall perseguiram um rota mais comercial que anteriormente. No final dos anos 80 incorporaram alguns elementos de programação electrónica, cuja experimentação atingiu o auge em “The Infotainment Scan” de 1993. No entanto em 1995, aquando da edição de “Cerebral Caustic”, tornou-se claro que um tipo de deterioração se instalou. Os concertos tornaram-se cada vez mais erráticos, culminando com uma cisão total depois de uma luta em palco entre Smith e os restantes membros, em Abril de 1998 na cidade de Nova Iorque – a saída de Hanley, um dos membros mais antigos, e que discutivelmente era tão crucial como Smith, poderia indiciar o fim do grupo.
Mas tal como muito erradamente muitos citam o início dos anos 80 como o único período valido dos The Fall, uma lição é que nunca sabemos o que esperar desta banda. Rapidamente uma nova formação se agrupou, e os concertos e gravações recomeçaram, e já em “The Unutterable” (2000) a banda soava totalmente inspirada. E ainda hoje, numa altura onde a musica “underground” é cada vez mais difícil de se identificar, Mark E. Smith continua a ser o seu padrinho.
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The Fall - Bingo Master's Break Out

03 novembro 2008

Tributo # 8 - Cabaret Voltaire – 1983-1987


“The Crackdown” (1983 Virgin)
“Micro-Phonies” (1984 Virgin)
“Code” (1987 Virgin)

Numa altura em que o “punk” dominava, existiram alguns movimentos que fugiam aos padrões sonoros do género. Muitos deles trabalhavam com instrumentos electrónicos e pré-gravações, e numa primeira, e mais primária fase, ficaram rotulados como electro-industrial.
Em Sheffield, uma cidade industrial, na verdadeira acessão da palavra, iriam aparecer grupos como os The Human League, os Clock DVA, e os Cabaret Voltaire. Estes últimos seriam um dos mais importantes ao combinarem música electrónica experimental com o “pop”“dub”, “tecno”.
Formados por Stephen Mallinder, Richard H. Kirk e Chris Watson, a sua evolução sonora esteve interligada com a evolução da própria tecnologia, evoluindo das primitivas colagens sonoras para os sintetizadores e samplers.
Uma forte componente visual sempre os acompanhou, desde as imagens que eram projectas nos espectáculos ao vivo, passando pelo grafismo dos discos, e os vídeos – neste último tendo criado a sua própria produtora de vídeo, a Doublevision.
Numa primeira fase dominava a agressividade politica e o terrorismo sonoro, dissonante e vibrante muita na veia dos Throbbing Gristle. Era um som experimental, livre electrónica industrial, e assim temas como “Silent Command”, “Eddie’s Out” ou “Control Addict” mais se parecem com colagens sonoras do que verdadeiras canções. Nesse período gravaram dois álbuns fundamentais, “Red Mecca” (1980) e “The Voice of America”(1981).
Já reduzidos a um duo com a saída de Watson, que iria formar os Hafler Trio, assinam pela Virgin, e a partir daqui a sua sonoridade ficou mais elaborada e passou a focar-se em ritmos mais dançáveis, mais “pop” orientados, e com a incorporação de estruturas do “funk”. Isto em 1983, quando a música industrial ainda se estava a desviar das guitarras e a norma era emergir nas electrónicas (Test Department) ou na experimentação (Einstürzende Neubauten).
Desta segunda fase resultaram discos como “The Crackdown” (1983), “Micro-Phonies” (1984) ou “Code” (1987), onde estavam incluídos alguns dos seus melhores temas, mas também os mais acessíveis como “Sensoria” ou “Here To Go”, que rapidamente se tornaram favoritos das pistas de dança.
Era um som sombrio, os ritmos frios e as vozes hesitantes com mensagens e advertências. E apesar do som mais “limpo” a imagem dos CV continuava algo sinistra, mas talvez mais distinta, e gradualmente foram desenvolvendo a variação “dançante” da música industrial que eventualmente definiu o género a partir de meados dos anos 80. A mudança começou com “The Crackdown” onde a música é mais complexa e estratificada, destacam-se “Talking Time”, “Crackdown”, a maravilhosamente complexa e altamente introspectiva “Just Fascination”, e as excursões ambientais de “DoubleVision” e “Badge of Evil”. Seguiu-se “Micro-Phonies”, provavelmente o melhor disco do CV, é mais disciplinado e resoluto, mas um dos mais intransigentes do seu tempo. Uma verdadeira banda-sonora da idade moderna, está cheio de humor negro e comentários sociais, visíveis nesse exercício de “samples” que é “Do Right”, na ciber-paranóia de “Spies In The Wires”, ou em “Blue Heat”. “Code” é o mais acessível, mas completamente contagiante, produzido por Adrian Sherwood, é mais “funky”, mas musicalmente inteligente e cínico. Destacam-se “Don’t Argue”, “Thank You America” e “No One Here”.
Seguiram-se colaborações com produtores como François Kevorkian, que realizaram remisturas com o intuito de tomar de assalto as pistas de dança, que iria culminar em 1990 com a edição de “Groovy, Laidback & Nasty”, já bastante influenciado pela sonoridade “house”.
Desde 1994 que estão semi-retirados (Richard H Kirk continua muito activo com vários projectos – Sandoz, Dark Magus, Sweet Exorcist), mas esta variação de música electrónica industrial iria influenciar directamente grupos como os Front 242, Nitzer Ebb, Skinny Puppy e Nine Inch Nails, o lado negro do “tecno pop”._

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19 setembro 2008

Tributo # 7 - Josef K

“Young and Stupid” (1990 LTM)
“Endless Soul” (1998 Marina)
“Entomology” (2006 Domino)


Esta banda que leu Franz Kafka, foi uma das mais interessantes e inspiradas do “post-punk”, e extremamente influente no movimento musical escocês, apesar de mais obscura e menos celebrada que os seus contemporâneos Orange Juice, Fire Engines e Aztec Camera.
Liderada por Paul Haig e Malcolm Ross, produziu alguma da música mais sublime do período.
O facto de terem abortado a edição do seu álbum de estreia (“Sorry For Laughing”), por acharem o som muito polido, e que não reflectia o seu espírito, cometeram um pequeno suicídio. Para a história ficou apenas um álbum – “The Only Fun In Town”, este com um som mais forte - editado e vários singles.
Assim talvez a melhor forma de os descobrir, é nas várias sumptuosas compilações, como “Young and Stupid” (1990 LTM), “Endless Soul” (1998 Marina) ou “Entomology” (2006 Domino) (esta última provavelmente a definitiva, e reforçada pela sua bela embalagem). E ficamos com a oportunidade de descobrir pequenos tesouros perdidos de um curta e brilhante carreira, desta inteligente, talentosa e tão à frente do seu tempo.
Criaram um “pop” alternativo precioso, baseados numa agressivamente dinâmica bateria, em contagiantes e abafadas chicoteadas do baixo, em brilhantes harmónicos cheios de reverberação das guitarras e em vocalizações espontâneas e ásperas (relembrando os primórdios dos Echo And The Bunnymen).
Destacam-se principalmente os seus quatro singles editados na Postcard – o electrizante “Radio Drill Time”, o mordaz “It’s Kind Funny”, o desmazelado” “Sorry For Laughing” e o discordante e lamentoso “Chance Meeting” – mas ainda temos mais momentos arrebatadores no épico “Revelation”, na subtileza de “The Specialist”, em “Sense of Guilt” (e as similaridades com Joy Division), em “The Angle”, no “funk” musculado de “Heart of Song”, ou no refinado “Heaven Sent”.
É verdade, e muita gente já o afirmou, mas é extremamente evidente que foi aqui que os Franz Ferdinand vieram tirar as suas ideias. Mas também são claros os vestígios que encontramos nos The Wedding Present e Interpol.
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22 julho 2008

Tributo # 6 - Hugo Largo

“Drum” (1988 Opal)
“Mettle” (1989 Opal)

Uma das mais ignoradas e enigmáticas bandas dos anos 80, apareceram numa altura em que o "guitar-noise" imperava nos Estados Unidos, e em Inglaterra acontecia a revolução da “acid-house”.
A banda era um quarteto composto por dois baixos (impecavelmente tocados por Tim Sommer e Adam Peacock), o violino de Hahn Rowe (que actualmente edita sobre o nome Somatic), e a voz incomparável e evocativa de Mimi Goese. Tiveram uma carreira meteórica com apenas dois álbuns editados na editora Opal de Brian Eno (um dos possíveis pontos de referência sonora a par dos Cocteau Twins). “Drum” e “Mettle”, são obras de arte que desafiam géneros ou categorizações, pois os Hugo Largo criaram uma música encantadora, de ambientes acústicos, com arranjos simples e orquestrações delicadas. Com uma ausência de ritmo, os violinos circulares abriam espaços para a voz poderosa, que investia através das simples melodias dos baixos em câmara lenta, provocando no ouvinte uma espécie de suspensão dos sentidos.
Ao rodearem o silêncio, esculpindo-o com rigor e compondo verdadeiras tapeçarias sonoras, era como se criassem radicais quadros impressionistas que variam desde uma delicada fragilidade até um glacial clímax, muitas vezes no espaço de uma única frase, nas letras celestiais recitadas pela etérea voz de Goese.
A participação de Michael Stipe dos R.E.M. em “Drum”, não lhe proporcionou nenhuma atenção especial, mas ainda hoje canções como “4 Brothers”, “Ohio”, “Turtle Song”, “Martha” mantém uma frescura e intemporalidade notável. E até parece que tinham um belo sentido de humor, já que “Drum” tem um título irónico, pois não existe nenhuma bateria presente no disco, exceptuando a penúltima e melhor faixa – “Second Skin”.
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26 junho 2008

Tributo # 5 - Devo

São certamente uma das bandas mais incompreendidas da história da “pop”. Originários de Akron, e constituídos por dois pares de irmãos - Gerald Casalde e Bob Casale, Mark Mothersbaugh e Bob Mothersbaugh – criaram um projecto musical para revolucionarem a sociedade americana.
O seu curioso nome resulta da concepção de “de-evolution” – a ideia defendida pelo antropólogo Óscar K. Maerth, de que em vez de evoluir o homem estaria a regredir.
O objectivo da sua música era de servir como uma rebelião contra a conservadora e reprimida sociedade americana, através de sarcásticos comentários sociais e apoiados no estética minimalista, com ênfase em altamente estilizados e bizarros visuais - chapéus que pareciam vasos para plantas, cabelos preparados artificialmente, uniformes industriais idênticos. Musicalmente criaram uma simples, mas sinistra electrónica experimental - corrosiva, abrupta, assustadora, desprovida de emoções, com vocalizações destoantes. Foram dos primeiros grupos a abusar da utilização de sintetizadores, quer verdadeiros e costumizados pelos próprios, para além de incorporaram brinquedos eléctricos, esquentadores, torradeiras e outros objectos pouco usuais no seu reportório.
Em 1978, com “Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!” produzido por Brian Eno, e que incluía a agora famosa versão de “(I Can’t Get No) Satisfaction” dos Rolling Stones, estabeleceu o grupo como os mais cruéis satíricos sociais da “new wave” (ao desumanizar a sociedade com o objectivo de a assaltar), e como uma banda que compreendia perfeitamente o conceito “Warholiano” do produto “pop”.
Seguiu-se em 1979, “Duty Now for The Future”, mas seria com “Freedom of Choice”(1980), que iriam explodir. E em nada surpreendeu para um grupo instantaneamente reconhecível pela sua imagem, que eles cedo aproveitassem as potencialidades do formato vídeo. “Whip It” – apesar do baixo orçamento disponível – que com a sua imagem futuristica, e os contrastes entre o grotesco “sadomasoquismo” e um saudável rancho americano dos anos 50, foi um dos primeiros clássicos da MTV.
No entanto, o seu sucesso durou pouco tempo, pois o sombrio e mais sério “New Traditionalists” (1981), não era o que o público esperava desta banda invulgar.
No entanto no início dos anos 80 eram um verdadeiro objecto de culto, essencialmente pelas suas elaboradas performances em palco, mas os seus discos dessa fase - “Oh, No! It’s Devo” (1982) e “Shout” (1984) - são dispensáveis. Como foram os Devo pela sua editora, o que fez com que a banda decidisse parar.
Apesar de reuniões posteriores, os resultados nunca foram satisfatórios, e os vários membros partiram para novos projectos. Mark Mothersbaugh virou-se para a produção de bandas-sonoras quer para o cinema quer para a televisão, e Jerry Casale para a realização de vídeo-clips.
Existem imensas compilações, com destaque para “Pionners Who Got Scalped” na sempre excelente Rhino, que reúnem os principais êxitos como “Jocko Homo”, “Be Stiff”, “Girl U Want”, “Whip It” ou “Out of Sync”, mas para perceber a sua verdadeira importância e influência na música “pop” (são várias as bandas dos finais dos anos 80, princípios anos 90, que reconhecem essa influência e muitas delas o demonstraram, ao realizaram versões como os Nirvana, os Soundgarden ou os Superchunk), quer “Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!”, quer “Freedom of Choice” são essenciais.

Devo - Mechanical Man

Devo - Out Of Sync

15 fevereiro 2008

Tributo # 4 - Roky Erickson/ 13th Floor Elevators

Felizmente o êxito do filme “Alta Fidelidade”, despertou o interesse para uma das bandas mais incrivelmente infelizes da história do “rock”, e em especial o seu co-líder, o genial visionário Roky Erickson.
São hoje considerados pioneiros, por terem sido uma das primeiras bandas a ter um som “psicadélico” e também percursores do garage-rock.
Originário de Austin, no Texas, Roky foi desde muito novo, fortemente influenciado para a música pela sua mãe, que era cantora. E cedo demonstrou um grande talento. Mal atingiu os 18 anos decidiu que iria formar uma banda. Após uma primeira experiência sem grande continuidade, conheceu Tommy Hall, um viciado em acídos que era bastante mais velho do que Roky, e que iria exercer uma influência muito forte sobre si, e assim decidiram criar uma banda (existe a história de que uma Janis Joplin iria ser a vocalista, mas receando que o seu envolvimento no grupo pudesse criar uma relação com drogas mais duras, preferiu recusar e ingressar no Big Brother and the Holding Company, e o resto da história já é conhecida, o que não deixa de ser irónico, se considerar-mos o percurso de drogas e a consequente morte daí originada de Joplin).
Adoptaram a designação 13th Floor Elevators, e lançaram em 1966 o primeiro single, “You’re Gonna Miss Me” (composto por Erickson), que obteve um sucesso razoável, e atraíram o interesse da Internacional Artists que iria editar o seu disco de estreia, “The Psychedelic Sounds of The13th Floor Elevators”. Este disco é hoje considerado um clássico, e contém “RollerCoaster” ou “Fire Engine”. O som “garage- psicadélico” que criaram assenta numa produção rudimentar que contrastava com o que era usual na altura, com vocalizações primárias, e imensas referências a experiências místicas e alucinações de drogas.
Problemas com a policia derivados pela divulgação e suporte do consumo de LSD e marijuana, que a banda propagava, fizeram com que os elementos que componham a secção rítmica saíssem da banda e já com uma nova formação iriam gravar o disco seguinte “Easter Everywhere”, editado em 1967, que apesar de manter o som hipnótico da banda, era mais elaborado. Contém grandes temas como “Earthquake” ou “I Had to Tell You”, para além de uma versão de “It´s All Over Now, Baby Blue” de Bob Dylan, e de “Slip Inside This House” popularizado na década de 90 pelos Primal Scream.
Novamente problemas relacionados com a droga, colocaram a polícia na rota da banda. E Roky acabou preso em 1969 por encontrarem na sua posse um cigarro de marijuana. Para evitar ir para a prisão, declarou insanidade mental. Como resultado passou três anos num hospital psiquiátrico, diagnosticado como esquizofrénico, e cujo ortodoxo tratamento era baseado em choques eléctricos e numa forte medicação.
Durante esses anos a editora lançaria dois discos (um ao vivo e outro com sobras de estúdio) mas que nada acrescentariam, e a banda acabou por se desfazer.
Quando Roky saiu do hospital, estava num estado mental lastimável. Ainda continuou a compor e chegou a editar alguns discos. Alguns nem interessa mencionar, outros apesar de serem bizarros exercícios, são brilhantes como o seu disco de 1980, “Roky Erickson & The Aliens”.
Em 1982, desapareceu sem rasto, tendo sido reencontrado na década de 90 a mendigar pelas ruas.
E partir daí alguns fãs célebres como os ZZ Top (também Texanos), R.E.M. ou Henry Rollins, começaram a citar o seu nome como uma influência. Muitos desses fãs reuniram-se e editaram um disco de tributo com versões de canções suas. E outros como King Coffey, convidaram Erickson a gravar novamente discos de originais.
Roky recuperou a alegria da vida, e hoje está a viver confortavelmente e com saúde, continuando a tocar esporadicamente.
Por tudo isto, é hoje uma figura de culto, um sobrevivente, que se tornou uma verdadeira lenda.

07 maio 2007

Tributo # 3 - Mark Kozelek – Red House Painters

Os Red House Painters eram basicamente um projecto de Mark Kozelek, um compositor que via o mundo de uma forma trágica, melodramática, e cujas canções autobiográficas, eram relatos de dor, desespero e perda. Através de metáforas e alegorias, ele enfrentava os seus demónios na primeira pessoa, tendo criado alguns discos singulares e sem paralelo na sua vulnerabilidade e honestidade.
Kozelek tornou-se dependente de drogas ainda na adolescência, e numa das suas fases de reabilitação, tomou contacto com a música, e começou a tocar com bandas.
Após a sua mudança para Atlanta, na Geórgia, conheceu o baterista Anthony Koutsos, e formou a primeira incarnação dos Red House Painters. Em São Francisco iria completar a banda com o guitarrista Gorden Mack e o baixista Jerry Vessel. Numa actuação, chamaram a atenção de Mark Eitzel dos American Music Club, que enviou gravações do período 1990/91 para a 4AD, que as iria lançar como o primeiro disco dos Red House Painters: “Down Colorful Hill”. Este Mini-LP, era uma colecção que combinava magníficas melodias “folk-rock”, com a voz fantasmagórica de Kozelek. O ano de 1993, com a edição de dois discos homónimos, viria a ser o da consagração de Kozelek como um compositor único, capaz de conceber em canções como “Grace Cathedral Park”, Katy Song”, “Evil” e “Uncle Joe” a palete de emoções, que evidenciam e detalham o seu errático e perturbador passado. É uma “folk” desolada, triste, mas simultaneamente é tão belo. Mais uma vez, a imprensa tinha de rotular o estilo, que ficou conhecido como “slowcore” ou “sadcore”. No ano seguinte edita o EP “Shock Me”, uma versão surreal de um original dos Kiss. Após dois anos de intervalo, regressa aos álbuns com “Ocean Beach”, uma colecção de canções mais coloridas, com belos dedilhados delicados de guitarra, que o mostram mais confidente. Será o último disco para a 4AD, e o último dentro do estilo que caracterizou os três primeiros. “Songs for a Blue Guitar”, aparece em 1996 na Supreme, e apesar de Kozelek ser o único membro presente, o disco é lançado sobre o nome Red House Painters, no entanto este trabalho é de orientação mais “rock”, sinalizando o caminho que iria prosseguir.
Os projectos seguintes, a solo, incluem um disco de tributo a John Denver e o disco de versões radicais de canções dos AC/DC.
Em 2003 lançou sobre a designação Sun Kil Moon, o disco “Ghosts of The Great Highway”, um bom regresso, recheado de histórias com referências a “boxeurs”!

31 janeiro 2007

Tributo # 2 David Eugene Edwards - 16 Horsepower - Woven Hand

As belas canções de David Eugene Edwards estão cheias de referências ao Antigo Testamento, e às suas histórias de pecado e redenção. O facto de ser neto de um pregador e um convicto Cristão, talvez ajudam a explicar o fascínio por esses demónios religiosos e o facto de ter criado, em 1992, os 16 Horsepower.
Originário de Denver, as suas canções são reminiscentes do tons góticos de Nick Cave e dos Gun Club, poemas do estirpe de Townes Van Zandt, baseadas num poderoso acompanhamento acústico, e aparições de banjos, bandolins e acordeões, que reforçam a natureza arcaica das letras de Edwards.
Gravaram o primeiro EP em 1995. E na sua obra destacam-se os discos “Low Estate” (1997) produzido por John Parish (colaborador de PJ Harvey), onde temas como “Brimstone Rock” e “For Heaven’s Sake” realçam a visão religiosa e litúrgica de Edwards, e “Folklore” (2002), que inclui grandes versões de “Single Girl” dos Carter Family e “Alone and Forsaken” de Hank Williams.
“Hoarse” de 2001 é um registo ao vivo de um concerto de 1998, que permite comprovar a intensidade que as canções de Edwards atingem em palco, e também interpretações surpreendentes como a versão de “Day of the Lords” dos Joy Division.
As últimas edições dos 16 Horsepower são a compilação de sessões e faixas ao vivo de 1993/94, que compõem “Olden” (2003), e os 2 DVD “16HP” (2005) e “Live” (2005), que incluem registos de actuações ao vivo (Bélgica, Alemanha, EUA) e documentários sobre a banda.
Desde 2002 activou o alter-ego Woven Hand, que ainda se aproxima mais da introspecção que caracteriza a acalmia sonora dos últimos anos de Nick Cave.
Mais ambiental e experimental que nos 16HP, o projecto não deixa de ser poderoso. Trabalhos como “Woden Hand” (2002), que inclui as belíssimas “The Good Hand” e “My Rússia”; “Consider the Birds (2004), o álbum mais negro que criou, ouçam o violino de “To Make a Ring” ou “Bleary Eyed Duty”; e “Mosaic” (2006), onde Edwards afastou-se das suas raízes americanas, e aproximou-se do som folk apocalíptico de bandas como os Current 93 e Death In June, inclui canções como “Breathing Bull”, “Whistling Girl” e “Alleluia que marcam o tom do disco.
“Mosaic” contém algumas das melhores composições de Edwards até à data (“Winter Shaker” com linha de baixo dos Joy Division é irresistível), e parece difícil imaginar qual será o seu próximo passo, sem voltar a pisar os mesmos caminhos, para um homem que já se reinventou tantas vezes.

25 janeiro 2007

Tributo # 1 Anne Clark - ...Awaken in Metropolis

Na altura em que o punk surgiu, e que conduziu a uma nova aproximação na forma de encarar a música, as artes e a própria sociedade, Anne Clark trabalhava numa loja de discos, numa editora e organizava concertos com bandas que davam os primeiros passos como os Durutti Column.
Ao mesmo tempo, Clark, fazia as suas próprias experiências de composição que conduziram à estreia em disco no ano de 1982 com o album Sitting Room ". Mas foram as colaborações com David Harrow (James Hardway) e John Foxx (Ultravox), que marcariam o som que caracterizou Clark . As experiências com sintetizadores, sequenciadores e samples, permitiriam a criação de canções e texturas musicais que iriam providenciar muitas das pistas para a musica electrónica dos anos 80/90.
Discos com "Changing Places" (83), "Joined Up Writing" (84) e "Hopeless Cases" (87) com Harrow, e "Pressure Points" (85) com Foxx, representam o seu pico criativo, onde Clark , nunca colocou limites à sua expressão musical, explorando todos os estilos.
Nesse período surgiram clássicos como "Sleeper in Metropolis", "Our Darkness", "Heaven", "The Power Game" e "Wallies".
Essencial tornou-se o disco ao vivo "RSVP" gravado na Holanda, em 1987, que é uma celebração dessa fase e que inclui as melhores canções de Clark, que ainda se tornam mais belas no ambiente intimista que a sala de espectáculos proporciona.
A partir desta data, Clark mudou-se para a Noruega, e os seus trabalhos tornaram-se ainda mais experimentais, incorporando cada vez mais instrumentos acústicos. "To Be And To Be Love " (95) com a colaboração de Martyn Bates e Paul Downing, entre outros, é um bom exemplo desta ultima fase.
Neste últimos anos, muitos músicos e DJ's , criaram "remixes" das suas canções mais emblemáticas, como forma de tributo pela sua influência.