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04 novembro 2009

Inovadores # 14 - Tortoise - “Tortoise” (1994 Thrill Jockey)

A história da música alternativa americana foi involuntariamente alterada em 1993 quando um conjunto de membros de bandas como Bastro, Tar Babies, Gastr Del Sol e Eleventh Dream Day (apenas para numerar alguns) entraram no estúdio Idful Music Corporation em Chicago. As sessões daí resultantes produziram um elegante trabalho. Simultaneamente rico e esquelético, era uma brilhante e totalmente instrumental exploração de ritmo e fidelidade (uma verdadeira exploração sonora, reflectiva e cerebral), que busca inspiração – sem directamente referenciar - no “dub”, no “jazz”, no “krautrock”, no “funk”, na música electrónica e no pós-punk, que criava ilimitadas possibilidades.
Jubiloso, austero e cáustico, está recheado de ritmos tensos e tremeluzentes, e distintivas dinâmicas, onde a música nunca varia de velocidade, e que é em iguais partes dócil quietude rítmica e um muito particular e refinado som cerebral.
O próprio Steve Albini interminavelmente divulgou o disco, e chegou mesmo a declarar que este era o melhor disco alguma vez feito em Chicago. Dan Bitney, John Herdon, Douglas McCombs, Bundy K. Brown e John McEntire deram-nos um disco que se assimila com simplicidade e como os vários admiradores provaram, é também um disco fácil de prestar homenagem.
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Tortoise - Onions Wrapped In Rubber

30 dezembro 2008

High Places – “High Places” (2008 Thrill Jockey)

O duo Rob Barber e Mary Pearson esforçaram-se por fazer com que a sua sonoridade não se enquadrasse facilmente nos géneros habituais e apresentam-nos uma excitadamente única experiência auditiva. O facto do disco ter sido gravado no seu apartamento de Brooklyn, e a utilização de um conjunto de objectos domésticos mundanos, tornam os resultados dessas experiências muito terrenos.
Através de uma gradual e paciente construção de sons e dinâmicas sonoras onde a presença constante da voz demasiado doce de Pearson, que nos surge abafada de forma de a repercutir e a retardar, torna-a em mais um versado instrumento na incompreensível mistura de colagens rítmicas de “ruídos e sons” de Barber, criando uma música irregular, adequada para as alegres e meditativas letras infantis, cheias júbilo e surpresas, que invocam contos de fadas e dão às canções um sentimento de absorção.
O resultado é um conjunto de canções hipnóticas, impetuosas, soporíficas, normalmente dolorosamente doces que nos deslumbrem completamente. Desde as finas porções de electrónica e os oscilantes tons penetrantes de “The Storm” e “The Tree With The Lights In It”, passando pela maravilhosamente incerta percussão, da excelente literalmente “Vision’s The First”, pelos hesitantes “beats” de “Gold Coin”, pelo esplendorosamente apurado “electro-pop” de “From Stardust To Sentience”.
Algures num universo perdido entre Panda Bear e Aphex Twin.
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30 outubro 2008

Human Bell - “Human Bell” (2008 Thrill Jockey)

A música de Nathan Bell e Dave Heumann (dos Arbouretum) desafia qualquer fácil categorização. Estamos na presença de um disco instrumental, que mistura de uma forma exemplar padrões musicais tradicionais: “rock”, “folk”, “pós-rock”, “blues” e “americana”.
O que transmite é uma evidente sinergia e um genuíno bem-estar dos intervenientes nestas cuidadosamente executadas composições, simultaneamente sensoriais e evocativas, com os dois guitarristas sempre em perfeito sincronismo.
É notável a forma como estruturam os longos temas. “A Change In Fortunes” abre sinistramente com uma fúnebre guitarra no estilo “americana”, mas lentamente transforma-se num belo e desapressado conjunto de acordes optimistas. “Splendor And Concealment” começa brando e vasto antes de repentinamente acelerar e cerrar-se quebrando a hipotética fantasia numa expressiva dupla improvisação bem ao estilo do visionário John Fahey. São melodias que perduram, graças às repetições hipnóticas e aos momentos rítmicos verdadeiramente empolgantes que conduzem a um climax espiritual.
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30 janeiro 2008

School of Language - “Sea From Shore” (2008 Thrill Jockey)

A música unicamente comovente e sofredora dos Field Music, foi para mim uma das melhores revelações de 2007. Parece que infelizmente se separaram, tendo David Brewis criado este projecto, para o qual gravou maioritariamente sozinho os temas que constituem este disco (ocasionalmente surgem os elementos dos Futureheads, seus amigos pessoais, e também eles originários de Sunderland).
Aqui encontramos essencialmente sons vocálicos, mas expansivos, e intrigantes ao mesmo tempo, pela forma notável como Brewis utiliza o seu computador para os criar. Outro aspecto fundamental é o excelente trabalho de produção realizado, especialmente nas percussões.
O disco abre excelentemente com o desarticulado “Rockist Part 1”, continua em alta através da estruturadamente distorcida “Disappointment 99”, da emocionante fluência de “Poor Boy’s”, até chegar a esse exercício interior que é “Rockist Part 3 (Aposiopesis)”, onde Brewis retoma “Rockist Part 1” de uma forma mais tradicional.
Ecos da “pop” seca dos XTC continuam presentes, mas também estão reminiscências dos Broken Social Scene e de toda a escola “pós-rock” de Chicago.

29 outubro 2007

The Sea And Cake – “One Bedroom” (2003 Thrill Jockey)

Ao longo dos anos, o grupo “pós-rock” de Chicago, sempre se manteve fiel ao seu rumo.
Composto pelas guitarras e vocalizações aspiradas de Sam Prekop, pelo baixo de Eric Claridge, pela complexa percussão de John McEntire e pela guitarra tensa de Archer Prewitt, os S&C, insistem na mesma mestria ao longo da sua carreira.
O seu sexto disco, “One Bedroom” (que para mim será o mais conseguido), por um lado relembra a pop cintilante das bandas da Postcard, por outro as influencias “motorik” dos Stereolab. A voz suave, mas elevada de Prekop combina com o som “jazzy” criado pela banda, que ao introduzir sintetizadores retro, uma complexa electrónica, e o serpentear das guitarras, cria um som atenuante, mas perfeitamente melódico.
Provavelmente menos “jazzy” do que por exemplo “Oui”, é no entanto mais definido.
“Four Corners” e “Left Side Clouded” são do melhor que produziram, sedativos e melancólicos, com o tilintar das guitarras e um rude, mas melódico baixo, superiormente quebrados pela distorção. O ritmado “Hotel Tell” utiliza os atributos de programação de McEntire, nos sóbrios, mas irresistíveis batimentos da caixa de ritmos.
O destaque do álbum é a perfeita versão de “Sound And Vision” de David Bowie. Exuberantes arranjos estruturadamente ricos em detalhes são perfeitos para o agridoce logro de Bowie.
Ao longo do disco, encontramos uma música delicada e perfeita. Em contraste com a aparente casualidade das letras, a música é perfeitamente esculpida à volta das vozes. A produção é tão delicada e os arranjos tão bem trabalhados e cheios de detalhe que é impossível não ficar-mos totalmente seduzidos por este elegante e descerrado disco.

Hoje - 23H00 - O Meu Mercedes é Maior que o Teu