Mostrar mensagens com a etiqueta Tom Waits. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tom Waits. Mostrar todas as mensagens

07 abril 2010

My Favorites # 19 - Lisa Germano – “Geek the Girl” (1994 4AD)

O segundo disco da multi-instrumentista Lisa Germano (que esta noite toca na Casa da Música) é um trabalho coerente e focalizado, sincero e sombrio. Não é um disco musicalmente assustador ou sequer aventuroso, mas o absolutamente puro e emocional poder que transmite, esse assusta.
Aqui a música acompanha o profundamente reflectivo auto lirismo, relatando tragédias num tom sombrio e assustador, recheado de paranóia, estados depressivos e prisões espirituais, que pode ser verdadeiramente venenoso e deprimente. Através de uma atmosfera calma, mas exuberante, as dolorosas vocalizações de Germano são entregues num arrepiante silêncio, e os instrumentos (principalmente piano e violino) soam lúgubres. Assim estão apropriados às sinistras e analíticas letras que através de uma íntima abordagem extremamente feminista, relatam temas proibidos do nosso quotidiano - seres proscritos, violações, assaltos e infância - até estes atingirem um clímax de emoção e desespero, num impressionante equilíbrio entre o sonho e a realidade, entre o terror e a diversão, entre a resignação e a raiva.
Mas Germano consegue capturar algo genuíno, sem soar constrangedoramente emocional, como é evidente no desolado “My Reason Secret”, no devastador “Cry Wolf”, na assustadora ”Sexy Little Princess” ou no doloroso “Cancer of Everything”.
Pode relembrar Nico ou uma ferida Liz Phair, poderia ainda ser uma Tom Waits no feminino, mas certamente falta-lhe a variedade vocal. Agora o desespero presente na sua voz e a forma como nos faz sentir quentes e estridentes de uma vez só é bastante impressionante. A capacidade de soar triste e miserável, e cínica ao mesmo tempo, é um talento ímpar que faz este álbum verdadeiramente único.
_

02 julho 2008

Phoebe Killdeer & The Short Straws– “Weather’s Coming” (2008 PIAS)

Em primeiro lugar, quero afirmar que nunca apreciei muito o projecto Nouvelle Vague. Agora uma das vocalistas, Phoebe Killdeer, acompanhada por um competente trio clássico (guitarra, baixo, bateria), The Short Straws, avança com o seu disco de estreia. E quem esperava uma continuação do som dos Nouvelle Vague, bem pode olhar noutra direcção, pois este disco é totalmente diferente da sonoridade desenvolvida nesse projecto, e provavelmente era essa a sua intenção. Apesar de ter sido gravado com Marc Collin (o líder do projecto Nouvelle Vague), foi misturado por Oz Fritz, velho colaborador de Tom Waits.
Versátil e ecléctica, ela própria refere como influências, Tom Waits (é obvio), Nick Cave, Yma Sumac ou Art of Noise, e afirma que tem um especial fascínio pelas palavras. Isso obviamente revela-se nas viciantes canções que abordam temas simples – as relações das pessoas e os seus sentimentos, emoções, perturbações, equívocos. Com essas tendências literárias elegantemente subjacentes, as canções serpenteiam de uma forma impressionante à volta da sua invulgarmente pretensiosa voz.
Musicalmente, entre “pop” experimental, blues acústico, jazz psicadélico, soul-rock, r&b (e muito mais), os instrumentos fundem-se com os melódicos arranjos, para criar uma brilhante amálgama sonora, visível na luxuriante “Let Me”, ou na “jazzy” “He’s Gone”. Mas a excelência é atingida na assoladoramente contagiante “Big Flight” e na devastadoramente assombrosa” “I Get Nervous”, que comprovam o talento desta senhora.
_

31 março 2008

My Favorites # 8 - Moondog Jr. - “Everyday I Wear A Greasy Black Feather On My Hat” (1995 Island)

Apesar de ainda pertencer aos dEUS na altura da edição deste disco, Stef Kamil Carlens já tinha tido as suas experiências nos Kiss My Jazz, e parecia querer definitivamente afastar-se do rumo que Tom Barman pretendia para os dEUS. E essencialmente queria poder gravar as suas composições, e não perder tempo a “lutar” com as composições dos outros membros dos DEUS.
Com a colaboração de vários músicos conhecidos da enérgica cidade de Antuérpia, criou um projecto que iria abordar um som mais “americano”, pois as influências da cultura e música americana são evidentes. O facto do disco ter sido co-produzido pelo competente Michael Blair, conhecido pelo seu trabalho com Tom Waits, e as evidentes semelhanças com o trabalho deste último, aqui presentes, reforçam esse facto (“Cachita” é um excelente exemplo).
O disco é extremamente rico ao nível musical, com variadas fontes: “rock”, “blues”, “country”, “jazz”; que interligadas dão origem a um som original.
As canções como é apanágio em Carlens são extremamente emocionais, intensas, melancólicas.
Destaco algumas das minhas favoritas: “Jintro & The Great Luna”, “Shall I Let This Good Man In” ou “The Ricochet”.
Após a edição do disco teriam problemas legais por causa do nome Moondog, e iriam altera-lo para Zita Swoon. O culto, esse continuaria.

21 dezembro 2007

Canções de Natal I


Big Star – “Jesus Christ” (1978 do album “Third/Sister Lovers”)

Gorky’s Zygotic Mynci – “Christmas Eve” (1999 do album “Spanish Dance Troupe”)

Lou Reed – “Xmas In February” (1993 do album “New York”)

Okkervil River – “Listening To Otis Redding At Home During Christmas” (2002 do album “Don't Fall in Love with Everyone You See”)

Palace Songs – “Christmastime In The Mountains” (1994 do EP “Hope”)

The Fall – “Christmas with Simon” (1990 lado B do single “High Tension Line”)

The Flaming Lips – “Christmas at the Zoo” (1995 do album “Clouds Taste Metallic”)

The Pogues – “Fairytale of New York” (1987 do album “If I Should Fall from Grace with God”)

Tom Waits – “Christmas Card From A Hooker In Minneapolis” (1978 do album “Blue Valentine”)

26 janeiro 2007

Micah P. Hinson and the Opera Circuit (2006 Sketchbook)

Aproveitando a sua vinda a Portugal, e para quem ainda não conhece a sua obra, Micah canta histórias de tristeza, desespero e agonia, resultantes, no primeiro caso das suas próprias experiências; no segundo, devido a uma dependência de medicamentos, agravada nos últimos anos pela necessidade de aliviar as dores resultantes de um acidente que o deixou impossibilitado de andar.
“Micah P. Hinson and the Opera Circuit” de 2006 é o seu segundo disco, depois de “Micah P. Hinson and the Gospel of Progress” editado em 2004.
Enquanto que “…Gospel of Progress” é o resultado da sua vivência em Abilene, no Texas, e dos seus problemas com as drogas, que o levariam à prisão com apenas 19 anos. Erradamente este trabalho foi catalogado de “free-folk”, talvez pelo facto de ter partilhado os mesmos palcos com Devendra Banhart, que teve em 2005 o seu ano de consagração.
Já “…Opera Circuit” é um disco diferente, um reflexo da alegria e da esperança pelo facto de ter sobrevivido a tudo.
Poderosos arranjos de cordas fornecidos por Eric Bachmann, banjos e bandolins ruidosos, espirais de guitarras panorâmicas, acompanham a voz de Micah, triste e fatigada. Comparações com os Lambchop ou Josh Ritter, são evidentes, mas a combinação das suas histórias com o seu tom de voz faz-me lembrar os primeiros trabalhos de Tom Waits.
O lamento no seu melhor.