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30 abril 2010

The Album Leaf - “A Chorus of Storytellers” (2010 Sub Pop)

Os calmantes “drones” electrónicos e as suaves melodias que podemos esperar de um disco dos The Album Leaf continuam presentes neste último registo, mas agora e através da utilização de uma verdadeira banda, Jimmy LaValle foi capaz de expandir a sua sonoridade com resultados extremamente gratificantes.
Assim, e ao invés da utilização de “overdubs” das suas próprias performances, cada faixa apresenta o tipo de vibração resultante das colaborações, uma mais impulsiva criatividade que respira vida nas mini obra-primas de lenta combustão.
Existe aqui muito mais paixão e imaginação e uma real consistência. Certamente o facto de terem passado algum tempo com os Sigur Rós, quer na estrada, quer em estúdio, foi responsável por nutrir aos The Album Leaf um “upgrade” na sonoridade “lo-fi” para um som épico. O disco foi gravado em Seattle mas foi remisturado na Islândia por Jón Birgisson e parece beneficiar nesse sentido.
Desolado mas ainda assim reconfortante, inclui o tipo malabarismos de géneros e uma serenidade que é ao mesmo tempo totalmente audível e irresistivelmente atraente.
E sendo verdade que o disco possui uma decente quantidade de contribuições vocais – com destaque para a presença de Pall Jenkins dos Black Heart Procession – ainda são as deslumbrantes melodias e as sonoridades estratificadas que falam mais alto.
Destacam-se a melodia hipnótica de “There Is A Wind”, a “glitch no entanto serena “Within Dreams”, as delicadas sensibilidades “pop” de “Falling From The Sun”, o grande instrumental “Stand Still”, e a glacial no entanto calorosa “Summer Fog”.
Esta nova ambição que encontramos em “A Chorus of Storytellers”, terá levado os The Album Leaf possivelmente à sua melhor execução, mas a sua gentileza e decoro são tão consistentes que este é um disco que procura e requer o máximo de atenção.
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04 dezembro 2009

My Favorites # 18 - Mark Lanegan - “Whiskey For The Holy Ghost” (1994 Sub Pop)

Ainda a propósito do recente post sobre o último disco dos Soulsavers, será uma pena se a maioria das pessoas apenas conhecer Mark Lanegan como ex-membro dos Screaming Trees, membro ocasional dos Queens of The Stone Age ou aquele que tornou os últimos discos de Isobel Campbell tão formidavelmente especiais.
O seu trabalho a solo é indispensável, especialmente o sombriamente esplendoroso segundo disco – que demorou cerca de três anos a gravar, com a ajuda de Mike Johnson na altura nos Dinosaur Jr. e dos veteranos produtores/engenheiros de som Jack Endino e Terry Date, entre outros notáveis convidados – e que é uma absoluta obra-prima.
Triste, profundamente atmosférico e introspectivo, apesar de às vezes ser levemente reconfortante, representava uma significante rotura em relação ao seu trabalho com os Screaming Trees e em relação ao seu primeiro disco a solo - “The Winding Sheet”- revelava uma maior consistência global e um acréscimo de maturidade na escrita de Lanegan.
Ele, confessadamente tentava combater os seus demónios pessoais, que habitavam o seu despojado, mas todavia esperançoso mundo, através de encantadoras canções acerca de abandono e desespero, expondo-nos completamente a nu a sua atormentada alma. Mas a melancolia presente é compensada pelas requintadas e melódicas canções, que surgem uma atrás da outra, tão dolorosamente belas que não deixarão o ouvinte indiferente. E depois destaca-se o baixo, mas profundo tom de voz de Lanegan, marcado por demasiadas garrafas de whiskey e milhares de maços de cigarros, e ao contrário dos Screaming Trees, onde ele forçava a sua voz até ao alcance máximo possível, aqui ele permite-a descer até ao seu alcance mais natural, que reforça a sua abordagem musical, maioritariamente assente nas palavras.
Ouçam a atmosférica mistura do baixo com a guitarra acústica de “The River Rise”, a reconfortante “Kingdoms Of Rain”, a bizarra “Carnival”, a magnifica “El Sol”, a assombrosa “Judas Touch”, a lamentosa “Beggar’s Blues” ou “Sunrise”.
Revelando uma maravilhosa força motriz, é provavelmente o seu melhor disco, e se quisermos enquadra-lo com outra obra-prima de conteúdo similar, podemos coloca-lo ao nível de “On The Beach” de Neil Young.
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15 dezembro 2008

My Favorites # 12 - Iron & Wine – “The Creek Drank The Cradle” (2002 Sub Pop)

Este disco foi editado numa altura em que existiu um verdadeiro redescobrimento da música “folk” por parte do “underground” americano. Tivemos também os PG Six, Jack Rose, Six Organs Of Admittance, Joshua Burkett, etc, cada um utilizando fundamentos semi-baseados no ”folk” para transportar os ouvintes a um lugar especial. O que me chamou a atenção nos Iron And Wine”- um projecto de Sam Beam - foi o facto de a sua performance ser desprovida e descontraída com uma abordagem simples. Os “riffs” que ele exerce nas guitarras acústicas, eléctricas, banjos, etc, são tão directos como as mais singelas composições de uns Pearls Before Swine. Isto dá a sua forma de tocar uma emoção instantânea que nem todos os seus contemporâneos possuem.
O conteúdo lírico de “The Creek Drank The Cradle” é personalizado no método daqueles que estudaram os discos de Nick Drake, mas a atmosfera aqui é maduramente americana. Como o título do disco deixa explícito, Beam estava familiar com o peso icónico de certas palavras numa era onde se redescobriu o trabalho antológico de Harry Smith. Outras distintas influências americanas no seu trabalho são igualmente oferecidas sem pretensão. O encanto das suas melódicas composições e a sua entrega lançam sopros quer de David Crosby quer dos primórdios de Paul Simon, duas referências que são uma anátema para alguns, excepto os conscientes estudantes da tradição “folk” americana.
Para além de todas estas referências, o que torna este disco tão cativante é a combinação invulgar de elementos. A sua forma gentil e vacilante arrasta-me para as suas profundezas de cada vez que ouço. A forma como a gravação “lo-fi” combina com a mesmérica qualidade da guitarra circular e a sussurrante vocalização criam uma rara atmosfera holística.
Curiosamente, estranhei que um disco como este fosse editado numa editora associada a um tipo muito específico de “rock”. Mas é mais excitante pensar que a velha guarda do “underground” estava/está a expandir a sua mente para conter tudo o que é digno – independente dos géneros. Como deve ser.
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Iron & Wine - Southern Anthem

08 agosto 2008

Do fundo da prateleira # 11 - Sunny Day Real Estate – “How It Feels To Be Something On” (1998 Sub Pop)

Ainda dentro das comemorações dos vinte anos da Sub Pop…
Os devotos dos Sunny Day Real Estate podem discordar de que este não é o melhor disco que a banda de Seattle gravou. Mas “How It Feels To Be Something On” é um disco panorâmico, que nos consegue manter suspensos, e o primeiro dos três que não necessita de um predisposição emocional da parte do ouvinte. E os Sunny Day sempre foram conhecidos pela sua habilidade de proporcionar emoções fortes – as letras ocultas do seu disco de estreia “Diary”, supostamente salvaram vidas, e as do álbum homónimo póstumo de 1995, conhecido como “Pink Release”, receberam interpretações ardentes dos fãs. Em “How It Feels To Be Something On”, o quarteto (que aqui se tinha reunido novamente) revela mais dos próprios do que alguma vez o tinham feito, elaborando líricos temas de amor, perda e espiritualidade através de extensas referências musicais, desde o pop modal da costa oeste ao “art-rock” da costa este.
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Sunny Day Real Estate - The Days Were Golden

29 julho 2008

Sub Pop – 3 discos alternativos

Na história da Sub Pop, alguns nomes não tiveram o destaque que mereciam. Aqui ficam três propostas do periodo áureo.

Tad - “God’s Balls” (1989 Sub Pop)
Rock poderosíssimo, com particular destaque para a secção rítmica. A vocalização de Tad Doyle passa pelos mais electrizantes berros alguma vez dados na história do rock, acompanhada de “riffs” que funcionavam como um tipo de serra eléctrica melodiosa, para criarem uma pesada massa sonora que faz lembrar um camião TIR descontrolado a 200 km/h numa auto-estrada. E o que dizer dos títulos das canções: “Satan’s Chainsaw”, “Cyanide Bath”, “Nipple Belt”, “Boiler Room”. Recomenda-se ainda “Salt Lick”, produzido por Steve Albini, e “8-Way Santa”.

Codeine – “Frigid Stars” (1991 Sub Pop)
A música dos Codeine foi designada como “slowcore”, juntamente com outros negros epítetos, mas uma descrição mais adequada para este trio de Nova Iorque seria um “blues” existencialista, mas tocado por brancos. No seu disco de estreia produzem ritmos rastejantes, arranjos esqueléticos e uma quietude vocal que iriam caracterizar todos os discos da banda. Mas Steven Immerwahr (baixo), John Engle (guitarra) e Chris Brokaw (bateria) não estavam a tentar fazer-nos sentir a sua dor, apesar de existir alguma para ser sentida. Tal como a singular linguagem dos “blues” de progressões de acordes e improvisações vocais, a musica dos Codeine foi destinada para fazer sentido, segundo os próprios, “na banalidade do dia a dia”. Mas certamente as suas crises de existencialismo eram mais intelectualizadas que a maioria.

Vaselines – “The Way of The Vaselines” (1992 Sub Pop)
Com um conjunto de temas de uma beleza melódica simplesmente arrebatadora como “Slushy”, “No Hope”, “Molly’s Lips” (que os Nirvana popularizaram), “Monsterpussy” ou “Son of A Gun”, o grupo de Eugene Kelly e Frances McKee foi o mais adolescente e apaixonado que saíu de Seattle. E fizeram do humor doentio uma inspiração descontraída. Eram canções alegres e divertidas, sendo simultaneamente uma ode ao amor inocente e um estímulo ao bater do pé. Um grupo perdido no tempo.

Tad - Flame Tavern

Vaselines - Son of A Gun

28 julho 2008

Editoras # 2 - Sub Pop

Bruce Pavitt foi para Seattle estudar história da arte, mas o seu maior estudo seria o “rock”. Primeiro lança a revista que documentava a cena independente americana, Subterranean Pop” (mais tarde Sub Pop). Depois continua a escrever para mais um par de revistas, a fazer programas de rádio e a editar cassetes com material inédito de grupos desconhecidos. Até que conheceu Jonathan Poneman, que também fazia rádio e que era a pessoa responsável pelo agenciamento dos grupos que tocavam na sala de espectáculos mais aventureira de Seattle, a Fabulous Rainbow Tavern. Conversas sobre música criaram uma admiração mútua, e o passo seguinte para a formação de uma editora estava dado.
A primeira edição da Sub Pop, foi em Julho de 1986, a compilação “Sub Pop 100”, com a participação dos Sonic Youth, Big Black ou Scratch Acid, entre outros. Os representantes de Seattle eram The U-Men e Steve Fisk (que se tornaria um dos mais famosos produtores da cidade). E na capa do disco aparecia a seguinte inscrição: “The new thing, the big thing, the good thing: a multinational conglomerate based in the Pacific Northwest”.
Uma das principais características da editora foi a sua preocupação em ter um identidade e que as pessoas procurassem os discos por estes terem o seu carimbo, simultaneamente encorajando a individualidade de cada grupo. Os seus modelos de inspiração eram a 4AD, a SST, a Stax, e até a Motown. Nem será estranho o facto de passaram a trabalhar quase permanentemente com o produtor Jack Endino (que iria produzir os álbuns de estreia de Nirvana e Mudhoney).
O “marketing” foi sempre um dos pontos fortes utilizados por Pavitt e Poneman. Criaram um clube de singles, disponível apenas por subscrição, através de edições mensais (limitadas e em vinil colorido), e sempre com temas inéditos. Aqui incluíram grupos não só de todos os estados americanos como também europeus. Por outro lado, nas suas edições “normais”, o destaque era dado a grupos locais, aproveitando a política regionalista para melhorar a promoção. As capas dos discos eram semelhantes, assim como os anúncios, uniformizando uma ideia visual e sonora para melhor promover os novos grupos.
Se os Soundgarden foram o primeiro grande sucesso da Sub Pop, editando dois EP’s, “Screaming Life” e “Fopp”, antes de assinarem pela SST e posteriormente pela A&M, já os Mudhoney foram os que mais resistiram à chamada das multinacionais, e só com “Piece of Cake” de 1992 é que assinaram pela WEA (isto, para além de serem o único grupo de Seattle que manteve a sua formação inalterável por muitos anos).
Com o sucesso dos Nirvana, a história mudou, e hoje, a mesma já deve ser conhecida por todos, mas para reforçar a importância histórica da editora, que deixou de ser uma referência local, para ser uma global, refira-se que também por lá passaram grupos com a L7 (de Los Angeles), os Afghan Whigs (de Cincinatti), os Supersuckers, os Come (de Boston), os Pond (do Alaska), os Sunny Day Real Estate, e mais recentemente The Shins, Iron and Wine, ou os criadores de um dos meus discos favoritos do ano, The Ruby Suns.
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Modest Mouse - Never Ending Math Equation

09 julho 2008

Covers # 4

A aquisição do ultimo single dos Spiritualized, "Soul On Fire", trazia como brinde no seu lado B, uma versão de "True Love Will Find You In The End" do enigmático Daniel Johnson.
Este artista já teve a sua música louvada e revista por gente tão diversa como Tom Waits, Yo La Tengo ou Teenage Fanclub. E esta canção em especial é uma das mais celebradas.

Spiritualized - True Love Will Find You In The End (Daniel Johnson)

Assim lembrei-me que já tinha uma versão para o mesmo tema no lado B
de "A Shot In the Arm" dos Wilco.


E que também Beck já tinha realizado uma versão para o disco de homenagem "The Late Great Daniel Johnston: Discovered Covered"


E na sequência do post anterior, na compilação de 1988 "Sub Pop 200", os Mudhoney fizeram esta versão:

07 julho 2008

Singles # 15 - Mudhoney – “Touch Me I’m Sick” (1988 Sub Pop)

O disco que marcou a história da Sub Pop. Curiosamente lembro-me bem que a primeira vez que ouvi falar deles foi através do nosso Peel, o carismático António Sérgio, que passou no Som da Frente, a versão que os Sonic Youth (na altura já favoritos cá da casa) fizeram para este tema e a seguir a que estes fizeram para “Halloween” dos primeiros.
Independentemente de classificar-mos a sua sonoridade de “grunge” ou “guitar-noise”, esta foi uma das mais importantes bandas do movimento independente que cresceu em Seattle na segunda metade doa anos 80.
As suas origens estão nos lendários Green River, a primeira banda dos guitarristas Mark Arm e Steve Turner, que incluía ainda Stone Gossard e Jeff Ament, futuros Mother Love Bone e actualmente Pearl Jam.
Fecharam-se num estúdio com Jack Endino e misturando o “hardcore” dos Black Flag com a gloriosa brutalidade dos The Stooges, criaram um som brutal e explosivo, baseado no deformado “riff” de guitarra, extremamente distorcido através de um pedal de distorção Big Muff, acompanhado pelo brusco baixo de Matt Lukin e pela frenética bateria de Dan Peters. Como complemento as obscenas letras de Arm evocam enfermidade e repugnância.
Os Mudhoney seriam a inspiração para um jovem Kurt Cobain, que esperava um dia produzir discos que acumulasse o mesmo ímpeto emocional.
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Mudhoney - Touch Me I'm Sick (Live - Video)

Mudhoney - Touch Me I'm Sick

10 abril 2008

The Ruby Suns – “Sea Lion” (2008 Sub Pop)

O segundo disco do projecto liderado por Ryan McPhun (um californiano a residir na Nova Zelândia), é provavelmente um dos mais singulares editados pela Sub Pop nos últimos anos, mas também será um dos mais fascinantes.
Difícil de categorizar, apesar de ser essencialmente um disco “pop”, a engenhosa mistura de psicadelismo, “world music” e “rock”, dão-lhe um som globalizante e policromático.
As guitarras são a base das composições, mas a presença de instrumentos menos usuais como “ukulele” e “djembe”, e a utilização de outros sons pouco familiares (como acessórios domésticos e gravações de animais no seu habitat natural), conferem-lhe um charme distinto. Sendo tão reminiscente do “sunshine pop” dos The Beach Boys, como das variações dos Animal Collective.
Os sons quentes, apoiados numa delicada percussão, e com as letras a abordarem o meio ambiente e as culturas indígenas, “Sea Lion” é a evocação de um mundo de delicada beleza.
Uma das canções do disco parece dar o mote - “Adventure Tour” – pois é um percurso através de Africa, Polinésia, América Latina, e pelas diversas regiões da Nova Zelândia.
Destaco “Oh, Mojave”, “These Are Birds”, “Kenya Dig It?” e “Tane Mahuta” (totalmente cantada em Maori).
Arrebatador, evocativo e extraordinariamente belo, é ideal para se ouvir ao pôr do sol, agora que o verão se aproxima.

03 março 2008

My Favorites # 7 - The Afghan Whigs - “Gentlemen” (1993 Sub Pop/Elektra)

“Gentlemen”, para além de provavelmente ser o ponto mais alto da carreira dos The Afghan Whigs, é portador de uma dúbia distinção: é sem dúvidas o disco mais negro dos anos 90.
Greg Dulli e os seus rapazes, gravaram um disco impecável: um pesaroso, vingativo holocausto romântico, que audaciosamente infunde todas as cruas emoções da música “soul” dos anos 60, com as tumultosas guitarras do rock moderno.
Mas só um testamento assim tão corajoso e verdadeiro, poderia pronunciar com clareza toda a perturbação emocional presente nestas canções, impressionantemente belas como a sublime e penosa “Be Sweet”.
Como outras favoritas temos “Debonair”, e o papel disfuncional que ocupamos nas nossa relações, “What Jail Is Like” uma poderosa descrição do que é estar preso entre culpa e prazer visceral, e esse hino ao desejo e ao vício que é “Fountain and Fairfax”.
“Gentlemen” é um mapa misterioso para os caminhos baldios dos corações despedaçados. – e sangra brilhantemente.

22 outubro 2007

Band of Horses – “Cease to Begin” (2007 Sub Pop)

O segundo álbum do grupo de Seattle é mais um grande conjunto de canções que reforça a qualidade de compositor de Ben Bridwell, que agora está sozinho, depois da partida de Matt Brooke.
E com uma mudança geográfica ocorrida para a gravação deste disco, o som também sofreu alterações, denotando-se que o tentaram expandir. Tudo parece mais grandioso. As guitarras, a bateria, as vozes.
Apesar disso, o tema que abre o disco, o grande “Is There a Ghost”, demonstra que o som típico dos BOH está presente, ao evoluir dentro da canção, do estilo acústico de Neil Young, para a explosão de distorção bem ao estilo “rock” de uns My Morning Jacket. E no meio desses ruídos sonoros, aquela magnífica voz continua presente, sempre em destaque, elevando a canção ao nível do sublime.
A parir daqui, e apesar de “Cease To Begin” ser um disco de raiz Americana, canções de base “country” como a enérgica “The General Specific” ficam com um ar solene, e outras tipicamente rock como “Lamb on the Lam (In the City)”, “Cigarettes, Wedding Blues” (uma das melhoras aqui presentes) ou “Marry Song”, mexem com o disco.
E fecha de uma forma perfeita com o “country-blues” redentores de “Window Blues”.
O disco fala-nos de amor, morte, pequenas cidades, vizinhos, e também de um ex-jogador da NBA. “Detlef Schrempf”, dedicado ao ex-jogador oriundo da Alemanha, apesar de estranha, é emocionalmente gentil.
Um álbum arriscado, musicalmente, mas que verá o seu esforço recompensado ao figurar nos mais interessantes discos de rock do ano.