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17 agosto 2009

Lindstrom and Prins Thomas – “II” (2009 Eskimo)

Mais um desconcertante fascículo na história do duo norueguês.
Eles que no intervalo entre o seu disco de estreia e este novo registo estiveram bastante activos. Lindstrom, editou no ano passado, o muito discutido “Where Tou Go I Go Too”, onde pareceu veemente entusiasmado em se expandir sonoramente, enquanto Prins Thomas realizou inúmeras remisturas, e é evidente que o trabalho a solo de ambos inspira as estéticas que trazem para a sua colaboração.
Apresentam-nos um disco inovador e estimulante, que através da sua caracteristicamente resplendorosa produção, sinaliza uma ambiciosa trajectória deliberada que os afasta da electrónica excessivamente processada através do uso de mais “live elements” no estúdio, que lhe dá uma sensação mais orgânica, e ao mesmo tempo afastam-se da essência inorgânica do “disco” e da possibilidade de algum aborrecimento dai resultante.
Como resultado temos uma singular e altamente trabalhada reconstrução do “krautrock” com o “disco”, mas onde surgem explorações por outros movimentos do “rock underground” das ultimas décadas, apesar das influências mais obvias serem inspiradas no trabalho de Manuel Göttsching, dos Neu! ou dos Tangerine Dream, mas também em Giorgio Moroder.
Audições repetitivas revelam novos pormenores de um disco onde nos podemos perder confortavelmente em momentos mágicos como no “krautrock” inspirado de “Rothaus”, nas plangentes linhas de piano presentes em “For Ett Slikk Og Ingentino”, ou nas cimeiras secção de cordas de “Rett Pa”.
Uma verdadeira demonstração de que duas cabeças podem ser melhores do que uma.
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29 julho 2009

Inovadores # 13 - Neu! – “Neu! 75” (1975)

Provalvelmente, e em conjunto com os Can e os Faust, os Neu! foram os melhores representantes do “krautrock”. Este exemplar notável, é tal como os dois discos anteriores, um trabalho fascinante e que ainda hoje não soa datado. Mas este foi também o álbum onde deixaram completamente de lado a sua componente mais abstracta, que dominou os dois primeiros discos, e incorporaram melodias e ritmos mais estruturados, tornando-o no mais consistente e mais audível.
Criado após uma separação inicial, a reunião resultou num esforço esquizofrénico, onde belas texturas sonoras e ruído, se fundem com guitarras flutuantes e uma percussão rítmica verdadeiramente única para criar no ouvinte um efeito verdadeiramente hipnótico.
O disco divide-se entre a abordagem mais ambiental e minimalista de Michael Rother e o “rock” abrasivo e impetuoso infundido pelo demente Klaus Dinger (e a sua irresistível batida repetida conhecida como “motorik”). A primeira parte, mais sedativa e mais melódica, inclui os sedutores e melodiosos teclados de “Isi”, a derivante imponência de “Seeland”, e a quietude hipnótica de “Leb Wohl” é de Rother, e onde estão ausentes as usuais e regulares batidas de bateria. Já a segunda parte é toda de Dinger (onde ele geme e grita), e está recheada de guitarras inflamáveis e ondulantes, e estranhos efeitos electrónicos, que criam paisagens sem expressão, evidenciadas no “proto-punk” de “After Eight” ou no agressivo “Hero”.
Mas o resultado final demonstra que apesar das diferenças globais entre Rother e Dinger nas suas abordagens sonoras e mesmo nas suas personalidades, eles conseguiam produzir em conjunto alguma da melhor música de sempre. Deixaram-nos três registos altamente originais e sem precedentes, e exerceram uma enorme influência em muita da moderna música alternativa, desde o “punk”, passando pelo “techno” de Detroit até ao pioneiros “lo-fi”. E isso é evidente nas várias referências proferidas por gente tão diversa como por exemplo, John Lydon , Negativland, Stereolab, Spacemen 3, Add N To X ou Wire.
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22 abril 2009

Seeland – “Tomorrow Today” (2009 Loaf)

Primeiro chamaram-me a atenção os nomes de Tim Felton e Billy Bainbridge, que estão associados às suas experiências anteriores nas bandas Broadcast e Plone, respectivamente, duas das melhores propostas musicais que surgiram da cidade de Birmingham nos últimos anos.
Regressaram agora com o projecto Seeland (presumivelmente inspirados no tema dos Neu!). E depois de dois singles editados na Duophonic dos Stereolab, e já como um trio com a entrada do baixista Neil McAuley, editam o seu primeiro álbum. E aqui apresentam-nos uma nova sonoridade que combina com aprumo elementos de “krautrock”, da subtil electrónica analógica reminiscente de uns White Noise e de electrónica “indie” anos 80 (mas também é evidente que foram muito influenciados pelos primeiros discos a solo de Brian Eno).
Através de arranjos complexos, melodias extremamente fortes e delicados padrões electrónicos, criam pequenos, mas concisos e melodiosamente vibrantes regalos “pop”, assentes na linear e voluntariamente impassível voz de Felton, que nos transmitem uma sensação de abstracção. E chegam a atingem um tipo de grandeza sonora que nos dá arrepios através de canções como a propulsiva “Burning Pages”, nos intensamente cortantes dedilhados de guitarra na brumosa “Library”, no efervescente acidulado “pop” de “Goodbye”, na superlativa “Call The Incredible”, ou na implacável batida mecânica e vibrante linha de baixo presente em “Static Object”.
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