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03 março 2010

Spoon – “Transference” (2010 Merge)

Depois do seguro “Ga Ga Ga Ga Ga”, Britt Daniel e Jim Eno regressam ao modo exploratório e à perfeita destilação do seu cuidadosamente construído minimalista som, que a banda de Austin vem aperfeiçoado nos seus mais de 15 anos de carreira - ritmos fortemente uniformes, ocasionais explosões de guitarra e as desvirtuadas vocalizações do ligeiramente rouco Daniel - como é visível em “Is Love Forever?”, “Who Makes Your Money”, “Written In Reverse” ou “Got Nuffin”, todas muito ao estilo clássico dos Spoon.
Mas eles não se acomodam aos velhos hábitos, e apesar de “Transference”, não ser uma reinvenção, eles experimentam com texturas sonoras e estados de espírito. Assim em canções como “Out Go The Lights”, “Goodnight Laura” ou “Nobody Gets Me But You”, Daniel surge num modo experimental, procurando novas ideias, e utilizando a imperfeição para sublinhar o seu já estabelecido glossário sonoro. Abandonando a subtil abordagem do estúdio de gravação como um instrumento, eles já não soavam assim tão ásperos desde o minimalismo estéril de “Kill The Moonlight”.
Mas como acontece com os álbuns é quando se juntam todas as partes que a verdadeira magia acontece, aqui resultando numa colecção de melódicos fragmentos e inesperadamente agradáveis reviravoltas, pois “Transference” acentua a antagónica reciprocidade entre os instrumentos, algo que sempre potenciou e fundamentou a música dos Spoon.
Mais austero que os seus predecessores, mas equitativamente desconexo, “Transference” é verdadeiramente desafiante, sendo uma afirmação de maturidade, que conduz a novos níveis a mesma intensidade e elusividade que transmitiram nos discos anteriores.
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Spoon - Written In Reverse (link eliminado pela DMCA)

13 maio 2008

Do fundo da prateleira # 9 - Superchunk - “No Pocky For Kitty” (1991 Merge/Matador)

Originários de Chapel Hill na Carolina do Norte, os Superchunk inicialmente tocavam um “punk” puro para ouvidos “pop”. Ao misturarem o tom áspero dos The Replacements com o sentido melódico dos Buzzcocks, o quarteto trouxe algo único e ajudou a lançar o espírito “DIY” do “rock underground” que se desenvolveu como contraste ao movimento de rock alternativo pós-Nirvana.
E ao contrário de outras bandas os Superchunk transformaram essa estética numa carreira e num movimento, e ao repelirem as grandes editoras multinacionais, a favor da sua própria editora, a Merge, tornaram-se nuns Fugazi da “pop-punk”.
Os seus melhores momentos acabaram por surgir na forma de três minutos explosivos. Muitos deles presentes em “No Pocky For Kitty”. Será menos um grande álbum, mas será certamente uma colecção de grandes “singles”, pois inclui canções furiosamente tímidas e loucamente contagiantes como “Seed Toss” e “Tie A Rope To The Back of The Bus”, todas cantadas pela voz de hélio de Mac McCaughan.
Desde a edição deste disco, os Superchunk transformaram-se em algo raro: “punk-popers” que melhoraram musicalmente com o passar dos anos, sem nunca perderem a sua alma.

Superchunk - Seed Toss