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06 maio 2008

Anjos Caídos

Comsat Angels – “Waiting for A Miracle” (1980 Polydor)
Comsat Angels – “Sleep No More” (1981 Polydor)


Este quarteto, apesar de ter editado discos em multinacionais, nunca teve o reconhecimento que merecia, e sempre viveu na sombra de contemporâneos como os Joy Division, os Wire, os Magazine ou os Echo & The Bunnymen.
Felizmente há alguns anos atrás a Renascent lembrou-se de reeditar os seus discos e tentar promove-los da mesma forma que tentaram anteriormente com os The Sound (a origem deste post foi aqui inspirada). Assim gerações mais novas podem descobrir canções brilhantes como “Independence Day” ou “Dark Parade”.
Originários de Sheffield, os seus dois primeiros álbuns “Waiting for A Miracle” (1980 Polydor) e “Sleep No More” (1981 Polydor), têm uma sonoridade única, caracterizada pelo estilo minimalista, mas harmonioso, de tocar guitarra de Stephen Fellows.
Cedo perceberam que podiam ter pretensões artísticas e serem simples ao mesmo tempo, dando mais ênfase à bem imaginada energia e domínio do que á complexidade musical.
Utilizando os Television e os Talking Heads como principal inspiração, desenvolveram uma sonoridade frugal, límpida, mas que atinge fortemente.
Do primeiro para o segundo disco nota-se que amadureceram, e aparecem mais confidentes, rigorosos, mas também mais frios (apesar do som ser mais pesado), nomeadamente na capacidade lírica. E se as letras continuam a abordar a decadência romântica, a resultante paranóia está muito mais forte e evidente. Como resultado “Sleep No More” poderá não ser tão acessível como o primeiro, mas não será menos intenso e brilhante.
Com “Friction” de 1982 tentaram aligeirar o som, e apresentaram um disco muito produzido. Apesar do “pop” sofisticado que predomina ao longo do disco, este não teria os momentos inspirados dos dois anteriores. Esses, sim, iriam assegurar-lhes um lugar cativo no quadro de honra dos melhores discos do pós-punk britânico.

16 abril 2007

My Favorites # 3 - Magazine – “The Correct Use of Soap” (1980 Virgin)

Não é fácil escolher o melhor disco dos Magazine. As opiniões sempre se dividiram entre os três primeiros discos desta banda simultaneamente clássica e extremista: “Real Life”(1978), “Secondhand Daylight”(1979) e “The Correct Use of Soap”(1980).
Para mim, sempre me fascinou “The Correct Use of Soup”, que conta com a presença de Martin Hannett na produção, porque é o resultado da evolução sonora começada com “Real Life”, e apesar de poder ser considerado mais comercial do que os anteriores, é neste disco que os cenários de paranóia existencial criados por Howard Devoto atingem o seu limite.
O disco abre em alta com “Because You're Frightened”, com o chocalhar de guitarra que era a marca registada de John McGeoch,, e com Devoto a emitir poesia numa psicose delirante. Em “You Never Knew Me” e “I Want To Burn Again”, estão as anti-canções de amor, da depressão resultante do rompimento da relação
A forma irónica de abordar a auto-estima e o ódio em canções como “I’m A Party” e em “A Song From Under The Floorboards, esta última provavelmente a melhor canção dos Magazine, onde a letra define na perfeição o carácter individualista de Devoto.
E o que dizer da inquietante versão de Sly Stone, “Thank You (Falettinme Be Mice Elf Agin)”, que é seguida pela oblíqua “Sweetheart Contract”, com o baixo de Barry Adamson destoante dos sintetizadores de Dave Formula.
Um trabalho surpreendentemente durável dado o nível de experimentação presente.