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18 junho 2010

Rock # 14 - Elastica – “Elastica” (1995 Deceptive)

Ao abrir uma porta através da qual inúmeras bandas alternativas lideradas por mulheres não hesitaram em transpor, o disco homónimo de estreia das Elastica, também surgiu de um vácuo auto-imposto que as próprias seriam tolas em não quebrar. O disco apresentava canções curtas, afiadas e chocantes que eram tão breves como as melhores dos Ramones, e notoriamente instáveis como as primeiras dos Wire. E se essa última homenagem especial foi perdida quer nos advogados (os Wire queixaram-se da apropriação rítmica de “I Am The Fly” para “Line Up”), quer nos críticos, bandas como as Sleeper e as Echobelly (somente citando as que mais se destacaram), teriam sido muito mais puras sem a influência de canções como “Connection”, “Stutter”, “Line Up”, “Waking Up”, “Hold Me Now”, “Annie”, “Car Song”, “Vaseline” ou “2:1”.
“We’re crap at writing middle eights, and i get really bored when songs are longer than three minutes”, esta foi a única defesa a seu favor por parte da vocalista/guitarrista Justine Frischmann. As suas canções eram tão acentuadas e tão resolutas que rapidamente as Elastica foram absorvidas indiferentemente pelo “mainstream”. O seu segundo álbum não conseguiu acompanhar as expectativas que se criaram com a admirável estreia. Mas na sua rota para o esquecimento, elas ressuscitaram e reinventaram o minimalismo para uma geração sinfónica.
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11 dezembro 2009

Inovadores # 15 - The Slits & The Raincoats

Se pretendem música “normal” ou um ordinário “punk-rock”, esqueçam, estamos na presença de dois discos verdadeiramente inovadores, onde mostraram que as raparigas também podiam fazer o que os rapazes andavam a fazer, e aqui podemos incluir ainda as Au Pairs ou as Delta 5, entre outras. Sem as The Slits e as The Raincoats, poderiam não ter existido bandas como Luscious Jackson, L7 ou Elastica.


The Slits - “Cut” (1979 Island)

Explodiram num movimento “punk” dominada pelos homens durante uma abertura de um concerto dos The Clash na sua White Riot Tour de 1977. A sua missão era de escapar às rígidas tradições rítmicas do “rock” e os majestosamente grosseiros estilos do “dub”que influenciaram “Cut” realizou isso mesmo. A sonoridade e o menos que sincero título do primeiro “single” “Typical Girls”, determinou a agenda – as vocalizações chamamento e resposta que lutavam para serem ouvidas sobre percussões em chapas metálicas e irregular dissonância musical.
Apesar do sucesso do disco (chegou ao Top 30 em Inglaterra), a banda perdeu o rumo ao direccionar-se para intratáveis “jams”, editando apenas mais um disco de estúdio. “Cut”, no entanto, mantêm toda a atrevidamente indiferença confrontante da sua capa.
Como bonus no CD, está a versão para “I Heard It Through The Grapevine” de Marvin Gaye.

The Raincoats - “The Raincoats” (1979 Rough Trade)

Politicas, feministas e verdadeiramente inspiradoras, e não o foram só para um jovem americano chamado Kurt Cobain, mas também para o movimento “Riot Grrrl” e para todos os que admiraram a estética DIY do pós-punk.
Criaram canções desiguais e dementes, por via de uma dissonante, mas inata capacidade de compor temas intensamente pessoais, através das suas distintas perspectivas femininas, e reproduzidas através do imoral violino contundente, das irregulares mas emotivas guitarras e das desafiadoras múltiplas harmonias vocais, ruidosos ritmos que resultavam em complexas melodias sem convencionalismos que produziram um estilo musical ímpar, algo totalmente oposto ao que seria de esperar de uma banda cuja influência primaria era o “punk”, visível na perturbadora “Off Duty Trip”, na excelente “The Void” ou na fenomenal versão de “Lola”, um original dos The Kinks.
Como extra na reedição em CD, está incluído o fundamental “single”“Fairytale In The Supermarket.
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The Slits - I Heard It Through The Grapevine (original Marvin Gaye)
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The Raincoats - Lola (original The Kinks)