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06 julho 2010

Compilação # 7 - Y Pants – “Y Pants” (1998 Periodic Document)

Barbara Ess tocou com Glenn Branca nos The Static, mas o seu grupo posterior, Y Pants, descolou-se do idealismo “make-it-new” do movimento artístico “no wave”, para se tornarem num dos mais divertidos grupos femininos de sempre.
Baseados em torno do baixo pulsante de Ess, no pequeno teclado Casio de Gail Vachon e na forma brusca e vigorosamente primitiva com que Virginia Piersol tocava a sua bateria de plástico, as Y Pants evitaram a centralidade da guitarra tanto quanto elas poderiam – quando era necessário algo para preencher uma faixa, elas geralmente preferiam o “ukulele”. Elas tinham todas vozes frágeis e límpidas, mas cantavam em simultâneo para se reforçarem umas as outras, e apesar de todo o seu repúdio pela ortodoxia “rock”, elas adoravam o seu ritmo e a sua simplicidade.
Este disco reúne todas as gravações realizadas pela banda: o seu EP de estreia em 1980, uma faixa de uma compilação da Tellus, e o seu único álbum de originais, “Beat It Down” de 1982. E é um belo documento de um momento particular na história da “downtown NYC”, pois para além dos chilreantes e tinidos originais, como o satírico ”Do The Obvious”, estão presentes configurações de Bertold Brecht e Emily Dickinson, e uma versão imortal do clássico “That’s The Way Boys Are” de Lesley Gore, abrandada como para um canto fúnebre e cantada “acappella” com um grito ouvido vagamente na retaguarda.
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02 dezembro 2009

Rock # 10 - Band Of Susans – “Hope Against Hope” (1988 Blast First)

Oriundos de Nova Iorque, o guitarrista Robert Poss e a baixista Susan Stenger criaram uma banda cujo nome derivou do simples facto de na altura três dos seus elementos se chamarem Susan. Inspirados em igual medida por Glenn Branca e Rhys Chatham, pelos Wire e pelo no-wave dos seus conterrâneos Live Skull e Sonic Youth, criaram um som verdadeiramente único, se por um lado era extremamente agressivo, aguçado e abrasivo, por outro era estratificadamente melódico. Misturaram uma sonoridade reminiscente do movimento “no-wave” nova-iorquino, com outra mais próxima do movimento shoegazing que provinha de Inglaterra.
Resultaram texturas e tonalidades sónicas, executadas através de simples e repetitivos acordes e matrizes de baixo em constante movimento, recheados com enormes camadas de guitarras “noise” para produzir uma vivificante e visceral corrente de magma melodioso, entregues ou pelo ruidoso “falsetto” de Poss ou pelo gentil gutural de Stenger. O facto de coabitarem na banda três guitarristas, deu à música uma qualidade compacta, onde um revestimento tectónico de feedback, distorção e acordes desfocados e disfuncionais, escondia nas dissonantes e inconstantes “walls of noise”, as estruturas e as melodias mais convencionais.
O seu disco de estreia, o corrosivo “Hope Against Hope”, foi considerado por muitos como uma versão americana de “Psychocandy” dos The Jesus And The Mary Chain, e daí destacam-se, para além do propulsivo tema-título, a fulminante “Not Even Close”, a estridente “Throne Of Blood”, a devaneadora “All The Wrong Reasons” ou a densa “You Were An Optimist”.
O disco seguinte “Love Agenda” (1989) é outra excelente colecção de canções embriagadas e consumptivas, que contou com a participação de Page Hamilton, futuro fundador dos Helmet.
Discos fascinantes e que ainda hoje soam actuais.
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16 junho 2008

Extremos # 3 - Swans - “Filth” (1983 Labour)

Inicialmente os Swans criaram uma das sonoridades mais brutais que ainda podem ser consideradas como música.
Oriundos de Nova Iorque, e liderados por Michael Gira, foram um dos expoentes do movimento “no wave”, ao lado de grupos como Sonic Youth ou visionários como Glenn Branca.
A sua mistura de “noise rock” e música industrial (claras influências dos Throbbing Gristle), resultou numa música mental, física, baseada na exaustiva repetição de “riffs” e locuções vocais, e no abrandamento total do ritmo (virtualmente rastejando), de forma a criar um efeito hipnótico.
O título do seu primeiro álbum “Filth” já sugere o que devemos esperar, e poucos discos poderão igualar a brutalidade oferecida, que nos deixa paralisados.
Dois bateristas (Roli Mosimann e Jonathan Kane), com um martelar ritual e abrasivo, criavam uma sensação de agressão, de violência directa, de impiedosa brutalidade. O rosnar de Michael Gira, constantemente abalado, é meio berrado, meio gemido, e funciona como uma arma atroz e formosamente injuriosa, resultado de uma certa ambiguidade das mórbidas letras. Este disco marca também a primeira participação do guitarrista Norman Westberg, cujas guitarras triturantes, seriam um das imagens de marca da banda.
Os discos seguintes “Cop”, “Greed”, Holy Money”, seguem o mesmo padrão sonoro. E seria já com a presença de Jarboe na banda, que os primeiros sinais de mudança acontecem, em 1987 com “Children of God”, e que iriam se concretizar na década seguinte, onde a sua sonoridade se transformou radicalmente.