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13 agosto 2010

My Favorites # 21 - This Mortal Coil – “It’ll End In Tears” (1984 4AD)

Um projecto criado na mente de Ivo Watts-Russell, onde membros de vários grupos da 4AD como Cocteau Twins, Dead Can Dance, The Wolfganf Press ou Colourbox trabalharam conjuntamente para escreverem canções e para realizarem surpreendentes versões de temas popularizados por Tim Buckley, Roy Harper ou Alex Chilton dos Big Star. A perspectiva era intimadora mas funcionou incrivelmente bem e seria um epítome e uma óptima introdução para do som 4AD.
Com tanta gente a trabalhar num disco, é natural que as sonoridades sejam bastante diversificadas. É evidente a diferença entre Howard Devoto a cantar o devastador “Holocaust” (original Alex Chilton) com o seu piano e violoncelo, para a turbulenta guitarra “indie” de “Not Me”, original de Colin Newman dos Wire.
Destaca-se o grande momento mágico, dominado pelos Cocteau Twins, na surpreendente versão, verdadeiramente de cortar a respiração, pela calmante cadência espiritual propositada por Liz Frazer, para “Song To The Siren”, o hino a uma sereia de Tim Buckley. Mas ainda a dolorosamente sedutora “Kangaroo” (original de Alex Chilton) cantada por Gordon Sharp, que nunca conseguiu com a sua banda - CindyTalk – atingir a graça que obteve neste álbum, a assustadora voz hipnótica de Lisa Gerard em “Dreams Made Flesh”, ou o exótico “Barramundi”, obra de Simon Raymond (baixista dos Cocteau Twins) que com a sua natureza obscura cria uma sonoridade verdadeiramente gótica. No entanto, e apesar de todos esses contrastes, cada faixa tem uma ligação estreita. É quase como se estivesse-mos a seguir um caminho espiritual.
Poderá faltar a grandeza do posterior “Filigree and Shadow”, mas este hipnótico e surpreendentemente belo álbum é despojado até ao esqueleto de beleza e tristeza.
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24 março 2010

Classic # 26 - Big Star – “# 1 Record” (1972 Ardent)

Em 1972, as canções “rock” relevantes deviam supostamente incluir complicadas progressões musicais, letras introspectivas e uma aparente tendência progressista. Canções agradáveis e concisas acerca de “boys and girls and cars”, eram uma traição para as sempre futuristas tendências do “rock”. Mas no seu disco de estreia, dois miúdos inteligentes de Memphis, Alex Chilton e Chris Bell, mostraram-nos como podiam combinar a delicadeza do “british pop” de uns Beatles, com o “american rock”, e ainda juntar pedaços de “garage-soul”, ajustado a um profundamente pessoal e frequentemente revelador universo lírico.
Eles eram uma verdadeira versão americana de Lennon e McCartney, e se não inventaram o “power pop”, forneceram a mina de ouro que serviu de inspiração a gente como R.E.M., Teenage Fanclub, The Replacements, Elliot Smith, The Posies, entre muitos outros.
“#1 Record”, com uma vibrante e cintilante produção de John Fry, adquire apropriadas e distintas reviravoltas, umas atrás de outras, através das cuidadosamente idealizadas canções e da formosa reciprocidade entre as guitarras acústicas e eléctricas e as vocalizações repartidas, seja na “auto-afirmativa “Ballad Of El Goodo”, no turbilhão “pop” de “My Life Is Right”, na magnificente “Thirteen”, na impetuosa “When My Baby’s Beside Me” ou na ondulante “Feel”.
Alguns responsabilizaram Bell (o McCartney), que abandonou após este disco, pelo excessivamente acústico e melancólico segundo lado, mas quer ele quer Chilton (o Lennon) iriam atingir aqui estados de espírito distintos, e beneficiaram dos alternados entusiasmos e suspiros nas suas letras e vocalizações. E por isso “#1 Record” é praticamente perfeito.
Os Big Star eram obviamente e excessivamente “Sixties” – ele estavam demasiadamente feridos para as ideias revolucionárias do “rock” e eram suficientemente sensatos para saber que “boys, gals and the gang” iriam sempre durar muito mais que qualquer tendência.
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18 março 2010

R.I.P. : Alex Chilton

Faleceu ontem, tudo indica devido a problemas cardiacos e com apenas 59 anos, o norte-americano Alex Chilton.

Foi uma verdadeira surpresa pois estava previsto actuar com os Big Star já neste próximo Sabado no conhecido festival South by Southwest.

Sendo uma figura extremamente admirada pelos seus colegas de profissão, pareceu-me mais propositada esta homenagem dos The Replacements do que uma canção dos Big Star, cujo post fica prometido.
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24 julho 2008

Rock # 4 - The Gories – “I Know You Fine, But How You Doin’” (1990 New Rose/Crypt)

Esta banda liderada por Mick Collins, o padrinho do “garage-rock” de Detroit, é considerada, actualmente, como uma das mais influentes, por todos os grupo que revitalizaram essa sonoridade, já neste século. Para além disso, foram provavelmente uma das melhores.
Neste disco, curiosamente produzido por Alex Chilton, é captura toda a essência e arrogância do génio de Collins. Produziam um som brutal e rude, que destrói os conceitos básicos de “rock”, “soul”, “r&b”, “60’s punk”, apoiados na voz poderosa de Collins, suficiente transtornada para ser simultaneamente obscena e emotiva, e pela minimalista mistura explosiva de “garage” e “blues”. Este disco inclui duas fabulosas canções: “Thunderbird ESQ” e “Nitroglycerine” - esta última relembrando os The Sonics, lírica e sonoramente. Sem eles, os White Stripes nunca existiriam. Conflitos internos iriam acabar com a banda, mas Collins prosseguiu a sua cruzada com os The Dirtbombs, que editaram o seu último disco já este ano.
“This is Rock and Roll”.

26 novembro 2007

Rock # 1 - The Cramps - “Songs The Lord Taught Us” (1980 I.R.S.)

Apesar de existirem desde 1976 (no apogeu do “punk”), quando este disco apareceu em 1980, o universo musical estava em mudança. O “punk” tinha-se fragmentado e espalhado por géneros como o Gótico, o Industrial e a “new-wave”. E surgiu também o movimento que foi designado por “Psychobilly”/”Rockabilly” – uma mistura de surf rock, psicadelismo e garage-rock dos anos 60. Não me recordo de mais nenhuma banda que tenha popularizado da mesma forma este género (ex: os Stray Cats eram muito puros). Apesar de não se poderem considerar uma banda “punk”, tinham mais atitude do que a maioria devido à sua intratável imagem e inclassificável sonoridade.
Eram compostos por Lux Interior que gritava e uivava de uma forma louca, e era uma mistura entre Elvis Presley e Vincent Price, por Ivy Rorschach que tocava guitarra de uma forma ordinária mas eficaz, dentro do espírito do “rockabilly”/“garage-rock”, por Bryan Gregory, que era obcecado pelo oculto, é era um monstro do feedback, e por Nick Knox, impassível atrás dos seus óculos escuros e da sua batida primitiva.
O seu disco de estreia, gravado nos estúdios de Sam Phillips em Memphis e produzido pelo lendário Alex Chilton dos Big Star, estava no seu estado bruto o que o tornava tão excitante.
A combinação da poderosa voz, das guitarras e da pulsante bateria, juntava-se às misteriosas letras (referências à lobisomens, horríveis assassinatos, atmosfera “b-movie”, etc) que perturbavam a conservadora sociedade americana, para criarem canções eternas.
A guitarra minimalista e a voz gorgolejante de Lux Interior na contagiante “Garbageman”, cuja simplicidade lírica dá-lhe uma sensibilidade “pop”, “T.V. Set” que é verdadeiramente doentia e repulsiva, “Zombie Dance” que é perfeita para uma festa de “Halloween”, “I Was A Teenage Werewolf” que representa toda a estética dos Cramps, “Tear It Up” que é a perfeita síntese do “rockabilly” e “garage- punk”, ou a sóbria versão de “Strychnine”, que tal como o original, é uma paródia às festas nas praias durante os anos sessenta.
Outra versão fantástica é a do clássico “Fever”, transformado numa espécie de hino fúnebre, que encerra de uma forma deliciosamente subversiva o álbum.
Um divertido e bizarro espectáculo de aberrações.