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04 fevereiro 2011

Pop # 16 - Apple Boutique – “Love Resistance” (1987 Creation)

Lembro-me perfeitamente que foi na nossa querida RTP2, que no final das tardes dos anos 80, passava programas musicais originários de Inglaterra, um deles, às 6ª feiras, era dedicado à música “indie”, e foi aqui que ouvi pela primeira vez, este registo único elaborado por dois ilustres secundários, Philip King e John Mohan, que entre outras bandas, tocaram nos The Servants, Lush e Felt (que curiosamente gravaram uma canção intitulada “Apple Boutique” no seu álbum de 1988, “The Pictoral Jackson Review”).
Aqui brilhantemente cruzaram uma bela melodia com uma letra simplíssima no que iria resultar numa perfeita canção “pop”, que é uma alegria pura ouvir repetidamente.
Destaca-se o excepcional trabalho de guitarra e a interacção entre os instrumentos, numa forma delicada e inspirada de tocar o denominado “jangle pop”, que nos anos 80 era encharcado pela sonoridade das Rickenbacker inspiradas nos The Byrds, mas que aqui se mostrava visionário em comparação com a s maioria das bandas da altura.
O lado B inclui ainda a enorme “The Ballad of Jet Harris”, uma canção quase instrumental que gradualmente cresce até atingir um elegante final (e aqui eles rivalizam com os melhores Felt) e a interessante “I Don’t Even Believe In You”. Um verdadeiro tesouro perdido.
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24 novembro 2010

Singles # 25 - Oasis – “Live Forever” (1994 Creation)

Na tarde do dia 9 de Abril de 1993, Noel Gallagher estava em casa quando o telefone tocou. Do outro lado estava Alan McGee. Ele assinou os Oasis depois de ouvir quatro “demos” – uma delas era “Live Forever”.
Sem grande surpresa, “Live Forever” tem as suas raízes noutra canção, Em Outubro de 1991 “Shine On Me” dos Rolling Stones, o seu refrão tem exactamente a mesma melodia que as linhas de abertura dessa canção, e que impulsionou Noel para escrever a primeira música que ele acreditava sinceramente poder ser um futuro clássico.
18 meses depois McGee e a banda estavam de acordo que a canção merecia ser o ser primeiro Top Ten. E se bem que “Supersonic” e “Shakermaker” já tinham construído o perfil da banda, “Live Forever” já constava do reportório dos seus concertos e rapidamente ganhou reputação mediante o aumento do estatuto da banda
Uma espécie de manifesto – apresentando o carácter da banda e estabelecendo tanto de onde eles vieram e ao que estavam a reagir.
Simultaneamente forjaram uma ruptura com a era “grunge” e acenaram à experiencias “acid house” de Noel: : “You and I are gonna live forever”, poderia ter saído da boca de qualquer “clubber” do final dos nos 80.
Em Agosto de 1994, “Live Forever” envolto numa capa que mostrava a casa onde John Lennon passou a sua infância, voou para o Top Ten, e as ultimas dúvidas sobre os méritos musicais dos Oasis (um pouco ocluída nessa altura pelo muito gin, coca e lutas) desapareceram.
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09 maio 2010

Rock # 13 - Swervedriver – “Mezcal Head” (1993 Creation)

Desconcertantemente aglomerados no movimento “shoegaze” do início dos anos 90, quando a sua brilhantemente explosiva abordagem do “guitar rock” americano era muito mais sangrenta, este quarteto de Oxford misturou os Sonic Youth com os “grooves” de uns Crazy Horse e hectares de vagas "low-end".
Este disco foi a sua obra-prima - mais brilhante do que a estreia “Raise”, mais atrevido do que o irónico “psych-pop” de “Ejector Seat Reservation” - e baseado na teoria de que a única coisa melhor do que guitarras são mais guitarras. No disco estão em grande forma, eles possuíam uma impressionante capacidade para envolver melodias memoráveis em torno de camadas de guitarras para criar músicas realmente inspiradoras. A atenção dada às melodias é o que define este registo e o separa do género “shoegaze”, o verdadeiramente incrível “noise” não é projectado para ofender, mas para estimular e elevar.
Cada canção é um “road movie”, com o vocalista-guitarrista Adam Franklin como o exausto protagonista, e uma quinta velocidade sempre pronta para engrenar - desde o provocador intro de “From Seeking Heat”, passando pelas carregadas guitarras de “Duel” que rompem alegremente num brilhante pôr do sol, pelos crepitantes “riffs” do incendiário “Blowin’ Cool”, pelas ondulantes guitarras de “Last Train To Satansville”, até ao fantasista “Duress”, – Mezcal Head” merece um estatuto de inovador. Mas numa altura em que o “indie-rock” britânico estava a encaminhar-se para as drogas halucinogénicas, os Swervedriver atingiram um fosso.
Ao contrário dos seus companheiros na Creation, My Bloody Valentine ou The House Of Love, nunca receberam o apoio popular que a sua música merecia. Difícil de classificar, “Mezcal Head” permanece com um clássico do “rock alternativo” dos anos 90.
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09 abril 2010

Singles # 21 - Primal Scream - “Higher Than The Sun” (1991 Creation)

Os Primal Scream eram um grupo que ninguém levava muito a sério. No início de 1989, eles só queriam ser os MC5. No final desse ano, editaram "Loaded", que apesar do seu envolvimento óbvio, foi rapidamente considerado como tendo sido resultado do trabalho único de Andrew Weatherall. Mesmo depois desse “single” ter atingido o Top Ten e eles terem-no seguido com "Come Together", ainda eram considerados uma desinteressante banda que derivou para o “house”. "Higher Than The Sun" mudou tudo isso - e no processo mudou a forma como a música “pop” seria feita na década de 90.
Eloquentemente definiu o estado de uma nação à deriva no “Ecstasy”. Com as suas mentes "libertas" por sucessivos abusos de substâncias, Bobby Gillespie, Andrew Innes e Robert Young reuniram-se no apartamento de Innes em East London, com uma variedade de instrumentos que colocam o puritanismo “indie-guitar” contra a parede. Pois basta ouvir a versão “demo” (encontra-se no lado B de "Burning Wheel") para ver que "Higher Than The Sun" é uma muita própria concepção da banda. O que lhe deu essa “dimensão vital” foi a inspirada participação de Alex Paterson dos The Orb - que superou até mesmo a grandeza da sua própria "Little Fluffy Clouds" - com uma produção alucinogénica.
Liricamente também estavam muito à frente. Naquela época, o Ecstasy parecia ser um falso bilhete para os bons momentos, mas referências sem precedentes como "”hallucinogens can up-end me or untie me”, sugeriram que algo mais negro estava a chegar.
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04 fevereiro 2010

Classic # 24 - Primal Scream - “Exterminator” (2000 Creation)

Tal como os Primal Scream inventaram, em 1991, a sua própria banda-sonora para o Acid House com “Screamadelica”, ao se juntarem” aos The Orb e a Andrew Weatherall, e ao misturarem “beats” com abafadas guitarras reminiscente dos The Stooges e um “dub” halucinogénico, “Exterminator” maneja o mesmo bem oleado estratagema mas trocando o “house” pelo “electro” e “techno”.
Desta vez a “equipa de mistura” incluía entre outros David Holmes, Kevin Shield dos My Bloody Valentine, Dan The Automator, Jagz Kooner ou mais eficaz e surpreendentemente entre todos eles, os The Chemical Brothers. Estes últimos contribuem com uma frenética e vacilante “mix” de “Swastika Eyes”, que surge como o sucessor da “acid blues” mix de “Higher Than The Sun” que os The Orb realizaram para “ Screamadelica”.
Embora indiscutivelmente mais negro e vigoroso, depois de ter retirado elementos das sonoridades alcançadas em “Vanishing Point” e levando-as a um maior extremo sonoro, “Exterminator”, é facilmente identificável como o real sucessor de “Screamadelica”. Aqui é a amplitude, a profundidade, a energia, a intensidade e a ira presentes que completam o brilhantismo deste disco.
Mas “Exterminator” começa o seu penetrante curso de um ainda mais alto patamar, e a sua fuselagem está carregada com uma primitiva mistura explosiva do mais pesado “funk”, “jazz”, “noise” e “rock” prestes a explodir. E como se não bastasse debaixo de tudo, temos o verdadeiramente extraordinário e vibrante baixo de Mani (aka Gary Mounfield), que confere ao disco um acompanhamento deveras hipnotizador.
Assim e em canções como na poderosamente agressiva “Kill All Hippies”, na impertinente e intensa “Accelerator”, na bruma psicadélica de “Blood Money” ou nos abrasadores ritmos do transtornado “jazz” de “MBV Arkestra”, os Primal Scream retalharam todas as regras musicais para impulsionarem as suas estimulante ideias, no sempre muito estéril panorama musical.
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24 abril 2008

Editoras # 1 – Warp Records

Na ressaca da explosão da música electrónica, nos fins dos anos 80, proliferavam pequenas editoras, que proporcionavam a divulgação de inúmeros tecnocratas “caseiros”.
As tabelas de vendas “indie”, no final dos anos 80/ princípios dos anos 90, eram regularmente animadas por discos de música electrónica, editados em obscuras editoras, que muitas vezes nem se aguentavam o suficiente para editar os seguintes.
Em Londres muitas pequenas editoras sobreviveram como servientes dos DJ’s da moda. Mas seria em Sheffield que iria acontecer uma verdadeira lição de sucesso na história das editoras britânicas independentes.
Steve Beckett e Rob Mitchell, já se conheciam e quando a loja de discos onde Beckett trabalhava fechou, decidiram abrir no mesmo espaço, uma distribuidora de música electrónica e música “indie” baptizada Warp Records.
Ao serem inundados com inúmeras cassetes e “white labels” de músicos locais, decidiram juntar algum dinheiro e criar uma editora com o mesmo nome.
A estreia aconteceu com “Track With No Name” dos The Forgemasters, numa edição de 500 exemplares. Esse disco, uma aventura do produtor Rob Gordon, e a segunda edição da Warp, Nightmares on Wax – “Dextrous”, tiveram algum sucesso. Como iriam ter LFO – “LFO”, Tricky Disco – “Tricky Disco” e Nightmares on Wax – “Aftermath”, que entraram no Top 20.
Nessa altura, a música da Warp diferenciava-se de tendências da altura como o “Balearic” ou a “Italian House”, e excepto caso se tivessem acesso aos intrujantes trabalhos do mestre Derrick May, os primeiros discos da Warp soavam como se estivéssemos a digitar um telefone por cima de um disco “dub”. No entanto esses sons puros e o aterrorizador baixo acabaram por ser um grande sucesso.
O facto de terem aparecido tantos músicos influenciados pela música electrónica em Sheffield, não foi nenhuma feliz coincidência. Pois precursores como os Cabaret Voltaire (cujo membro Richard H. Kirk era metade dos Sweet Exorcist) e os The Human League, eram ambos originários de Sheffield.
Provavelmente o fracasso do primeiro álbum, o conceptual “Clonk’s Coming” dos Sweet Exorcist, fez com que se afastassem dos caprichos da pista de dança, para abordarem projectos mais propícios aos discos de longa-duração.
Assim surgiram o magnífico e assustador “Frequencies” dos LFO vendeu muito bem quer em Inglaterra quer nos Estados Unidos. Os Nightmares on Wax editaram o alucinatório e futurista som “funk-rap” no disco de estreia “A Word Of Science”. E ainda editaram compilações de qualidade como “Pioneers Of The Hypnotic Groove” e “Artificial Intelligence”, esta última tornando-se num disco importantíssimo. Porque aparte o seu valor como um conjunto de delicadíssimas e relaxantes paisagens sonoras, “AI” foi um daqueles discos que sinalizou para onde penderia o futuro da musica electrónica.
O caminho seguiu com o que se designou de IDM – Intelligent Dance Music, ou “electronic listening music”, como prefiro, com os trabalhos de Polygon Window (ou Richard James/Aphex Twin), Black Dog, B12, FUSE (de Richie Hawtin), Wild Planet entre outros.
Como forma de evitar problemas com a indolente imprensa musical, decidiram fundar uma editora “indie guitar” ao criar a Gift, cujos primeiros artistas seriam os Newspeak, Various Vegetables, e como porta-estandartes, os gloriosos Pulp.
Passadas quase duas décadas, conseguiram provar, como a 4AD ou a Creation nos seus respectivos campos de acção, que ganharam a luta pela busca de música inventiva e de qualidade.
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Nightmares on Wax - Aftermath

03 julho 2007

Classic # 6 - My Bloody Valentine - “Loveless” (1991 Creation)

Em “Isn't Anything” (1988) já tinham identificado o projecto sonoro, no entanto o disco tinha como base a experimentação.
Com “Loveless”, Kevin Shields e os MBV expandiram esses sons pegando nos conceitos de “feedback” e “noise”, dando-lhe um sentido de estrutura, harmonia, e uma intensa e bela aproximação atmosférica.
Este conceito é demonstrado na primeira faixa, “Only Shallow”, onde Shields cria uma espiral de melodias, que parece que balança entre os “speakers”, enquanto em fundo, a assombrosa voz de Bilinda Butcher se funde com as outras instrumentações, sugerindo uma multiplicidade de eflúvios possíveis.
A segunda faixa, “Loomer” promove este conceito fundindo as vocalizações com rígidas distorções e uma bateria distante. E na terceira faixa, “Touched”, um instrumental de Colm O’Ciosoig, somos transportados numa viagem surreal, completa de estranhos “loops” e “samplers”.
A partir daqui o disco parece serenar, e Shields começa a tomar mais controlo sobre o som – visível nas guitarras densas e vocalizações celestiais.
Como resultado, “To Where Knows End”, “When You Sleep”, I Only Said”, “Sometimes”, e “Soon” são das mais belas canções da década, com os MBV a criarem um conjunto de temas que simultaneamente oferecem uma experiência desconcertante e perturbadora.
A melodia nunca está esquecida, e as atmosferas sonoras criadas são absolutamente incríveis.
Apesar do som distorcido das guitarras em fundo, nunca é dissonante escutá-lo, é pelo contrário calmante, provavelmente como resultado do uso das Fender Jazzmaster e Jaguars que lhes transmite um som mais caloroso.
As canções confundem-se umas nas outras e todo o disco surge como uma peça de arte, onde a sua coesão é simplesmente persistente, e onde todas as canções ou são praticamente tangíveis ou são inacessíveis.
O “Magnum Opus” dos My Bloody Valentine é um dos discos mais influenciais dos anos 90, um clássico moderno, em originalidade e sedução.

03 maio 2007

Classic # 3 - Ride - “Nowhere” (1990 Creation/Sire)

Considerado por muitos como o melhor disco dos Ride, “Nowhere” é não só um dos grandes momentos do chamado “shoegazing”, mas também um dos discos que poderá estar num Top 20 dos discos da década de 90.
“Nowhere” com a sua capa emblemática, é um disco clássico, do princípio ao fim.
Todas as canções, à sua própria maneira, demonstram a magia da música deste quarteto de Oxford no seu melhor: o caos controlado da bateria de Laurence Colbert, a urgência do baixo de Steve Queralt, o “feedback” monótono da guitarra ritmo de Mark Gardner, superiormente “misturados” com a atmosfera melódica criada pela guitarra de Andy Bell. Todos eram soberbos músicos. Outros instrumentos, como a harmónica e a guitarra acústica, aleatoriamente incluídos, visavam ainda embelezar mais as canções. E a perfeita combinação harmónica das vozes de Bell e Gardner, distinguia-os das restantes bandas.

Na melhor tradição britânica de classificar os géneros musicais, o som dos Ride é o que se definiu como “shoegazing”, (os músicos em palco estavam tão absorvidos com a sua música que ficavam a olhar para baixo, para as guitarras, dando a impressão que estavam a olhar permanentemente para os sapatos) mas comparando-o com o dos reis do movimento – My Bloody Valentine – é mais melódico e directo. Provavelmente é o resultado da presença da Rickenbacker de Andy Bell, e os seus efeitos e distorção.
O disco começa em clímax, com ondas de distorção e guitarras que parecem estar a chorar em “Seagull”, e contém canções imensas como “Dreams Burn Down”, e profundas como “Paralysed”. O resultado final é que não encontramos ao longo destas onze canções nenhum momento de fracasso.
O legado de “Nowhere” é um disco clássico, que ao procurar atingir as estrelas, consegue alcançar a lua.