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sábado, 27 de dezembro de 2008

De volta à Itália, uma surpresa




Céu claríssimo, sem nuvens! Deu para ver toda a cadeia de Alpes que protege a Itália. E um frio do caramba, claro. Hoje de manhã, quando acordei fazia -6.
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Antuérpia


Outra bela cidade que conhecemos na Bélgica, a Antuérpia. Cidade portuária que se situa à beira do rio Escalda, a 90 quilômetros do mar do norte. A cidade usufrui de uma vantajosa posição geográfica.

Adorei ver os inúmeros Mercúrios espalhados pela cidade. Obviamente, o deus da comunicação, do comércio e das trocas é homenageado por lá.

O nome da cidade tem origem em uma lenda. Segundo ela, nos tempos de Júlio César, o terrível gigante Druoon Antigoon vivia em um castelo ao longo do rio Escalda. Para poder passar pelo rio, todo o capitão de navio devia pagar a ele um pedágio, uma taxa bem alta. Quem não podia pagar, perdia a mão.Até que um belo dia o capitão romano Salvius Brabo se rebelou contra esse abuso. Assim teve início uma luta furiosa ao final da qual, Brabo derrrotou o robusto gigante, lhe cortou a mão esquerda e a jogou no rio Escalda.

E é daí que surge o nome Antuérpia. Antwerpen: "Hands" (mão) e "werpen" (jogar).

Não é preciso pensar muito para intuir que a lenda deve ter origem num acontecimento verdadeiro.



Outro Mercúrio


Castelo na beira do rio Escalda



No canto, à direita do castelo, tem um gigante oprimindo dois homens e na mão dele, atrás, tem uma saquinho de moedas. Outra representação da opressão por taxas.

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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Dinant

Dinant foi outra cidadezinha muito linda que conhecemos na Bélgica. Tem 13 mil habitantes e fica ao longo do rio Mosa, na parte francófona do país. Três coisas chamam a atenção na cidade: a Catedral em pedra negra, o rio e a Citadella, ou fortaleza militar, no topo de uma rocha. O nome da cidade tem a ver com a função econômica que ela tinha, pois dinanteria são os objetos trabalhados em metal.










Foto de cima da Citadella



Dentro da fortaleza, encenação da forja dos metais.



Conhecemos essa maravilha de cidade graças à indicação do Professor Amaral, professor do Marcelo na Engenharia, que viveu 6 anos na Bélgica e conhece todas as belezas por lá.
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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Museo Egizio a Torino

Foi uma correria este mês de maio. Nem consegui mais postar no blog e, no entanto, não via a hora de encontrar um tempinho e vir aqui contar as novas. Bom, este mês que se vai, em meio às aulas, exames, compromissos profissionais e pessoais, recebemos uma grande amiga aí do Brasil e fizemos un giro per l'Italia: Turim, Siena, Pisa e a maravilhosa Florença foram partes do roteiro.

Em Turim fomos ver o Museo Egizio, o segundo maior museu egípcio do mundo, depois do Cairo. Um museu enorme que conserva mais de 6.000 objetos dentre os quais, múmias, papiros, sarcófagos, objetos da vida cotidiana e amuletos que foram trazidos do Egito, na sua grande maioria, pelo italiano Bernardino Dovretti. O italiano era cônsul frânces no Egito e prestava serviços ao Napoleão.

Histórias de guerras e de rapinas à parte, é incrível pensar que por causa do clima seco do Egito até mesmo materiais orgânicos como o papiro foram conservados.

O objeto mais antigo é um cadáver de 6.000 anos. Querem ver?





Isto foi maravilhoso de ver:



Papiro
Periodo tolemaico (332-30 a.C.)
Provenienza: Tebe, in seguito Collezione Drovetti, 1824


Tradução livre do texto do site oficial do Museu

Nesta cena do Livro dos Mortos de Iuefankh assistimos ao momento crucial, ou seja, o julgamento do morto, a chamada psicostasia ou julgamento da alma. O coração do morto, considerado a sede da inteligência (que não era o cérebro) se encontra sobre o prato de uma balança em equilíbrio diante de uma pequena figura da deusa Maat - que traz sobre a cabeça a pena de um avestruz. A deusa personifica a idéia de ordem cósmica, de justiça e de harmonia. Junto a Thoth, Maat era garantia da precisão. Thoth, que se manifestava em duas formas, como babuíno e como pássaro, era o deus da sabedoria e da escrita, que conhecia o cálculo. Ele vinha representado seja como pássaro, seja como babuíno. Sendo o coração (inteligência) de Ra, fazia os cálculos das fases lunares. Mestre de exatidão, era o patrono dos escribas. Por causa da sua habilidade no cálculo pediam a sua presença durante o julgamento da alma. Thoth aparece nesta cena sentado em cima da balança na forma de um babuíno, e como deus que da testa do pássaro ibis, registra o resultado com a pena diante a uma capela do deus de Osiris. Os deuses Horus e Anubis presidiam a balança e eram encarregados de ouvir a voz do coração do morto. Um animal híbrido (Anmut) sobre um pequeno altar está a espera do julgamento de Osiris. Se o morto tivesse que ser condenado, este animal, de corpo de hipopótamo e cabeça de crocodilo, lhe devoraria o coração, impedindo-o assim de renascer.
O meu conhecimento de história antiga vai até o gregos, infelizmente. E os gregos, por sua vez, tinham consciência de serem uma civilização criança diante daquela egípcia. Esta história do Tribunal de Osiris, famosa diga-se de passagem, sempre me emocionou. O fato de o coração do morto não poder ser nem tão pesado, mas nem tão leve é algo muito libriano. A balança, a busca pela precisão e pela justa medida em meio a um momento tão dramático, como o julgamento do morto, são carregados de significados.
Um deles é que há de haver um equilibrio, ao meu ver. Não se pode levar o mundo na passagem ao al di là , ou um coração pesado (ou ainda uma consciência pesada), mas não se pode vir ao mundo a passeio e carregar um coração tão leve, ou nenhuma experiência significativa a ponto de não haver forjado um coração justo ( ou nenhuma consciência). Um coração que pese menos que a pluma de Maat, a deusa da justiça. É o fio da navalha de Libra. É sobre ela que devemos caminhar.
Em quase todo o percurso do museu se vê essa relação mágica-religosa que os egípcios tinham com a passagem, com a morte. Existem muitos exemplos disso: a técnica de embalsamar os mortos, os olhos que eles desenhavam na parte de fora dos sarcófagos para que o morto pudesse ver e para afastar o mal, as réplicas em miniatura dos bens do defunto - que eles acreditavam que tomassem vida no além e que tais objetos auxiliariam o morto na outra vida-, as embarcações construídas com o intuito de levar o morto ao al di là e muitas outras coisas que seguramente eu ignoro.
A deusa Maat, claramente, pode ser personificada na deusa Atenas dos gregos, enquanto Thoth, o deus da escrita, em Hermes e Rá é o deus Sol.
Certamente os gregos se inspiraram muito nos egípcios e, eu ainda vou estudar história egípcia.
Alla prossima!
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sexta-feira, 2 de maio de 2008

E por falar em primavera...Isola Bella

Maio é um mês incrível aqui no 45 norte: as cores, a temperatura, os cheiros, os sabores...é Touro para ninguém botar defeito. Touro o signo de terra que sabe usufruir da mesma como ninguém. Depois de 7 meses de músculos tesos de frio, o corpo todo pode finalmente relaxar sob o sol de maio. Que delícia!

Ontem, 1° de maio, dia do trabalhador, fomos passear com a Scuola di italiano no Lago Maggiore, um lago que fica na fronteira com a Suíça e também pertinho de Novara.

O Lago Maggiore tem uma série de ilhas. Nós visitamos a Isola Bella, um verdadeiro paraíso na terra como se pode ver na foto aérea da ilha, abaixo:



A Isola tem aproximadamente 320 metros de comprimento e 180 de largura. É constituída basicamente de um Castelo e de um belíssimo jardim, que foram construídos no século XVI, às expensas de uma rica família milanese, os Borromeo. Carlo III dedicou a obra à sua mulher: Isabella. De Isola di Isabella , por contração fonética, a ilha passou a chamar-se Isola Bella . Impressionante pensar que àquela época os Borromeos mandaram construir um pequeno paraíso sobre uma rocha. A ilha até hoje é propriedade da família. Felizmente, hoje, a ilha é aberta à visitação pública.

Dentro do Castelo, muitas belas salas e estátuas:



Venere addormentata di Gaetano Monti numa das grutas feitas com pedaços de rocha da ilha.



Mercúrio ostentando seu caduceu



Marte, suas armas.



Hefesto e Vênus na Sala da ballo



O Rapto de Perséfone.



Nós no Atrio de Diana entre o Castelo e os jardins



Osteria, addirittura un pavone! (algo como Báh , até mesmo um pavão!)



Olha o Hefesto ou Vulcano de novo, o deus grego do fogo, dos metais e da metalurgia.



Jardins e vista para o Lago.



No terraço dos jardins.



Netuno junto ao seu povo do mar no Teatro Massimo.



Fiori



Un pavone nascosto



Fiori e limoni



Vista para os Alpes nevados.



E por fim, o bello Lago Maggiore. Paradisíaco, não?
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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Alexandre, o Grande é Sagitário, Áries e Peixes

Alexandre Magno na batalha de Isso (Museo Archeologico Nazionale di Napoli)

Como alguns de vocês sabem, depois de voltar da viagem à Espanha eu estava empenhada aqui com um exame de História Grega na universidade. Após quatro dias de estudo intenso, correu tudo bem! Já tô me acostumando com o estilo dos exames daqui, e fico feliz de não me sentir mais tão insegura com o fato deles serem orais.

Ah, e como é bom estudar história grega! Alguns personagens são iguais aos que conhecemos hoje, pois são movidos pela ganância, ambição, vaidade e poder. Mas outros trazem um algo a mais.
Sócrates, por exemplo, o filósofo da contra-corrente que, na busca pela verdade, desafiou os sofistas e se tornou um personagem muito incômodo no mundo grego. Morreu pela sua verdade! Ou o espartano Leônidas que, pela ideologia da sua pólis, lutou até a morte nas Termópolis. Ou ainda o astutíssimo ateniese Temistocles, que interpretou o oráculo de Delfo de uma forma muito particular e, graças a sua inteligência, venceu o numerosíssimo exército persiano em Salamina.
Porém, o mais impressionante de todos foi mesmo Alexandre Magno.

Ele nasceu em 326 a.C., filho de Felipe II, Rei de Macedônia. Com a morte do pai, em 336 a.C., Alexandre mostrou logo a que veio. Naquele momento não bastava somente ser filho de rei para tomar o trono. Era preciso bem mais que isso, pois havia muitos pretendentes ao cobiçado reino Macedônico. Alexandre tinha esse algo a mais - e muito mais ainda, como a História ensina. Foi com determinação que Alexandre matou todos os pretendentes e se impôs como o rei de Macedônia. Naquela época, já com Felipo II a Macedônia havia se erguido como a grande potência grega. Atenas e Esparta, depois da longa Guerra do Peloponeso, não conseguiram mais manter a tão desejada hegemonia.

Os atenienses tiveram que engolir Felipe II e seu filho Alexandre. A verdade é que a Macedônia sempre admirou muito a cultura dos atenieses, ao ponto de mandar buscar professores para ensinar os filhos dos nobres. Mas Atenas, que ficava no centro da Grécia, tinha dúvidas quanto aos macedônios serem gregos ou não. A Macedônia era uma região muito ao norte da Grécia, e seu povo era considerado quase bárbaro para os atenienses. Com a morte de Felipe II, em Tebas e Atenas se criou um boato de que também Alexandre, "o menino bobo" teria morrido. O fato é que o jovem princípe, segundo o que nos conta Plutarco, sabendo disso logo se apresentou aos muros de Tebas e destruiu totalmente a cidade. Já quando chegou em Atenas, não pôs abaixo nem um tijolo, a respeitou da mesma forma que havia feito o pai na guerra de Cheronea em 339-338 a.C. E mostrou de novo que de menino bobo não tinha nada.

Depois disso, para resumir, Alexandre reconquistou a Iônia, que havia sido dominada pelos Persas. Não contente com isso, acabou por conquistar a Asia e o Egito, criando o maior império já visto até então, como muitos de vocês devem saber.

O interessante nisso tudo é que o pai de Alexandre, Felipo II, dizia ser descendente de Hércules enquanto que a mãe, Olimpia, dizia ser descendente do Herói da Guerra de Tróia, Aquiles. Alexandre cresceu nesse ambiente e teve como professor nada mais nada menos que Aristóteles, que lhe ensinou ciência e arte. Segundo o que conta Plutarco, Alexandre não se separava da Iliada, livro que conta a Guerra de Tróia e que Aristóteles lhe deu de presente. O cara era grande mesmo.

Ao lado de suas campanhas militares, Alexandre fez outras campanhas propagandistas: fez sacrícios à deusa Atenas, ao seu suposto antepassado Aquiles, cortou um nó que deveria ser desfeito em Górdio e para completar, segundo uma lenda por Alexandre mesmo alimentada, ele seria filho do próprio Zeus.

Alexandre, o Grande montado no seu cavalo expandiu o mundo grego em limites nunca antes visto. Por isso é Sagitário. É Sagitário também porque estudou com um dos maiores filósofos que já existiram, é Sagitário porque descende do próprio Zeus, é Sagitário até no nome: Alexandre, O Grande!

Alexandre é Áries porque já aprendia a lutar desde pequeno, não titubeou um instante sequer em se impôr como rei, mas mais que rei ele era um líder. Conquistou o que o pai queria, mas foi mais além, bem além. Conquistou outros povos no sentido pleno da palavra, pois os trouxe para o seu lado e os integrou numa cultura helenistica. Sabia lutar e sabia o que queria.

Alexandre é Peixes porque não via os povos que conquistava como "outros", se metamosfoseava neles. Casou-se com inúmeras asiáticas. Tinha curiosidade pela cultura dos outros povos e queria fundar um único reino multi-cultural. Além disso, Alexandre morreu jovem, um pouco antes de completar os 33 anos de uma doença desconhecida. Doença desconhecida é coisa de Peixes e morte perto dos 33 anos nos faz lembrar de Cristo.

Depois de Alexandre nenhum outro conseguiu sucedê-lo. Seus inúmeros filhos eram todos ainda muito jovens. Seu reino multi-étnico morreu junto com ele, mas sua fama é conhecida ainda hoje em todo o mundo.


Estatueta do jovem Alexandre montando um cavalo; Bagram, Afghanistan
Bibliografia: Storia Greca a cura di Marco Betalli
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segunda-feira, 10 de março de 2008

Alagna Sesia


Cheiro de bosque, barulinho de água das muitas cachoeiras, neve fresca no chão, neve tímida caindo em pequenos flocos do céu, a presença das montanhas encobertas pela névoa, frio que se transformava em calor com a caminhada e muita alegria de estar ali.

Assim foi o passeio em Alagna Sesia, cidadezinha do Piemonte quase na divisa com a Suíça.

A subida à montanha foi para prestigiar meu ascendente em Capricórnio, a Cabra da minha Revolução Solar. E é claro não podia faltar a névoa, muita névoa para prestigiar a Lua em Peixes desse ano.

Como prometido, olha aí eu e o meu boneco de neve:

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