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20 fevereiro 2016

A História do Samba


O samba foi introduzido no Brasil no período colonial pelos escravos africanos sendo portanto, um estilo que provém da fusão entre as culturas: africana e brasileira. Inicialmente, as festas de danças dos negros escravos na Bahia eram chamadas de "samba" e a manifestação durante muito tempo foi considerada um estilo de música e dança criminalizado e visto com preconceito, devido suas origens negras.

Há controvérsias sobre a origem da palavra "samba", mas provavelmente advém do termo africano "semba" que significa "umbigada". O samba está presente em todas as regiões brasileiras todavia, modifica-se conforme o local, sendo que os mais conhecidos são: samba da Bahia, samba carioca (Rio de Janeiro) e o samba paulista (São Paulo). Assim, dependendo do estado modificam-se os ritmos, as letras, o estilo de dançar e até mesmo os instrumentos que acompanham a melodia.

Com o passar do tempo, o samba foi conquistando o público em geral e adquirindo um lugar de destaque entre os principais elementos da identidade cultural brasileira.

O samba é uma dança e um gênero musical considerado um dos elementos mais representativos da cultura popular brasileira existentes em várias partes do país. Dependendo do tipo de samba, a música é feita com o violão, viola ou cavaquinho acompanhado de instrumentos de percussão (atabaque, berimbau, chocalho e pandeiro).ber mais, acesse o link: Cultura Brasileira

Alguns subgêneros do Samba

Samba de roda: o samba de roda está associado à capoeira e ao culto dos orixás. Essa variante de samba surgiu na Bahia no século XIX, caracterizado por palmas e cantos, no qual os dançarinos bailam dentro de uma roda.

Samba-enredo: associado ao tema das escolas de samba, o samba-enredo é caracterizado por apresentar canções com temáticas de caráter histórico, social ou cultural. Essa variante de samba, surgiu no Rio de Janeiro na década de 30 com o desfile das escolas de samba.

Samba-canção: chamado também de "samba de meio de ano", o samba canção surge na década de 20 no Rio de Janeiro e se populariza no Brasil nas décadas de 1950 e 1960. Esse estilo é caracterizado por músicas românticas e ritmos mais lentos.

Samba-exaltação: o marco inicial desse estilo de samba é a música "Aquarela do Brasil" de Ary Barroso (1903-1964), lançada no ano de 1939. Caracterizado por letras que apresentam temas patrióticos e ufanistas.

Samba de gafieira: Esse estilo de samba é derivado do maxixe e surgiu na década de 40. O samba de gafieira é uma dança de salão cujo homem conduz a mulher acompanhados por uma orquestra com ritmo acelerado.

Pagode: Essa variante do samba surgiu no Rio de Janeiro na década de 70, a partir da tradição das rodas de samba. Caracterizado por um ritmo repetitivo com instrumentos de percussão acompanhados de sons eletrônicos.

Outras variantes do samba: samba de breque, samba de partido alto, samba raiz, samba-choro, samba-sincopado, sambalanço, samba rock, samba jazz, samba-reggae, bossa nova, e outras mais.

Em 1917 foi gravado no Brasil o primeiro samba com o título: "Pelo Telefone", com letra de Mauro de Almeida e Donga , cantado por Bahiano.

Grandes sambistas brasileiros: Noel Rosa, Cartola, Dorival Caymmi, Ary Barroso, de Adoniran Barbosa, Paulinho da Viola, Jorge Aragão, João Nogueira, Beth Carvalho, Elza Soares, Dona Ivone Lara, Chico Buarque, João Bosco, Pixinguinha, Ataulfo Alves, Carmen Miranda, Nelson Cavaquinho, Demônios da Garoa, Elis Regina, Clara Nunes, Wilson Moreira.
todamateria

12 julho 2015

Ótimo Programa para Identificar Músicas

       
Você acorda de manhã bem cedo e escuta uma canção no rádio. Na verdade, você nem presta muita atenção, mas a música já não sai mais da sua cabeça durante dias, e você nem sabe o título! Ou então, você tem em casa aquela coletânea que tanto gosta, porém, as canções estão sem os nomes. Só se lê: track1, track2, track3... Daí, como identificá-las?..

O Tunatic é uma excelente solução para satisfazer sua curiosidade e organizar seus arquivos de forma adequada. O programa "ouve" um trecho da música e a identifica de um jeito fácil e rápido. É só colocar a música para tocar, seja no rádio ou no seu aparelho de som, abrir o Tunatic e usar o microfone para que o computador ouça a música que você deseja identificar.
O Tunatic vai em seu banco de dados e verifica se algum arquivo lá coincide com o que ele "ouve". Uma vez identificado, basta clicar para ver todas as informações disponíveis daquele arquivo, como: nome da música e do artista, letras, links para baixar ou comprar o CD, etc..

Acabe, de uma vez por todas, com a tortura de solfejar música irreconhecível no ouvido dos outros! Com o Tunatic você obtém na hora todas as informações sobre a canção. Você vai gostar muito do programa, e os seus amigos mais ainda!
colab. de David Moya

Identificando as músicas sem o uso de microfone

O programa realmente é ótimo. apesar de não identificar as músicas na sua totalidade, o que seria impossível. Nenhum desses programas trabalham com tanta eficiência assim possuindo a totalidade de músicas existentes. O que me levou a escolher o Tunatic para uso pessoal e que muitas pessoas ainda não sabem, é que, com ele é possível descobrir o nome de uma música reproduzida no próprio computador sem a necessidade de um microfone.

 Depois de instalado, basta clicar com o botão direito em cima do programa, clicar em "settings"e selecionar a opção "Driver de captura de som primário", e pronto! Agora o programa reconhecerá as músicas reproduzidas no seu próprio computador sem o uso de microfone. Se não acredita, experimente!


10 junho 2015

O Rock Psicodélico Brasileiro e Suas Particularidades



A psicodelia se fez presente no rock nacional com suas guitarras distorcidas e letras lisérgicas desde a segunda metade dos anos sessenta, desdobrando-se em vários subgêneros e incorporando as sonoridades regionais, especialmente a nordestina. Essa febre durou até meados dos anos setenta.

Enfrentando toda sorte de preconceito, o gênero contribuiu para alargar os horizontes da música brasileira, cujas estruturas conservadoras haviam sido abaladas pouco tempo antes pelo som de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rogério Duprat e Os Mutantes, num movimento chamado "Tropicalismo". Sem apelo comercial, o som psicodélico ficou restrito a grupos mais radicais, ao público mais descolado e sintonizado com o movimento hippie, concretizados em poucas gravações de raros e valiosos lps e compactos.

As primeiras manifestações psicodélicas ocorreram em São Paulo, por meio de grupos como The Beatniks, Os Baobás e The Galaxies, que introduziram em seus repertórios clássicos do gênero produzido nos Estados Unidos, especialmente. The Beatniks, grupo de palco do programa Jovem Guarda (Roberto Carlos) na TV Record, aliado ao agitador cultural e artista plástico Antônio Peticov, produziu ótimos compactos, com covers de Gloria (Them), Fire (Jimi Hendrix) e Outside Chance (The Turtles). Os Baobás, que teve Liminha entre seus membros, também destacou-se por meio de cinco ótimos compactos e um LP, onde registraram sua paixão por Doors, Jimi Hendrix e Zombies, entre outros. Enquanto The Galaxies, misto de paulistas, americanos e ingleses, deixaram um raro e clássico álbum gravado em 1968, contendo canções originais e covers para Love, Donovan e outros ícones da geração flower power.

Ainda nos anos sessenta, outras bandas como The Beat Boys, Os Brazões e Liverpool produziram obras geniais que ficaram na memória de quem viveu a época. The Beat Boys, depois de acompanhar Caetano Veloso em Alegria Alegria e Gilberto Gil em Questão de Ordem, gravou um excelente álbum, lançado em 1968, que contém alguns clássicos da psicodelia nacional, como Abrigo de Palavras em Caixas do Céu. Os Brazões também gravaram apenas um ótimo e ultra-tropicalista lp, que contém Gotham City (regravada pelo Camisa de Vênus, nos anos oitenta), Pega a Voga Cabeludo (de Gil), Momento B8 (Brazilian Octopus) e Planador (Liverpool), entre outras pérolas sonoras. Já o grupo gaúcho Liverpool é responsável por um dos melhores álbuns gravados nos anos sessenta, o LP Por Favor, Sucesso, que contém as clássicas Impressões Digitais, Olhai os Lírios do Campo e Voando, entre outras.

Menos conhecidos, grupos como Spectrum, Bango, Módulo 1000, Equipe Mercado e A Tribo também marcaram com suas misturas sonoras o início dos anos setenta. O grupo Spectrum, de Nova Friburgo, com a trilha sonora do filme Geração Bendita, produziu um dos mais raros e desconhecidos discos de psicodelia dos anos setenta, com qualidade internacional, e ainda atual. O carioca Módulo 1000, por sua vez, marcou o início da década de setenta com seu som psicodélico-progressivo, registrado no disco Não Fale Com Paredes, outro clássicos do rock nacional de todos os tempos, relançado em CD. A Tribo, com Joyce, Toninho Horta e outros músicos que depois brilharam na MPB, e Equipe Mercado, tendo à frente a dupla Diana e Stull, transitaram entre a influência roqueira e as sonoridades regionais, deixando algumas poucas gravações.

A partir dessas primeiras experiências, e incorporando o som progressivo, inúmeros grupos transportaram a juventude brasileira para espaços mais livres e criativos, além dos limites impostos pela censura ditatorial. Apoiados na riqueza musical nacional, os grupos misturaram rock, tropicalismo, barroco, jazz, erudito, som oriental, música regional e tudo o mais disponível para criar um dos universos sonoros mais criativos do planeta, naquele momento. Grupos como A Barca do Sol, Som Nosso de Cada Dia, Moto Perpétuo, Som Imaginário, Terreno Baldio, Recordando o Vale das Maçãs, Soma, Veludo, Vímana e Utopia - uns mais conhecidos, outros ainda obscuros para a grande maioria - deram a sua contribuição de ousadia e de inventividade sonora e poética para a história do rock brasileiro.

Ainda, em meados dos anos setenta, Lula Côrtes, Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Paulo Raphael, especialmente, deixaram a marca de uma nova e delirante mistura, que resultou na posterior invasão nordestina. Em 1972, com participação do maestro Rogério Duprat, Alceu Valença e Geraldo Azevedo produziram um disco em parceria, que trazia influências pós-tropicalistas, rock and roll e sonoridades nordestinas, que antecipou o clássico Paêbirú, O Caminho do Sol - raro e ultrapsicodélico álbum duplo, gravado em 1974, sob o comando de Lula Côrtes e Zé Ramalho. Na seqüência, transitando para a afirmação dos ritmos mais regionais, Alceu Valença, Zé Ramalho e o grupo Ave Sangria (de Paulo Raphael), especialmente, ainda produziram peças com viés psicodélico, como Vou Danado Pra Catende (Alceu Valença), A Dança das Borboletas (Zé Ramalho) e Momento na Praça (Ave Sangria).

AS BANDAS E ARTISTAS QUE MAIS SE DESTACARAM NA ÉPOCA

Apresentamos aqui uma relação das principais bandas e intérpretes que fizeram a história da psicodelia brasileira, nos anos sessenta e setenta. Os verbetes são sintéticos, e alguns deles foram publicados originalmente na revista ShowBizz (de novembro/2000).



THE BEATNIKS - Complete Mocambo Singles 1968
Lenda do rock paulistano, The Beatnkis foi o grupo de palco do programa Jovem Guarda e, ao mesmo tempo, responsável por surpreendentes compactos garageiro-psicodélicos. Entre 67 e 68, gravou quatro disquinhos pelo selo Rozemblit contendo covers para Turtles (Outside Chance), Them (Gloria) e Jimi Hendrix (Fire), entre outros. Em suas diversas formações, o grupo contou com Bogô, Regis, Nino, Márcio, Mário e Norival. Antônio Peticov produzia as capinhas psicodélicas da banda.






CÓDIGO 90 - Single 1967
Banda paulistana formada em 67 pelo ex-Top Sounds e Loupha, Marcos 'Vermelho' Ficarelli (guitarra), Mário Murano (teclado), Pedro Autran Ribeiro (vocal), Sérgio Meloso (bateria) e Vitor Maulzone, além do guitarrista Tuca. Agitaram as domingueiras do Clube Pinheiros, em São Paulo, com apresentações psicodélicas, e deixaram apenas um raro compacto pelo selo Mocambo/Rozenblit - Não Me Encontrarás/Tempo Inútil (67).




SERGUEI - Singles 1966-1975
Com visual/postura rocker-hippie e uma discografia dispersa em raros compactos, Serguei é um ser psicodélico por natureza. Em 67, gravou Eu Sou Psicodélico, As Alucinações de Serguei e o mix de rock-Jovem Guarda-protesto chamado Maria Antonieta Sem Bolinhos. Em 69, com a banda The Cougars, gravou Alfa Centauro, um flerte com o tropicalismo, sem perder a 'acidez'. Ouriço e Burro-Cor-de Rosa também são clássicos de sua discografia e da psicodelia nacional.



Os Baobás - Os Baobás 1968
Grupo que antecipou a chegada do hit Light My Fire (The Doors) no Brasil, em gravação que contou com o futuro Mutantes e produtor Liminha no baixo. Inicialmente beat, enveredou pela psicodelia clássica "importada", que resultou na gravação do único álbum em 68, contendo diversos covers (entre eles, Oranges Skies, do Love), pelo selo Rozemblit. Também lançaram cinco compactos, com destaque para a versão de Paint It Black/Pintada de Preto (The Rolling Stones). O grupo tocou com Ronnie Von, com quem gravou um compacto (Menina Azul) e flertou com o tropicalismo, acompanhando Caetano Veloso em shows, em substituição aos Beat Boys. A primeira formação do grupo contou com Ricardo Contins (guitarra), Jorge Pagura (bateria), Carlos (baixo), Renato (guitarra solo) e Arquimedes (pandeiro). Também passaram pelas diversas formações da banda Rafael Vilardi (ex-O'Seis), Guga, Nescau, Tuca e Tico Terpins (depois Joelho de Porco).



BEAT BOYS - Beat Boys 1968
Um misto de brasileiros e argentinos radicados em São Paulo, o grupo Beat Boys ficou conhecido por acompanhar Caetano Veloso em Alegria Alegria, no Festival da Record e em disco. Integravam o grupo Cacho Valdez (guitarra), Willy Werdaguer (baixo), Tony Osanah (vocal e pandeiro), Marcelo (bateria). Toyo (baixo e teclados) e Daniel (outra guitarra). Gravou um único álbum pela RCA Victor, lançado em 68, contendo Abre, Sou Eu (Billy Bond) e covers radicais como Wake Me, Shake Me (The Blues Project).




THE GALAXIES - The Galaxies 1968
O garageiro The Galaxies era formado pelo inglês David Charles Odams (guitarra e vocal), pela americana Jocelyn Ann Odams (maracas e vocal) e pelos brasileiros Alcindo Maciel (guitarra e vocal) e José Carlos de Aquino (guitarra e bateria. Lançado pelo selo Som Maior, o álbum contém cover para Orange Skies (Love) e composições próprias, como Linda Lee, de David e Carlos Eduardo Aun, o Tuca, ex-Lunáticos, e depois Baobás, que também toca no
disco.





SUELY E OS KANTIKUS - Single 1968
Grupo formado pela ex-O'Seis (o pré-Mutantes), Suely Chagas, mais os guitarristas Lanny Gordin e Rafael Vilardi (também do pré-Mutantes). O grupo ganhou o Festival Universitário de São Paulo, em 1968, com a música Que Bacana. Na linha tropicalista, gravou um único compacto (Que Bacana/Esperanto), que traz Lanny em um dos seus melhores e mais radicais trabalhos de fuzz-guitar.




BRAZILIAN OCTOPUS - Brazilian Octopus 1969
Apesar da orientação jazística, com pitadas de bossa-nova, o grupo pincelava seu som com climas tropicalistas-psicodélicos (incluindo a logotipia do nome na capa do único álbum gravado). A distorção ficava por conta de Lanny Gordin e sua guitarra fuzz e seu wah-wah em canções como As Borboletas e Momento B/8 (parceria do grupo com Rogério Duprat) Integravam o grupo, entre outros, o multi-instrumentista Hermeto Paschoal e o guitarrista Olmir 'Alemão' Stocker.


LIVERPOOL - Por Favor, Sucesso 1969
Com atitutude e visual "Jefferson Airplane", e responsável por verdadeiras viagens sonoras nos palcos, transitou na fronteira do tropicalismo com a psicodelia universal, secundando os Mutantes em criatividade e, especialmente, qualidade instrumental. Integravam o grupo, Mimi Lessa (guitarra), Edinho Espíndola (bateria), Fughetti Luz (cantor), Pekos (baixo) e Marcos (base). Gravou o único álbum em 69, pelo selo Equipe, contendo elaboradas canções com fuzz-guitar no talo, a exemplo de Voando, Impressões Digitais e Olhai Os Lírios do Campo. No início dos anos 70, ainda gravou mais dois compactos, um (duplo) para a trilha do filme Marcelo Zona Sul, e outro, sob o nome de Liverpool Sound, com as músicas Fale e Hei Menina. Com o fim do grupo, seus integrantes, menos Pekos, juntam-se ao ex-A Bolha, Renato Ladeira, para formar o Bixo da Seda, que retornou ao rock and roll "stoniano" das origens da banda.


MUTANTES - Jardim Elétrico 1971
Um dos mais importantes grupos da história do rock, não apenas nacional, mas mundial, não ficando nada a dever aos grandes ícones da revolução musical dos anos sessenta, até mesmo aos Beatles, em vários momentos de sua obra. Deixaram pelo menos três discos clássicos da discografia brasileira e, outra vez, mundial, com uma riqueza de idéias, de arranjos e de soluções instrumentais, que surpreendem até hoje, e provocam uma "redescoberta" por parte dos mais importante músicos nacionais e estrangeiros. Apesar disso, permaneceram por um bom tempo ignorados, até serem relançados ainda em vinil pelo selo paulistano Baratos Afins, em meados dos anos oitenta. São donos de uma infindável coleção de hits e, também, de um baú de raridades, que, além do já lançado Tecnicolor (originalmente gravado em setenta, mas inédito até 2000), renderiam, pelo menos, um bom cd simples.


RONNIE VON - Ronnie Von 1968
Iniciou a carreira cantando Beatles, e com seu terceiro disco, que tem participação dos Mutantes, Beat Boys e arranjos de Rogério Duprat, acabou virando uma espécie de laboratório experimental do tropicalismo. Mas sua mais importante contribiuição a história da psicodelia nacional é o o disco lançado em 68, com arranjos de Damiano Cozzela, que traz os mais radicais experimentos sonoros daquela segunda metade de década, somente igualados ou superados pelos Mutantes. É neste disco que está a clássica Silvia, 20 Horas Domingo, recentemente regravada pelo grupo gaúcho Vídeo Hits, com participação do próprio cantor. Ronnie Von ainda gravou mais dois álbuns com essa orientação: A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nuncamais e A Máquina do Tempo, o último antecipando o rock progressivo, que chegaria ao Brasil um pouco mais tarde. Atualmente, Ronnie Von tem sido alvo de um revival que, definitivamente, resgata a sua verdadeira importância na história do rock nacional.


OS BRAZÕES - Os Brazões 1969
Grupo responsável por uma das melhores fusões de tropicalismo com psicodelia universal, festejada por Nelson Motta, na contra-capa do seu único álbum, lançado 70. Integravam os Brazões, Miguel (guitarra base), Eduardo (bateria), Roberto (guitarra solo) e Taco (baixo). Tornaram-se conhecidos por acompanhar Gal Costa em shows e defender Gothan City, de Macalé e Capinam, no IV Festival Internacional da Canção Popular, em 69 (a mesma que ganhou cover punk do Camisa de Vênus, nos anos oitenta). Lançaram um dos principais trabalhos da discografia psico-tropicalista, recheado de guitarras fuzz, contendo versões para clássicos como Pega a Voga Cabeludo, Volkswagen Blues e Modulo Lunar. Miguel, depois Miguel de Deus, entrou de cabeça na onda funk, gravando o álbum Black Soul Brothers (77).



O BANDO - O Bando 1969
Outra banda que misturou MPB, música regional e pitadas de psicodelia. Em 69, lançou seu único álbum, com arranjos dos maestros Rogério Duprat, Damiano Cozzela e Júlio Medaglia. Em clima tropicalista, cantam Jorge Ben, Caetano Veloso e os novatos gaúchos Hermes Aquino e Lais Marques. Integravam O Bando, Diógenes, a cantora Marisa Fossa (que depois gravou com Duprat), Américo, Dudu, Emílio, Paulinho e Rodolpho.




BLOW UP - Blow Up 1969
Nascido em Santos, com o nome The Black Cats, começou tocando rock instrumental, passou pela beatlemania e, no final dos anos 60, acabou na psicodelia. Inspirado no filme homônimo de Antonioni, trocou de nome e gravou dois álbuns com a nova orientação: o primeiro em 69, e o segundo em 71, chamado apenas Blow Up, mas também conhecido como Expresso 21. Integravam a primeira formação Robson (guitarra solo), Hélio (bateria), Tivo (baixo e vocal), Zé Luis (vocal), Nelson (teclado) e Adalberto (guitarra base).


OS LEIF'S - Os Leif's 1967-1970
Histórico grupo baiano formado pelo guitarrista Pepeu Gomes, seu irmão Jorginho, mais Carlinhos e Lico, que acompanhou Caetano Veloso e Gilberto Gil no show-disco Barra (69). Também foi responsável pelo acompanhamento psico-tropicalista em diversas faixas do primeiro álbum dos Novos Baianos - Ferro na Boneca (70), com destaque para a fuzz-guitar de Pepeu. Antes, formavam Os Minos, que gravou dois compactos, pelo selo Copacabana, em 67.



SOM IMAGINÁRIO - Som Imaginário 1970
Outro grupo que passeou com maestria nas fronteiras da psicodelia
e do progressivo com a moderna MPB e toques de jazz, produzindo clássicos do gênero como Morse, Super God, Cenouras (… "vou plantar cenouras na sua cabeça"). Integraram o grupo em suas várias formações mestres do instrumento, como Wagner Tiso (teclados), Luís Alves (contrabaixo), Robertinho Silva (bateria), Tavito (violão), Frederyko (guitarra), Zé Rodrix (teclados, voz e flauta), Laudir de Oliveira (percussão), Naná Vasconcelos (percussão) e, ainda, ocasionalmente, Nivaldo Ornelas (sax) e Toninho Horta (guitarra). Gravaram os discos Som Imaginário (70), Som Imaginário - 2 (71) e Matança do Porco (73). Os três lps foram relançados conjuntamente em cd, em 98, pela gravadora EMI, enquanto a música Super-God (do primeiro lp) foi incluida na coletânea Love, Peace & Poetry - Latin American Psychedelic Music, lançada pelo selo alemão Q.D.K Media.


A BOLHA - Um Passo À Frente 1973
Legendária banda do rock nacional, formada em 65, no Rio de Janeiro, pelos irmãos Cesar e Renato Ladeira (guitarra e teclados), mais Lincoln Bittencourt (baixo) e Ricardo (bateria), gravou um único compacto nesta fase, com o nome The Bubbles, em 66. No final da década, assumiram o nome A Bolha e orientaram seu som para o hard rock, inicialmente, e depois para climas progressivos-psicodélicos. Em 1970, acompanharam Gal Costa na excursão a Portugal e assistiram ao festival da Ilha de Wight, na Inglaterra. Com nova formação - Renato (teclados), Pedro Lima (guitarra), Arnaldo Brandão (baixo) e Gustavo Schroeter (bateria), gravou o clássico compacto Sem Nada/18:30 (Os Hemadecons Cantavam em Coro Chôôôôô ...), em 1971, e mais dois álbuns - Um Passo à Frente (73) e É Proibido Fumar (77). O primeiro álbum já ganhou reedição em cd, que traz ainda o segundo compacto.


O TERÇO - Criaturas da Noite 1975
Um dos mais expressivos grupos dos anos 70, O Terço transitou por todas as praias, indo do folk-rock ao progressivo, sempre com elementos psicodélicos. Originalmente formado por Sérgio Hinds, Jorge Amiden, Vinicius Cantuária, gravou dois álbuns com orientação psicodélica (o primeiro) e progressiva (o segundo). Em 75, depois de alguns compactos, e incorporando o folk e sonoridades regionais, o grupo gravou Criaturas da Noite, com arranjos de Rogério Duprat e capa de Antônio Peticov. Na mesma época, com as mesmas bases instrumentais, mas com vocais em inglês, o álbum foi lançado na América Latina e na Europa (no Brasil, saiu apenas um compacto com Criaturas da Noite/Queimada - Creatures of Night/Shining Days, Summer Nights). O Terço ainda gravou outro clássico da discografia roqueira nacional, o álbum Casa Encantada (lançado em um "dois em um" junto com Criaturas da Noite).


SPECTRUM - Geração Bendita 1971
Um dos mais raros grupos de psicodelia do Brasil, formado eventualmente pelos atores e participantes do filme Geração Bendita, dirigido por Carlos Bini e rodado em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 1971. Denominado Spectrum, o grupo integrado pelos músicos/atores Toby, Fernando, Caetano, Serginho e David gravaram o disco Geração Bendita, com letras falando do clima do filme e da época e guitarras distorcidades. Lançado no mesmo ano, o disco é uma das peças mais raras da discografia do rock nacional, com edição apenas no exterior.


EQUIPE MERCADO - Singles 1971 / Diana & Stull 1972
Liderado pela dupla Diana & Stull o grupo agitava a cena carioca com seu rock psicodélico no início dos anos 70. Também integravam o grupo, Leugruber e Ricardo Guinsburg (guitarras, violões e vocais), Carlos Graça (bateria) e Ronaldo Periassu (percussão e texto). Participaram do show 'Betty Faria, Leila Diniz e o Mercado Na Deles', dirigido por Neville D'Almeida, com texto de Luis Carlos Maciel (editor do Rolling Stone). Participaram de coletânea ao lado de Som Imaginário, Módulo 1000 e Tribo, com a música Marina Belair.


A TRIBO - Joyce & A Tribo 1969-1971
Outro grupo que transitou entre MPB, jazz e sonoridade regionais, com roupagem psicodélica. Integravam o grupo os músicos Toninho Horta, Joyce, Novelli, Hélcio Milito, Nelson Angelo e Naná Vasconcelos. O grupo gravou as músicas "Kirye" e "Peba & Pebó", presentes na coletânea lançada pela Odeon, ao lado dos grupos Módulo 1000, Equipe Mercado e Som Imaginário.




BANGO - Bango 1971
Um dos raros grupos contemporâneos que demonstrou explícita influência dos Mutantes, que pode ser conferida em seu único álbum (Musidisc, 71). Som pesado, fuzz-guitar e letras viajandonas produziram um som com qualidade internacional. Seus integrantes - Aramis, Sérgio, Elydio e Roosevelt - eram oriundos do grupo carioca de Jovem Guarda, Os Canibais, autor de um ótimo disco (68), contendo covers de Turtles, Outsiders (EUA) e Turtles.



MÓDULO 1000 - Não Fale com Paredes 1970
Grupo de hard-psicodélico-progressivo formado no início dos anos setenta, considerando internacionalmente um dos melhores do gênero, ao lado do também carioca Spectrum. Integravam o grupo Luis Paulo (órgão, piano, vocal), Eduardo (baixo), Daniel (guitarra, violão, vocal) e Candinho (bateria). Gravou um único lp chamado Não Fale Com Paredes, pelo selo Top Tape, em 71, e alguns poucos compactos. O lp original, incluindo a capa em três partes, foi relançado quase anonimamente pelo selo Projeto Luz Eterna (98). Em setembro de 2000, o álbum também ganhou reedição em vinil na Alemanha, novamente com reprodução integral da arte original. A música Lem Ed Êcalg (Mel de Glacê, ao contrário) ainda foi incluída na coletânea de bandas psicodélicas latinas Love, Peace & Poetry, ao lado do Som Imaginário.




MATUSKELA - Matuskela 1973
Grupo brasiliense liderado por Anapolino (Lino), mais Didi, Toninho Terra, Zeca da Bahia e Vandão, que fez grande sucesso local no início dos anos setenta. Gravaram um lp chamado Matuskela, pelo selo Chantecler, com sonoridade folk-psicodélica, destacando-se a canção A Idade do Louco, de Zeca da Bahia e Clodo, que depois fez parte do trio Clodo, Clésio & Climério. A capa do álbum, com o grupo sentado em uma gigante mão de pedra, é outra raridade da iconografia nacional.



DAMINHÃO EXPERIÊNCIA - Planeta Lamma 1974
Autodefinindo-se como "doidão" e influenciado por Jimi Hendrix, produziu raros e surpreendentes discos, misturando psicodelia, blues, sons afro-orientais, guitarras "Frank Zappa" e letras absurdas e incompreensíveis. Lançou seu primeiro disco em 74, intitulado Damião Experiência no Planeta Lamma, que abriu caminho para outras clássicas raridades, como Damião Experiença Chupando Cana Verde no Planeta Lamma e Em Boca Calada Não Entra Mosca, Só Felicidade.


LULA CÔRTES & ZÉ RAMALHO - Paêbirú 1975
Em parceria, a dupla produziu a síntese mais alucinada do que se poderia chamar de psicodelia brasileira: o álbum duplo Paêbirú (O Caminho do Sol), que mistura sonoridades regionais, experimentalismo tropicalista e influência do rock internacional. Solo, Lula Côrtes gravou em 73, o também clássico Satwa, com participação de Lailson e do guitarrista Robertinho de Recife, onde repete a explosiva mistura em canções com nomes como Valsa dos Cogumelos ou Alegro Piradíssimo. Zé Ramalho, por sua vez, cinco anos depois, também lançou Avohay reverberando a já fora de moda psicodelia em canções como A Dança das Borboletas. Um álbum clássico, ainda por ser devidamente incluido entre as principais manifestações da mais radical psicodelia nacional e mundial. Exceto Avohay, os dois discos foram lançados de forma alternativa, por selos regionais.



FLAVIOLA E O BANDO DO SOL - Flaviola e o Bando do Sol 1974
Outro representante da geração nordestina pós-tropicalismo, que teve em Paêbirú, de Lula Côrtes e Zé Ramalho, sua expressão mais radical. Também pernambucano, Flaviola e o Bando do Sul gravou apenas um álbum, lançado pelo selo local Solar, em 1974. Com base em ritmos regionais, produziram um raro mix de folk-rock-psicodelia, que permanece com extrema atualidade. Instrumental rico, na base de violões, violas, guitarras, flautas e percussão.


GRUPO SOMA - Singles 1971-1974
Trio formado pelo ex-The Outcasts, Bruce Henry (baixo), mais Jaime Shields (guitarra), Alírio Lima (bateria e percussão) e Court (vocal e flauta) - ou seja, Richard Court, o futuro Ritchie. Participaram do lp O Banquete dos Mendigos, gravado ao vivo em 1974, em comemoração dos 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, com a música P.F., com letras em inglês. O grupo ainda gravou mais quatro músicas, que integram a obscura coletânea Barbarella, lançada em 1971.



A BARCA DO SOL - Durante O Verão 1976
Em meados dos anos setenta, a Barca do Sol botou pra quebrar na cena underground, produzindo uma refinada mistura de MPB, sonoridades progressivas/psicodélicas, instrumental quase barroco e poesia (Geraldinho Carneiro). A apresentação das músicas do lp Durante o Verão, em forma de cardápio, define o clima da Barca do Sol: O Banquete (sal de frutas, Sargent Pepper's, sopa de cabeça de bode) … Beladonna, Lady od The Rocks (cogumelos, candomblé, corações solitários) … Espécie de padrinho do grupo, Egberto Gismonti produziu o primeiro álbum, que introduzia o uso de sintetizador em duas faixas, novidade na época. A Barca do Sol gravou três discos: A Barca do Sol (74), Durante o Verão (76) e Pirata (79), os dois primeiros reeditados no formato dois em um. A Barca do Sol, entre 74 e 81, contou com Jacques Morelembaum, Nando Carneiro, os irmãos Muri Costa e Marcelo Costa, Beto Resende, Marcelo Bernardes, Alan Pierre e David Ganc, além de Stull e Richard Court, o Ritchie.



MOTO PERPÉTUO - Moto Perpétuo 1974
Liderado pelo ex-Brazilian Boys, Guilherme Arantes, que depois fez sucesso como compositor e intérprete solo, gravou um álbum com forte influência do psicodélico-progressivo na linha "Yes". Integravam o grupo, além de Arantes (teclados e vocal), Egydio Conde (guitarra solo e vocais), Diógenes Burani (percussão e vocais), Gerson Tatini (baixo e vocal) e Claudio Lucci (violão, violoncelo, guitarra e vocal). O disco tem produção de Pena Schmit.




PERFUME AZUL DO SOL - Nascimento 1974
Grupo paulista formado por Ana (voz e piano), Benvindo (voz e violão), Jean (voz e guitarra) e Gil (bateria e vocal). Com visual hippie e psicodelia derivada de ritmos e instrumental regionais, gravaram um único álbum - Nascimento -, pelo selo Chantecler, em 1974. O baixista Pedrão, depois integrou o Som Nosso de Cada Dia, ao lado do ex-Íncríveis, Manito.




CASA DAS MÁQUINAS - Lar das Maravilhas 1975
Transitando entre o glam e o hard rock, o grupo Casa das Máquinas gravou o álbum Lar das Maravilhas (75), um clássico do mix psico-progressivo nacional. Liderado pelo ex-baterista dos Incríveis, Netinho, o Casa contava ainda com o ex-Som Beat, Aroldo Santarosa, Pisca, Carlos Geraldo, Marinho, Marinho II, Simba.O futuro vocalista do Golpe de Estado, Catalau participava do grupo, dividindo a autoria de várias canções.



AVE SANGRIA - Ave Sangria 1975
Na onda da "invasão nordestina", o Ave Sangria foi uma das primeiras e mais radicais bandas, misturando sonoridades regionais, blues e rock com roupagem psicodélica. Formada por Marco Polo (vocais), Almir (baixo), Israel Semente (bateria), Juliano (percussão), contava ainda com a presença de dois grandes guitarristas: Ivson Wanderley (Ivinho), que também gravou um raro álbum de viola ao vivo no Festival de Montreaux, e Paulo Raphael, que depois tocou com Alceu Valença. A banda gravou apenas um luminoso e instigante álbum, destacando as faixas Dois Navegantes, Momento na Praça, Cidade Grande e a instrumental Sob o Sol de Satã. Lançado pelo selo Continental em 75, o álbum Ave Sangria foi reeditado em vinil em 90 (pela Baratos Afins), mas permanece inédito no formato digital. Ainda por ser redescoberto em toda sua beleza, o álbum tem uma das mais criativas capas da iconografia roqueira nacional (Sérgio Grecu e Equipe).



UTOPIA - Singles 197?
Legenda do rock rock gaúcho, que agitou a cena local em meados dos anos setenta. Misturando sonoridades regionais, músicas árabe e folk rock, realizou shows memoráveis na capital gaúcha. Integravam o grupo Bebeto Alves - que desenvolveu carreira solo - (guitarra, viola de 12 e flauta), Ricardo Frota (violino) e Ronald Frota (violões). Deixaram apenas registros radiofônicos (na legendária rádio Continental), tendo um deles - Coração de Maçã, resgatado no cd A Música de Porto de Alegre.




SOM NOSSO DE CADA DIA - Snegs 1974
Liderado pelo multi-instrumentista Manito, ex-integrante do grupos Os Incríveis (antes, The Clevers), o Som Nosso de Cada Dia foi um dos expontes do som psicodélico-progressivo dos anos setenta. Ao lado de Manito estavam Pedrinho (baterial e vocal), Pedrão (baixo, viola e vocal). Além de Marcinha (coro), ainda participaram do grupo Egídio (guitarra), Dino Vicente (teclados) e Rangel (percussão). O grupo gravou dois lps, Snegs (1975) e Som Nosso de Cada Dia (1976).




VELUDO - Ao Vivo 1975
Uma das legendas do hard rock-progressivo nacional, formado por volta de 1974 por Nelsinho Laranjeiras (baixo), Elias Mizrahi (teclados), Paul de Castro (guitarra) e Gustavo Schroeter (bateria). Responsável por fantásticas e longas jams instrumentais, teve um desses momentos resgatado recentemente, com o lançamento de cd contendo o show realizado no festival Banana Progressiva, realizado em São Paulo, em 1975.




VÍMANA - Zebra - On The Rocks 1977
Espécie de ponte entre os anos setenta e oitenta, o Vímana brilhou na cena carioca com seu hard-progressivo. Formado em 1974, contava com Lulu Santos (guitarra), Lobão (bateria), Fernando Gama (baixo) e Ritchie (vocais). Deixaram gravado um compacto, contendo a música Zebra e participaram de discos de outros artistas, destacando-se Luiza Maria e Fagner (nas músicas Riacho do Navio e Antônio Conselheiro, do disco Ave Noturna).



MARCONI NOTARO - No Sub-Reino dos Metazoários 1973
Contemporâneo de Lula Côrtes, Zé Ramalho e Lailson, Marconi Notaro gravou o LP 'No Sub Reino dos Metazoários', na linha de obras clássicas como 'Paebirú' e 'Satwa'. Lançado em 1973, e um dos mais raros da discografia nacional, o disco contém peças da mais radical psicodelia nordestina pós-tropicalista. Participam do disco Zé Ramalho, Lula Côrtes, Robertinho de Recife e outros músicos da região.
Escrito por Fernando Rosa e divulgado no blog "A Horse No Name", de Minduim Mateus; com os nossos agradecimentos


16 março 2015

A Música e Seus Estilos




A história da música pode ser dividida em fases bastante distintas, sendo fácilmente identificadas por um estilo bem específico a cada época. É evidente que um estilo musical não surge da noite para o dia, mas, sim, num processo lento e gradual, sempre com os estilos sobrepondo-se uns aos outros, de modo a permitir que o "novo" surja do "velho". Por isso mesmo, dificilmente os musicólogos estão de acordo a respeito das datas que marcam o princípio e o fim de cada período, ou mesmo sobre os nomes a serem empregados na descrição do estilo que o caracteriza.

Essas especificações estão apresentadas de forma a dividir a história da música do Ocidente em seis grandes períodos distintos, indicando seus tempos correspondentes. Para não nos alongarmos muito no detalhamento de cada época, colocamos links de redirecionamento correspondentes a cada período, para o caso de alguém desejar saber mais sobre cada um deles.


A meu ver, hoje, a música mundial já possui uma ou duas novas fases musicais de um novo período pós-moderno, constituído pelos inúmeros trabalhos de "new age", "ambient", "eletrônicos", "world music", etc, estilos esses que fogem totalmente das esferas anteriores; mas, isso é coisa para especialistas!..

Ao escrever uma peça de música, o compositor está combinando simultaneamente diversos elementos musicais importantes - os componentes básicos da música. Sabemos portanto que para se desenvolver uma música é necessário levar em consideração coisas como: "ritmo", "melodia", "harmonia", "timbre", "forma" e "tessitura", por exemplo.

A natureza já traz bons motivos para que o homem faça música. Juntando-se aí a criatividade e a capacidade de combinar todos esses elementos sempre de formas diferentes, justifica-se suficientemente a existência dessa enorme diversidade de estilos, gêneros e subgêneros musicais de hoje, com cerca de 500 diferentes especificações.

É o estilo que determina a maneira pela qual compositores de épocas e países diferentes apresentam esses elementos básicos em suas obras. A maioria deles, se não a totalidade, está presente em todos os períodos da história da música, embora inexistisse harmonia na música medieval da primeira fase e não haja, por assim dizer, melodia em certas composições do século XX.

De fato, é a maneira particular como esses componentes musicais são tratados, equilibrados e combinados que faz com que certa peça musical tenha um aspecto ou jeito característico, ou o estilo de determinado período, além de fornecer os itens que irão identificá-la.
Fontes: BENNETT, Roy Uma breve história da música - Segunda edição, Jorge Zahar Editor
http://www.oliver.psc.br/historia%20musica.htm
http://forum.cifraclub.com.br/forum/8/80047/
Foto: www.scrapsdinamicos.com.br

22 dezembro 2014

O "Samba Jazz" - Um jeito Mais Refinado de Fazer Samba



Lendo uma excelente matéria sobre a história do Samba Jazz, de autoria do produtor, escritor e crítico musical José Domingos Raffaelli, achei por bem compartilhar o assunto que vem a complementar o conteúdo sobre teoria musical no blog.

Segundo Raffaelli, "a princípio aparentemente distantes e separados, o jazz e a música brasileira têm muito em comum, a começar pelas próprias origens africanas. O que aconteceu após a chegada dos escravos no Brasil e nos Estados Unidos, seu desenvolvimento e onde suas origens musicais se reencontraram são aspectos históricos importantes.

O que existe relacionando a música brasileira com o jazz? Nossa música foi influenciada pelo jazz e pela música americana? E nossos músicos influenciaram os jazzmen americanos? Uma abordagem sobre esse palpitante e fascinante assunto, sob diversos ângulos, permite observações e esclarecimentos sobre as ocorrências que se verificaram através dos tempos, as preferências dos brasileiros em relação aos músicos americanos, nossos músicos que brilham ou brilharam no exterior e outros aspectos ligados ao desenvolvimento das duas linguagens chegando nessa mistura que resultou no estilo denominado samba-jazz, jazz-samba, como preferem os americanos.

As relações entre o jazz e a música brasileira são muito mais íntimas do que possam aparentar. É uma intimidade que surpreende após a sua constatação. Suas origens são exatamente as mesmas, provenientes da cultura negra trazida pelos escravos africanos originários das mesmas regiões da costa ocidental do continente africano. O destino separou os irmãos africanos pelos hemisférios das duas Américas, porém suas raízes foram as mesmas.

No Brasil, foram os ritmos da música folclórica portuguesa os primeiros sintomas alienígenas a influenciarem as raízes africanas. Essas mudanças processaram-se lentamente e possivelmente muita coisa perdeu-se na poeira do tempo.

No lado americano, o ragtime, de caráter fortemente sincopado, foi um prolongamento natural da mistura entre a música dos escravos, a quadrilha francesa e a música de uma dança conhecida como cakewalk.

O pianista Scott Joplin (1868-1917) foi o mais famoso compositor de ragtime, influenciando incontáveis músicos. Por alguma razão aparentemente misteriosa até hoje não detectada, a música de Ernesto Nazareth (1863-1934), um dos precursores do chorinho, da polca e da valsa em nosso país, soa como parente muito próximo do ragtime. Essa constatação levou alguns musicólogos e tentarem desvendar o vínculo entre o ragtime e o chorinho, antecessores legítimos do jazz e da música popular brasileira, porém, foram frustrados todos os esforços nesse sentido.

Afinal, como o jazz influenciou a música brasileira ? No início dos anos 20 do século passado, o fox-trot chegou ao Brasil interpretado por grupos americanos que tocavam no Teatro Assyrio, na época a principal casa noturna do Rio de Janeiro. Os músicos brasileiros acotovelavam-se para ouvir os americanos, aprendendo as melodias, assimilando os ritmos, o fraseado e os maneirismos da execução do fox-trot, absorvendo uma influência que se acentuaria nas décadas seguintes. Esta influência foi se acentuando cada vez mais. Nossos músicos – com exceção dos intérpretes de choro, da música tradicional e dos ritmos nordestinos – foram influenciados pelos músicos de jazz.

Afinal, quando, como e onde começou a mistura do jazz com o samba que resultou na música instrumental brasileira moderna? A semente que germinou essa fusão foi plantada em abril de 1953 pelo violonista Laurindo Almeida e o saxofonista Bud Shank quando gravaram o seminal disco "Brazilliance", em Los Angeles. Nesse disco experimental, o violonista brasileiro e o saxofonista de jazz apresentaram uma novidade revolucionária: as improvisações de Shank tocando repertório brasileiro em linguagem jazzística. Em grande forma, Shank adaptou-se inteiramente ao contexto, assentando as bases do que na década seguinte chamariam de jazz-samba, que no Brasil ficou conhecido por samba-jazz. O impacto daquele disco em nosso meio musical foi extraordinário, abrindo as portas para um estilo até então inimaginável. Curiosamente, na época um conhecido saxofonista brasileiro declarou enfaticamente que era impossível improvisar sobre música brasileira, porém, posteriormente, ele adotou a improvisação jazzística na temática brasileira dos seus discos. "Brazilliance" foi editado no Brasil e conquistou imediatamente uma nova geração de músicos que vieram a ser figuras de relevo na bossa nova e, posteriormente, no samba-jazz.

Outro fator importante precursor do samba-jazz no Brasil foi o revolucionário disco "Turma da Gafieira", com Altamiro Carrilho (flauta), Zé Bodega e Maestro Cipó (saxes-tenor), Raul de Souza (trombone), Sivuca (acordeão), Baden Powell (violão), José Marinho (baixo) e Edison Machado (bateria). Além das improvisações nos solos, a atuação de Edison Machado incorporou uma inovação que causou surpresa, desagrado e controvérsia entre os renitentes cultores do samba: ele utilizou os pratos da bateria em seus estimulantes acompanhamentos, algo totalmente inédito e inconcebível para os músicos da época.

Mas, o que é improvisação jazzística? Para um músico, improvisar significa criar novas melodias sobre a estrutura harmônica de uma composição ao sabor da sua imaginação. Em outras palavras, ter total liberdade para expressar sua própria concepção explorando suas idéias melódicas num clima prevalecendo a espontaneidade e a originalidade, injetando variações de coloridos tonais, nuances rítmicas e inflexões. Por isso o jazz é a música do indivíduo e a improvisação é um elemento essencial da sua linguagem. Para avaliar esses elementos inseridos pelos solistas, é suficiente comparar as inúmeras gravações das mesmas músicas por diversos músicos, constatando que todas diferem das demais porque cada músico improvisa à sua própria maneira.

A partir de 1958, a bossa nova conquistou imediatamente a juventude brasileira ocasionando uma radical transformação melódico-harmônico-rítmica na nossa música popular, inaugurando o período moderno da MPB.

Com o sucesso do rock & roll em todo o mundo nos anos 60, a bossa nova e o samba-jazz deixaram de ser a música da juventude brasileira porque ganhava força e popularidade a Jovem Guarda, invadindo como um tsunami os meios de comunicação do pais. Foi quando Mauricio Einhorn declarou sua famosa frase: "A saída para o músico brasileiro é o Aeroporto do Galeão", que alguns mal-informados atribuem a Tom Jobim. Muitos deixaram o país em busca de outras paragens para tentar a sorte. Alguns foram bem-sucedidos, outros nem tanto. Vale ressaltar que vários desses músicos tocam com freqüência em festivais de jazz europeus e americanos.

Enquanto no Brasil a bossa nova e o samba-jazz estavam em recesso forçado devido às preferências do público roqueiro, em outros países continuavam sendo apreciados e cultuados, valorizando nossos artistas, que ganharam novos mercados internacionais solidificando suas carreiras. Essa valorização no exterior, inclusive com a edição de centenas de discos de bossa nova e samba-jazz nos Estados Unidos, Europa e, principalmente, Japão, ocasionou uma reviravolta no Brasil com o retorno do samba-jazz no repertório dos músicos mais jovens. Daí aconteceram três grandes eventos que movimentaram as duas maiores cidades do país e as novas gerações de músicos surgidas a partir dos anos 80/90 trouxeram uma injeção de sangue novo ao samba-jazz.

Agora o samba-jazz chegou para manter uma relevante posição na música brasileira. Apesar de combatido pelos renitentes xenófobos de plantão, que desdenhosamente insistem em afirmar tratar-se de música americana, continua conquistando novos talentos e adeptos no Brasil e em vários países do mundo. A despeito desses handicaps, o samba-jazz resiste bravamente, nossos músicos prosseguem espargindo sua música em concertos, casas noturnas, bares, quiosques, espaços oficiais e alternativos, com boa afluência de público, além de continuar sendo grande atração no Japão, onde tem público cativo, nos festivais europeus e americanos." Cá pra nós..., o samba jazz é a forma mais refinada e audível de se curtir um samba!
Clique aqui para ler a matéria na íntegra

11 novembro 2014

Conversão de Arquivos de Audio Menores para Formatos de Maior Qualidade



Por esses dias recebemos um email nos solicitando ajuda para encontrar um programa que converta Mp3 ou CDDA para FLAC. Hoje, complementaremos a matéria anterior, esclarecendo o assunto de forma rápida e bastante elucidativa, pois acreditamos que o tema ainda é uma grande dúvida de boa parcela dos internautas.

Antes de converter qualquer arquivo de áudio você deve compreender que a conversão de arquivos é uma forma de comprimí-los para tamanhos menores, como a própria palavra exprime. Compressão é o procedimento de apertar, diminuir ou encolher esse arquivo, suprimindo dele algumas frequências do áudio original, principalmente os não audíveis para o ouvido humano, para que o arquivo fique menor e ocupe menos espaço no seu HD.

Num exemplo grosseiro, seria como se você, maestro, retirasse de sua orquestra um pouco de violinos; outro tanto de violoncelos; reduzisse pela metade o número de intrumentos de sopro; e mais alguns outros, para que a orquestra se encaixe no orçamento e no espaço onde irá tocar. Certamente o público ouvinte continuará escutando a execução desses instrumentos nas músicas, porém, não temos como fazer essa nova orquestra (menor) executar partituras com a mesma sonoridade e qualidade da anterior, pois falta-lhe membros, espaço e instrumentos. Assim acontece com os arquivos já comprimidos, que nunca mais voltarão a ter mais qualidade do que pode oferecer aquele nível de compressão em que ele se encontra.

Trocando em miúdos essa conversa toda, queremos dizer que é impossível alguém pegar um arquivo Mp3, por exemplo, e convertê-lo para CCDA ou mesmo para FLAC (ou qualquer outro formato de áudio maior), achando que está melhorando sua qualidade. Na realidade, o que aumentou foi só o tamanho do arquivo; o resto continua do mesmo jeito. Portanto, nunca queira melhorar qualidade de áudio convertendo-o para um formato maior, pois assim você somente perderá espaço no seu HD, nada mais.

Se quiser arquivos de qualidade você terá que já encontrá-los num formato não comprimido na internet, ou, pelo menos, com pouca compressão como os formatos CDDA (CD) e FLAC que citou, além de outros como WAV, M4A, APE, AIFF, etc; ou então ripar o vinil ou o CD já no formato desejado, aí sim! E, como me foi perguntado, para isto, sempre usei o excelente programa "Easy CD-DA Extractor" que cria (grava), ripa (extrai) e converte praticamente qualquer formato de arquivo de áudio em outro. Ele é pago, mas deve existir versões crackeadas na internet para baixar. Mas existem outros, não tão completos.

06 novembro 2014

Saiba Mais Sobre os Formatos de Áudio e Suas Principais Diferenças



Por que surgem?


Há uma infinidade de formatos de áudio. No site File Info, um banco de dados sobre extensões de arquivos, você encontrará centenas deles, como pode conferir neste link aqui. Listaremos aqui, de forma crescente, apenas os mais populares.

Essa grande quantidade de formatos de áudio surgem por interesses de empresas, necessidades de usuários, oportunidade, etc. O MP3 é o mais conhecido porque aliou tamanho pequeno com qualidade boa e se espalhou incontrolavelmente com o Napster. A partir daí, ganhou um público fiel. No entanto, isso não quer dizer que ele é o melhor.

A escolha do formato de áudio depende da sua necessidade. Como você viu, formatos que não sacrificam qualidade requer maior espaço em disco (HD), mas, em contrapartida, são os ideais para fins de backup, para quem tem ouvidos exigentes ou busca uma sonoridade mais avançada ou profissional. Já os formatos comprimidos valorizam a conveniência, a compatibilidade com vários tocadores e o armazenamento de uma quantidade muito maior de músicas num menor espaço em disco.

O áudio digital é a realidade de quase todo usuário de computador. Pela popularização imensurável do MP3 na última década, é comum considerarmos a extensão como a representação de um arquivo de áudio. Mas o fato é que o MP3 é apenas uma maneira de criar arquivos de músicas. Hoje, muitas dessas extensões atestam o avanço e a popularidade da digitalização do som, cada um com suas peculiaridades, vantagens e desvantagens.


O formato PCM - A origem de tudo


Para um melhor entendimento será necessário fazermos uma pequena e rápida teorização da parte técnica. Essa é a sigla para Pulse Code Modulation (Modulação por Código de Pulsos), e esta é a tecnologia mais antiga de digitalização sonora. A história do PCM começa na década de 30, como uma maneira de representar sinais analógicos de maneira digital, ou seja, com suas ondas representadas em intervalos regulares.




Da mesma maneira que um vídeo é de fato uma sequência de imagens fixas, a amplitude, ou seja, a extensão de uma onda sonora digitalizada não é constante. A digitalização sonora envolve basicamente dois parâmetros: taxa de amostra (sample rate) e profundidade de bit (bit depth). O primeiro indica a quantidade de vezes em que a amplitude de uma onda é medida, enquanto o segundo indica o número de bits em cada amostragem. A variação desses parâmetros indica a fidelidade do áudio à gravação.

Esse formato originou as diferentes maneiras de digitalização de áudio. A Sony e a Philips, na década de 70, desenvolveram a tecnologia e criaram o CD, que tem 44100 amostras por segundo (44.1 KHz) e amplitude de 16 bits. Já o PCM com 8 KHz de amostragem e 8 bits de resolução é utilizado no sistema telefônico.


Formatos não comprimidos e comprimidos


Formatos digitais de áudio se dividem basicamente em dois grupos: não comprimidos e comprimidos. Os primeiros garantem qualidade máxima, pois não modificam nenhum bit do original. Em contrapartida, exigem mais espaço. Um CD de áudio utiliza o formato CDDA (Compact Disc Digital Audio) e suporta 80 minutos de música, por exemplo. WAV e AIFF são exemplos de não comprimidos.

Já os formatos comprimidos,como o nome sugere, comprimem dados com o intuito de diminuir o tamanho deles. Formatos como APE, FLAC e M4A são conhecidos como lossless e capazes de comprimir áudio sem perder qualidade.

Outros formatos comprimem ainda mais os arquivos, ganhando muito espaço. No entanto, eles já utilizam o princípio de abrir mão da qualidade absoluta para ganhar mais espaço e comodidade. Uma maneira de conseguir isso é remover faixas de áudio teoricamente imperceptíveis pelo ouvido humano. Há perda de qualidade, mas muitas vezes ela é realmente imperceptível. Por isso, formatos comprimidos são mais populares para o usuário comum. Um exemplo é o MP3. Já os formatos WAV e AIFF são grandes e de qualidade. São dois bons exemplos de formatos não comprimidos.

Formato WAV


WAV é a sigla para Waveform Audio File Format, e foi desenvolvido pela Microsoft e IBM para armazenamento de áudio em PCs. É baseado em PCM e não “sacrifica” dados, portanto exige bastante espaço. Em média, ocupa até 10 MB por minuto. É compatível com praticamente qualquer tocador atual. Pela qualidade máxima, é indicado para edições, mixagens e trabalhos profissionais. Como limitação, arquivos nesse formato não podem ter mais que 4 GB. As extensões comuns são WAV e WAVE.

Formato AIFF


Já o AIFF é a sigla para Audio Interchangeable File Format, e pode-se dizer que é para a Apple (que o desenvolveu baseada em uma tecnologia da Electronic Arts) o que WAV é para a Microsoft. Também baseado em PCM, é um formato não comprimido, portanto de qualidade, mas que demanda espaço. A extensão comum é AIFF ou AIF, mas a lista de tocadores compatíveis é um pouco menor que o formato WAV.


Compressão sem perder qualidade


Há formatos que conseguem comprimir dados sem sacrificar qualidade, caso do M4A, APE e FLAC. Eles são conhecidos como lossless ou sem perda, em tradução livre. Esses formatos são como uma ponte entre qualidade e comodismo, pois são capazes de manter a qualidade original e inalterada em menos espaço do que WAV ou AIFF.

Formato FLAC


É a sigla para Free Lossless Audio Codec, criado em 2003. Como afirmam os desenvolvedores, é como se fosse um ZIP, porém feito especificamente para áudio e com a vantagem de poder ser executado em vários players. Ele também é baseado em PCM, e os dados têm uma espécie de assinatura que permitem a conferência da integridade do arquivo.

Uma vantagem do formato é o cue sheet, ou seja, um arquivo com todas as referências para a divisão de faixas de um álbum. Por exemplo, é possível ripar um CD em um único arquivo, e utilizar o cue sheet para dividir as faixas. O player ou gravador, neste caso, precisa ser compatível com a extensão CUE.

A velocidade de codificação nesse formato é rápida e exige menos processamento em comparação com outros codecs. Ele é não proprietário e pode ser usado livremente. A popularidade do formato cresce com o aumento da velocidade da conexão com a internet. Arquivos FLAC ultrapassam a marca dos 1000 kbps, atestando a qualidade de áudio.

A Extensão APE 


Esta é a extensão do Monkey Lossless Audio File, outra maneira de comprimir áudio sem perder qualidade, que também se descreve como um ZIP para músicas. Tem código aberto disponível, e conta com sistema de detecção de erros e sistema próprio de tags.

Em comparação com FLAC, apresenta melhores índices de compressão, porém requer mais recursos de processamento, de acordo com resultados de benchmarks.

Formato ALAC


Sigla para o formato Apple Lossless Encoder. O MP4 é um tipo de extensão que utiliza esse formato, juntando áudio e vídeo em um container. M4A é uma extensão com as faixas de áudio de filmes com codec MPEG-4.

FLAC, APE e ALAC em média digitalizam áudio com a metade do tamanho do arquivo original, podendo variar entre 40% e 60%. Esses formatos são bons para edição e para usuários que prezam pela qualidade máxima. Uma opção para um backup de sua coleção de CDs, por exemplo. Imagine que você fez toda sua coleção em MP3, e aí percebe que surgiu uma tecnologia melhor? Ao fazer o backup com uma tecnologia sem perda, as cópias permanecem fiéis aos originais independentemente dos avanços. Mas, vale lembrar que esses formatos não são tão comprimidos quanto os que você vai conferir agora.


A conveniência da compressão


Há formatos de áudio que abrem mão da qualidade — até certo ponto — para ocupar menos espaço. São úteis para quem sofre com espaço ou quer carregar mais arquivos em um player, por exemplo. Eles são mais comuns porque, para o usuário em geral, a perda de qualidade não é algo notório.

Formato MP3


Sem dúvidas, o MP3 é o formato mais popular, compatível com tudo o que é software e player de mídia. Criado na Alemanha, o formato utiliza a codificação perceptual, ou seja, codifica somente as frequências sonoras captadas pelo ouvido humano.

O MP3 popularizou o compartilhamento de músicas. A razão do sucesso do MP3 é o fato de conseguir equilibrar bons índices de compressão e qualidade. Há, sim, a perda de qualidade se comparado com o original, mas em níveis praticamente imperceptíveis para a maioria dos usuários. O MP3 chega a criar arquivos com 10% do tamanho de arquivos PCM.

Hoje em dia o MP3 chega ao máximo de 320 kbps. Entre 192 kbps e 320 kbps, a qualidade torna-se quase imperceptível para ouvidos normais. Entre 128 kbps e 192 kbps, ouvidos normais já constatam alguma perda de qualidade quando direcionados a comparar arquivos, mas isso depende muito de quem ouve.

Formato OGG Vorbis 


A  extensão OGG é um formato não proprietário e até mesmo com melhores taxas de compressão que o MP3. Porém, a explosão do MP3 faz com que o suporte e a divulgação para OGG encontre muitas dificuldades. Além disso, o fato de ser código aberto dificulta a padronização do formato.

Os desenvolvedores afirmam que o formato foi desenvolvido para “substituir completamente todos os formatos patenteados e proprietários”. O MP3 é uma extensão proprietária, e esse é o atrativo que o OGG tenta chamar em artistas e gravadoras. De uns tempos para cá, o OGG vem sendo consideravelmente utilizado em jogos.

Formato AAC


Sigla para Advanced Audio Coding (Codificação Avançada de Áudio, em tradução livre) é considerado o mais forte concorrente do MP3. O formato é baseado no padrão MPEG-4 e foi popularizado pela Apple, que aderiu ao formato no iPod e no iTunes, até mesmo vendendo os arquivos de áudio da loja nesse formato, em detrimento ao MP3.

Testes mostram que o formato AAC têm mais flexibilidade do que o MP3, como consequência, maior qualidade de compressão. De maneira geral, o formato AAC tem melhor qualidade em taxas de bit menores (128 kbps, por exemplo).

O AAC não é um formato proprietário, apesar do que aparenta. A confusão se dá pela adoção da Apple, mas não se confirma. O AAC é suportado por dispositivos da Sony, PSP, Nintendo DSi, Xbox 360, Zune, iPod, iPhone, Windows Mobile. Em termos de software, Media Player Classic, BSPlayer, Foobar, AIMP e Winamp são alguns compatíveis.

Formato WMA


Formato da Microsoft, ele tem habilidades de cópias com proteção de conteúdo, em resposta aos problemas de distribuição que polemizam o MP3. É uma tecnologia proprietária com quatro codecs distintos: WMA como competidor do MP3; WMA Pro, mais moderno e com suporte para áudio de alta definição; WMA Lossless, que comprime sem perda de qualidade; e WMA Voice, destinado a conteúdos de voz com codificação em baixas taxas de bit.

O WMA surgiu com a promessa de criar arquivos equivalentes a MP3 com metade do tamanho, porém não vingou. No entanto, em taxas baixas, de 128 kbps, a qualidade dos dois é comparável.
Texto: site Tecmundo
Complementação: Renê

10 outubro 2014

Jovem Guarda - A Versão Brasileira do Rock Internacional



A história começa especificamente com a expressão "Jovem Guarda", que era o nome de um programa da TV Record de São Paulo em 1965, comandado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia, que passou a definir um gênero musical, também conhecido como iê-iê-iê, a versão brasileira do rock internacional.

A Jovem Guarda foi a cristalização de uma tendência bem anterior, pois o rock’n’roll da década de 1950 já havia criado no Brasil um mercado de consumidores e aficionados. Desde 1957 os primeiros cantores e compositores brasileiros do gênero já tentavam reproduzir o ritmo por aqui com letras em português ou mesmo cantando originalmente.

Entre os maiores expoentes desse período estavam os irmãos Tony e Celly Campelo, Sérgio Murilo, Ed Wilson e, em fase pouco posterior, Ronnie Cord e os grupos The Jordans, The Jet Blacks e The Clevers. O trio central – Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia – entrou em cena justamente quando começava a se acentuar a queda de popularidade desses primeiros artistas brasileiros do rock’n’roll.

Em 1961, Celly Campelo decidiu afastar-se da vida artística, enquanto as atenções já se voltavam para a bossa nova. A turma do rock já sobrevivia em poucos espaços no meio de comunicação contando apenas com os programas "Hoje é Dia de Rock", de Jair de Taumaturgo, na Radio Mayrink Veiga carioca, o "Clube do Rock", de Carlos Imperial, na TV-Rio, e "Crush em Hi-Fi", na TV Record, de São Paulo.

Em discos lançados, os sucessos rareavam cada vez mais e Roberto Carlos optou, então, por algum tempo, pela bossa nova, mas Erasmo Carlos e Wanderléia decidiram insistir, tentando divulgar um tipo de musica que, nessa época, já tinha muito de bolero e samba-canção, misturado ao rock’n’roll. No Rio de Janeiro, Ed Wilson, Cleide Alves, Renato e seus Blue Caps também esperavam sua oportunidade.

E foi então o repentino sucesso de um compositor e intérprete paulista que abriu a brecha para o que seria a tal Jovem Guarda, em 1963, com Ronnie Cord, que conseguiu bons índices de venda e popularidade com o rock "Rua Augusta", chamando a atenção do publico e da mídia para os roqueiros, principalmente para as figuras de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, autores de "Parei na contramão". Logo em seguida já veio "É proibido fumar" e "Festa de arromba", da mesma dupla, confirmando assim a existência do mercado nacional para o rock. Foi dessa música que surgiu a idéia do programa de televisão concretizado pela TV Record paulista, na época, grande investidora em musica popular.

Com o nome definitivo de "Jovem Guarda", o programa foi ao ar pela primeira vez em setembro de 1965, reunindo Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia, os cantores Eduardo Araújo, Sérgio Murilo, Agnaldo Rayol, Reynaldo Rayol, Martinha, Cleide Alves, Meyre Pavão, Rosemary e os grupos The Jordans, The Jet Blacks, Renato e seus Blue Caps, Os Incríveis e Golden Boys.

Rapidamente, a Jovem Guarda tornou-se uma das grandes atrações da emissora, reunindo grandes platéias de adolescentes no Teatro Record, mas foi a partir de 1966, com o grande sucesso de Roberto e Erasmo Carlos: "Quero que vá tudo pro inferno", que o programa tomou proporções nacionais e passou a ser sinônimo de movimento ou tendência musical.

Outros artistas se juntaram ao grupo inicial: Ronnie Von, Vanusa, De Kalafe, Deny e Dino, Leno e Lilian, Antônio Marcos, Os Vips, Os Brasões, The Pops, entre outros. Vários compositores de outras áreas começaram então a se interessar pelos ritmos da Jovem Guarda, como Jorge Ben, que passou a frequentar o programa, e os baianos Gilberto Gil e Caetano Veloso, que, aconselhados pela cantora Maria Bethânia, incorporaram ao seu trabalho elementos do iê-iê-iê, como as guitarras que acompanhavam "Domingo no parque" e "Alegria, alegria" no III FMPB, da TV Record, em 1967.

Segundo Erasmo Carlos, foi justamente a "Tropicália" – movimento que Gil e Caetano fundaram nesse período - uma das principais causas do esvaziamento da Jovem Guarda. "A Tropicália – diz ele - era uma Jovem Guarda com consciência das coisas, e nos deixou num branco total". Mas, antes de se extinguir totalmente no inicio de 1969, diluída pela superexposição ao consumo, pelo cansaço e pelo esgotamento criativo de seus participantes, a Jovem Guarda deixou sua contribuição, alimentando vários programas semelhantes na televisão e algumas publicações especializadas.

Além de projetar nacionalmente alguns de seus ídolos, o movimento foi em grande parte responsável pela posterior assimilação de instrumentos eletrônicos na musica brasileira de todas as tendências e pela fusão de informações estrangeiras e dados nacionais que caracterizou a produção musical na década de 1970. No inicio da década seguinte, Léo Jaime, os Titãs, a Blitz e outros interpretes e grupos roqueiros retomaram a musicalidade simples e direta da Jovem Guarda, constituindo a Nova Jovem Guarda.

Em 1995, remanescentes da Jovem Guarda se reúnem para comemorar os 30 anos do movimento e gravam um box de cinco CDs onde recriam os antigos sucessos e fazem uma série de shows com êxito nacional. Fizeram parte deste show: Wanderléia, Erasmo Carlos, Ronnie Von, Bobby de Carlo, Os Vips, Os Incríveis, Martinha, Leno e Lilian, Golden Boys e outros. Ainda em 1995, a Paradoxx lançou dois CDs com vários artistas da Jovem Guarda gravados ao vivo nos shows comemorativos; e, no ano seguinte, a revista Caras colocou no mercado uma coleção de seis CDs e fascículos, contando a historia da Jovem Guarda e com remasterizações das gravações originais.
Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira 

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