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sexta-feira, 16 de maio de 2014

A nossa Copa.

Ocorreu-me ontem, nas conversas de botequim, uma lembrança que vem a calhar.

Em todas as copas, de 1978 a 2002, fui um "anticopeiro" impertinente. Considerava alienante a unanimidade em torno do evento. Com raras exceções nos tempos de Colégio Bom Jesus (em que meus alunos me arrastavam para a festa), durante os jogos do Brasil eu saía caminhando no silêncio das ruas em vez de assistir às partidas pela televisão como praticamente TODOS faziam. As ruas ficavam lindamente desertas. A cidade mudava de cara. Do interior das casas vinham os ruídos da torcida: pelos sons, eu quase via a bola brasileira chegando ou se afastando do gol. Ouvi muito "Filho-da-puta!" gritado coletivamente por trás das janelas enfeitadas de verde amarelo. Eu me sentia sozinho como aquele Charlton Heston das sequências iniciais de "A última esperança de Terra" (1971), mas era bom.

A indignação começou mesmo na Copa de 1978 (quando o goleiro Quiroga do Peru, deixou passar 6 gols argentinos para eliminar da final o Brasil, que acabou como "campeão moral"). Em 1977, o insano general Ernesto Geisel havia lançado o seu Pacote de Abril para assegurar a manutenção da maioria no governo (esse tipo de coisa era própria não só da ditadura, como do governo neoliberal "democrático" de Fernando Henrique Cardoso, que promoveu alterações na Constituição a fim de assegurar um segundo mandato). O país estava realmente uma merda. O desemprego era grande e a rotatividade, maior ainda: os empresários festejavam, porque podiam renovar seus quadros de funcionários pagando cada vez menos pros trabalhadores (eu estava na Fundição Tupy e via isto acontecer). Abandonadas à própria sorte, as famílias agricultoras vendiam a preço de banana as suas terras para os grandes fazendeiros e vinham penar na cidade. Eu via isso. Convivi com isso. Em meio a isso, nós, que éramos contra a ditadura, queríamos discutir política... e o povo queria futebol!

Os anos passaram, conseguimos derrubar a ditadura (por sua própria incompetência e por nosso desejo de democracia) e o futebol permaneceu como objeto generalizado de culto pela maior parte dos brasileiros. Desde 1958, o sonho nacional de uma copa no Brasil (reafirmado por incontáveis pessoas ao longo dos meus últimos 50 anos) está prestes a realizar-se.

Compreendo a irritação contra a Copa da parte daqueles que querem continuar discutindo a realidade brasileira porque a querem melhor. Entendo que os movimentos sociais e os movimentos de esquerda manifestem sua indignação diante dos grandes investimentos no setor. Mas, é preciso recorrer aos dados, é preciso entender que turismo e lazer fazem parte do conjunto de campos de que um país precisa dar conta – o primeiro, porque assegura a circulação e a entrada de divisas; o segundo, porque promove o bem-estar e a saúde, reduzindo os custos do SUS. Além disso, os investimentos na Copa compreendem também investimentos na infra-estrutura (comunicação, estradas, portos, aeroportos), na circulação de bens, na formação de recursos humanos, na geração de empregos etc.

Entretanto, é preciso que as manifestações de esquerda não se confundam com as de direita. Atualmente, o movimento maior anti-copa não é de esquerda; é de direita. São as falanges neoliberais querendo retomar o poder que perderam em 2003. Para isso, precisam a qualquer custo e irresponsavelmente, desmoralizar o governo atual e impedir que a Copa ocorra competentemente, de modo a obterem nas eleições o voto da população frustrada. Mas, com isso, emporcalham impiedosamente a imagem do Brasil no mundo. Arrotam agora, contra o governo popular, o que deviam ter arrotado contra seus próprios governos incompetentes, na ditadura e depois. O Brasil e os brasileiros, entretanto, são muito melhores do que os neoliberais pensam.

O fato de que a gestão desse evento funcione segundo um modelo que essas próprias falanges querem adotar para o Brasil não neutraliza sua utilidade para nós. Não está em poder do Brasil consertar a FIFA e libertá-la de sua ganância, de suas deformações políticas ou racistas e de suas conexões mafiosas. Mas, o Brasil pode, sim, aproveitar esse evento para consertar um pouquinho a sua história presente. É isto, felizmente, que o governo – apesar de sua timidez e de seus senões – está fazendo: tornar a Copa um evento importante não para a FIFA, mas para o Brasil.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Carta aberta.

Escrevi este texto para ser publicado no jornal. Mas, acabou muito longo e não tive paciência para enxugá-lo sem truncar o conteúdo. Aqui, está, portanto, neste espaço de plena liberdade de ideias... e de número de caracteres. ;)

Caro Apolinário

Borges de Garuva

“O fim de um mundo”, diz Alain Touraine, “não é o fim do mundo”. As grandes mudanças paradigmáticas por que tem passado a humanidade não significam tragédias, necessariamente.

Teu artigo “Estado de indigência” (A Notícia, 16/01/2011) parece um grito desesperado de alguém que estivesse ficando para trás, que submergisse inexoravelmente no mar da História, impotente diante das novas forças que se levantaram para redefinir os cenários da vida política, econômica e social. O povo (“subserviente”, como dizes) acabou finalmente decidindo – sem armas, sem violência, assim, meio na base do jeitinho brasileiro – que os rumos tinham de ser outros.

O Brasil, Apolinário, não é diferente de outras nações. Cada qual a seu tempo, elas foram arrancadas – pela força imperiosa do povo (“capado”, como dizes) – da paralisia histórica que as entrevava, para serem vertiginosamente encaixadas nos trilhos da mudança que as transformou para sempre. Foi assim, nos últimos séculos, com a Revolução Francesa e também – por que não? – com a Revolução Bolchevique, que acabou com os czares que vinham mantendo a Rússia 200 anos atrasada em relação aos outros países da Europa. Tem sido assim em muitos países dominados por oligarquias insensatas que mantêm sua gente, por séculos, em estado de escravidão ou de colônia – e que de repente se vêm no mato-sem-cachorro, tendo de abandonar as riquezas ilegitimamente acumuladas e fugir, na calada da noite, com o rabo entre as pernas, para algum paraíso fiscal deste grande mercado em que se transformou o planeta.

Pois, no Brasil, caro historiador, não foi diferente – a não ser pelo estilo: aqui, o povo (“subserviente e capado”, como dizes) foi chegando devagarinho ao poder, foi entendendo que podia, que tinha lá o seu mecanismo de governar por meio de representantes, acatando princípios republicanos e democráticos e, empunhando a arma do voto, elegeu um operário e, agora, uma mulher, que, para infelicidade tua e de teus pares, não pertencem às oligarquias que sempre nos mantiveram subservientes e capados. O resultado foi muitíssimo melhor que o esperado, apesar das más heranças que temos tido de enfrentar (tu mesmo és testemunha: lembras dos tempos das “marolinhas” de que tanto tiraste sarro?).

Por mais que o governo popular não seja aquele sonho revolucionário que alguns desejariam (mesmo porque, ao que parece, já não estamos em tempos de revoluções febris), é, sim, a marca de uma grande mudança de paradigma na história do Brasil: embora não tenham ficado para trás definitivamente, as velhas oligarquias parece que se tornaram repentinamente obsoletas, ainda que seus cantos de cisne moribundo ecoem aqui e acolá, inclusive em vozes como a tua.

Teu texto lembra os discursos da minha juventude, nos bares da vida, em que, já avançada a madrugada, falseávamos estatísticas, conceitos, princípios, datas, fatos históricos e brandíamos acusações furiosas contra tudo e contra todos, com a facilidade irresponsável que a embriaguez nos facultava.

É isto: teu texto é falaz e irresponsável. Desabona inclusive os esforços mais sérios da resistência conservadora contra os avanços inegáveis do governo popular, que só não vê quem não quer... ou que não pode.

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Leia também Histeria apocalíptica

sábado, 23 de outubro de 2010

Porque voto na Dilma 13.

Nada tenho contra a pessoa do Serra e sim contra o projeto de governo que ele representa (PSDB+DEM). Ele seria a continuação da “Era FHC”: dívida externa, empréstimos do FMI, privatizações, salário abaixo de 100 dólares, 30 milhões de excluídos, enorme desemprego etc.

Prefiro a DILMA para continuar a proposta de Lula, que vem governando PARA TODOS, reduzindo o número de excluídos, valorizando nossa produção, despertando o respeito pelo Brasil, dando poder de compra ao salário mínimo (agora a mais de 300 dólares), reduzindo radicalmente o desemprego, criando novas universidades, facilitando o acesso através do Prouni etc.

Não é que o Brasil não tenha de mudar. Tem, sim - e DILMA sabe que mudanças precisam ser feitas e onde precisamos ser mais enérgicos na economia, nas reformas, no controle da dívida pública etc. O que não podemos deixar é que se interrompa agora um processo que vem colocando o Brasil no caminho de um desenvolvimento saudável, que não beneficia apenas o capital (como sempre quer o DEM - agora com Serra), mas TAMBÉM o trabalhador, as pessoas, todos os brasileiros.

Voto em DILMA para apoiar a continuidade de uma gestão que investe em políticas públicas que tiraram o Brasil da miséria e está provando que é possível um país em que o desenvolvimento possa acontecer de modo mais sustentável, mais saudável para todos, inclusive para o ambiente.

Claro, não foi possível nas duas gestões de Lula fazer milagres. Muitos dos erros brasileiros têm 500 anos. Outros vêm dos tempos do Império, das repúblicas titubeantes do século passado. MUITOS E ENORMES erros vêm dos 20 anos da ditadura militar. Há erros mais recentes, dos primeiros governos democraticamente eleitos...

DILMA está preparada para continuar investindo na solução desses erros: além da sua experiência como gestora pública nos governos do PT em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, responde desde o início do governo Lula por um dos mais importantes ministérios da República.

Então: o Brasil deve crescer PARA TODOS? DILMA 13 no dia 31!!!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Carta de Charles Narloch a Gert Fischer (*)

Caro Gert,

Leio seus artigos há muito tempo, desde que cheguei nesta cidade, e respeito-o muito por sua dedicação e paixão à preservação ambiental, dentre outras ações importantes que você se dedica com afinco. Não tenho o privilégio que você tem de poder apresentar-me como “cidadão nascido e morador” desta terra e, mesmo que fosse, talvez não considerasse este fato relevante, diante do aspecto pluralista que - ouso afirmar - qualquer cidade democrática deveria considerar para pensar seu desenvolvimento e registrar sua história, feita por cidadãos natos e migrantes, sem qualquer hierarquia de importância.

Concordo em alguns aspectos com seu artigo sobre o tombamento de casas antigas, principalmente no tocante aos proprietários que têm nas mesmas sua moradia e, muitas vezes, único bem da família. Lamento por você não estar acompanhando mais de perto o trabalho que vem sendo realizado pela Fundação Cultural, no sentido de corrigir injustiças.

Uma das prioridades do governo Carlito Merss foi ouvir a sociedade quanto à política de preservação do patrimônio cultural. Durante todo o ano de 2009, dois projetos de lei foram cuidadosamente avaliados e revisados por mais de quinze instituições diferentes, reunidas numa comissão especialmente nomeada para este fim. Nas próximas semanas, tais projetos de lei serão reenviados à Câmara de Vereadores, após receberem o devido aval do Conselho da Cidade. Os projetos já haviam sido encaminhados à Câmara em 2007, na gestão do então vice-prefeito Rodrigo Bornholdt, mas foram retirados pela Prefeitura Municipal em 2008.

Entretanto, manifesto aqui minha tristeza e estranhamento diante das opiniões expressas em seu artigo, principalmente reconhecendo sua atuação incontestável como forte defensor e militante da preservação ambiental e como companheiro do partido que faço parte, o PDT. Considero suas afirmações - sobre o processo de inclusão de bens a serem protegidos - um tanto preconceituosas e desrespeitosas com inúmeras pessoas que, como você, têm importantes trabalhos realizados por e nesta cidade.

Talvez você não saiba, mas essa “rapaziada” ou “essa juventude que gosta de um baseado” (termos que você adotou em seu texto para referir-se aos membros da Comissão Municipal de Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Natural) são profissionais respeitados, das mais diversas áreas, representantes do poder público e da sociedade civil, alguns deles com a experiência e vivência da idade que, imagino, você considera ideal.

O curioso e paradoxal, pelo menos para este que lhe escreve, é que muitas vezes ouvi e continuo ouvindo, como referência a você e seu indiscutível trabalho pela preservação ambiental, exatamente as mesmas críticas que você faz, com os mesmos termos que você usa em seu artigo. Da mesma forma, sempre defendi sua atuação e discordei com os que assim se referem a sua pessoa e sua atuação. Talvez você tenha esquecido que algumas pessoas ainda consideram as leis de preservação ambiental - que tanto você quanto nós defendemos - como “arcaicas, injustas, insensíveis e babacas”, apenas para relembrar os termos que você usa em seu texto para se referir às leis de tombamento.

Imagino também que talvez você não saiba que os imóveis mais polêmicos quanto a sua necessidade de preservação - não apenas em Joinville, mas em todo o Brasil - não têm sido aqueles de propriedade de pessoas idosas que neles residem. A fúria contrária à preservação do patrimônio cultural vem geralmente do mercado imobiliário, do mercado da construção civil e, na maioria das vezes, de investidores que não dependem diretamente daqueles imóveis para sua sobrevivência. Os mesmos, portanto, que mais se irritam com as políticas de preservação ambiental.

Sobre a Rua das Palmeiras, que segundo você “impede a circulação de pessoas normais”, salientamos que há um projeto elaborado pelo IPPUJ, com o apoio da Fundação Cultural, que prevê a reabertura da mesma em toda sua extensão (como era na originalidade), bem como a requalificação da área, com recursos do Governo Federal. E quanto às casas preservadas que hoje estão abandonadas naquele local - inclusive as que sofreram com os incêndios recentes - é prudente esclarecer que as mesmas não são utilizadas como moradias de seus proprietários, de longa data.

Como diretor executivo da Fundação Cultural de Joinville, convido você e qualquer outro interessado a nos fazer uma visita para conhecer os projetos de lei que oferecerão uma série de benefícios aos proprietários de bens tombados (deduções e isenções de impostos e taxas, transferência do direito de construir, fundo municipal e mecenato). Nosso presidente, Silvestre Ferreira, e nossa gerente de patrimônio cultural, Elizabete Tamanini, certamente terão muito prazer em atendê-los.

Grande abraço,

Charles Narloch

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(*) Em resposta ao texto de Gert Fischer, Casas tombadas - um horror para os proprietários

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Relatos de São Leopoldo 2


O segundo dia do Fórum Social 2010 em São Leopoldo abriu com uma interessante e bem-humorada exposição de Carlos Baráibar, veterano senador do Uruguai, que falou da Frente Ampla - uma articulação exemplar de TODOS os partidos da esquerda (mais do que uma coalizão, trata-se de um movimento político de esquerda), que, segundo ele, funciona com o mesmo Código de Compromisso de Conduta Política desde que foi criada, em 1971. Desde então, o Código nunca foi contestado nem modificado e somente um único partido, em todos estes anos, acabou deixando a Frente, porque bandeou para a direita.

Na mesma mesa, estava a dramaturga uruguaia e atual assessora da Diretoria de Cultura de Montevidéu. Em sua fala, lembrou que a unidade da esquerda não é questão tática, mas estratégica e sugeriu que, para neutralizar a ação da imprensa comprometida com interesses conservadores, no Uruguai as redes eletrônicas foram fundamentais nas últimas eleições e estão provocando uma revisão geral na prática de militância dos 700 comitês de base da Frente Ampla.


A segunda mesa tratou do tema Os governos locais e a Convenção da Diversidade. Houve consenso entre os participantes de que a Convenção produziu frutos interessantíssimos em todos os países, especialmente no Brasil, onde um Ministério da Cultura cada vez mais fortalecido nos últimos anos, tem conseguido implementar uma política voltada para o reconhecimento e o estímulo à diversidade cultural que caracteriza o país.

Também no Peru, segundo Luis Repetto, ex-ministro da cultura daquele país, as políticas públicas contemplando a diversidade tem produzido bons efeitos. Lembrou a importância que teve e tem a Carta Iberoamericana de Cultura.

(Continua.)


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Carta aberta ao prefeito eleito de Joinville

Caro Carlito:

1

Amenizada, enfim, a euforia destes primeiros dias da vitória, venho cumprimentar-te pela escolha que 62,15% dos joinvilenses fizeram do teu nome para seu prefeito – o que já sabíamos que haveria de acontecer mais cedo ou mais tarde, tanto por tuas idéias e por tua atuação parlamentar, quanto pelos apoios e pela confiança que vieste cumulativamente agregando ao longo dos anos.

Foste assim escolhido para inaugurar uma nova etapa na história da cidade, cujos destinos têm sido marcados preponderantemente pelos interesses dos grandes empresários da indústria e do comércio. Parece haver chegado a vez também dos trabalhadores, dos agricultores, dos pequenos empresários, do setor de serviços, dos agentes culturais, dos professores – da população, afinal, também dizer que destino quer ter.

Sabemos que os bons frutos de qualquer mudança só podem ser alcançados a médio e longo prazos, com a devida persistência e com a generosa paciência nascida da compreensão de que, como sociedade, precisamos ainda aprender a gestão coletiva. Esta paciência e compreensão tu tens e eu confio no futuro de Joinville.

2

Acaba de chegar ao meu conhecimento a informação sobre a existência de um abaixo-assinado propondo meu nome para a presidência da Fundação Cultural. Já há dias tomei conhecimento de referências no mesmo sentido, publicadas em colunas sociais e no blog de um comunicador da cidade, também teatreiro e amigo meu, Robson da Conceição.

Realmente, sondado sobre uma possível indicação para presidir a FCJ, deixei claro que o meu interesse é o mesmo de qualquer cidadão atuante e preocupado com a nova gestão. Porém, se, por um lado, me disponho a assumir o compromisso caso seja convidado, por outro, tenho plena clareza de que a composição do quadro deve responder a interesses estratégicos, visando a efetivação do plano de governo.

Portanto, gostaria de dizer-te explicitamente: na minha opinião, tu és livre para adotar critérios de escolha que consideres importantes para o futuro da gestão. De minha parte, saberei compreender e defender, se preciso for, as tuas decisões.

3

A movimentação que está acontecendo no âmbito da cultura encontra correspondentes em outros campos e me parece bastante positiva: reflete desejo de participação.

Senti-me lisonjeado em saber que pessoas me indicaram para o cargo e este sentimento também me despertou um senso de responsabilidade diferente: fez-me entender que já somos governo, que as decisões já começam a depender de nós, que há interesses a serem considerados na tomada dessas decisões.

A partir disso, a consideração mais importante que tenho a fazer-te é a seguinte: onde quer que eu esteja (dentro ou fora da administração, no Ielusc ou na minha produção pessoal, em Joinville ou fora dela), a municipalidade poderá contar com uma disponibilidade da minha parte que não fui capaz de oferecer às outras administrações: agora entendo o projeto; agora sei onde queremos chegar; faço parte do sonho – não necessariamente como funcionário do município, mas como cidadão.

Torço, assim, para que não venham a ser tão difíceis as tuas escolhas na composição do governo e no processo de transição. Darei toda colaboração possível ao futuro Presidente da FCJ e, enquanto cidadão, atuarei dentro de todas as minhas possibilidades como um defensor do plano Joinville para toda a sua gente.

Grande abraço!

Borges de Garuva

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O PT no governo de Joinville.

Não era sonho: era certo que haveríamos de chegar. Desde 1982, voto no Partido dos Trabalhadores. Elegi vereadores, deputados, duas senadoras e um presidente da república. Nunca me filiei, até fins do ano passado, quando tomei a decisão de assumir mais de perto o debate e a participação política.

Finalmente, chegamos ao governo. Tenho certeza de que no mandato de Carlito Merss a cidade vai aprender o modo petista de gestão participativa.

De minha parte, atuarei como um cidadão de verdade (como ainda não pude ser em Joinville), sabendo que minhas contribuições serão aproveitadas para benefício não de interesses pessoais do grupo no poder, mas da comunidade.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

As FARC e a Colômbia de Uribe.

 

Não é fácil para nenhum de nós que não somos especialistas em política acompanhar a evolução dos acontecimentos do nosso tempo. Mas, algum esforço é preciso fazer para não ficarmos dizendo sim a toda bobagem que a grande mídia vomita nos nossos ouvidos.

O recente caso, em que a Colômbia tentou comprometer o governo brasileiro por sua ligação com as FARC é um exemplo típico de tramóia midiática (aquilo que chamei ontem de tráfico de opiniões), que Elaine Tavares, jornalista do Instituto de Estudos Latino-americanos da UFSC, analisa no seu artigo Farc - verdades e mentiras do front, publicado às p. 6 e 7 do Anexo de A Notícia, neste domingo, 17/08/2008.

domingo, 17 de agosto de 2008

Traficantes de Opiniões.

É isto!Acabei finalmente de descobrir um termo adequadíssimo para conceituar certos órgãos de imprensa. A idéia me veio depois de uns procedimentos clandestinos cometidos por El tiempo, de Bogotá, mas aplica-se também à Veja e seus/suas congêneres: traficantes de opiniões.

Registrada a idéia e guardada, vou ao futebol e depois explico a lógica da coisa.

sábado, 16 de agosto de 2008

Em tempo de eleição (1)

 

À medida que as eleições se aproximam, as conversas vão esquentando em torno das candidaturas e das perspectivas do futuro governante do município. Não tenho tido tempo, até agora, para argumentar. Mas, vasculhando minhas pastas, selecionei alguns textos que podem contribuir para o debate. Vou publicá-los aos poucos aqui no BGlog, entre uma que outra postagem.

 

Histeria apocalíptica

Borges de Garuva
(escrito para o jornal A Notícia, em 29/07/2007)

O texto de Apolinário Ternes (O país do apagão, 29/7/07, em A Notícia,) reflete um descontentamento raivoso para com o governo que ajudei a eleger.

Como o irônico Celso Rangel (O PT é nossa salvação – idem, ibidem), gostaria que, no governo, o PT pudesse pôr seus sonhos em prática. Mas, só ingênuos imaginariam que a proposta do PT ganhasse as eleições ou que pudessem seus eleitos governar para além de uns meses. O PT precisou vencer dois obstáculos: por um lado, o medo do comunismo (que as elites alimentaram durante o século passado, assessoradas por governos e igrejas a seu serviço) e, por outro, o terror dos abastados de perder o monopólio do lucro. Esses obstáculos se expressavam de duas maneiras notórias: o risco Brasil e a tal incapacidade de Lula para o governo.

Para isto, a corrente majoritária do PT abriu-se, estrategicamente, às parcerias e, ao longo de três campanhas, o candidato “ignorante” tornou-se um diplomata. Coligado com um representante respeitado do empresariado nacional, conseguiu com facilidade histórica chegar ao poder.

Não era precisamente o governo com que sonhávamos, mas continua sendo a opção mais próxima. Desviou o foco das minorias abastadas e, procurando um crescimento menos vertiginoso mas mais sustentável, curou alguns dos nossos males crônicos, dando acesso à cidadania para porções mais amplas da população.

Caos? Em que momento de nossa história não houve caos? Em que momento não estivemos perto de algum apagão? Com os militares – é isto que querem dizer?

Parece que uma histeria coletiva tomou posse de um certo segmento da população, alimentada por Globos, Vejas, Estadões, Folhas etc. Uma histeria doida, que parece cegar os analistas conservadores. Uma histeria que (tiro pela culatra) vem aos poucos convertendo em heróis mesmo aqueles que mereceriam críticas por sua incompetência ou punição por seus crimes contra o patrimônio público.

Apagão? Ora, infra-estrutura não é só logística e energia. Há 20 ou 30 anos, investiu-se na tal da infra, sim, mas em detrimento de outros setores básicos, cujo colapso gerou um país complicado de se governar. Pois esses investimentos, beneficiavam segmentos que já detinham o poder econômico e queriam ampliar seus lucros.

De reivindicações assim nasceu o projeto de revitalização dos terminais aeroportuários, por exemplo: seus usuários exigiam conforto. E o número e o tamanho das pistas tiveram de permanecer os mesmos, já que o orçamento público não pode satisfazer a todas as demandas de um único setor.

Para conter exigências assim, o governo precisa de autoridade. Também precisa de autoridade para controlar a economia dos lobos, cujo desejo é sempre, como dizia Norberto Bobbio, viverem livres entre suas apetitosas ovelhinhas. A arrecadação cresceu? Óbvio. Ela possibilita investimentos na infra-estrutura física e social: impostos são uma forma de repartir a riqueza (gerada sempre com recursos da coletividade – matéria prima, energia, mão de obra e know-how), distribuindo-a um pouquinho para todos os companheiros, isto é, para o brasileiros.

Caos? Caos era antes. Agora temos um projeto de governo popular – frágil, sabemos, carecendo de ajustes, de mais coragem para vencer os obstáculos da história nacional e os empecilhos que os privilegiados criam à sua efetivação e de ágil lucidez para desmontar a máquina midiática que o ameaça. Mas, o projeto existe e está sendo implementado. Seus efeitos se fazem sentir no “cansaço” das elites, que agora resolveram botar-se histericamente em passeata pelas ruas, convocadas pelo dondoca João Dória Júnior, apoiador do Alckmin.

Neste projeto, que não é do PT mas de um conjunto de partidos, abrem-se espaços efetivos para que os cidadãos generosos possam trabalhar pela coletividade e não apenas por seus próprios interesses. Pois os interesses de cada um devem inspirar-se no interesse de todos.

Não: nosso tempo não é de apocalipse, mas de gênese.

 

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Desaparecimento provisório

Não se preocupem, amig@s: o fato de estar tão paradinho este meu blog não significa que sumi ou que abandonei o interesse pelas coisas e o gosto pelas escrituras. Projetos mais urgentes chamam-me e, por outro lado, a falta do hábito de escrever regularmente para a rede me afasta deste canal. (Pela manhã, em vez de escrever, leio os jornais enquanto como as frutas.) Aos poucos, aprendo. Enquanto isto, observo e/ou produzo:
  • a negociata franco-ianque para a "libertação" do cabo-eleitoral (ou seria caba?) Ingrid Bettancourt;
  • um desconforto indefinível em relação a temas sobre os quais tenho a impressão de que já tive mais clareza (a Amazônia, os índios brasileiros, o patrimônio histórico, a segurança);
  • as eleições que se avizinham;
  • a coleção de crônica da Cena 5, enfim chegando à sua forma final;
  • a expectativa em relação aos (novos) parques da cidade;
  • a Casa Brasil Joinville/Sul, que me fascina e cuja operacionalização está sendo um desafio;
  • a Revi, que passa por uma revisão de projeto e de tecnologia;
  • o sonho da fundação que será mantenedora do Centro Cultural Deutsche Schule e que vai contribuir para a vida cultural e educacional de Joinville;
  • projetos do Compassolivre e da Metamorfose Cia. Cênica;
  • a Acinej que se acende nas mãos de Alceu Bett e outros colaboradores;
  • a irritação contra o entregador de A Notícia, que joga quase todos os dias o jornal sobre minhas plantas (e, se eu estiver passando por ali, contra a minha cabeça)... deve ser de raiva por ter de acordar tão cedo pra me entregar o exemplar diário);
  • umas saudades de Caroline Liza, que está em Perugia, colaborando no Umbria Jazz, onde se apresentarão, entre outras maravilhas, Caetano Veloso e Cassandra Wilson.
  • o Festival de Dança que começa a esquentar a expectativa;
  • uma irritação cheia de enfado em relação à PNL e suas derivações;
  • etc.
  • etc. E assim caminho eu com a humanidade. Volte. E, se bater a inspiração ou a saudade, m' escreva!