Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Sanches. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Sanches. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A Palavra dos Outros: Earth 2



tem aqui a segunda participação na rubrica "A Palavra dos Outros". Depois do Manhua (Banda Desenhada chinesa)


Antes de mais quero começar por dizer que sempre fui um leitor Marvel. Sempre li muita coisa que adorei da DC, mas a minha droga mensal predominantemente vinha da casa das ideias. Quando era miúdo, X-men, Superaventuras Marvel, Heróis da TV, Conan, e até o Aranha (colecção do meu irmão) eram tão importantes para mim como alguns membros da família. É claro que também tinha contacto com a DC, mas agora que olho para trás, reparo que se resumia principalmente a mini-séries, e eventos especiais que eu gostava bastante, mas que não me levavam a seguir os personagens mensalmente. A única excepção foi a brilhante Liga da Justiça de Keith Giffen, a única BD (juntamente com a colecção do Conan) que sobreviveu aos tempos em que vendia BD sempre que precisava de dinheiro na adolescência.
A razão desta introdução é para perceberem que comecei a ler Earth 2 sem saber nada ou quase nada dos seus personagens, e que portanto, alterações aos personagens que possam ter ofendido antigos leitores, a mim nem sequer me ocorreram.


Earth 2 – New 52

Este mundo não é aquele que conhecemos. Super-Homem, Batman, e a Mulher Maravilha caíram a impedir uma invasão de Apokolips. Alguns continentes foram devastados e o futuro é mais incerto do que alguma vez foi. E agora?
A premissa é mais ou menos esta. A mim, agarrou-me.

Para começar vou falar da arte. Espectacular. Das raras vezes que pego em revistas de super-heróis é isto que espero. Arte cheia de pormenor mas ao mesmo tempo extremamente expansiva. Nicolla Scott, na minha opinião, fez também um trabalho excelente no que toca a modernizar o aspecto dos personagens. Jay Garrick tem um novo design que na minha opinião está muito bom. A arte é de qualidade extremamente alta e consistente e conseguiu-me fazer nunca largar a história que estava a seguir. Quero só também referir o layout das páginas. Quantas vezes neste tipo de BD vemos o artista, por muito bom que seja, a enfiar tanta coisa numa página que não sabemos para onde olhar primeiro, ou que nos tira o contacto com o que se está a passar. Pois bem, com Nicolla Scott isso não acontece. Esta série está cheia de potenciais posters ou walpapers para o desktop mas o sentido de design do artista trás ordem a tudo e nunca nos deixa a vaguear pela página. Como disse, é isto que espero de uma revista de super-heróis bem feita.

 Em relação à história, e aqui é que parecem estar os problemas para os leitores mais antigos, até agora estou a gostar bastante. Sim, Alan Scott é gay, mas pensei que fosse algo focado nos livros, visto ter lido tanta revolta sobre isso. No entanto, essa parte da história é quase, aliás, é menos do que uma nota de rodapé. Dos vinte e poucos números que li, isso nunca é algo focado ou sequer importante para a história. Pelo contrário, o que é focado é um tipo de Lanterna Verde que eu não conhecia e que adorei. Uma força da natureza que depende do planeta para sobreviver e que tem um sentido de vingança enorme. Adorei mesmo.

Jay Garrick foi o outro personagem que me agarrou a esta revista desde o principio. Tem um idealismo e uma forma de estar que é raro ver-se no mundo de hoje. Faz o bem porque, bem, porque é o que é suposto fazer-se. Não percebe sequer que possa ter outro tipo de comportamento. Um benfeitor algo ingénuo, mas não iludido, que nos ganha com essa simplificação de tomada de decisões. James Robinson conseguiu pegar numa característica que quase sempre dá uma dimensionalidade óbvia ao personagem e tornou-a em algo que a fortalece em termos de interesse perante todas as outras que a rodeiam.

A série tem um ou dois pontos fracos, mas irrelevantes e sem peso nenhum quando comparados com os pontos fortes. A DC agarrou-me com o que se está a passar na Earth 2. É algo a não perder sem duvida. Não sei se o resto dos Novos 52 estão com esta qualidade, mas se estiverem, a Marvel tem de melhorar o que anda a fazer e depressa.


Texto:




O também possui um blogue onde coloca os seus desenhos e pinturas. Façam uma visita para o conhecerem melhor!

A Tartaruga Celeste

Boas leituras

terça-feira, 1 de abril de 2014

A Palavra dos Outros: Feng Shen Ji


Hoje temos uma estreia na rubrica "A Palavra dos Outros". O seu nome é Luís Sanches e traz-nos uma novidade por aqui:
Manhua!

Penso que ainda não tinha dado entrada aqui no LBD nenhum Manhua (Banda Desenhada chinesa), assim sendo... obrigado Luís Sanches!
:D

Feng Shen Ji (BD proveniente de Hong Kong)

Num mundo em que a presença de Deuses com super-poderes é constante, os reinos humanos prestam-lhes vassalagem. A diferença de poderes entre os Deuses e os humanos é tão grande que não existe sequer conflito entre as duas raças. O destino de quem se rebela contra os Deuses é sempre o mesmo. Escravatura e morte. Esta é a história de um principe que se revolta contra os Deuses e tenta se libertar das suas garras.

Toda a premissa é cliché, certo? E quando vi a capa deste Manhua (ou BD chinesa) pensei seriamente em não olhar para ela uma 2ª vez. Felizmente, olhei. E depois de ler as primeiras páginas, não consegui parar. Feng Shen Ji, do artista chinês Zheng Jian He, é entretenimento do mais viciante. Tudo nesta BD é épico. Para quem gostou do DragonBall, imaginem o mesmo mas na versão adulta. Esqueçam a comédia e os momentos agradáveis. Neste mundo é tudo a doer e os combatentes são o mais mortais possiveis.


Bem, mas comecemos pelo tipo de argumento. Não existem grandes estudos psicológicos de personagens. O personagem principal vai evoluindo lentamente na sua forma de ser e de ver o mundo e os outros, mas esta BD foca-se mais na acção do que na introspecção. Claro que todos os personagens têm as suas motivações mas a realidade é que são tudo sentimentos básicos e que disso não passam. Não pensem que isto tira o gozo ao percurso caminhado pela narrativa pois é o contrário. Passamos várias páginas em batalhas e não reparamos que já passaram dezenas (de páginas) quando essa batalha chega a algum tipo de conclusão. Muito importante, ao contrário do que se passa em muita BD Oriental, estas páginas de batalhas não são gastas com diálogos internos entediantes. Pelo contrário, a grande maioria das vezes é a acção que se propaga. Pode parecer um pouco estranho e dar a sensação de que já vimos este tipo de coisa antes, mas imaginem um blockbuster de Verão, cheio de acção, pipocas, e lutas. Uma pitada de poderes estranhos como no DragonBall, e a violência e o tom mais sombrio do filme Ong-Bak. É mais ou menos assim Feng Shen Ji.




Passemos à arte. Todas as páginas são a cores, o que não estou habituado numa publicação asiática deste género. Estranhei um pouco essa diferença a principio, mas a arte realmente entranha-se. Não sofre da generalização facial que tantas vezes acontece nas BDs do Oriente. Os layouts das páginas são do mais fluído possivel e são incriveis tanto o movimento como a energia conseguida nas batalhas. Os diversos cenários porque vamos passando dão-nos a sensação de que estamos a presenciar uma odisseia. Também as personagens têm todas uma silhueta muito própria. Especialmente o design dos Deuses é mais atento no pormenor do que muitos jogos de computador. Cheng Kin Wo e Tang Chi Fai, os artistas deste Manhwa, não aparentam ter qualquer tipo de fraqueza na sua arte.

Se quisermos ser mesmo muito picuinhas podemos dizer que algumas faces são demasiado simplificadas, mas pessoalmente atribuo mais isso ao estilo cultural em que a BD se insere do que à capacidade do artista. Por fim, as cores parecem ser mesmo pintadas. Claro que devem ter sido feitas digitalmente, mas muitas vezes aparentam simular pintura tradicional e isso é algo que raramente se vê. Muitas vezes a pintura tradicional pode resultar numa dinâmica mais estagnada, mas como disse atrás, isso não acontece aqui.


Uma menção especial vai aqui para as onomatopeias que são autênticas obras de arte. Não em termos de prosa, pois não percebo o que dizem, nem em termos estéticos, mas sim em termos de design narrativo. Se o layout nos faz-nos entrar no ritmo alucinante das batalhas, estas onomatopeias lembram-nos, muitas vezes inconscientemente, que por trás de toda aquela côr e de toda aquela acção, há ossos a serem partidos, corpos a serem cortados, e personagens a morrer. Apesar de haverem onomatopeias que vão do topo da página à sua base, nunca as mesmas se tornam intrusivas, muito pelo contrário, ajudam a fazer a moldura da narrativa muito mais rica.

Em resumo, Já há muito tempo que não lia algo que desse tanto gozo.. Claro que temos de estar numa certa sintonia para lermos algo assim. Mas se vos estiver a apetecer acção, uma história épica, e muitas páginas que merecem ser apreciadas algumas vezes, Feng Shen Ji é a BD ideal para se deliciarem. Experimentem só ler (da direita para a esquerda) as 8 páginas seguintes e digam lá se não ficam com vontade de ler mais :)

Texto:










































































































O também possui um blogue onde coloca os seus desenhos e pinturas. Façam uma visita para o conhecerem melhor!

A Tartaruga Celeste

Espero que venham mais textos!
:)

Boas leituras

Disqus Shortname

sigma-2

Comments system

[blogger][disqus][facebook]