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sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Palavra dos Outros: Warren Ellis por Paulo Costa



Hoje Paulo Costa traz-nos um autor: Warren Ellis.
Este argumentista inglês influenciou bastante os comics norte-americanos, e porque não dizê-lo, foi visionário na abordagem ao tema super-heróis com Planetary e Authority. Poderão ler as minhas críticas clicando nos links atrás mencionados.
O título do texto é "Futuros que Nunca Foram" e penso que Paulo Costa acertou em cheio. Warren Ellis é um verdadeiro criador de mundos novos que nunca existiram!
Fiquem com as palavras de Paulo Costa:


Futuros que Nunca Foram

Descobri Warren Ellis nas revistas da Marvel no tempo da Editora Abril/Controljornal, com algumas histórias dos Excalibur e o crossover em que Doom 2099 conquista os Estados Unidos, mas só comecei a prestar-lhe atenção um ou dois anos depois, quando comecei a ler revistas em inglês. Por coincidência, foi na mesma altura que vi um anúncio na Wizard sobre a revista Transmetropolitan, sobre um jornalista de investigação, Spider Jerusalmen, num futuro próximo onde as “information clouds” são moveis e servem para guardar consciências e não informações, onde híbridos alien/humanos andam na rua, e onde gatos de duas cabeças gostam de fumar. O verdadeiro comentário, no entanto, dizia respeito à política, nomeadamente as diferenças entre os Republicanos e os Democratas e a futilidade de um sistema de divisão rotativista de poder disfarçado de democracia.

Ao mesmo tempo, Ellis redefinia o conceito de super-herói nas páginas de “Stormwatch”, que atingiu o zénite quando a revista passou a chamar-se “The Authority”. Mas este é um tema que quero desenvolver noutra oportunidade. Nesta fase, em que escreveu durante vários anos para os escritórios californianos da DC Comics (a extinta editora WildStorm), Ellis fez vários comentários sobre tecnologia, globalização, governação e cultura pop.
Mais recentemente, o escritor inglês fez da Avatar Press a sua casa, começando com uma série de mini-séries de terror com uma roupagem de aventura militar, denominadas “Strange Kisses” e “Strange Killings”, depois reformatadas como “Gravel”. Estas nunca me chamaram muito a atenção, ao contrário de outras séries mais dentro da temática de ficção científica.

Em 2009, Warren Ellis e o artista italiano Gianluca Pagliarini criaram a mini-série “Ignition City”. A história é uma homenagem a vários heróis de estilo pulp, oriundos da literatura, do cinema e da banda desenhada, que tinham a exploração espacial como tema comum. Muitas personagens são claramente inspiradas em Buck Rogers, Flash Gordon, Dan Dare, nos barsoomianos de Edgar Rice Burroughs ou os Lensmen de E.E. Smith (Ellis já tinha brincado com esta ideia em “Ministry of Space”. A personagem principal é a filha de Dan Dare. A história não é nada apologética, reconhecendo perfeitamente que muitas das histórias de exploração espacial são na verdade westerns disfarçados, e usando isso como ponto de partida: em 1956, o que sobra do programa espacial terrestre é uma cidade de fronteira, prestes a ser abandonada. Também há espaço para focar a inexistência de minorias étnicas em aventuras espaciais, dando algum destaque a duas personagens (um negro e um irlandês) que supostamente seriam os maquinistas da nave de Flash Gordon, bem como reconhecendo que Hans Zarkov é judeu.

Mais recentemente, Ellis e o seu colaborador na série “Gravel”, Raulo Cáceres, voltaram a trabalhar juntos em “Captain Swing and the Electric Pirates of Cindery Island”. A arquitectura gótica e a localização temporal da história na Era Vitoriana parecem indicar que é um conto de steampunk, mas Ellis faz batota. Steampunk é um género onde a máquina a vapor suplantou a electricidade como forma preferida de gerar energia (dando origens a máquinas gigantes como a aranha do Dr. Loveless no filme “Wild Wild West”), mas aqui o cientista anarquista John Rheinhardt usa electricidade, criando lâmpadas incandescentes décadas antes de Thomas Edison e até usando energia eléctrica para criar uma máquina anti-gravidade. A história, contada do ponto de vista de um polícia de rua, critica o uso de poderes estatais a níveis intermédios para impedir o desenvolvimento científico pelas mãos de privados, bem como o acesso da população a uma forma de vida facilitada por novos aparelhos. Também tem tempo para falar de uma das minhas lendas urbanas preferidas, Springheel Jack.

Warren Ellis é o tipo de escritor com que se pode sempre contar. Prolífico, consegue falar de várias coisas ao mesmo tempo e tem sempre algo de novo para oferecer a públicos diferentes.



Onde ler:
Transmetropolitan Vol. 1-10 (DC/Vertigo)
Ministry of Space (Image)
Global Frequency Vol. 1-2 (DC/WildStorm)
Ignition City (Avatar)
Captain Swing and the Electric Pirates of Cindery Island (Avatar)

Texto: Paulo Costa

Só falta referir da Avatar Press a série Freakangels e Anna Mercury!
O meu obrigado ao Paulo por mais este texto! A rubrica "A Palavra dos Outros" tem tido sucesso, o que me deixa feliz, e espero que para além daqueles que já contribuíram, mais gente reúna "coragem" para enviar os seus textos!

Boas leituras

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Freakangels Vol.6

23 years ago, twelve strange children were born in England at exactly the same moment.
6 years ago, the world ended.
This is the end of the story of what happened next.

Freakangels chega ao fim após seis volumes.
Estória bem localizada e representativa do melhor “steampunk” que se fez na Banda Desenhada nos últimos tempos, conta a estória de doze jovens com poderes extraordinários.
À imagem dos X-Men também foram perseguidos por serem diferentes, e porque os seus poderes assustavam a autoridade vigente.
Depois de acossados pelo exército unem os seus poderes e modificam o mundo de maneira a não serem incomodados por mais ninguém. De que maneira é que eles alteraram o mundo, ou não, só o sabemos neste último volume. Até aqui sabemos que eles provocaram uma enorme inundação, tipo Génesis apocalíptico, e que não existem comunicações rádio, nem de outra natureza ao seu redor. Para todos os efeitos, para eles o mundo tinha mudado!
Como forma de expiação tomam conta de uma comunidade humana em Whitechapel, fazendo a sua segurança contra intrusos, e alimentando, cuidando da saúde e procurando dar a melhor qualidade de vida possível aos elementos humanos “normais” desta comunidade.
De início esta série começou como um “webcomic”, mas o seu enorme sucesso levou a que fosse transportada para o suporte de papel. Houve algumas condicionantes nesta passagem devido ao formato em que estava a ser publicada na Internet, mas no fim resultou excelente na transposição para livro!
Esta série lançou internacionalmente Paul Duffield como artista, e não há dúvida que ele mereceu todos os elogios que acabou por ser alvo. Uma arte limpa e expressiva, acrescentando detalhe quando a página assim o exigia, como por exemplo nos exteriores de Whitechapel, ou nas construções e inventos de KK e Carolyn "Caz".
Os comics ganharam mais um artista com esta série!
Warren Ellis, o mais do que conhecido e famoso autor/escritor inglês de estórias para Banda Desenhada (comics neste caso), tem em Freakangels mais um bom momento na sua carreira, e cimentou a sua relação com a editora Avatar devido ao êxito da série. A estória por vezes torna-se um pouco confusa a espaços apenas porque os leitores não tinham acesso à visão global e final da estória. Mesmo assim, é mais uma estória “à Ellis” aliando as difíceis relações humanas a um espaço muito ficcional contido e estreito, em que a rotura emocional está sempre a acontecer.
Nestes últimos capítulos os dois Freakangels “renegados”, Mark (o louco sedento de poder) e Luke (o tarado sem restrições ao uso do seu poder para proveito próprio) são o centro da estória, e são eles que a vão catapultar para o seu final.
Acho que não fiz noutros posts relacionados, mas vou fazer a lista de Freakangels e suas particularidades resumidas:
KK – Veste-se de maneira gótica, gosta de sexo, e inventa máquinas pilotando a sua preferida: um pequeno helicóptero a vapor.
Connor – Muito controlado, é por norma a voz da razão. É também ele que regista por escrito tudo quanto acontece.
Luke – É quase um sem abrigo, pois vive a vida para o momento e usa os seus poderes telepáticos para obter sexo com quem deseja. Individualista, não lhe interessa o que os outros fazem para o bem de Whitechapel.
Kirk – É o sentinela da comunidade. Habita numa torre de vigia. A sua relação amorosa com Karl só é revelada neste último volume.
Arkady – É o membro mais louco dos 12, devido a uma overdose de droga. Exibe cada vez mais poderes em relação aos outros, como o teletransporte. Completamente desinibida mentalmente, assusta por vezes os seus colegas com a extensão do seu poder.
Karl – É o agricultor que arranja sempre maneira de trazer produtos alimentares frescos para a comunidade. Por vezes usa uma protecção na cabeça para evitar ouvir telepaticamente os outros Freakangels, e para estas não “ouvirem” os seus pensamentos também. A sua relação amorosa com Kirk só é revelada neste último volume.
Sirkka – Usa os seus talentos psíquicos para manter um harém de amor livre! Consegue erguer campos de força. É sabido o seu amor por Jack.
Jack – É um solitário. Vive no seu barco e abastece a comunidade com salvados que vai buscar ao fundo inundado de Londres. Anda sempre armado e ama Sirkka, só que não concorda com a sua teoria do “amor-livre”, portanto afasta-se. Apenas é revelada a sua faceta cínica neste último volume.
Miki – É a oriental do grupo e tem a cargo a saúde da comunidade. É uma pessoa muito sensível à dor, mental ou física, tentando sempre tratar o ser humano com a máxima dignidade possível.
Kait – É a polícia da comunidade. Para além de Jack, é a única que anda armada. Pessoa dura e tenaz, não lhe importa os meios para atingir os fins.
Carolyn – É a faz tudo da comunidade. Sistema de água, electricidade, máquinas… faz a manutenção de toda a Whitechapel. É uma negra albina e grande amiga de KK.
Mark – Só o conhecemos no volume 5. Freakangel muito poderoso foi expulso da comunidade devido à sua loucura (não tem restrições morais no uso dos seus poderes) sede de conquista e de poder. Estava dado como morto, mas logo no início da série os restantes Freakangels verificam que está vivo da pior maneira.
Todas estas personagens possuem poderes mentais e telepáticos, e fisicamente exibem olhos cor violeta.
Neste último volume (não vou fazer spoilers) os 12 Freakangels fazem um resumo da sua existência pré-inundação, tentam colocar-se em sintonia para resolverem os seus problemas internos, e porque não… desfazer o que tinham feito. Para isso houve um evento que despoletou a situação… foi avistado um helicóptero militar norte-americano ao largo de Whitechapel!
A conclusão do livro foi quase boa… não fiquei muito satisfeito com o final do final. Se lerem entenderão o que eu estou a dizer! Ficou ali algo aberto que devia ter sido fechado, penso eu.
Mas recomendo, é uma leitura super interessante.
Podem rever no Leituras de BD a crítica ao primeiro volume da série Freakangels:
Freakangels Vol.1 Limited Edition
Já agora, a capa deste último volume é excelente, e aqui em baixo têm um bom wallpaper!

Boas leituras

Hardcover
Criado por: Warren Ellis e Paul Duffield
Editado em 2011 por Avatar Press
Nota : 9 em 10

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Absolute Planetary Vol.2



A saga Planetary chegou ao fim! Gosto de estórias com princípio, meio e fim. Nos comics norte americanos quando algo tem sucesso há sempre quem queira esticar a corda prolongando séries para além dos limites, acabando por se tornar monótonas. Não foi o caso, felizmente!

A revista nº 27, que fecharia a série demorou muitos anos a sair, por dificuldades de Warren Ellis em fazer um final a seu contento… acabou por ser publicada em 2009, oito anos depois do nº26!
Planetary também fez história com os formatos de apresentação, o formato “Absolute” da DC e suas "imprints" (tamanho bastante superior ao normal, papel e impressão de superior qualidade, caixa, sobrecapa e uma excelente ligação entre as páginas e a lombada) foi inaugurado com o Absolute Planetary Vol.1! Este volume foi “rei” no EBay durante bastante tempo, pois esgotou muito rápido e a sua procura foi sempre grande. Mas como a DC optou sempre por não fazer 2ª edição de nenhum dos livros neste formato, os preços que atingia eram bastante altos! Bem… a DC, com a edição em vista do segundo volume, resolveu fazer com o primeiro volume mais um golpe comercial, Absolute Planetary Vol.1 foi o primeiro Absolute a ter uma reedição!
Infelizmente o sucesso desta série é tão grande que essa segunda edição já esgotou tempos atrás, assim como o segundo volume! Agora só no EBay e noutros sites de leilão se consegue obter estes magníficos livros. Para quem não quiser esta versão de luxo, a DC editou a série em quatro volumes normais, tanto em formato TPB (capa mole) como em Hardcover (capa dura).
Quanto ao autor da estória, Warren Ellis, é minha opinião que esta é a sua melhor obra! Não conheço nenhuma tão bem detalhada, com pormenores muito interessantes espalhados por um mundo complexo, num registo multidimensional. O espaço desta estória passa-se em todo o lado, na Terra, no espaço e em dimensões alternativas. A ligação entre os vários episódios está excelente, com a inclusão de muitos personagens “pulp” da primeira metade do sec. XX! Até um episódio com o equivalente a Tarzan está lá presente, e como sempre faz uma excelente e importante ligação para origem de um dos personagens principais da equipa Planetary!
A arte… A ARTE É DESLUMBRANTE! Cassaday que começou a série titubeando, à procura do seu estilo, acaba em grande! Cenários majestosos, páginas de detalhes impressionantes e outras impressionantes pela simplicidade apresentada! Mas para o luxo visual também existe outro responsável, a colorista Laura Martin que vestiu o desenho de John Cassaday com cores maravilhosas, sem estragar o trabalho artístico deste! Toda esta grandiosidade artística atinge a sua plenitude nas páginas grossas e em papel brilhante com que o formato “Absolute” desta série nos presenteia.
Planetary é um grupo de “arqueólogos do impossível” que tenta desenterrar a história secreta da Terra. Este grupo é formado por Elijah Snow (consegue extrair o calor do ambiente ao seu redor gelando-o), Jakita Wagner (invulnerabilidade, força e rapidez sobre-humana), “The Drummer (controla e manipula fontes de comunicação, sistemas informático e eletrónicos), Ambrose Chase (membro desaparecido que manipulava campos de distorção) e o “Fourth Man” que fica para vocês descobrirem quem é!
Esta equipa viaja pelo mundo investigando fenómenos estranhos: monstros e outras criaturas, relíquias incomuns, outros super seres, segredos poderosos que certos indivíduos tentam manter escondidos do resto do mundo. A sua finalidade é em parte a curiosidade, e se possível usar todo esse conhecimento para o aperfeiçoamento da humanidade. Há, no entanto, grupos que se opõem aos seus objectivos.
Esta organização tem uma história bem intrincada, assim como o grupo oponente, que nos é revelada gradualmente ao longo da série.
Gostaria de falar um pouco sobre a estória propriamente dita, mas é muito difícil de o fazer sem estragar o prazer de leitura a quem ainda não leu, e deseje conhecer a série. Posso dizer que Elijah Snow recuperou a memória, que tinha sido bloqueada pelo grupo opositor, “The Four”, e promete vingança por tudo o que fizeram e pretendem fazer! Este grupo faz o mesmo que a Agência Planetary, mas quer as descobertas para proveito próprio, não olhando a meios para isso! Neste volume viaja-se para o espaço e para dimensões alternativas. Este mundo de dimensões alternativas é o mesmo da série “Authority”, ou não fosse o autor o mesmo…
Mais alguma informação em Absolute Planetary Vol.1
Desejo-vos boas leituras e recomendo esta série!



Slipcased Hardcover
Criado por: Warren Ellis, John Cassaday e Laura Martin
Editado em 2010 pela Wildstorm
Nota : 11 em 10

domingo, 22 de novembro de 2009

Anna Mercury Vol.1: The Cutter


O autor inglês Warren Ellis traz-nos mais obra de Banda Desenhada pela editora Avatar Press. Desta vez o seu principal companheiro é o extraordinário artista Facundo Percio, completamente desconhecido até aqui, e pelos vistos os “olheiros” da DC e Marvel andam um pouco distraídos! A Avatar Press está neste momento a rodear-se de excelentes artistas (como Paul Duffield em Freakangels e Juan Jose Ryp em Wolfskin) quase estreantes em grandes trabalhos de BD. Conjugando este sangue novo com autores já bem “batidos” e conhecidos (Warren Ellis, Garth Ennis, etc.) a Avatar Press está a fixar uma pequena faixa (mas bastante fiel) de um público que já está um pouco farto dos heróis “normais” norte-americanos. Warren Ellis já “caiu” neste blog algumas vezes ( Planetary, Authority, Freakangels, Ultimate Galactus), mas tem o seu trabalho espalhado por muitas mais obras e séries dignas de registo como Transmetropolitan, Hellblazer, Crécy, Astonishing X-Men, Gravel, Fell, etc.
Ellis imaginou uma estória que junta mundos paralelos, Ficção-Científica, espionagem e muita acção. Para isto serve-se da extraordinária arte de Facundo Percio, em que este demonstra que trabalha perfeitamente a figura humana, seja qual for a posição em que se encontre relativamente ao espaço. Existem sequências desenhadas por Percio que são autêntico cinema! Para além disso um desenhador europeu dá sempre mais “enchimento” à vinheta dando muito pormenor e profundidade aos segundos planos, tornando livro muito conseguido graficamente. Relativamente à estória, tive de ler duas vezes porque me perdia no meio dos conceitos envolvidos… e estes são interessantes! O conceitos de mundos paralelos é um pouco diferente do habitual, existem nove “bolhas” que orbitam a Terra e cada uma destas “bolhas” será um mundo paralelo. Estes existem sem que se possam ver uns aos outros, mas devido a fenómenos ocorridos anos atrás, vários governos da Terra mandam agentes a estes mundos para os estudar. No momento presente isso já não é muito normal, pois todos estes agentes acabam muito cedo no hospício com problemas mentais. Anna Britton é uma agente britânica muito resistente a estas idas e vindas de operações na “Constelação” (assim lhe chamam, a este grupo de mundos paralelos). Tudo começa quando o navio de guerra norte-americano USS Eldridge, num fenómeno estranho, desaparece da Terra e aparece no primeiro mundo que nos é apresentado nesta série. Apesar de provocar destruição em Nova Ataraxia, o facto foi atribuído a causa divina. Ora neste mundo apenas existem duas cidades estado, New Ataraxia e Sheol, e os habitantes de Sheol nunca ligaram a este fenómeno por que não o presenciaram! New Ataraxia por intermédio de tecnologia inversa tenta reproduzir a tecnologia presente no barco que lhes foi apresentado rodeado de enorme descargas magnéticas, e preparando-se para nova aparição de causa Divina… assim torna-se uma cidade estado altamente militarizada! Como a não houve mais aparições Divinas, culpam os habitantes de Sheol e declaram-lhes guerra. É aqui que os governos da Terra sentem que têm de intervir para ajudar Sheol, pois sentem-se culpados pelo que aconteceu. É também aqui que Anna Mercury (nome de código) entra em acção. Os objectos não orgânicos que são mandados para estes mundos paralelos sofrem um efeito de “boomerangue”, ou seja, passadas umas horas voltam ao mundo original não alterados… para seres orgânicos já não é bem assim! Estes têm um tempo determinado e bem curto para serem repescados senão o efeito “boomerangue” é-lhes fatal (explodem!). Para isso existe aparelho electrónico que serve de âncora e lhes dá energia que podem usar de várias maneiras: super-força, ausência de gravidade, hipnotismo e descargas electromagnéticas de emergência. É claro que quanto mais usarem a energia deste aparelho, menos tempo poderão estar num mundo paralelo. Anna Mercury está como um peixe dentro de água nestas mudanças de mundos paralelos, é exigente consigo própria, corajosa e com um sentido enorme de responsabilidade. Dá-nos a conhecer um mundo belíssimo imaginado por Warren Ellis e transposto para o papel por Facundo Percio. Ao mesmo tempo que existem muitos elementos “retro” (arquitectura, vestuário) de repente deparamo-nos com um comboio de alta velocidade e um sistema de transporte espacial entre New Ataraxia e a sua Lua: Mandragon.
Como extra neste livro está compilada no fim uma “art gallery” de paul Duffield, Facundo Percio, Juan Jose Ryp (espectacular) e Felipe Massafera , muito boa!
Já me perdi no meio de tanta escrita…
Ahh… não consigo fazer scans a páginas duplas, ficam vocês a perder! São lindas, algumas delas.
Boas Leituras!

Hardcover
Criado por: Warren Ellis e Facundo Percio
Editado em 2009 por Avatar Press
Nota : 9 em 10

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Freakangels Vol.1 Limited Edition


Freakangels é um "Free Webcomic", em que todos os interessados podem acompanhar a evolução da estória aqui neste link: Freakangels !
Freakangels é escrito por Warren Ellis (Planetary, Authority, Transmetropolitan, etc) e desenhado por Paul Duffield, pode-se considerar este o primeiro grande trabalho de sucesso de Duffield. Ellis anunciou este seu projecto em 2007, e o sucesso e aceitação deste "Steampunk Webcomic" foi tão grande, que acabou por ser editado em papel para minha satisfação (detesto ler no PC...)!
O sucesso vem porque porque os diálogos de W.Ellis são dos melhores que eu li nos últimos tempos, consegue iniciar uma frase com um pensamento profundo e acabá-la na maior das vulgaridades. Esta dualidade de Ellis está patente em quase todas as suas grandes obras. O sucesso desta série advém também da excelente arte por parte de Paul Duffield. A sua arte acompanha a escrita de Ellis dando forma ao cenário pós-apocalíptico, tipo "Steampunk", conseguindo nas personagens principais dar um ar diferente... eles são branco pálido (mesmo a de etnia negra) com olhos violeta, mas acho que a melhor caracterização está na dualidade de serem jovens, e ao mesmo tempo terem uma expressão "velha", doente (aquele branco pálido é próprio das pessoas doentes). Penso que era mesmo isto que Ellis queria para os seus personagens. Para além disso, Paul Duffield consegue fundir as suas influências Manga com o desenho mais tradicional norte-americano, aproveitando o melhor dos dois "mundos".
A estória fala-nos de um mundo inundado pelas águas oceânicas, ou seja, um pós-apocalipse provocado por um grupo de 12 jovens, todos da mesma idade, que um dia decidiram que a Terra tal como estava e evoluía não era um bom mundo para se viver. Todos têm poderes particulares, sendo que o único poder comum a todos é a telepatia. Alguns destes jovens, de alguma maneira, sentem-se culpados pelo cataclismo que assolou a Terra, e tentam minimizar os prejuízos desse evento, pelo menos na população de Whitechapel, a sua zona protegida. Aqui protegem a população local de salteadores e tentam com as suas inventivas mentes produzir alimentos frescos, maquinaria tendo sempre um elemento, Jack, à procura de bens úteis que estejam perdidos no fundo das águas. Estes jovens têm uma regra básica, apesar de o poderem fazer, não podem manipular a mente de outras pessoas (a não ser que a sua vida esteja em causa). Foi essa regra que Mark infringiu para proveito próprio, sendo castigado com a morte! Mas este jovem, que nunca aparece graficamente neste primeiro livro, afinal não morreu e para além de controlo mental sobre outras pessoas de fora de Whitechapel, programa-as para irem assassinar os seus "irmãos". É assim que o livro começa, é assim que Alice procura os restantes Freakangels, que para ela são culpados da morte dos seus irmãos.
Bom, podem sempre experimentar esta leitura no PC, clicando no link lá mais acima, eu pessoalmente gostei muito, mas aconselho sempre o livro!
Boas leituras.

Hardcover
Criado por: Warren Ellis e Paul Duffield
Editado em 2008 por Avatar Press
Comprado no Book Depository
Nota : 9 em 10

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Vampirella: Vive


Este livro foi editado pelas edições Devir portuguesa, para a partir daqui fazer ponto de partida para a série, visto que é partir daqui que Vampirella deixa o Inferno, com Helsing à frente de Drakulo, e emerge num cemitério de uma vila muito especial... Também neste livro são contados alguns segredos da verdadeira origem e missão de Vampirella na Terra! Infelizmente o livro, ou não teve visibilidade, ou aderência por parte do público leitor, ou simplesmente a Devir se tenha desinteressado do título. Assim este foi o único representante (infelizmente...) da era Harris Publications a ser editado em Português!
A Devir aposta no regresso desta personagem, logo com uma estória de um "peso pesado" da indústria dos comics norte-americanos: Warren Ellis! A arte ficou a cargo de Amanda Connor e Jimmy Palmiotti, ou sejam, desenhadores´com créditos firmados neste título. Infelizmente a estória à partida já estava "espartilhada", por ter de obdecer a determinadas regras ou estrutura, pois é um renascer e um contar de origens... talvez por isso Warren Ellis não tenha "explodido" para uma grande estória, como é seu hábito. Em contrapartida, a arte e as cores estão fenomenais!
Agora a estória propriamente dita...
Vampirella é revivida por sua mãe, Lilith, em que esta lhe dá uma missão de redênção ou seja, espiar os pecados da mãe matando todas as figuras demoniacas na Terra: seus filhos! Sam Feveryear, um "sensitivo" e detective de fenómenos paranormais, sente a ressurreição de Vampirella no cemitério de Whitechapel, esta surge mesmo em frente a um santuário em honra de Lilith. Depois das apresentações, Vampirella decide investigar este santuário e em conjunto com o investigador chegam à conclusão que Whitechapel é um curral de humanos para serem todos sangrados até à morte, para com o seu sangue fazerem reviver o irmão mais velho de Lilith. Sem fazer mais spoiler... Vampirella inicia a vingança contra Nyx e o seu amante telecinético Hemorragia.

Softcover (TPB)
Criado por: Warren Ellis, Amanda Connor, Jimmy Palmiotti, Adam Hughes e Joe Quesada
Editado em Outubro de 2001 por Edições Devir (original por Harris Publications)
Comprado na Devir
Nota: 7 em 10

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Absolute Planetary Vol.1


Grande livro! Grande estória! Excelente arte! Só depois de ler, é que percebi o porquê de esta saga se ter tornado em serie de culto!
Planetary é um grupo de pessoas que se auto-intitulam "Arqueólogos do Impossivel", investigando a História recente, mas secreta, essencialmente depois do ano de 1900. O grupo é formado por Elijah Snow (consegue controlar a temperatura), The Drummer ("fala" com computadores e outros mecanismos em que hajam ondas eléctricas) e Jakita Wagner (uma senhora practicamente indestrutivel). Elijah, neste primeiro volume, anda à procura da sua memória, investigando estranhos fenómenos, seres extraterrestres, relíquias e grandes segredos, que outros tentam manter afastados do conhecimento público. O grupo antagónico, "The Four", tem um objectivo exactamente oposto, esconder para proveito próprio estes segredos! Este grupo dá a ideia de ter sido baseado nos Fantastic Four (Quarteto Fantástico), embora sejam os vilões da estória...
Espero que Warren Ellis acabe o comic nº 27 (último), que já foi reescrito várias vezes... segundo consta, é em 2008 que tudo isto vai acabar, espero também que depois, então, "saia" o Absolute Planetary Vol. 2 !
Este volume compila os números 1 até 12 (já estão editados até ao nº 26...).

Slipcased Hardcover
Criado por: Warren Ellis e John Cassaday
Editado em Janeiro 2005 por Wildstorm
Comprado em EBay
Nota : 10 em 10

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