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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Crónicas do Bendisverso IV: Se fossem da Apple, seriam iMutants



Esta coisa da Marvel refazer as suas propriedades intelectuais para as tornar fáceis de adaptar para cinema e televisão é complicada. Principalmente quando os direitos para fazer novos filmes ou séries pertencem a outra empresa, como a FOX. Isso até foi pelo melhor. Se a Marvel não tivesse ido à falência, nunca teria havido sequer um filme dos Vingadores, quanto mais dos Guardiões da Galáxia ou do Homem-Formiga. E não teríamos uma série de televisão da SHIELD com os Inumanos como convidados especiais.

Nesse caso, teria sido tudo X. Nos anos 90, bastava pôr um X na capa de uma revista ou dizer que personagem tal era um mutante, e as revistas esgotavam mais depressa que chamuças quentinhas numa pastelaria à hora de almoço. Por outro lado, se pusessem os Inumanos em destaque, ia parecer aqueles três crepes de queijo e espinafre que ficam até ao fim do dia e ninguém quer comer.

Os Inumanos são um daqueles produtos da mente inventiva de Jack Kirby que os escritores da Marvel adoravam ter nas suas histórias, mas aos quais o público não correspondia. Durante 50 anos, passaram por várias fases e foram reinventados ao de leve, numa tentativa de lhes dar mais profundidade e protagonismo, mas sempre sem fugir muito do pré-estabelecido. Por isso, é estranho ver que a Marvel tem usado alguns dos eventos dos últimos anos para colocar os Inumanos em posição de destaque, espalhando-os pelo mundo e fazendo o papel de mutantes, que não estão disponíveis para os estúdios da Marvel Films.

Basicamente, quando se fala em Inumanos fala-se no grupo que constitui a família real, os personagens criados por Kirby: Raio Negro e a sua esposa Medusa, os primos de Raio Negro, o guerreiro Gorgon e o estratega Karnak, o aquático Triton (o membro mais calado da família e irmão de Karnak), e Crystal, a irmã mais nova de Medusa, cheia de bichos-carpinteiros e com vontade constante de sair de Attilan, a cidade escondida. Durante vários anos, as histórias geralmente envolviam um membro da família real a endoidecer, ou Maximus, irmão de Raio Negro, a tentar fazer um golpe de estado; ou a probabilidade de alguém descobrir a localização do Grande Refúgio onde os Inumanos estavam escondidos.

A existência isolada da sociedade Inumana era um conceito omnipresente na história. O número exacto da população de Attilan é variável, embora já tenha sido apontado como 1250. Ao que parece, e isto foi mencionado na graphic novel de Ann Nocenti de Bret Blevins e na mini-série de Paul Jenkins e Jae Lee, cada cidadão deve obrigatoriamente passar pelas Névoas Terrígenas e cada poder individual é necessário para a estabilidade da sociedade. O que explica a razão porque os Inumanos entram em parafuso cada vez que Medusa ou Crystal saem de Attilan. Raio Negro também tem medo da população humana, desde a II Guerra Mundial, algo que foi mostrado numa série de histórias curtas publicadas em What If?, que contavam as origens dos Eternos e dos Inumanos, tendo o grupo imortal de Olympia ajudado no transporte de Attilan do Mar do Norte para os Himalaias.

Mas e agora? Agora, de repente, a população de Inumanos é de milhões. E muitos deles não conhecem as suas origens, nem foram expostos às Névoas Terrígenas. De repente, no evento "Inhumanity", idealizado por Matt Fraction em 2013, as necessidades específicas de uma sociedade endogâmica já não interessam, as Névoas já não têm que ser protegidas a todo o custo, e Attilan já não tem que ficar escondida. E assim, em vez de existirem milhões de mutantes no Universo Marvel, passam a existir milhões de Inumanos, como a nova Miss Marvel. Mesmo a tempo de introduzir o conceito na televisão e depois poder fazer um filme para estrear em 2019.

Para falar a verdade, Matt Fraction não inventou esta história da sua cabeça. Existiam sementes que começaram a ser plantadas nos anos 90, que permitiram aos Inumanos mudar completamente de estratégia. Tudo começou com o crossover "Atlantis Rising", que envolveu Adam Warlock e o Quarteto Fantástico, onde a Atlântida emergiu do Oceano Atlântico para a superfície. Raio Negro transportou Attilan mais uma vez para lá, declarando-se soberano do novo território. Seguiu-se a mini-série da Marvel Knights em 1998, por Jenkins e Lee, que viu Medusa representar Attilan nas Nações Unidas e Raio Negro defender activamente a integridade da sua nação. E depois, os Kree retornaram após milhares de anos para tomar controlo dos Inumanos, que tinham criado como uma raça de escravos, na mini-série de 2001, por Carlos Pacheco e José Ladronn, que abriu caminho para os Inumanos tomarem controlo da sociedade Kree na mini-série War of Kings.

Se a Marvel conseguiu fazer com que personagens tão obscuros como Groot e Rocket Racoon se tornassem estrelas mundiais graças aos filmes, deverá conseguir fazer o mesmo com os Inumanos. Ainda que tudo o que eles façam agora seja demasiado familiar, parecido com os X-Men. É o momento ideal para os súbditos de Raio Negro se afirmarem.




domingo, 28 de fevereiro de 2010

War of Kings


Esta é a sequência natural de Annihilation, War of Kings! Com raízes em “Secret Invasion” (ler Secret Invasion: Inhumans), e em “X-Men: Kingbreaker” chega esta última saga cósmica, em que os autores são os mesmos de Annihilation / Annihilation: Conquest: Dan Abnett e Andy Lanning. Aliás, estes dois autores têm estado em tudo quanto meta espaço cósmico! São também responsáveis pela série “Nova” e pela excelente publicação “Guardians of the Galaxy”, embora neste mega crossover CB Cebulski também esteja aqui representado com a parte respeitante a Darkhawk. Como tenho estado muito entusiasmado com esta linha cósmica da Marvel, esperava ansiosamente por esta super-compilação de 500 páginas que contem: War of Kings 1-6, War of Kings: Ascension 1-4, War of Kings: Darkhawk 1-2, War of Kings: Warriors, War of Kings: Who Will Rule?, War of Kings: Savage World of Skaar, e Marvel Spotlight: War of Kings.
A arte nestas séries cósmicas tem sido muito regular e competente. Sem ser extraordinária tem os seus momentos… gosto particularmente da arte em “War of Kings: Ascension” por Wellinton Alves. Quanto à narrativa, esta agrada! O leitor fica bem “agarrado” e joga-se em todos os cenários possíveis, desde o espaço Kree até ao planeta Sakaar passando pelo Império Shi´ar, Negative Zone e indo aos confins do espaço! Personagens… bem são muitas e com importância repartida… família Real Inumana, Lilandra, Starjammers, Starhawks, Vulcan, Gladiator, Guardians of the Galaxy, etc., etc.
Apresentando um pouco da acção, esta começa quando os Inhumans se recusam a ter um papel secundário no desenrolar de tudo o que se passa no Cosmos, isto depois da crise Skrull (Secret Invasion) em que o seu Rei foi raptado e substituído pelos Skrulls. Aliam-se aos Kree, a raça que os fabricou, e para fortalecer essa aliança Crystal torna-se noiva de Ronan. O ambicioso e sanguinário imperador Vulcan (Shi´ar) manda a sua guarda pessoal atacar o casamento de Ronan e Crystal… com o Gladiator à cabeça do ataque, este é devastador e faz surgir mais uma vez a raiva dos Inhumans e dos Kree. A guerra é declarada e é sem quartel! No meio desta confusão move-se a ex imperatriz Shi´ar, Lilandra, Guardians of the Galaxy e os Starjammers. O rei dos Inhumans decide-se pelo uso da arma final, uma poderosa bomba feita à base dos cristais que provocaram a mutação dos Inumanos… esta provoca a tal fenda espácio-temporal que o Starhawk original queria evitar (Guardians of the Galaxy)!
A estória move-se em diferentes frentes, que em diversas fases convergem para um pico emocional, para logo de seguida divergirem novamente para diferentes linhas de acção. Está bem interessante este War of Kings!
O que é que Dan Abnett e Andy Lanning vão inventar a seguir? Depois de tantos eventos fracturantes como irá ficar hierarquizada a Galáxia?
Para quem gostou das diversas fases de Annihilation / Annihilation: Conquest este é um livro a ler com certeza!
O próximo livro a apresentar são os dois tomos de Guardians of the Galaxy: War of Kings onde cai o pano sobre esta saga.

Hardcover
Criado por: Dan Abnett, Andy Lanning, C. B. Cebulski, Christopher Yost, Wellinton Alves, Wesley Craig, Bong Dazo, Andrea DiVito, Paul Pelletier, Harvey Tolibao, Brad Walker e Dustin Weaver
Editado em 2009 por Marvel
Nota: 9 em 10

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