O Recruta Zero foi uma personagem que me deixou saudades. Era divertida, imprevista e leitura obrigatória minha e dos meus irmãos quando éramos mais novos. Infelizmente a revista deixou de aparecer em Portugal. O Hugo Silva lembra-se destas pérolas e gosta de falar delas... então dá-se a palavra ao Hugo!
:)
Recruta Zero
Tenho saudades do tempo de ir a uma papelaria e poder escolher entre mais de 30 revistas de banda desenhada, que iam desde os Super-Heróis às personagens da Disney, passando por um sem número de personagens diferentes. Uma dessas personagens era o Recruta Zero, ele era também um dos meus favoritos e um dos alvos do meu árduo “troco do pão”.
por mostrar as aventuras de uma fraternidade de estudantes, mas quando se via que o interesse não era muito, Mort fez com que a personagem se alistasse no exército a 13 de Março de 1951. Aí conseguiu um universo maior com o qual podia trabalhar, baseando-se um pouco na sua própria experiência militar de quando esteve num quartel.
Com a Guerra da Coreia a decorrer, o interesse pela tira disparou e a mesma começou a ter bastante sucesso quer entre os militares, em especial os de baixa patente, quer entre o público em geral começando a ser publicada em mais de 100 jornais do País. Apesar do seu teor cómico, as altas patentes militares começaram a causar alguns problemas, e isto porque achavam que era um mau exemplo e uma afronta à organização militar. Isto só ajudou o criador a conceber mais histórias usando como base a burocracia e tacanhez da mente de alguns responsáveis militares, mas limitou-se sempre ao Quartel Swampy evitando assim qualquer comparação com eventos reais.
Na década de 60 a Rio Gráfica Editora começou a editar revistas com histórias da personagem, editando revistas de uma forma regular, e com o sucesso da personagem, começaram a publicar edições especiais, Almanaques e Superalmanaques que chegavam regularmente ao nosso País na década de 80.
Como na Disney, muitas das histórias eram produzidas por artistas Brasileiros apresentando um alto nível de qualidade com argumentos que não fugiam à essência da personagem. Uma das minhas edições especiais preferidas é a Roque Swampeiro, uma adaptação da novela Roque Santeiro onde todas as personagens imitam as personagens da novela. Uma das adaptações mais cómicas é a do Cozinheiro Cuca como Viúva Porcina ou a do Tenente Escovinha como Mocinha... Hilariante.
Os Superalmanaques por vezes tinham histórias originais que eram apresentadas em vários capítulos, intercalados por republicações de tiras. Um dos meus favoritos apresenta o Super Zero, em que ele, o Tainha e outros tinham sonhos onde eram super-heróis com consequências desastrosas. O mais engraçado é que os sonhos estavam todos interligados, apesar de serem pessoas diferentes a tê-los. Nas tiras, um dos meus gags preferidos era de quando o Sargento Tainha ficava agarrado a um ramo de árvore, que evitava com que ele caísse num precipício mas ficava assim à mercê dos soldados que apareciam e que o podiam ajudar.
O elenco de personagens foi crescendo com o tempo, e mostrando as evoluções das escolhas do Exército, e hoje em dia continua como uma das tiras com um dos maiores elencos de personagens e que quase todos têm algum destaque e são reconhecidos mundialmente. A personagem continuou a chegar a Portugal quando a Rio Gráfica virou Editora Globo e quando a Editora Abril pegou nas histórias da personagem, mas acabou por desaparecer do mapa apesar de continuar a ser editada no Brasil por editoras como a Mythos ou a Opera Graphica.
Vamos conhecer um pouco melhor o elenco do Quartel Swampy:
Zero ("Beetle Bailey"): Recruta preguiçoso e indolente, está sempre à procura de formas de fugir do trabalho. Está sempre com boné ou capacete cobrindo os olhos e em constante conflito com o Tainha. Uma das minhas tiras favoritas, e que o representa na perfeição, mostra uma discussão entre ele e o Sargento Tainha que o acusa de ser preguiçoso e acaba com ele deitado encostado a uma árvore mesmo nas barbas do sargento e continuando a discussão.
Sargento Tainha (Sgt. Orville Snorkel): Um brutamontes sem jeito com as mulheres, guloso e solitário, que age sempre de uma forma hostil com os seus soldados mas adora o seu cão Oto. Adorava como o retratavam com as mulheres, ficando completamente gagá.
Oto (Otto): É o cão do Sargento Tainha (Sgt. Orville Snorkel). Originalmente, Mort Walker retratou o cãozinho como um cachorro comum, para depois desenhá-lo com o mesmo uniforme de seu dono, além de ter a mesma cara.
Platão (Plato): É o intelectual da trupe. Sempre com citações de livros e fala sempre como se estivesse apresentando uma tese de doutorado.
Dentinho (Zero): O oposto do Platão. Dentinho é um personagem, digamos, limitado intelectualmente, e seu nome é uma ironia a dois de seus dentes crescidos. Adorava quando o Tainha o ordenava para algum trabalho já que a asneira era certa e garantida.
Cosme (Cosmo): Faz um comércio informal em seu "cantinho do Cosme", onde vende de tudo; este personagem foi quase esquecido nos anos 80. Era conhecido pelas suas jogatanas onde nunca perdia.
Roque (Rocky): O típico revoltado. Administra o jornal clandestino do quartel, e se mobiliza por qualquer causa atual.
Quindim (Killer): Faz as vezes de mulherengo e galanteador dentro do quartel Swampy. Nem sempre tem sucesso (em geral, uma em cada cinqüenta de suas cantadas dá certo), é o principal amigo de Zero.
Cuca (Cookie): É o cozinheiro do quartel Swampy, reputado por sua incrível capacidade de tirar o apetite de todos com as suas "iguarias". Inicialmente retratado com um quepe de caserna, ganhou um chapéu de mestre-cuca, para facilitar a identificação. Trabalha sempre com um cigarro na boca (em 1989, o personagem aboliu de vez o hábito de fumar).
Tenente Escovinha (Lieutenant Fuzz): trata-se de um oficial caprichoso e imaturo, sempre reclamando que nunca é promovido. Eterno puxa-saco do General Dureza, constantemente tem chiliques infantis e vive implicando com o jeito grosseirão do Sgto. Tainha. As minhas discussões preferidas envolviam o barulho que a cadeira do Taínha fazia.
Tenente Mironga (Lieutenant Flap): Embora não apareça com freqüência nas tiras, leva a honra de ser o primeiro personagem negro a ser retratado em quadrinhos norte-americanos, em 1970, e a sua marca registrada é o eterno cabelo black power.
Capitão Durindana (Captain Scabbard): É um sujeito tímido e de raros melindres, sempre disposto a ouvir as reclamações dos subordinados, em especial do Zero e de outros soldados rasos.
General Dureza (General Amos Halftrack): O típico mau líder. Pensa mais no golfe que na administração do quartel. Como se não bastasse, tem problemas de alcoolismo (toma muitos Martinis) e obedece cegamente à sua mulher, Martha. Vive com esperenças de receber uma carta do Pentágono, que sequer lembra-se da existência deste quartel.
Martha (Martha Halftrack): A esposa do General Dureza que o trata abaixo de cão e o mantém na linha com o tolo da massa.
Major Batalha ou Peroba (Major Greenbrass): companheiro inseparável do General Dureza no golfe e no Clube dos Oficiais, onde ambos batem ponto após o expediente para beber.
Srta. (ou Dona) Tetê (Miss Buxley): A típica secretária “boa”, sempre representada com um vestido preto. É o objecto de desejo de soldados e oficiais dentro do quartel, mas também é a típica "loura burra", bem menos competente que sua colega Blips.
Soldado Blips (Miss Blips): É a competente secretária militar do General Dureza, sempre desprezada por não ter os atributos físicos de Srta. Tetê.
Júlio (Julius): Chofer gordinho do General Dureza, conhecido como o "queridinho da mamãe".
Capelão (Chaplain Staneglass): Sempre com um bom conselho aos militares.
Cabo Ky (Corporal Yo): Introduzido em 1990, é o primeiro oriental desta tirinha.
Dr. Esculápio: Médico do quartel, meio amalucado.
Dr. Bonkus: O psicólogo do quartel.
Sargento Louise Lorota (Sgt. Louise Lugg): introduzida na tirinha em 1986, ela quer ser a namorada do Sargento Tainha.
Bella: a gata angorá de estimação da Louise.
Bunny: a namorada do Zero, raramente vista na tirinha.
A dada altura a Editora Abril lançava também a revista do recruta Biruta, que apesar de parecer cópia do Zero, na verdade precede o mesmo já que é de 1940. Não era fã desta revista que apresentava um tipo de humor mais reles.
A personagem chegou ainda a ter direito a um desenho animado, por cá também o pudemos ver apesar de não ser transmitido regularmente. Era um dos típicos tapa-buracos da RTP e por isso era transmitido de uma forma irregular. Tinha dobragem em Brasileiro o que ajudava a ter alguma piada, mesmo assim preferia de longe a Banda Desenhada.
Até hoje estimo os números que tenho, e sempre que possível vou comprando alguns livros antigos já que a qualidade dos mesmos continua em grande, mesmo para os padrões actuais.
Fica também uma pequena estória deste "Zero":
Esta pequena estória foi retirada do blogue Ouvir e Ver .
Espero que se tenham divertido!
:)
Boas leituras