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quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

O Assassino, edições e um rant 🤷🏻‍♂️
(Será que mandam uma moeda ao ar?)

 


Começou a sair no dia 22 do mês passado uma nova colecção ASA | Público. Uma excelente série, O Assassino, no original Le Tueur de Jacamon e Matz.


Até aqui tudo bem, para além das primeiras quatro histórias já terem sido publicadas em Portugal (🙄), as duas primeiras pela Booktree, e as outras duas num volume duplo pela ASA | Público também na colecção Os Incontornáveis da BD de 2011.

Esta série, O Assassino, já vai no quarto volume duplo e aqui o Leituras de BD diz que é uma série a comprar, é muito boa. Aliás, é tão boa que este ano saiu um filme baseado na série de BD: The Killer (de David Fincher).

Agora o que me faz espécie (muita espécie) é a razão porque excelentes séries são publicadas num formato inferior de acabamento (em capa mole), e outras já passadas e repassadas e também de qualidade inferior são editados num formato superior! Não percebo!

Dou como exemplos assim já a virem à minha memória Valerian e XIII em capa mole e Airborne 44 e U-Boot em capa dura. Inclusivamente Valerian teve honras de apresentação no Planetário, e mesmo assim conseguiram manchar uma colecção definitiva com aquela edição pífia. De todas as que se publicaram no mundo nessa altura, a colecção portuguesa foi a ÚNICA em capa mole.


É absolutamente incompreensível este tipo de escolhas… será que mandam uma moeda ao ar para saber se vai ser em capa mole ou dura??


Enfim, desculpem lá o rant, mas não há pachorra.

E comprem esta série porque não se vão arrepender, apesar das incongruências de escolha do tipo de edição.

 


Boas leituras

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Valérian Vol.1
Sonhos Maus / A Cidade das Águas Movediças
Lançamento no Planetário Calouste Gulbenkian

 
Basicamente vamos começar pelo lançamento desta série no Planetário Calouste Gulbenkien, no dia em que saiu o primeiro volume desta série, que se pretendia que se fosse a "edição definitiva" de Valerian e Laureline.

Estiveram presentes representantes da ASA, e do jornal Público, que falaram um pouco sobre a sua visão sobre esta personagem, e depois Carlos Pessoa (jornalista) falou um pouco mais "sério" sobre a série e o que ela representou para toda uma geração.

A sala do Planetário não se prestava muito bem a uma apresentação deste género, devido ao posicionamento corporal que obrigatoriamente tínhamos de ter, e não houve sequer hipótese de falar ou perguntar algo na sala aos anfitriões. Fica a ideia original de uma série FC passada no espaço (e no tempo) ser apresentada no Planetário, e de ter-mos tido a hipótese de ver um pouco do nosso céu nocturno explicado pelo responsável de quem eu infelizmente não sei o nome.
(Infelizmente apenas foi mostrado um pequeno trailer do filme, penso que foi curto...)

Ou seja, tive de esperar pela hora do croquete para poder interpelar alguém responsável pela série sobre alguns pensamentos meus sobre a maneira de como foi editada. E já agora vou explicar de como eu gostaria que ela fosse editada.

Capa dura. Sim, capa dura. Esta é a edição definitiva desta icónica série em Portugal, e NUNCA mais será editada, portanto seria expectável que fosse feito em Portugal o que foi feito no resto do mundo em que se fez esta edição definitiva, a fazer companhia ao filme que estreou hoje. Ou seja, capa dura.
"- Áhh e tal... o que conta é o interior." Já ouvi isto de alguns "fãs" da série... LOL O interior já eu conheço desde os anos 80, bolas! O que eu quero é que um dia eu mostre a um meu neto(a) um livro do Valérian e este não se desfaça como os meus livros dos anos 80 se desfazem se eu os tentar abrir... a cola seca e fica quebradiça! Isto é BÁSICO! Tenho livros de capa dura dos anos 70 que posso abrir perfeitamente sem ouvir barulho a batatas fritas. Era isso que eu pretendia para esta colecção... qualidade de edição. Nunca mais teremos Valerian em capa dura neste país. Perdeu-se a oportunidade!

Também não haver um prefácio no primeiro (pelo menos) para situar os leitores, sobretudo os que devido ao hype do momento compraram este livro do Valerian, e cairam de pára-quedas na série.
E desculpem-me ser picuinhas sobre estes livros, mas Valérian é uma parte de mim, está bem agarrado à minha pessoa enquanto adolescente a descobrir o mundo. Quem me tira Valerian, arranca um bocado de mim. Portanto estou a ser picuinhas, porque tenho de ser mesmo.
Páginas 6 e 7. Porquê estragar uma bela capa (interior neste caso) fazendo com que a separação das páginas retire toda a beleza à imagem. Preferível ter optado por colocar a imagem apenas numa única página...

Sim, picuinhas. Sou com muito gosto.
Sobre a minha pergunta sobre a capa, bem a resposta foi que tinha havido muita discussão sobre o assunto, em que havia uma"facção" capa dura e outra capa mole. Ganhou a "facção mole". Pronto. Basicamente foi isto. Em relação a um prefácio e à maneira como foi tratada a imagem da capa original de "Maus Sonhos", acho que nem sequer tinham pensado nisto.

Posto isto, e para terminar acho que a apresentação deveria ter sido feito antes da saída do livro, e não no dia em que saiu. Acho que esta apresentação de um modo geral ficou aquém do que se pretendia. Embora o local fosse original, também não deixava fazer nada para além daquilo.

Em relação à BD propriamente dita congratulo-me pela publicação inédita em álbum em Portugal do Vol.0 da série, "Maus Sonhos", história que serve de trampolim para a seguinte, o Vol.1 "A Cidade das Águas Movediças". Em "Maus Sonhos" ficamos a saber que a companheira de Valerian afinal veio do passado, mais propriamente da Idade Média, coisa que eu jovem leitor da revista Tintim nunca imaginei na altura, só passados bastantes anos :)

A arte destas primeiras histórias é muito básica e inicial, e poderemos verificar ao longo da série o crescimento gráfico das personagens. É brutal comparar o Valerian do Vol.0 ao Valerian do Vol.21...
A história ainda está muito no início, mas já temos um vislumbre de sociedades diferentes e de como os heróis e os vilões se movem no espaço-tempo. O próximo livro será bastante mais a sério e farei uma analise bastante mais completa. Tem duas das minhas histórias preferidas da série .

De notar uma coisa muito importante. Foram publicadas cinco páginas inéditas na história "A Cidade das Águas Movediças". A edição da Meribérica não tinha estas páginas, e a pergunta é porquê, e será que em mais livros isto aconteceu!?
As páginas em questão vão da 79 à 83, assim como a última vinheta da página anterior está adulterada para fazer a ligação à página seguinte no livro da Meribérica.
Não vou fazer scan da vinheta em questão do livro da Meribérica, porque se o fizesse o livro iria desfazer-se com certeza... (capa mole com 30 anos).




Boas leituras





sexta-feira, 7 de julho de 2017

Lançamento ASA / Público: Valerian



Congratulo-me pelo lançamento desta tão esperada reedição da série Valerian. A sério.
Era uma coisa que eu queria muito, e como já não posso abrir os meus livros da editora Meribérica, senão fico com as folhas todas espalhas no chão, é a oportunidade de ouro para reler a série.

Agora, tenho de dizer que fiquei triste também. Fico triste porque muitas das melhores colecções desta parceria ASA/Público são publicadas em capa mole, quando séries tipo Túnicas Azuis e Airborne 44 são editadas em capa dura! Fico espantado com esta clarividência de quem decide uma coisa destas!

As duas das melhores séries publicadas por esta parceria ultimamente (13 e Valerian) são editadas em capa mole...? Porquê? Não percebo e fico triste.

Vão ser 11 álbuns duplos e um simples (também vai custar o mesmo que os outros?). Não seria de juntar ao álbum simples o livro "Os Habitantes do céu"? Ficariam 12 álbuns duplos, pelo menos...

Esta colecção vai publicar "Maus Sonhos" que nunca tinha sido publicado em álbum e um outro livro que penso que é completamente novo em Portugal (o tal simples) "Recordações de Futuros". Fico agradado (muito) com a publicação destes dois livros, embora isto não invalide a minha completa estupefacção sobre as capas moles... a sério.

Fiquem com a nota de imprensa:

Colecção Valerian

O PÚBLICO e a ASA editam, já a partir de 26 de Julho, a tão aguardada colecção de BD:
«Valérian e Laureline» da autoria de Pierre Christin (argumento) e Jean-Claude Mézières (desenho).

Esta colecção especial, resultante da parceria ASA/Público, é composta por 12 volumes (11 dos quais são álbuns duplos), que incluem todos os 23 álbuns até agora publicados de Valérian e Laureline, os intrépidos agentes espácio-temporais ao serviço de Galaxity, capital do Império Galáctico Terrestre no séc. XXVIII.

Unanimemente considerada um clássico da nona arte, esta série é também uma obra-prima da ficção científica, tendo influenciado todas as criações posteriores nesse domínio, na literatura e não só.

No âmbito da produção cinematográfica, serviu de inspiração a vários realizadores, entre os quais George Lucas e Luc Besson.

Este último, admirador confesso da série e dos seus autores, assina a longa- ‑metragem Valérian e a Cidade dos Mil Planetas, com estreia mundial no verão de 2017.

Onze álbuns duplos e um single, numa edição em capa mole com badanas, formato: 22*28cm) que os leitores do jornal PÚBLICO poderão adquirir, por 8,90€, todas as quartas-feiras.

Enviamos abaixo a data de saída de cada álbum:



OS AUTORES

Pierre Christin
Argumentista
Pierre Christin nasceu em 1938, em Saint-Mande, nos arredores de Paris (França). Estudou na Sorbonne, após o que, nos anos 1960, entre as suas actividades como pianista de jazz e os seus primeiros trabalhos na área do jornalismo, da tradução e da publicidade, decide partir à descoberta dos Estados Unidos, onde vem a instalar-se, ensinando literatura numa Universidade.

Em 1967, assina, com Jean-Claude Mézières, a primeira aventura de Valérian, que ambos decidem enviar à revista Pilote sem nunca imaginarem o sucesso e a longevidade que estava reservada para o seu herói. É também por esta altura que é nomeado para a Universidade de Bordéus, onde funda, em 1968, aquilo que virá a ser uma importante escola de jornalismo, de que Christin sempre foi um dos principais impulsionadores.

Na área da BD, é autor de argumentos para desenhadores tão díspares como Jacques Tardi, François Boucq, Jean Vern, Claude Auclair, Daniel Ceppi, Enki Bilal ou Annie Goetzinger. É ainda autor de diversos romances e do argumento da longa-metragem Bunker Palace Hotel, realizada por Bilal.

Jean-Claude Mézières
Desenhador
Jean-Claude Mézières nasceu em 1938, em Paris (França). Muito dotado para o desenho, entra aos 15 anos na Escola de Artes Aplicadas de Paris, começando a publicar algumas histórias em Fripounet et Marisette e Pilote. É nesta última revista que vê publicada, em 1967, a primeira aventura de Valérian, um herói espacial que havia criado juntamente com o seu amigo de infância Pierre Christin, sem que nenhum dos dois tivesse alguma vez imaginado o enorme sucesso que estava reservado para essa personagem, hoje em dia um dos ícones incontornáveis da BD franco-belga.

Em 1987, também com Christin, colabora em Lady Polaris, um romance ilustrado sobre os grandes portos europeus. E em 1991, a mesma dupla assina Les Habitants du Ciel, uma enciclopédia que passa em revista todas as criaturas fantásticas que se cruzam com Valérian e Laureline nas suas aventuras cósmicas.

Participa ainda em diversos projectos como cenógrafo e ilustrador.







Já agora... também não percebi a escolha de algumas capas, sobretudo as dos primeiros livros, mas enfim.

Boas leituras








quinta-feira, 1 de junho de 2017

Lançamento Levoir: Mulher Maravilha - Um Por Todos


Hoje sai o segundo livro da colecção Mulher-Maravilha, em publicação pela Levoir, e distribuída para as bancas e quiosques pelo jornal Público.

E é um dia especial porque é hoje a estreia do aguardado filme nas salas de cinema portuguesas. Relativamente ao filme, este teve grandes críticas no site Rotten Tomatoes que não costuma ser simpático com os filmes do Universo DC, mas Wonder Woman bateu nesta altura neste site toda a concorrência no género, incluindo os filmes da Marvel.

Fiquem com o press release da Levoir, e um trailer no final do post respeitante ao filme que podem ver a partir de hoje à noite.

Mulher-Maravilha
Um Por todos

Este volume é o segundo da colecção e vai para a banca a 1 de Junho no mesmo dia que o filme é estreado, por mais 11,90€ com o jornal Público e na FNAC.
Esta é uma história sensacional onde Diana de Temiscira mostra a importância que os amigos têm na sua vida e também o seu forte carácter.

Através do oráculo das amazonas, Diana fica a saber de uma profecia a respeito do despertar de um antigo e maléfico dragão, que atingirá os seus amigos da Liga da Justiça e que quem o derrotar morrerá no processo. Decidida a não perder nenhum dos seus amigos a Mulher-Maravilha tem de os impedir de confrontar esse inimigo tendo para isso de os colocar fora de acção um por um, pois só assim poderá enfrentar o dragão sozinha.

O argumento e os desenhos são de Christopher Moeller, que começou a sua carreira na Innovation Comics e ganhou nome na Dark Horse ilustrando capas da série Star Wars.
Sabia que: Embora só agora, em 2017, chegue ao grande ecrã, pelas mãos de Patty Jenkins, a Mulher-Maravilha esteve muito perto de ser adaptada ao cinema 10 anos antes, num filme escrito e dirigido por Joss Whedon, o criador da série televisiva Buffy de Vampire Killer que, frustrado este projecto, acabou por realizar o primeiro filme dos Vingadores, da Marvel.













Boas leituras e bom filme!







quinta-feira, 20 de abril de 2017

Lançamento ASA: Airborne 44



No final deste mês, dia 28, a ASA vai publicar a colecção Airborne 44 na íntegra, com a distribuição do jornal Público.

Trata-se de uma série ambientada na 2ª Grande Guerra, possuidora de um desenho realista do talentoso belga Philippe Jarbinet.

Podemos contar com uma grande arte acompanhada por uma narrativa gráfica bem coerente e estruturada. Para os fãs deste tipo de BD é um indispensável must have.

Podem ver todas as capas da colecção, assim como ler a sinopse de todos os livros.
Fiquem com o press release da ASA:



O PÚBLICO e a ASA editam, já a partir de 28 de Abril, uma nova colecção de BD, sobre a Segunda Guerra Mundial - «Airborne 44».

«Airborne 44» é uma BD franco-belga, escrita e desenhada com o aconselhamento de um historiador.
São 6 volumes, inéditos em português, onde a realidade e a ficção se misturam e as armas e os sentimentos se cruzam em três ciclos: o Inverno de 1944; antes da Guerra culminar no dia D; e o fim da Guerra.

Junte-se aos Aliados e não perca cada batalha em cada volume!

Uma edição em capa dura, 56 páginas, que os leitores do jornal PÚBLICO poderão adquirir, por 8,90€+preço do jornal.
Enviamos abaixo a data de saída de cada álbum:


AUTOR
PHILIPPE JARBINET
Argumentista / Desenhador

Nascido em 1965 na Bélgica, Philippe Jarbinet publica o seu primeiro álbum em 1992 nas Éditions Blanco. Trata-se de Sandy Eastern, com argumento de Franz.
Três anos mais tarde regressa à banda desenhada, assinando o argumento e os desenhos do primeiro volume de Mémoire de Cendres, publicado nas Éditions Glénat. Desta série serão publicados dez volumes entre 1995 e 2007.

Depois de ter colaborado no policial colectivo Une Folie Très Ordinaire, imaginado por Christian Godard, escreve e desenha a partir de 2003 os três episódios de Sam Bracken, sempre nas Éditions Glénat.

Com a sua chegada à Casterman, em 2009, muda de registo e de técnica.
Os álbuns Airborne 44, com texto e desenhos de sua autoria, são realizados em cor directa. Funcionando em dípticos, trata-se de histórias de guerra baseadas em dramas humanos. O sucesso é imediato e transporta Jarbinet para o primeiro plano do panorama dos grandes autores realistas.

Rigoroso, tanto no texto como no desenho, de que assegura igualmente a cor, Philippe Jarbinet perpetua com talento a banda desenhada realista clássica, não sem lhe trazer uma nota própria de modernidade.
Paralelamente ao seu trabalho como autor, Philippe Jarbinet é professor de desenho e de banda desenhada na Academia René Defossez, em Spa, na Bélgica




Sinopses
1 – ONDE OS HOMENS CAEM
No dia 12 de Junho de 1944, quando o fumo se dissipou naquela casinha de Carentan, compreendi aquilo em que me tinha tornado, aquilo que eu era realmente: um assassino.
A 16 de Dezembro o destino deu-me a escolher entre redimir-me ou deixar-me apanhar…

2 – O AMANHÃ SERÁ SEM NÓS
Tenho dores… Tenho frio… Tenho a boca a saber a sangue… Ouço vozes em meu redor…
Ao longe…
Muito ao longe…

3 – OMAHA BEACH
6 de Junho de 1944. Alvorada. Não reconheço a praia onde outrora vivi momentos mágicos…
Fogo, barulho, fumo, morte! Estou às portas do Inferno.
Mas o pior ainda está para vir…

4 – DESTINOS CRUZADOS
Caminho numa guerra que tudo reduz a pó: os homens, as mulheres, as crianças, as paisagens…
Nada, nem ninguém, lhe escapa…
Até as minhas memórias parecem querer morrer…
Caminho numa guerra negra, mas conservo a esperança de que haja no fim…
…uma luz!

5 – SE É PRECISO SOBREVIVER
O crash bolsista de 1929 e o Dust Bowl atiraram-nos para as ruas. Tendo como única riqueza a nossa juventude, nós não éramos senão migrantes sem raízes, sem trabalho e sem futuro.
Ignorávamos que, para salvar a nossa pele, iríamos ter de a pôr em risco…

6 – O INVERNO DAS ARMAS
A guerra depositou-nos num buraco perdido, entre a neve e o frio, a dor e a morte.
A orla da floresta era uma fronteira que se abria para o desconhecido, e nós atravessávamo-la todos os dias e todas as noites.
De cada um dos lados vivia-se e morria-se no medo e na desilusão. Mas havia também, para nos manter, a amizade, o amor e a fraternidade…






Boas leituras



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Os Exércitos do Conquistador



Os Exércitos do Conquistador, de Jean-Claude Gal (Diosamante)e Jean-Pierre Dionnet (Exterminador 17) foi o último livro (Vol.15) da colecção Novela Gráfica da Levoir.

Dionnet é conhecido em Portugal pelo livro que fez em conjunto com Enki Bilal, Exterminador 17. Este livro foi publicado por cá pela Meribérica em 1989, e posteriormente pela ASA em 2005.
Começou a trabalhar no mercado de BD Franco-Belga na revista Pilote em 1971 como escritor de BD. Basicamente não o considero um bom argumentista de BD, embora tenha feito muitas histórias curtas nos anos 70 para "monstros" como Philippe Druillet, Jacques Tardi ou o nosso desenhador deste livro, Jean-Claude Gal.
Para mim a sua principal herança foi a criação da Métal Hurlant Magazine (revista Heavy Metal) em 1975, com Moebius, Druillet e Farkas, sendo o editor chefe até 1985.

Jean-Claude Gal é um artista daqueles... daqueles que é impossível ignorar. Cada vinheta, cada página é um encanto visual!
Foi professor de desenho durante toda a sua carreira como desenhador de BD, e começou esta actividade na revista Pilote nos anos 70 com pequenas histórias.
Esteve presente logo no primeiro número da revista Métal Hurlant exactamente com uma das histórias curtas que compõem Os Exércitos do Conquistador, com argumento de Dionnet. Estas histórias curtas de Os Exércitos do Conquistador viriam a ser compiladas em 1977 num livro.

O seu primeiro trabalho de grande fôlego surgiu já nos anos 80 com o título L'Aigle de Rome, mas foi a saga de Arn (compilada neste livro da Levoir) que lhe deu mais notoriedade. Posteriormente trabalhou com Jodorowsky no primeiro volume de Diosamante, editado pela ASA em 2003, mas que infelizmente deixou a saga aí devido ao seu precoce falecimento em 1994.
Pelo meio da sua carreira houve uma aproximação de Bill Mantlo para o trazer para o mercado dos comics norte-americanos, mas essa hipótese foi gorada pelo tempo que Gal demorava a construir as suas ilustrações super minuciosas.

Este livro que a Levoir publicou nesta sua segunda colecção de novelas gráficas vale sobretudo pelo trabalho de Gal. Como disse atrás não considero Dionnet mediano sequer como argumentista, mas sempre se soube rodear pela nata artística da época que ia desenhando histórias suas, este foi mais um caso.

Os Exércitos do Conquistador que a Levoir nos trouxe compõe-se de várias histórias curtas sob esse nome, assentando sobre o tema da fantasia-heróica, tentando sempre um final enigmático de contornos sinistros, e inesperados para o leitor.
A saga de Arn preenche o restante livro, que termina com a história curta de Bill Mantlo, A Catedral, que segue o mesmo padrão das curtas de Os Exércitos do Conquistador.

A primeira parte fala-nos de episódios passados com o exército do um poderoso conquistador, e em que esses exércitos tinham a fama de serem imparáveis actuando em vagas cíclicas. São as tais histórias com tentativas de final "à la Twilight Zone" por parte de Dionnet.
Algumas até são interessantes, mas o deslumbre vem como sempre por parte de Gal. A minúcia e o detalhe são soberbos, e estamos a falar de uma época em que não havia ajuda de computadores para o desenho. Peço que atentem bem nos detalhes de coisas tão simples como o elmo de um soldado... podem passar uma hora a absorver detalhes de uma única página!

Estas histórias têm como protagonistas simples soldados ou destacamentos do poderoso e imparável exército, formando no seu todo um quadro de um mundo imaginário preparativo para a saga de Arn que vem logo a seguir, quase parecendo que estamos no mesmo espaço, embora a saga de Arn seja posterior a estas pequenas histórias em alguns anos.

De seguida temos Arn, uma épica e fantástica história de fantasia-heróica. Este um trabalho mais longo de Gal e Dionnet. E como trabalho mais longo, logo surgem alguns plot holes por parte de Dionnet, mas sinceramente alguém liga a isso quando olha para aquelas páginas?

Gal tem em Arn uma obra-prima emblemática de todo um tema que encanta gerações. Do soberbo detalhe já falamos atrás, mas em Arn os layouts são brutais, Grandes painéis fraturados, painéis com pequenas vinhetas a promover o movimento, páginas inteiras, páginas duplas, usando um movimento rápido mas curto nas suas pranchas para de seguida nos fazer parar numa spread page brutal, tipo a da caverna, faz com que o leitor quase sinta as emoções de Arn e esteja ali com ele, e sim, Arn fala pouco (obrigado Dionnet), mas o desenho de Gal transmite tudo o que Arn pensa e sente sem necessidade de balões.

Bom, estou farto de me babar neste post... Arn é basicamente uma história de vingança, da criança de sangue real vendida como escrava e que quer recuperar o que é seu por direito.


O Leituras de BD recomenda muito este livro. Toda a gente deveria conhecer a arte Jean-Claude Gal, sobretudo neste modernos onde a "arte flat" é a rainha da BD.
Já gora, este livro da Levoir preza a arte de Gal, mostrando este seu trabalho na forma original, ou seja, a preto e branco. Felizmente foi publicado assim, e não na versão posterior colorida.




Boas leituras





sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Lançamento Levoir: Sandman
Mestre dos Sonhos



A Levoir vai publicar em português a partir de6 de Outubro a grande e maravilhosa série Sandman. Por inteiro! Em capa dura!
Aqui o je ficou maravilhado... :)

Esta obra, assim como Watchmen, fez saltar a Nona Arte do rótulo "para crianças", para uma maturidade reconhecida. Quando começou a sair nos EUA, uma grande franja de leitores não consumidores normais de BD, sobretudo mulheres, reconheceu nesta obra um brilho acima da média, e fez dela um dos maiores best sellers da Banda Desenhada.
O principal personagem da obra é Morfeu, o Senhor dos Sonhos. Logo no princípio, no primeiro arco de história, Morfeu é capturado por engano num ritual em que o objectivo era capturar a sua irmã, Morte, por um Mago que queria viver para sempre.

Tomem atenção a esta apresentação por parte da Levoir:

Sandman

O primeiro volume Sandman, Mestre dos Sonhos de Neil Gaiman, Prelúdios e Nocturnos entrou na gráfica com 232 páginas. A partir de 6 de Outubro, a LEVOIR e o jornal Público vão lançar a Edição integral da série original do SANDMAN escrita por NEIL GAIMAN. São 11 volumes em edição de coleccionador, capa dura, dos quais 8 inéditos em português de Portugal, um volume por semana a 11,90€.

Considerada a melhor série de sempre do selo editorial americano VERTIGO.

Os livros são:
1.-Prelúdios e Nocturnos
2.-Casa de Bonecas
3.-Terra do Sonho
4.-Estação das Brumas
5.-Um Jogo do Ti
6.-Fábulas e Reflexões
7.-Vidas Breves
8.-A Estalagem no Fim do Mundo
9.-As Benevolentes 1
10.-As Benevolentes 2
11.-A Vigília

O que dizem de SANDMAN:

"Neil Gaiman is, simply put, a treasure house of story, and we are lucky to have him in any medium." - Stephen King

"The greatest epic in the history of comic books" - Los Angeles Times Magazine

"Clever, witty and beatufully rounded off."- Time Out



Boas leituras




quinta-feira, 16 de junho de 2016

V de Vingança
Colecção Novela Gráfica Vol.1



" O povo não devia ter medo do seu governo, o governo devia ter medo do seu povo."

Primeira impressão: é um livro poderoso! Muito poderoso! E saiu hoje!
Escrito por Alan Moore e desenhado por David Lloyd, “V for Vendetta” foi editado entre 1982 e 1985 durante 26 números pela revista inglesa “Warrior”, sob a sombra do romance de George Orwell “1984”. Existem muitos pontos de toque entre estes dois livros e penso que a data de inicio, 1982, é propositada pois o tema é o mesmo: totalitarismo!

Alan Moore fez parte do grupo de escritores ingleses que revolucionou os comics norte-americanos, transformando-os em leituras bastante mais adultas do que o que estava implantado na altura. Do que eu li deste grande autor destaco “Swamp Thing”, "Promethea", “Watchmen”, “Lost Girls”, “Doctor Who” e “Batman: Piada Mortal” (editado pela Devir em português). Para além disso escreveu para títulos como “Vampirella”, “Green Lantern”, “Superman, “Marvelman”, WildC.A.T.S.”, “Spawn”, Youngblood”, “Tom Strong”, etc…. são centenas de títulos escritos por este profícuo autor oriundo da Grã-Bretanha. O também britânico David Lloyd espalhou os seus desenhos por “Doctor Who”, “Hellblazer” e “Hulk”, entre outros.

Este livro editado pela Levoir em excelente formato, apresentação  e bom papel, é imprescindível em qualquer prateleira de quem gosta de BD ou de quem gosta de literatura. Embora as cores não continuem famosas mas na altura em que foi desenhado e pintado também não se conseguia muito melhor! Para além disso o traço de Lloyd também não quer grandes cores, não ficariam bem naquela Grã-Bretanha escura e totalitária, aliás, esta obra no seu começo era a preto e branco.

Posso dizer que a primeira vez que li este livro… fiquei impressionado! Na minha opinião bem superior a “Watchman” no seu conteúdo, esta história é muito profunda e eu relei o livro mais umas duas vezes para o “absorver” na sua totalidade. As ramificações e implicações desta história de Alan Moore vão longe, e numa primeira leitura não se consegue descobrir todos os pormenores relacionados com a envolvência da obra. É preciso uma certa cultura e atenção para localizarmos muitos dos pormenores que estão espalhados pelo livro neste ambiente “Orwelliano”, começando logo com a origem da máscara usada pelo protagonista.

Esta retrata Guy Fawkes, o homem que tentou explodir o Parlamento Britânico em 5 de Novembro de 1605, com o Rei incluído, numa tentativa de acabar com o Protestantismo vigente, substituindo-o pelo Catolicismo.

Claro que o atentado foi impedido e os “golpistas” presos e queimados na fogueira (incluindo Guy Fawkes). Este dia é feriado na Grã-Bretanha desde então. Ora a primeira acção deste revolucionário anarquista, “V”, é precisamente mandar pelo ar as Casas do Parlamento no dia 5 de Novembro de 1982, conseguindo aquilo que Fawkes foi incapaz de concluir. Depois, todos os trocadilhos com frases e palavras iniciadas com a letra “V” e o número “V” romano são inúmeros, tendo o leitor de estar com atenção para não perder a preciosidade de alguns pormenores relativos a “V”.
Infelizmente penso que muitos destes trocadilhos se perdem com a tradução para português.

“V” é um anarquista sobrevivente de um campo de concentração, que decide acabar com a ordem totalitária vigente criada por um governo fascista, usando este governo cinco departamentos para acorrentar a sociedade pós-guerra nuclear inglesa. Estes correspondem aos cinco sentidos humanos. A polícia secreta eram os “Dedos”, a propaganda política era feita pela “Boca”, a vigilância vídeo eram os “Olhos”, claro que a vigilância áudio era feita pelo braço governamental dos “Ouvidos”, e por fim o “Nariz” era o departamento de investigação. Tudo isto coordenado pelo "Leader" todo poderoso Adam Susan.

Todo este aparelho totalitário recriou acções de outros regimes do género, como perseguição politica, campos de concentração para homossexuais, negros, etc., etc. É claro que também não faltam as experiências feitas em humanos, e aqui, saído da cela número V sai “V”!

"V" representa a liberdade levada ao extremo, o Anarquismo, lutando contra o outro extremo (ditadura totalitária) e para não haver confusões faz a distinção à sua protegida Evey entre Anarquismo e Caos, duas situações diferentes e não sinónimas. "V" tem uma estratégia de vingança que não admite desvios, é um homem duro e que segue sem vacilar uma linha que conduzirá à queda do regime. Aqui, e perante as acções de "V", Alan Moore deixa à consideração do leitor se este homem vingativo é vilão ou herói! A linha é ténue...

É sem dúvida uma das grandes obras da Banda Desenhada que catapultou esta arte para faixas etárias mais adultas, e que em conjunto com outras obras marcou uma viragem na BD anglófona, elevando a Banda Desenhada a um estatuto superior, estatuto este que a BD francófona já tinha atingido. Também teve direito a um filme, que felizmente eu não vi e provavelmente não verei, porque tenho a quase certeza que será um filme redutor do argumento e do protagonista (quase de certeza transformado em super-herói...).

David Lloyd está em Portugal para apresentar este excelente lançamento. Dia 17 de Junho, sexta-feira, pelas 15h30 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova - Universidade Nova de Lisboa na Av. de Berna, 26.
Conversa com o David Lloyd, o Pedro Moura da Faculdade de Letras de Lisboa e da Bedeteca de Amadora e o Rogério Miguel Puga da Universidade Nova de Lisboa.
Dia17 de Junho, sexta-feira, pelas 18h00 no jornal Público (Loja) em Lisboa para uma sessão de autógrafos da edição portuguesa de V de Vingança, na Doca de Alcântara Norte.

Edição em capa dura, 296 páginas por 9,90€

"Distopia futurista na linha do 1984, de George Orwell, V de Vingança imagina uma Inglaterra sob domínio de uma ditadura fascista, com campos de concentração, e câmaras de televisão que vigiam todos os movimentos das pessoas. Hoje em dia com a actual omnipresença de câmaras de vigilância e a forma como as comunicações electrónicas são monitorizadas, mostram que, neste caso, a realidade ultrapassou a própria ficção."
- Levoir



Pode ser que agora as pessoas que usem aquela máscara a torto e direito ao menos saibam o que significa ;)

Boas leituras

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