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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Super Pig: O Impaciente Inglês


O universo Super Pig está em expansão, e em melhoramento contínuo. Quem leu o primeiro volume sente isso mesmo, um grande amadurecimento de ideias e a própria construção deste universo está mais meticulosa.

Pegando no primeiro parágrafo que escrevi, o primeiro volume estava um pouco desequilibrado ao nível do desenho e layouts, visto que foi uma compilação de várias revistas feitas por diferentes autores. Isto já não acontece no segundo (Roleta Nipónica), desenhado exclusivamente por Osvaldo Medina – em que ganhou com este livro na categoria “Melhor Desenho Nacional” – nem neste terceiro volume, em que o André Pereira foi responsável único pelo desenho.
Outra particularidade curiosa é a diferença de formatos ao longo do tempo. O primeiro volume era de dimensões reduzidas no que toca a altura e largura, mas o Mário Freitas editor resolveu (e bem) aumentar a dimensão do Super-Pig: Roleta Nipónica, e neste último volume temos uma publicação ainda mais alta e larga, aproximando-se do formato europeu. Será que o próximo volume irá ser ainda maior e de capa dura…?
:D

Como o argumentista Mário Freitas diz no seu prefácio, este livro seria impossível há uns anos. É resultado do seu amadurecimento como argumentista, e porque não dizê-lo, de editor.
Uma história coerente preparada com atenção aos detalhes, e digamos que não é fácil… uma história com uma personagem protagonizada por um porco antropomorfizado, roçando a Ficção-Científica e disparando várias personagens históricas através de várias camadas temporais, não é uma coisa fácil de tornar coerente e verosímil. Mário conseguiu-o através de aturada pesquisa histórica e de uma imaginação louca e fervilhante!

As passagens através do tempo estão muito boas, e a ideia de colocar aquele pequeno “filme” em rodapé acompanhando a ideia principal, completando muitas das ideias da história principal e preenchendo lacunas da vida do Super Pig, sobretudo na sua relação com o seu pai Calouste Pig, foi um excelente achado.

Se em Roleta Nipónica tivemos uma história de acção, simples e directa apesar de algumas referências culturais que algumas pessoas não terão “apanhado” logo na primeira leitura, agora temos essas referências aumentadas exponencialmente, com uma narrativa mais lenta e mais minuciosa no detalhe. Garantidamente houve muita pesquisa histórica para se fazer este argumento sem “plot holes” aparentes.

No que toca à escolha do inglês para as falas das personagens oriundas de países anglófonos, bem… também foi explicada no prefácio. Não tenho nada contra, aliás, acho que é lógico no contexto da história, mas penso que teria sido bom um apêndice no final do livro com uma tradução. Isto porque apesar de grande parte do público-alvo falar inglês, haverá sempre pessoas que não se sentirão tão à vontade na leitura desta língua, e porque não dizer, com essa tradução aumentar as margens para outro tipo público.

André Pereira tem um estilo neste livro de que eu gosto sinceramente. Garantidamente penso que uma das grandes influências gráficas neste seu estilo será Frank Quitely (e por arrasto Moebius). Mas eu disse influências, o estilo apresentado pelo André foge para o grotesco muitas vezes. O seu Pig é encorpado, detalhado e muito expressivo. Os layouts estão muito bem feitos, alguns possíveis problemas gráficos em alguns dos layouts foram muito bem resolvidos pelo desenhador, que se mostrou inventivo na apresentação de muitas das cenas.
Um desenhador a reter com certeza. Espero que se mantenha e evolua neste estilo, trabalhando mais em livros do que em fanzines. O grande público merece ver mais dele, e o circuito dos fanzines não permite essa abrangência de público.

Quanto à cor, bom… adorei! Foi das coisas que mais gostei neste livro. Uma excelente escolha na paleta de cores, muito homogénea ao longo do livro. Sóbria na maior parte do livro, o que faz explodir as cores mais vivas quando estas são necessárias para determinada cena!
Gostei muito do trabalho de cor de Bernardo Majer, sem dúvida! Mário Freitas apostou em dois artistas muito jovens e ganhou esta aposta, na minha opinião.

Quanto ao design… é muito bom.
A balonagem também está muito boa, mas a fonte usada nas partes em inglês que contam a história do artefacto está um pouco manuscrita de mais. Passo a explicar, eu uso óculos para ler, e tive de fazer um certo esforço para ler. A fonte é bonita e cai bem nestas falas, mas para mim foi um pouco difícil de ler.

Não me vou alongar na apresentação da história propriamente dita. Não quero “spoilar”, mas está em causa o passado familiar do Super Pig. Nas viagens ao passado deste livro encontramos o pai do herói ao lado de Winston Churchill, e a receber deste um misterioso artefacto. Artefacto este que vai iluminar muitos segredos do pai, e porque não dizê-lo, da história Vitoriana até quase aos nossos dias (ficção, claro…).

É um livro em que o argumentista Mário Freitas põe muito de si emocionalmente (sente-se e percebe-se perfeitamente), e cabe a vocês leitores descobrir as várias facetas e “nuances”, umas aparentes e outras escondidas, deste livro.
Gostei sinceramente, e fico à espera do 4º volume…
Para quem vai visitar o Amadora BD neste último fim-de-semana, o livro estará à venda no stand da Kingpin Books e o seu autor, desenhador e colorista presentes para dar autógrafos.

Podem ler nos seguinte links a minha opinião relativamente aos anteriores livros:
Live Hate
Roleta Nipónica
Lançamento Kingpin: Super Pig - O Impaciente Inglês (com mini-entrevista)

Boas leituras

Softcover
Criado por: Mário Freitas, André Pereira e Bernardo Majer
Editado em 2013 pela Kingpin Books
Nota: 9 em 10

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Lançamento Kingpin: Super Pig - O Impaciente Inglês (com mini-entrevista)


O livro chama-se o "Impaciente Inglês". Mas decididamente acho que o argumentista Mário Freitas está mais que impaciente pela saída oficial do livro!
Por vários motivos, claro... para além de argumentista, foi o legendador e fez o design da publicação.

Por esses motivos, e outros, nada como apresentar aqui em 1ª mão e em exclusivo, o prefácio. Este prefácio é o mais visceral que li até hoje. Mário Freitas tornou-o completamente pessoal e emotivo!
Não é muito normal eu apresentar aqui prefácios, mas este tem uma força que vem de dentro, tal é o comprometimento deste autor com o seu livro. Vale a pena quando assim é!

Apresento também uma mini-entrevista ao desenhador André Pereira e ao colorista Bernardo Majer. Sabendo o que o Super Pig representa para o Mário Freitas, foi de uma grande coragem "contratar" estes dois jovens, um de 26 anos outro de 23, para este livro.

Fiquem então com o texto de Mário Freitas e com a mini-entrevista aos dois artistas. As perguntas são exactamente iguais para os dois.

Prefácio do Autor

Não sou um português paciente.

Reza a lenda que estive quase a nascer no carro, tal a pressa de vir ao mundo, não fosse a louca correria do Comandante José de Freitas pelas ruas de Lisboa, sem particular respeito pelos sinais, luminosos ou outros. Felizmente, era de madrugada; e estávamos em 1972.

Perante este meu traço marcante de carácter, parece assim um paradoxo que a história que estão a prestes a ler tenha germinado na minha mente no já longínquo ano de 2006, provavelmente o mais difícil e conturbado da minha vida. Paradoxalmente também, ou talvez não, esse período coincidiu com um dos meus períodos criativos mais férteis, como se as agruras e incertezas da realidade me forçassem a sitiar num local recheado de ideias e potencialidades infinitas. Foi num desses escapes criativos que aquilo que começou como um simples trocadilho seco explodiu subitamente em várias direcções. As ideias fervilharam; os actores históricos perfilaram-se numa concorrida audição, exigindo presença destacada na teia que se desenrolava à minha frente. Obrigaram-me a pesquisá-los; a investigá-los. Fui forçado a escolher os mais marcantes, os mais carismáticos, os que mais persistiram no meu cérebro, tornando-os peças imprescindíveis na galeria de personagens do livro.

E que surpresas encontrei; que incríveis coincidências e bizarrias históricas me foram sendo servidas de bandeja e se encaixando na perfeição na trama secular que ia urdindo. De facto, nada consegue ser tão bizarro quanto a própria realidade: as alegadas conjurações e conversas de John Dee com o arcanjo proscrito Uriel; John Milton, totalmente cego, a ditar à sua filha trechos inteiros do seu poema épico «Paraíso Perdido»; os longos 24 anos que mediaram o início das pesquisas de Darwin nas Galápagos e a publicação de “A Origem das Espécies”; e, talvez o mais bizarro de todos os episódios reais, a fama inusitada que a dentadura de Churchill ganhou, antes e depois da sua morte, ao ponto de ser alcunhada de “a dentadura que ganhou a guerra” (e não é todos os dias que uma dentadura, ou parte dela, é leiloada pela módica quantia de 15.000 Libras Inglesas). Toda esta teia de particularidades históricas clamava por algo maior; ou por um fio condutor ainda mais bizarro...

Em última instância, a paciência, por vezes, é mesmo boa conselheira: o Mário Freitas argumentista de 2006-2008 não tinha ainda a maturidade e a experiência para lidar com um leque tão vasto e arrojado de ideias, e transformá--las numa verdadeira história. Além do mais, ainda não havia AniComics; e, sem AniComics, não haveria o André e o Bernardo, fundamentais pela qualidade e dedicação que emprestaram ao livro. 90 páginas de BD em 14 meses não são para qualquer um no panorama nacional. Hoje em dia, acredito que consigo conferir à minha escrita a subtileza humana imprescindível a uma saga desta natureza e que evite a queda fácil nos clichés narrativos clássicos dos múltiplos Códigos DaVinci deste mundo. Bendito seja Borges pelos conselhos inestimáveis sobre a paternidade e a abominação que representa. O cariz emocional deste livro passa muito por aí.

Noutro ponto, um dos maiores riscos que assumi neste livro foi a adopção de duas línguas distintas, consoante as personagens e as situações ocorridas. Debati-me com isso, acreditem; ponderei bastante. A minha ideia inicial era fazer o livro todo em Português, como é “normal”, como é a “regra”, afinal de contas. A dúvida assaltou-me quando comecei a escrever os diálogos das personagens históricas (Churchill, na circunstância) e senti uma dificuldade enorme em “entrar” nelas, fora da sua língua materna. Tudo o que o “Velho Bulldog” me assoprava ao ouvido e me impelia a reproduzir estava em Inglês e só assim a voz da personagem me soava verdadeira e verosímil. Com Oscar Wilde não foi diferente; dei por mim a imaginar a brilhante interpretação que Stephen Fry fez do dramaturgo irlandês a ser dobrada pelo Pedro Granger. Como castigo, senti a minha alma a ser arrastada para o paraíso perdido que John Milton idealizou. O velho puritano podia ser cego e já estar morto há perto de 350 anos; mas jamais foi surdo e a sua alma ainda hoje zela pela integridade artística dos seus pares. Dito isto, selei a minha decisão e comecei a escrever directamente em Inglês todos os diálogos das personagens históricas, assim como as narrações da personagem mais bizarra que a minha imaginação já concebeu (e não me refiro a Lorde Kent Waite...).


Perguntam-me se não receio que vá perder com isto uma fatia considerável de potenciais leitores, e a minha resposta é um não rotundo. Vivemos em tempos bilingues, em que cada vez mais os jovens adoptaram o Inglês como segunda língua, desde tenra idade. Na minha actividade livreira, não é incomum receber grupos de clientes que falam várias vezes Inglês entre si, just because, alternando-o com o Português materno, sem qualquer estranheza ou aparente dificuldade. E este é um livro de contrastes; de paralelismos; e a coexistência das duas línguas contribuirá, e muito, para o enriquecimento da experiência de leitura e para imergir ainda mais o leitor na história.

E por falar em história, sinto crescer em vós uma certa impaciência para começarem a lê-la, pelo que chegou o momento de me despedir. Pela minha parte, tenho muita curiosidade em saber a vossa reacção. Confesso até que estou impaciente por isso.

Mário M Freitas
Outubro de 2013




Entrevista a André Pereira (AP) e Bernardo Majer (BM)


Podes contar aos leitores deste blogue algo sobre o teu percurso na Banda Desenhada até chegares a este livro?

AP - Em termos de trabalho exposto, limitou-se a participações no Amadora BD; concorri pela primeira vez em 2006 e consegui o primeiro prémio do júri para o escalão A. A partir daí contribuí todos os anos com trabalhos novos até 2012. Pelo caminho consegui outro primeiro lugar (2010), um terceiro lugar (2008) e duas menções honrosas (2007 e 2012).
Fora isso, e imediatamente antes de ter sido convidado a participar no Super Pig, tinha começado a preparar um zine com o João Machado que acabámos por lançar pouco mais tarde, na Feira Laica de Verão de 2012; esse zine, o Enjoo de Invocação, foi entretanto relançado sob a chancela Clube do Inferno, a editora que, juntamento com outros dois amigos, fundámos no final do ano.
E houve ainda o primeiro contacto com o Rudolfo, que comecei a seguir no Tumblr por volta dessa altura também e que, depois de visitar a minha página, me convidou a participar no Lodaçal Comix que também iria sair nessa Feira Laica.

BM - O meu percurso na bd é relativamente curto - sendo que sempre tive o hábito de desenhar, comecei a fazer as primeiras experiências mais sérias em banda desenhada em 2011, com a ideia de que poderia fazer uma webcomic. Percebendo que ainda estava muito verde, passei o ano de 2012 a entrar em concursos, primeiro o Anicomics, depois o Portusaki e por fim o Amadora Bd, ganhando o primeiro lugar em todos. Certamente com alguma sorte, mas foi um excelente incentivo para tentar fazer alguma coisa mais séria.

Como surgiu esta oportunidade de desenhar este livro?

AP - Através do concurso do Anicomics de 2012: na altura já estava a desenhar o Enjoo e andava a tentar formar um portefólio de ilustração/BD para enviar a editoras, ver o que acontecia. O concurso do Anicomics era uma oportunidade como qualquer outra e a Kingpin, a editora por trás do festival, já tinha lançado trabalhos sérios e consistentes. Mandei o barro à parede e, apesar de não ter ganho nada no concurso, acabei por ser contactado pelo Mário para trabalhar com ele.

BM - Conheci o Mário Freitas devido ao concurso do Anicomics, na altura ele apesar de gostar da BD, achou que a Cor era ainda um dos meus pontos fracos. Só depois do concurso Portusaki, e de ele ter visto aquilo que eu tinha feito no facebook, é que me convidou para fazer o Super Pig com ele e com o André.

Quais foram as tuas principais dificuldades neste projecto?

AP - Acertar com as expressões do Pig, numa fase inicial. Tinha tendência a desenhar o que parecia ser uma pessoa deformada e não um porco airoso nas primeiras páginas, mas foi imediatamente corrigido.
Mas a dificuldade que se manteve constante até terminar o livro foi o processo de inking. Não foi fácil encontrar um registo de finalização que desse profundidade ao traço, mas para o final lá comecei a encontrar uma forma de o fazer que me agradasse minimamente.
Também foi a primeira vez que trabalhei com outra pessoa encarregue de colorir os meus desenhos; acho que no início não tomei isso em grande consideração, mas a partir do momento em que vi as primeiras páginas coloridas comecei a trabalhar com a colaboração em mente.

BM - Iniciais muitas. Foi realmente um período em que as aprendizagens foram imensas, é o que acontece quando encontras um desafio que está mesmo acima das tuas capacidades. Eu não estava a conseguir fazer nada. Mas com muitas primeiras páginas, lá foi ao sítio. Depois, nunca tinha colorido algo que não tivesse sido eu a desenhar, o que foi outro problema. O meu estilo de desenho é muito diferente do do André. Mas fui-me habituando, até se tornar quase automático.

Como é trabalhar com o Mário Freitas?

AP - É fácil. Ele deu-me desde logo bastante liberdade na concepção dos layouts e em grande parte dos enquadramentos. Nos momentos em que era preciso representar uma cena de forma mais detalhada, essas especificações vinham no guião.
Não me lembro de ter acontecido muitas vezes, mas quando algo não estava como ele queria, isso era discutido logo na fase dos lápis e trabalhava-se à volta o desenho nessa altura para que ficasse tudo em condições.
Fora isso, o Mário reconhecia sempre o esforço quando as páginas lhe agradavam particularmente e comunicava-o de forma igualmente clara.

BM - É confortante. Sendo eu muito novo nestas andanças, sei que o Mário consegue prever como é que o produto vai resultar. O projecto é dele, nesse aspecto sou um colorista e não um autor, o que realmente alivia imensamente a minha parte. Mas foi sempre uma relação de trabalho que correu muito bem, sem existirem verdadeiros altos e baixos. E apesar de por vezes ser chato ter de refazer páginas quando ele dizia que algo não estava bem, que o chão não devia ter aquele tom ou qualquer coisa do género, a página acabava por ficar sempre melhor. Pagaria a alguém para me fazer isso nas minhas bds todas.

Trabalhaste de que forma neste Super Pig, tradicional ou digital?

AP - Trabalho sempre em papel, tanto os lápis como as tintas. Da minha parte, o computador só serviu para corrigir alguns erros.

BM - Photoshop sempre.

Gostaste do resultado final do livro?

AP - Só lhe vou pegar pela primeira vez amanhã, mas pelo que pude ver do PDF, acho que a coisa ficou sólida. Acho que vou gostar.

BM - Gostei muito. Ainda não tive o produto final nas minhas mãos, mas fiquei contente com as páginas como as vi.

E para o futuro, já tens projectos?

AP - Sim. O Clube do Inferno vai continuar vivo e já temos vários projectos na calha para a Feira Morta de Dezembro; da minha parte, podem contar com uma história de 20 páginas que se vai chamar Safe Place. Já há esboços pela internet fora, mas não vou adiantar muito mais detalhes para já.
Também estou a colaborar com 3 talentosos mancebos (o Afonso Ferreira, o Zé Burnay e o Rudolfo) na criação de um livro que, se tudo correr bem, sairá ainda este ano, lá para o Natal. Não vou adiantar muito sobre este projecto, mas posso dizer que já temos editora para o pôr cá fora.
Fora isso, continuarei a fazer uns biscates esporádicos em ilustração e arquitectura, para ganhar algum. E tenho sempre o meu emprego diário, que ainda me exige 8h por dia.

BM - Coisas ainda muito no início, sem nada que interesse para contar.

Queres deixar alguma mensagem aos leitores deste blogue?

AP - Que continuem a gostar de BD e a apoiar a produção nacional, talvez; continuem a visitar os grandes festivais como o Amadora BD e o Anicomics, mas dêem também um salto a eventos mais reduzidos, como a Feira Morta, onde há um contacto mais directo com os novos artistas que estão a aparecer. Têm aparecido coisas bem giras por lá e algumas destas pessoas começam já a dar o salto para carreiras internacionais promissoras, mas que estão a passar um bocado despercebidas por cá (o Rudolfo, por exemplo, acabou de lançar o primeiro número no Negative Dad, que foi escrito pelo Nathan Williams, dos Wavves).

BM - Acho que não. Comprem a bd se quiserem, se acharem gira.

Obrigado André e Bernardo!
:)

Não se esqueçam, o livro será lançado este Sábado durante o festival de Banda Desenhada Amadora BD!

O André mandou estes links de projectos a que de algum modo está ligado:


Boas leituras

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Lançamento Kingpin Books: Super Pig - O Impaciente Inglês


Terceiro volume da série Super Pig. Este livro tem a particularidade de Mário Freitas considerar ser o seu magnum opus. Depois de Live Hate e Roleta Nipónica vai sair o Impaciente Inglês logo no primeiro fim de semana do 24º Amadora BD!

Este livro de certeza que será mais consistente a nível gráfico que o primeiro volume, onde vários desenhadores intervieram no seu desenho, Desta vez Mário Freitas foi "buscar" dois jovens artistas desconhecidos do grande público. E foi através dos Concursos de BD do Anicomics, e do seu desempenho nestes concursos, que André Pereira (desenho) e Bernardo Majer (cores) foram convidados para este projecto tão querido a Mário Freitas!

Afinal... sempre vale a pena concorrer!
Pelo que eu vi tanto o desenho como a cor estão muito bons! Esta dupla foi um excelente "achado" de Mário Freitas, ora vejam as primeiras oito páginas e fiquem com a nota de imprensa da Kingpin Books:

SUPER PIG: O IMPACIENTE INGLÊS

Em 1602, Isabel I e John Dee põem em marcha o plano que perpetuará a inequívoca superioridade cultural e económica do Império Britânico. Ou assim o julgam.

Quatro séculos depois, a chegada a Lisboa do polémico nobre inglês Lorde Horatius Kent Waite põe a nu as fricções no seio da Fundação Calouste Pig, embrenhada num processo de dinamização tecnológica impulsionado por SUPER PIG. O paradeiro incerto de um artefacto isabelino, intimamente ligado à morte de Shakespeare em 1616, fará Super Pig questionar o carácter do seu falecido pai e o passado deste às ordens do antigo Primeiro-Ministro e herói inglês da Segunda Guerra, Winston Churchill. E o que une o "Velho Bulldog" Churchill a personalidades tão díspares como o puritano John Milton, o diletante Oscar Wilde ou a impiedosa Rainha Vitória?


Uma viagem às memórias de um império; às verdades ocultas por detrás do sangue derramado e da exaltação das figuras que marcaram a sua história. E às memórias de pais e filhos; a momentos de intimidade e momentos de discórdia. Uma viagem a momentos de decisão, tensão e impaciência que ajudaram a ditar o curso da humanidade e que definirão o presente e futuro da Fundação Calouste Pig.

























Uma fusão arrojada entre o histórico e o ficcional, o oculto e o tecnológico, e o Português e a língua de Shakespeare, com o cunho irreverente e iconoclasta do criador e argumentista MÁRIO FREITAS, devidamente acompanhado pelos talentos artísticos de ANDRÉ PEREIRA (desenhos) e BERNARDO MAJER (cores), as grandes revelações do Concurso de BD do Festival AniComics 2012.

Capa mole, 27,3x19,1.
96 Páginas, cor.
16,99EUR.


Podem ver as minhas críticas aos primeiros dois livros  do Super Pig:
Super Pig: Live Hate
Super Pig: Roleta Nipónica


Boas leituras

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Super Pig: Roleta Nipónica




Este vai ser um ano particularmente activo da Kingpin Books enquanto editora, senão vejamos:
  • Super Pig: Roleta Nipónica (Mário Freitas e Osvaldo Medina)
  • Vamos Aprender (Aida Teixeira e Carlos Rocha)
  • Palmas para o Esquilo (David Soares e Pedro Serpa)
  • Super Pig: O Impaciente Inglês (Mário Freitas e André Pereira)
  • Hawk (André Oliveira e Osvaldo Medina)

Mário Freitas tem sabido rodear-se por bons artistas e autores e o resultado está à vista!


Roleta Nipónica é uma prequela na série Super Pig que nos leva até aos anos 70. Mário Freitas assume perfeitamente que o Super Pig é a sua personagem, e já foi acompanhado por vários artistas nas aventuras do suíno mais carismático e “cute” de Portugal! Desta vez o desenhador foi Osvaldo Medina (Fórmula da Felicidade, Mucha, C.A.O.S.), e claro, as coloristas de eleição da Kingpin: Gisela Martins e Sara Ferreira.
A legendagem, claro… é de Mário Freitas. É a sua especialidade, e com certeza não a ia deixar na mão de mais ninguém!

Mário Freitas apresenta uma história no passado do nosso Pig, onde acabamos por conhecer o seu pai, Calouste Pig, um Pig de muitas habilidades!
O autor conseguiu fazer uma excelente passagem do presente para o passado do Super Pig, valendo-se de um peixe…  o Fugu. A transição é aparentemente fácil, sem ser forçada, e para dar mais força à viagem para o passado as páginas iniciais no presente são a cores, quando o passado invade o livro temos um excelente cinza e tramas Manga. Aliás, no próprio design do livro tudo leva para este estilo. A cor do papel e a falta de margens superior e inferior aliadas ao trabalho de Gisela Martins e Sara Ferreira num ambiente Manga, promovem algo de original nesta saga do Super Pig. De resto o argumento está bem construído e é “fácil de gostar”.

Osvaldo Medina tem aqui uma das suas melhores prestações gráficas, na minha opinião e para o meu gosto. Definitivamente a Fórmula da Felicidade e este Roleta Nipónica são aqueles que preenchem de forma mais completa o meu gosto pessoal, sem desprimor para as outras obras do mesmo desenhador.

E claro, o trabalho das duas coloristas enriqueceu bastante o registo do desenhador…
:)

A história conta um episódio da vida de um Pig juvenil e apresenta-nos o seu pai. Vemos aqui de que “massa” são feitos os Pigs, num ambiente mafioso onde os bandidos de Aveiro estão de conluio com a Yakuza japonesa.
O rapto do Pig é feitos pelos empresários pouco escrupulosos desta região (Aveiro) , mas a reunião com os Yakuza não corre bem…
Calouste Pig decide salvar o seu “rebento” (Mário, tens de apresentar a mãe…) sozinho. Mas não pensem que este Pig é um suíno indefeso! Longe disso…
Tenho de dar os parabéns pela original “roleta” mortal que ele arranjou. Não vou “spoilar”, mas saiu-me um WTF no meio de uma gargalhada quando percebi qual era a roleta que dava o título ao livro.

É um livro de muita acção, muitas referências a tradições portuguesas e japonesas (sabiam que Aveiro é uma cidade geminada com Oita no Japão desde 1978?) e leitões da Bairrada, por exemplo. Leiam este livro com atenção porque por trás desta história aparentemente simples está um argumento muito inteligente!

Penso que este livro lança muito bem o próximo episódio no seu final (Impaciente Inglês), e se era bom entretenimento que o Mário Freitas desejava atingir com esta Roleta Nipónica, acho que esse objectivo foi muito bem conseguido.
É bom ver boa Banda Desenhada feita por portugueses...

Boas leituras

Softcover
Criado por: Mário Freitas e Osvaldo Medina
Editado em Maio de 2013 por Kingpin Books
Nota: 8 em 10

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ilustração: Super Pig por Gisela Martins e Sara Ferreira


Esta é uma ilustração inclusa no Super Pig: Roleta Nipónica. Este livro vai sair amanhã durante o Anicomics, e esta pequena ilustração vem logo no início do livro.

Gisela Martins e Sara Ferreira foram responsáveis pela cor, cinzas e tramas deste livro, e deram-nos esta pequena "fotografia" de família! O pequeno Super Pig, com o seu pai Calouste Pig!
No final existe outra excelente ilustração destas duas artistas, mas para a verem terão de obter o livro...
:P

Boas leituras e venham ao Anicomics!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Lançamento Kingpin Books: Super Pig - Roleta Nipónica (Anicomics 2013)


A prequela de Super Pig está quase aí!
Vamos conhecer o pai do nosso herói, o grande Caloust Pig, pela mão Mário Freitas (Super Pig) e de Osvaldo Medina (Agentes do C.A.O.S. – Nova O.R.D.E.M.A Fórmula da Felicidade Vol.1A Fórmula da Felicidade Vol.2Mucha).

A cor e os cinzentos estiveram a cargo de uma dupla vencedora: Gisela Martins e Sara Ferreira. É isso, as duas artistas que ganharam o concurso de Manga da Embaixada Japonesa em Londres com  I Love You. Esta dupla já tinha dado cor em várias obras da Kingpin como Super Pig,  A Fórmula da Felicidade  e C.A.O.S. – A Conspiração Ivanov.

Este livro sairá durante o Festival Anicomics, portanto dia 11 de Maio estará acessível a todos quantos o queiram ler.

O seu lançamento terá direito a um debate, com Mário Freitas e Osvaldo Medina; na moderação teremos André Oliveira.
Isto acontecerá no dia 11 às 15h00 no Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro.



Fiquem com a nota de imprensa da Kingpin:





SUPER PIG: ROLETA NIPÓNICA

Argumento de Mário Freitas
Desenhos de Osvaldo Medina
Cores e Cinzas de Gi Martins & Sara Ferreira

10 de Outubro de 1978. Durante a cerimónia oficial de geminação de Aveiro com a cidade nipónica de Oita, o pequeno SUPER PIG é raptado por três empresários locais sem escrúpulos e usado como moeda de troca numa parceria criminosa com altos representantes da Yakuza da cidade japonesa.


Receando pela vida do seu filho, o mui ilustre CALOUSTE PIG arrisca enfrentar sozinho a bizarra joint-venture mafiosa, mas vê-se envolvido numa espécie de roleta de contornos invulgares, que revelará as verdadeiras intenções do sinuoso Pinheiro, um empresário da Bairrada de reputação duvidosa, e da Yakuza de Oita, que planeia uma invasão gastronómica marcada a sangue.


Depois de Live Hate (nomeado para Melhor Argumento nos Prémios Nacionais Amadora BD), Super Pig regressa com uma nova aventura electrizante, numa fusão perfeita entre BD ocidental e Manga, graças à imaginação de Mário Freitas e aos talentos artísticos de Osvaldo Medina (A Fórmula da Felicidade, Mucha, Agentes do CAOS: Nova Ordem) e das mangakas Gisela Martins e Sara Ferreira, recentes vencedoras do Manga Jiman Competition, um concurso internacional realizado anualmente pela Embaixada do Japão em Londres.



48 Páginas, Cor (8 páginas)
Preto & Branco (40 páginas)
9,95EUR.



























Gostaram destas primeiras páginas? Deixem a vossa opinião!
Podem ver mais uma página no programa do Anicomics 2013, basta clicar no link:

Programa Anicomics 2013

O Leituras de BD apoia e recomenda o Anicomics

Boas leituras

terça-feira, 3 de julho de 2012

Super Pig: Live Hate

Super Pig foi das primeiras publicações da Kingpin como editora. Nasceu da mente do responsável desta editora, e da loja e com o mesmo nome, Mário Freitas.
A história deste título remonta a 2006 quando foi disponibilizada a primeira revista da série, tendo sido editados desde então mais três números em 2007 (#2 e #3) e 2008 (#4).
Estes quatro números foram compilados em livro, Super Pig: Live Hate, em 2011 numa edição recolorida, com novas legendas e mais algumas páginas originais.
Este livro é um livro bastante diferente do que é normal e usual fazer no nosso mercado, visto que mescla muito bem o mundo dos Comics, com a BD europeia, e para além disto tem uma forte componente da maneira de estar e pensar do autor. Quem leu o livro e conhece o autor da estória pode dizer que o Mário Freitas “está lá”!
Relativamente ao trabalho de Mário Freitas no livro… bem, ele esteve presente no argumento, arte-final, tons cromáticos, legendagem, design e edição. Posso dizer que esteve bastante bem, sobretudo nos diálogos credíveis, espalhando aqui e acolá bom humor, por contraponto à parte negra da estória. Esta está escrita de maneira inteligente, mas nem sempre ao mesmo ritmo. Tem um começo bastante rápido, e conforme a trama se adensa este ritmo vai diminuindo, mas sem cair na monotonia. Não sei se foi ele que planificou as pranchas, mas estas têm um grafismo por vezes bastante arrojado e não muito normal na BD portuguesa. As personagens vão sendo bem caracterizadas ao longo da estória, e de maneira credível, fazendo com que o leitor imagine aquelas criações como pessoas mesmo (apesar do protagonista ser um porco antropomorfizado).
Quanto à arte, ela varia um pouco assim como a técnica de colorização, porque há mais do que um artista envolvido. O meu gosto pessoal cai para o lado do Carlos Pedro, gosto mais dos seus quadros e dinâmica (com um certo perfume “noir”) neste livro do que os do Gabriel Evangelista (GEvan) que tem estilo mais certinho e bonitinho aqui. De qualquer modo o grafismo actual (já espreitei) do GEvan para o próximo livro já está num registo de que eu gosto muito. Para saber do que eu falo espreitem a capa do fanzine BDLP. Gosto!
Nas cores estiveram Gisela Martins e Sara Ferreira!
Super Pig é um porco que leva uma vida de Playboy, herdeiro de uma grande fortuna, gosta de investigar e colabora com a Polícia Judiciária. É também (não logo de início) chamado a ocupar o cargo de administrador na Fundação Calouste Pig (lol), criada pelo seu pai.
Mas há quem não goste do que ele representa… tem inimigos que insidiosamente vão envenenando tudo à volta dele. Cabe a vós, os leitores, descobrir o Live Hate!
Achei o máximo o crossover de personagens com outra série da Kingpin: Agentes do C.A.O.S.! Pois é… o Inspector Franco está lá e em grande forma!
Convido-vos a ler esta obra inteligente, tem muitos pormenores em que vocês se vão rever e várias referências à cultura pop que irão reconhecer. Fujam da “Deformação” e conheçam a cara do vilão na última página!
Este livro teve uma tiragem pequena tendendo a ficar escondido e anónimo nas livrarias que os têm nas prateleiras. Não foi nenhum best-seller, mas é um livro bastante interessante!
Posso dizer que o comprei com um pé atrás, um porco como animal antropomorfizado no mundo humano… não era bem a minha praia, aliás, por isso mesmo nunca peguei em nenhuma revista do Pig, mas quando saiu a compilação… comprei! Mas estou tudo menos arrependido com a compra. É uma obra honesta e pessoal do Mário Freitas!

Quando o dogma entra no cérebro, a actividade intelectual cessa.
Robert Anton Wilson

TPB
Criado por Mário Freitas, Carlos Pedro, GEvan, Gisela Martins e Sara Ferreira
Editado em 2011 pela Kingpin Books
Nota: 8 em 10

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