Livro de terror editado durante o 20º Amadora BD, com textos de David Soares (A Última grande Sala de Cinema), lápis de Osvaldo Medina (A Fórmula da Felicidade) e arte final de Mário Freitas (Super Pig).
Este é um género de registo que eu gosto muito em Banda Desenhada, mais que no cinema, e foi quase um reviver dos livros assinados por Ross Pynn (Roussado Pinto) da década de 70 com a revista Zakarella! Tenho bastantes livros do género, mas este é o primeiro com moscas gigantes (e nojentas também…)! Gostei na generalidade desta BD em modo “film noir”, sobretudo da expressão gráfica imposta a muitas das vinhetas, fazendo sobressair emoções derivadas do medo como repulsa e nojo. A própria protagonista, se é que se pode chamar assim, está numa situação de gravidez e isto gera também outro tipo de sentimentos que dão mais relevo ainda aos já referidos acima.
Gostei muito do trabalho de Osvaldo Medina, aqui num registo completamente diferente de “A Fórmula da Felicidade” (que não ganhou nenhum premio - ainda estou para perceber porquê) porque a estória de David Soares, e presumo que a planificação das vinhetas e pranchas seja também deste autor, necessitava de algo mais “sujo” e feio que o anterior trabalho deste talentoso artista. Aqui mostra que é bastante versátil. Quanto ao trabalho de arte finalista de Mário Freitas, acho que está bem feito. Numa Banda Desenhada a preto e branco o trabalho do arte finalista é muito importante, pois é ele que faz o trabalho final que irá ser impresso, e Mário Freitas não compromete, antes pelo contrário.
Quanto à estória propriamente dita acho que dava “pano para mangas” se os responsáveis pela edição do livro alargassem o número de páginas. A ideia é boa mas estória fica muito contida dentro daquelas 32 páginas. O trabalho de planificação da acção está bom, sobretudo se pensarmos que terá de ficar dentro das referidas 38 páginas. Penso que se o livro fosse um pouco mais alargado, permitia mais variações de velocidade e compreensão de algumas cenas… não sei se tal seria possível mas é a minha opinião. Em relação ao alemão falado no fim do livro, eu posso imaginar o que eles estão a dizer, mas nunca tenho a certeza… poderiam ter colocado a tradução numa página fora da “zona gráfica” (como aconteceu no volume 6 dos Passageiros do Vento).
Em relação à estória, bem, esta é mesmo para ser lida e absorvida por cada um. Acho que cada leitor terá uma opinião bem diferente dos outros, pois uma é estória muito aberta a interpretações pessoais por parte dos leitores.
Esta estória foi baseada na peça de teatro Rhinocéros do romeno Ionescu. Sem se perceber aparentemente porquê, os habitantes de uma aldeia vão-se transformando em gigantescas e ávidas moscas gigantes, excepto o carteiro e a aldeã Rusalka. O não perceber no imediato o que está a acontecer por parte do leitor, é o pormenor mais delicioso do livro.
Depois disto tudo, resta-me desejar…
Boas Leituras!
Softcover
Criado por: Osvaldo Medina, David Soares e Mário Freitas
Editado em 2009 por Kingpin Books
Nota : 7,5 em 10