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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Alice in Borderland Vols. 3 - 9

 


“… why are you alive?”


Pergunta muito complexa na sua simplicidade. E é basicamente esta pergunta feita no final do 9º volume, que ata toda esta história brutal (mas honesta) nas emoções em que revolve.

No primeiro post que fiz sobre esta série coloquei muitas generalidades e explicações, portanto leitores que venham até aqui pela primeira vez, cliquem por favor no link seguinte para que tudo faça mais sentido:

Alice in Borderland Vol.1 & Vol.2

Não vou enumerar todos os jogos que aconteceram nestes sete volumes, acho um pouco irrelevante, basicamente são testes de força, inteligência e superação psicológica, mas no final o ingrediente principal é a vontade de viver de cada um, é com essa vontade que se define o resultado de muitos jogos mortais.

No post anterior ficamos no volume 2, onde Arisu e Usagi encontram “a praia”. Local onde muitos jogadores se encontravam e coleccionavam cartas para os jogadores mais antigos e mais fortes.
Este refúgio era um local de prazer para todos os jogadores que lá se encontravam, desde que cumprissem as regras. Tudo mudou quando os se sabe que existem Dealers do jogo misturados, e se abre um jogo neste local. O jogo era o 10 de Copas, com o nome Witch Hunt.

Claro…  jogo de Copas implica intensa mortandade e guerra psicológica, assim no final do jogo “A Praia” está completamente destruída.

Criam-se grupos, criam-se ligações entre sobreviventes, Arisu e Usagi ensaiam um romance
Arisu pensa muito, pensa demais e entra num estado depressivo de que é salvo por Usagi, conseguindo atingir alguns dias de felicidade finalmente.

Os jogos entram numa segunda, e final etapa, e são grandes e terríveis jogos de vários naipes, alguns deles muito interessantes e retorcidos moralmente.
Esta segunda fase traz os Gamemasters ou Citizens para a arena. São eles que mandam em Borderland, sabendo-se depois em side stories que eles são sobreviventes do jogo que preferiram ficar, portanto, personagens poderosos.

Estes jogadores especiais vão arriscar a sua vida em jogos contra Arisu e os seus amigos. Os locais são identificados com as figuras de cada naipe. Sempre que um era eliminado a imagem da figura do naipe era destruída.

Os jogos na sua maioria são bastante bons, mas também tem alguns bastante chatos. Arisu ganha o primeiro jogo, mas fica afectado psicologicamente decidindo não jogar mais até o seu visto de permanência caducar, ou seja, entra em depressão novamente. Mas é algo que muda depois de ver uma filmagem de um jornalista, que lhe vai abrir a mente.

Entra no último jogo com Usagi contra a Rainha de Copas. O jogo é simples, mas é de Copas.
E foco-me por aqui no que respeita à história. Se quiserem saber tudo é fácil, é só comprar estes 9 volumes.

Adorei a progressão da arte de Haro Aso, sempre a melhorar até ao final. A narrativa gráfica sempre muito boa, e as personagens sempre muito bem tratadas nas expressões, sobretudo quando entra o desespero e o medo em equação.
O ambiente gráfico é muitas vezes sufocante sentindo-se toda a tensão da narrativa cravada na parte da gráfica.

Falando da narrativa, as personagens são muito bem tratadas psicologicamente. Não é uma nem duas personagens, são muitas, todas elas bem diferentes umas das outras e completamente tridimensionais.

O fio da narrativa perde-se um pouco com as side stories que vão acontecendo, para contar a história de alguma personagem, ou para colocar em evidência alguma situação pontual. Mas acabam por ser bastantes, e numa narrativa tão asfixiante, complexa e psicológica, o leitor acaba por criar uma ligação com o grupo principal, e quer saber o que se passa a seguir. Estas sides stories acabam por ser anti-orgâsmicas porque quebram a cadência do leitor. Nem todas, claro, algumas são importantes e cativantes.

Acabo este post com a pergunta inicial: porque estás vivo?

Qual a importância da tua vida? Ou quanto vale a tua vida?
Este é o ponto central de toda esta história. No jogo de Chishiya contra o Rei de Ouros isto é posto na balança de um modo brutal.

No final aparece uma carta diferente… o Joker. É um final excelente para toda esta obra tudo o que acontece a seguir ao Joker.

No fim disto tudo, o Leituras de BD recomenda vivamente esta obra.
Uma obra para se ler lentamente, a pressa estraga os pormenores narrativos.

Boas leituras


terça-feira, 24 de março de 2026

Dan Da Dan Vol.1

 


Quando um rapaz viciado em OVNIs colide com uma miúda que adora fantasmas, o Universo nunca mais será o mesmo!

Em Fevereiro deste ano de 2026, a Devir iniciou a publicação de Dan Da Dan (ou Dandadan      ダンダダン), Manga da autoria de Yukinobu Tatsu, cuja publicação se iniciou originalmente em 2021 como um webmanga publicado na aplicação Shōnen Jump+ da Shueisha.
Estão publicados 22 volumes no original, o mais recente saiu em Janeiro deste ano

A Devir está muito forte no Manga, com muitos títulos desde clássicos como Monster de Naoki Urasawa ou títulos bastante recentes como Kaiju n.º8 de Naoya Matsumoto.
Este Dan Da Dan vinha com bastante hype, então decidi comprar, visto que o tema se adequava ao meu gosto, e é um Shounen, e eu gosto de Shounens (Mangas direccionados para jovens adolescentes do sexo masculino).

E sim, sobrenatural e extraterrestres, tudo na mesma trama para mim é irresistível… 😆
Quanto eu hype não há problema, consigo perfeitamente pôr de lado o exagero do sensacionalismo criado nas plataformas de divulgação por leitores, ou editoras.

Então, temos uma jovem com inseguranças amorosas e um rapaz sujeito a bulling escolar, que juntos vão enfrentar o mundo, sejam ETs ou seres sobrenaturais.
Neste primeiro livro desafiam-se a provar um ao outro que cada um deles tem razão, Momo acredita em fantasmas, e Okarun em extraterrestres. Assim uma noite cada uma vai para locais propícios a provar que o outro estaria errado, o problema é que estão os dois certos.

E aqui começa uma enorme dose de caos louco, diversão, muita velocidade e cenas WTF. Qual será a droga do Yukinobu?? 😏😅

- Eu deixo-te chupar as minhas mamas, por isso…
- …deixa-me chupar-te a salsicha. 

                                                               😂😂😂😂


Achei algumas partes cómicas hilariantes, os extraterrestres então eram o máximo, e pronto, como contraponto o enredo também nos indicia um início romântico entre os dois protagonistas. A acção é extremamente dinâmica sem tornar as páginas confusas, mas bolas… que avó é essa Momo?? 😅

Ao nível do enredo, achei-o bastante forte para um 1º volume, gostei mesmo bastante, e a arte, bem a arte é excelente, excepto…

… excepto quando começam aquelas tretas das caricaturas que os japoneses colocam nos shounen e shoujo para demonstrar emoção naquela particular vinheta.
Esta parte chateou-me um bocado. Estou habituado a esta ferramenta dos mangakas neste tipo de registo, não costuma ser um problema para mim, embora não goste. Neste livro foi um perfeito exagero, e isso fez-me torcer o nariz.


O 2º volume supostamente já saiu, estava indicado como lançamento para este mês no site da editora. Vou continuar, mas se aquilo bonequinhos enervantes com veias na cabeça e olhos manhosos continuarem a sobrelotar o livro, acho que me fico por ali. Não tenho paciência para aquilo, supostamente este tipo de leitura também não á para a minha faixa etária segundo a classificação japonesa, só que eu não sou japonês e gosto de ler de tudo…
E é uma pena porque fora isso a arte é muito boa.


Editora: Devir

Páginas: 212 páginas a preto, capa mole

Formato: 12,6 x 19 cm

ISBN: 978-989-559-788-8

DANDADAN ©2021 by Yukinovu Tatsu/SHUEISHA Inc.


Boas leituras

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Alice in Borderland Vol.1 & Vol.2

 


Definitivamente esta era uma série de que queria ler o Manga há muito tempo, assim como há muito tempo vi alguns episódios da série da Netflix, que sinceramente já não me lembrava de nada.
Mas a como leitura tem outra substância que as séries teimam em perder (desnecessariamente) quando passam das páginas para o ecrã. Assim vamos iniciar esta run e levá-la até ao fim. Li os dois primeiros volumes, de nove que completam a série principal, e são estes dois de que eu vou falar neste post. Depois farei mais um, ou dois, posts com o resto dos volumes.


Alice in Borderland (今際の国のアリス, Imawa no Kuni no Arisu) é um Manga escrito e desenhado por Haro Aso. Saíram 18 tankōbon entre 2010 e 1016, a norte-americana Viz Media colectou entre 2022 e 2024 estes 18 volumes em 9 volumes duplos, e é esta a versão que apresento aqui no blogue, portanto estes Vol.1 & Vol.2 são na realidade os primeiros 4 da série original.

Esta série teve uma boa recepção por parte dos leitores, e o conceito de sobrevivência extremo agradou aos produtores da Netflix que a adaptaram para o pequeno ecrã em 2020. Este Manga acabou por influenciar a criação de outras séries dentro deste género, como o também famoso Squid Game.
Mas o autor ele próprio teve influências para esta criação e assim de repente Metro Survive veio-me à cabeça, porque eu já falei desse excelente Manga aqui no blogue, é só clicar no link.

A histórias de Haro Aso parte lenta de início e só não chateia porque a narrativa é boa e cuidada, caracterizando os para já três principais personagens: Arisu, Chota e Karube
Jovens a precisar de evasão das suas vidas reais, sobretudo Arisu, um jovem viciado em jogos com grande poder observação e análise. Arisu é quase um filho não pretendido, porque o seu irmão simboliza a perfeição que um pai procura num filho. Basicamente é aquele tipo de adolescente sem aspirações, sem saber o que fazer da vida e em que esta passa apenas para lhe dar encontrões.

Chota é apenas um jovem muito imaturo com as hormonas aos saltos e Karube é um pouco mais responsável e o músculo do grupo para quando surgem problemas.

A vida para estes três jovens muda quando uma noite ao observar um super fogo de artifício são transportados para uma cidade de Tóquio aparentemente deserta e aparentemente no Futuro.
Bem-vindos a Borderland!

Nestes momentos iniciais de descoberta conhecem a primeira pessoa neste cenário de aparente abandono: Shibuki
Esta jovem é quem lhes explica algumas das regras brutais do mundo onde agora estão inseridos.

Rapidamente são inseridos no primeiro jogo com a primeira carta: 3 de Paus
- Aqui ficam a saber quem não joga morre
- Quem joga mal morre
Todos têm de jogar, as cartas que ganham dão-lhes os dias de folga entre jogos (3 de Paus é igual a 3 dias sem precisar de jogar), o naipe da carta diz o tipo de jogo em participam
- Paus é mais mental
- Espadas é mais físico
- Ouros um misto de Espadas e Paus
- Copas… é aquele que ninguém quer, é psicológico

O número da carta, para alem de dar o número dos “dias de férias”, ou “visto”, também informa da dificuldade do jogo. Quanto maior o valor da carta mais difícil é o jogo.


E é com o 3 de Paus que tudo começa…

O primeiro jogo é resolvido por Arisu, mas Chota fica mal. Depois de descansarem resolvem que apenas Karube e Arisu irão fazer um segundo jogo enquanto Shibuki fica a tomar conta de Chota


6 de Espadas

Jogo físico e tenso onde Arisu mais uma vez brilha e onde ficamos a conhecer a segunda personagem principal: Usagi.
É esta jovem que finaliza o jogo com Arisu.
Aqui vamos conhecer mais personagens de interesse futuro como Chishiya um jovem manipulador e o seu par, Kuina.
Ficamos a saber também da Praia. Chishiya confidência a Karube sobre esse ponto de encontro de Borderlands

 

7 de Copas
Aqui a coisa azeda…  muito. Ponto de viragem na história de modo brutal, e não digo para evitar spoiler do tamanho de um comboio


A Praia
Aqui sim começamos a conhecer o lado mais selvagem de Borderland. Os jogos podem ser brutais, infantis na sua concepção, mas mortais na sua conclusão. Mas nada se compara ao animal Humano em selvajaria e uso do próximo para os seus fins.
Este volume acaba num cliffhanger horroroso. Ainda não peguei no próximo livro, queria fazer este post primeiro.


A escrita desta série, assim como a parte gráfica, melhora a olhos vistos com o passar dos capítulos. Tudo muito mais fluido, e a arte então não tem comparação entre as primeiras páginas do Vol.1, muito simples, muito cartunescas por vezes, com o final do Vol.2, cheio de trabalho e detalhe.
Agora vou passar para o 3º volume porque não dá para esperar mais!

 

O Leituras de BD recomenda Alice in Borderland!

 

Boas leituras


quarta-feira, 13 de julho de 2022

Sensor

 


Um dos mangakas mais apreciados por mim é Junji Ito. Tenho três obras dele, Uzumaki, Tomie e Gyo, das quais considero Uzumaki inultrapassável dentro do género. 

O género é mesmo "horror", e Uzumaki foi a única obra de BD que me provocou calafrios até hoje... não sou muito sujeito a "horrores/terrores" apenas com duas dimensões, ou seja com desenhos. Neste caso o horror é induzido e entranhado na psique do leitor através de sequências gráficas representando ideias muito fortes, medos universais e horrores intrínsecos à espécie Humana. Junji Ito é mestre nesse tipo de aproveitamento. 

Junji Ito foi nomeado para os Eisner Awards em 2003 e 2009 com Uzumaki, e acabou por ganhar este prémio em 2019 com a adaptação para Manga do Frankenstein de Mary Shelley para a "Best Adaptation from Another Medium". Apanhou o gosto por este prémio e em 2021 ganhou mais dois Eisner Awards com dois títulos: Remina e Venus in the Blind Spot, recebendo o "Best U.S. Edition of International Material - Asia" e o "Best Writer/Artist

Falemos de Sensor.
Esta obra até determinada altura da sua publicação em revista tinha o nome de Travelogue of the Succubus. Iniciou a sua publicação em capítulos na revista Nemuki+ de Agosto de 2018 a Agosto de 2019.
A sua publicação em livro foi feita no final de 2019, sendo a publicação em inglês feita por intermédio da Viz Media numa excelente edição, com dust cover, capa dura e um papel maravilhoso, em Agosto de 2021. Este livro foi nomeado para o Festival International de la Bande Dessinée d'Angoulême  para melhor livro em 2021.

Falando na história, esta foge um pouco ao estilo de Ito, penso que ficou um pouco pesada e repetitiva com explicações completamente desnecessárias. É um conjunto de pequenos capítulos, por vezes algo complexos na quantidade de informação e que supostamente no final deveriam atar a história coerentemente. Penso que não se conseguiu a 100%. 

Gostei muito do início, deixou muita água na boca com ideias que poderiam ser muito bem desenvolvidas, só que na minha opinião o autor foi-se perdendo aos poucos na narrativa. Talvez o método usado por Ito para este livro fosse arriscado nesse aspecto, ele foi fazendo os capítulos para a revista sem ter a história delineada. Penso que isso fez com que a consistência narrativa falhasse um pouco aqui e ali, na minha opinião, sobretudo no final.

Aliás, perde-se tanto que a protagonista ao longo da história vai quase deixando de ser uma personagem para ser uma ferramenta narrativa, sendo que a história é contada por um jornalista, Wataru, que vai seguindo Kyoko (a protagonista) obsessivamente sempre um passo atrás, em capítulos contidos. E por falar em capítulos, Battle of Bishagaura é excelente, é Junji Ito no seu melhor. Todo aquele frenesim com os gafanhotos suicidas foi muito bom.

Da maneira que estou a criticar a história do livro até parece que é má... mas não posso dizer que o seja, quero dizer que poderia ser mais bem estruturada e desenvolvida nos capítulos certos. Temos conceitos muito bons sobretudo do que é maligno universalmente, temos temas religiosos cristãos, o que é o Universo e quem é o seu criador, tudo isto embrulhado em ambiente paranormal. Temos Kyoko como o emblema do bem supremo, mas está encharcada de um poder terrível (e horrível) numa obra em que a desgraça e a melancolia são o rio onde ela navega. O antagonista representa o criador de tudo, o mal supremo!

Agora passo para a arte, e aqui meus amigos leitores, Junji Ito nunca defrauda! Adoro o traço limpo, bonito, com detalhe e ao mesmo tempo leve. Não sei que adjectivos posso mais usar, mas uma pessoa perde-se na quantidade de detalhe que algumas páginas têm. 

Não é o melhor livro de Ito, mas para os apreciadores deste género é um must have de certeza.
Deixo aqui em baixo a sinopse deste livro, pois eu pouco falei da história propriamente dita. Isso vocês podem descobrir por vocês próprios lendo o livro :D
Mas pronto, fica a introdução da editora:

“Uma mulher caminha sozinha no sopé do Monte Sengoku. Um homem aparece, dizendo que está esperando por ela, e convida-a para uma vila próxima. Surpreendentemente, a vila é coberta por fibras de vidro vulcânicas semelhantes a cabelos, e tudo brilha em matizes dourados.
À noite, quando os aldeões se reúnem para cumprir seu costume de olhar para o céu estrelado, incontáveis ​​objectos voadores não identificados caem sobre eles – o acto de abertura para o terror que está prestes a ocorrer!”

Aqui em baixo uma parte do interior da maravilhosa dust cover. Infelizmente é uma ilustração muito grande, dessa maneira ficam apenas com este pormenor.







Boas leituras




terça-feira, 12 de julho de 2022

Kaiju nº8 - Vol1
怪獣8号


Kaijū
(怪獣): é uma palavra japonesa que significa "besta estranha"ou "animal incomum", mas que costuma ser traduzida como "monstro". 

- In Wikipédia

Kaiju nº8 é um dos últimos sucessos do género shounen dentro do Manga.
O autor é Naoya Matsumoto, e a run original foi publicada pela Shueisha na sua revista Shounen Jump+ em Julho de 2020 . Esta editora começou a compilar os capítulos que saiam na revista em volumes tankōbon no final desse ano. A publicação em Língua Inglesa ficou a cargo da Viz Media, sendo que este volume que tenho na mão saiu em Dezembro do ano passado.

Em Março deste ano existiam 6,7 milhões de cópias dos sete volumes já publicados no Japão, dois em Inglês e quatro em francês (principais mercados). Daí eu dizer que é um dos últimos grandes sucessos Manga a ser publicado no ocidente. Em França vendeu na primeira semana mais de 20 mil cópias, sendo a melhor estreia de vendas de sempre de um Manga neste país.

Posta esta apresentação podemos falar um pouco do autor, Naoya Matsumoto, que de facto não tem mais nenhum trabalho de monta, sendo este sucesso o seu primeiro. Falarei da história mais à frente, agora podemos falar do seu desenho. 
No geral é bastante bom, tem excelentes momentos, mas por vezes cai no vulgar, daí eu ficar pelo bastante bom. Tem de ganhar um pouco mais de consistência, e se vamos falar de monstros temos de ter um pouco mais de detalhe neles, que por vezes falta. Mas na generalidade é uma arte bonita com algumas texturas bastante interessantes.

As sequências mais dinâmicas são muito boas, com algumas spread pages espectaculares, os movimentos são fáceis de ler, tornando as cenas de acção mais limpas que em algumas séries, em que é impossível de "acompanhar" os movimentos. Outra coisa boa, as personagens (até agora) são fáceis de identificar graficamente, sendo bastante diferentes umas das outras. Adorei as primeiras páginas coloridas, o kaiju está muito bom, acho que aqueles cores ficam a "matar" naquele bicho grande :D.

Quanto à narrativa. Acho que começou muito bem! Foi original na estrutura shounen, mesmo muito interessante. Esta estrutura é uma receita já muito batida que assenta muito nos grandes sucessos como por exemplo Naruto (que já se tinha baseado em Dragon Ball), em que temos o jovem herói, normalmente muito valente e voluntarioso e com uma maneira de ser diferente dos restantes (Son Goku e Naruto), temos a amiga (Bulma e Sakura), e o amigo normalmente mais introspectivo que faz o contrabalanço do herói (Vegeta e Sasuke). Depois destes vem o regimento dos coadjuvantes que são responsáveis pelas transições, momentos de humor e consistência na narrativa, ocupando os espaços vazios (Kuririn, Yamcha, Piccolo, etc, e Neji, Rock Lee, Choji, etc). São histórias cheias de acção, muitas batalhas, algum humor e com forte camaradagem entre as personagens "do bem".

Matsumoto foi original porque escolheu um protagonista "velho" de 32 anos, um fracassado na "cena heróica" e com um emprego do mais nojento que se poderia ter. Kafka Hibino, o protagonista limpa a esterqueira que fica depois da tropa de elite eliminar um monstro. Eles são enormes e alguém tem de limpar toda aquela carne, órgãos vários (intestinos em evidência)... e Kafka faz parte de uma empresa de limpeza de Kaijus mortos. Contrariando o esquema shounen, para além de "velho", ficamos a saber que ele é um desistente (tentou entrar para a tropa de elite devido a uma promessa, e desistiu). Os primeiros capítulos falam disto mesmo, dessa vida de fracasso e dos sonhos abandonados de pertencer à Defence Force, e em vez disso trabalhar na Monster Sweep Inc
Daí eu achar que é um take diferente neste género de Manga.

É-lhe apresentado nesta altura um jovem, Reno, que vai trabalhar para a empresa dele, e que está lá para perceber melhor a anatomia dos monstros, visto que que vai candidatar à Defence Force para os combater. Este jovem não compreende como Kafka pode desistir do seu sonho...

Não vou spoilar muito por aqui, mas isto pode dizer-se porque está implícito no título, depois de um ataque de um kaiju, Kafka e Reno vão parar ao hospital. Aqui Kafka vira bicho (kaiju) devido a um episódio que eu não conto. E sim, ele vai concorrer à Defense Force, apesar de ser um zero à esquerda...

É aqui que a história perde um pouco a originalidade dentro do shounen, visto que daqui até ao fim será acção sobre acção, típico deste género. Não falei disso, mas aos poucos a personalidade de Kafka vai sendo construída, e descoberta pelo leitor, através de back stories que por norma são uma ferramenta que os japoneses gostam de usar, e fazem-no bem por norma.

Quero ler os dois próximos para fazer um juízo mais perfeito da série, pois tem muito potencial, e no hospital houve algo que foi dito que acho que vai dar um bom twist à série no futuro. É um bom primeiro livro dentro do género.

A ver vamos se me prende definitivamente, porque para eu ficar preso a uma narrativa especificamente escrita para jovens, é preciso ter algo de especial (ou no mínimo eu gostar muito só porque sim... :D  )
Para o mês faço o segundo volume.



Boas leituras

terça-feira, 14 de junho de 2022

Então? Abandonaste os Super Heróis? Agora só lês Manga?



Resposta à pergunta do título: Sim e Não

Um amigo fez-me esta pergunta e a minha resposta foi mesmo essa, sim e não.

Vou tentar desenvolver um pouco sobre este assunto, e sobre os motivos porque deixei o mainstream de comics de super-heróis e porque cada vez mais entro pelo mundo do Manga

Primeira premissa, para mim é tudo BD chamem-lhe os nomes que quiserem, comics, manga, bande dessinée, tebeos, fumetti, aquilo que quiserem. Para mim é BD.

E a BD eu divido em vários grupos: excelente, boa, interessante, méh, mauzito e "a evitar". Dentro destes grupos tem BD oriunda de todos os locais do mundo.

Dentro da BD norte-americana, comics, existe um género que eu sempre adorei: super-heróis

Quem não gosta de uma boa história heróica, em que seres com poderes que todos nós em sonhos gostaríamos de ter, têm de lutar contra antagonistas terríveis, têm vida dupla, têm problemas na sua vida "normal", que se superam perante a adversidade, com a sua inteligência e a sua força, e não só a adversidade de terem de lutar contra um antagonista formidável, como também lutar com as adversidades que a vida social, familiar ou laboral lhes colocam. Isso é a massa de que é feito um verdadeiro Herói.

Têm história, têm um passado e o leitor sabe o que os levou a ser aquilo que são no presente, em que está a ler na história que tem na mão.

Nos últimos 10 anos, com algumas excepções caminhou-se para um caminho fácil caça-níqueis, em que os arcos de história são desenhados e por vezes escritos por várias pessoas. Para eu conseguir seguir uma história tenho de comprar vários números de títulos diferentes. Ex. inventado como explicação:  para eu conseguir ler a saga Avengers vs. Asteróide of the Big Donut, eu tenho de comprar os números do título Avengers, certo? Não. Eu tenho de comprar os Avengers, o #37 do Hawkeye, o #232 do Hulk, o #17 e o #25 do Spider-Man. Depois disto tudo tenho de comprar a mini-série Avengers vs. Asteróide of the Big Donut. Dentro disto tudo sou capaz de ter boa arte, péssima arte, escrita aborrecida, boa escrita e parvoíces do Arco da Velha. Ou seja, é complicado...


E a complicação torna-se ainda maior porque existe uma coisa chamada "cronologia". Estes heróis têm décadas de história, contada por vários escritores que em alturas foi para um lado, vindo outros escritores que a levam para o outro, criando um emaranhado brutal, cuja solução é o célebre reboot! Só que nos últimos anos os reboots têm sido sucessivos nas duas editoras principais de super-heróis: a Marvel e a DC.

Um outro problema que afecta os fãs é a modificação da personagem, tanto ao nível da personalidade como no aspecto físico. Não estou aqui a fazer mimimi. Personagens com décadas de história foram criando muitos fãs ao longo do tempo, se a sua personagem favorita é modificada, perdem o fã. Isto é elementar. Agora fazer isto com o objectivo de ir buscar leitores a outras camadas de possíveis compradores, tudo bem, eu aceito. Mas deveriam no mínimo ter feito um estudo de viabilidade. Acho que não foram feitos. Mas a editora não é minha, nem tenho lá acções, portanto para mim é batatas.

Da minha parte foi muito simples, sim, deixei de comprar comics de super-heróis da actualidade, com excepções para dois ou três títulos que eu acho bons, e de que eu continuo fã - Green Lantern, Green Lantern: Earth One, Batman: Earth One, Wonder Woman: Earth One e Superman: Earth One. Todos os títulos Earth One são muito frescos e bons ;)

Penso que a solução para os problemas postos pela sociedade actual (estou a falar de inclusão e diversidade) estiveram sempre à frente dos olhos dos editores, mas preferiram ir pelo mais fácil, e está a ser aquilo que se vê. Vendas abaixo de fracas. Penso que apenas Batman e revistas associadas estão a vender minimamente.

Digo que esteve/está  à frente dos olhos porque o caminho era simples: construção de novos heróis com boas bases, uma história e um passado com a qual o público pode ter empatia e em que a sua luta fosse com o eterno Mal, e não andarem apenas em manifestações políticas ou sociais. Temos dois exemplos muito bons de sucesso: Batwoman, homossexual, e Ms. Marvel - não confundir com a Carol Danvers, esta é uma adolescente muçulmana paquistanesa, a Kamala

Porque tiveram sucesso? História bem construída, com imaginação, um background minimamente sólido que dá tridimensionalidade às personagens, escritas e desenhadas pelas mesmas pessoas. Quando a Batwoman passou a ser escrita e desenhada por outros e noutros termos, foi cancelada quase logo a seguir. Aprenderam? Não.


Cada editora faz aquilo que lhe apetece com o seu património, posso ficar infeliz por deixar de seguir este ou aquele título, mas a vida continua e cada leitor opta por aquilo que gosta mais. Não vou andar a erguer bandeiras contra aquilo ou aquele. Simplesmente o dinheiro é meu e eu gasto onde gosto.

De notar que eu não deixei de comprar BD norte-americana, deixei de comprar super-heróis, porque os comics são muito mais do que jeitosos de uniforme fixe a voar por aí, há todo um mundo de BD americana brutal de bom. E dessas obras eu compro quando posso.

Relativamente ao Manga, o que posso dizer... existe bom, mau, horrível, excelente e por aí! Mas tem coisas que fazem com que eu tenha feito o meu dinheiro divergir dos super-heróis para o Manga?

Tem. Muitas. O preço, a oferta, a ausência de censura, mas a principal é a consistência artística e narrativa.

O preço é imbatível, não tem comparação. A oferta é vasta (inclusão e diversidade sociais incluídas aqui). Temos Mangas para todos, mas todos os gostos mesmo, e todos eles separados para esses mesmo gostos. Temos Mangas de cozinha, de pesca, de basquete, de terror, recortes do quotidiano, para adolescentes rapazes, para adolescentes raparigas, para adultos, para homossexuais, de caça, fantasia, pornográfico, enfim, é tudo um mundo para ser descoberto.


Falando do principal, a consistência. Vamos colocar aqui uma manga famoso como exemplo, Naruto.

Foram 15 anos de publicação e 72 volumes de 200 páginas. O autor foi apenas um durante estes 15 anos, Masashi Kishimoto desenhou e escreveu toda a saga de Naruto. É certo que para muitas páginas e para adiantar trabalho houve mais desenhadores do seu estúdio que intervieram, a diferença é que têm que desenhar exactamente como o seu Mestre, portanto a arte não tem mudanças, excepto aquelas que são óbvias, ou seja, um artista vai evoluindo ao longo do anos. A arte dos primeiros volumes (1999) não tem nada a ver com os últimos (2014), mas como é óbvio essa evolução é gradual ao longo dos 72 volumes, e é uma evolução e não uma mudança. 

Quem inicia a leitura de Naruto sabe que: Não vai mudar o desenhador, não vai mudar o estilo, não vai mudar o tipo de narrativa, não vai haver reboot, não vai precisar de comprar outros livros daquela editora para ter a continuidade da história, o Naruto não vai mudar de identidade (vai crescer, mas não mudar), não vai mudar de cor e não vai mudar de género. 
A isto eu chamo "consistência".


E descobri obras de uma qualidade brutal, tipo nas 10 melhores obras de BD de sempre eu coloco facilmente três ou quatro Mangas. Outras obras são perfeitos guilty pleasures, outras viciantes ao extremo, outras muito perturbantes....

"- Áh! Eu não gosto de Manga!" Isso é só parvo de dizer por alguém que garantidamente desconhece a BD de um dos países que mais a produz. Eu já fui assim, e evoluí. Em 2007 comprei e li os 3 volumes da edição não censurada de Ghost In The Shell. A partir daí, aos poucos fui percebendo melhor este mundo que se abriu para mim. Neste momento é 50% das minhas leituras.


Perante isto, este deslocar de euros para o Manga é apenas óbvio.

De notar que continuo a comprar e ler BD europeia e obras norte-americanas fora do mainstream de super-heróis. 

Portanto, sim, abandonei os super-heróis; e não, não leio só Manga :)



Boas leituras

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Solanin



Este foi o primeiro livro que li de Inio Asano, garantidamente não vai ser o último. Reli esta semana este manga slice of life, recorte do quotidiano, e isto era algo que já tinha vontade de fazer há uns tempos. Porquê? Porque embora tenha adorado o livro na altura, apercebi-me que esta obra tinha muito mais a dar-me com uma segunda leitura. E tinha! 

Originalmente publicado Shogakukan em dois volumes no Japão entre 2005 e 2006, foi produzido depois pela editora norte-america Viz Media num só volume em inglês em 2008. Esta é a minha edição. 
Asano, nascido em 1980 , é considerado por muitos como uma das grandes vozes dos jovens adultos japoneses deste século, devido à maneira como trata os temas com que impregna parte das suas obras. Ansiedades, depressões, alegrias, o mundo do trabalho, enfim, tudo o que afecta jovens entre os 20 e os 30 anos no início da sua vida adulta. 

Solanin foi um livro marcante para ele, penso que foi o seu primeiro grande hit, mas logo a seguir inicia a série Goodnight Punpun que se torna um best-seller. 5 anos depois de Solanin torna a criar mais um trabalho notável, Dead Dead Demon's Dededede Destruction
Mas o meu próximo slice of life dele vai ser a sua obra de 2009 A Girl on the Shore (vou tentar deixar um print desta ideia de livro no cérebro de alguém que me o possa oferecer de aniversário aha) 

Se este é um livro com originalidades marcantes? Não! Não é um livro com um final retumbante, não é uma aventura de tirar o fôlego, não é sci-fi, enfim, é um livro chato. Será mesmo? 

Solanin apesar de ser a preto & branco é um livro com muitas cores, um verdadeiro caleidoscópio de sentimentos e introspecções que são contados e mostrados, vividos por um conjunto de jovens que saíram da escola, e entraram naquela vida a que nós chamamos vulgarmente “vida de bosta”. Acabaram-se as loucuras adolescentes, acabaram-se os hobbies, casa para pagar, eu trabalho de dia e tu de noite, o trabalho é uma porcaria sem rosto e sem alma, enfim… a vida é chata. 
Mas podemos mudá-la se para isso houver força, amor e camaradagem! 



Nesta história agridoce as mensagens sobre descoberta e crescimento insinuam-se na maior parte das páginas, a relação entre a liberdade e o aborrecimento (e a morte), a convivência com a memória, memória esta que leva à imortalidade de entes queridos, são assuntos muito bem tratados de uma forma mundana que quase que parecem que nem estão ali. 

A narrativa revolve à volta de uma mão cheia de jovens, Meiko, Taneda, Kato, Rip e Ai. À volta deles temos uma série de personagens que fazem correr a narrativa fluidamente. 
O pontapé de saída é dado por Meiko, que é infeliz no trabalho e resolve despedir-se. Tem dinheiro para se sustentar durante uns tempos e resolve experimentar a liberdade de fazer apenas o que lhe apetece.

Taneda é o namorado que vive com ela, têm uma relação de seis anos. A situação de Meiko acaba por fazer esticar algumas vertentes da sua relação, relação esta que influi directamente na vida dos restantes amigos. Taneda era guitarrista e vocalista numa banda com os restantes companheiros, a banda Rotti. A situação da banda é importante porque Taneda acaba por se despedir também para seguir o seu sonho de viver da música. 

Com estas premissas Asano constrói e desconstrói a vida destes rapazes, não vou contar mais nada do que se passa no enredo, porque seria impossível evitar spoilers daqui para a frente. 

Asano narra a história mais vulgar que existe, mas esta narrativa gráfica é primorosa, tem impacto no leitor e não o deixa indiferente. Seja nos pormenores humorísticos (poucos) que são deliciosos, seja nas reflexões das personagens que podíamos ser nós. 

Essa é talvez a grande força deste livro, nós conseguimos identificarmo-nos em muitas situações, e elas são-nos descritas de modo a que ficamos presos à vinheta, à página, ao livro. E não nos podemos abstrair que este livro é um retrato também, uma fotografia de uma sociedade mais restritiva que a nossa, mas onde existe luta e inconformismo. A canção Solanin tem muito disso. E no final... a banda era mesmo isso, um grito de liberdade, uma corrente de camaradagem entre eles.

A primeira parte do livro é lenta, por vezes a roçar o chato. Mas é premeditado, a vida deles era isso mesmo: aborrecida e chata. Mas tudo muda depois, sim depois voltamos ao assunto de fazer perdurar a memória de quem gostamos ou amamos. Inicialmente tivemos o velhote com Alzheimer que apesar disso escreveu durante anos para a sua mulher falecida, na segunda parte voltamos pungentemente a esse assunto. Memória e imortalidade. 

A arte de Asano é excelente, a maneira como ele flui entre vinhetas e páginas cativa a visão do leitor, fazendo-a acelerar ou parar onde este artista decide que o leitor o deve fazer. Muitas vezes quando a personagem está em reflexão, Asano opta por fazer menos vinhetas na página e deixa um espaço negro entre elas, onde coloca o pensamento da personagem em dois ou três grupos de reflexão, obrigando o leitor a ler e não passar na diagonal. 
Esta saída gráfica é bastante inteligente e eu gostei. 



A forma de representação gráfica das personagens define um certo estilo ao longo do livro, por norma a face é larga com os olhos afastados e amendoados com sobrancelhas pequenas e altas, e o nariz pequeno e largo, dando muito espaço para a boca. Esta relação que existe sobretudo entre os olhos e a boca é onde Asano promove a maior parte das expressões, e devido a este espaço olhos/nariz ser basto funciona muito bem. 

Este Manga tornou-se de culto, passado pouco tempo teve direito a filme live action de sucesso no Japão, a música Solanin foi criada pelos Asian Kung-Fu Generation (com a letra deste livro, de Inio Asano) e esteve no top 3 japonês durante uns tempos. 
De notar que no filme a música é tocada pela banda do livro, os Rotti, e cantada pela actriz Aoi Miyazaki que personifica Meiko





Ficam aqui com as duas versões desta música, o trailer do filme contém spoilers importantes por isso não é incluído neste post  😊 



Um excelente livro que aconselho a toda gente. 



 Boas leituras

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Lançamento JBC: The Ghost in the Shell




A editora brasileira de manga JBC vai iniciar a publicação de livros deste género em Portugal com o famoso The Ghost in the Shell, de Shirow Masamune.

Para mim é uma óptima escolha, este foi o primeiro manga que li em toda a minha vida, e será uma edição de luxo com bom papel.

A tradução foi feita pelo André Oliveira, está garantidamente em português de Portugal, e infelizmente esta edição já pertence à "segunda versão", isto é, as editoras fizeram pressão no autor para retirar duas páginas que continham sexo lésbico explícito, e assim aconteceu.

Deixo aqui a informação da JBC:

The Ghost in the Shell

A JBC Portugal lança clássico dos mangás em versão luxuosa

JBC PORTUGAL
A JBC, editora especializada em mangá no Brasil, chega agora a Portugal. Acumulando uma experiência de 25 anos no mercado da cultura japonesa, a Editora JBC faz parte do JBGroup, um grupo de comunicação que nasceu no Japão em 1992 e, desde 2001, publica mangá no Brasil. Atualmente, a JBC imprime no Brasil dez novos títulos de banda desenhada japonesa por mês e por ano chega a cerca de 1 milhão de exemplares. A partir de agora, inicia-se uma nova produção voltada especialmente para Portugal, com mangás produzidos e adaptados 100% em território português.

THE GHOST IN THE SHELL
O primeiro título já está na gráfica em Sintra e, na semana que vem, estará disponível para ser distribuído para as lojas.
Trata-se de um grande clássico do Japão que, com certeza, despertará atenção dos consumidores: The Ghost in the Shell, de Masamune Shirow.


EDIÇÃO PORTUGUESA
Inédita em Portugal, a nova versão tem acabamento de luxo. Ela segue o mesmo padrão da versão brasileira, a primeira do mundo a usar os arquivos remasterizados pelo próprio autor. O mesmo material foi utilizado para esta versão portuguesa. A sobrecapa foi impressa com duas cores extras, usando no total seis cores na sua composição.Tem ainda um formato especial (17 x 24 cm - bem maior que o mangá tradicional japonês), além do papel Lux Cream nas páginas internas. São 352 páginas, sendo que destas 62 são coloridas! Ou seja, uma verdadeira edição de colecionador.

VERSÃO PENSADA PELO PRÓPRIO AUTOR
A pedido do próprio autor, as bandanas continuam em japonês, para preservar a escrita à mão em kanji (caracteres japoneses), com a tradução no final do mangá. Para manter a obra mais próxima possível do original japonês, a quarta capa é trilíngue: em inglês, japonês e com inserções em português.




MANGÁ VIROU ATÉ FILME
Publicada originalmente no Japão entre 1989 e 1991, The Ghost in the Shell é uma das obras
mais impactantes entre os mangás de ficção científica, tendo influenciado diretamente tudo o que saiu depois dele, inclusive o filme americano Matrix. Trata quase que "filosoficamente" sobre Inteligência Artificial, tema absolutamente atual.
Em 1995, o renomado diretor japonês Mamoru Oshii levou para as telas de cinema o universo
idealizado por Masamune Shirow nos quadrinhos e o anime se tornou um dos mais cultuados de todos os tempos.
Depois disso, o mangá The Ghost in the Shell ainda foi expandido para outras 6 séries animadas e mais 3 longas em
animação. No ano passado foi adaptado para as telas em Hollywood com ninguém menos do que a super estrela Scarlett Johansson (a Viúva Negra dos Vingadores) na pele da Major Kusanagi.

SEQUÊNCIA
Apesar de ser uma obra única, no começo dos anos 2000, Masamune Shirow voltou ao universo da Major Kusanagi nos mangás. Lançou The Ghost in the Shell 2.0 e, depois, a versão 1.5 de sua obra original de 1989. Essas duas bandas desenhadas serão publicadas em breve pela JBC Portugal.




A HISTÓRIA
Influenciado por obras “cyberpunk” do final dos anos 1980, como o mangá Akira e o filme Blade Runner - O Caçador de Andróides, o cenário escolhido por Masamune Shirow para The Ghost in the Shell foi o futuro distópico de 2029, em que a alta tecnologia se mistura a uma sociedade decadente e desigual. É nesse universo à beira do colapso que a Major Motoko Kusanagi encabeça a Seção 9 da Segurança Pública japonesa. Motoko é uma ciborgue altamente treinada, que tem como missão desvendar uma série de crimes cibernéticos realizados por um hacker conhecido como o Mestre dos Fantoches. Em meio à caça ao criminoso virtual, Masamune Shirow insere na trama questionamentos existencialistas, ponderando até mesmo se alguém provido meramente de Inteligência Artificial é, de fato, um ser vivo. E foi exatamente essa mistura de ficção científica, ação e temas filosóficos que fizeram do mangá The Ghost in the Shell uma leitura obrigatória.

O AUTOR
Masamune Shirow é um dos mangakás mais proeminentes do movimento cyberpunk que
tomou o Japão nos anos 1980. Nascido em 1961, em Kobe, começou sua carreira em 1983
com o título Black Magic. A partir de 1985, contabilizou grandes sucessos do gênero como Dominion e
Appleseed. Shirow viria a publicar sua obra mais famosa em 1989. The Ghost in the Shell se tornou
sucesso mundial, foi adaptado em filmes animados para o cinema e para séries de TV e vídeo.
Dois anos depois do lançamento de The Ghost in the Shell, Masamune Shirow emplacou Orion.

OS PERSONAGENS
Major Motoko Kusanagi - é a principal agente da Seção 9 da Segurança Pública japonesa. Motoko foi altamente treinada
para combates e, por ser uma ciborgue, possui algumas habilidades especiais como força,
agilidade e inteligência sobre-humanas, além da capacidade de camuflagem.
Batou - é o braço direito de Motoko, o grandalhão está sempre dando cobertura para sua comandante
quando em missão. Não chega a ser um ciborgue, mas também possui próteses robóticas.
Chefe Daisuke Aramaki - é o Chefe da Seção 9 e comandante de Motoko. É ele quem dá à Major as mais complexas
missões enquanto lida com a politicagem interna do Governo. Apesar de não gostar de demonstrar, se preocupa muito com a integridade de sua equipe.
- Mestre dos Fantoches - é o lendário super hacker que comete crimes cibernéticos. Ninguém sabe quem ele é ou se
existe de verdade. É caçado por Motoko e pela Seção 9.




Dados da Edição:
• Formato 17 x 24 cm (bem maior que um mangá tradicional japonês)
• Papel Lux Cream
• 352 páginas, sendo 62 coloridas
• Sobrecapa com 2 cores especiais (além das 4 cores normais que todas as capas são feitas)
• Distribuição exclusiva em livrarias e lojas especializadas
• Edição única
• Preço 34,99 euros






Boas leituras





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