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quinta-feira, 15 de julho de 2021

Porque me Apetece: O Cigarro do Lucky Luke
(Ou a Abertura da Caixa de Pandora)

 

Lucky Luke por Marini (2021)

Tempos atrás, talvez há uns 5 anos, eu elegi este evento como o mais infame da "cultura ocidental":

- Ano de 1983... Lucky Luke perde o cigarro e passa a chupar na palhinha.

O infame disto é que não foi porque Morris o escolhesse, foi por pressão social e comercial. Morris sempre respondeu aos críticos que, e cito com tradução, "o cigarro faz parte do perfil do personagem, assim como o cachimbo de Popeye ou Maigret".

Aparentemente a pressão comercial para a entrada da série nos EUA (os campeões da democracia) obrigou mesmo à retirada do cigarro, e meus amigos... os cowboys do old wild west fumavam como comboios a vapor, e mascavam como velhas sem dentes! Portanto retirar o cigarro é subverter completamente a personagem, que fumou durante 36 anos.

Eu também fumei durante 36 anos, mas não comecei a fumar porque o Lucky Luke fumava, nem deixei de fumar porque o dito cowboy o fez. Estes são os absurdos do politicamente correcto.



Morris desenhando Lucky Luke

E em 1983 a caixa de Pandora foi aberta.

Visitando eventos passados de censura na cultura pop, verificamos que existem alguns, sobretudo relacionados com expressões usadas em animação nos Looney Tunes nos anos 40 até aos 60. E é também com os Looney Tunes em 1968 que se dá a escolha dos Censored Eleven, 11 filmes que neste ano foram proibidos de dar na televisão, mas podiam ser exibidos em salas de cinema. Foram banidos devido a estereótipos étnicos. 

Eram filmes feitos entre 1931 e 1944, e para quem conhece a minha opinião o racismo não se cura ou esbate com repressão, combate-se com educação. Os filmes foram feitos à luz da época, são História e deve ser conhecida por todos os que o desejem. Faz lembrar Tintin no Congo... a História não deve ser apagada. E nos EUA ainda tivemos o Comics Code de 1954... podem consultar tanto os Censored Eleven como este "Code" clicando nos links atrás.

Tudo isto foi grave, mas foi feito num período conturbado da História Social do EUA, portanto, para mim é fruta da época.

O cigarro do Luke foi-lhe retirado numa altura de extrema liberdade! Daí a infâmia!
Os anos 80 e 90 considero-os como os anos mais livres de sempre, e foi precisamente nessa altura que aconteceu. Por isso considero o Lucky Luke chupar na palhinha infame, e a abertura de terreno para a ditadura do politicamente correcto na cultura pop se implantar na Europa. 

A partir daqui aconteceu tudo. Subversões na cor, no género, censura sobre a abordagens de temas, liquidação de personagens, filmes proibidos ou retirados (E tudo o Vento levou...), enfim, em 57 anos de vida considero que neste momento vivo num mundo chato e sem piada. Um mundo sem Pepe Le Pew ou Elmer Fudd sem carabina... só pode ser chato mesmo, néh?

Tudo tem de ser cinzento para não ofender ninguém.

O culpado foi o cigarro do Lucky Luke ..........

1983 o ano.



Este pequeno filme do Enrico Marini desenhando Lucky Luke foi obtido através do Twitter do autor.
Podem ver a publicação oficial do artista clicando em Twitter Enrico Marini (@Marini_Comics)

Lucky Luke por Luís Louro (2021)
Esta imagem foi feita para o blog Vinheta 2020

Educação. É o que é preciso para acabar com racismo, homofobia, e outros ismos e bias. As leis repressivas sobre o assunto têm efeito adverso e contrário, just saying...

Fiquei contente porque descobri que dois artistas de que gosto fizeram o Lucky retroceder algumas décadas e pôr o cigarro de onde nunca devia ter saído.


Boas leituras

(Preferencialmente sem censura gráfica ou social)





quarta-feira, 20 de maio de 2020

Lançamento Ala dos Livros: O Corvo Vol.4 - Inconsciência Tranquila




A editora Ala dos Livro publica este mês de Maio o 4º volume da série O Corvo, de Luís Louro.
Uma pena os livros anteriores estarem mais que esgotados, excepto o primeiro, embora este Inconsciência Tranquila se possa ler como um livro solto.

Segue a nota de imprensa desta jovem editora, mas já com um belo catálogo de livros:



O CORVO
INCONSCIÊNCIA TRANQUILA


Argumento e desenho: Luís Louro


Vicente, morador em Alfama e carteiro de profissão, teve uma infância difícil – o pai, polícia, acabou por se enforcar depois de ter morto a mãe por causa de… futebol. Não é por isso de estranhar que, em adulto, Vicente sofra de alguns traumas e apresente um desdobramento de personalidade que faz com que, durante a noite, tenha necessidade de deixar emergir o seu “eu inconsciente” transformando-se no Corvo. Defendendo que o “destino de um homem depende das suas crenças e dos seus fantasmas”, o Corvo tenta superar a timidez de Vicente e vestir a pele de super-herói.

É assim que, assumindo o papel de justiceiro, o Vicente/Corvo vai neste livro tentar fazer frente ao que considera serem os (grandes) problemas da cidade de Lisboa: o Combustão (ou o Fanã?!), as pílulas do senhor reitor, as trotinetas ou… os pombos Kamikaze. E tudo isto, como não podia deixar de ser, na companhia de Robim, o seu inseparável companheiro.

INCONSCIÊNCIA TRANQUILA, é o quarto e mais recente volume das aventuras do célebre CORVO, o anti-herói português criado por Luís Louro em 1994, e assinala a estreia da Ala dos Livros na publicação de obras de autores portugueses.

64 páginas. cor
Cartonado. 235 x 310 mm
Maio de 2020. Ala dos Livros
PVP: 16,95 €
ISBN: 978-989-54726-1-1





BIOGRAFIA DO AUTOR
Luís Louro
Nasceu em Lisboa em Junho de 1965. Depois de ter terminado o ensino secundário, e desde sempre apaixonado pelas artes gráficas e pela imagem, ingressou na Escola António Arroio onde completou o Curso de Técnico de Meios Audiovisuais.
A sua incursão na BD remonta a 1980, ano em que em parceria com António José Simões (Tozé Simões), criou pequenas histórias, algumas das quais viriam a ser publicadas em diversos fanzines entre 1985 e 1990.
E é precisamente no ano de 1985 que Luís Louro vê pela primeira vez editada uma história de sua autoria numa revista de publicação regular: estávamos a 1 de Abril de 1985 e a história Estupiditia II surgia nas páginas do “Mundo de Aventuras” (revista coordenada à época por Jorge Magalhães).

Este é o ponto de partida para as publicações “profissionais” que se sucedem no “Diário Popular”, “Jornal Júnior” ou em “O Mosquito” (5ª série). Seria aliás no “Sábado Popular”, um suplemento do jornal “Diário Popular”, que viria a estrear-se, em Outubro de 1985, a série Jim del Mónaco (lançada em álbum, em 1986, pela Editorial Futura, que viria a publicar 4 títulos).

Paralelamente, e ainda em 1989, a parceria Louro & Simões estreia-se na Edições Asa, onde é lançado o primeiro álbum da série Roques & Folque (que contaria com um total de 3 títulos). Será ainda a Edições Asa a retomar, em 1991, a série Jim Del Mónaco, tendo publicado, entre 1991 e 1993, sete álbuns a cores. Depois de um interregno de alguns anos, dois novos títulos surgem em 2015 (O Cemitério dos Elefantes) e em 2017 (Ladrões do Tempo).

A partir de 1994, ano de lançamento do primeiro tomo de O Corvo, Luis Louro assume também os argumentos e assina sozinho álbuns como Alice (1995), Coração de Papel (1997), Cogito Ego Sum I (2000), Cogito Ego Sum II (2001). Esta carreira a solo seria, no entanto, pontuada por algumas colaborações com diversos argumentistas, como Rui Zink (O Halo Casto – 2000), João Lameiras e João R. Santos (Eden 2.0 – 2003), Nuno Markl (O Corvo – O Regresso – 2003) ou Rosa Lobato de Faria (ABC das Coisas Mágicas).

Ao longo da sua carreira enquanto desenhador de BD, Luís Louro ganhou vários e importantes troféus, tendo integrado, em 1998, a comitiva "Perdidos no Oceano", que constituiu a representação de Portugal enquanto país convidado no 25.º Festival Internacional de Angoulême.
Depois de Watchers (dois álbuns publicados em 2018) e Sentinel (dois álbuns editados em 2019), regressa a uma das suas personagens marcantes com O CORVO – INCONSCIÊNCIA TRANQUILA (2020), a sua mais recente publicação.





Boas leituras








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