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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Mike Royer, o homem que fez Jack Kirby brilhar





Mike Royer foi a principal estrela internacional do Amadora BD de 2017. Royer é primariamente conhecido pelo público por ter sido o principal arte-finalista do lendário Jack Kirby nos anos 70, trabalhando também como letrista para as suas histórias publicadas na DC e na Marvel durante essa década. O artista americano é considerado um dos arte-finalistas mais fiéis que Kirby já teve, mantendo o máximo possível do traço original, uma melhoria comprovada tendo em conta que o seu antecessor era Vince Colletta, famoso por apagar parte da arte que não lhe apetecia finalizar.


Na Amadora, Royer participou numa conferência conduzida pelo lojista e editor Mário Freitas, que também organizou a exposição comemorando o 100.º aniversário de nascimento de Jack Kirby. Podem ver a montagem com o áudio da conferência, acima.

Royer nasceu há 77 anos na pequena cidade de Lebanon, no estado do Oregon. Com 23 anos de idade, mudou-se para a Califórnia para se tornar um artista comercial, tendo feito a sua estreia nas revistas Disney da editora Gold Key. Foi aí que encontrou emprego permanente, tornando-se assistente de Russ Manning nas revistas Magnus, Robot Fighter e Tarzan, na segunda metade dos anos 60. Teve também uma breve passagem pelas revistas Creepy e Vampirella, da editora Warren, que publicava histórias de terror em revistas a preto e branco para um público mais adulto.

Mas foi em 1971 que surgiu uma grande oportunidade, e que contribuiu para tornar o seu nome conhecido entre todos os que seguem a história da banda desenhada. Royer foi contratado para substituir Colletta nas revistas do Quarto Mundo de Jack Kirby, como arte finalista e letrista. Começou por fazer as capas de Forever People e o seu primeiro trabalho interior foi na revista New Gods n.º 5. Continuou a trabalhar em quase todas as revistas que Kirby fazia para a DC, não só nos títulos do quarto mundo (New Gods, Forever People e Mr. Miracle), mas também em Kamandi, the Lost Boy on Earth (inspirado nos filmes da série Planeta dos Macacos), OMAC (só no n.º 1), The Demon (onde foi criado o demónio Etrigan) e na tira “The Losers” dentro da revista de guerra Our Fighting Forces.

Quando Kirby terminou o seu contrato com a DC, regressou à Marvel e Royer foi com ele, começando por trabalhar na primeira revista solo de Pantera Negra, Black Panther, com um maior ênfase em ficção científica que a série política que foi publicada em Jungle Action. Royer também acabou por pegar na revista The Eternals, onde Kirby recuperou alguns conceitos do Quarto Mundo, bem como em Devil Dinosaur, na adaptação do filme 2001: A Space Odyssey e na série lançada a partir daqui, Machine Man. Quando Kirby saiu da Marvel, Royer voltou a trabalhar como assistente de Manning nas tiras de jornal do Tarzan, mas a parceria durou apenas seis meses.

Depois de 1979, os seus créditos em revistas de banda desenhada diminuiu consideravelmente, embora tenha trabalhado nalgumas novas propriedades de Kirby publicadas na Pacific Comics, Silver Star e Captain Victory and the Galactic Rangers. Mas Royer passou a trabalhar noutro ramos de arte comercial, em design de produto, principalmente para a Disney, onde a sua arte foi aplicada a produtos do urso de peluche devorador de mel, Winnie the Pooh, assim como nas adaptações cinematográficas de Dick Tracy e Rocketeer.







terça-feira, 15 de setembro de 2015

Crónicas do Bendisverso IV: Se fossem da Apple, seriam iMutants



Esta coisa da Marvel refazer as suas propriedades intelectuais para as tornar fáceis de adaptar para cinema e televisão é complicada. Principalmente quando os direitos para fazer novos filmes ou séries pertencem a outra empresa, como a FOX. Isso até foi pelo melhor. Se a Marvel não tivesse ido à falência, nunca teria havido sequer um filme dos Vingadores, quanto mais dos Guardiões da Galáxia ou do Homem-Formiga. E não teríamos uma série de televisão da SHIELD com os Inumanos como convidados especiais.

Nesse caso, teria sido tudo X. Nos anos 90, bastava pôr um X na capa de uma revista ou dizer que personagem tal era um mutante, e as revistas esgotavam mais depressa que chamuças quentinhas numa pastelaria à hora de almoço. Por outro lado, se pusessem os Inumanos em destaque, ia parecer aqueles três crepes de queijo e espinafre que ficam até ao fim do dia e ninguém quer comer.

Os Inumanos são um daqueles produtos da mente inventiva de Jack Kirby que os escritores da Marvel adoravam ter nas suas histórias, mas aos quais o público não correspondia. Durante 50 anos, passaram por várias fases e foram reinventados ao de leve, numa tentativa de lhes dar mais profundidade e protagonismo, mas sempre sem fugir muito do pré-estabelecido. Por isso, é estranho ver que a Marvel tem usado alguns dos eventos dos últimos anos para colocar os Inumanos em posição de destaque, espalhando-os pelo mundo e fazendo o papel de mutantes, que não estão disponíveis para os estúdios da Marvel Films.

Basicamente, quando se fala em Inumanos fala-se no grupo que constitui a família real, os personagens criados por Kirby: Raio Negro e a sua esposa Medusa, os primos de Raio Negro, o guerreiro Gorgon e o estratega Karnak, o aquático Triton (o membro mais calado da família e irmão de Karnak), e Crystal, a irmã mais nova de Medusa, cheia de bichos-carpinteiros e com vontade constante de sair de Attilan, a cidade escondida. Durante vários anos, as histórias geralmente envolviam um membro da família real a endoidecer, ou Maximus, irmão de Raio Negro, a tentar fazer um golpe de estado; ou a probabilidade de alguém descobrir a localização do Grande Refúgio onde os Inumanos estavam escondidos.

A existência isolada da sociedade Inumana era um conceito omnipresente na história. O número exacto da população de Attilan é variável, embora já tenha sido apontado como 1250. Ao que parece, e isto foi mencionado na graphic novel de Ann Nocenti de Bret Blevins e na mini-série de Paul Jenkins e Jae Lee, cada cidadão deve obrigatoriamente passar pelas Névoas Terrígenas e cada poder individual é necessário para a estabilidade da sociedade. O que explica a razão porque os Inumanos entram em parafuso cada vez que Medusa ou Crystal saem de Attilan. Raio Negro também tem medo da população humana, desde a II Guerra Mundial, algo que foi mostrado numa série de histórias curtas publicadas em What If?, que contavam as origens dos Eternos e dos Inumanos, tendo o grupo imortal de Olympia ajudado no transporte de Attilan do Mar do Norte para os Himalaias.

Mas e agora? Agora, de repente, a população de Inumanos é de milhões. E muitos deles não conhecem as suas origens, nem foram expostos às Névoas Terrígenas. De repente, no evento "Inhumanity", idealizado por Matt Fraction em 2013, as necessidades específicas de uma sociedade endogâmica já não interessam, as Névoas já não têm que ser protegidas a todo o custo, e Attilan já não tem que ficar escondida. E assim, em vez de existirem milhões de mutantes no Universo Marvel, passam a existir milhões de Inumanos, como a nova Miss Marvel. Mesmo a tempo de introduzir o conceito na televisão e depois poder fazer um filme para estrear em 2019.

Para falar a verdade, Matt Fraction não inventou esta história da sua cabeça. Existiam sementes que começaram a ser plantadas nos anos 90, que permitiram aos Inumanos mudar completamente de estratégia. Tudo começou com o crossover "Atlantis Rising", que envolveu Adam Warlock e o Quarteto Fantástico, onde a Atlântida emergiu do Oceano Atlântico para a superfície. Raio Negro transportou Attilan mais uma vez para lá, declarando-se soberano do novo território. Seguiu-se a mini-série da Marvel Knights em 1998, por Jenkins e Lee, que viu Medusa representar Attilan nas Nações Unidas e Raio Negro defender activamente a integridade da sua nação. E depois, os Kree retornaram após milhares de anos para tomar controlo dos Inumanos, que tinham criado como uma raça de escravos, na mini-série de 2001, por Carlos Pacheco e José Ladronn, que abriu caminho para os Inumanos tomarem controlo da sociedade Kree na mini-série War of Kings.

Se a Marvel conseguiu fazer com que personagens tão obscuros como Groot e Rocket Racoon se tornassem estrelas mundiais graças aos filmes, deverá conseguir fazer o mesmo com os Inumanos. Ainda que tudo o que eles façam agora seja demasiado familiar, parecido com os X-Men. É o momento ideal para os súbditos de Raio Negro se afirmarem.




terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Palavra dos Outros: O Regresso do Rei - Jack Kirby por Paulo Costa

Paulo Costa, grande apreciador dos clássicos norte-americanos fala-nos hoje de um dos autores mais emblemáticos dos Comics. Criou um dos maiores vilões do Universo DC, Darkseid, adaptou 2001: Odisseia no Espaço à Banda Desenhada e trabalhou tanto na Marvel como na DC em grandes títulos.
Dou a palavra a Paulo Costa.
O regresso do Rei

Adoro Jack Kirby. Acredito que a primeira vez que a arte dele foram layouts (George Tuska fez o resto do trabalho a lápis) numa história dos anos 60, usada como filler num número do Capitão América da Editora Abril, mas a primeira vez que notei o brilhantismo de Kirby foi quando os Eternos começaram a ser publicados na revista Superaventuras Marvel. Os Eternos não tinham nada a ver com o que era publicado na altura nas revistas brasileiras, onde Mike Zeck, John Byrne e Frank Miller eram as referências. Kirby estava numa fase em que o seu design de cenas estava destilado ao máximo, ao mesmo tempo que o seu desejo de escrever o próprio material revelava um interesse em misticismo com roupagens científicas, uma moda durante a década de 70.
Jack Kirby, considerado por muitos como o Rei dos Comics, tinha saído da Marvel em 1970, devido a diferendos com direitos de reprodução editorial, e foi para a DC onde criou vários títulos e personagens, incluindo Darkseid, Orion, Kamandi, OMAC e o demónio Etrigan. No entanto, ao contrário do esperado, as vendas estiveram longe de ser um sucesso, o que muitos atribuíram à falta dos diálogos de Stan Lee, outros ao apertado controlo editorial da DC, mas que na verdade tinha como origem as guerras das distribuidoras de bancas e o surgimento do mercado directo de revistas. Em 1975, Kirby estava farto da DC (vale a pena ressalvar que, apesar de ser muito procurado, Kirby tinha a tendência de saltitar entre editoras quando se irritava com algum editor)
, e concordou em regressar à Marvel, desta vez com controlo total sobre as histórias, mas ainda sem reter os direitos de autor das suas criações.
Antes de criar o seu próprio material, Kirby regressou ao Capitão América, mas escrevendo o título pela primeira vez, começando pelo #193, publicado em Janeiro de 1976. A Editora Abril escolheu saltar completamente esta parte. As histórias tinham um sabor diferente dos anos anteriores, com ambientes e personagens surreais, deixando de lado tanto o tema de espionagem como a exploração das mudanças sociais que na altura afectavam a América, mas ao fim de algum tempo tornam-se cansativas.
Em Julho, foi publicado o título que Kirby realmente queria escrever, The Eternals, com uma história claramente inspirada no livro de pseudociência Eram os Deuses Astronautas, de Erich Von Daeniken. As personagens titulares, os Eternos, bem como os seus adversários, os Deviantes, eram na verdade humanos transformados geneticamente por deuses espaciais, tendo sido confundidos com deuses e demónios na antiguidade. Notava-se mais nos Eternos que no Capitão América que Kirby nunca foi bom em diálogos. É que enquanto o Capitão tinha uma voz definida, as novas criações de Kirby, quando lidas como material novo, pareciam demasiado mecânicas a falar.
Entretanto, depois de fazer a adaptação do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, Kirby começou a trabalhar numa revista com conceitos baseados no livro de Arthur C. Clarke, a partir de Dezembro. As primeiras histórias do título eram antológicas, com um fio condutor mas sem consequências de uma para outra. Foi apenas a partir do nº 8 que Kirby apresentava uma personagem digna de registo, Mr. Machine, que em breve seria renomeado Machine Man, ou o Homem-Máquina.
Entretanto, surgiu um novo título com argumento e arte de Jack Kirby, Black Panther, em Janeiro de 1977. Nesta altura, o artista produzia cerca de 60 páginas por mês de material novo. Kirby tinha criado o Pantera Negra como uma personagem secundária no Quarteto Fantástico, mas as primeiras histórias solo, publicadas na revista Jungle Action, eram da autoria de Don McGregor. Ao contrário das histórias de exploração político-social de McGregor, Kirby apostou numa série de ficção científica surreal. A Wakanda de Jack, onde tubos Kirby e máquinas gigantes existem lado a lado com coqueiros, era um sítio que nunca poderia existir no mundo real, tal como a Supertown dos Novos Deuses ou o Habitat, a cidade subterrânea por baixo do Projecto Cadmus.

Até ao início de 1978, Kirby saiu do Capitão América e as revistas 2001 e The Eternals foram canceladas, esta última sem contar a história até ao fim, deixando Roy Thomas e Mark Gruenwald livres para incorporar estas ideias definitivamente no Universo Marvel. Jack Kirby não ficou desempregado, pois logo surgiram as revistas Machine Man e Devil Dinosaur. Em Machine Man, Kirby criou um robô que procurava tornar-se humano, mas que era perseguido por um exército que o considerava sua propriedade. Este é talvez o material mais interessante de Kirby desta leva de títulos, mas como envolve elementos externos ao Universo Marvel, nunca foi reimpresso. O mesmo não se pode dizer de Devil Dinosaur, talvez o pior de todos. A premissa parece retirada de um filme de culto de série B e podia ser bastante interessante feita por um escritor de melhor calibre, mas a falta de jeito de Kirby para diálogos estraga tudo.
Kirby saiu de Black Panther após o nº 12, com a história a meio (acabou por ser resolvida à pressa por Ed Hannigan), deixando Kirby só com duas revistas mensais. Em Dezembro de 1978, tudo terminaria. O Devil Dinosaur foi deixado de lado pela Marvel e a história do Machine Man continuada por Marv Wolfman alguns meses mais tarde. Jack Kirby abandonou a Marvel definitivamente, por recusar-se a assinar um novo contrato onde perdia qualquer hipótese de ganhar remuneração de direitos de autor. Kirby foi trabalhar em animação, no desenho animado do Fantastic Four, e depois em Thundarr the Barbarian e The Centurions. O único trabalho novo que fez para a editora foi a edição comemorativa do 25º aniversário do Fantastic Four, nº 236.
Onde ler:
Black Panther by Jack Kirby vol. 1 e 2
Captain America by Jack Kirby Omnibus
Devil Dinosaur by Jack Kirby
The Eternals Omnibus

Paulo M. R. Costa

Mais uma excelente colaboração (espero que tenham gostado) e os textos de Paulo Costa serão sempre apreciados por aqui.
Quem deseje fazer um texto para o Leituras de BD tem a porta aberta, desde que exiba qualidade tanto no português, como no assunto descrito no texto. É sempre preferível escreverem sobre algo que gostem, ou detestem. Assim sempre haverá alguma emoção na escrita!

Boas leituras

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Lançamento Dynamite: Kirby - Genesis


A Dynamite tem tentado (com êxito) obter os direitos de algumas das personagens criadas pelo grande Jack Kirby desde há três anos. O culminar deste processo chama-se Genesis e começou a ser editado em formato "comic" em Junho. Os artistas são dois grandes nomes da BD norte-americana, que provaram anos atrás o que sabem fazer com o famoso título "Marvels", editado em português pela BD Mania. Eles chamam-se Kurt Busiek e Alex Ross!
Jack Kirby tinha uma cabeça fervilhante de ideias e grande talento para para as passar para o papel. Conseguiu criar universos e conceitos que não estão ao alcance de muitos!
É isto que a editora Dynamite quer aproveitar, socorrendo-se de uma dupla de luxo!
A estória que dá corpo a este projecto consiste na viagem de uma sonda, a Pioneer 10, que levou uma mensagem para as estrelas oriunda da Terra. Agora ela volta com uma resposta! Mas esta não era a resposta esperada... quando esta chega transforma completamente a vida dos habitantes deste planeta azul, sobretudo de três vulgares indivíduos!
Captain Victory e Silver Star, em conjunto com outras grandes criações de Jack Kirby, serão personagens principais deste Genesis!
Ficam as imagens de algumas páginas ainda por acabar, para saborearem um pouco da arte desta grande dupla: Alex Ross e Kurt Busiek. Bom... também não se pode desprezar o trabalho de Jackson Herbert, que finaliza o trabalho de Ross!

























Boas leituras!

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