Miguel Peres é um dos organizadores do projecto Zona e resolveu colaborar dando-nos a conhecer a sua opinião sobre esta nova mini-série de seis números da Image.
Já agora quero endereçar o meu obrigado ao Mário Freitas, o autor do novo "banner" do Leituras de BD!
:)
Ficam as palavras de Miguel Peres sobre o primeiro número de Whispers!
Whispers #1 – Image Comics
Desde sempre que a editora Image Comics consegue ser diversificada e aliar histórias alternativas com verdadeiras sagas comerciais, sempre com boa qualidade e talento. Desde o ano passado que comecei a comprar “issues” mês a mês e esse vício vai-me permitindo descobrir cada vez mais e melhor banda desenhada.
Este primeiro fascículo apresenta-nos Sam, um rapaz com um transtorno obsessivo-compulsivo que, de um momento para o outro, ganha a capacidade de sair do seu corpo (um género de “fantasma”) e consegue ouvir os pensamentos dos seus conhecidos.
A premissa promete, e este primeiro livro também! Desde a primeira página que sentimos a “vulgaridade” das personagens, ou seja, rapidamente nos identificamos com elas. O traço e as cores sóbrias e citadinas ajudam, bem como a forma como os personagens pensam. O realismo inicial deixa-nos seguros e começamos a acreditar que aqueles personagens podiam ser qualquer um de nós. Esse ponto de partida, essa identificação inicial, é crucial para que o leitor instantaneamente seja agarrado à história!
Quando partimos para a parte surreal, esta é sempre subtil, e acompanha o ritmo e sobriedade da história. O estilo continua o mesmo, como se fosse “normal” a “anormalidade” de sair do seu próprio corpo. O choque não é grande, a disparidade de estilos entre pranchas também não. Continuamos a acompanhar o personagem como um sonho. E queremos aquela habilidade, queremos mais, queremos ver a sua reação e ao mesmo tempo perguntamo-nos o que faríamos se estivéssemos no lugar dele. E ao invés de partir para o surrealismo absurdo e pensar nas situações mais bizarras, o autor prefere dar lugar ao registo humano, aos pensamentos dos que são mais próximos ao personagem principal. E é esse humanismo que sobressai numa premissa que, à partida, devia explorar o conceito do “anormal”. É claro que sendo uma série longa, haverá muito para explorar e dizer. No entanto, a chave deste primeiro fascículo são os problemas existenciais de cada personagem. O estranho poder de Sam é usado para conhecermos o interior das personagens, não para ser explorado ao máximo estilisticamente. Os números seguintes sugerem mais surrealismo, portanto, espera-se um bom equilíbrio de elementos.
Vale a pena seguir.
E assim temos mais uma colaboração, que trouxe mais uma nova série ao Leituras de BD! Como já devem ter percebido é raro eu fazer críticas a revistas, assim pelo menos ficam com uma introdução a um título bastante interessante.
De qualquer modo, é mais uma abordagem e visão sobre um tema que de certeza eu faria de maneira diferente. Por isso eu gosto desta rubrica. Dá mais colorido ao blogue, e é uma boa oportunidade para quem gosta de escrever e não tem tempo para "alimentar" um blogue!
:)
Boas leituras