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quinta-feira, 11 de julho de 2024

Bouncer Vol.12 - Hecatombe


Violência sem limites. Violência física, moral e emocional. Se os outros livros da série já têm estes predicados, este último tem-no em quantidades absurdas!
E lama, muita lama.

O nome adequa-se perfeitamente ao que se passa neste último livro do meu western favorito, e para a Hecatombe ser maior, até o livro tem o dobro das páginas dos outros tomos, que é para ficarmos mesmo pregados.

Jodorowsky volta à série depois de um interregno de dois livros. Tive medo que a série perdesse a loucura nesses dois livros anteriores, em que foi substituído por François Boucq, que assumiu o argumento também (o desenho já lhe pertencia).  Mas tal não aconteceu, Boucq foi “evangelizado” naquele tipo de escrita e quase nem se dá pela falta de Jodorowsky!

Esta série começou a ser publicada em Portugal pela ASA em 2002 que interrompeu em 2012. Em 2017 a editora Arte de Autor pegou nesta série publicando dois volumes duplos, e agora este Hecatombe que coloca a publicação portuguesa ao lado da francesa.
Para mais informação sobre livros mais antigos da série cliquem neste link


Assim, estão publicados em português:

  1. Diamante para o Além (ASA)
  2. A Misericórdia dos Algozes (ASA)
  3. A Justiça das Serpentes (ASA)
  4. A Vingança do Carrasco (ASA)
  5. O Fascínio das Lobas (ASA)
  6. A Viúva Negra (ASA)
  7. Coração Dividido (ASA)
  8. To Hell (Arte de Autor)
  9. And Back (Arte de Autor)
  10. O Ouro Maldito (Arte de Autor)
  11. O Espinhaço de Dragão (Arte de Autor)
  12. Hecatombe (Arte de Autor)

De notar que na edição portuguesa desta série, A Viúva Negra / Coração Dividido, To Hell / And Back e O Ouro Maldito / O Espinhaço de Dragão são álbuns duplos.

Alexandro Jodorowsky já é um argumentista muito visto por aqui, neste blogue. Ele tem a mania de se cruzar com grandes obras da BD mundial, portanto nem me vou alongar muito com ele, o seu apetite por violência, droga, deformações, religião, fetiches sexuais ou transformações do corpo humano estão presentes em quase toda a sua obra, e aqui não poderiam faltar. Se quiserem ver mais obras em que falo dele, é só clicarem no link

Boucq continuo a pensar que tem o seu melhor trabalho de vida nesta série, tem sido admirável de ler e apreciar a sua arte cinematográfica, os seus maravilhosos grandes planos, e as sequências loucas de perseguições e duelos em toda a espécie de cenários, desde neve ao deserto é simplesmente brutal. Podem apreciar em outros posts do Bouncer, aqui no LBD, a sua arte.

Passando ao livro. As sequências iniciais são deprimentes logo para abrir. Barro City está sob mau tempo há bastante tempo. Imagens nocturnas chuvosas e a lama nas “ruas” colocam logo o leitor no estado de espírito correcto para esta história. Um grande e brutal final de ciclo a fazer jus ao nome: Hecatombe.

Eu chamo a este ciclo iniciado no livro To Hell Vol.8 “A Maldição do Ouro Austríaco”, desde esse livro não houve mais paz, e a carnificina foi sempre em crescendo até este pináculo da brutalidade humana.

Jodorowsky sempre conseguiu nos seus livros fazer vir ao de cima o que de pior o ser humano consegue fazer, e com requintes de malvadez quase sempre. Para quem conhece a série Tenente Blueberry, esta a mim agora, depois de conhecer Bouncer, parece uma história de escuteiros. 😅

O Bouncer maneta do Saloon Infierno nunca foi muito poupado ao longo da série, mas desta vez supera-se no tão baixo que se pode sentir e cair, e supera-se também na arrancada final de vingança. Corpos e corpos ficam pelo caminho.
Uma história fascinante, com direito a sucessivas reviravoltas, passes de magia e um final que nos deixa o estômago pesado.

Como notas menos boas, existe um plot hole básico no argumento e por vezes Boucq perde um pouco a qualidade, a espaços (poucos), que estamos habituados nele. Também não gostei muito de uma cena no final, mas pronto, nada que faça deslustrar este massacre. 😋
Já agora...  também senti a falta das páginas duplas com que Boucq me maravilhou ao longo da série. Este livro tem 140 páginas e não possui nem uma splash page. 😕

Por mim a série acabava aqui. E acabava com a honra de ser uma das melhores séries que li

O LBD recomenda este livro, e esta série.

Argumento: Alexandro Jodorowsky
Desenho : François Boucq
Edição: Cartonada
Número de páginas: 144
Formato : 232 x 310 mm a cores
Data de Edição: Novembro de 2023
ISBN: 978-989-9094-39-0
PVP: 31.00€

 


Boas leituras

quinta-feira, 25 de março de 2010

Bórgia Volume 2: O Poder e o Incesto


Depois de Bórgia Vol.1: Sangue para o Papa a saga da família Bórgia continua! Agora com Rodrigo Bórgia investido como Papa Alexandre VI e os seus filhos prontos para entrarem no jogo do poder, este tenta solidificar o seu lugar cimeiro na Igreja Católica usando o nepotismo como uma das suas grandes armas. César e Lucrécia são grandes intervenientes históricos no corredor do poder em Roma. Maquiavel inspirou-se em César Bórgia para o seu livro “O Príncipe”, inspirado nas inúmeras intrigas e artimanhas para manter o poder, Lucrécia por seu turno serve-se da sua beleza e promiscuidade para fazer e desfazer alianças ao serviço do seu pai.
A beleza da arte de Milo Manara nunca me deixará indiferente. Continua um mestre na arte de representar o corpo humano em toda a sua sensualidade, e quando encontra alguém que faça uma boa estória temos uma grande obra! É isso que está acontecer com Bórgia escrito pelo chileno Jodorowsky, e que já tinha acontecido com Hugo Pratt em Verão Índio e El Gaucho.
Jodorowsky assenta a sua estória numa época renascentista em que a Igreja Católica passava por uma das suas fases mais decadentes e promíscuas! Os Bórgia não queriam apenas manter o poder em Roma, mas também atacavam e pilhavam as cidades estado vizinhas. Rodrigo Bórgia prestava-se às maiores barbaridades e ignomínias para fazer do papado um reinado, preparando-se para deixar um herdeiro, César Bórgia, no trono do Vaticano. Assim toda a família trabalhava afincadamente na sombra para esse desígnio. É uma parte bem negra da história de Roma, mas que faz um excelente livro de BD, com grandes ingredientes: traição, incesto, luxúria, violência selvagem… enfim, tudo o que é intrinsecamente mau!
Agora espera-se que a ASA publique o terceiro volume desta série, visto que o problema que houve entre os autores ficou sanado e a série terá continuidade assegurada!
Quanto à edição, esta continua a ser muito boa mas um pouco diferente do primeiro volume. Não tem capa protectora (e ainda bem), mas em contrapartida gostei mais do papel do volume nº1. Pormenores que não afectam em muito a edição, na realidade eu disse que “ainda bem" que não tem a capa protectora (reparam como eu me borrifo para o nojo do acordo politico-ortográfico?) porque esta era de um negro muito lustroso e acaba por ficar feia de tanta dedada nas livrarias!
Aconselho esta série.

Outros posts com obras de Milo Manara:
Bórgia Vol.1: Sangue para o Papa
Verão Índio
El Gaucho
Giuseppe Bergman

Outros posts com obras de Jodorowsky:
O Incal
Castaka
Armas do Metabarão
Incal Final Vol.1: Os Quatro John Difool

Visto que já existem publicações que fazem questão de em baixo dizerem com orgulho que os seus escritos estão de acordo com o acordo ortográfico, como por exemplo os jornais desportivos (esta é para rir desbragadamente…), vou fazer o mesmo no meu blog (e também com muito orgulho) mas ao contrário! Isto não é nada contra brasileiros, é apenas a minha opinião que não contou para nada…
Boas leituras

Aviso
: Este blog não segue o acordo ortográfico!

Hardcover
Criado por: Alexandro Jodorowsky e Milo Manara
Editado em 2010 pela ASA
Nota média da série: 9 em 10

domingo, 3 de maio de 2009

O Incal


O Incal! Das obras mais marcantes da BD Franco-Belga. Determinou o início do Jodoverso, que continua em expansão. Série criada por Jodorowksy e Moebius, num ambiente de extremo sci-fi, e que fez as delícias dos jovens adolescentes dos anos 80 (eu incluído)!
Esta série começou a “desenhar-se” quando estes dois homens se encontraram durante a realização do fime “Dune” de Dan O`Bannon. Aqui Jodorowsky apresentou a sua ideia desta space-opera a Moebius, que de imediato começou a idealizar gráficamente toda a envolvência do mundo onde decorre o Incal.
De notar que os personagens do Incal têm correlação com cartas de Tarot, sendo que John Difool será “O Louco”, aliás vendo a etimologia do nome deste personagem chega-se depressa aí, John é um nome super vulgar e Difool (the Fool) significa tolo, louco.
Como séries derivadas d`O Incal temos:
- Antes do Incal
- Depois do Incal
- Incal Final
- Os Meta-Barões
- A Casta dos Meta-Barões
- As Armas dos Meta-barões
- Os Tecno-Papas
- Castaka
O Incal divide-se em seis livros, nas edições portuguesas (Futura e Meribérica):
- O Incal Negro (Futura:1983, Meribérica:1999)
- O Incal Luminoso (Futura:1983, Meribérica:1999)
- O que está em Baixo (Futura:1986, Meribérica:2001)
- O que está em Cima (Futura:1986, Meribérica:2001)
- A 5ª Essência: A Galáxia que sonha (Meribérica:1989)
- A 5ª Essência: O Planeta Difool (Meribérica:1990)

Toda a estória é baseada num universo que não tem nada de utópico, a degradação humana é bem patente, e em que Difool (o anti-herói por excelência) recebe um artefacto de grande poder. Difool é cobarde e pouco inteligente, sendo o seu pássaro, Deepo, e depois de ter engolido o Incal Luz, o mais inteligente dos dois. Dentro deste mundo surge um personagem que vai ter diversos “spin-offs” (séries derivadas), devido ao sucesso que teve: o Metabarão! Este foi enviado pela rainha do AMOK, Tanatah, para matar John Difool (JD) e obter o Incal Luz. Esta tem preso Solune, o filho adoptivo do Metabarão, e serve-se disso para o chantagear. Tudo tem ramificações que apenas vão sendo desvendadas ao longo da narrativa… Tanatah e Animah são irmãs e eram as guardiãs do Incal Negro e Incal Luz, respectivamente. Tanatah ansiava poder ilimitado, mas acabou por ficar sem nenhum Incal, pois trocou o seu Negro por tecnologia dos Tecno-Papas, e falhou na obtenção do Incal Luz. Solune é filho de Animah e JD, mas entregue por esta ao Meta-Barão, para este o educar como guerreiro. Kill o “Cabeça de Cão”, guarda-costas de Tanatah, quer vingança sobre JD porque este lhe furou a orelha. Deepo, o animal de estimação de JD, torna-se inteligente, inclusivamente ficou com o dom da fala, devido á influência do Incal.
Depois desta pequena apresentação de alguns dos personagens, podem ler como este grupo luta contra a trama dos Ovos Tenebrae, e a Treva propriamente dita.
É uma estória cheia de metáforas, mas divertida e o leitor é facilmente agarrado por todo este mundo!
Boas leituras.

Softcover
Criado por: Moebius e Jodorowsky
Editado entre 1983 e 1990 (série completa) por Futura e Meribérica
Nota : 10 em 10

terça-feira, 17 de março de 2009

Bórgia Vol.1: Sangue para o Papa


Dois dos mais profícuos autores de Banda Desenhada europeia, o chileno Alexandro Jodorowsky (textos) e o italiano Milo Manara (arte), juntaram-se para criar esta série: Bórgia!
Não vale a pena estar a repetir-me em relação a este dois autores… estes já foram analisados aqui neste blog mais do que uma vez, mas para quem se quer situar digo que Jodorowsky é o autor dos texto de todo o universo Incal, também apelidado de “Jodoverso” (Casta dos Metabarões, Incal, Os Tecnopapas, Castaka, etc.) e Manara a “solo”, ou acompanhado, tem na sua lista obras como Verão Índio, Giuseppe Bergman, Clic, A Metamorfose de Lucius, Kama Sutra, El Gaucho , etc.
A obra roda à volta da polémica família Bórgia que atingiu o seu apogeu quando o Cardeal Rodrigo Bórgia sobe ao trono do Papado, tornando-se no Papa Alexandre VI. Historicamente tudo começou bem no início do seu pontificado, mas a sua ganância superior falou mais alto quando fez Cardeal o seu filho César Bórgia (com 16 anos), assim como um primo, um cunhado e vários sobrinhos… claro, ainda não falámos da sua filha: Lucrécia Bórgia!
Esta (segundo rezam as más línguas) foi filha, esposa e nora do Papa Alexandre VI. Era famosa pela sua beleza, sua capacidade intriguista e pelos seus amantes.
Estes dois autores de BD pegaram neste cocktail maravilhoso e fizeram uma excelente estória de BD baseada nalguns factos reais, nem Savonarola falta neste livro! Jodorowsky e Manara captaram muito bem o espírito da época! Estamos a meio do Renascimento, tudo com um pensamento muito livre, clérigos com filhos e grande ostentação de luxo. Toda esta corrupção no seio da Igreja Católica deu origem ao Protestantismo, que queria voltar aos verdadeiros valores Cristãos.
Já estão situados na época onde viveram os Bórgia, agora só falta dizer que a narrativa está muito boa e os desenhos com cor directa de Manara estão óptimos (excepcionais). Houve uma altura em que as relações entre Jodorowsky e Manara azedaram, penso que a seguir ao segundo livro, mas o terceiro já saiu em França (Novembro do ano passado) e assim existe garantia de continuidade na série. Houve uma informação aquando do início da série que esta era para ser uma trilogia… penso que o terceiro volume não finalizou a série, e poderemos esperar pelo menos mais um!
Livros saídos em português… apenas um. Atenção ASA, a série já vai no terceiro!
- Sangue para o Papa (ASA)
- Le Pouvoir et l'Inceste (Albin Michel)
- Les Flammes du Bûcherr (Drugstore)

Hardcover
Criado por: Alexandro Jodorowsky e Milo Manara
Editado em 2005 pela ASA
Comprado na FNAC
Nota média da série: 9 em 10

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Exposições no FIBDA (3)

E acabo hoje com as exposições, só ficaram por fotografar (das que eu queria) a exposição Star Wars e alguns dos trabalhos originais que foram a votos no FIBDA, e havia lá alguns bastante bons! Pena que o regulamento do concurso apenas deixasse quatro páginas por trabalho. Fiquei bem impressionado com alguns dos trabalhos lá expostos. Se eu for no 3º fim de semana, colmatarei essa lacuna! :)
Hoje teremos:
- Mézières
- Jodorovwsky e Zoran Janjetov

Mézières com o seu trabalho de uma vida: Valérian!









E agora o impressionante Zoran Janjetov com o seu trabalho "Technopéres", um dos constituintes do enorme e já apelidado Jodoverso.







Garanto-vos que ao vivo é muito, muito melhor! A minha câmara fotográfica nem de longe consegue capturar a maravilha exposta destes dois autores!
Vão ao FIBDA! Ainda estão a tempo :)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Castaka : Dayal, O Primeiro Antepassado


Depois da série "A Casta dos Metabarões", editada quase toda entre nós pela Meribérica, a Vitamina BD editou o primeiro tomo da prequela com o nome de "Castaka". Esta editora, em princípio, vai editar também a referida Casta dos Metabarões completa!
O livro começa com o pai de Othon, que é o personagem principal do vol.1 da série "A Casta dos Metabarões", a desafiar o jovem para o nosso conhecido duelo pai/filho, tradicional entre os Metabarões. Contrariamente ao costume é o pai a vencer o duelo de morte, mas quebra as regras não o matando... as regras têm sempre uma excepção, diz o pai!
Então conta a Othon a estória da sua família desde a sua génese! Vamos ficar a saber os primórdios desta família, a Castaka!
Alejandro Jodorowsky, com Moebius (Jean Giraud), iniciou o seu apelidado "Jodoverso" com a excelente série "O Incal", que está completa em Português (6 volumes da Meribérica). Com o sucesso obtido surge a prequela "Antes do Incal", com Zoran Janjetov, seguido da tentativa de sequela "Depois do Incal", que penso ter sido abandonada ou posta em lista de espera... Durante esta confusão de Incal, Jodorowsky pega num dos personagens mais carismáticos da série "O Incal", o mercenário Metabarão! Com Juan Giménez cria a série atrás referida,"A Casta dos Metabarões"! O sucesso da série foi enorme, talvez por isso venha agora mais uma prequela, para o já enorme "Jodoverso"! Falando de "Jodoverso", esqueci de mencionar um outro livro em que os personagens também surgem do Incal, "Os Tecnopapas", também com Zoran Janjetov.
A "Castaka"tem arte de Das Pastoras, que ao princípio me foi um bocado difícil de acostumar, pois estava com o traço de Jiménez na cabeça, relativamente a Metabarões. A arte de Das Pastoras é boa, e a estória tem todas as condições para dar uma óptima prequela! Pelo menos começou bem (eu não costumo gostar de prequelas...), vamos ficar á espera do segundo tomo !

P.S.: Tenho de referir que existe um erro de tradução, que provoca alguma confusão. Na página 10 as cores dos clãs estão invertidas: no texto diz que os Amakura são bandeira vermelha e os Castaka bandeira branca, quando é exactamente o contrário!

Hardcover
Criado por: Alejandro Jodorowsky e Das Pastoras
Editado em 2008 pela Vitamina BD
Comprado em Bulhosa
Nota : 8,5 em 10

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