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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Autores: Gerry Conway
(Setembro 1952 – Abril 2026)

 


Gerry Conway faleceu hoje.
Ficará sempre nas nossas memórias como um dos grandes autores de comics de sempre. Vou recuperar um texto sobre ele do  neste blogue, em sua homenagem.

Este escritor de comics norte-americano é conhecido por ter criado dois heróis, um na Marvel (Punisher) e outro na DC (Firestorm), e por ter escrito um dos momentos mais marcantes dos comics em Spider-Man: The Death of Gwen Stacy! Para além disso o primeiro crossover entre a Marvel e a DC: Superman vs The Amazing Spider-Man. De resto escreveu para estas duas editoras em quase todos os seus grandes símbolos.


Ficam as palavras de Hugo Silva:

Gerry Conway faz falta

Gerry Conway é um dos maiores nomes da indústria de comics Norte-Americana, o seu trabalho nas duas grandes editoras faz com que seja um nome reconhecido e respeitado devido à sua escrita em títulos como Homem-Aranha ou Liga da Justiça entre outros.

Ele foi o primeiro a escrever um grande crossover entre as duas companhias, que colocava nas mesmas páginas os maiores símbolos da DC e da Marvel: Superman e Spider-Man. O seu tempo em Amazing Spider-Man é lendário, já que todos recordam a storyline que levou à morte da Gwen Stacy. Muitos relembram também as suas criações, nomeadamente Punisher para a Marvel e Firestorm para a DC.

Conway começou a escrever ainda nos seus 16 anos, para as revistas de horror da DC, até que conseguiu um lugar na Marvel pela mão do escritor e editor Roy Thomas. Foi no início da década de 70 que se deu a estreia em grande deste jovem numa breve passagem por títulos de segunda linha como Ka-zar, Inhumans e Black Widow. Apesar da sua idade ele passou ainda por alguns com mais importância da Marvel, como o Iron Man, Daredevil e Hulk, para além de criar personagens que seriam no futuro importantes para a mesma. Werewolf by Night, Tomb of Dracula e Man-Thing são algumas personagens que conheceram a luz do dia pela mente do jovem escritor.

Os tempos eram outros e só assim um jovem com 19 anos teria a oportunidade de escrever os 2 títulos que davam basicamente nome à companhia, Amazing Spider-man e Fantastic Four. O talento dele sobressaiu e este esteve à altura dos mesmos, levando a duas runs memoráveis em especial no cabeça de teia. No Aranha os personagens de apoio eram sempre bem retratados e ganhavam uma vida e importância tal que gostávamos tanto deles como do herói principal. Foi aproveitando esse destaque que ele escreveu logo no começo da sua run, a morte de uma das mais importantes personagens secundárias, a namorada de Peter Parker, Gwen Stacy.

Outro marco nos seus 3 anos em frente dos destinos do Aracnídeo foi a co-criação com Ross Andru de uma personagem que seria antagonista do nosso herói, mas que seria mais tarde uma das personagens mais importantes da editora, o Punisher, para além de alguns dos combates mais memoráveis com os vilões Tarântula, Escorpião, Mysterio, e ainda a primeira Saga do Clone.

No Quarteto, ele faz o Namor aparecer outra vez no caminho dos heróis e usa da melhor forma um dos melhores rivais da equipa, o Mago e o seu Quarteto Terrível.

Em 1975 o jovem escritor cometia o feito de voltar à DC e assim escrever para ambas as companhias, isto numa altura em que isso não era muito comum. Talvez por isso ele acabou por ser o escolhido para escrever aquela que seria uma revista marcante na história dos comics Norte-Americanos, o crossover que envolvia Superman e Spider-Man. Na casa das ideias, ele fez parte do rodopio de Editores-Chefe no final dos anos 70 tomando esse cargo durante pouco menos de um ano sucedendo a Marv Wolfman e deixando o lugar para Archie Goodwin.

Em Janeiro de 1977, o nome de Conway era já tão importante saíram 9 títulos para as bancas com o seu nome nos créditos. Avengers, Defenders, Spectacular Spider-man, Iron Man e as estreias de Ms.Marvel e Logan's Run para a Marvel enquanto que na DC seriam os títulos Superman e Action Comics a trazerem o seu nome, Foi aliás esta companhia que marcaria a sua carreira na década de 80.

Conway foi dos poucos a ter direito a duas runs diferentes com a Liga da Justiça, a primeira no final dos anos 70 com a Liga do Satélite e esteve envolvido nas histórias que trouxeram de volta a tradição anual dos encontros entre as duas equipas da DC, a JLA e a JSA. Ele também escreveu outros títulos grandes como Superman ou Batman sendo que no morcego realça-se a sua história que envolve o perigoso Hugo Strange.

Em 1986 voltou em grande à co-criação de personagens, e uma que rapidamente se tornou uma das favoritas dos fãs de Comics, o herói da DC, Firestorm. Conway escreveu mais de metade dos números da revista em que retratava um jovem, Ronnie Raymond e as suas aventuras como o herói nuclear ou apenas como o adolescente na faculdade. Sem sombra de dúvida que a influência Peter Parker via-se no mesmo, e isso que ajudava ao sucesso dele já que também aqui Conway dava importância ao elenco de apoio. Mais tarde a personagem fez parte inclusive da Liga da Justiça.

Antes de se concentrar nos seus trabalhos para TV e Cinema (que incluíam coisas como Conan, the Destroyer, Hercules, Law & Order e Perry Mason entre outros), Gerry teve ainda tempo de voltar ao cabeça de teia para escrever no final dos anos 80 as revistas Spectacular Spider-Man e Web of Spider-man.

Mais uma vez Conway mostrou como gosta de dar atenção ao elenco de apoio e personagens como Nick Katzenberg, Gloria Grant, Aunt May, Nathan Lubensky, Joe Robertson, ou Randy Robertson todos tinham algum destaque na vida da personagem. Também era dado destaque a personagens com poderes como por exemplo, Puma, Rocket Racer, Will-O'-The-Wisp, Prowler, Sandman, Silver Sable, Molten Man, Green Goblin e Chamelon a darem que fazer ao nosso herói, ficando esses personagens pela revista Web of Spider-Man.

Em Spectacular era o bom e velho JJJ, Ben Urich, Mary Jane, a volta do clone da Gwen Stacy e vilões como Tombstone, Kingpin e Duende Macabro a complicarem a vida do aracnídeo. Até a sua co-criação Punisher deu o ar da sua graça nesta última run do escritor antes de decidir concentrar-se na TV.

Deixa saudades porque é daqueles poucos autores que conseguiu mais que uma run memorável, ou agradável, com alguns dos maiores heróis de ambas as companhias.



Esta foi a homenagem do LBD a este grande Herói dos comics Norte-Americanos 


Boas leituras

quarta-feira, 27 de março de 2019

Máquina do Tempo: Mandrake


O mágico com mais estilo das histórias aos quadradinhos, Mandrake é considerado o primeiro super herói da banda desenhada, e um dos principais títulos da King Features Syndicate.

Mandrake é mais uma criação de Lee Falk, tendo sido publicado pela primeira vez a 11 de Outubro de 1934, com a arte ao cargo de Phil Davis. Elegante, sempre com fato e capa escarlate, tinha também um cartola alta, e era conhecido pelo seu bigode muito fino.  Conheci-o pelas revistas brasileiras da RGE, e o desenho animado dos Defensores da Terra, mas já há muito que era publicado por cá, em revistas como a Mundo de Aventuras ou Condor Popular.

As histórias passavam-se nos anos trinta, mostrando Mandrake em Xanadú, uma propriedade fantástica no alto de uma colina. Tinha uma noiva, a princesa Narda de Cockaigne4 , fictício reino na Europa orienta. Era ainda acompanhado por Lothar, um príncipe africano que abandonou a sua tribo para acompanhar o mágico, e tornando-se assim muito provavelmente o primeiro personagem negro nas histórias em quadradinhos.

Elegantemente vestido em finos ternos, usando cartola e luvas, e uma capa forrada em vermelho, Mandrake conseguia evitar confrontos físicos utilizando a hipnose. Bastava um olhar e fazia com que o bandido em vez de uma arma, ter um ramo de flores na mão. O seu principal inimigo era o Cobra, e as suas aventuras iam desde evitar o simples crime, a situações de tráfico, terroristas e outras mais graves.




Em 1965 entra Harold Fredericks para o desenho, depois da morte de Davis, notando-se alguma diferença no traço, mas mantendo sempre a elegância distinta que o caracterizava. Fredericks foi também responsável pelos argumentos, depois de Falks ter falecido, e continuou a obra até 2013, quando se reformou.

No Brasil estreou-se num suplemento juvenil de Jornal em 1935, mas teve bastante destaque numa série de revistas publicadas pela Rio Gráfica Editora, que não tinham o mesmo fascínio para mim do que as do Fantasma, mas cheguei a ler com interesse uma ou outra aventura. Por cá estreou-se na Mundo de Aventuras a 19 de Outubro de 1950, sendo também publicado em diversas revistas como Águia (1ª série), Álbum Agência Portuguesa de Revistas, Álbum Correio da Manhã, Álbum do Mundo de Aventuras, Álbum Editorial Futura, Álbum Portugal Press, Almanaque «O Mosquito», Aventureiro, Canguru (1ª série), Chico Zumba, Ciclone, Comix, Condor (amarelo), Condor (mensal), Condor Popular, Enciclopédia «O Mosquito», Êxitos da TV, Galo, Gatinha, Grilo (APR), Grilo, Herói (1ª série), Herói (2ª série), Heróis Inesquecíveis, Jornal do Cuto, Mandrake (1ª série), Mandrake (2ª série), Mandrake (Especial), Mundo de Aventuras (2ª fase), Mundo de Aventuras Especial, Quadradinhos (1ª série), Quadradinhos (2ª série), Quadradinhos (3ª série), Selecções (Mundo de Aventuras), Selecções BD (2ª série), Tico, Tigre (1ª série), Viva!

Todas publicaram aventuras até 1980, e nas duas décadas seguintes a publicação foi mais esporádica, com as revistas vindas do Brasil a suprir essa necessidade. Nos anos 90 foi apresentado a uma nova geração, nos desenhos animados Defensores da Terra, onde ele e Lothar tinham algum destaque.


Mandrake de Davis

Mandrake de Fredericks










quarta-feira, 20 de março de 2019

Mulheres da Disney


A Disney sempre teve personagens femininas nas suas histórias, umas com mais destaque que outras. Irei então agora falar um pouco dessas mulheres das revistas Disney.

Vamos tentar dividir isto então por categorias, começando pelas namoradas dos personagens.

Margarida - A namorada do Donald, que tinha a concorrência do Gastão, é talvez a heroína mais bem sucedida das revistas Disney. Chegou a ter uma revista própria na editora Abril, que teve 257 edições, de Julho de 1986 a Fevereiro de 1997, editada de forma quinzenal até à 243 e daí em diante mensalmente. Teve uma segunda série em 2004, que durou 25 edições, nas duas séries, a maioria das aventuras eram criadas no Brasil. Na revista chamava a atenção por não vestir sempre a mesma roupa, algo que não era muito comum.

Era uma repórter destemida, fugindo assim da simples namoradinha, mostrando na mesma a sua personalidade decidida e aventureira. Vestiu também fato de super heroína, apresentando-se como SuperPata. Tinha o mesmo feitio do Donald, apenas sabia o controlar melhor. Foi criada por Al Taliaferro, com o nome original de Daisy Duck, aparecendo nas revistas em 1940, sendo publicada pela primeira vez no Brasil em 1973. É de longe uma das minhas preferidas.

Minnie - A companheira do Mickey nunca teve muito impacto nas histórias em quadradinhos, ficando muitas vezes apenas como uma peça na disputa entre Mickey e Ranulfo. Foi criada por Walt Disney e Ub Iwerks em 1928 (com o nome Minnie Mouse), aparecendo nas revistas dois anos depois, e estreando-se no Brasil em 1972.

Enfurecia-se mais vezes do que o Mickey, e estava sempre a pedir-lhe para fazer coisas que este não pretendia, é o que me lembro mais das suas aparições.

Glória - Tem a particularidade de ter sido criada no Brasil, pelo grande Ivan Saidenberg em 1972, como a namorada Hippie do Peninha. Mais inteligente e calma que o seu parceiro, funciona como o contraponto sério, até quando veste o fato de heroína Borboleta Púrpura, ajudando muitas vezes o Morcego Vermelho. Apareceu em diversas histórias "imaginárias" dos alter egos do Peninha, como namorada, ou como uma simples personagem na história.

Rosinha - A namorada do Zé Carioca (que por vezes tem concorrência do Zé Galo) apareceu nas tiras de jornais em 1942 (não se sabe o criador), e apesar de não ter sido usada nos EUA, no Brasil era uma presença regular. Filha do milionário Rocha Vaz, Rosinha sofre com as atitudes do seu namorado, mas demonstra grande inteligência, conseguindo-o enganar em muitas ocasiões.


Na parte das vilãs tínhamos as seguintes personagens:

Madame Min - Uma bruxa simpática e poderosa, aparecendo primeiro no cinema e só muito depois nas bd's, onde apareceu um pouco por todo o lado, enfrentando o Professor Pardal, vítima de assédio dos vilões que queriam a sua ajuda, tentando-a enganar (como os Metralhas ou o Bafo de Onça), ou indo atrás da sua paixão, o Mancha Negra.

Tinha um aspecto típico de bruxa, mas raramente era malvada, ou apresentada dessa forma, com muitas das suas histórias passadas a tentar ajudar os outros, especialmente nas histórias do Brasil. Tinha a companhia do gato Mefistófeles, e acompanhava a sua amiga Patalojika, mesmo contra a sua vontade. Teve algum sucesso no Brasil, estrelando em alguns almanaques e num dos míticos Manuais Disney. Foi uma presença regular entre as décadas de 60 e 80. Uma das minhas personagens favoritas.

Maga Patalójika - Criada pelo génio Carl Barks, em 1961, Maga tornou-se uma das maiores vilãs do Tio Patinhas, tentando sempre roubar o seu bem mais precioso, a Moedinha nº1. Inspirado pela actriz Sophia Loren, Barks desenhou-a fora do estereótipo das bruxas, dando-lhe um visual mais jovial, feminino e até sexy. Muito temperamental, perde a cabeça muito depressa, o que a impede de conseguir os seus objectivos. Tem a companhia do seu corvo Laércio, na casa que tem perto do vulcão Vesúvio.

Bruxa Vanda - Mais uma bruxa, esta daquelas à moda antiga, acompanhada pela sua fiel vassoura Jezebel, e o seu físico não engana ninguém. Criada por Barks em 1961, assim como Min, muitas vezes não era malvada, e perdia mais a cabeça com o Professor Ludovico, e a sua insistência em provar que a ciência é melhor do que a magia, ou então com o Pateta, que teimava em dizer que bruxas não existem. Gostava das suas aparições.


E agora um olhar sobre as outras mulheres das revistas Disney:

Vovó Donalda - Criada em 1943 nas tiras de jornais, por Al Taliaferro, Grandma Duck é a avó do Donald, Peninha e Gastão, uma mulher muito trabalhadora, que vivia num sítio nos arredores de Patapólis. Com a ajuda de Gansolino, Vovó vive a sua vida pacatamente, tentando-se manter fora das confusões na cidade, e não tendo problemas em chamar a atenção tanto o Patinhas como o Donald. Teve um manual em seu nome também, com receitas culinárias e outras informações.

Clara de Ovos e Clarabela - Duas personagens secundárias, amigas da Minnie, que apesar de aparecerem muito esporadicamente, são bem conhecidas por todos. Clara (Clara Cluck no original) foi criada por Walt Disney em 1934, e é uma galinha antropomórfica que é conhecida por ser uma grande cantora, aparecendo um pouco por todo o universo Disney.

Já Clarabela apareceu em 1930, por Floyd Gottfredson, e é a namorada de Horácio e também uma grande amiga do Pateta. Nunca foi muito clara a sua personalidade, muitas vezes aparecia apenas como uma dama em apuros, mas lembro-me de histórias dela como repórter.

Pata Hari - Parceira do espião 00-Zéro, foi criada por Al Hubbard e Dick Kinney em 1956, com o nome Mata Harrier, numa paródia óbvia a Mata Hari. Não era tão desastrada como o seu parceiro, mas nem por isso era muito melhor. Ganhou mais destaque nas histórias criadas no Brasil, por Saidenberg, e eu era muito fã das histórias desta dupla de espiões.

Pata Lee - Uma pata hippie, neta de Dora Cintilante (namorada do jovem Patinhas), foi criada por Romano Scarpa em 1966, e conhecida então no Brasil como Pata Ié-Ié, algo que mudou quando esta ganhou um grupo de amigos, passando-se a chamar de Pata Lee. Essa turma foi criada no Brasil, por Arthur Fariá jr e Luiz Podavin, um grupo de adolescentes liderados por Lee, que se metiam em algumas confusões típicas para a idade deles.

Existiram também sobrinhas, como as da Margarida, de nome Lalá, Lelé e Lili, que eram somente contrapartes dos originais masculinos. As personagens aqui abordadas iam um pouco além disso, muitas delas com personalidades próprias e mais sucesso que muitas personagens masculinas.


















segunda-feira, 11 de março de 2019

Autores: John Byrne


Um dos meus autores preferidos, John Byrne foi o primeiro artista que segui a sério, procurando as revistas com os seus trabalhos, mesmo que fosse em personagens que nem conhecia bem.

Não tenho a certeza do primeiro trabalho que vi de Byrne, nunca fui muito de prestar atenção a quem escrevia/desenhava, mas tenho ideia de ter sido algum Luke Cage/Punho de Ferro, mas sei que o que mais me marcou foi o encontro do Aranha com o Capitão Britânia. Depois li uma história dos X-Men na Saga da Fénix Negra, e foi com a sua pequena (mas memorável) fase mo Hulk, que fiquei para sempre seu fã.

John Byrne nasceu a 6 de Julho de 1950, em Inglaterra, crescendo no Canadá (mudou-se para lá com 8 anos) e era um ávido leitor de comics, tanto DC como Marvel, começando o seu trabalho na indústria em 1973, como freelancer na Charlton e fazendo alguns fill-ins para a Marvel. Começou a ser chamado regularmente e desenhou diversas edições de Iron Fist, Champions e Marvel Team-up, muitas delas escritas por Chris Claremont.

Já fora da Charlton, começava a receber cada vez mais trabalho da Marvel e foi com Claremont que teve uma fase memorável com os X-men, um título que pouco vendia na altura, mas que tinha começado a receber alguma atenção de autores como Len Wein e Dave Cockrum. A dupla Claremont/Byrne funcionava bem, e começaram a aparecer histórias atrás de histórias fantásticas, Proteus, Dark Phoenix, Days of Future Past e personagens como as do Clube do inferno ou a Tropa Alfa.


Notava-se a predilecção de Byrne pelo pequeno Wolverine, dando-lhe sempre algum destaque, e exigindo a sua presença na equipa, criando muitos dos elementos que ajudaram a que se tornasse o personagem mais popular da Marvel a dada altura.

Começaram a trabalhar com os mutantes em X-Men #108, de Dezembro de 1977, e no #114 começou a aparecer como co-autor, deixando de ser apenas um desenhista. Mesmo assim era pela sua arte que era conhecido e no final da década de 70, e começo de 80, desenhava também histórias na revista Avengers (com argumentos de David Michelinie) e no Capitão América, fez uma série de histórias com o seu amigo Roger Stern, muito elogiadas pelos fãs e pela crítica.

De 1981 a 1986 entrou para revista que o fez apaixonar-se pelos comics, Fantastic Four, e no quarteto fez uma obra prima, escrevendo e desenhando, com arte final de Terry Austin. Foi uma fase elogiada por todos, com momentos que marcaram a equipa para sempre, e mudando várias coisas como o ter acabado com o edifício Baxter, o mudar a cor dos uniformes, o ter introduzido a Mulher-Hulk para o lugar do Coisa, ou o ter dado mais destaque à Sue Storm, tornando-a na Mulher Invisível.



Ao mesmo tempo, ajudou a criar a revista para a equipa que tinha criado nos X-Men, a Tropa Alfa, numa série de números bem interessantes de se seguir, com bons confrontos e uma arte fantástica. Isto apesar de dizer que não era um grande fã da sua própria criação, mas mesmo assim foi uma série acima da média do que se fazia na altura.

Byrne estava bem instalado, apesar de uma relação conflituosa com Shooter, o editor-chefe, que fez com que saísse abruptamente da companhia, e deixando uma série de histórias com o Hulk por concluir, com o autor Al Milgrom a terminar essa fase. Uma pena, porque foram poucos números, mas cheios de acção, com um Byrne em forma tanto na arte como na construção de história. Em poucos números ele separa o Hulk do Banner, casa-o com a Betty e faz com que meio universo Marvel persiga o golias verde.

Naquilo que foi uma mudança controversa, Byrne acaba por ir para a DC, incumbido de fazer um revamp na personagem principal da companhia, o Super-Homem. Aí produz uma fase odiada por uns, amada por outros, mexendo bastante no status quo do herói, reduzindo-lhe os poderes, ou a sua intensidade, no seu passado como Superboy, eliminou a fortaleza da solidão e tornou-o o único kryptoniano do universo DC.


Clark Kent tornou-se menos pamonha, e Lex Luthor tornou-se um homem de negócios com um ódio visceral ao homem de aço, isto tudo numa fase onde o autor experimentou muita coisa, e muitas mantiveram-se durante anos, e usados em outras mídias como nas séries televisivas.

Byrne fez também a mini-série Lendas, que ajudava a introduzir novas personagens no universo DC depois de Crise, mas manteve-se sempre pelo universo do Superman no seu tempo na DC. Em 1989, e com Shooter fora do comando, volta à Marvel, para os Vingadores da Costa Oeste.

Para além dos Vingadores, cria também uma revista da Mulher-Hulk, num tom mais cómico que tornou a personagem muito popular. mas problemas com os editores fazem com que saia cedo da revista. Byrne pega em Namor e também faz uma série de histórias fora do que estávamos habituados com a personagem.

Estes foram os seus últimos trabalhos regulares na Marvel, depois começou a fazer trabalhos criados por si, de raiz, em diversas companhias, nunca nada com muito sucesso. Voltou à DC em 1995, para uma série de histórias com a Mulher-Maravilha, e reinterpretando o quarto mundo de Jack Kirby, numa série regular que teve 20 edições.



Nesta altura Byrne fazia trabalhos para as duas companhias, fosse só como desenhista (como no Homem-Aranha de Howard Mackie), fosse como escritor e desenhista em várias  minis como
 X-Men Hidden years ou Superman & Batman: Generations.

No começo de Século, o seu trabalho aparecia mais na DC, em Liga da Justiça, Patrulha do Destino ou mesmo Super-Homem, que voltaria a desenhar. Na segunda década, começa a trabalhar mais para a IDW, em revistas de séries de TV como Star Trek ou Angel.

Felizmente pudemos acompanhar quase todo o seu trabalho do Século XX na editora Abril, e ter assim conhecido um dos melhores autores de BD Norte-Americana.







segunda-feira, 2 de julho de 2018

O Regresso da Disney a Portugal - Review e Opinião


Passado um mês do regresso das revistas Disney às nossas bancas, chegou a altura de fazer uma análise às revistas que já saíram, e deixar a minha opinião sobre esse retorno.

Continuo a ser um fã do universo Disney aos quadradinhos, e sempre me custou um pouco ver o nosso país sem uma publicação regular nas bancas. A editora Goody veio mudar isso tudo, e decidi analisar este regresso das revistas, algo que aconteceu no começo de Junho.

As revistas mantém as 132 páginas, mas melhoraram substancialmente a qualidade da gramagem tanto na capa, como no papel do miolo. Eu pelo menos gostei bastante dessa mudança, gosto da sensação nos dedos ao folhear estas novas revistas. Em termos técnicos, passou-se de Couché 150g para Couché 170g na capa, e no miolo o papel melhorado de jornal de 56g, deu lugar ao papel offsetet de 70g.

Continua a sair às terças, alternando os três títulos existentes, sendo que a ordem ficou por Mickey, Tio Patinhas e Pato Donald. Antes de me debruçar sobre as revistas em si, devo realçar o que, para mim, melhorou neste regresso, o facto de que cada revista traz somente histórias relacionadas com o universo da personagem titular. Era uma das coisas que mais me irritava, ver histórias do Mickey na revista do  Donald, e vice versa.


Comecemos pelo Mickey #4, aqui iremos encontrar uma história com um mistério por resolver, uma aventura no tempo, uma história clássica com os sobrinhos e uma divertida envolvendo boa parte do seu elenco secundário. Começo por esta, já que foi a que mais me agradou nesta edição.

Sou fã do Ranulfo, e esta história de Casty soube representar bem a rivalidade entre os dois, com momentos de bom humor e uma arte bem agradável. Em arte esta revista foi do meu agrado, a primeira história mostrou um Mickey bem moderno, numa aventura interessante, com um pequeno mistério a mistura. A história com os sobrinhos é bem clássica, o que é normal, já que é da autoria de Paul Murry.

A história da viagem no tempo não foi do meu agrado, mas se pensar que numa revista, só não gostei de uma história, o saldo é francamente positivo. E para quem é fã do rato, deve ter sido agradável ver só aventuras com este pequeno herói.


Adoro o Tio Patinhas, e nesta revista há de tudo um pouco, adoro a história rápida e bem divertida com o forreta, o Donald e o Peninha, o regresso do Ludovico (embora como narrador), e apesar da primeira história não ter sido a melhor da saga dos Milhões, foi no entanto uma aventura divertida.

Tenho de falar de uma bela surpresa, uma história da autoria do grande Saidenberg, envolvendo o Superpateta e a Maga Patalógika. Temos ainda aventuras do Professor Pardal e do Donald, dando-nos assim uma revista só com patos. Como curiosidade, sabiam que existe uma história do grande Don Rosa?

é muito curta, mas a qualidade está lá, apresentando os Ducktales numa mini aventura.


Este Donald #5 traz para começar uma mega aventura do Superpato, são umas 60 páginas, com uma arte e argumento que não fazem o meu género, mas onde reconheço qualidade, e acho que deve ter feito as delícias de muitos.

Temos uma aventura curta do Zé Carioca, de Fernando Bonini, que acaba por saber a pouco, tais as saudades desta personagem, que já merecia uma edição especial, esperemos que a Goody ache isso também.

A história da casa assombrada é uma das melhores que li nos últimos anos, com uma arte interessante e um Donald e sobrinhos a viverem um aventura sobrenatural com momentos de grande interesse.

Volto a dizer, que o facto de cada revista trazer aventuras relacionadas somente com as personagens principais, é uma excelente conquista, e a qualidade das histórias apresentadas, demonstra preocupação dos editores.

Por isso trata-se de um regresso positivo. e do qual podemos esperar grandes coisas. Por isso, já sabem, quando chegar a terça-feira, chegou também a altura de comprar uma revista Disney, numa banca perto de si.

















sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Autores BD: Len Wein


O meu primeiro contacto com Len Wein, foi numas histórias da Liga da Justiça, uma fase que apreciei bastante, e depois comecei a ver que o seu nome aparecia em outras revistas que lia, como Hulk ou Aranha, percebendo que este seria um autor ao qual deveria começar a prestar atenção.

Para além de ter escrito em títulos como Batman, Homem-Aranha, Hulk ou Liga da Justiça, Wein ficou também conhecido por fazer um bom trabalho como editor, de onde se salienta a mini Camelot 3000, revistas de linha como Novos Titâs, Batman e os Renegados, ou aquela que é considerada a melhor obra dos quadradinhos, Watchmen. Ajudou também a criar personagens como Wolverine, Noturno, Tempestade, Colossus, Monstro do Pântano, Human Target e Lucius Fox, entre tantos outros.

Leonard Norman Wein nasceu a 12 de Julho de 1948 em Nova York, e segundo o próprio, tendo tido uma infância onde ficava doente constantemente, os comics eram a sua companhia, e desenvolveu por esse género uma grande paixão. Mais tarde, ele e o seu amigo Marv Wolfman, iam desenvolvendo essa paixão com os seus trabalhos em fanzines, numa fase em que Wein demonstrava mais interesse em ser um artista do que um escritor.

Mas isso tudo mudou quando ele e Wolfman foram contratados pela DC, no final dos anos 60, e começou então a escrever revistas para a companhia. No começo, Wein andava pela linha de romance, terror, títulos de western ou até revistas relacionadas com programas de TV como Star Trek. Foi no começo dos anos 70 que o autor começou a escrever títulos de super heróis, com a sua estreia a acontecer no Demolidor #70, com a ajuda do escritor/editor Roy Thomas, tendo tido depois esporádicas passagens por títulos como Supergirl, Flash, Superman, e em 1971 cria, em conjunto com o artista Bernie Wrightson a personagem Monstro do Pântano, que viria rapidamente a ganhar uma revista própria.


O seu trabalho com a personagem chamou a atenção de todos, e foi-lhe então dada uma oportunidade para escrever a principal equipa da DC, a Liga da Justiça, com arte de Dick Dillin. e fez um trabalho competente, com constante utilização de personagens da Sociedade da Justiça e reintroduzindo grupos como Seven Soldiers of Victory ou Freedom Fighters.

Nessa altura começa também a escrever regularmente para a Marvel, tendo tido passagens longas por títulos como Marvel Team-up, Hulk e Homem-Aranha. Na sua passagem pelo golias verde, Wein deu destaque ao antagonismo entre Banner/Hulk e Glenn Talbot, revitalizou personagens como Doc Samson e co criou o Wolverine. Já no Aracnídeo, o autor apresentava um Parker divertido, e soube escrever como poucos, diálogos bastantes engraçados enquanto o Aranha enfrentava os seus inimigos.

O romance floresceu nas páginas do Aranha, já que o autor criou casais e personagens como Liz Allen, Betty Leeds e até JJJ encontraram o amor, isto tudo durante a sua fase pelo cabeça de teia. Ao contrário de Conway, que criou diversas personagens para o título, Wein reutilizou vilões que há muito não apareciam na revista, desde o Rei do Crime ao Shcoker, passando pelo Tinkerer ou Silvermane. Mesmo assim ainda criou algumas novas personagens, como o vilão Rocket Racer, que é um bom símbolo do humor apresentado pelo autor na sua passagem pelo Aranha.


Mas foi em 1975 que o autor deixou a sua marca na Marvel, co-criando uma série de personagens com o artista Dave Cockrum, com as quais revitalizaram o grupo de mutantes X-Men, começando uma caminhada que levaria a equipa a ser o título mais vendido da companhia. Curiosamente pouco tempo depois, em confronto com Jim Shooter segundo algumas pessoas, ele deixa a Marvel e volta para a DC, tanto como escritor, como também na posição de editor.

Em 1979, na sua primeira história em Batman, cria a personagem Lucius Fox, e fez algumas histórias interessantes em conjunto com o artista Marshall Rogers, para além de ter escrito a primeira mini do Homem morcego, The Untold Legends of Batman. Em Lanterna Verde, ajudou Dave Gibbons num título que voltava a ter algum destaque, para além de ter sido o escolhido para escrever o crossover entre Batman e Hulk.

Nos anos 80, ficou bem conhecido como editor, o seu nome aparecia em revistas que estavam em destaque, como Novos Titãs ou Batman e os Renagados, e fez parte de projectos como Camelot 3000 e Watchmen. Editou também Alan Moore na revista do Monstro do Pântano, numa passagem de testemunho extremamente bem sucedida. Escreveu ainda um revival do Besouro Azul, e os diálogos da mini série Lendas, ajudando John Ostrander nessa saga que tentava resolver as pontas deixadas soltas em Crise nas infinitas terras.

Nos anos 90, para além de uma passagem como editor na Disney, Wein escreveu para inúmeros programas de televisão, especialmente séries de animação, como Batman, Homem-Aranha, X-men, Phantom 2040, Street Fighter entre tantos outros. Voltou a escrever alguns comics para a DC já no Século XXI, mostrando sempre algum carinho por algumas das personagens desta editora.

Faleceu a 10 de Setembro de 2017, aos 69 anos, com problemas de coração, deixando para sempre um legado nas duas grandes companhias, que ninguém poderá ignorar.













quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Máquina do Tempo: as histórias "O que aconteceria se.. ?" (What If?)


Tenho saudades dos What If? da Marvel, sempre gostei de realidades paralelas, de se imaginar um final diferente para algo já feito, e isto caía perfeitamente nestas minhas preferências. A editora Abril mostrou-nos estas aventuras sobre o título "O que aconteceria se..?", e a dada altura a popularidade era tanta que até chegaram a ser publicados Grandes Heróis Marvel, só com esta temática. Muitas vezes a capa de revistas populares, como o Hulk ou o Capitão América, traziam a chamada para uma destas histórias, sabendo que isso iria chamar a atenção do público.

 O primeiro volume de What If? foi lançado em 1977, com o primeiro número a trazer o Quarteto Fantástico, mostrando o que aconteceria se o Homem-Aranha tivesse se juntado ao grupo. Inicialmente as histórias iriam se desenrolar num universo alternativo, conhecido como Terra-616, mas rapidamente criaram um multiverso, com inúmeras terras para acomodar os diferentes destinos de personagens que conhecíamos tão bem.

O meu primeiro contacto com uma história deste género, foi na revista do Incrível Hulk, que trazia na capa "O que aconteceria se o Wolverine tivesse morto o Hulk?"e fiquei logo fã. A minha colecção foi crescendo, e conforme comprava as revistas mais antigas, ficava contente quando apanhava logo na capa, menção a que iria trazer uma destas histórias. Algumas das minhas preferidas foram esta primeira que li, a do Conan andar por cá nos dias de hoje, do Wolverine como agente da SHIELD (e que capa fantástica essa) e a do Capitão como Presidente dos Estados Unidos.

Cheguei a comprar, muitos anos depois, alguns dos originais americanos, e desses dos que gostei mais foi de um a mostrar o Tony Stark como "Dr Estranho". A Marvel lançou nove volumes desta série, o primeiro entre 1977 e 1984 (47 números), o segundo entre 1989 e 1998 (114 números), e entre 2005 e 2010, saíram os restantes volume, por norma com 5/6 números por ano e focando-se em finais de sagas da companhia.

O mais interessante foi ver que alguns destes conceitos acabaram por se tornar realidade, o Aranha chegou a ser membro do Quarteto por exemplo, a do clone do Aranha ter sobrevivido, entre outras. Depois era sempre giro ver heróis como vilões, ou vice versa, e lembro-me de achar bastante piada a uns humorísticos, que consistiam em pequenas tiras com chalaças fantásticas.


As histórias do primeiro volume, traziam o Vigia Uatu como narrador, e nestas cómicas a premissa era, "o que aconteceria se o Uatu fosse um comediante?", e depois as coisas eram como piadas de um cómico em stand up, que deu origem a tiras bem divertidas.

Existiram alguns números com mais do que uma história, uma delas um pouco mais curta, ou então com umas 3 ideias encaixadas logo numa historia, como a de que mostrava 3 pessoas diferentes a receber o poder do Homem-Aranha. Algumas dessas ideias, ou universos alternativos, foram revisitados anos mais tarde, em revistas como a do Quasar, ou então reimpressas em diversas edições.

Homem-Aranha, Wolverine e o Quarteto foram as personagens mais usadas, e a dada altura a revista era usada mais para dar finais alternativos a mini séries ou sagas de sucesso, perdendo um pouco a essência de mostrar diferentes versões da mesma personagem, ou de alterar apenas um evento na vida desse herói/vilão. Quem mais era fã?













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