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terça-feira, 16 de junho de 2015

Vertigo: Pré-Vertigo Parte 7 - Conclusão
A história que antecede o selo: 1992

Ao entrarmos em 1992, faltava apenas um ano para a Vertigo começar, mas o público ainda não sabia. As principais revistas que iam dar início ao novo selo já estavam no activo, e não apareceram novos títulos para o integrarem. Alguns estiveram lá perto, mas eram apenas mini-séries, que provavelmente teriam sido inseridas no selo, já que se afastavam suficientemente do universo DC para o justificar.

Uma dessas mini-séries era Warlord, que trazia de volta o mundo subterrâneo de Skartaris, e que tinha sido um dos maiores sucesso da DC fora dos super-heróis nos anos 80. Nesta mini-série de seis números, lançada a partir de Janeiro, um jogral decide ir à procura do lendário Guerreiro, o estrangeiro Travis Morgan, para poder contar a sua história na forma de uma canção, mas a realidade revela ficar muito longe da lenda em que acreditava. No entanto, Morgan, que procurava afastar-se do seu passado, vê-se forçado a retomar o capacete e as armas do Guerreiro, devido à ressurreição do seu inimigo, o nefário tecnomago Deimos. Para isso, Travis Morgan recorre à ajuda da sua filha Jennifer Morgan, que tem habilidades místicas. A história foi escrita por Mike Grell, num estilo semelhante ao título original, com arte de Dameon Willich, que não se confundia com Grell mas não fugia muito do estilo tradicional de aventura.

Outro título semelhante, que tentava ressuscitar uma propriedade alternativa antiga era Arion the Immortal, pela mão do seu criador original, Paul Kupperberg, e do artista Ron Wilson. Por coincidência, tanto Travis Morgan como Arion derivavam a sua história da lenda da Atlântida. Kupperberg tentou aqui trazer Arion de volta pela segunda vez, depois de uma tentativa de o ligar à história pós-Crise da Poderosa (Power Girl), prima do Superhomem da Terra-2. Nesta nova história, o feiticeiro Arion da Atlântida está contente em viver uma vida simples num bairro pobre de Nova York, envelhecido e sem poderesa, a infernizar a vida do seu velho inimigo e vizinho, Chaon. No entanto, o destino tem outros planos para Arion, quando a velha magia atlante é reiniciada, permitindo o regresso do seu irmão, o maligno Garn Daanuth, o que obriga o feiticeiro a salvar o mundo e eliminar a magia, para poder regressar à sua vida pacata. Publicada a partir de Julho, tinha um visual apropriado para a Vertigo, mas a história não foi reimpressa nem teve seguimento.

Dezembro viu o regresso de Deadman às bancas, com uma mini-série de dois números, Deadman: Exorcism, novamente com Mike Baron e Kelley Jones a assinarem. A história segue a mini-série anterior, com Boston Brand a sofrer mais com os seus distúrbios emocionais, relacionados com a sua solidão e incapacidade de viver uma vida normal, apesar de ser um fantasma imortal. Deadman acaba por ser influenciado por outros fantasmas, o que o obriga a exorcizar-se a si próprio, confrontado um detalhe esquecido do seu passado. A história mereceu algumas críticas por parte do público, pois quis transformar Boston Brand num predador sexual antes da sua morte e ressurreição.

Começando em Março, My Name Is Chaos era uma série de ficção científica em quatro números, editada em formato prestige, idealizada por Tom Veitch e John Ridgway. A história começa com um grupo de alienígenas a transformarem Thomas Valis no futuro da humanidade, com superpoderes, mas enquanto Valis vai descobrindo como usar as suas habilidadse, o seu irmão Steven usa as suas criações, os humanos artificiais conhecidos como Mandróides, para começar a colonizar Marte com o propósito de declarar guerra à Terra. Existe uma mensagem secundária da necessidade de preservação ecológica na história, para preservar a vida como um ser humano normal, que contrasta com o desejo de vários humanos transformados por tecnologia de abandonar a Terra e iniciar uma nova vida noutro local, cortando todos os laços com o antigo lar.

Também em Março, foi publicada outra mini-série prestige, em três números, chamada Skull & Bones. O primeiro trabalho completamente escrito e desenhado por Ed Hannigan, mais conhecidos pelos seus trabalhos tradicionais com super-heróis nos anos 70 e 80, vê um soldado soviético a regressar da guerra do Afeganistão mesmo na altura em que uma revolução se aproxima na União Soviética. O soldado, vestido como um esqueleto, torna-se ele próprio uma figura revolucionária e inspiradora para a população em geral, mas vários grupos políticos, incluindo a KGB, querem usá-lo nos seus próprios propósitos, mas nenhum consegue evitar o colapso da União Soviética. Este thriller político nunca foi reimpresso.

Mais alguns meses, e Tell Me, Dark teria sido um livro da Vertigo. No entanto, a graphic novel de Karl Wagner, John Ney Rieber e Kent Williams chegou às bancas em Dezembro e mesmo as sua reedições de 1993 e 2001 têm apenas o logótipo da DC na capa. Como é habitual com a arte de Williams, a história tem vários momentos intimistas, até porque o personagem principal, Michael Sands, é motivado pela morte da namorada para investigar um mundo de magia, anjos, demónios e sacrifícios humanos, acabando por encontrar algo maior do que aquilo que estava à espera.

Vale a pena mencionar ainda The Hacker Files, uma mini-série de 12 números lançada em em Agosto, da autoria de Lewis Shiner, Tom Sutton e Mark Buckingham, onde o programador Jack Marshall tem que lidar com um vírus informático vivo que controla todos os aparelhos do governo. A história não poderia fazer parte da Vertigo devido às aparições de Barbara Gordon, Hal Jordan e da Liga da Justiça Internacional. Shado, Song of the Dragon, chegou às bancas em Abril, uma mini-série de quatro números com esta personagem secundária do título Green Arrow, que em breve deixaria de fazer parte da linha adulta. Finalmente, Janeiro (ainda com data de 1991) viu a publicação de Batman & Dracula: Red Rain, talvez a melhor história Elseworlds de sempre, onde Drácula transforma Bruce Wayne num vampiro, tornando-se verdadeiramente uma lenda de Gotham.

As edições com capa de Março de 1993, lançadas em Janeiro, viram o surgimento dos primeiros títulos com o selo Vertigo, criado por Karen Berger com a assistência de Art Young, que tinha tentado lançar a Touchmark Comics com apoio da Disney, dois anos antes. Animal Man (57), Doom Patrol (64), Hellblazer (63), Sandman (47), Shade, the Changing Man (33) e Swamp Thing (129) foram os títulos absorvidos. Com Death: The High Cost of Living (de Neil Gaiman e Chris Bachalo) e Enigma (de Peter Milligan e Duncan Fegredo) a serem as primeiras mini-séries publicadas. Books of Magic foi a primeira encadernação da Vertigo.

Durante 1993 chegaram ainda Sandman Mystery Theatre, um título de crime noir nos anos 30, com Wesley Dodds (o Sandman original), por Matt Wagner e Guy Davis, e a série mensal da Orquídea Negra, Black Orchid, feita por Dick Foreman e Jill Thompson. Chegaram também as mini-séries Sebastian O (de Grant Morrison e Steve Yeowell), The Extremist (de Peter Milligan e Todd McKeever) as menos conhecidas The Last One e Skin Graft, e o regresso do ex-soldado Jonah Hex num western com o título Jonah Hex: Two-Gun Mojo. A Vertigo estava lançada.




Podem ler ou reler todas as partes anteriores:

domingo, 11 de agosto de 2013

Os Comics e os Anos 90: DC Comics - Elseworlds: Golden Age [7]



Voltamos hoje à DC Comics por intermédio do Paulo Costa.
Hoje fala-se de Elseworlds: Golden Age!

The Golden Age
Outros mundos, diferentes mas iguais

A DC sempre foi conhecida por publicar histórias imaginárias dos seus personagens, incluídas no sub-selo Elseworlds, ou Túnel do Tempo, no Brasil. Durante os anos 60 e 70, eram comuns as histórias imaginárias, principalmente as do Super-Homem, com alguns contos mais fantásticos, exemplificados, regra geral, por histórias onde Clark Kent e Lois Lane se casavam. Depois da “Crise nas Infinitas Terras”, estas histórias desapareceram, até Frank Miller criar o futuro distópico do Batman em “O Regresso do Cavaleiro das Trevas”. O sucesso desta história levou à criação de “Batman: Gotham by Gaslight”, publicada em português como “Gotham City: 1889”, uma edição especial que colocou Bruce Wayne à caça de Jack, o Estripador, na Era Vitoriana, mas o primeiro título a receber o logotipo de Elseworlds foi a edição especial “Holy Terror” (“Terror Sagrado” em português), também com o Batman, em 1991.

Os Elseworlds começaram a suceder-se rapidamente, não só com o Batman mas também com o Super-Homem e com a Liga da Justiça. Um número, “Speeding Bullets”, lançado em 1992, chegou a colocar os Waynes a encontrar o foguete com o bebé Kal-El, que depois se tornou um Batman com poderes kryptonianos. Em 1994, a DC mesmo a unificar a temática das edições anuais sob o símbolo Elseworld, incluindo uma história onde o Super-Homem ocupa o lugar de Mowgli em “O Livro da Selva”. A melhor história foi, talvez, o anual do Super-Homem onde os Kryptonianos ocupam a Terra e Kal-El torna-se ajudante dos líderes da resistência, Batman e Lex Luthor.

Invulgarmente, a DC publicou um Elseworlds com a Sociedade da Justiça em 1993. Chamado “The Golden Age”, foi publicado em português pela TEQE/Metal Pesado. Esta foi uma das primeiras edições que comprei em inglês e em formato encadernado. A história pouco tem a ver com a identidade visual dos anos 90. Escrita por James Robinson e ilustrada por Paul Smith. A história passa-se primariamente entre 1949 e 1951, período em que a DC encerrou progressiva mas rapidamente a publicação de super-heróis. Embora quase todos os personagens sejam da Sociedade da Justiça, Robinson evita usar os heróis mais conhecidos (o Flash, o Gavião Negro e o Sandman quase não aparecem), com excepção do Lanterna Verde, Homem-Hora, Starman e o Átomo. Os menos conhecidos Johnny Quick, Caçador (Manhunter), Robotman, Dan the Dyna-Mite e Tex Thompson, em conjunto com alguns outros, assumem o protagonismo. Mas quase todos passam a maior parte em roupas civis e sem usarem os seus poderes.


Na história, poucos super-heróis estão autorizados a operar, a não ser que revelem as suas identidades, resultado do clima paranóico que no mundo real levou à caça de comunistas escondidos por parte do Senador Joseph McCarthy. Entretanto, Tex Thompson, antes conhecido como Mr. America e Americommando, virou-se para uma carreira política, apoiado por alguns heróis, como os ex-membros da Sociedade da Justiça, Átomo e Johnny Thunder, e pelo jovem Daniel Dunbar, que antes era Dan the Dyna-Mite, sidekick de TNT. Enquanto Thompson segue rumo à presidência, Dunbar recebe poderes atómicos, num uniforme patriótico e a identidade de Dyna-Man. No entanto, no final, Miss America, que se tinha envolvido romanticamente com Thompson, revela ao mundo que estes dois heróis são na verdade o Ultra-Humanita e Adolf Hitler. O Ultra-Humanita surgiu como um inimigo do Super-Homem, nos anos 40 (o seu visual foi reciclado para criar Lex Luthor), mas depois do reordenamento cronológico da Crise passou a ser adversário do All-Star Squadron. O Ultra-Humanita era conhecido por fazer transplantes cerebrais, o que lhe permitia assumir outras identidades, aqui trocando de corpo com Thompson e fazendo o mesmo com Hitler e Dunbar.


Com muito pouca acção, “The Golden Age” é um oposto completo aos cânones visuais dos anos 90. Serve simultaneamente para encerrar o capítulo do desconstrucionismo cínico da década de 80 e como antecessor do idealismo realista que surgiria em poucos anos com a Liga da Justiça de Grant Morrison e os Vingadores de Kurt Busiek. Não é por acaso que esta história usa a Sociedade da Justiça, heróis dos anos 40, criados numa era onde os heróis eram mais ‘simples’ e ‘inocentes’, mas também mais inspiradores. Depois de “The Golden Age”, Robinson adoptou muito do tom revivalista nas suas histórias do Starman, bem como muitas das ideias exploradas nesta mini-série, que entraram na cronologia normal não só em Starman mas também na relançamento da Sociedade da Justiça, em 1999.

Texto: Paulo Costa


Elseworlds 80-Page Giant: Letitia Lerner, Superman's Babysitter
Não resisti a colocar esta imagem... não pertence a Golden Age, mas a uma outra publicação Elseworlds (está na legenda da imagem...)

Podem ver todos os outros artigos desta rubrica nos seguintes links:
Os Comics e os Anos 90: Image Comics - Youngblood
Os Comics e os Anos 90: DC Comics - A Morte do Super-Homem
Os Comics e os Anos 90: DC Comics - A Queda do Morcego
Os Comics e os Anos 90: Crossovers entre várias Editoras 
Os Comics e os Anos 90: Dark Horse - Hellboy
Os Comics e os Anos 90: Marvel - Onslaught 

Quanto aos outros artigos do Paulo Costa, poderão vê-los todos clicando no nome dele!
Voltamos à Marvel na próxima 3ª Feira!
:)

Boas leituras

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