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terça-feira, 19 de maio de 2015

Vertigo: Pré-Vertigo Parte 3
A história que antecede o selo: 1988

Regressamos aos anos que marcaram o surgimento de novos formatos e novas maneiras de contar histórias na DC Comics, a caminho da Vertigo. O número de revistas para leitores mais experientes cresceu exponencialmente, pelo que agora cada ano será tratado separadamente.

Em 1988, a DC já editava regularmente uma pequena quantidade de títulos dedicados a histórias com temáticas mais adultas e mais intimistas, cada vez mais afastadas das tradicionais histórias de super-heróis e de aventura. A lista de revistas mensais incluía Swamp Thing, The Shadow, The Question e a antologia Wasteland. Também já tinha começado um novo volume de Doom Patrol, mas a revista ainda contava com o selo da Comics Code Authority e a Patrulha do Destino agia como uma vulgar equipa de super-heróis. O título de espionagem Suicide Squad também já tinha começado (e teria um spin-off, Checkmate!, durante 1988), mas as histórias passavam-se firmemente no Universo DC, com histórias cruzadas com a Liga da Justiça. O mesmo se passava com o título do detective sobrenatural Espectro, The Spectre, do qual faziam parte do elenco Madame Xanadu e alguns antagonistas da série I… Vampire.

Esse número aumentou em Janeiro com a chegada de Hellblazer, estrelando uma personagem secundária das histórias do Monstro do Pântano, o amoral feiticeiro britânico John Constantine, ex-punk rocker, anti-social e fumador compulsivo. Criado por Alan Moore, Constantine tinha surgido nas histórias do Monstro do Pântano, mas o escritor não trabalhou com ele no novo título. Hellblazer ficou conhecido por lidar com vários temas sociais, com as características de terror das histórias mais subtis, além de ficar completamente afastado do Universo DC. Jamie Delano foi o primeiro escritor, antes de passar as rédeas para Garth Ennis, no que foi o primeiro trabalho americano de ambos. Já dentro da Vertigo, Paul Jenkins e Warren Ellis também escreveram histórias.

Hellblazer foi o último título sobrevivente da linha original da Vertigo, continuando a ser publicado até 2013, encerrando com o número 300, a partir do qual John Constantine regressou finalmente ao universo DC. Apesar da personalidade mais britânica do livro, o americano Brian Azzarello também escreveu o título, antes de passar para a pasta para uma nova série de autores britânicos (Denise Mina, Andy Diggle e finalmente Peter Milligan).

Em Fevereiro chegou a série mensal Green Arrow. Prosseguindo a partir dos eventos da mini-série, a primeira série mensal do Arqueiro Verde transformou Oliver Queen num vigilante urbano, lidando contra o crime organizado e políticos corruptos na cidade de Seattle. Dinah Lance e a ninja Shado passaram a fazer parte do elenco, mas quase sem mencionar super-poderes (paralelamente, Dinah continuava a operar como Canário Negro nas histórias da Liga da Justiça), e o contacto com o resto do Universo DC foi praticamente cortado. A revista continuou a fazer parte da linha para leitores maduros até ao número 62, quando Queen voltou a comportar-se mais como um super-herói, mas o escritor Mike Grell continuou no título até à edição 80, precisamente um mês antes da Vertigo começar.

Fevereiro foi também o mês de lançamento da mini-série em formato de luxo Blackhawk. O herói aviador da Segunda Guerra Mundial, adquirido pela DC à Quality Comics após a falência desta em 1957, viu a sua origem completamente revista, com Howard Chaykin a emprestar mais realismo ao título durante as três edições, com mais detalhes sobre os aviões, mais motivações políticas por trás das acções do herói principal (transformado num polaco naturalizado americano) e maior cuidado com as personalidades dos outros membros do esquadrão aéreo, especialmente Lady Blackhawk e o chinês Chop-Chop (anteriormente uma caricatura racista).

Alan Moore regressou às bancas em Junho com a edição especial Batman: The Killing Joke. Embora Batman nunca tenha sido considerado material Vertigo, o surgimento de novos formatos de publicação nos anos 80 ajudou à publicação de material mais adulto, e a natureza noctívaga do vigilante tornou-o apelativo para histórias com mais consequências. The Killing Joke, desenhada por Brian Bolland, é um exemplo disso, dada a fama da história onde o Joker é elevado ao nível de um verdadeiro psicopata, paralisando Barbara Gordon com um tiro na coluna e torturando o comissário Gordon. Mais edições especiais e mini-séries se seguiram onde o crime e o terror eram ingredientes normais.

Poucos meses depois, em Setembro, foi a vez de V for Vendetta, em parceria com David Lloyd. A série tinha começado na antologia britânica Warrior em 1982, mas foi interrompida com o fecho desta. A DC adquiriu o título e Moore e Lloyd recombinaram o material existente, levando depois a história até à sua conclusão natural em dez números. V for Vendetta é, tal como Watchmen, uma das obras-primas da DC, explorando um futuro (ou presente) alternativo onde conflito nuclear tinha devastado o planeta e apenas uma Inglaterra fascista sobrevivia, para ver depois a sociedade ser destruída, tanto formal como filosoficamente, por uma figura mascarada de inspiração anarquista. Ao contrário de Watchmen, futuras reimpressões de V for Vendetta passaram a ter o selo da Vertigo na capa. A sua transformação em filme tornou-a bastante mais relevante como um ícone cultural nos últimos anos, ainda que Moore tenha ficado muito pouco satisfeito com as características mais populistas da adaptação.

Setembro foi também o mês do lançamento da revista Animal Man. Outrora um super-herói obscuro de segunda linha, Grant Morrison, acompanhado por Chas Truog, transformou o Homem-Animal numa figura mais humana, ao mesmo tempo que explorou temas psicadélicos, ecologia, a natureza dos superpoderes e até metanarrativa, tentando derrubar a fronteira entre os criadores, as suas personagens e os leitores, um tema que viria a explorar várias vezes no futuro. Morrison escreveu o título durante 26 números, antes de entregar a revista a Peter Milligan e depois a Jamie Delano, que introduziram temas de shamanismo e magia totémica na série. A revista fez parte do lançamento inicial da Vertigo, mas já tinha passado a ser recomendada para leitores adultos alguns anos antes. Apesar de ter sido publicada muito antes da sua integração na Vertigo, a passagem de Morrison por Animal Man é considerada a mais importante do título.

Várias mini-séries mais viradas para adultos foram publicadas durante 1988. A mais conhecida é talvez Cinder and Ashe, uma mini-série em quatro edições que começou em Maio. Criada por Gerry Conway e José Luis García-López, é uma história hard boiled the detectives, um estilo e um tema que Conway viria a explorar mais nos anos seguintes, quando saiu da indústria de BD para a televisão. Cinder and Ashe foi reimpresso recentemente, depois de décadas fora da vista dos leitores, mas não na Vertigo, pois apesar de ter temática apropriada, o visual é demasiado tradicional. Tailgunner Jo, de Peter B. Gillis e Tomosina Artis, começou em Setembro e durou seis números, uma história de ficção científica de guerra passada no futuro, onde um desastre natural alterou completamente a geografia do planeta. Ficou na lista dos 'desaparecidos em combate' como tantas outras. O mesmo não se pode dizer de Unknown Soldier, mini-série em 12 números lançada em Dezembro. Escrita por Jim Owsley e desenhada por Phil Gascoine, foi a primeira história pós-crise do Soldado Desconhecido, transformado num agente especial bem mais cínico e menos patriota do que o modo como era representado nas antologias de guerra. Embora não tenha sido reimpressa, serviu como elo de ligação para o uso do personagem por Garth Ennis já na Vertigo, em 1997, de um modo igualmente cínico e sombrio.

Com histórias mais adultas que as tramas normais do Universo DC, a revista mensal Haywire (lançada em Outubro), que durou 13 números, e as mini-séries The Weird, de Jim Starlin e Bernie Wrightson (Abril), Deadshot (Novembro) e Peacemaker (Janeiro), todas de quatro números, encaixavam perfeitamente no espírito da Vertigo, mas estavam presas na cronologia. Deadshot, com o vilão tornado anti-herói Floyd Lawton (mais conhecido como Pistoleiro), era, aliás, um spin off do Esquadrão Suicida, enquanto Peacemaker (em português, o Pacificador), tentava ter o mesmo sucesso na DC de que gozavam outros personagens comprados à editora Charlton, nomeadamente o Besouro Azul e o Capitão Átomo, que à época integravam a Liga da Justiça.

Depois do sucesso da mini-série, Clark Savage Jr. seguiu o mesmo caminho do seu correligionário da Street & Smith, o Sombra, e ganhou uma série mensal. Começando em Novembro, Doc Savage, escrita por Denny O'Neil e utilizando capas pintadas evocativas das revistas pulp, trouxe o herói dos anos 30 e 40 para o presente, lutando contra novas ameaças ao lado do seu neto, também chamado Clark. Apesar do ambiente moderno, era mais fiel ao espírito original do 'Homem de Bronze' que as surreais histórias do Sombra. Durou 24 números e um anual. Outro herói adaptado foi publicado pela DC a partir de Outubro de 1988, o Prisioneiro. Sequela da série de televisão da ITV dos anos 60, The Prisoner: Shattered Visage foi uma mini-série em quatro edições em formato prestige. Escrita e desenhada por Dean Motter, passava-se 20 anos depois, na aldeia onde o Prisioneiro Número 6 ainda estava vivo. Tinha um visual bem mais parecido ao que viria a tornar-se a Vertigo e foi reimpressa em 1990, mas nunca chegou a integrar o selo.


Houve também espaço em Dezembro para duas novas séries, Dragonlance e Advanced Dungeons and Dragons, inspiradas nos respectivos RPG produzidos pela TSR, no mesmo formato das histórias mais adultas, mas a série de fantasia apelava a um público mais especializado. Nos anos seguintes, a linha TSR foi expandida com mais títulos, Gammarauders, Forgotten Realms, Spelljammer, Avatar a antologia TSR Worlds. A TSR Comics foi cancelada em Novembro de 1991.






terça-feira, 12 de maio de 2015

Vertigo: Pré-Vertigo Parte 2
A história que antecede o selo: 1986-1987





A partir de 1986, a DC passou a ter quatro ou cinco publicações por mês que não pertenciam à cronologia normal ou que tinham um aviso na capa de "Suggested for Mature Readers". Nem todos eram, no entanto, material Vertigo, principalmente em qualidade. As já existentes revistas Hex e Swamp Thing continuaram a ser publicadas mensalmente durante este período.
 
Um dos primeiros títulos novos de 1986 foi a revista Electric Warrior. Escrita por Doug Moench e desenhada por Jim Baikie, a história de ficção científica introduziu alguns temas messiânicos num ambiente que misturava cyberpunk e pós-apocalíptico. O título refere-se ao protagonista principal, um robot que desenvolve consciência humana. Embora a história valha mais pelo world building do que pelas relações entre personagens, a arte de Baikie contribuiu bastante para dar uma identidade própria à revista, que durou 18 números, depois de ter sido lançada em Maio de 1986.
 
No mês seguinte, Moench lançou um título de qualidade bem inferior. Lords of the Ultra-Realm era ostensivamente uma história de fantasia, em que uma dimensão de deuses transforma um veterano da Guerra do Vietname no seu lorde principal. Mas nem a arte de Pat Broderick salvou uma história confusa, com seres pseudo-mitológicos de motivações obscuras e com os saltos entre o mundo alternativo e a Terra a tornarem a história confusa de seguir. Depois de seis números e uma edição especial, foi arrumada no fundo do baú, para nunca mais regressar.

Quem não se farta de regressar à mente das pessoas é Watchmen, o título pré-Vertigo mais famoso de todos, escrito por Alan Moore e desenhado por Dave Gibbons. Tal como Camelot 3000, nunca foi incluído na Vertigo, mas foi uma das primeiras séries a ser republicada em formato encadernado, logo um mês depois do último número. Não há muito mais a dizer sobre Watchmen, a história que reformulou completamente o conceito de super-heróis, colocando-os num ambiente realista, depressivo, onde as consequências das suas acções são devidamente exploradas. Todos os personagens são derivações de super-heróis da Charlton Comics, adquiridos pela DC Comics em 1983. Começando em Setembro de 1986, teve alguns meses de atraso até à publicação da última edição.

O facto de ser, em última análise (e por maior que seja a sua importância literária), uma história de super-heróis, bem como a sua constante republicação (supostamente para impedir que Moore e Gibbons recuperem os direitos de publicação da história) tornou-se um obstáculo para que Watchmen seja vista como uma história apropriada para a Vertigo.

Outro material que nunca passou pela Vertigo é The Shadow. O Sombra, personagem das revistas pulp dos anos 30 e 40, tem aparecido de forma recorrente na banda desenhada. Em Maio de 1986, a DC contratou Howard Chaykin para transplantar o personagem para o presente, numa mini-série de quatro números em formato de luxo. Chaykin acabou por introduzir as suas próprias sensibilidades étnicas e políticas na figura do herói, em contradição com a sua personalidade anterior.

Teve seguimento em Agosto de 1987, com uma série mensal escrita por Andy Helfer e com arte de Bill Sienkiewicz e Kyle Baker. A colocação das histórias no presente e a transformação de Lamont Cranston em Preston Mayrock (um clone) não foi bem aceite pelo público, apesar de não se poder criticar do mesmo modo a qualidade das histórias, com um ambiente algo surreal. A revista durou 19 números, até 1989, com dois anuais, e terminou com o Sombra transformado num ciborgue.



É pouco provável que The Shadow tivesse passado para a Vertigo, que raramente editou material baseado em personagens de outros meios e que tivesse que adquirir os direitos de publicação. Por essa mesma razão, a DC não teria colocado na linha o seu 'colega' dos pulps, Doc Savage, que teve direito a uma mini-série de quatro números escrita por Denny O'Neil e com arte dos ainda principiantes irmãos Kubert, lançada em Novembro de 1986. A história trouxe o herói aventureiro, que foi uma das inspirações dos criadores do Superhomem, para o presente, tal como no caso do Sombra.

Elvira's House of Mystery, começando em Janeiro de 1986, usou a personagem como apresentadora de uma antologia de histórias de terror, no mesmo espírito da série televisiva de 1981. Durou 11 números e uma edição especial, publicada em 1987.





A DC também experimentou lançar graphic novels no mesmo estilo da Marvel, com o título DC Graphic Novel ativo entre 1983 e 1986 e Science Fiction Graphic Novel de 1985 a 1987. No primeiro caso, a DC lançou vários livros independentes, “Star Raiders” e “Warlords”, ambos derivados de jogos da Atari, “The Medusa Chain”, história de ficção científica, “The Hunger Dogs”, levando a história do Quarto Mundo e dos Novos Deuses à sua conclusão natural, “Me & Joe Priest”, “Metalzoic” (publicada em simultâneo no Reino Unido na revista 2000 AD) e “Space Clusters”, todas obras de ficção científica. Trabalharam nesta série autores como José Luis García-López, Ernie Colón, Jack Kirby, Pat Mills e Kevin O'Neil.

Apesar da preponderância de ficção científica, a DC resolveu editar um título próprio, Science Fiction Graphic Novel, mas exclusivamente para adaptar histórias em prosa já existentes: “Hell on Earth”, de Robert Bloch; “Nightwings”, de Robert Silverberg; “Frost and Fire”, de Ray Bradbury; “Merchants of Venus”, de Frederik Pohl; “Demon with a Glass Hand”, de Harlan Ellison; “The Magic Goes Away”, de Larry Niven; e “Sandkings”, de George R. R. Martin. De todas estas graphic novels, a única história reimpressa pela DC foi “Hunger Dogs”, nos omnibus dedicados ao Quarto Mundo de Kirby.

Kirby é alguém que é pouco ligado à Vertigo, mas em janeiro de 1987 foi publicada uma mini-série de quatro números com o seu personagem, The Demon. Da autoria de Matt Wagner, e apesar de ser uma historia relativamente fechada, resolveu as pontas soltas da série do anos 70 e serviu como conclusão para o destino final de Jason Blood e do demónio Etrigan. No final do ano, em Outubro, a DC publicou uma mini-série do Phantom Stranger (Vingador Fantasma), reinventando-o como um agente dos Senhores da Ordem, combatendo Eclipso. Ambas as mini-séries tiveram selo do Comics Code. Etrigan retornou na mini-série Cosmic Odyssey (publicada em português como Odisseia Cósmica), de pedra e cal no Universo DC. O Phantom Stranger, por seu lado, andou dos dois lados da vedação.

O que não teve selo do Comics Code foram duas séries com personagens que estariam mais à vontade no universo dos super-heróis do que os seres sobrenaturais anteriores. No entanto, as suas características como vigilantes urbanos foram a plataforma ideal para contar histórias mais realistas. The Question começou em Fevereiro de 1987, com Denny O'Neil e Denys Cowan aos comandos, reinventando o herói objectivista (filofosia criada por Ayn Rand) como um cruzado contra a corrupção de Hub City, que não era avesso a experimentalismos químicos, algo que o criador do personagem, Steve Ditko, criticou. Vic Sage, o homem por trás da máscara do Questão, tinha algumas tendências masoquistas, uma das razões porque permanecia em Hub City apesar da tarefa sisifiana de limpar a cidade. A revista durou até 1990, com 36 números e dois anuais publicados, e teve crossovers com Green Arrow e Batman. Como o Questão teve histórias subsequentes no Universo DC, nunca foi integrado na Vertigo e esta revista apenas foi reimpressa em 2007.

O segundo título deste género tinha como personagem principal o Arqueiro Verde, na mini-série de três números em formato de luxo Green Arrow: The Longbow Hunters, começando em Agosto de 1987. Podia considerar-se uma escolha estranha para um título para 'Mature Readers', tendo em conta que Oliver Queen era membro histórico da Liga da Justiça, mas o Arqueiro Verde sempre foi dos heróis menos aproveitados, passando anos nas páginas secundárias de várias antologias até se tornar parceiro do Lanterna Verde, a primeira vez que se preocuparam em dar-lhe destaque num título próprio. No entanto, Mike Grell resolveu tornar o Robin dos Bosques da DC ainda mais realista, e Oliver Queen mudou de uniforme, mudou de cidade (foi para Seattle) e mudou de métodos, passando a matar. A história foi reimpressa várias vezes, mas nunca houve uma tentativa de integrar Oliver Queen na Vertigo.

Nesta fase, a DC publicou uma série de mini-séries de ficção científica, com níveis diferentes de sucesso. Outubro de 1987 viu o lançamento de Outcasts, que lidou com um grupo de mutantes revolucionários contra um regime corporativista. A mini-série de 12 números foi escrita por Alan Grant e John Wagner e desenhada por Cam Kennedy, e era uma versão mais leve do material que estes autores faziam na 2000 AD britânica. No mês seguinte, chegou às bancas Slash Maraud, que lidava com uma invasão alienígena mas à qual Doug Moench e Paul Gulacy deram uma qualidade visual semelhante ao filme Escape from New York durante os seus seis números. Finalmente, em Dezembro foi lançado Sonic Disruptors, lidando com uma estação de rádio que estabeleceu uma resistência contra uma ditadura teocrática nos Estados Unidos. No entanto, Mike Baron e Barry Crain produziram uma história confusa que foi cancelada ao sétimo número, quando estava previsto chegar ao 12º.

Merece destaque ainda a mini-série Underworld, um policial em quatro números lançado em Dezembro de 1987 e feito por Robert Loren Fleming e Ernie Colon, que apesar da temática realista, com acção passada em Nova York, tinha o selo do Comics Code. Cary Bates e Gene Colan criaram uma mini-série de 12 números de terror fantástico, chamada Silverblade, começando em Setembro, passada no estúdio de gravação de um filme, uma história que tem alguns fãs entre os escritores, pois chegou a ser mencionada algumas décadas depois numas histórias do Átomo. O título Wasteland, lançado em Dezembro, seria interessante para a Vertigo, já que era uma antologia de humor negro com um design parecido ao que seria adoptado pelo novo selo anos depois. Durou 18 números, sempre escritos por John Ostrander e pelo humorista e actor Del Close, da equipa de Saturday Night Live, com um pequeno número de personagens recorrentes.

Vale a pena mencionar ainda os one-shots Zatanna, ainda que com um visual tradicional, Ironwolf, reimprimindo as três histórias de ficção científica dos anos 70 criadas por Howard Chaykin, e Talos of the Wildnerness Sea, onde Gil Kane reaproveitou temas explorados na conceituada história Blackmark, mas com menos sucesso.

Recorde as partes anteriores desta série:

      

     


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A Palavra dos Outros - Série TV: Arrow - 1ª e 2ª Temporadas


A rubrica "A Palavra dos Outros" continua viva, e temos a primeira colaboração de Manuel Jesus!
É também a primeira entrada a sério de produtos televisivos no LBD, o que não deixa de ser interessante!

Vejam vocês o que o Manuel Jesus tem para dizer sobre a série Arrow cuja popularidade não pára de aumentar. Para mim a melhor série TV de sempre com foco num super-herói!


Arrow

O Arrow vai recomeçar no dia 8 de Outubro.
Nas vésperas de se iniciar a transmissão da 3ª temporada, acabei de ver em modo maratona as duas primeiras temporadas da série e na opinião de alguém que não perde tempo a assistir à parte das cenas dos próximos capítulos e tem já pouca paciência para esperar pelas emoções da semana que vem, esta é a forma ideal para se ver uma série tão empolgante como Arrow.

É sem dúvidas das melhores se não talvez a melhor série que já se fez sobre um personagem ou personagens dos universos DC/Marvel. O argumento não se deixa prender à mitologia tradicional do herói Oliver Queen ou o Arqueiro Verde e mistura elementos do personagem num cenário de realidade adaptada aos dias de hoje com ingredientes de ficção científica, intriga política, corporativismo económico e ameaças terroristas e tudo isto muito bem temperado com o dissecar de relações complexas que se vão desenvolvendo entre os vários personagens.



A história balanceia-se entre os acontecimentos em tempo real e um passado misterioso ocorrido num período de 5 anos que coincide com o tempo em que Oliver Queen ou o Arrow esteve desaparecido e dado como morto. Cada temporada desenvolve assim um ano no presente e um ano no passado dando a entender que esta será, assim não seja prematuramente cancelada, uma série com a duração de 5 anos onde os argumentistas querem contar uma história com princípio, meio e fim.

Nas duas primeiras temporadas podemos assistir a episódios fechados em si mesmo e a arcos de histórias ao mesmo tempo que se vão desenrolando as tramas da acção principal da temporada quer no presente quer no passado. O tempo que vai passando ao longo dos episódios na temporada é muito bem marcado pelos argumentistas com o cuidado por exemplo de referir festividades como o Natal ou de referenciar acontecimentos ocorridos em episódios anteriores com a sua devida etiqueta temporal.

Não é necessário conhecer o universo DC para se gostar de Arrow, aliás penso que os argumentistas fizeram questão em escrever histórias capazes de ser sobretudo apreciadas por leigos ou por neófitos nestas andanças dos super heróis mas não se privam ainda assim, de rechear os episódios com ovos de Páscoa e piscadelas de olho aos gourmets e coca-bichinhos dos Comics e mesmo aos Geeks em geral indo ao ponto de aproveitar a presença da actriz Summer Glau no elenco para recriar uma cena famosa de Serenity e relembrar que há coisas que envelhecem bem como um bom vinho do Porto.


Não deixa de ser notável que os produtores tenham apostado num personagem completamente afastado do mainstream do universo DC e aparentemente terem conseguido construir com ele uma plataforma de lançamento para outras séries com outros personagens bem maiores e populares, alguns confirmados, como o Flash que é introduzido como um personagem secundário num par de episódios do Arrow e agora com direito a uma série autónoma com o episódio de estreia anunciado para o próximo dia 7 de Outubro, ainda antes de Arrow e já com crossovers planeados entre as duas séries. Outros aparentemente se estão a perfilar e coscuvilha-se nos bastidores na possibilidade de uma série do Suicide Squad que também apareceram num par de episódios e de Ted Kord o Escaravelho Azul que tantas vezes foi referenciado nas duas primeiras temporadas e que dizem as más-línguas terá um papel de pleno direito na terceira.


Arrow está longe de ser uma história para o público juvenil, aliás a classificação para maiores de 15 dos DVD’s da primeira temporada é generosa. Há violência explicita e sexo implícito quanto baste e na segunda temporada até escapam um ou dois palavrões que lhe devem fazer valer a classificação para maiores de 18, isso ou um certo beijo tórrido dado pela herdeira do demónio e mais não posso dizer para não me chamarem de spoiler



Nem tudo é perfeito na história, nalguns momentos dá ideia de que os argumentistas vão puxando por um fio sem saberem muito bem ainda onde é que aquilo vai dar e depois lá dão a volta à coisa e a coisa acaba por se compor sem se dar muita conta da trapalhada. Por outro lado não é um exagero dizer que o verdadeiro poder de Oliver Queen em Arrow não é ser um Arqueiro vestido de verde que dá porrada na malta que se porta mal mas sim a capacidade de conseguir dormir com todos os personagens femininos da série, um poder que é tão usado que às tantas se torna ridículo. Depois há ainda o desperdício na utilização de alguns personagens com imenso potencial como Shado, Moira Queen ou Roy Harper e este último até dá dó de tão mal tratado que tem sido, vamos ver o que o espera nesta nova temporada.

Curioso é também perceber que os argumentistas tiveram o cuidado de no final da segunda temporada deixarem todos os personagens em situações e espaço para poderem justificar o seu desaparecimento da série sem beliscar a história. Afinal isto de renegociar contractos com os actores também tem a sua arte…

Resta-me agora a dúvida se vou começar a ver a terceira temporada de Arrow já em Outubro ou se vou esperar pelo final para mais uma maratona. Estou muito inclinado pela segunda que a idade não perdoa e o coração tem de ser poupado para emoções menos ficcionadas.


Texto de Manuel Jesus



Já agora vou só colocar alguns pormenores sobre a série para completar informação técnica sobre Arrow:

  • Stephen Amell - Oliver Queen
  • Katie Cassidy - Laurel Lance (novo Black Canary?)
  • Caity Lotz - Sara Lance (Black Canary)
  • David Ramsey - John Diggle
  • Willa Holland - Thea Queen
  • Susanna Thompson - Moira Queen
  • Paul Blackthorne - Detective Quentin Lance
  • Emily Bett Rickards - Felicity Smoak
  • Manu Bennett - Slade Wilson (Deathstroke)
  • Colton Haynes - Roy Harper
  • John Barrowman - Malcolm Merlyn

Claro que isto não foi uma lista exaustiva...
:)
Os criadores da série foram: Andrew Kreisberg, Greg Berlanti e Marc Guggenheim para a CW Television Network.
Foram exibidos 46 episódios divididos por duas temporadas, e como o Manuel Jesus diz logo no início, a 3ª temporada está aí à porta e com muitas surpresas!

Boas leituras

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Arqueiro Verde: Os Caçadores



Esta série da Levoir trouxe algumas pérolas que eu já conhecia, como Crise de Identidade, Joker: O Último a Rir, Batwoman: Elegia e Crise na Terras Infinitas.

Este eu não conhecia, embora já tivesse bastantes vezes para o comprar no original. Em boa hora foi publicado em português! Devido a esta feliz coincidência decidi fazer este artigo.

No original tem o título Green Arrow: The Longbow Hunters, e o artista em foco é Mike Grell.
Este autor/desenhador norte-americano sempre foi dos meus preferidos. Tive o primeiro contacto com a sua obra através do Mundo Aventuras com um dos meus heróis favoritos: Warlord, a preto e branco (garanto que se me sair o Euromilhões eu publico integralmente esta série em português…). Como eu adorava o desenho de Grell! A história era mistura de clichés, mas tudo feito de tal modo que eu ansiava sempre pela próxima aventura de Warlord em Skartaris!

Grell teve excelentes trabalhos em Tarzan e claro, trabalhou muito para a DC nos seus maiores títulos. Para a Marvel pouco trabalhou, apenas Iron Man e X-Men Forever.

Os Caçadores datam de 1987, uma altura em que se lutava por trazer temáticas mais adultas para os comics. Era a época do “Grim and gritty”!
Grell redefiniu o Arqueiro Verde tornando-o num caçador urbano, com temáticas sociais fortes, abandonando a antigas batalhas com super-vilões. Aqui os vilões eram bem retratados e formatados socialmente. Desde bandidos de meia tigela até mafiosos do mais alto gabarito, tudo passou neste livro.

Digamos que há um crescimento deste Robin dos Bosques moderno. Deixou de ser um playboy, deixou aquelas cruzadas sociais de outros tempos, e claro, aqui não há lutas contra super-vilões (leia-se tipos maus com super poderes). Oliver está mais velho, mais sábio como pessoa e também mais introspectivo. Acaba por ser um livro complexo, apesar da aparente simplicidade com que Grell vai contando a história. Daí eu dizer que há duas maneiras de ler este livro: ou simplesmente lendo vorazmente uma aventura com acção, ou então lendo mais lentamente tomando atenção às entrelinhas.

Grell esquematizou o Arqueiro Verde como um verdadeiro “vigilante” urbano, na companhia da Canário Negro. A caça era a mesma, os predadores diferentes. Grell retrata muito bem os predadores urbanos no seu habitat de betão, com as suas taras e loucuras, nos monólogos do Arqueiro e (claro) com o seu maravilhoso lápis, num registo muito realista.

Grell não se coíbe de mostrar alguma nudez, tortura e sangue. A cena em que Dinah (Canário Negro) está a ser torturado é um belo momento gráfico e psicológico. Ela está nua e da maneira como os traficantes a estão a tratar está implícita, para além da tortura pura e simples, também a violação. Oliver está com um dos maiores dilemas da sua vida… o homem que jurou a si mesmo não matar tem aqui uma escolha muito difícil! Grell trabalhou muito bem esta cena, tanto na escrita como no grafismo.
Para dar mais substância à história, Grell criou Shado, a filha de um Yakuza que é treinada nas artes do Kyudô (arte marcial japonesa do arco e flecha).

Shado é a personagem que une toda a trama deste livro. Treinada para matar e vingar a desonra que um grupo especial norte-americano provocou na sua família.
Oliver Queen cria uma relação ambivalente com esta guerreira. Por um lado não quer que ela vá matando a seu bel-prazer, por outro lado… eles são bandidos do piorio e ela está a dar cabo deles!

Bom, estruturando a trama da história… Oliver e Dinah mudam-se para Seattle.
Aqui dão-se conta de vários crimes que tomam conta dos jornais da região. Um assassino em série que vai somando prostitutas, e um misterioso arqueiro que vai matando aparentemente de forma aleatória.
Dinah segue uma pista de narcotraficantes, Oliver vai atrás do misterioso arqueiro.
No final tudo se une numa excelente história de Grell.


Relativamente ao desenho, eu sou suspeito. Adoro Grell! Acho que a grande atracção deste livro é mesmo a arte. E sim, eu gosto deste género. Sem brilhos "photoshopados", sem brincadeiras no computador. O que está ali é Grell, lápis e papel!

Neste livro ele tem vários registos gráficos, conforme o que está a retractar. Mas a sua narrativa gráfica nunca se perde nestas mudanças, antes pelo contrário, fazendo com que o leitor nunca saiba que tipo de desenho vem na página seguinte.
Teve uma grande ajudante que soube interpretar bem o que ele pretendia: a colorista Julia Lacquement!


Este foi um dos livros que mais me surpreendeu nesta colecção. Sem dúvida que recomendo este nº 12 da série Super-Heróis DC Comics.



Hardcover
Criado por: Mike Grell
Editado em 2013 pela Levoir
Nota: 9,5 em 10

domingo, 21 de abril de 2013

Capas: Green Lantern / Green Arrow #85 (Snowbirds Don't Fly)


Excelente capa de Neal Adams. Foi uma pedrada (desculpem, mas sem outras conotações) no marasmo da ingenuidade dos Comics até então!
Aconteceu em 1971...

Tornou-se uma história emblemática dos Comics norte-americanos.
Foi a primeira a vergar o rígido "Comics Code" que vigorava, e censurava, certos assuntos a ser publicados nos Comics. As drogas era um desses assuntos "taboo", e a DC passou por cima disso!

Com esta história de Denny O'Neil chegava ao fim a Silver Age dos Comics, passando então à denominada Bronze Age. Começavam as histórias a ser mais interventivas socialmente, abordando assuntos que sempre estiveram fora dos Comics, como drogas, racismo, mau estar social, pobreza, etc... começou uma época com argumentos mais "noir"!

Daí a importância da história em questão, uma boa capa e uma história fracturante com o sistema instaurado. Seguir-se-iam outras tanto na DC Comics como na Marvel.

Fiquem com algumas páginas, em que Speedy aparece como um viciado em heroína!































Boas leituras!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Duplas Famosas: Green Lantern & Green Arrow


Vou relançar hoje a rubrica “Duplas Famosas” com o Lanterna Verde e o Arqueiro Verde.
Esta dupla protagonizou a entrada na “Bronze Age” dos Comics norte-americanos em 1970.

O Green Lantern Hal Jordan e o Green Arrow Oliver Queen mergulharam as estórias de super-heróis num espaço a que habitualmente a maioria destes heróis passa ao lado: no dia a dia da sociedade, com todos os seus problemas. Crime, droga, seitas religiosas, pobreza e discriminação social foram alguns dos assuntos abordados pelo jornalista Dennis O´Neil (argumento) e pelo mítico desenhador Neal Adams.

O multimilionário Oliver Queen tinha perdido a sua fortuna devido a documentos falsos e declarou guerra à corrupção! O´Neil transformou o caracter do Arqueiro Verde, tornando-o mais duro e “agreste”, mergulhando este num combate social onde a sua personalidade anarca de contornos “esquerdistas” vai fundo nos problemas sociais da Améria no início dos anos “70”. Este “remake” não foi apenas feito por Dennis O´Neil, Neal Adams também refaz o visual do Green Arrow colocando-lhe um capuz e transformando o resto do uniforme. Isto aconteceu em 1969.

Em 1970 este herói rebelde junta-se a outro com um comportamento socialmente certinho: Hal Jordan.
Hal é um liberal, que gosta de trabalhar com instituições governamentais, com um senso de justiça muito “legal”. Um quer mudar a sociedade radicalmente, o outro quer trabalhar dentro do sistema para o melhorar.
Hal Jordan está mais preocupado com os criminosos e a lei, Oliver Queen está mais preocupado com as doenças da sociedade.
Assim, Oliver convence Hal a descer à América real, onde vivem os oprimidos e os discriminados pela sociedade. Os dois desafiam-se um ao outro nesta demanda e nem sempre é fácil a relação entre ambos!
Dois dos números mais emblemáticos são aqueles que mostram o “sidekick” do Arqueiro Verde, o adolescente Speedy, viciado em heroína! Este arco mereceu a atenção do Mayor de Nova Iorque, John Lindsay, o qual chegou a escrever uma carta de apreço aos dois autores deste “team-up”..
Esta dupla de autores fez história com estes heróis!

Infelizmente a parte comercial não teve tanto sucesso, sendo a revista cancelada passado dois anos, no número 89. Depois disto ainda houve entradas destes heróis noutros títulos, mas a grande mais-valia deste legado de Adams e O’Neil, foi a caracterização destas duas personagens para o futuro!










































Boas leituras

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