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terça-feira, 12 de junho de 2012

Gipsy

Com o tempo tornei-me um grande fã de Enrico Marini. Daí esta crítica possa não muito objectiva!
Esta série de Marini foi a sua primeira de sucesso, antes ele tinha criado Les Dossiers de’Olivier Varèse, que eu não conheço, entre 1990 e 1993 com argumentos de vários autores, e entre eles Smolderen que foi também o argumentista de Gipsy.
Este Gipsy foi uma série de seis livros publicada em França entre 1993 e 2002 que conquistou o público, lançando Marini como uma grande promessa da BD franco-belga. Neste momento Marini já não é uma promessa, mas sim uma grande certeza tendo as suas últimas séries conquistado o público. A Estrela do Deserto, Rapaces, O Escorpião e As Águias de Roma falam por si, e sempre com uma grande mais-valia: Marini está sempre melhor a cada livro que passa!
Nesta série Marini Começa a aprimorar o seu estilo, mesclando a escola franco-belga com técnicas oriundas do Manga, imprimindo desta maneira grande velocidade de acção à narrativa. Com esta amálgama os livros desenhados por este artista são tudo menos monótonos. Nesta fase nasceram alguns dos problemas de Marini, de que ele tem tentado fugir (com sucesso nas Águias de Roma), ou seja, algumas fisionomias base desta série acompanharam-no nas séries seguintes… isto nesta série ainda não é defeito mas sim feitio, nas seguintes já se podem chamar de defeito.
O ambiente criado para esta série corre num registo que mistura a acção com ficção de antecipação. Um mundo onde não há aviões devido a uma frágil camada de ozono, civilização decadente nalgumas áreas do planeta, mas ao mesmo tempo apresentando gadgets de alta tecnologia. Visto não haver aviões (apenas aeróstatos) a circulação de pessoas e bens faz-se através de camiões que se servem de uma autoestrada planetária, a C3C.
Como devem calcular, Tsagoi como bom cigano que é posiciona as suas aventuras em vários e bem distintos locais do planeta, iniciando as aventuras ao redor do Ártico e acabando na América Latina, passando por França, Alemanha e Médio Oriente. Para quem decidir obter esta série eu chamo à atenção dos magníficos cenários criados por Marini.
Ainda não falei de Smolderen, o autor do argumento. Todos os cenários de acção são bem sólidos, a narrativa corre rápida e com alguma violência (tanto física como psicológica), mas sem nunca se deixar cair na tentação fácil do gratuito, embora a personalidade do protagonista se preste a isso. O Suíço Thierry Smolderen é professor em Angoulême, e esta será talvez a sua obra mais importante, embora tenha tido créditos em Marshal Blueberry.
A obra inicia-se na juventude de Tsagoi, onde o seu fogo cigano faz ferver o seu sangue para além do razoável. Comete um crime no orfanato e foge para seguir o seu sonho de conduzir um grande camião! Deixa a sua pequena irmã Oblivia no orfanato com a promessa que iria tomar conta dela à distância, e cumpre! Assim Oblivia é transferida para um colégio na Suiça onde tem direito à melhor educação possível. Mas as coisas não correm bem a Tsagoi (já homem) e Oblivia vai à sua procura para saber o porquê do dinheiro ter deixado de aparecer, com a consequência da interrupção dos estudos. Encontra um Tsagoi no seu melhor, ou seja metido numa grande e violenta rixa com motoristas de camião da empresa monopolista Selmer. A partir daqui tudo se precipita para uma grande e aventurosa viagem que passa pelo Canadá e “acaba” na Sibéria. Nesta viagem dá-se o seu primeiro encontro com uma misteriosa e traiçoeira personagem, Sissiah mais conhecida como “A Feiticeira”. Esta Feiticeira pertence a uma organização que visa o poder absoluto: a Asa Branca. Aliás, esta organização pela figura de Sissiah faz o elo de ligação entre todos os livros editados em português desta série, sendo que as aventuras dos dois irmãos são pautadas pelas maquinações da Asa Branca!
Esta série não tem qualquer espécie de censura ao corpo humano, portanto, e para quem tiver mais pudor, não a considero aconselhável embora não haja sexo explícito.
A série é composta por seis volumes, estando editados em português cinco. O primeiro foi editado pela Meribérica (encontra-se facilmente nas grandes livrarias e leilões), os seguintes pela ASA.

A saber:
  1. A Estrela do Cigano (Meribérica 2001)
  2. As Chamas da Sibéria (ASA 2002)
  3. O Dia do Czar (ASA 2003)
  4. Olhos Negros (ASA 2003)
  5. Asa Branca (ASA 2004)
  6. Le Rire Aztèque (2002 Dargaud)
Existe uma boa possibilidade de o último álbum da série ser publicado na nossa língua para o ano, por intermédio da ASA, claro…
Boa série, para quem gosta de aventura, traição, violência, sexo e muito movimento!

Boas leituras

Hardcover
Criado por: Smolderen e Marini
Editado em português entre 2001 e 2004 pela Meribérica (vol.1) e ASA
Nota: 9 em 10

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