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terça-feira, 20 de agosto de 2024

Brigantus Vol.1- Banido

 


- Lá, estará uma jovem de olhos claros à minha espera. Ela aquecer-me-á o coração com o seu sorriso.

 Mais um livro de Hermann, mais uma série de Hermann, e novamente escrito pelo seu filho Yves H.

Não vale a pena falar de Hermann, de como ele influenciou o meu gosto pela BD desde pequeno, com a série Jugurtha (o que eu adorava essa série), e depois de outras como Comanche, Bernard Prince ou Jeremiah que eu tenho no coração.

Muitos outros livros ele desenhou e pintou, uns melhores que outros, mas houve características que se foram ganhando e outras perdendo. A sua capacidade para grandes cenários com excelentes ambiências foi-se tornando mais rica com a idade, na minha opinião, em contrapartida a figura humana foi ficando mais feia, sendo que neste livro as faces das personagens por vezes roçam o grotesco. Esta também é a minha opinião.

Neste Brigantus, publicado em Portugal pela Arte de Autor, e analisando a sua arte, acho que é isso que acontece. Os cenários enevoados e pantanosos estão maravilhosos, mas alguns legionários romanos e habitantes Pictos poderiam fazer parte da minha colecção de personagens de pesadelos. Para dar um pouco de cor a estes soturnos cenários escoceses usa o sangue, e a cor dos uniformes romanos para contrastar com os mortiços  cinzentos.

E dito isto, não tenho nada a apontar à sequência gráfica aplicada à narrativa. É fluida e bem executada por um mestre extraordinariamente experiente neste mister.

Quem se lembra da última personagem (masculina ou feminina) bonita que Hermann desenhou? 😏  Não é que seja obrigatório haver “gente gira” a salpicar toda e qualquer história, mas é muita gente feia junta nos últimos livros Hermann.

Pronto, ele queria mostrar fealdade humana nesta série, em que pela primeira vez Hermann e Yves H. se cruzam com o mundo Romano, digamos que conseguiu… tanto na fealdade física, como a fealdade da alma.

Quanto à história propriamente dita é apenas uma apresentação simples do legionário Brigantus, denominado pelos seus “companheiros” como O Picto. Neste aspecto está mesmo um pouco básico.

Yves H. nunca escreveu histórias de renome ou excelência que me lembre, na minha opinião é competente e acompanha o seu pai Hermann já há muito tempo, o que lhe dá visibilidade no mundo da BD. Neste Brigantus faz apenas uma apresentação, uma bastante violenta por sinal, da principal personagem, a única que é minimamente trabalhada é Brigantus, sendo as outras meramente coadjuvantes para esse efeito.

O cenário geral é a tentativa de Roma conquistar toda a ilha Britânica, o que nunca conseguiu, e neste caso a Centúria de Brigantus estava a caminho dos fortes romanos mais a norte, já na Caledónia (Escócia), para os reforçar.



Mas não é fácil… existe o tempo adverso, a paisagem pantanosa, com a sua névoa típica e existem…  os Pictos que são uns chatos! 😋

Há muito a fazer pela história ainda, e o Leituras de BD espera que o segundo volume seja mais trabalhado por Yves H., porque na realidade um cartão de visita de 54 páginas sabe a pouco como apresentação.

 

Autores: Hermann & Yves H.
Edição: Cartonada
Número de páginas: 56 a cores
Impressão: a cores
Data de Edição: Março 2024
ISBN: 978-989-9094-43-7
 PVP: 18,50€
Editora: Arte de Autor

 

Desde já as minhas desculpas pela qualidade das digitalizações. Infelizmente não consegui fazer melhor, não fazem justiça às páginas de onde saíram.


Boas leituras

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Bouncer Vol.12 - Hecatombe


Violência sem limites. Violência física, moral e emocional. Se os outros livros da série já têm estes predicados, este último tem-no em quantidades absurdas!
E lama, muita lama.

O nome adequa-se perfeitamente ao que se passa neste último livro do meu western favorito, e para a Hecatombe ser maior, até o livro tem o dobro das páginas dos outros tomos, que é para ficarmos mesmo pregados.

Jodorowsky volta à série depois de um interregno de dois livros. Tive medo que a série perdesse a loucura nesses dois livros anteriores, em que foi substituído por François Boucq, que assumiu o argumento também (o desenho já lhe pertencia).  Mas tal não aconteceu, Boucq foi “evangelizado” naquele tipo de escrita e quase nem se dá pela falta de Jodorowsky!

Esta série começou a ser publicada em Portugal pela ASA em 2002 que interrompeu em 2012. Em 2017 a editora Arte de Autor pegou nesta série publicando dois volumes duplos, e agora este Hecatombe que coloca a publicação portuguesa ao lado da francesa.
Para mais informação sobre livros mais antigos da série cliquem neste link


Assim, estão publicados em português:

  1. Diamante para o Além (ASA)
  2. A Misericórdia dos Algozes (ASA)
  3. A Justiça das Serpentes (ASA)
  4. A Vingança do Carrasco (ASA)
  5. O Fascínio das Lobas (ASA)
  6. A Viúva Negra (ASA)
  7. Coração Dividido (ASA)
  8. To Hell (Arte de Autor)
  9. And Back (Arte de Autor)
  10. O Ouro Maldito (Arte de Autor)
  11. O Espinhaço de Dragão (Arte de Autor)
  12. Hecatombe (Arte de Autor)

De notar que na edição portuguesa desta série, A Viúva Negra / Coração Dividido, To Hell / And Back e O Ouro Maldito / O Espinhaço de Dragão são álbuns duplos.

Alexandro Jodorowsky já é um argumentista muito visto por aqui, neste blogue. Ele tem a mania de se cruzar com grandes obras da BD mundial, portanto nem me vou alongar muito com ele, o seu apetite por violência, droga, deformações, religião, fetiches sexuais ou transformações do corpo humano estão presentes em quase toda a sua obra, e aqui não poderiam faltar. Se quiserem ver mais obras em que falo dele, é só clicarem no link

Boucq continuo a pensar que tem o seu melhor trabalho de vida nesta série, tem sido admirável de ler e apreciar a sua arte cinematográfica, os seus maravilhosos grandes planos, e as sequências loucas de perseguições e duelos em toda a espécie de cenários, desde neve ao deserto é simplesmente brutal. Podem apreciar em outros posts do Bouncer, aqui no LBD, a sua arte.

Passando ao livro. As sequências iniciais são deprimentes logo para abrir. Barro City está sob mau tempo há bastante tempo. Imagens nocturnas chuvosas e a lama nas “ruas” colocam logo o leitor no estado de espírito correcto para esta história. Um grande e brutal final de ciclo a fazer jus ao nome: Hecatombe.

Eu chamo a este ciclo iniciado no livro To Hell Vol.8 “A Maldição do Ouro Austríaco”, desde esse livro não houve mais paz, e a carnificina foi sempre em crescendo até este pináculo da brutalidade humana.

Jodorowsky sempre conseguiu nos seus livros fazer vir ao de cima o que de pior o ser humano consegue fazer, e com requintes de malvadez quase sempre. Para quem conhece a série Tenente Blueberry, esta a mim agora, depois de conhecer Bouncer, parece uma história de escuteiros. 😅

O Bouncer maneta do Saloon Infierno nunca foi muito poupado ao longo da série, mas desta vez supera-se no tão baixo que se pode sentir e cair, e supera-se também na arrancada final de vingança. Corpos e corpos ficam pelo caminho.
Uma história fascinante, com direito a sucessivas reviravoltas, passes de magia e um final que nos deixa o estômago pesado.

Como notas menos boas, existe um plot hole básico no argumento e por vezes Boucq perde um pouco a qualidade, a espaços (poucos), que estamos habituados nele. Também não gostei muito de uma cena no final, mas pronto, nada que faça deslustrar este massacre. 😋
Já agora...  também senti a falta das páginas duplas com que Boucq me maravilhou ao longo da série. Este livro tem 140 páginas e não possui nem uma splash page. 😕

Por mim a série acabava aqui. E acabava com a honra de ser uma das melhores séries que li

O LBD recomenda este livro, e esta série.

Argumento: Alexandro Jodorowsky
Desenho : François Boucq
Edição: Cartonada
Número de páginas: 144
Formato : 232 x 310 mm a cores
Data de Edição: Novembro de 2023
ISBN: 978-989-9094-39-0
PVP: 31.00€

 


Boas leituras

sábado, 15 de junho de 2024

1629 Vol.1 - O Boticário do Diabo
... ou a história apavorante dos náufragos do Jakarta


 "- Para nós, o mar cheira a puta velha, e o nosso barco tresanda a uma mistura de merda e vómito."

Para início de viagem, desta viagem, isto coloca logo tudo no devido lugar.

Conheço mais ou menos bem a história do Batávia (traduzido para Jakarta) devido a uma investigação que fiz aos primórdios da Austrália anos atrás. Embora não vá falar dos eventos históricos que me chamaram à atenção na altura, para não fazer spoiler à conclusão da narrativa do final do 2º volume.

Este horrendo drama histórico é base para um excelente prefácio do próprio autor, Xavier Dorison, que traça aí uma ligação ao livro do psicólogo norte-americano Philip Zimbardo: The Lucifer Effect: Understanding How Good People Turn Evil. Ou seja, como uma pessoa boa ou perfeitamente normal é capaz das maiores atrocidades se as condições espaço-sociais se propiciarem a isso. Aconselho a leitura do prefácio, não é comprido nem chato e dá logo uma luz do que vamos estar prestes a testemunhar: a extinção da alma.

De notar também que a narrativa de Dorison é uma adaptação da história verídica dos acontecimentos descritos nesta viagem, mas foram incluídos também elementos ficcionais para melhorarem a transposição para a banda desenhada, e colar melhor a atenção do leitor ao livro, tudo isto sem deturpar a parte real da tragédia.

Depois desta primeira introdução, vou falar da minha relação com histórias de piratas ou ambientadas em aventuras marítimas do séc. XV ao séc. XVII. Nunca fui de predisposição inicial para pegar nelas, sejam literatura ou BD, ainda me lembro que levei uns tabefes ligeiros para ler a Ilha do Tesouro! Mas depois de começar, e se a história for boa, já não largo mais. É assim comigo também nos Westerns. Manias! 🤷🏻‍♂️
Comecei em BD neste tipo de registo há muitos anos (muitos) com os dois livros da Íbis da série Howard Flynn e lembro-me que gostei, embora não fosse o meu género preferido.

Desde essa altura já li muitas aventuras do género, e já bocejei muitas vezes também, portanto aquela parte do been there, done that costuma andar por aqui algumas vezes, e estava com medo que me acontecesse aqui sobretudo depois de Dorison ter escrito também o argumento do Long John Silver (editado cá pela ASA) há poucos anos. Mas não aconteceu. 🙂


 Tenho uma boa relação com a obra de Xavier Dorison. Começou há muitos anos com o O Terceiro Testamento (Witloof) que adorei, e mais recentemente com o O Castelo dos Animais (Arte de Autor) e Undertaker (Ala dos Livros). Gosto da estrutura, força e fluidez que costuma imprimir nas suas narrativas e esta adaptação não foge a esta trindade de predicados que um argumento deve ter.

Não é fácil escrever uma história num enredo já muito visto, ambientado na altura do comércio marítimo e pirataria, tráfico de riquezas, motins e donzelas em perigo no mar, violência, fome e sede a bordo, enfim…  para sobressair tem de ser muito bem contado. Penso que Dorison o conseguiu. Não é nada de inovador, já foi contado muitas vezes, mas a leitura deste livro torna-se bastante interessante e o leitor não sai defraudado.

As primeiras páginas vão definir o clima. A escolha dos responsáveis do navio, duas pessoas que se odiavam e depois uma terceira desconhecida, mas que podemos pensar logo que não é flor que se cheire. Logo de seguida é-nos apresentada Lucrécia Hans que ao longo do livro é por vezes a narradora que faz a cola entre várias cenas de acção. E é uma bonita jovem aristocrata obrigada a ter de embarcar para ir ter com o seu marido a Java.

Com o passar das páginas as personagens vão sendo desenhadas e aprofundadas aos poucos, num enredo sombrio, e numa narrativa que se vai tornando sufocante e violenta em crescendo. Aquele navio foi montado para “explodir” pela Companhia Holandesa das Índias Orientais. Com uma carga enorme de ouro e jóias e uma tripulação do crème de la crème dos párias que tinham sido rejeitados por outros barcos não havia como falhar! Como condimento temos o Comandante Pelsaert, um disciplinador inflexível a quem é dado o comando do Jakarta para chegar a Java em 120 dias, ou seja, muito curto. Do Imediato, o nosso amigo Boticário, não falo, é para vocês descobrirem a ler o livro. E por tudo isto, um motim está sempre na ordem do dia! 🤷🏻‍♂️

Este livro aflora também problemas da época, como a posição social das mulheres, religião em algumas das suas vertentes (Luteranismo, Ateísmo, etc.) e o clima ditatorial que se vivia tanto dos Directores da Companhia em cima dos Oficiais, como dos Oficiais em cima dos tripulantes. O contacto e comércio com tribos africanas também é aflorado, na Serra Leoa, com alguns problemas inerentes à diferença de cultura, e visto que neste caso o Jakarta não era um navio negreiro, surgiam outro tipo de problemas.

Deixo o resto para vocês descobrirem 😎

Para ilustrar e dar vida ao argumento de Dorison foi escolhido Timothée Montaigne, um desenhador que já havia trabalhado com Dorison em Long John Silver, Castelo dos Animais e Terceiro Testamento.

E sim, Montaigne dá vida ao argumento e dá lustro a esta história. Ele adequa o seu estilo de modo a dar o tom a esta história negra. Consegue ser sufocante no estreitamento visual de algumas vinhetas, para depois explodir em enormes painéis de página dupla. Aquela sensação de claustrofobia da vida a bordo, misturada com caras de fisionomia paranóica está bem marcada em muitas páginas, sobretudo quando evocam a brutalidade a bordo.

Os detalhes que Montaigne aplica neste livro são maravilhosos, sobretudo quando estamos a falar no navio Jakarta, tanto nos interiores como exteriores deste barco, e os detalhes não atrapalham minimamente a fluidez da narrativa da sua arte. É dinâmico! Por isso uma segunda leitura é necessária, para podermos colocar os olhos nos detalhes e pormenores, parar e apreciar.

Clara Tessier deu cor à arte de Montaigne. A sua palete de cor muda drasticamente quando estamos no interior do navio, um ambiente escuro e deprimente, para os tons muito claros e luminosos (duh…  estamos no mar, néh?) no exterior, excepto tempestades… aí passamos novamente para os tons escuros e deprimentes 😅 A sua coloração da costa da Serra Leoa estava muito bonita. Gostei.

Falando do livro como objecto. Aqui não há dúvidas que estamos perante um excelente trabalho do editor/livreiro Mário Freitas e da editora Arte de Autor. Mário Freitas foi responsável pela paginação, tradução e excelente legendagem deste livro. Fez um excelente trabalho, aliás, um livro destes não mereceria outra coisa a não ser excelência, por quem edita e trabalha nele. Mas...  e a capa? Meu Deus, a capa! É linda com texturas para serem sentidas enquanto se manuseia este livro 💚

Agora falta-me saber quando vamos ter o segundo volume, visto que ainda não foi publicado em França.
O LBD recomenda a leitura deste livro.



 

1629 vol 1: O Boticário do Diabo
Autores: Xavier Dorison e Timothée Montaigne
Editora: Arte de Autor
Páginas: 136, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 235 x 310 mm
ISBN: 978-989-9094-36-9
PVP: 34,95€

 Por informação da editora Arte de Autor, o volume 2 que completa a obra vai ser publicado no final do deste ano de 2024.

Boas leituras


terça-feira, 28 de junho de 2022

Spaghetti Bros: Livro 2

 

Arte de Autor lançou este ano o terceiro volume desta excelente série de Trillo e Mandrafina, e como é uma série que o LBD gosta mesmo faz sentido que se fale do segundo volume que saiu o ano passado. Posteriormente falarei do recente volume 3, hoje é o volume 2 que compila os tomos de 5 a 8 da série.

Se quiserem saber mais sobre os autores de Spaghetti Bros mais vale irem ao post de lançamento desta obra (clicar neste link) que a editora  Arte de Autor forneceu na nota de imprensa uma detalhada bio destes dois argentinos.
E para saberem o que eu escrevi sobre o excelente primeiro volume é só clicar aqui.

Enquanto que o primeiro volume foi um entrelaçado de pequenas histórias que foram formando um painel de vida dos 5 irmãos, este segundo volume é mais consistente narrativamente falando, isto apesar de também ele ser composto por algumas histórias. Mas agora já podemos vislumbrar mais da macro narrativa que deverá envolver os quatro volumes desta série.

Tenho de fazer a nota que as últimas pequenas histórias foram menos conseguidas, mas o todo não perdeu a coerência e isso é o mais importante.
A arte de Mandrafina continua num patamar bastante alto, é um preto & branco de excelência! A narrativa gráfica é perfeita, de fácil leitura e sem palha para atrapalhar. Dá apenas para arregalar os olhos e voltar a página para apreciar novo preto & branco perfeito. Mestre!

Trillo apresentou-nos a tal família no livro anterior, a família Centobucchi, e quem segue esta família garantidamente não fica entediado... um mafioso, um Padre, um polícia, uma actriz, e uma assassina a soldo! Para aumentar a temperatura, tudo isto nos anos 30 em plena Depressão.

Trillo, possuidor de um humor muito negro, leva-nos por caminhos bem escuros, com assassinatos, violações, espancamentos, sexo e enganos. Se não fosse o humor que polvilha esta narrativa isto seria muito mais perturbante do que já é. 
Mas a maneira como toda a sequência está formada é algo atraente de se ler. Os dramas familiares desta família, cheios de cinismo, estão bem construídos de modo a que toda aquela incómoda podridão onde eles caminham fique mais leve, e é aqui que entra aquele humor, umas vezes mordaz, outras negro e quase sempre cínico. É o retrato de uma sociedade em que foi muito complicada de se viver.

Outra coisa que tornou este livro muito atractivo foi a inclusão do filho de Carmela como agente condutor da maior parte da narrativa. Trillo apesar de usar o mínimo de texto é muito minucioso no desenvolvimento das suas personagens, e este rapaz não escapou a isto. Óptima personagem para intrincar a história, passeando pelas partes mais sujas, e o olhar dele perante tudo isso traz as dúvidas morais à tona num rapaz a crescer naquela família disfuncional. Faço certo? Faço o que devo? Faço o melhor? Ou faço o contrário disso tudo? :D

Um livro perturbador pela facilidade com que se entra na brutalidade e se salta para uma gargalhada. A ler e reler :)

Boas leituras



quinta-feira, 2 de junho de 2022

Mausart - Edição Integral

 


Mauzarte é uma obra publicada pela editora Arte de Autor no passado mês de Maio, 2022. Originalmente publicado pela Delcourt em dois volumes (2018 e 2019), tem como autores o belga Thierry Joor na escrita e o sérvio Gradimir Smudja na arte. 

Joor sempre esteve mais dedicado à coordenação, publicação e edição de obras, acabando neste momento por ser o editor das Éditions Delcourt
Mauzart é o seu primeiro trabalho profissional como argumentista de BD. 

Smudja era um desconhecido para mim, este livro serviu para eu pesquisar sobre a sua obra, e que obra! Não sabia que o seu livro Vincent e Van Gogh tinha sido publicado em português pela Witloof, em 2003, e agora tenho um bicho aqui a mexer para tentar ver se esse livro ainda existe por aí. :D 

Mauzart é um díptico formado pelos livros Mauzart e Mauzart em Veneza, sendo a capa da edição portuguesa a do segundo livro, que é lindíssima devo acrescentar. O livro chamou-me a atenção nas bancas do Festival Internacional de BD de Beja quando o folheei, porque assim à primeira vista a arte pareceu-me muito boa. 

E podemos começar por aí. As personagens do livro são todas antropomorfizadas à semelhança de Blacksad, mas é só isso de semelhança, a antropomorfização, porque o estilo é completamente diferente. O desenho em alguns animais é puxado para o lado do cartunesco sobretudo para aumentar a sua expressão, sendo os gatos um bom exemplo disso. As páginas são ricamente coloridas e ornamentadas por muitas texturas na cor. 

Pelo que li sobre Smudja ele desenha com uma caneta de mangá e faz a colorização com aguarelas. Simplesmente neste livro não consegui perceber se é aguarela, porque tem tantas texturas e pequenos pormenores que com o meu (pequeno) conhecimento do assunto acabo por não perceber qual a técnica. 
Se alguém me quiser informar, agradeço 😊 


Relativamente ao argumento de Joor. É um argumento muito básico, que pega com o trocadilho da palavra alemã maus (rato) e com o nome Mozart. A partir daí temos os ratinhos dentro do piano, e um lobo Salieri como antagonista, e um Mauzart vitorioso perante a Corte Real, tudo isto baseado em cima de algumas pessoas que cruzaram com a vida Mozart, e contado de uma maneira muito livre.

Com isto não estou a dizer que o argumento é mau, não é o caso, mas lá está… penso que o objectivo é uma faixa etária mais infanto-juvenil, aí está perfeito, agora para um adulto, pronto, é um pouco básico. Digamos que é perfeito para os nossos filhotes mais novos. 


Este livro da Arte de Autor vale mesmo pela arte, que achei fabulosa, e tenho a certeza que se o comprarem se irão deleitar com as páginas de Smudja, e a história será excelente para os vossos filhos. 

É a leitura que faço desta boa edição da Arte de Autor, que mais uma vez nos presenteia com uma excelente publicação. A capa, o papel e todo o design deste livro está com o extremo bom gosto a que nos têm habituado. 



Edição: Cartonada 
Formato: 232 x 310 
Número de páginas: 88 
Data de Edição: Maio de 2022 
ISBN: 978-989-9094-08-6 
PVP: 25,00 €


Boas leituras

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Lançamento Arte de Autor: Armazém Central Vols. 2 & 3
- Serge
- Os Homens






Aquando do lançamento do álbum duplo que continha as duas histórias inéditas "Confissões" e "Montreal", nºs 4 e 5 desta série, a Arte de Autor anunciava também que iria reeditar se possível os volumes anteriores publicados pela ASA que tinha abandonado a série por ali.


Assim, publicou o nº1 em Abril, e agora faz o pleno com este livro duplo que deverá sair nos próximos dias. 
Esta é uma série muito bonita que fala de inclusão de um modo Humano e sensato, não como esta forma actual obsessiva de obrigar à inclusão dê por onde der. Das minhas séries preferidas de sempre!

Nota de imprensa da editora Arte de Autor:



ARMAZÉM CENTRAL 
ÁLBUM DUPLO 

SERGE | OS HOMENS 
Volumes 2 e 3 

Quebeque, 1926. 
Em Notre-Dame-des-Lacs, é ao armazém da Marie que todos se dirigem para as suas compras, se actualizarem e fazerem as suas confidências. 
A chegada inesperada de Serge vai alterar os hábitos: a seguir a Marie, é toda a aldeia que aos poucos vai sair do conformismo. Nesta busca da felicidade, Loisel e Tripp, com sensibilidade e optimismo, contam uma história de emancipação através do conhecimento próprio. 
Um relato a favor da tolerância, como os melhores filmes de Frank Capra. 

Argumento e Desenho: Loisel e Tripp 
Edição: Cartonada 
Número de páginas: 152 
Impressão: cores 
Formato: 227 X 302 
Editor: Arte de Autor 
ISBN: 978-989-53114-5-3 
PVP: 29,00€ 


Jean-Louis Tripp 
Nasceu em França, 1958. Desenhador, argumentista e colorista publicou as suas primeiras pranchas na Metal Hurlant em 1977. 
O seu primeiro álbum, Le bœuf n’était pas mode, foi publicado em 1978. Depois de três títulos na Futuropolis com Marc Barcelo, lança na Milan a série Jacques Gallard, onde os segundo e terceiro tomos Soviet Zigzag e Zoulou Blues obtiveram no FIBD de Angoulême o prémio da imprensa e o prémio do público em 1987 e1988. 
 A partir de 1990 começa um período de criação dedicado ao design, escultura, pintura, reportagens de desenho e literatura juvenil. 
O ano de 2002 marca o regresso à banda desenhada com o Le Nouveau Jean-Claude (argumento de Tronchet). Em 2003, é professor convidado para a Universidade de Quebec e desenha Paroles d’anges, começando em 2006, com Régis Loisel, o longo romance gráfico Magasin Général
Esta saga publicada pela Casterman, tem nove volumes e três nomeações no festival de Angoulême. Desde 2015, divide o seu tempo entre Paris e Montreal. 



 Régis Loisel Nasceu em França, 1951. Argumentista, desenhador e colorista assina os seus primeiros trabalhos em meados da década de 70 em diversas publicações (Mormol, Pilote, Tousse-Bourin), mas é a partir do início da década de 80 que a sua carreira descola com a série La Quête de l’oiseau du temps (Dargaud), com argumento de Serge Le Tendre. 
É também autor de Peter Pan (Vents d’ Ouest) ou de Troubles fêtes (Les Humanoïdes Associés). Colaborou em diversas longas-metragens de animação e foi distinguido em 2003 pelo Grande Prémio da Cidade de Angoulême. Em 2006, lança Magasin Général (Casterman) com Jean-Louis Tripp. Vive em Montreal.




Boas leituras



terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Spaghetti Bros: Livro 1

 



Neste momento temos a "sorte" de ter excelentes editoras a publicar livros tanto na vertente europeia, como norte-americana. Na parte da BD europeia a Arte de Autor, editora deste livro, é uma das que eleva a BD a um excelente nível em Portugal. Temos magníficas obras a serem editadas em Portugal com bastante regularidade e muita qualidade, tanto no título como no livro enquanto objecto.

Agora, nada como falar de uma das melhores surpresas para mim de 2020: Spaghetti Bros

Podia estar aqui a falar dos dois criadores desta obra, Trillo e Mandrafina, mas sinceramente mais vale irem ao post de lançamento desta obra (clicar neste link), visto que a Arte de Autor mandou excelente bios destes dois argentinos. Carlos Trillo escreveu, Domingo Mandrafina teve a arte do preto & branco a seu cargo.

São dois autores que sempre foram seduzidos pela problemática social, e que conseguem num leque de livros diferentes abordá-la sempre de um ângulo diferente, portanto a alcunha de maçadores não lhes cabe.

Trillo imaginou a história de uma família disfuncional de emigrantes sicilianos, órfãos, a caírem nos EUA, presume-se por volta de 1900 porque a história está ambientado aos anos 30. Cinco irmãos, não podiam ser mais diferentes uns dos outros!

A narrativa vai correndo ao ritmo de pequenos episódios, por vezes com sequências do passado destes irmãos. Trillo coloca como início o ódio do irmão mais velho pelo irmão mais novo, que considera o assassino da Mamma, que tinha morrido durante o parto desse mesmo mais novo no barco a caminho dos EUA.

A partir daqui temos um Mafioso na verdadeira acepção, um Padre com problemas de contenção de violência (queria ser boxeur), uma dona de casa com vida dupla (precisa de adrenalina na vida) - que é a minha personagem preferida neste livro -, uma actriz que navega em podres de Hollywood e finalmente um polícia honesto quanto baste (a honestidade é uma coisa cinzenta)...

Todos estas personagens são fortes, muito bem construídas, credíveis dentro da sua dimensão e envoltos numa relação tortuosa, e por vezes cruel.

Toda a relação de amor/ódio entre eles e as suas introspecções individuais, são cartas na mão de Carlos Trillo, e são cartas que ele joga na altura certa para que o leitor seja incapaz de largar esta história com laivos de crueldade, mas polvilhada com bastante humor, por vezes negro, de modo a que tudo esteja equilibrado.


Mandrafina enfia-nos tudo isto pelos olhos dentro com um maravilhoso preto & branco. O seu controle neste técnica é muito apurado e dá a força que a narrativa pede. O seu trabalho ao nível da expressão corporal e facial é simplesmente fabuloso, e sem dúvida que, se Trillo deu uma maravilhosa dimensionalidade a estes irmãos, Mandrafina deu-lhes vida! Curiosamente, decidiu fazer correr a narrativa gráfica de um modo não normal: seis vinhetas aos pares por cada página, não todas, mas são muito poucas as que não obedecem a esta estrutura.

A minha opinião foi dada logo no 2º parágrafo deste post, só posso reafirmar que recomendo este livro repleto de cinismo e dualidades morais. Parabéns à Arte de Autor :)



Boas leituras





sábado, 20 de fevereiro de 2021

O Castelo dos Animais:
Volume 1 - Miss Bengalore
Volume 2 - As Margaridas do Inverno

 



"Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros"

   - in O Triunfo dos Porcos - George Orwell  

Em Junho do ano passado, 2020, a editora Arte de Autor iniciou a publicação de uma excelente série de BD ambientada no mundo de George Orwell. A série é O Castelo dos Animais.

Série escrita por Xavier Dorison, já conhecido neste blogue por outras grande séries (O Terceiro Testamento e ), com arte de Félix Delep. Este título, para além de uma homenagem aos Triunfo dos Porcos de George Orwell, deseja contar essa mesma história de um outro modo, porque existem várias maneiras de resistir à opressão, não só pela violência, mas também com resistência passiva e inteligente.



Mais do que nunca, e sobretudo nos tempos que correm, 1984 e o Triunfo dos Porcos são leituras obrigatórias para todos, então... esta série vem mesmo no timing certo. No meu ponto de vista, claro. Quando vejo todos os dias em todos os lugares do mundo as liberdades serem cerceadas a bem da segurança, um pouco mais todos os dias, sempre uma pouco mais, porque a "segurança" é o mais importante de tudo.. bem, a estrada para os Porcos mandarem ao estilo 1984 está a ser pavimentada cada vez mais depressa.

Esta obra não a considero uma adaptação directa do Triunfo dos Porcos, é mais uma visão do mesmo problema mas com uma oposição e uma luta mais ao estilo Gandhi, como é referido por uma das personagens, em lugar da violência sangrenta que não funciona contra quem é mais poderoso.

E esta série é poderosa nesse sentido, toda a opressão gera raiva, e a raiva gera rebelião. A intensidade dramática atinge pontos bastante altos sobretudo no segundo volume, pois se o primeiro Miss Bengalore projecta a estrutura da história, Margaridas do Inverno dá corpo e sobe a intensidade narrativa dando por vezes um autêntico murro no estômago do leitor.

Dorison está de parabéns com esta sua narração bem estruturada, fluída, com pormenores maravilhosos, colando muitas vezes a personalidade da personagem à personalidade animal intrínseca. Tudo sempre em crescendo levando a vários climax, cada vez mais fortes. Dorison consegue fazer-nos transmitir a violência que a resistência pacífica pode trazer, esta não é de todo uma história suave e calma, antes pelo contrário.

A representação Invernal ao nível narrativo casou perfeitamente com a arte e cor de Delep, e por aqui posso começar a falar do trabalho deste artista. Graficamente muito bom, com um traço poderoso quando é necessário, as personagens transmitem sentimentos fortes, enfim, foi uma aposta mais que ganha. A sua arte consegue ser brutal, e no primeiro volume posso assim de repente pensar nas paginas 26-27.

No primeiro volume a cor esteve a cargo de Delep com Jessica Bodard, mas no segundo volume o artista assume a cor toda, e muito bem. O Inverno e tudo o que se passa nele tem uma palete de cor irrepreensível que dá a intensidade que o desenho e a narrativa necessitam para fornecer o impacto necessário aos olhos do leitor.

Esta obra é daquelas simplesmente a ler a integrar no nosso sistema límbico cerebral. Abrir a mente absorver tudo aquilo e extrapolar para a nossa sociedade, encontrar os pontos de convergência, e não deixar entrar os Sílvios que estão aí a estender os chifres, a preparar o sistema para mais um misto de Animal Farm e 1984.


O segundo volume cimentou o rótulo de "obra poderosa" a este Castelo dos Animais. O Leituras de BD recomenda esta obra, se eu desse pontuação de tomatoes, estes seriam fresquíssimos :)

Boas leituras

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Lançamento Arte de Autor: O Castelo dos Animais Vol.2
- As Margaridas do Inverno

 


A Arte de Autor inicia o ano com a publicação do segundo volume desta excelente série: O Castelo dos Animais.

Já foi dito publicamente que o primeiro volume desta série, com o nome "Miss Bengalore", ficou aquém das expectativas comercialmente. Sinceramente foi algo que achei estranho devido à qualidade apresentada, e brevemente farei uma crítica detalhada ao 1º volume, para que quem não conheça se sinta mais conhecedor do que poderá encontrar esse primeiro volume. Que eu gostei muito posso dizê-lo sem gaguejar.

Fiquem com a nota de imprensa da editora Arte de Autor:


O CASTELO DOS ANIMAIS

AS MARGARIDAS DO INVERNO

O inverno conquistou o castelo. O clima é severo para os seus habitantes... Mas Miss B. e os seus amigos, o coelho César e o rato Azélar, não disseram a última palavra. 

Baptizado de "as Margaridas", o seu movimento continua. Para Miss B, derrotar a ditadura só pode ser feito evitando a mais terrível das armadilhas: a tentação da violência. Ela será capaz de convencer os seus amigos a resistirem pacificamente? O desafio parece muito difícil... 

Argumento: Xavier Dorison 
Desenho: Félix Delep 
Edição: Cartonada 
Número de páginas: 56 
Impressão: cores 
Formato: 232 x 310 
Editor: Arte de Autor 
ISBN: 978-989-54827-6-4 
PVP: 20,50€ 

Xavier Dorison conheceu o sucesso aos 25 anos com o seu primeiro argumento, Le Troisième Testament. Dedicou-se à escrita de séries como Sanctuaire e Long John Silver, com vendas superiores a dois milhões de exemplares. 
Em 2006, assinou com Fabien Nury o argumento do filme Brigadas do Tigre. Professor na escola Emile Cohl e nos Ateliers da NRF, publicou ainda a série de sucesso Undertaker (Dargaud) e também Comment faire fortune en Juin 40, na Casterman. 


Félix Delep nasceu em 1993, formou-se na escola Emile Cohl e O Castelo dos animais é o seu primeiro livro. 
Notável desenhador de animais e colorista brilhante, Felix Delep é também um talentoso narrador, influenciado sobretudo pelos cartoons de Tex Avery. 
Este é o seu segundo livro a ser publicado, onde reafirma a sua mestria ao desenhar animais






Boas leituras




quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Lançamento Arte de Autor/A Seita: Shangai Dream




As editoras Arte de Autor e A Seita uniram esforços para publicar em português a obra Shangai Dream de Philippe Thirault (argumento) e do português Jorge Miguel (desenho).

Contrariamente ao original, a obra em português será editada colectada em apenas um volume, e não em dois como no original francês. Possuirá ainda um Ex Libris exclusivo numa tiragem limitada de 99 exemplares.

Jorge Miguel é um virtuoso da escola Franco-Belga e tem trabalhado quase em exclusivo para fora do país relativamente à BD. Para o mercado nacional destaco o livro Camões: De Vós Não Conhecido Nem Sonhado?  do qual podem ler a minha crítica no link, assim como ver algumas imagens.



Shangai Dream

Sinopse:

Um jovem cineasta judeu alemão escapa da ameaça nazi em Xangai, onde é forçado a adaptar-se a uma nova terra lidando com a perda por meio da magia do cinema. Berlim, 1930. 

Os aspirantes a cineastas Bernhard e Illo estão perdidamente apaixonados, unidos pela sua paixão pelo cinema ... e agora, na véspera da Segunda Guerra Mundial, pode ser a única coisa que lhes resta. Enquanto as ruas fervem com as chamas do anti-semitismo violento, o casal não tem escolha a não ser abandonar sua casa e fugir para o exílio. 
Sem nada além de eles dois e um roteiro, conseguem embarcar num navio com destino a Xangai - uma cidade borbulhante e enigmática que promete liberdade ... mas a que custo? 

Uma abordagem humanística poderosa sobre a Segunda Guerra Mundial a partir da perspectiva não documentada da imigração judaica forçada para a China.

Informação das editoras:

É com orgulho que duas das mais relevantes editoras de banda desenhada do mercado português vêm apresentar o seu primeiro projecto conjunto, dedicado à obra de um autor português que misteriosamente permanecia desconhecido em Portugal, o artista Jorge Miguel. 

 A Arte de Autor é uma editora que se lançou em 2015, com um projecto vocacionado inicialmente para a edição de alguns grandes clássicos, quer de autores quer de personagens, da banda desenhada europeia, mas que rapidamente expandiu o seu catálogo para géneros e autores bem diversos. Projecto encabeçado por Vanda Rodrigues, conta já no seu catálogo com autores como Manara, Hugo Pratt, Bilal, Boucq, Jodorowsky ou Zidrou, e títulos e personagens icónicos como Corto Maltese, Bouncer ou as adaptações a BD de Agatha Christie, entre muitos outros, e tem vindo a tornar-se numa das editoras mais regulares e inovadoras de Portugal. 


Quanto à A Seita, ela é a convergência de vários projectos de banda desenhada que estavam integrados noutras editoras, ou que eram independentes. Reunindo uma série de selos, como por exemplo, a Comic Heart ou a colecção Aleph, previamente editados sob a chancela da G. Floy Portugal, e outros como a Bicho Carpinteiro, e um conjunto de parceiros fãs de BD envolvidos no mercado e na edição há já décadas em muitos casos, A Seita tem colocado a sua ênfase em títulos europeus, nomeadamente franco-belgas e italianos, e em autores portugueses, e afirmou-se em pouco tempo como uma das principais editoras nacionais. 

 Depois de contactos iniciais, as duas editoras decidiram unir as suas forças na edição da obra de um dos mais significativos e importantes artistas de banda desenhada nacionais que os fãs portugueses NÃO conhecem, Jorge Miguel, cuja carreira foi principalmente construída no mercado franco-belga, e em particular na mítica Les Humanoïdes Associés, e através dela, no mercado americano via a Humanoids, a actual casa-mãe da editora. 


E o primeiro álbum assim editado é Shanghai Dream - Edição Integral, com argumento de Philippe Thirault, uma interessante história que nos leva de volta à Segunda Guerra Mundial e à perseguição Nazi aos judeus, e a um episódio pouco conhecido, o da comunidade de refugiados judeus que se instalou em Xangai nesses anos. 

Nascido na Amadora em 1963, Jorge Miguel iniciou a sua carreira artística como ilustrador, trabalhando tanto no campo editorial, ilustrando livros escolares e desenhando para publicidade, como na pintura à vista, género que lhe permitiu desenvolver a sua excelente técnica de aguarela. Na BD a sua estreia deu-se em 2008 com Camões: De vós não Conhecido nem Sonhado? uma dinâmica e muito conseguida biografia de Camões, a que se seguiu O Fado Ilustrado, um retrato da Lisboa dos finais do século XIX centrado no quadro O Fado de José Malhoa (2011), ambos publicados pela editora Plátano, que já tinha publicado diversos livros escolares ilustrados por Jorge Miguel. 

 Desde 2012 que trabalha exclusivamente para o mercado francês, tendo oito títulos publicados na Humanoïdes Associés. Livros que abordam temáticas tão diversas como o terror, em Z Comme Zombies, o thriller em Seul Survivant e Arène des Balkans, a ficção cientifica em Les Decastés d’Orion e o drama histórico neste Shangai Dream, onde volta a trabalhar com Philippe Thirault, o argumentista de Arène des Balkans. 

Uma vasta e eclética produção, de grande qualidade gráfica, a que, até agora, os leitores portugueses não tinham acesso. Uma lacuna que a associação entre A Seita e a Arte de Autor vem procurar preencher com esta edição de Shangai Dream, a primeira coedição entre as duas editoras, que se juntaram para dar aos leitores portugueses a oportunidade de descobrir a obra de um artista português bem mais conhecido em França e nos EUA do que em Portugal. 


 Boas leituras




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