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quinta-feira, 11 de julho de 2024

Bouncer Vol.12 - Hecatombe


Violência sem limites. Violência física, moral e emocional. Se os outros livros da série já têm estes predicados, este último tem-no em quantidades absurdas!
E lama, muita lama.

O nome adequa-se perfeitamente ao que se passa neste último livro do meu western favorito, e para a Hecatombe ser maior, até o livro tem o dobro das páginas dos outros tomos, que é para ficarmos mesmo pregados.

Jodorowsky volta à série depois de um interregno de dois livros. Tive medo que a série perdesse a loucura nesses dois livros anteriores, em que foi substituído por François Boucq, que assumiu o argumento também (o desenho já lhe pertencia).  Mas tal não aconteceu, Boucq foi “evangelizado” naquele tipo de escrita e quase nem se dá pela falta de Jodorowsky!

Esta série começou a ser publicada em Portugal pela ASA em 2002 que interrompeu em 2012. Em 2017 a editora Arte de Autor pegou nesta série publicando dois volumes duplos, e agora este Hecatombe que coloca a publicação portuguesa ao lado da francesa.
Para mais informação sobre livros mais antigos da série cliquem neste link


Assim, estão publicados em português:

  1. Diamante para o Além (ASA)
  2. A Misericórdia dos Algozes (ASA)
  3. A Justiça das Serpentes (ASA)
  4. A Vingança do Carrasco (ASA)
  5. O Fascínio das Lobas (ASA)
  6. A Viúva Negra (ASA)
  7. Coração Dividido (ASA)
  8. To Hell (Arte de Autor)
  9. And Back (Arte de Autor)
  10. O Ouro Maldito (Arte de Autor)
  11. O Espinhaço de Dragão (Arte de Autor)
  12. Hecatombe (Arte de Autor)

De notar que na edição portuguesa desta série, A Viúva Negra / Coração Dividido, To Hell / And Back e O Ouro Maldito / O Espinhaço de Dragão são álbuns duplos.

Alexandro Jodorowsky já é um argumentista muito visto por aqui, neste blogue. Ele tem a mania de se cruzar com grandes obras da BD mundial, portanto nem me vou alongar muito com ele, o seu apetite por violência, droga, deformações, religião, fetiches sexuais ou transformações do corpo humano estão presentes em quase toda a sua obra, e aqui não poderiam faltar. Se quiserem ver mais obras em que falo dele, é só clicarem no link

Boucq continuo a pensar que tem o seu melhor trabalho de vida nesta série, tem sido admirável de ler e apreciar a sua arte cinematográfica, os seus maravilhosos grandes planos, e as sequências loucas de perseguições e duelos em toda a espécie de cenários, desde neve ao deserto é simplesmente brutal. Podem apreciar em outros posts do Bouncer, aqui no LBD, a sua arte.

Passando ao livro. As sequências iniciais são deprimentes logo para abrir. Barro City está sob mau tempo há bastante tempo. Imagens nocturnas chuvosas e a lama nas “ruas” colocam logo o leitor no estado de espírito correcto para esta história. Um grande e brutal final de ciclo a fazer jus ao nome: Hecatombe.

Eu chamo a este ciclo iniciado no livro To Hell Vol.8 “A Maldição do Ouro Austríaco”, desde esse livro não houve mais paz, e a carnificina foi sempre em crescendo até este pináculo da brutalidade humana.

Jodorowsky sempre conseguiu nos seus livros fazer vir ao de cima o que de pior o ser humano consegue fazer, e com requintes de malvadez quase sempre. Para quem conhece a série Tenente Blueberry, esta a mim agora, depois de conhecer Bouncer, parece uma história de escuteiros. 😅

O Bouncer maneta do Saloon Infierno nunca foi muito poupado ao longo da série, mas desta vez supera-se no tão baixo que se pode sentir e cair, e supera-se também na arrancada final de vingança. Corpos e corpos ficam pelo caminho.
Uma história fascinante, com direito a sucessivas reviravoltas, passes de magia e um final que nos deixa o estômago pesado.

Como notas menos boas, existe um plot hole básico no argumento e por vezes Boucq perde um pouco a qualidade, a espaços (poucos), que estamos habituados nele. Também não gostei muito de uma cena no final, mas pronto, nada que faça deslustrar este massacre. 😋
Já agora...  também senti a falta das páginas duplas com que Boucq me maravilhou ao longo da série. Este livro tem 140 páginas e não possui nem uma splash page. 😕

Por mim a série acabava aqui. E acabava com a honra de ser uma das melhores séries que li

O LBD recomenda este livro, e esta série.

Argumento: Alexandro Jodorowsky
Desenho : François Boucq
Edição: Cartonada
Número de páginas: 144
Formato : 232 x 310 mm a cores
Data de Edição: Novembro de 2023
ISBN: 978-989-9094-39-0
PVP: 31.00€

 


Boas leituras

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Os Cavaleiros de Heliópolis Vol.1: Nigredo / Albedo



Este foi um lançamento da Arte da Autor em 2019, que teve a sua conclusão com o segundo volume este mês, Abril de 2020. Farei a crítica a esse último volume para a semana.
De notar que os volumes são álbuns duplos, sendo este constituído pelos dois primeiros livros : Nigredo e Albedo.

O caminho que Alexandro Jodorowsky traçou em toda a sua carreira artística na 6ª, 7ª e 9ª Arte é completamente cheio de momentos e figuras com grandes cargas simbólicas, e sobretudo muitos excessos, sejam excessos da carne, sejam religiosos, xamânicos, de violência física, e emocional. Outra característica das suas obras é serem abertas a várias interpretações, muitas das sua obras não são de fácil absorção se o leitor/expectador quiser entrar mesmo dentro da cabeça deste chileno.

Em Os Cavaleiros de Heliópolis, Alexandro Jodorowsky faz uma viajem pelo mundo da alquimia abordando vários dos seus pilares, servindo-se para isso do mito do filho de Luís XVI.

Um dos grandes objectivos da alquimia é o elixir da longa vida, ou da vida eterna, o outro a transmutação em ouro, uma metáfora em que se acredita que tudo têm uma essência a parte mais pura do ser, ou seja, o seu ouro. Todos estes caminhos são desenvolvidos para atingir o objectivo supremo: a Pedra Filosofal.  Quem quiser saber mais sobre isto vá à descoberta de Jung! :D

Esta obra está temporalmente situado entre os séculos XVIII e XIX, apanhando a febre da Revolução Francesa com a queda de Luís XVI e Maria Antonieta e posterior ascensão de Napoleão Bonaparte.
Jodorowsky começa exactamente pela iniciação de um novo membro para a confraria d'Os Cavaleiros de Heliópolis, que seria o filho do casal real atrás referido, ou seja, o hipotético e mítico Luís XVII, daí o seu nome inicial nesta obra: 17.

Os alquimistas Cavaleiros são personagens conhecidas da História Universal como Lao-Tzé, Ezequiel, Nostradamus, João ou Imothep por exemplo. Esta primeira parte conta a história que está para trás relativa ao nascimento e posterior resgate de 17. Logo nesta primeira parte vêm à tona alguns excessos de Jodorowsky, um gorila gigante, que fala, servindo os Cavaleiros, e a apresentação de 17 como hermafrodita.

Jodorowsky segue os rituais alquímicos, sendo o primeiro Nigredo que dá o nome ao primeiro livro.
Nigredo designa o primeiro estado da alquimia: a morte espiritual, significando decomposição ou putrefacção.
Este livro tem uma primeira parte de mais excessos de violência, muita intensidade e brutalidade. É a parte que conta o início da vida de 17.
Depois temos já um 17, rebaptizado como Asiamar após passar o teste do Nigredo, a cumprir a sua primeira missão, e aqui passamos para uma parte mais aventureira e rápida, com perseguições e duelos.

Seguindo para o segundo livro deste primeiro volume, temos Albedo designado pelos alquimistas como o segundo estado do Magnum opus significando a purificação.
Neste livro Albedo é-nos apresentada a personagem de Napoleão. Este estivera para ser escolhido para entrar na fraternidade dos Cavaleiros de Heliópolis, mas entrou em demência megalómana querendo a imortalidade e poder absoluto, tornando-se assim em inimigo dos Cavaleiros.

A história de Napoleão é-nos contada por um Cavaleiro que esteve junto dele até perceber que os valores Humanos de Napoleão eram quase nulos, fugindo nessa altura. Esta jornada cobre a busca de Napoleão pela imortalidade no Egipto.




Entretanto Asiamar passa a segunda etapa na sua formação conseguindo atingir o objectivo do teste Albedo, recebendo a seguir mais uma missão. Desta feita irá surgir a sua parte feminina (ele é hermafrodita, não esquecer) e o objectivo é Napoleão.

Passando à parte gráfica, Jérémy Petiqueux exibe um desenho realista e brutal nos pormenores. A ambiência histórica está muito bem feita e detalhada. As sua página quando necessário são impregnada de velocidade e acção e penso que conseguiu pôr no papel aquilo que ia na cabeça de Jodorowsky. Gostei muito mesmo. Quanto à cor, esteve a cargo de Felideus e também gostei muito. Soube usar muito bem as paletes de cor adaptando-as aos momentos e cenas que Jérémy desenhou e Jodorowsky idealizou. Ambientes vermelhos, ambientes dourados outros mais crus e frios, sempre que era desejado para fazer vibrar uma página Felideus escolheu a palete certa na minha óptica (e gosto).




O livro... bem o livro como objecto foi trabalhado pela Arte de Autor de uma maneira que eu só posso dizer que é excelente. Uma maravilha ao tacto, um tamanho grandioso e sendo duplo torna a leitura um prazer imenso. Não posso deixar de falar também da gramagem do papel. Tudo neste livro está feito para o leitor ter o tal prazer imenso na leitura. :)




O Leituras de BD recomenda este livro


Boas leituras






quarta-feira, 4 de março de 2015

Lançamento Levoir: Colecção Novela Gráfica - A Louca do Sacré-Coeur



Quinta-Feira (amanhã) vai sair o segundo volume desta excelente colecção. E sim, agora vamos a coisas mais sérias!
(E bolas... a capa tem mamilos, espero que o Blogger e o Facebook não se importem...)
:D

Eu estava para falar um pouco deste livro, estilo uma apresentação, mas não vale a pena. A informação recebida da Levoir sobre este livro é extensa e completa!

Vou só queixar-me de uma coisa. Estou a editar o que escrevi antes, em que pensei que a culpa da redução de tamanho era da Levoir. Não, é mesmo da Humanoides que ao editar o integral desta obra (são 3 volumes num só) reduziu o tamanho. Acho isto infeliz. Pronto. É a minha opinião que gosto de grandes formatos.

Bom... fiquem então com a informação da editora:

A LOUCA DO SACRÉ-COEUR
Alejandro Jodorowsky e Moebius

Alain Mangel, professor de filosofia na Sorbonne, é seduzido por uma das suas alunas, Elisabeth. Possuída por verdadeiros delírios místicos, ela arrastará o professor para um furacão de acontecimentos inesperados e delirantes que irão pôr à prova a racionalidade de Mangel. Paródia mística, farsa sagrada, caminho iniciático, exorcismo, o percurso do protagonista vai levá-lo a abrir os seus olhos para outra realidade.

Alejandro Jodorowsky é um dos nomes mais importantes do teatro e cinema dos finais do século 20, um escritor e artista ligado ao surrealismo e a muitos vanguardismos. Criador, com Topor e Arrabal, do grupo de performance surreal Mouvement Panique, autor de filmes tão marcantes como El Topo ou Santa Sangre, Jodorowsky viria a enveredar por caminhos mais místicos, como o "psico-xamanismo" que criou, mas sem nunca cair na loucura, como o seu herói Antonin Artaud, a quem foi buscar muita da sua inspiração. Com um currículo deste calibre, pode parecer surpreendente que ele seja também conhecido como um dos maiores autores de banda-desenhada de sempre, uma carreira que iniciou nos anos 1980 depois do seu encontro com Jean Giraud, mais conhecido como Moebius, o outro criador que assina este álbum, A Louca do Sacré-Coeur.


Esse encontro deu-se por causa dos filmes de Jodorowsky. Depois de ter feito El Topo - geralmente descrito como um "western on acid" - Jodo (como é muitas vezes chamado) mudou-se para os EUA, onde realizou Holy Mountain, outro filme complexo e esotérico que lhe granjeou enorme fama na cena underground de Nova Iorque. Jodorowsky foi então convidado para realizar aquela que ele queria que fosse a sua obra-prima, a versão cinematográfica da saga de ficção-científica de Frank Herbert, Dune. E foi durante a pré-produção deste filme que conheceu Moebius, na altura em plena fase da revista Métal Hurlant... e, como se costuma dizer, o resto é história. A produção de Dune falhou completamente - Salvador Dalí tinha aceitado aparecer no filme no papel do Imperador Corrino, e pedia 100,00$ por minuto que aparecesse no ecrã, a música tinha sido encomendada aos Pink Floyd e a Stockhausen, Orson Welles ia fazer de Barão Harkonnen e muitas outras loucuras em que Jodorowsky gastou mais de 2 milhões de dólares, só em pré-produção - mas a amizade de Jodo com Moebius continuou, e resultou na publicação em 1981 do primeiro álbum daquela que seria uma das mais aclamadas e mais vendidas séries de banda-desenhada de sempre, O Incal.

"Um dia, uma jovem que assistia a um dos meus cursos de tarot veio falar comigo depois da aula, ela e mais duas amigas, todas atacadas por algum tipo de loucura colectiva. Pediu-me que eu lhe fizesse um filho! Dizia que eu era Zacarias e queria gerar comigo um novo João Baptista."
- Jodorowsky

Mais de uma década depois, Jodorowsky e Moebius voltariam a colaborar neste fantástico Louca do Sacré-Coeur, em que Moebius volta a um registo de desenho mais próximo da linha clara franco-belga, mas em que aparecem sempre que necessário os momentos surreais e futuristas que fizeram a sua fama em O Incal. Depois de anos em que enalteceu a via mística e da loucura sagrada, Jodorowsky assinou este argumento que é crítica da religião dominante, revisitação da Imaculada Concepção em versão comédia louca, e ao mesmo tempo busca que a sua personagem central vai fazer por uma verdade mais profunda. Jodorowsky ri-se simultaneamente da filosofia ocidental e séria, da universidade, do misticismo selvagem, da religião, do New Age e faz uma paródia de Carlos Castañeda, num livro que é um marco na carreira destes grandes autores, e ao mesmo tempo uma das suas obras mais singulares.

Drama, religião, sexo, você goza com tudo neste livro, no fundo?
"Claro, mas a história acaba numa nota muito positiva. Vemos como é que um homem, saído da tradição do intelectualismo europeu e roubado das suas emoções e dos seus instintos, vai encontrar circunstâncias que o atiram para um mundo mágico - que também é o mundo da loucura - e como esse homem, que não tem meios para se defender nessa dimensão, e que se torna rapidamente numa vítima, vai finalmente descobrir quem é, e com essa descoberta vai recuperar os valores mais profundos que tinha perdido. E, no fim, o milagre acontece. E é uma conclusão lógica: a trilogia é toda ela uma apologia do milagre. Quando o amor existe, o milagre acontece..."
- Jodorowsky

Originalmente publicada em três volumes - La Folle du Sacré-Coeur (1992), Le Piège de l'Irrationnel (1993), Le Fou de la Sorbonne (1998) - a trilogia viria a ser mais tarde baptizada com o nome de Le Coeur Couronné, O Coração Coroado. A versão editada pela Levoir/PÚBLICO segue a recente edição integral francesa no formato (mais próximo do americano) e no nome, mantendo o título do primeiro álbum, pelo qual a história é mais conhecida.

Quanto a Jodorowsky, recomendamos a todos os seus fãs que vejam o fabuloso documentário que Frank Pavich lhe dedicou, Jodorowsky's Dune: The Greatest Science-Fiction never made, cujos trailers são fáceis de encontrar no YouTube, bem como uma genial entrevista chamada Alejandro Jodorowsky on "The Dance of Reality" and the healing power of art.






























Boas leituras

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bouncer



Normalmente não me sinto atraído por estórias baseadas no Oeste norte-americano, mas há excepções!
Iniciei-me com o maravilhoso Comanche, depois veio Blueberry e mais recentemente Bouncer.
Bouncer é único. Só Jodorowsky conseguiria imaginar uma tragédia Shakespeariana deste calibre no Oeste selvagem! Como Jodorowsky disse numa entrevista:
“Quis criar um Western Shakespeariano, com um toque de Tragédia Antiga”.
Os ingredientes são inúmeros… Segredos familiares, vingança, traição, violência, armas, droga, mutilações, duelos, deformações e aquilo que não pode faltar nunca num livro de BD: surpreender o leitor!

Jodorowsky contem a sua “loucura” nesta série, talvez porque é um Western e também porque Boucq, o artista de serviço, o deve ter refreado um pouco nos temas religiosos e nas mutilações e respectivas próteses. Assim temos um Western ao natural, “só” com sangue e balas!
Lista de títulos:

Diamante para o Além
A Misericórdia dos Algozes
A Justiça das Serpentes
A Vingança do Carrasco
O Fascínio das Lobas
A Viúva Negra
Coração Dividido

Nesta sua visão brutal sobre o Oeste Americano, as personagens são quase todos verosímeis (expecto uma) e Jodorowsky apresenta-nos Bouncer, um pistoleiro a quem foi amputado o braço direito. Bouncer deve o seu nome devido ao seu trabalho num “saloon”, onde era o homem que resolvia problemas… mas o passado acaba por o atingir na pessoa do seu sobrinho Seth. Bouncer consegue-nos absorver nos seus movimentos dando-nos uma maravilhosa vingança, e por outro lado as duas facetas da vida na relação professor/aluno.

  Eu não queria alongar-me nem falar sobre a narrativa e estória da série. Isto iria estragar completamente a leitura de quem se decida a comprar esta bela série… posso dizer que os livros editados pela ASA têm os ciclos completos, todos eles. Ou seja ninguém vai ficar pendurado, e inclusivamente este último livro editado pela ASA, um álbum duplo, tem o ciclo completo também (aparentemente). A ASA com a edição do último livro pôs-se ao lado das edições francesas, isto é, os portugueses não estão atrasados na série!

Boucq tem aqui o seu melhor trabalho, na minha opinião, de sempre. A sua visão cinematográfica nos grandes planos paisagísticos, nas sequências rápidas de duelos, lutas, perseguições, estendendo as vinhetas por vezes por duas páginas ao comprido… é de uma beleza ímpar! Os homens são homens, e não são bonitos garantidamente, são apenas homens duros do Oeste selvagem, as mulheres são mulheres absolutamente normais, não há pin-ups para dar um toque especial, os animais estão muito bem retratados nas suas posturas e movimentos. E as cores… as cores são lindas! Aquelas paisagens retratando o Canyon e a pradaria estão mesmo de babar, Boucq captou toda a essência do Oeste selvagem.
Série recomendadíssima, foi do melhor que li ultimamente, mas recomendo a leitura seguida. Os ciclos estão completos, mas há sempre referências a actos passados.


Hardcover
Criado por: Alejandro Jodorowsky e Boucq
Editado entre 2002 e 2012 pela ASA


Boas leituras

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sang Royal Vol.1: Noces Sacrilèges


A minha primeira crítica a um livro em francês: Sang Royal Vol.1: Noces Sacrilèges!
Desenganem-se os que pensam que já fui aprender francês, não isso não é verdade…
:)
Quando fui ao grande festival de Angoulême o ano passado comprei um livro (compro sempre livros em festivais de BD) e a escolha na altura recaiu neste título. A arte cativou-se e o autor da estória era nada mais que o grande Jodorowsky. O livro ficou na prateleira para futura leitura, para quando aprendesse francês. Mas… mas existe um site brasileiro ..:: Ndrangheta & DecK'Arte ::. que faz boas “scanlations” para português e eu não tive hesitações, fiz o download e li no computador com o livro ao meu lado!
Assim li o primeiro livro em francês (essa língua maricas)!
Os autores são o já referido Jodorowsky nos textos, e o incrível Dongzi Liu na parte artística. Assim um artista chinês de Manhua (BD chinesa) aliou-se a um roteirista chileno para uma saga que promete chocar quem a ler.
Jodorowsky é mais do que conhecido pelo seu trabalho em títulos como Incal, Casta dos Metabarões, Depois do Incal, Tecnopapas, Antes do Incal, Incal Final, Castaka, O Lama Branco, Juan Solo, Bórgia , Face de Lua, Megalex, Armas do Metabarão e Bouncer (quase tudo títulos editados em português na sua maioria total ou parcialmente). Não há grande coisa a dizer deste grande nome.
Para Dongzi Liu este foi o primeiro trabalho de nomeada, portanto um autor a descobrir!
Sang Royal tem como cenário uma época Medieval violenta e uma família Real destruída por traições e laços amorosos.
Jodorowsky gosta de chocar, é um facto. Gosta de abanar as nossas mentes pondo tabus cruamente a descoberto, e se em Bórgia tratou de um caso de incesto sobejamente conhecido historicamente, em Sang Royal o incesto é levado ficcionalmente ao extremo. Não sei se Jodorowsky tem um problema mal resolvido com incesto, ou simplesmente se gosta de chocar e descobriu que a ligação incestuosa era das menos aceites socialmente no mundo e cultura ocidental. Qualquer que seja a razão este tema surge como centro de toda esta estória. Como estória de um primeiro volume está excelente, Jodorowsky também é cineasta e sabe como fazer uma planificação de guião irrepreensível. A estória flui sempre muita homogenia, mesmo quando a acção muda de cenário ou temporalmente. Não há quebras, o livro não deixa o leitor parar de ler até ao final, e quando se chega ao final chora-se pelo volume seguinte! É isto que se espera de um primeiro volume: forte!
Mas nada disto seria a mesma coisa sem Dongzi Liu… a arte deste chinês é fantástica, de uma beleza que não está ao alcance de todos. Utilizando uma paleta de cores sóbrias, em que usa muitas cores neutras consegue um ambiente muito belo, mas ao mesmo tempo choca e agride quando assim a estória o exige. As figuras humanas são retratadas muitas vezes num registo um pouco sujo, fazendo contraponto com outras (sobretudo a figura feminina) se quer que sejam belas, angélicas mesmo.
Esta estória choque tem como base uma traição, e como final uma vingança cruel.
A traição vem do primo do Rei Alvar, este Rei era um grande guerreiro e bastava a sua presença para fazer com que meia batalha já estivesse ganha. Mas numa batalha é atingido por uma flecha provocando uma ferida muito grave… afasta-se da batalha com o seu primo e pede a este (muito parecido fisicamente) para vestir a sua armadura e voltar à batalha para fazer crer aos seus guerreiros que o Rei estava bem e ia conduzi-los à vitória. O primo assim faz, mas faz muito mais que isso… infecta-lhe a ferida propositadamente e rouba-lhe o título, o nome, o lugar e a família. Alvar é encontrado por uma mulher feia, corcunda entre outras enfermidades, que o recolhe e trata. Mas Alvar ficou louco! Os acontecimentos recentes retiraram-lhe a razão e acaba por pensar que esta mulher que vive longe dos homens na floresta é a sua mulher. Acabam por ter uma filha. Alvar recobra a razão passados 10 longos anos e parte deixando o anel Real com a mulher deformada. Não vou spoilar a partir daqui, apenas digo que passados uns anos volta reencontrar a filha, e o encontro foi escaldante…
Livro que eu recomendo a quem saiba ler francês.
E também para quem sabe francês, saiu o ano passado em Junho o segundo volume da série: Crime et Châtiment. Com este segundo volume a série fica completa.

Boas leituras

Hardcover
Criado por: Alejandro Jodorowsky e Dongzi Liu
Editado em 2010 pela Glénat
Nota : 9,5 em 10

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Lançamento ASA: Bórgia Volume 4 - Tudo é Vaidade


Sai dos armazéns da ASA para as livrarias no dia 16 o último volume da excelente saga Bórgia! Dos sobejamente conhecidos e reconhecidos Jodorowsky (textos) e Manara (arte) esta estória teve uns sobressaltos nos primeiros volumes devido a desentendimentos, mas felizmente acabou tudo bem, ganhando nós os leitores com isso!
Fica uma pequena linha fornecida pela ASA:

BÓRGIA - Tudo é Vaidade (tomo 4)

A expedição a Itália do Rei Carlos VIII de França termina em Nápoles com o afogamento do soberano nas lavas incandescentes do Vesúvio. Liberto do compromisso sacerdotal pelo seu pai, César Bórgia sonha reconquistar o país…

PVP: 16,20 €

Sobre os outros volumes, existe informação nestes links:

Bórgia Volume 1: Sangue para o Papa

Bórgia Volume 2: O Poder e o Incesto

Bórgia Volume 3 - As Chamas da Pira

Boas leituras

terça-feira, 18 de maio de 2010

Bórgia Volume 3 - As Chamas da Pira


Com este terceiro volume igualamos as edições francesas nesta tetralogia (espera-se que seja…) de Manara e Jodorowsky. Em poucos meses a ASA recuperou o tempo perdido (ainda passaram alguns anos do primeiro para o segundo volume), e mais uma vez temos o prazer de ver a inigualável arte de Milo Manara a ser servido por mais um excelente argumento Alexandro Jodorowsky.
Não há muito para dizer sobre este terceiro tomo (sem ser elogios), os autores mantêm o nível e parece que a idade não passa por eles.
Mais um episódio na vida do Papa Alexandre VI, que cada vez está mais velho, mais tarado e mais apertado pelos seus inimigos. Os seus filhos, que ele queria unidos como os dedos de uma mão, não lhe obedecem como gostaria tornando a sua tarefa de continuidade no poder ainda mais difícil. Desta vez, e depois de promover o incesto entre Lucrécia e César, acaba ele por cair nesse mesmo incesto fazendo amor com a própria filha! Bom… foi por engano! Este Papa cada vez mais pesado pela idade, procura (para além do poder) também jovens fogosas para o satisfazer sexualmente. Assim resgata a prima de Lucrécia do convento, onde estas estiveram juntas, e que resgate! Violência sobre violência, assassinato sobre assassinato… tudo serve para agredir (até uma estátua de uma santa serve de aríete e um crucifixo de estilete).
Rodrigo Bórgia vai-se defendendo, fazendo e desfazendo alianças, virando inimigos para o seu lado, mas criando outros. Há dois que ele não consegue evitar: a peste e Savaranola!
O livro está carregado de erotismo, as imagens expostas não o sugerem mas se quiserem ver como estes dois autores descrevem o deboche da santa igreja leiam o livro!
Vamos esperar que saia em França o último tomo desta série para ver como Jodorowsky pensou o desfecho, e segundo ouvi dizer parece que é um livro bastante grande. Venha ele!
Recomendo vivamente.
Para mais informações sobre a série, podem clicar nos seguintes links:

Bórgia Vol.1: Sangue para o Papa

Bórgia Volume 2: O Poder e o Incesto

Boas leituras!

Hardcover
Criado por: Alexandro Jodorowsky e Milo Manara
Editado em 2010 pela ASA
Nota média da série: 9 em 10

terça-feira, 2 de março de 2010

Lançamento ASA: Bórgia Vol.2 - O Poder e o Incesto


Este princípio de ano tem sido muito melhor que o ano passado! Muitos lançamento, e agora a ASA volta à carga com mais alguns livros.
No dia 4 de Março (este mês) vai para as livrarias a tão aguardada continuação de Bórgia Vol.1: Sangue para o Papa de Jodorowski e Manara.
Fiaca um pequeno press release da ASA

BÓRGIA – O PODER E O INCESTO

As diabólicas manipulações do catalão Rodrigo Bórgia fizeram-no subir ao trono Papal. Mas Roma é uma cidade completamente decadente, onde reinam as orgias, a imoralidade e o cinismo político e religioso. Este novo Papa, com a ajuda de Maquiavel, está disposto a tudo para engrandecer o nome e o poder dos Bórgia. Para isso, vai casar os filhos com pessoas poderosas e influentes. É Lucrécia, até então recolhida num convento, quem vai ter o papel principal ao casar com o homossexual Giovanni Sforza, sobrinho do homem mais poderoso de Milão. Ao mesmo tempo que, com o apoio do pai, mantém uma relação incestuosa com o irmão César.
Mas em Florença, Savonarola, atribui ao Papa a culpa de todos os males e fazem-se alianças políticas com o intuito de o destituir.
O clã Bórgia evoca a todos imagens diabólicas: a violência, as orgias, o despotismo, a imoralidade… mas, para além disto, o que é que realmente sabemos desta ilustre família?

Quando tiver mais informações eu actualizo!
;)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Incal Final Vol.1: Os Quatro John Difool


Este sim! Este levou-me a reler novamente o Incal e a aperceber-me do que se tinha passado na última página do sexto livro do O Incal, “A 5ª Essência: O Planeta Difool”, editado pela Meribérica em 1990.
Jodorowsky continua a trabalhar o universo Incal e com esta série, segundo ele diz, vai encerrar o ciclo do O Incal. Está série, Incal Final está prevista para ser um díptico (dois livros) surgindo a seguir a uma série que nunca foi editada em português, “Avant l`Incal” (Depois do Incal). Este “Depois do Incal” não conheço, embora tenha lido bastantes críticas positivas, mas pelo que eu percebi não é bem uma série mas sim o contar de episódios e envolvências que ficaram por contar ou explicar no Incal.
O “Incal Final” começa exactamente na última página da série Incal, é mesmo uma continuação, e isso alegra-me pois para séries derivadas já bastam as várias sagas diferentes dos Metabarões (Casta dos Metabarões, Castaka, Armas do Metabarão) e Tecnopapas (gostaria muito de ver esta editada em português!).
O autor é Jodorowsky, o grande arquitecto deste universo imaginário, e desta vez o desenhador é o mexicano José Ladrönn. Este já tinha colaborado com Jodorowsky em alguns momentos do Incal, mas sobretudo é conhecido no mundo dos comics norte-americanos pelos seus trabalhos em “Cable”, “Inhumans” e “Hip Flask”. Também colaborou como autor de capas em grandes sagas como “Planet Hulk” e “Countdown to Infinite Crisis - The Omac Project”.
O traço deste mexicano é excelente, como podem verificar todos aqueles que comprarem este livro, e tendo como influência Juan Jimenez e Moebius, consegue descolar destes mostrando que tem personalidade e muita qualidade.
Em relação à estória do livro não vou adiantar muito, mas fiquem já a saber que os “quatro” não são as quatro partes da personalidade de Difool que o Incal mostrou no livro “O Incal Negro” (da série original), mas sim quatro John Difool em quatro estádios de desenvolvimento espiritual diferente. Não há dúvida que o “multiverso” está na moda! Continuamos a ter as excelentes metáforas, sobretudo agora com o histerismo e medo de determinadas doenças, temos ainda o esoterismo sempre presente e aquela linguagem muito particular deste universo (adoro tecnocretino e homeoputa :D ). Já agora e para não fazer confusão, a dona do coração de John Difool neste livro, Louz de Garra, não é a Animah da primeira série! Pelo que investiguei vem da série “Antes do Incal” (apenas o volume nº1 editado pela Meribérica).
O livro funcionou bem e fiquei com muita vontade de ler o segundo, infelizmente ainda não está editado no original… espero que quando sair em França a Vitamina BD acompanhe e termine esta série!
Gostei!
Boas leituras.

Hardcover
Criado por: Alejandro Jodorowsky e José Ladrönn
Editado em 2009 pela Vitamina BD
Nota : 9,5 em 10

sábado, 5 de dezembro de 2009

As Armas do Metabarão


Saiu no dia 1 deste mês, durante a comemoração dos quinze anos da BD Mania, mais uma das séries derivadas do Incal: As Armas do Metabarão. Bem, saíram mais três mas isso fica para depois…
Os autores são Alexandro Jodorowsky, Zoran Janjetov e Travis Charest. Jodorowsky continua a expandir o universo do Incal com séries derivadas de séries, como por exemplo, d´A Casta dos Metabarões (que derivou do Incal) saiu Castaka e As Armas do Metabarão. Desta vez o Metabarão protagonista é o mesmo da série Incal, ou seja, o Metabarão do “presente”. Este é filho do Metabarão andrógino, Aghora, e é conhecido como o “Sem Nome”. A arte inicialmente esteve a cargo do canadiano Travis Charest, mas a sua lentidão foi tão exasperante que a editora francesa Humanoïdes Associés o substituiu por Zoran Janjetov. Assim, Charest é responsável pela capa e pelas páginas nº 9 até 37, ficando as restantes a cargo de Janjetov. O jugoslavo Janjetov já tinha trabalhado com Jodorowsky no universo Incal (Os Tecnopapas, Antes do Incal, Depois do Incal) e provou que é mesmo muito bom, mas felizmente ele não é o único artista deste livro! Charest é brilhante, as suas páginas brilham em cor e pormenor e é sem dúvida a grande mais-valia deste livro. Infelizmente é muito muito lento, o que não lhe dá hipótese de fazer muita Banda Desenhada. As duas páginas presentes neste post são ambas de Charest e felizmente este livro foi editado em português, assim fiquei a conhecer o enorme talento deste canadiano.
A estória conta o inicio de “Sem Nome” como Metabarão desde o ritual parricida de pai e filho lutarem até à morte (manda a tradição que o filho saia vencedor). Depois de “Sem Nome” derrotar e matar e o seu pai/mãe (Aghora tinha os dois sexos), recebendo a marca dos Castaka no seu peito, viaja até ao planeta vivo, Omphale, lutando aí para receber as suas primeiras armas especiais, viajando depois para o espaço, onde irá lutar pela posse das restantes armas que fazem do Metabarão o guerreiro supremo.
O cenário é magnífico, mas os textos de Jodorowsky neste livro (é um livro fechado sem continuação) não são brilhantes. Vale mesmo a arte dos dois desenhadores que são a alma deste livro! E a minha pontuação premeia isso mesmo, a arte superior apresentada.
Também é de referir que felizmente a Vitamina BD acordou, com uma tripla edição:
- As Armas do Metabarão
- Incal Final Vol.1: Os Quatro John Difool
- A Herança de Bois-Maury: Vassya
A Vitamina BD está a apostar em várias séries derivadas do Incal, e todas elas apenas com um livro editado no original. Espero que os segundos volumes não tardem, e que a Vitamina os edite.
Está a ser um bom final de ano, e ainda não acabou!
Boas leituras :)

Hardcover
Criado por: Alejandro Jodorowsky, Travis Charest e Zoran Janjetov
Editado em 2009 pela Vitamina BD
Nota : 8 em 10

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