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domingo, 20 de junho de 2010

Bela mas Perigosa


“O Inferno é um lugar diferente…”
Sartre

“Bela mas Perigosa” (So Beautiful and so Dangerous, no original) foi uma obra marcante para mim na BD. Saiu em 1980 pela Meribérica, tinha eu 16 anos, e foi aí que eu descobri que havia Banda Desenhada com um grafismo completamente diferente do que conhecia até à altura (ainda por cima com figuras femininas nuas…), com textos perfeitamente enquadrados para um adolescente com uma boa cultura geral. As referências a outras artes são inúmeras desde Sartre, Rolling Stones, Einstein ou William Shakespeare. As ideias apresentadas são ao gosto de qualquer adolescente da altura, os de agora não sei se compreenderiam metade das situações, trocadilhos ou ideias…
O autor coloca como subtítulo desta obra “O Primeiro conto existencialista de Ficção-Científica”, e acho que Angus McKie diz tudo com isto. Toda a narrativa assenta numa base de Ficção-Científica, mas toda ela está rodeada de referências filosóficas, trocadilhos e com a presença constante de humor muito fino e inteligente.
Na nave espacial do “alien” Sisyphus são acolhidos (tipo encontros imediatos de 3º grau) toda a espécie de rejeitados da sociedade Terrena, todos à procura de uma vida nova que lavasse o seu passado triste na Terra. O objectivo é Axis, o centro da Galáxia. Uma das personagens é a cara chapada de Woddy Allen, e isto não é por acaso… faz parte da sátira sempre presente durante a estória! Os protagonistas passam por diversas aventuras pejadas de seres monstruosos e com dúvidas filosóficas/existenciais que põem em causa a sua própria sanidade mental!
Falando de Angus McKie como artista, enfim… na altura ele fez à mão o que agora fazem em programas de imagem em computador. Foi muito à frente! Ninguém estava habituado a uma arte tão cuidada e trabalhada. Os detalhes e pormenores são deliciosos! Angus Mckie trabalhou nalguns projectos de Banda Desenhada como revista 2000AD, mas neste momento trabalha essencialmente em animação.
O livro começa com uma frase de Sartre e acaba com um verso dos Rolling Stones seguido de uma citação de “Hamlet”.
Provavelmente os jovens de agora apenas perceberiam as referências relacionadas com drogas e exclusão social, mas vale a pena tentarem perceber este livro! Sairiam mais ricos. Angus McKie tem uma mente inteligente, super aberta e de uma grande cultura. As situações presentes no livro chegam a ser caricatas, mas sempre com um propósito.
Há uma vinheta deste livro que eu nunca hei-de esquecer (enquanto não ficar com o cérebro esclerosado… claro…) que é onde o robot Titan, que nem sequer tem uma forma humana, consegue ir para a cama com uma mulher, onde implicitamente fizeram sexo, e depois na hora do relaxe (onde ela fuma o cigarro “do depois”) ele lhe explica com um ar descontraído o que era Axis… bem, quem não leu não percebe… a situação é tão estranha e inverosímil, mas ao mesmo é apresentada de uma forma tão banal que me ficou marcada na altura!
A quem tem o livro aconselho a releitura, a quem não tem aconselho a sua aquisição, embora algumas situações estejam um pouco datadas, mas acho que foi um marco na BD, na senda de autores como Moebius e Druillet.
Boas leituras!

Hardcover
Criado por Angus McKie
Editado em 1980 pela Meribérica
Nota : 8,5 em 10

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