Para finalizar os meus apontamentos sobre o 20º Amadora BD vou fazer um balanço pessoal sobre o evento que decorreu, na vertente de visitante e de comprador.
Em relação à localização do evento já ouvi falar várias vezes da “Fábrica da Cultura”, ora como eu nunca conheci o festival sem ser no Fórum Luís de Camões, não sofro do saudosismo que muitas pessoas sentem quando fazem a comparação entre um local e outro. Para mim o Fórum é um bom local em si próprio, tendo apenas a pecha de possuir poucos lugares de estacionamento. Quando oiço falar da estação de Metro até me arrepio… acho que nunca iria a tal lugar para um festival do que quer que fosse! O segredo estará de certeza em potenciar ao máximo o Fórum Luís de Camões. Em relação à dispersão de exposições e outras actividades noutros locais da Amadora, eu como visitante de fora do concelho só tenho de discordar! Não conheço a Amadora e nunca irei andar às voltas pela cidade para descobrir uma exposição aqui e acolá. Agora se essas exposições e actividades são direccionadas apenas para os habitantes locais, penso que será uma estratégia como outra qualquer, neste caso e para mim, é má!
A primeira impressão que eu tive deste festival foi o “logo” e toda a decoração feita pelo Rui Lacas. Muito boa, foi a primeira vez que eu gostei de um cartaz de um festival de BD! Outra interessante decoração interior foram os “bonequinhos” feitos no site do Amadora BD, por quem aderiu a esta iniciativa, e impressos nas paredes do corredor do piso 0. Foi um toque pessoal de muitos visitantes do festival, que assim contribuíram na decoração do evento.
Gostei da muita gente que encheu literalmente o Fórum durante os três fim-de-semana que durou o evento.
Agora por partes:
Exposições
Não vi as que se encontravam espalhadas pela Amadora (mais uma vez), mas na generalidade as sediadas no Fórum Luís Camões eram muito boas. Vou referir pela sua excelência a exposição de Lepage e a dos autores polacos. Foram das melhores exposições que já vi relacionadas com BD. Pela negativa a dos 50 anos de Asterix. Compreendo que seria difícil obter pranchas originais deste herói, pois por toda a Europa se comemorava o mesmo evento, mas por isso mesmo era necessária mais imaginação por parte do responsável por esta exposição. Em relação à disposição das exposições penso que se encontravam bastante bem dispostas pelos dois pisos, e vou fazer referência à dedicada a Rui Lacas, muito bem conseguida, e à mostra histórica dos 20 anos do FIBDA.Autores
Muitos, e muitos portugueses. Gostei do espaço, muito melhor que no ano passado, com os “slots” bem dispostos em linha, permitindo aos “caçadores de autógrafos” situarem-se bem em relação aos autores. Compreendo que será difícil trazer alguns autores de renome, sobretudo norte-americanos e japoneses (parece que são extremamente exigentes…), mas acho que esteve bem em relação à qualidade e quantidade de nomes. Neste aspecto acho que se deveria privilegiar mais autores com obra publicada por cá, para não haver problemas de má disposição como aconteceu com os polacos… quer dizer, o homem chateou-se porque as pessoas lhe levavam folhas em branco para ele fazer um sketch, mas se ele não tinha obra publicada cá, nem à venda em língua estrangeira no recinto comercial, o que é que ele queria?Adorei a disponibilidade dos autores portugueses que na sua generalidade foram muito profissionais nos seus sketch, embora Ricardo Cabral não tenha sido feliz no tema das aguarelas com que brindou muitos dos leitores presentes.
De qualquer maneira, e estou a falar sem perceber muito do assunto, julgo que se houver contactos atempados entre a direcção do festival, editoras e livreiros se poderia ter um lote ainda melhor de autores estrangeiros.
Já agora, acho que não vale a pena marcar autógrafos para as 15:00, visto que nunca começam a essa hora…
Espaço Comercial
Bem, acho que neste aspecto está toda a gente de acordo! Estava mal dimensionado, escuro, escondido, claustrofóbico. Não estava amigo nem dos livreiros nem do público. Vou repetir mais uma vez, aquele mono central estragou toda a área. Retirou visibilidade e impediu que existisse um zona de descanso com mesas e cadeiras, que promoveriam mais aqueles momentos em que fãs BD que só encontram nesta altura se sentam para falar do “vício”, e em vez disso tínhamos de estar de pé a trabalhar para as varizes.Prémios
Normalmente não gosto muito de falar deste assunto porque acho o sistema injusto. Mas este ano eu possuía todos os livros a concurso (autores portugueses) e sinceramente nunca pensei que a Metrópole Feérica ganhasse os três prémios! Não estou a menosprezar o livro, gosto bastante dele, mas é um livro que está na fronteira entre a BD e a ilustração. Sendo o prémio para Banda Desenhada achava que tanto “A Fórmula da Felicidade” como o “Menino Triste” dividissem os prémios!Bem, junto-me ao Refém e ao Verbal, que segundo dizem não percebem nada de BD, assim como eu.
Off-topic … estamos em começar a organizar uns almocinhos para nós e mais alguém que se queira juntar mas que não perceba nada de Banda Desenhada :D
Lançamentos
Houve bastantes de autores portugueses! Viva! Nota positiva para esta situação.Alguns deles poderão já ter visto aqui no Blog:BRK
Israel: Sketchbook
Mucha
Bang Bang Ultimate Vol.1
Outros houve, mas que eu ainda não tenho como é o caso de Asteroid Fighters (Rui Lacas).
Compras
Havia muita escolha entre as várias lojas presentes (mais um vez e infelizmente a BD Mania não esteve presente), desde BD Nacional, traduzida, em inglês, espanhol e inglês. Claro que fiz algumas compras e vi alguns livros bastante interessantes e difíceis de encontrar.O balanço é positivo, diverti-me bastante, encontrei bastante gente interessante e claro que vou repetir para o ano. Espero que a direcção comunique mais com os outros intervenientes no festival, para que as falhas que vão surgindo sejam minoradas ou mesmo eliminadas. Sei que é difícil resolver alguns problemas devido à grande dimensão do festival, mas isso deveria servir de estímulo à direcção para os resolver! Acho que comunicação é palavra-chave para muitos dos pontos negativos que aconteceram este ano.
Em relação ao desafio de Mário Freitas da Kingpin Books, “Amadora 2009 - Eu contribuí. E vocês?”, eu só posso contribuir com a divulgação do evento, o que eu acho que fiz, e com a minha presença ao longo dos três fim-de-semanas que durou o evento, dando a minha opinião sobre aspectos positivos e outros não tão bons a alguns membros da direcção do Amadora BD. De resto a minha intervenção só pode ser apenas de informação.
Ficam links para outras opiniões, sobretudo de alguns livreiros que vêem o festival com olhos:
20º Amadora BD - As minhas impressões finais
Amadora 2009 – Eu contribuí. E vocês?
As "notas" esmiúçam o Amadora BD
Para finalizar mais umas fotos de autores presentes este ano.
Achdé
Boucq
David Lloyd
David Soares
François Schuiten
Gisela Martins
Korky Paul
Mário Freitas
Maurício
Natália Batista
Yosh
Lançamento Bang Bang Ultimate Vol.1 - Hugo Teixeira e Machado Dias
Lançamento Asteroid Fighters Vol.1 - Maria José, Rui Lacas e Pepe
Ufaa... isto deu trabalho!
:D